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Mercado de falências éticas

por John Wolf, em 24.09.16

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O mercado de falências éticas não está fechado. Aliás, nunca fechou. É um centro comercial aberto 24 sobre 24 horas. O mais difícil é chegar a um preço justo, dados os valores em causa. Quanto vale meia dúzia de homenagens a Sócrates? Será que se podem trocar duas por uma nomeação quente na Goldman Sachs? E os Isaltinos podem ser transaccionados no mercado secundário? Não existe uma entidade reguladora para estabelecer as paridades? Dois Cadilhes por uma Felgueiras? Uma antiguidade Oliveira e Costa por um Pedroso restaurado? Um SISA Vitorino por um terço de BPN Rendeiro? Acho vergonhoso que não exista um supervisor que ponha cobro a este mercado negro. Já agora quanto rende um Carlos Alexandre? Meio Pinto Monteiro? Ou três paletes de Procuradores da República? Será que cabe tudo numa caixa geral?

 

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publicado às 10:36

Sim, entre outras coisas...

por Nuno Castelo-Branco, em 24.09.16

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...também somos caçadores-recolectores

 

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publicado às 07:00

Obrigado, Mortáguas

por Nuno Gonçalo Poças, em 22.09.16

Em 1961, Palma Inácio, Camilo Mortágua e outros personagens que a história rapidamente fez esquecer, desviavam o “Mouzinho de Albuquerque”, um avião da TAP que cumpria a rota Casablanca-Lisboa. O aparelho devia ter aterrado na capital perto das 11 horas, mas acabou por ser utilizado pelos piratas do ar para fazer distribuir mais de 100 mil panfletos revolucionários sobre várias cidades do País. O terrorismo aéreo fez escola em Portugal muito antes de Bin Laden.

No mesmo ano, o mesmo Camilo Mortágua, desta vez sob o comando de Henrique Galvão, tomou de assalto o paquete Santa Maria, onde viajavam 600 turistas a caminho de Miami, e desviou-o para o Brasil. A verdade é que a “Santa Liberdade” não olhava a meios para atingir os seus fins. A nobre missão fora preparada por Galvão e Humberto Delgado, o antigo apoiante da Alemanha nazi, antigo Procurador à Câmara Corporativa no Estado Novo e antigo Chefe da Missão Militar junto da NATO, nomeado por Salazar, nesta altura já mais preocupado em desviar navios.

Já em 1967, a dupla Palma Inácio e Camilo Mortágua (também com a companhia de mais umas personalidades que o tempo tem feito o favor de ignorar) resolveu assaltar a sucursal do Banco de Portugal na Figueira da Foz, de onde roubou mais de 29 milhões de escudos – qualquer coisa como 10 milhões de euros, a preços de hoje. Porque as revoluções não se fazem com filantropos.

Já depois do 25 de Abril, Camilo Mortágua liderou, com Wilson Filipe, a ocupação da Herdade da Torre Bela, a maior área agrícola murada do País. Desta ocupação resultou um documentário realizado pelo alemão Thomas Harlan, um cineasta de extrema-esquerda, que se deu ao trabalho de filmar o quotidiano da “revolução”, sumptuosamente instalado nos aposentos do Duque de Lafões, o real proprietário da Herdade. Graças a essas imagens, temos hoje a possibilidade de olhar para 1975 e perceber o que temos hoje.

Um oficial do Exército em revolução conferiu legalidade à ocupação e ao sonho de Mortágua e Wilson: «Eu acho que, de maneira nenhuma, podem estar ou devem estar à espera que legalmente saia um decreto a dizer que vocês podem ocupar. Vocês ocupam e a lei há-de vir, pá».

Para a história – muito graças às filmagens e à divulgação permitida pelas novas tecnologias – ficou um marcante episódio que envolveu Wilson Filipe e um trabalhador. O “revolucionário” explicava-lhe o caminho para a riqueza através do socialismo. O outro, mais inteligente, só via naquilo uma forma de esbulho e não abdicava da enxada.

A Herdade da Torre Bela era (e é) associada ao 1% da população portuguesa. Ocupar aquilo que era de tão poucos, e que tinham tanto, não tinha outro objectivo para além da redistribuição. O que era de tão poucos passaria a ser de todos. O Duque de Lafões estava a acumular em excesso, pelo que era necessário redistribuir pelos que pouco ou nada tinham.

Nenhuma daquela gente ficou menos pobre com a ocupação. Camilo Mortágua, em 1978, acabaria por aviar a trouxa e seguir a sua vida, reconhecendo o fracasso que fora a experiência. Não funcionou. O Duque de Lafões tinha ficado sem a Torre Bela; os ocupantes continuavam com o que tinham antes da ocupação. Camilo Mortágua, em 2005, afirmou ao Correio da Manhã que “não é possível fazer vingar uma experiência numa sociedade que caminha noutro sentido”. A experiência estava a vingar, a sociedade é que não estava a seguir a mesma linha. Mariana Mortágua, a filha do terrorista que a comunicação social continua a tratar como um “revolucionário romântico”, preocupa-se por estar “a dizer coisas que as pessoas não entendem”. Ninguém percebe os Mortágua. Nem mesmo quando se está a falar só de 1%. Dos ricos. Dessa gente que tudo tem. E que é preciso arruinar.

