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Intragável carrascão

por Nuno Castelo-Branco, em 26.03.17

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Não vale a pena dizer seja o que for acerca deste inacreditável assunto, pelo menos no que se refere à questão do ghetto que a CML populista e ansiosamente quer criar no centro da capital. É isso mesmo, cedendo radicalmente ao populismo parece bem, trata-se de um futuro ghetto, à semelhança daquilo que se vê noutras localidades da Europa. Dentro de anos veremos o belo resultado de tudo isto, espero equivocar-me e no caso bastante improvável de tudo correr bem, então nada me custará "dar a mão à palmatória". Não consigo ser suficientemente pretensioso e arrogante para superioridades faz de conta e não sou pago para isso.


Passando sobre este assunto desagradável e que acicata desvairadas reacções por parte de desvairadas gentes, parece-me uma desfaçatez imperdoável a alegação populisto-salgalhada-medinesca da questão pecuniária pretensamente exagerada, quando sabemos muito bem o que os interesses pertencentes a certa gente estão a fazer em toda a Baixa, transformando-a numa espécie de "parque temático" reservado ao turismo. Gabarolices de lado como a que ontem tive de ver no Espaços & Casas num canal televisivo qualquer, a verdade é que ainda ousam fazer gala do vertiginoso aumento dos preços em alta não apenas na venda de imóveis em Lisboa, como no arrendamento. A Alfama já foi praticamente evacuada, a Madragoa vai pelo mesmo caminho e ainda resta a Mouraria ou o Bairro Alto.

Uns estafermos, para não lhes chamar algo que macule a hipotética honorabilidade das progenitoras.

* Desde já participo nem sequer tencionar em perder tempo a deslocar-me à secção de voto nas próximas autárquicas. Tirando o patético e chupista absurdo belenense, sempre votei em todas as eleições, fossem elas parlamentares ou para as autarquias.
Não tenho a menor confiança nos já anunciados intérpretes de gente e apenas suspiro por Ribeiro Telles não ter hoje uns sessenta anos.

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publicado às 19:23

O terrorismo doméstico de Barcelos

por John Wolf, em 26.03.17

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Começo pelo caso de violência doméstica que envolveu Donald Trump. Foram parentes próximos do seu Partido Republicano que lhe deram umas valentes castanhadas. Não foram estranhos. Foram "militantes" que, em nome de outras crenças, abandonaram o "camarada" naquela hora díficil de revogação do Obamacare. Não seria interessante, em nome de Abril, da democracia e das balelas de liberdade de expressão que por aqui grassam, que uns quantos socialistas virassem o prego às intenções da Geringonça? Não seria democrático e vibrante? No entanto, temos exemplos bicudos de dissonância partidária neste país. Penso em Campelo, penso no queijo Limiano e penso no triste desfecho dessa ocorrência - nos saneamentos e exclusões. Enfim, fico-me por aqui. Acho que conseguem pintar o resto do quadro. Não preciso de acrescentar grande coisa ao estado da arte partidária em Portugal. O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português têm superado as minhas expectativas - são frouxos, fracos. Deixaram-se levar e fingem a discordância para primeira página de matutino - mais nada. Mas adiante, passemos ao berbicacho seguinte. A violência doméstica em barda, que Portugal oferece aos jornais da TVI e CMTV, prova o seguinte; quem não tem cão, caça com gato. Os americanos, que são os campeões da venda retalhista de pistolas Colt e espingardas Winchester, não são tidos nem achados nestas histórias. Em Barcelos e Ovar bastou a faca. Nem foi preciso o alguidar. Em Barcelos foi uma coisa de brio, Briote, de seu nome. Em Ovar, foi algo esmerado, foi em Esmoriz. Pelos vistos não são necessários refugiados sírios nem fundamentalistas islâmicos para dar conta do recado - decapitar, degolar. As celúlas de violência doméstica abundam em Portugal ao ponto de se poder designar o flagelo de terrorismo doméstico. Os políticos de brandos costumes e as assistentes sociais que apregoam a reintegração social dos infractores com cadastro firmado são sempre os derradeiros responsáveis - não têm culpa das bofetadas. De nada servem as desculpas dos problemas de bebida, e da miséria económica e social dos agressores, para justificar a clemência e o encosto judicial incipiente. Assistimos a uma guerra civil com contornos preocupantes. Tinham sido os socialistas, quando estavam na oposição, que apontavam o dedo ao PAF como responsável pelo descalabro moral do país. Pois bem, agora que é tudo um mar de rosas de recuperação económica, melhoria nos níveis de desemprego, défices que já dobraram a fasquia dos 2,1%, nada disto deveria acontecer -  a paz deveria ser plena e inequívoca. Contudo, o guião de instabilidade emocional continua a prevalecer. O português suave continua a ser aquela história da carochinha. O assassino, que era pacato e boa pessoa lá no café da aldeia, vai à praia dar umas passas inofensivas e depois enterra a beata no areal.