Recentemente, em 2011, Camilo Mortágua dizia ter “muito receio que à juventude de hoje não tenhamos sido capazes de transmitir a experiência do passado”. Como sempre, acredito que também aqui estava errado. Nós aprendemos com a experiência do passado. Tal como as gentes do passado aprenderam com essas experiências. O País, na sua grande maioria, percebeu que é a quem tem muito que se exige que contribua mais. Mas também percebeu que não se lhes deve exigir ao ponto de ficarmos sem eles, porque não ganhamos nada com isso. Percebemos que o roubo ao 1% significaria, mais tarde ou mais cedo, o roubo aos 99%. Até ao dia em que tudo fosse do Estado. Em que tudo fosse da Revolução – assim, com maiúscula.

Mariana Mortágua aprendeu com o pai. O resto do País também.

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publicado às 21:24

A perda como essência do conservadorismo (2)

por Samuel de Paiva Pires, em 22.09.16

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 Andrew Sullivan, A Alma Conservadora:

Não constitui, pois, grande surpresa que o primeiro grande texto sobre o conservadorismo anglo-americano, as Reflections on the Revolution in France (Reflexões sobre a Revolução Francesa) de Edmund Burke, verse todo ele sobre a perda. Trata-se de um longo discurso desesperado e eloquente em relação à injustificada destruição da velha ordem. Quando os revolucionários franceses tomaram de assalto a Bastilha e deitaram abaixo uma monarquia e a Igreja, refizeram o calendário e executaram milhares de dissidentes em nome de uma nova era para a humanidade, Burke sentiu, antes de mais, uma enorme tristeza. O seu primeiro impulso foi ficar de luto pelo que se perdera. Ficou de luto embora nada daquilo lhe pertencesse. Não era a mesma coisa do que, na verdade, defender a velha ordem, a qual a muitos títulos era indefensável, tal como Burke acaba por admitir. Era simplesmente para lembrar aos seus companheiros humanos que a sociedade é uma coisa complicada, que as suas estruturas se desenvolvem não por meio de acidentes mas por meio da evolução, e que mesmo os laços mais imperfeitos que unem os indivíduos não podem ser cortados à toa em nome de uma ideia de perfeição que ainda nem sequer tomou forma.

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publicado às 21:12

A alegoria da acumulação do BE

por John Wolf, em 22.09.16

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Queria encontrar outro tema para explorar, mas regresso ao mesmo. São questões incontornáveis. São pedras no sapato. São alergias e urticárias provocadas pela audácia descarada de quem nem sequer consegue apalpar o conceito de riqueza - a ideia de que o mundo abunda em meios financeiros acumulados é totalmente falsa. A maior parte do "dinheiro" está consignada a propriedades imobiliárias (na forma de residências principais) e fundos de pensões que investem em títulos de tesouro e acções. Quando um governo ataca a sua própria base de poupança, invocando falsas teses de redistribuição de riqueza, operada pela via fiscal persecutória, omite a grande tendência de ascensão económica e social do nosso mundo. São os aforristas chineses e indianos que demonstram o caminho da sustentabilidade. São nativos desses países que têm vindo progressivamente a "pôr de parte" uma parte dos rendimentos auferidos do trabalho para dispor dos mesmos no último terço das suas vidas enquanto complemento de reforma. Ou seja, mesmo que os sistemas de pensões não entrem em falência material, estarão "minimamente" preparados para o advento do mesmo. O Bloco de Esquerda (BE) faz leitura diversa da realidade. Ao castrar a ideia de poupança e "acumulação" grande ou pequena, lança sobre os ombros da administração central um ainda maior fardo de garantia de sustentação dos seus súbditos. A riqueza acumulada a que se refere a mestrina Mortágua não está parada num cofre à tio Patinhas. Essas "fortunas" de 51 mil euros residem em aplicações dinâmicas buscando um maior ou menor retorno conforme a tolerância de risco do titular. Ora essa predisposição, essa inclinação para dar um destino ao que monetariamente nos pertence, é uma prerrogativa dos cidadãos de um Estado alegadamente democrático. São os cidadãos que devem escolher o modo como interpretam o futuro. São os pequenos ou grandes investidores que decidem quem os deve governar. Nessa medida, e atendendo à declarada autofagia do BE, encontramo-nos diante de uma profecia que realizar-se-á sem grande necessidade de nervosismo ou alarido. O radicalismo extremo encontra sempre uma saída - um beco daqueles que tão bem conhecemos.

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publicado às 10:34

Quem reinventou o capitalismo?

por John Wolf, em 21.09.16

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Já acumulei horas e mais horas de voo com o incorrecto axioma monetário de Mariana Mortágua. Já pedalei muito. A detentora da pasta das finanças do Bloco de Esquerda e do Partido Socialista não está a prestar atenção às grandes correntes e tendências de moda do Banco Central Europeu (BCE). A troupe de Mario Draghi não menciona a função fiscal dos governos de países em apuros na última tirada vinda a público. Refere sim a importância de genuínas reformas estruturais conducentes ao crescimento das economias dos países da Zona Euro. Refere o lado da oferta agregada e não destaca o papel da procura - ou seja, de nada serve o pobretanas receber umas notas sacadas ao vilão que acumulou fortuna. Aliás, podemos e devemos ir mais longe. O capital avultado, "concentrado", se desejarem, se for sujeito a uma "reforma agrária-fiscal" de transformação em "minifúndio", perde a sua força transformadora. Por outras palavras, tirar a quem acumula para dar a quem não é empreendedor, mas mero consumidor, retira virilidade à realidade macro-económica. O que pensa a Mariana Mortágua sobre o que tem feito o BCE nos últimos tempos? Tem feito a sua vontade. Não tem deixado acumular grande coisa nos cofres desse banco e tem distribuído mundos e fundos pelos Estados em apuros. A compra de títulos de dívida pelo BCE corresponde, em certa medida, ao idioma recente da declamante bloquista. Mas o problema de fundamentalistas amblíopes é terem vistas curtas, umbilicais. O problema, vasto e complexo, não se encaixa no radicalismo que o BE procura encarnar. No entanto, existe uma outra leitura exclusivamente política. O BE  pode estar a preparar o próximo ciclo de poder. Saber onde encaixa levanta algumas dúvidas existenciais. Cinicamente, mesmo que não o saibam, a iminência de mais umas ajudas de custo em forma de novo resgate, não se pode excluir. Um descalabro do governo de geringonça obriga o BE (e o PCP, embora menos) a pensar a travessia do deserto. Por isso a doutrina Mortágua de reinvenção do capitalismo foi agora lançada. Funciona como uma apólice de seguro para desastres políticos naturais - aqueles que sabemos que estão para acontecer mais dia menos dia.