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publicado às 12:16

Ver Le Pen e navios passar

por John Wolf, em 24.03.17

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A ver vamos quem ganha a corrida. Se o festival europeu da canção populista ou se a melodia da traição de Trump. Falamos de Democracia, naturalmente. Em qualquer um dos casos, os processos decorrem de prerrogativas firmadas em Constituições e materializam-se quer em processos eleitorais ou mecanismos de controlo. Afastemo-nos por alguns instantes da contaminação ideológica e concentremo-nos nas liberdades e garantias. Em França, Le Pen tem o direito inalienável de se propor como solvente do dilema existencial daquele país. Nos Estados Unidos (EUA), Trump, que já se senta na cadeira do poder, é agora obrigado a rever algumas premissas de sustentação. Na grande competição de legitimizações, os lideres efectivos ou prospectivos não se livram dos mecanismos de controlo. Nessa medida, os EUA  levam a vantagem. Trump não pode abandonar o dólar americano e iniciar um Americexit. Está preso nessa federação consolidada e responde perante o FBI. Le Pen, por seu turno, pode rasgar sem dó ou piedade o Tratado de Lisboa, o Euro e fazer-se à vida soberana. Nos EUA, a soberania também se exprime na acção da agência federal de investigação que virará o prego caso seja necessário e à luz de evidências de traição que parecem estar a ganhar contornos inegáveis. A União Europeia (UE), com todos os seus salamaleques burocráticos e danças de comissão, pura e simplesmente nada pode fazer. Está de mãos atadas à cadeira da sua própria construção política fantasiosa. Parece-me ser mais um pecado mortal, para além de tantos outros, que a alegada "Constituição" da UE não tenha sequer pensado em mecanismos jurídicos de controlo recíproco. Se houver mão russa nas eleições francesas, os estados-membro da UE ficam a ver navios passar. Até ao momento registámos vontades eleitoriais unilaterais. Foram os britânicos que democraticamente decidiram alargar o canal e cortar o cordão que ligava o Reino Unido ao "continente" e iniciar o Brexit. Mas imaginemos por um instante, integrando no nosso espírito uma extrapolação radical, que a expulsão passa a ser necessidade de auto-preservação da UE. Suponhamos que, volvidos alguns meses, se vem a descobrir a mão invisível de Putin nas eleições em França e que o excelso acervo democrático transparente e idóneo da Europa é posto em causa. O que farão os magníficos Junckers e Dijsselbloems da UE? Será que chamam nomes indigestos aos gauleses? Será que lhes atiram à cara que são uns camemberts malcheirosos e uns míseros flauberistas? E será que ficam a ver Le Pen passar?

 

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publicado às 09:42

Dear Jeroen Dijsselbloem

por Samuel de Paiva Pires, em 22.03.17

I would like to let you know that I have no problem with direct style. Just with blatant stupidity and your inability (as well as of most European leaders) to understand that the roots of the eurocrisis lie in the structural weaknesses of the Economic and Monetary Union.

 

Yours sincerely 

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publicado às 18:08

Ai, os homens!

por João Tavares, em 22.03.17

Isabel Moreira é uma lutadora, é corajosa, é livre, é afirmativa. E quem nos confirma isso, quem é? A própria, como é evidente. A confissão dos seus defeitos escondidos continua: estas deformidades do espírito (a coragem, a liberdade, a firmeza e tal) acabaram por arrastá-la para a solidão, para abstinência ou para o sexo ocasional. Porque os homens são uns malandros, diz, que não admitem uma mulher bravíssima, libérrima, incontrolável, blá, blá, blá. Mas a Isabel não tem preconceitos, não os admite e está cá para os combater – aos preconceitos e aos preconceituosos, esses homens.

 

O exercício de vaidade estava a ter graça, até que Isabel se confessa: «sou uma materialista (em sentido filosófico) e ateia». E lembrei-me logo de Chesterton. O problema dos ateus é substituírem a crença em Deus por crenças estúpidas. A Isabel, pelos vistos, acredita muito em si própria, coitada. Uma maluquinha no parlamento disposta a reencarnar os piores vilões dostoievkianos.

 

O preconceito tem sido mal tratado pelos racionalistas. Preconceitos, ou seja, reacções morais espontâneas, todos têm, felizmente. Talvez os puros, na sua obsessão pela coerência abstracta, vivam mal com isso. Mas Isabel Moreira acaba por morrer do seu próprio veneno («ai, os homens!»). Em caso de dúvida, refugio-me na frase de Miguel Veiga, já agora, um homem livre, corajoso e afirmativo: «reivindico o direito às minhas contradições e a não ter de me explicar sobre isso». Talvez não seja o mais indicado, neste tempo de higienização e de certezas. Mas, por vezes, é uma opção sensata e certamente menos ridícula.