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publicado às 08:58

A perda como essência do conservadorismo

por Samuel de Paiva Pires, em 20.09.16

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Andrew Sullivan, A Alma Conservadora:

 

Todo o conservadorismo parte de uma perda.

 

Se nunca soubéssemos o que é a perda, nunca sentiríamos a necessidade de conservar, e isso é a essência de qualquer conservadorismo. As nossas vidas, uma série de momentos desconectados de experiência, simplesmente mover-se-iam sem esforço, deixando o passado para trás quase sem nenhuma retrospectiva. Mas o facto de o ser humano ter autoconsciência e memória força-nos a confrontar o que já passou e o que poderia ter sido. E nesses momentos de confrontação com o tempo somos todos conservadores.”


(..)

 

Há um bocadinho de conservadorismo na alma de toda a gente – mesmo na daqueles que orgulhosamente dizem que são liberais. Ninguém é imune à perda. Todos envelhecemos. Podemos observar o nosso próprio envelhecimento e declínio; vemos como as novas gerações nos suplantam e nos ultrapassam. Cada vida humana é uma série de pequenas e grandes perdas – perdemos os nossos pais, a juventude, o optimismo fácil dos jovens adultos e a esperança incerta da meia-idade – até que nos confrontamos com a última perda, a da nossa própria vida. Não temos maneira de o evitar; e a força e a durabilidade do temperamento conservador parte deste facto, e também lida com ele. A vida é impermanente. A perda é real. A morte é certa. Não há nada que possa mudar isto – nenhuma nova aurora da humanidade, nenhuma maravilha tecnológica, nenhuma teoria, ideologia ou governo. Intrínseca à experiência humana – aquilo que nos separa dos animais – é a memória das coisas passadas. E é também a transformação dessa memória numa identidade consciente de si mesma. Por isso a perda imprime-se nos nossos espíritos e almas e forma-nos. É parte daquilo que somos.

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publicado às 22:27

Morte, Água

por Fernando Melro dos Santos, em 20.09.16

Os portugueses sabem bem que o Estado gerirá sempre com rigor a redistribuição do vil proveito conseguido em vida por quantos, desprovidos de consciência social, o usam para fins egoístas e salazarentos como beber vinho tinto, quando ainda há tantas festas do Bloco onde ele (cedo ou tarde) falta. 

 

Por exemplo, com o número de série 5815, foi publicado hoje o Anúncio de Procedimento seguinte:


Descrição: Aquisição de serviços de manutenção de todas as fontes, lagos, espelhos de água e geiser marítimo do Município de Oeiras.
Entidade: Município de Oeiras
Preço Base: 543185.28 €

 

Não consigo pensar em nada mais torpe e reaccionário do que deixar o Município de Oeiras sem o geiser marítimo em pleno e perpétuo estado de ejaculação aquífera. 

 

A seguir temos que perder a vergonha e ir buscar um rim às pessoas que acumulam dois. 

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publicado às 09:09

 

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Mariana Mortágua procura uma editora para sua nova obra - Dicionário de Ultra-liberais de Esquerda. A académica propõe reinventar a roda fiscal, os eixos da economia e o porta-luvas das poupanças. Com tanto entusiasmo pôs a carroça à frente do PS, mas espetou-se na primeira curva. O que declama não faz sentido. O que enuncia lembra a loucura. O que defende nem sequer é defensável. A confusão que vai naquela cabeça faz-nos temer certos desfechos. Entramos no domínio da irracionalidade pura. Mas ainda mais gritante será o modo como o Bloco de Esquerda (BE) compromete o seu património de correligionários que fez depósitos de fé na ideia de justiça económica e social. Ora o que propõe Mortágua fere de morte a ideia de poupança, de sustentabilidade, de trabalho e o conceito de esperança que deve acompanhar cada cidadão no seu processo de crescimento. Resta saber se a fiscalidade de furto a que se propõe se inscreve nas medidas de ajustamento negociadas com o Partido Socialista (PS). Naquela noite quente de desfecho eleitoral repartido, será que o PS aceitou tudo e mais alguma coisa do guião para cativar o poder? Ou será que isto não fazia parte do combinado? Em todo o caso, face à elevação da fasquia radical, o PS ficou encostado à parede. Ou alinha nestas loucuras ou perde a credencial atribuída pelo BE. No meio deste marasmo, lentamente vislumbramos a consolidação de um partido mais conservador, mais comedido. O Partido Comunista Português (PCP), se for inteligente, pode e deve capitalizar nas eleições autárquicas que se avizinham. Não tem muitas mais hipóteses. Colocar-se ainda mais à Esquerda do BE parece impossível. A régua ideológica fundamentalista acaba ali. Depois cai-se no abismo. A senhora Mortágua ainda não percebeu quais são as virtudes democráticas do capitalismo. São as transferências voluntárias de riqueza que fazem bem ao espírito da nação. São os projectos edificados por capitalistas privados que estão na base da livre expressão. Não existe construção imaterial, a não ser aquela de ordem filosófica. A realidade baseia-se nessa premissa. O BE deve rever os seus preconceitos. O BE deve repensar a sua doutrina. O BE quer acabar com a livre circulação de capitais? Não conhece os pilares da arquitectura da União Europeia? Já faltou mais para algo terrível acontecer. Quando as ideias não existem e os partidos são bens de consumo rápido, não há nada a fazer. Alguém deve ser internado. O país está a ficar louco com tanta asneira.