 

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publicado às 14:11

O problema não são as declarações de Dijsselbloem

por Samuel de Paiva Pires, em 22.03.17

Para lá da deselegância óbvia geradora da indignação fácil, o verdadeiro problema é aquilo que subjaz às declarações do holandês: uma narrativa dominante entre as elites europeias, inclusive entre muitos políticos de países do sul da Europa, que só vê virtudes nos países do norte da Europa e defeitos nos países do sul, no que concerne à sua gestão política e económica, ignorando, propositadamente ou não, que a crise do euro se deve à deficiente arquitectura deste. Permitam-me recuperar o que escrevi em 2014 a este respeito:

 

Começando no estabelecimento da União Económica e Monetária - em que prevaleceu a visão do Bundesbank de um BCE inspirado no seu modelo, centrado quase exclusivamente na estabilidade de preços -, que não era e continua a não ser uma Zona Monetária Óptima, circunstância agravada pela inexistência de uma união orçamental que permitisse uma gestão macroeconómica conjunta, o que a torna propensa a choques assimétricos; passando por uma fragilidade estrutural essencial para a compreensão da crise, segundo Paul De Grauwe, que é a perda da capacidade de os países emitirem dívida numa moeda própria, emitindo-a numa moeda que não controlam, pelo que estão, assim, mais facilmente à mercê dos mercados financeiros e podem ser rapidamente precipitados por estes para um default; e chegando aos anos da crise do euro, em que o diagnóstico da crise da dívida soberana grega foi erradamente generalizado a outros países, conforme Jay Shambaugh sublinha, servindo como justificação para prescrever pacotes de austeridade e reformas estruturais que, per se, não são suficientes para superar os constrangimentos resultantes das fragilidades estruturais da UEM, conclui-se que estas fragilidades não só resultam da perspectiva alemã aquando das negociações que levaram ao seu estabelecimento, como aproveitam actualmente à Alemanha. Hans Kundnani assinala que a actual situação, com um euro fraco (segundo Andrew Moravcsik, a taxa de câmbio real da Alemanha, actualmente, está 40% abaixo do que estaria se o país ainda tivesse o marco alemão), é a ideal para a economia alemã baseada nas exportações e avisa que o narcisismo económico da Alemanha coloca toda a Zona Euro em causa. Assim, a Alemanha está actualmente numa posição muito confortável, com um euro fraco que favorece as suas exportações, tornando-a a economia mais competitiva da Zona Euro, e, em parte em resultado disto, encontra-se de forma indisputada na liderança política da UE, tendo a cooperação entre países soberanos sido relegada em favor de uma dominação de facto por parte de Berlim. Ulrich Beck resume de forma lapidar esta situação em A Europa Alemã: "Como a Alemanha é o país mais rico, agora é ela que manda no centro da Europa." A austeridade imposta erradamente aos países sob resgate financeiro permite à Alemanha manter este status quo em que, nas palavras de Moravcsik, ao "utilizar uma moeda subvalorizada para acumular excedentes comerciais, a Alemanha actua como a China da Europa."

 

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publicado às 12:46

Que nojo, que gentuça!

por Nuno Castelo-Branco, em 17.03.17

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1. Os balbuciares bem dignos deste agente 00-Zero. Uma escabrosa oralidade digna da taberna do carrascão, umas tantas considerações infamantes para quem as pronuncia, recheadas de arrogantes aldrabices descaradas. É o mínimo a dizer acerca das excelsas declarações proferidas por aquele que foi o escuso Venerando do esquema vigente. Afinal, pelas próprias palavras confirma o retrato que dele Paula Rego magistralmente executou: um patético homenzinho.


"Farto"e "à rasca", exactamente o que dele poderia agora, hoje mesmo, Portugal inteiro dizer.
Escarafunchando bem, tudo se resume a isto: a famosa embaixada de banqueiros que dele sacou a dissolução parlamentar para logo ele poder alçar aquele que seria um dia conhecido por Sr. Quarenta e Quatro, foi certamente a despoletadora da troika que para nossa vergonha nacional uma vez mais chegou, atacando os bolsos e pior ainda, as consciências e a honorabibilidade de todos. Ganharam os banqueiros, ganharam os famélicos especuladores.

Uma asquerosa vergonha absoluta, este sujeitaço chorão. Um vómito. 

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2. Angela Merkel na WH ( Casa Branca e não WH das matrículas dos veículos da Wehrmacht).

O que dela durante anos disseram? "Nazi", "safada", "sopeira", "vacarrona", "besta", egoísta", "megera", "coirão", "aprendiz de ditadora", "esmifra-pobres" e sabemos nós o que mais. 

O que dizem dela agora precisamente os mesmos? "Grande estadista", "mulher decidida", "espantosa visionária" e por aí fora. A que se deverá esta súbita viragem no opinionismo?

A resposta é simples: congratulam-na exactamente pelo maior erro da sua já longa e torturosa carreira política iniciada na defunta RDA dos radiosos futuros. Que erro? Esse mesmo em que estão a pensar.

Entretanto lá foi ela apressadamente falar com Trump. Para disfarçar, alguma NATO e muita nata de negócios em perigo, a Mercedes, Audi e BMW que o digam. Estas três empresas, entre muitas outras. O resto é paisagem. 

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publicado às 21:01

Peculiaridades do regime pátrio

por Samuel de Paiva Pires, em 17.03.17

Confesso que nunca percebi o motivo da repulsa ou até mesmo ódio que tantos políticos portugueses têm por Santana Lopes. Parece-me tratar-se de um indivíduo com uma autêntica vocação e devoção pela causa pública, não lhe sendo conhecidos quaisquer envolvimentos em esquemas de corrupção e afins ao fim de quase 4 décadas de presença na vida pública e política do país. No caso de muitos dos protagonistas políticos da nossa praça, quase poderia dizer-se que o ódio que lhe dedicam é  proporcional ao amor que têm por José Sócrates - o que é revelador quanto baste.