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publicado às 08:34

Blogs do Ano - Vota Estado Sentido

por Samuel de Paiva Pires, em 19.09.16

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No âmbito dos Prémios Blogs do Ano, iniciativa promovida pela Media Capital, o Estado Sentido é um dos 4 blogs finalistas na categoria de Política, Economia e Negócios. Agora será o público a decidir qual será o blog vencedor em cada uma das categorias. A votação estará aberta até dia 19 de Outubro e pode-se votar uma vez por dia em cada dispositivo de acesso à internet. Assim, apelamos a todos os nossos leitores e amigos que, ao longo destas semanas, votem no nosso blog. Contamos convosco! 

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publicado às 11:45

Rentrée

por Fernando Melro dos Santos, em 19.09.16

Bom dia. 

 

O título em epígrafe é o nome que se dá, de uma forma geral, ao acto de reentrar. Mais particularmente, é também o período vagamente compreendido entre finais do mês de Agosto e as primeiras semanas de Setembro, término das "férias grandes" que nos países mediterrânicos correspondem por tradição ao aproveitamento do Estio.

 

Outrora, nos tempos de antanho em que eu, tenro petiz nascido em 1971, crescia num Portugal e numa Europa ainda viçosos de saúde industrial, cultural, e demográfica, era usual que com a rentrée se finasse concorrentemente a silly season, um intervalo de tempo grosso modo sobreposto às férias, e cujo espírito semelhante ao do Carnaval se pautava pela dedicação a frivolidades, notícias fúteis, e outras inconsequências normalmente circunscritas ao espaço mediático como o futebol, as nádegas de uma celebridade, os assaltos a vivendas vazias, presidentes da república a cavalo em tartarugas e toda uma pluralidade de festejos circenses com que as pessoas, alquebrantadas por meses de labor feroz, podiam desligar a mente antes do regresso à dura rotina.

 

Daquela parte ao tempo hodierno, porém, a silly season tornou-se perene; à dureza salutar dantes implícita no fim das férias, já é preciso olhar como se contempla outros arcaísmos lusos, a saber famílias com filhos, jovens sem animais de estimação, mercearias abertas, pessoas alfabetizadas, etc. numa lista infindável de saudosismos, certamente apodáveis de salazarentos pela estéril, mas progressista, cidadania do século XXI.

 

Rentrée descreve ainda, se traduzida à letra, a transição em que um objecto voador - a exemplo, uma cápsula espacial onde o escriba, qual alienígena ungido pela boa fortuna, possa ter passado meses fora desta aldeia mátria - vindo do cosmos, reingressa nas calotes amnióticas da atmosfera que envolve a nossa amada Terra. 

 

O que vê o escriba logo quando se depara com a atmosfera? Bom, não vê nada porque está tudo coberto de fumo, oriundo de florestas que ardem. Bombeiros voluntários, na sua maioria pessoas abnegadas e sem posses a quem é fornecido algum equipamento vetusto, defeituoso, incompleto e a principesca quantia de €1.88/h para que deixem as suas famílias rumo à contenção da desgraça, combatem as chamas ano após ano, morte após morte, ministra após bronzeada ministra e orçamento após sindicalizado orçamento. Vistas do reino uraniano, portanto, as coisas parecem continuar como sempre foram, o que para um alienígena indica que os autóctones devem estar contentes uma vez que estas duas vontades, a de ter um país que não arde e a de retribuir aos bombeiros o seu sacrifício, não parecem ocupar lugar cimeiro na sua lista de preocupações.

 

Seguindo o bólide na sua trajectória descendente, crianças e jovens, dos 5 aos 55 anos, reingressam também no ciclo lectivo. Manuais novos são editados em substituição dos anteriores, que estão frescos e pouco ou nada folheados mas cuja função escolarizante foi ditada obsoleta pelo planeador central em estrita colaboração com as editoras e sindicatos que compõem a manta social onde se realiza o eterno, feliz, ligeiro, fácil e moderno piquenique no qual se tornou o ensino, ferramenta essencial à contínua produção de iletrados, incapazes de ler uma notícia até ao fim e com espírito crítico, que por seu turno amadurecerão para se tornarem ferramentas cruciais à manutenção da apatia.

 

É de certa forma poético que o país tenha por Primeiro-Ministro um descendente de hindus, pois é kármica a situação tenebrosa que hoje formata, quotidianamente e minuto após maníaco-depressivo minuto, a cabeça dos estudantes portugueses. Senão vejamos: quem foi o obreiro mestre (não é o mesmo que mestre-de-obras) da degradação implacável que se abateu sobre a Escola? A quem devemos a profusão de professores ignaros, deprimidos e reduzidos a escriturários; de instalações sem dinheiro para tinteiros, mas construídas por empresas amigas do ambiente (e do ministro) por verdadeiros resgates de Creso; os curricula estupidificantes e ideologicamente anacrónicos? Ora, que vulto, que outra nova fantasia épico-molhada dos portuguesinhos, uma vez conquistada a baliza aos trinetos de Napoleão (nota-se muito que somos um povo anquilosado no ontem que foi e no amanhã que canta?) poderia ter feito eclodir a desintegração irreversível do saber e da sabedoria num país inteiro? Nenhum outro que o delicodoce, e absolutamente inútil, António Guterres, ora candidato ao assento cimeiro nas Nações Unidas. Se Guterres aparvalhou uns milhões de putos a partir de São Bento, imaginem o que não fará com a batuta da ONU. 

 

À medida que a cápsula desce, a contaminação do ar é notória: já não se consegue pensar com elevação sobre sacrifícios, abnegação, ensino e floresta. A atenção é avassalada por eflúvios cada vez mais nauseabundos. Mais abaixo, quase rente ao chão onde só há gente morta, detritos e vermes, um jornal outrora sério onde agora pontificam lunáticos militantes do PCP e histriónicas com falhas na medicação, dedica-se de edição inteira a aproveitar o facto de mais alguém, neste caso um Saraiva, ter escrito um livro sem valor para arrastar na lama, como se de um reality show inane e boçal ou de uma claque de futebol se tratasse, a imagem de um dos únicos políticos portugueses minimamente competentes, Pedro Passos Coelho - o outro é Adolfo Mesquita Nunes, mas essa história fica para depois.

O mesmo jornal, pela pena de uma das histriónicas, louvara em 2010 o lançamento de um livro de semelhante teor, levado à lombada por uma São José. O mesmo jornal publica diariamente com atraso, pela rama e pejadas de erros factuais, notícias que até poderiam ser importantes. O mesmo jornal, em 2009, não deixou de perpetrar sabe-se lá por que meios uma vendetta sobre um seu ex-director, Fernando Lima (corrido de lá por protesto da redacção, e depois feito assessor de comunicação do PR Cavaco Silva) conduzindo a um proto-golpe de Estado em que se falou de escutas ilegais, conluio entre polícias, urdiduras promíscuas na umbra do então Governo  e como se não bastasse, debitando ainda hoje, em 2016, novamente a propósito do lançamento de um livro redigido por Lima, artigos atrás de artigos na mesma senda agitadora à boa maneira comunista.

Talvez os únicos livros bons em Portugal sejam então, além do Testamento do Presidente Ho Chi Minh e das revelações escritas por lésbicas de esquerda, os manuais escolares aprovados pelo ministro sombra, dirigente da FenProf, e seus sequazes enquistados nas direcções regionais de educação e nas editoras. Tudo o resto é para conotar com a psicopatia, Salazar, o analfabetismo retrógrado e Satanás.

 

Disse há dias a uns amigos que o esquerdismo é o cancro da mente. Não pude escolher outra metáfora, por não ser uma doença estática, dado que evolui para refinamentos cada vez mais céleres - veja-se o caso de Camilo Mortágua, que roubava à laia de salteador, e da filha Mariana, que no espaço de uma geração sofisticou a coisa e pretende roubar por via institucional com o beneplácito e aplauso salivante das matilhas rendistas, ou seja, dos 70% da população que se alimentam do trabalho alheio.

É o ciclo de Kubler-Ross: o eleitorado está em negação, a Mortágua na fase da raiva, o PS em negociação e nós todos em depressão. Falta ver por quanto tempo a aceitação perdurará. 

 

A carta já vai longa e tenho bastante mais o que fazer. Obrigado pela atenção dispensada e Deus nos guarde que os maluquinhos tomaram, de vez, conta do asilo. Ainda virão o Orçamento, os refugiados, a chuva que não permite usar chinelos, o Trump, o serviço militar obrigatório e outra miríade de iterações do eterno retorno às chatices da vidinha, como se Portugal fosse uma versão curta e muda d'O Dia da Marmota onde nada nunca altera o estado das coisas. Mas para já era só. 

 

Bem hajam e cuidadinho lá fora. Leitura recomendada para acordar: esta entrevista maravilhosa de Arturo Pérez-Reverte.

 

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publicado às 05:53

O Marquês da Bacalhoa

por Nuno Castelo-Branco, em 19.09.16

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 Foi obra saudada à época como um dos caboucos do Regicídio e da república de 1910, um gatilho em forma de escrita. A propósito da apresentação de mais uma edição buraco da fechadura, parece-me bastante curiosa a fúria a que por estes dias temos assistido.


Boa mensagem de regeneração das mentes é toda esta raiva, pois a vida privada dos agentes do poder não passa disso, apenas interessa aos mesmos.

Quanto ao Marquês da Bacalhoa, foi livro de encomenda e duplamente vergonhoso, pois não tendo um pingo de verdade, indelevelmente manchou a reputação dos dois titulares da Majestade. Na sua varanda que dava para uma ampla vista da Baía do Espírito Santo, em Lourenço Marques, o meu bisavô que ali se estabelecera misteriosamente logo após os acontecimentos de 1908, por vezes falava daquele passado já muito distante, insurgindo-se tardiamente contra os ..."actos que infelizmente tiveram trágicas consequências nas quais jamais pensámos. Matámos o melhor entre os melhores e hoje vivemos nisto". Todos compreendiam em silêncio. Tinha ele razão no mea culpa. 

Sintomaticamente foi o Marquês da Bacalhoa calorosamente recebido pela ínfima, desordeira, subversiva e ruidosa opinião pública que girava em torno de copázios de carrascão na Baixa de Lisboa, os mesmos que pouco depois destruíram o regime de então. 

Sinal dos tempos, pelo que se lê e escuta, os detentores directos e indirectos do poder instituído aprenderam a lição. 