 

Ora, como já terão adivinhado, vem isto a propósito da recentemente revelada justificação de Jorge Sampaio para ter dissolvido a Assembleia da República em 2004: "fartei-me do Santana." Não precisamos de recorrer ao estafado argumento de que se fosse alguém de direita a dizer isto de alguém de esquerda, cairia o Carmo e a Trindade. Afinal, já se sabe que o actual regime pende significativamente para a esquerda, permitindo a quem é de esquerda muito do que não poderia ser feito por alguém de direita sem que um coro de indignados se manifestasse violentamente. Limitamo-nos a salientar que se espera do mais alto magistrado da nação que não sucumba a estados de alma, visto que estes não nos parecem poder justificar a decisão de accionar a mais poderosa prerrogativa ao seu dispor, e, assim, a registar que as declarações de Sampaio têm, efectivamente, o condão de fazer de Cavaco Silva um estóico estadista muito superior à média dos políticos que nos vão pastoreando.

 

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publicado às 14:36

Portugal dos Pequerruchos

por Nuno Castelo-Branco, em 17.03.17

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1. A Holanda
É espantosa a capacidade do contorcionismo demonstrado não apenas por políticos, mas também pelos comentadores Gouda que se revezam no pivotismo televisivo. O mais recente motivo? As eleições holandesas. Afinal o dies irae não se confirmou, ou melhor, confirmou-se através de outros actores mais apresentáveis e penteadinhos, logo, mais tragáveis. 

"Grande alívio", "motivo de esperança", "um bom dia para a Europa" foram alguns entre dúzias de outros desabafos berrados por agentes de informação com semblantes crispados pela emoção. Isto a propósito de Rutte, uma espécie salvífica do sistema, alguém que pelos ditos e feitos faz a refúgio-retornada Dra. Cristas parecer-se com uma crosta pequeno burguesa cheia de desviacionismos de classe. Por outras palavras, excitadamente acabaram por saudar a vitória de uma espécie de encarte que no Portugal de 1979/80 equivaleria ao PDC. Assim sendo, resta a Rutte encontrar os seus compagnons de route, ou seja, o MIRN e a FN, mas neste caso, com socas de madeira. 

A única coisa positiva? Uma boa vingançazinha, o arrasar do partido daquele caracolinhos de nome impronunciável que preside ao auto-proclamado Eurogrup(inh)o, esse mesmo que prazeirosamente nos tornou a vida num inferno. 

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2. Ainda os acontecimentos na Nova (Portugalidade e Universidade)
Inacreditável o afogueamento da nomenklatuGa a propósito do tema que inopinadamente varreu o país na última semana. Dir-se-ia ser a NP um perigosamente colossal movimento revolucionário de massas que terá até motivado uma reunião do inefável e omnipresente patrão Balsemão com o reitor. Não se limitou ao palratório, o Fürher dos media colocou de imediato os seus moleques a escrever em tudo o que é página em branco. Deu-lhes para isto, quando todos pensavam serem eles muitíssimo mais espertos e profissionais. 

Espiolhando os factos, até parece que querem agora encontrar uma espécie de Columbine português e para o evitar postam a PSP nos recintos, perdão, nos "campus" universitários. Uma maçada para o erário público, um alívio para os automobilistas. 

Os parabéns devem ser endereçados à cada vez mais simpática Nova Portugalidade que conseguiu com um tiro de pólvora seca, derrubar uma espécie de Linha Maginot. 

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publicado às 08:21

Contratação - João Tavares

por Samuel de Paiva Pires, em 16.03.17

É com muito gosto que anuncio a mais recente contratação do Estado Sentido. Chama-se João Tavares e tem 24 anos. É solteiro, mas não anda solto. Gosta muito de Cimino e de James Gray, de Celine e Balzac. Como escreveu este último, não sabe qual será o seu futuro: ministro ou homem honesto, ainda está tudo em aberto. É conservador em política para poder ser radical em tudo o resto (Oakeshott dixit). Não é ex-fumador. Bem-vindo, caríssimo João!

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publicado às 17:10

Sobre o populismo, a tecnocracia e a democracia liberal

por Samuel de Paiva Pires, em 14.03.17

Recomendo vivamente o artigo "Will vs. Reason: The Populist and Technocratic Forms of Political Representation and Their Critique to Party Government", da autoria de Daniele Caramani, publicado no mais recente número da American Political Science Review. Podem ler um excerto aqui