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publicado às 01:05

O BE e o despudor do roubo

por John Wolf, em 18.09.16

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A cada semana que passa confirmamos o seguinte. O Partido Socialista tornou-se refém do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português. A ministra das finanças Mariana Mortágua transformou-se em Peter Pan (PAN, também fazes parte disto!). Quer roubar a quem está a acumular dinheiro? Como não fazem ideia de como se cria uma economia vibrante e se gera riqueza, preferem ir assaltar propriedade alheia. Assistimos à venezuelização de Portugal. Somos testemunhas da nacionalização de património privado. Só que há aqui um pequeno problema que a Esquerda desenfreada terá de enfrentar. Muitos dos ricos que querem comer fazem parte das hostes do governo. São socialistas milionários ou são comunistas detentores de vastas propriedades imobiliárias. Ou seja, é uma pescadinha de rabo na boca. Riqueza acumulada? Pois bem. As reservas do Estado Português são exactamente o quê? As toneladas de ouro de Portugal pertencem a quem? E os fundos detidos pela Segurança Social não será dinheiro malparado? Já agora os fundos soberanos da Noruega também devem ser alvo desta intempérie? Porque afinal, o Bloco de Esquerda, que se diz europeísta, deve pensar à escala da União Europeia. Deve apresentar a sua moção de "perca de vergonha" às instâncias legítimas. Deve submeter o plano às congéneres tsipristas ou podemistas para evitar que um certo governo europeu se torne em pária. O que se passa é tão grave quanto um Hofer ser eleito na Áustria ou um Trump passar a residir na Casa Branca. As manas Mortágua e a Catarina Martins não devem ser egoístas. Devem repartir os espólios dos despojos de guerra com os camaradas oprimidos por essa Europa fora. Lamentavelmente, embora previsivelmente, Portugal está nas mãos da extrema esquerda. Antes queriam umas coisas. Agora querem o caviar dos outros.

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publicado às 12:26

Fachada poente a precisar de Ajuda

por Nuno Castelo-Branco, em 17.09.16

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 Ficou hoje a conhecer-se mais um dos muitos projectos apresentados para o remate da fachada poente daquele que é o maior e mais imponente edifício público da capital portuguesa.


Dispensando quaisquer comentários a respeito do gosto ou desgosto que os esboços mostraram, esta construção, mesmo com o previsível isco dos fundos do Turismo e da apresentação em exposição permanente das muito desfalcadas Jóias da Coroa, não pode ser iniciada sem a prévia consulta a quem mais interessa, ou seja, os habitantes de Lisboa.  

O Palácio da Ajuda não é uma construção da qual se possa dispor à la carte, não pode estar à diposição de um projecto de promoção pessoal, ou de qualquer partido Desde que se ergueu tem sido uma sede de  poder, seja ele o monárquico ou o republicano. Nele se pavoneiam vaidades na recepção do corpo diplomático e ali se inauguram presidências e governos, por muito efémeros que sejam. É um local emprestado pela nossa história, um eco de um passado relativamente glorioso. Aqueles brilhos dos adamascados e dourados, as pratas e porcelanas, as pinturas e tapeçarias, os bibelots assinados, os torneados do mobiliário daquela mescla de estilos, o bric-a-brac de Dª Maria Pia de Sabóia, impressiona os nacionais e os estrangeiros. Não é nenhuma novidade, aquela colecção marcou uma época e por milagre praticamente íntegra - apesar dos acontecimentos da 1ª república, da visita recolectora da aventureira com quem o infante D. Afonso se casou, da retirada de mobiliário e peças decorativas que o regime da 2ª república colocou em embaixadas -, é um cenário infinitamente superior em termos de prestígio e harmonia, a uma banal construção que qualquer um dos regimes que sucedeu ao ciclone de 1910, tenha erguido nas respectivas Expo. Das pedras lavradas e pinturas murais da Ajuda à bela pala de betão armado do antigo Pavilhão de Portugal, vai uma boa distância e os nossos senhores não hesitam na escolha do decor. Sejam então coerentes.

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 Poderá a entidade mais ansiosa, a Câmara Municipal, esgrimir argumentos a favor da "rápida conclusão de uma obra que já tarda e é urgente", mas estas atitudes em nada abonam quem decide e muito dependerá da confiança de uma população muito desconfiada por este inesperado inferno eleitoral de ciclovias, alargamento de passeios, demolições a eito e sem consulta, desrespeito pelo próprio inventário municipal e outras habituais habilidades comezinhas. Bem poderá então escudar-se atrás do MC e do Turismo, mas o protagonismo é totalmente seu, nada de manobras de ilusionismo. O protagonismo e o interesse.


O projecto existe há bastante mais de meio século e é da autoria do arquitecto Raul Lino que se manteve fiel à ínfima parte construída do risco original que a Ajuda teve nos finais do século XVIII e alvorada de oitocentos. O Palácio jamais foi concluído e será supérfluo inventariarmos as razões para tal incúria sobretudo devida às vicissitudes da política, às mudanças e de regime e à sempre latente penúria financeira. Anos após a sua concepção, Salazar, a braços com uma guerra em três frentes africanas e assoberbado pela construção da Ponte, não pôde dar andamento a este projecto que hoje, a ter sido concluído, já teria beneficiado da patine da passagem de meio século e muito provavelmente, com interiores a condizerem com a fachada. Seria parte da paisagem urbana. Não se fez, paciência, outros valores se levantaram, mesmo quando alguém teve a ideia de construir de raiz um Centro Cultural em Belém, nem sequer aproveitando o que já existia no alto do bairro lisboeta da Ajuda. Idem quanto ao Museu dos Coches, naquelas cíclicas, bastante oportunas para uns tantos e previsíveis derrapagens orçamentais que em muito lesaram o crédito e a respeitabilidade de quem decidiu e ordenou. Este é o país em que os cidadãos enviam cartas registadas aos governantes e estes, nada preocupados, nem sequer se dão ao trabalho de acusar a recepção. Foi o que sucedeu há perto de três décadas, quando do anúncio da construção do CCB e alguém lhes terá chamado a atenção para o aproveitamento da parte a reconstruir do Palácio da Ajuda. Pelos vistos, continuamos neste estranho caminho da surda arrogância. O mesmo se pode dizer a fundos esfumados, como aqueles deixados pela Sra. Reagan que também terá apreciado o potencial do edifício. 