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publicado às 18:23

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publicado às 13:12

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Vou servir-me da Catarina Martins do Bloco de Esquerda, como me poderia servir de outro exemplo do Partido Socialista ou ainda de um macróbio de um partido conservador. Mas fiquemo-nos pela piquena. Devemos reconhecer que a bloquista teve uma ascensão fulgurante. Com ou sem tilt de um Rosas ou de um Louçã, com ou sem a sacudidela do peso-pluma Drago (xô! chega para lá!), a verdade é que Martins transformou o berreiro em imagem de marca. Mas convém irmos mais longe. Se estivesse na política, a primeira coisa que eu buscava seria tentar organizar as ideias e proceder a uma compilação orgânica de escritos políticos. Ou seja, tentava transformar tiradas de ocasião num corpo político consistente, num volume sumário orientador da acção. Enfim, não se conhece nada de Catarina Martins que se assemelhe a um tomo intelectualmente válido. Simplesmente, a menina não tem vida própria. Deve ter lido umas coisas, mas não tem talento nem arte nem inteligência para se colocar do lado da doutrina, dos criadores. Por essa razão, apenas se pode alimentar das migalhas dos outros. Não passa de um reagente. Um teste de acidez que passa a vida medir a alcalinidade de vida política alheira - para encher chouriços. Mas nem por isso deixa de ser perigosa. A linha de influência que deve exercer sobre a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova deve ser notável - condiciona e censura. Como democrata que sou, gostaria de vê-la digladiar-se em ambiente académico, na arena que a grande política merece. Apreciaria vê-la esgrimir-se com argumentos sagazes e axiomas de difícil derrube. No entanto, a sua acção limita-se ao foro emocional da política, ao apelo primário que opõe taxativamente o rico ao pobre, o opressor ao sujeito da exploração. Para todos os efeitos semânticos operativos e ideológicos, a Catarina Martins não passa de uma populista-caviar. Escolhe a dedo com quem quer ter uma discussão, mas depois não tem bagagem para se aguentar como um homem, ou uma mulher.

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publicado às 19:05

Império Romano (Germânico)

por Nuno Castelo-Branco, em 10.03.17

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 O Manuel Freire dizia que …não há machado que corte, a raíz ao pensamento"

Pois não, não há e passando isto aos alemães, nossos amigos, aliados e sponsors, cujo país se tornou por vontade própria num merecido mega-saco de boxe, as notícias são veiculadas de uma forma muito imaginativa e quiçá, divertida. Os alemães, nossos amigos, aliados e sponsors pensam, logo existem. 

Por exemplo, ontem aconteceu "aquilo" em Dusseldórfia e como foi então identificado o meliante? Para além do tradicional problema mental que o coloca mais ou menos (felizmente muitíssimo menos!, ufa...) ao nível de Béria, Himmler, Iezhov e outros malandretes da história, disse-se que provinha de um território "da antiga Jugoslávia", entidade agora tão geográfica como América, Ásia, África, Oceânia ou Europa e que terá há muito desaparecido dos mapas políticos. 

Claro…mas, caros aliados e sponsors alemães, assim não dá, não pode ser e como facilmente detectámos a insinuação logo à primeira, parece-nos que têm de ter ainda mais imaginação! Em suma, sejam mais ousados e inventivos.

Nós, portugueses estamos treinadíssimos para este tipo de coisas e no tempo dos nossos pais e avós ou bisavós - ena, ena, já lá vão algumas gerações -, quando nas revistas do Parque Mayer alguém cantarolava qualquer coisa a respeito de Santo António, toda a gente percebia a quem se referia. Era o que se chamava "ler as entrelinhas" e desta forma os portugueses tornaram-se peritos no decifrar de enigmas, as tais indirectas por vezes demasiadamente óbvias. Burricos eram então os distraídos do lápis azul, artefacto que não pode nem deve ser confundido com lápis lazúli. Se não vos agrada este conselho dos vossos amigos aliados e sponsorizados portugueses, sempre podem pedir auxílio indicativo aos russos, ainda mais peritos em contornar esse tipo de dificuldades. Sob 30 graus negativos e na bicha para a garrafinha de leite, sempre arranjavam uma piada muito indirecta que logo pela manhã era contada no metropolitano moscovita, um monumento de engenho e arte.  

Para a próxima, os nossos amigos, aliados e sponsors alemães talvez consigam ainda ser ainda mais politicamente correctos e fazerem um comunicado com este teor:

- "um atacante proveniente de um antigo território do Império Romano, fez isto e mais aquilo. Era um louco comprovado" 

Sempre fica mais abrangente e todos compreenderão. 

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publicado às 16:52

Nossa Senhora da Geringonça

por John Wolf, em 10.03.17

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A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a transformar-se no Titanic daqueles que exultam as virtudes da coisa pública. No entanto, o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português podem esconder-se por detrás daquela aparição - a Nossa Senhora de Geringonça. Essa sumidade política ainda vai servir para muita ilusão, mas sobretudo para descartar responsabilidades quando efectivamente for a doer. Quando a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu ou as agências de rating avançarem com as homílias penosas, elencarem os tabus e os pecados, descreverem a gula e ganância ideológicas, as vergastadas seguir-se-ão. Bem feitas as contas são mais do que sete devaneios. O mártir Domingues é apenas uma personagem do santuário bancário. No mostrador existem mais santos e pelo menos um trio de beatas. Enfrentamos sérias questões agnóstico-financeiras. Ou acreditamos na liberdade de expressão monetária ou somos levados pelo engano e pelas crenças impostas pela cartilha de um programa de ajuste de contas político, uma revanche. Porque, para todos os efeitos de guerrilha partidária, a CGD poderá ser o Judas da santa trindade governativa. A casa vendida pelo diabo por um módico agudo. Não são rosas, senhores. São 3 mil milhões de euros que ardem no inferno. E ireis pagar.