Mais próximo de nós, ainda está o embaraço nacional acerca da retirada russa da exposição do Hermitage na Ajuda, pois consideraram o palácio na sua secção poente, impróprio para a apresentação das periódicas colecções imperiais. Não valerá a pena o recurso a subterfúgios lava-faces, pois foi isto mesmo o que aconteceu.

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 Este edifício não pode ser mais um passageiro pasto de modas e vaidades. Não pode, é campo interdito. Esperava-se a abertura de um concurso público e internacional, mas recorreu-se ao expediente já bem conhecido, da decisão sem dar cavaco. Fizeram mal, como se tornou costume. Mal, e, suspeitamos, de forma ilegal.

Bem vistos os factos, este anúncio de surpresa é mais um exercício de vanitas política embrulhada caprichosamente em argumentos apenas válidos, porque óbvios ao longo de mais de duzentos anos. O Palácio Real ou Nacional, como queiram, consiste num património que condensa a história de um século pleno de acontecimentos e que está recheado de uma inestimável colecção de época, embora, tal como as Jóias da Coroa, privada, como acima dissemos, de inúmeros elementos que a queda da Monarquia fez por vários meios sumir. Há que valorizá-lo e para isso podem e devem ser despendidas quantias necessárias que estimularão a criatividade, a arte de bem fazer, o labor dos artesãos nacionais e o interesse de uma miríade de pequenas e médias empresas de construção. A cultura não é despesa, por muitos fundos que nela se vertam sob supervisão e criteriosamente. Trata-se de um investimento e para mais, da garantia da identidade nacional que é pontilhada por um certo sentido de orgulho. 

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 Os decisores podem pensar o que entenderem acerca das suas excelsas personalidades, mas não vivem num exclusivo Olimpo. Desçam à terra e procedam então a uma consulta popular que decida a viabilidade do projecto de Raul Lino ou a alternativa hoje apresentada. Num país onde a palavra mais usada pelos agentes da política é democracia! democracia! democracia!, do que que têm medo os senhores da nossa situação?





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publicado às 19:16

O anarco-capitalismo contraria o liberalismo clássico

por Samuel de Paiva Pires, em 15.09.16

O título deste post está errado. Deveria ser "Why Hayek and Not Mises". Em primeiro lugar, porque ao contrário do que Mises pensava, a propriedade privada não é suficiente, per se, para definir o liberalismo e o conceito de liberdade - se o fosse, o liberalismo não seria uma teoria política. E porque o anarco-capitalista Hans-Hermann Hoppe compila uma série de citações de Hayek com o intuito de mostrar que este era um social-democrata moderado, acabando, na verdade, por mostrar que Hayek era um liberal clássico que compreendia que a liberdade não pode ser apenas encarada na sua dimensão negativa, devendo ser combinada com a dimensão positiva, que é algo que está na base do Estado contemporâneo nas sociedades ocidentais. Ou seja, Hayek era um realista, ao passo que Rothbard, Hoppe e a restante trupe anarco-capitalista viveram ou continuam a viver no seu mundinho ideal da utopia libertária.

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publicado às 22:04

De mal a pior

por João Almeida Amaral, em 15.09.16

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 O ano está no fim e o balanço é francamente mau. 

Governa um Governo que não nasce de umas eleições, mas de um acordo parlamentar entre socialistas e partidos que por um princípio de equidade, nem deviam ter representação parlamentar (estão proibidos constitucionalmente os partidos de extrema direita ou fascistas, logo comunistas e extrema esquerda deviam levar pela mesma medida).

Este governo atira-se aos impostos como fonte de financiamento do estado (o que, modestamente, não me parece o caminho) e obviamente vai afastando presumíveis investidores externos. 

O PR eleito por uma vasta maioria, revela uma necessidade premente de estar em todo o lado, tornando-se num hiperactivo Primeiro-ministro, um super Presidente da República sempre bem com Deus e com o diabo (afinal, foi sempre esse o seu percurso). 

A área de fogo ardida foi este ano várias vezes superior ao "normal". 

O super juiz é pressionado por forças "ocultas" para deixar Sócrates viver em paz dos seus rendimentos.

Para finalizar, o casal homossexual mais mediático e cheio de filhos adoptados iniciou um processo de divórcio. 

Não sei que mais poderá acontecer, mas até ao fim do ano ainda alguma água vai passar por baixo da velha ponte sobre o Tejo.

Estava a esquecer-me do Presidente não eleito da capital, que tem demonstrado ser um verdadeiro tripeiro e adepto de bicicletas.

Como é de moda dizer, " fiquem bem". 