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publicado às 07:17

Da hipocrisia do Bloco de Esquerda

por Samuel de Paiva Pires, em 09.03.17

Paulo Tunhas, "Lenine explica"

 

Acerca da anulação da conferência de Jaime Nogueira Pinto na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e dos motivos dessa anulação, muita gente, da esquerda à direita, se pronunciou com as palavras certas. Há, no entanto, uns silêncios que convém interrogar. Que eu tenha reparado, ninguém do PC ou do Bloco de Esquerda julgou útil desta vez fazer ouvir a sua voz, o que em princípio devia espantar, tratando-se de gente particularmente vocal que aprecia sumamente dissertar sobre toda a espécie de direitos e que tem ideias bem definidas sobre a liberdade, ou sobre as “amplas liberdades”, como dantes o PC dizia.

 

(...).

 

Não custa muito encontrar uma explicação simples: porque concordam com a anulação da conferência. Demasiado simples? Francamente, não creio. A especialização nas chamadas “causas fracturantes”, que tornou o Bloco conhecido do bom povo português, tende a fazer esquecer algumas características ideológicas que identificam no essencial aquela tão moderna agremiação. É que, sob as vestes da modernidade, o que conta verdadeiramente são ainda as arcaicas concepções totalitárias que se encontram na sua origem. É isso que fornece uma unidade subjacente à multiplicidade das “causas”. Que isso permaneça imperceptível a uma grande parte das pessoas deve-se em grande parte a um efectivo talento para o marketing político que descobriu um muito conveniente nicho ecológico nos media. A maneira como esta ocultação da presença da origem no presente foi levada a cabo com sucesso é provavelmente um dos factos mais reveladores da facilidade do triunfo da impostura em política, uma impostura desde há um ano devidamente recompensada, para nossa grande desgraça, com a generosidade de António Costa.

 

(...).

 

É bom percebermos que estamos a lidar com gente para a qual não há, em domínio algum, qualquer espécie de neutralidade, inclusive académica. O silêncio em relação ao caso de Jaime Nogueira Pinto exibe-o perfeitamente e de forma inadulterada. O outro de que se discorda não é susceptível de merecer a distância que nos permita ouvi-lo. Insultá-lo, identificá-lo como inimigo, é mais fácil. No caso de Nogueira Pinto, é “fascista”. Noutros tempos, é bom lembrá-lo, bastava ser “socialista”. Desde que António Costa, com a sua proverbial fortitude, derrubou pela segunda vez o Muro de Berlim, os socialistas, tirando um excêntrico ou dois, podem estar tranquilos: “socialista” não é um nome feio. Mas nada garante que seja sempre assim. A não ser que certa gente do partido que Costa trouxe para junto de si tomar definitivamente conta do PS. Nesse caso, a paz poderá tornar-se definitiva. Com o PS a mudar até de nome: PSE – Partido Socialista de Esquerda. Lenine explica.

 

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publicado às 10:46

É absolutamente inacreditável que a ameaça de violência por parte de um grupelho de estudantes de extrema-esquerda da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa leve ao cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto subordinada ao tema ‘Populismo ou Democracia: O Brexit, Trump e Le Pen’. Parece que a praga do politicamente correcto que censura o pensamento que não seja de esquerda também já está entre nós, até no seio daquela instituição, a academia, que tem o dever de promover a liberdade de pensamento, a liberdade de expressão e o verdadeiro debate de ideias.

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publicado às 19:26

Carlos Costa ainda é governador do Banco de Portugal?

por Samuel de Paiva Pires, em 04.03.17

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Acabo de assistir à Grande Reportagem da SIC, transmitida em três episódios, desde Quarta-feira, sobre a queda do BES. Já se sabia que Ricardo Salgado e companhia não são propriamente pessoas recomendáveis, e embora as trapaças na alta finança não surpreendam, a falta de escrúpulos revelada pelo deliberado defraudar daqueles pequenos aforradores que são conhecidos como "Lesados do BES" é particularmente repugnante - e ver o padre de Ricardo Salgado a asseverar que o sofrimento destas pessoas é o que mais custa ao ex-Dono Disto Tudo é realmente a cereja no topo do bolo.

 

O que não se sabia é que o Banco de Portugal tinha conhecimento, desde 2004, de deficiências graves ao nível da gestão de várias sucursais e filiais do grupo, que Fernando Ulrich fez chegar ao governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, em Janeiro de 2013, um relatório elaborado por técnicos do BPI que demonstrava que o GES estava falido, pelo menos, desde 2009, e que uma nota informativa interna da autoria de vários técnicos do Banco de Portugal, datada de Novembro de 2013, colocava em causa a idoneidade e a continuidade de Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, José Maria Ricciardi e Paulo José Lameiras Martins enquanto administradores do BES, chegando mesmo a sugerir o afastamento imediato de Ricardo Salgado. Isto, portanto, vários meses antes da queda do BES, que ocorreu em meados de 2014. Recorde-se que Carlos Costa insistiu em vários momentos na tese de que nada pôde fazer antecipadamente e na Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão do BES e do GES chegou mesmo a afirmar que não tinha elementos para abrir um processo de reavaliação da idoneidade dos referidos administradores. 

 

A reportagem da SIC, que recomendo vivamente, deixa à vista graves falhas na supervisão bancária em Portugal, sendo difícil não concluir por uma certa conivência ou submissão do governador do Banco de Portugal a Ricardo Salgado. O mais surpreendente, todavia, continua a ser o facto de Carlos Costa ainda permanecer à frente da instituição. Ninguém lhe pede que cometa seppuku, mas apenas que tenha um módico de vergonha.

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publicado às 00:40

Wild Orange

por John Wolf, em 03.03.17

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Afigura-se-nos difícil estabelecer um template credível, um modelo operativo que revele algum teor de previsibilidade. Por algum motivo o processo eleitoral holandês tem sido tratado como um jogo de uma liga secundária de interesses. Os olhos postos em Fillon, Macron e Le Pen, a cabeça virada a Brexit, confirma o grande desarranjo europeu. A União Europeia (UE) e os seus ilustres comissários e presidentes de conselho fingem que nada se passa e que os valores nucleares da arquitectura comunitária nunca poderão ser postos em causa por lideres de nações com pouco mais de 8 milhões de habitantes. O valor de face atribuído à geringonça pela UE é semelhante àquele atribuído ao holandês Geert Wilders. Mas os políticos europeus estão equivocados. Não estamos num jogo de soma-zero, em que a saída do Reino Unido da UE se poderá colmatar com a entrada de outros. Ideologicamente, passa-se quase a mesma coisa, semelhante engano. Uma tirada à Esquerda não anula um tiro em cheio à Direita. Contudo convém levar em conta as razões politicamente invocadas. Assistimos, efectivamente, ao fim do espectro ideológico tal e qual como o conhecíamos. Assistimos à caducidade do paradigma de construção política convencional. São sobretudo subtilezas de posicionamento que não têm sido apreendidas no decurso da presente revolução em curso. Podemos confirmar um certo hibridismo volátil, no modo como os pretensos neo-lideres procuram sustentar os seus projectos fazendo uso de elementos materiais e simbólicos de todos os campos ideológicos. Trump, numa óptica analítica, foi ao rancho dos democratas aprovisionar-se das suas ferramentas e, com algum talento, converteu as suas deficiências em força. Nessa medida, e invertendo a extrapolação, a geringonça, se quiser sonhar com alguma continuidade efectiva e honrar a estabilidade vendida por Marcelo, terá, na sua expressão política, de integrar obejctivos de outros terrenos políticos e partidários - sejam adversários  ou concorrentes. No jogo de puxa e empurra, a CGD ou a saga das Offshores são apenas divisas de um conceito de representatividade e disputa de poder mais alargado. O mesmo terá de acontecer nos EUA. Trump, invariavelmente, terá de acomodar os anseios do Congresso, por forma a credibilizar a sua acção. A UE, que tem evitado a federalização do seu projecto, não tem ao seu dispor efectivos organismos de checks and balances - tem sanções e procedimentos por défice excessivo, de índole técnica e financeira, mas, na substância e no espírito do projecto europeu, existe muito pouco que pode fazer. A multiculturalidade não é apenas uma máxima que se aplica aos povos.  A UE alicerçou a sua construção na ideia de diversidade ideológica e política. O que acontecer na Holanda no dia 15 de Março produzirá o mesmo eco de sempre, a relativização da urgência dos dramas que assolam a Europa. Qualquer devaneio do mainstream, perpetrado pela Holanda, será tratado com a mesma indiferença. A laranja, por mais selvagem que seja, não interessa muito aos mercados, à economia, ao dinheiro de quem aposta no melhor retorno possível para o seu investimento. E as casas de apostas têm falhado redondamente.

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publicado às 20:46

Populismo, representação, redes sociais e conservadorismo

por Samuel de Paiva Pires, em 01.03.17

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Roger Scruton, "Populism, VII: Representation & the people":

 

The fact remains, however, that the accusation of “populism” is applied now largely to politicians on the right, with the implication that they are mobilizing passions that are both widespread and dangerous. On the whole liberals believe that politicians on the left win elections because they are popular, while politicians on the right win elections because they are populist. Populism is a kind of cheating, deploying weapons that civilized people agree not to use and which, once used, entirely change the nature of the game, so that those of gentle and considerate leanings are at an insuperable disadvantage. The division between the popular and the populist corresponds to the deep division in human nature, between the reasonable interests that are engaged by politics, and the dark passions that threaten to leave negotiation, conciliation, and compromise behind. Like “racism,” “xenophobia,” and “Islamophobia,” “populism” is a crime laid at the door of conservatives. For the desire of conservatives to protect the inherited identity of the nation, and to stand against what they see as the real existential threats posed by mass migration, is seen by their opponents as fear and hatred of the Other, which is seen in turn as the root cause of inter-communal violence.

 

(...).