 

  

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publicado às 18:19

Como matar Portugal

por John Wolf, em 15.09.16

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Esta amostra de governo de Portugal quer destruir o país. Se achavam que 28% de imposto sobre mais-valias de títulos financeiros já era a doer, preparem-se para a estocada final. A iniciativa da geringonça, inspirada nos cânticos do Partido Comunista Português e do Bloco de Esquerda, visa agravar ainda mais a tributação de bens mobiliários. Estes aprendizes de mercadores não entendem como funciona uma economia, nem para que servem acções transaccionadas em bolsa. Quando compramos títulos financeiros, estamos a conceder um empréstimo a uma ou mais empresas, estamos a tornar-nos co-proprietários de uma operação, estamos a contribuir para a geração de emprego e, naturalmente, em consequência desse estado de arte, os lucros aparecem e são repartidos por aqueles que depositaram meios financeiros, correram riscos, mas também alimentaram expectativas positivas em relação ao desempenho das empresas em causa. Ou seja, esta dinâmica permite suster a economia de um país, tornando-o menos dependente das subvenções do Estado. Ao castrar os agentes económicos activos e passivos, o governo contribui a longo prazo para a insustentabilidade do sector privado. O fundamentalismo económico dos partidos do governo irá tornar Portugal um país cada vez menos atractivo na óptica de investimento. Os aforristas nacionais ou os grupos de investimentos internacionais passarão cada vez mais a percepcionar Portugal como um destino pouco simpático para investir. Por outro lado a evasão financeira será estimulada. Os potenciais investidores de nacionalidade portuguesa procurarão encontrar ambientes tributários mais amenos. A geringonça está a emitir a sua própria modalidade de Austeridade. A marca branca que estão a desenvolver assenta na premissa primária de que a riqueza é um alvo a abater, mas também corta as pernas às aspirações financeiras e económicas dos pequenos cidadãos que sonham com poupanças, um modesto investimento e um pé-de-meia de retorno que uma reforma está longe de poder oferecer. A Catarina Martins e as irmãs Mortágua, co-adjuvadas pelo dependente António Costa e o parceiro Jerónimo de Sousa, afirmam que visam poupar a classe média e atacar a alta. Qualquer dia por este andar não existirá nada para atacar. Nada.

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publicado às 18:14

Que nome dar a um novo resgate?

por John Wolf, em 13.09.16

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O maior dilema que o governo de António Costa enfrenta: que nome dar a um novo resgate? O ministro das finanças não conseguiu fazer cara de poker na entrevista do CNBC. Sabemos agora e sem dúvida qual a sua missão - evitar um segundo resgate. Não era nada disso que tinha combinado com os seus camaradas de governo. Escaparam-se-lhe as palavras. Contudo, existem outras questões a levar em conta. Na mesma conversa dispersa-se pelos caminhos da recuperação económica, mas essa pasta já não é a sua. Existem limites  para o que um contabilista pode fazer. Pese embora a sua boa vontade, acaba por sublinhar a questão fulcral. Qual a estratégia económica que Portugal deve adoptar numa visão de longo prazo? Agora que a sazonalidade turística se faz sentir e os portugueses regressam da amnésia de umas férias a crédito, convém encarar os desafios com o rigor e a objectividade que se exige. O Banco Central Europeu já disse que não vai ser a bengala eterna do andar manco de alguns países. A injecção de 5 mil milhões na Caixa Geral de Depósitos é apenas um bónus que permanece na banca - não chega à economia real. O debate orçamental para 2017 irá, invariavelmente, ser contaminado pela premissa do estado de graça governativo. Como continuar a agradar os funcionários públicos? Como repor salários que os sindicatos exigem? Como regressar ao status quo que está na origem do descalabro? Porque, sem dúvida alguma, o governo tem mantido a bitola demagógica de satisfação da opinião pública a qualquer preço. No entanto, por mais que António Costa apregoe a estabilidade e coerência do seu governo, lá fora, à luz dessa condição, exigem medidas de consolidação verdadeiramente substantivas. 

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publicado às 09:05

O segredo para a tranquilidade

por Samuel de Paiva Pires, em 12.09.16

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Consiste meramente em aceitar as leis da estupidez humana enunciadas por Carlo Cipolla, o princípio de Peter e a selecção negativa nas organizações. Qualquer um que aceite estes princípios como inerentes à condição humana conseguirá reconciliar-se com a mediocridade que o rodeia. Afinal, apesar de tudo, o mundo pula e avança. 

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publicado às 22:50

A secretária de Passos Coelho

por John Wolf, em 11.09.16

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Ana Catarina Pedroso não consegue tirar o governo anterior da cabeça. A secretária-geral-adjunta do Partido Socialista (PS) parece uma contabilista do passado. Mas em vez de apresentar o balancete directamente ao ministro alemão das Finanças Wolfgang Schäuble, julga que Passos Coelho ainda exerce um cargo de governação - que pode dar ou receber recados. E não é o papel da oposição oferecer as soluções a quem manda. Não senhor. Pensava que havia poder de fogo intelectual suficiente no cabaz agregador do PS, Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português para encontrar as soluções económicas e sociais do país. Sentimos no ar um nervoso em crescendo em relação às autárquicas. As câmaras e juntinhas são um bicho que desequilibra os planos à malta. Não é a Maria Luís Albuquerque que é candidata à Câmara Municipal de Almada ou Lisboa. Por isso, o PS deve dirigir os seus agravos a quem realmente tem responsabilidades políticas. A liga dos oprimidos do sul (Grécia, Portugal, Espanha...) deveria reunir e pensar uma "geringonça de periferia" se não se sente confortável com as ajudas da União Europeia e as intervenções do Banco Central Europeu. Sabemos muito bem que é ao nível autárquico que a porca torce o rabo. É nos conselhos do concelho que os favores se ganham e perdem, que as empresas municipais distribuem benesses pelos amigos. Essencialmente é isso que está em causa nesta tirada do "penosamente destrutivo".

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publicado às 13:14







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