 

The phenomenon of the instant plebiscite—what one might call the “webiscite”—is therefore far more important than has yet been recognized. Nor does it serve the interests only of the Right in politics. Almost every day there pops up on my screen a petition from Change.org or Avaaz.org urging me to experience the “one click” passport to moral virtue, bypassing all political processes and all representative institutions in order to add my vote to the cause of the day. Avaaz was and remains at the forefront of the groups opposing the “populism” of Donald Trump, warning against his apparent contempt for the procedures that would put brakes on his power. But in the instant politics of the webiscite such contradictions don’t matter. Consistency belongs with those checks and balances. Get over them, and get clicking instead.

 

It is not that the instant causes of the webiscites are wrong: without the kind of extensive debate that is the duty of a legislative assembly it is hard to decide on their merits. Nevertheless, we are constantly being encouraged to vote in the absence of any institution that will hold anyone to account for the decision. Nobody is asking us to think the matter through, or to raise the question of what other interests need to be considered, besides the one mentioned in the petition. Nobody in this process, neither the one who proposes the petition nor the many who sign it, has the responsibility of getting things right or runs the risk of being ejected from office if he fails to do so. The background conditions of representative government have simply been thought away, and all we have is the mass expression of opinion, without responsibility or risk. Not a single person who signs the petition, including those who compose it, will bear the full cost of it. For the cost is transferred to everyone, on behalf of whatever single-issue pressure group takes the benefit.

 

We are not creatures of the moment; we do not necessarily know what our own interests are, but depend upon advice and discussion. Hence we need processes that impede us from making impetuous choices; we need the filter that will bring us face to face with our real interests. It is precisely this that is being obscured by the emerging webiscite culture. Decisions are being made at the point of least responsibility, by the man or woman in the street with an iPhone, asked suddenly to click “yes” or “no” in response to an issue that they have never thought about before and may never think about again.

 

Reflect on these matters and you will come to see, I believe, that if “populism” threatens the political stability of democracies, it is because it is part of a wider failure to appreciate the virtue and the necessity of representation. For representative government to work, representatives must be free to ignore those who elected them, to consider each matter on its merits, and to address the interests of those who did not vote for them just as much as the interests of those who did. The point was made two centuries ago by Edmund Burke, that representation, unlike delegation, is an office, defined by its responsibilities. To refer every matter to the constituents and to act on majority opinion case by case is precisely to avoid those responsibilities, to retreat behind the consensus, and to cease to be genuinely accountable for what one does.

This brings me to the real question raised by the upheavals of 2016. In modern conditions, in which governments rarely enjoy a majority vote, most of us are living under a government of which we don’t approve. We accept to be ruled by laws and decisions made by politicians with whom we disagree, and whom we perhaps deeply dislike. How is that possible? Why don’t democracies constantly collapse, as people refuse to be governed by those they never voted for? Why do the protests of disenchanted voters crying “not my president!” peter out, and why has there been after all no mass exodus of liberals to Canada?

 

The answer is that democracies are held together by something stronger than politics. There is a “first person plural,” a pre-political loyalty, which causes neighbors who voted in opposing ways to treat each other as fellow citizens, for whom the government is not “mine” or “yours” but “ours,” whether or not we approve of it. Many are the flaws in this system of government, but one feature gives it an insuperable advantage over all others so far devised, which is that it makes those who exercise power accountable to those who did not vote for them. This kind of accountability is possible only if the electorate is bound together as a “we.” Only if this “we” is in place can the people trust the politicians to look after their interests. Trust enables people to cooperate in ensuring that the legislative process is reversible when it makes a mistake; it enables them to accept decisions that run counter to their individual desires and which express views of the nation and its future that they do not share. And it enables them to do this because they can look forward to an election in which they have a chance to rectify the damage.

 

That simple observation reminds us that representative democracy injects hesitation, circumspection, and accountability into the heart of government—qualities that play no part in the emotions of the crowd. Representative government is for this reason infinitely to be preferred to direct appeals to the people, whether by referendum, plebiscite, or webiscite. But the observation also reminds us that accountable politics depends on mutual trust. We must trust our political opponents to acknowledge that they have the duty to represent the people as a whole, and not merely to advance the agenda of their own political supporters.

 

But what happens when that trust disintegrates? In particular, what happens when the issues closest to people’s hearts are neither discussed nor mentioned by their representatives, and when these issues are precisely issues of identity—of “who we are” and “what unites us”? This, it seems to me, is where we have got to in Western democracies—in the United States just as much as in Europe. And recent events on both continents would be less surprising if the media and the politicians had woken up earlier to the fact that Western democracies—all of them without exception—are suffering from a crisis of identity. The “we” that is the foundation of trust and the sine qua non of representative government, has been jeopardized not only by the global economy and the rapid decline of indigenous ways of life, but also by the mass immigration of people with other languages, other customs, other religions, other ways of life, and other and competing loyalties. Worse than this is the fact that ordinary people have been forbidden to mention this, forbidden to complain about it publicly, forbidden even to begin the process of coming to terms with it by discussing what the costs and benefits might be.

 

Of course they have not been forbidden to discuss immigration in the way that Muslims are forbidden to discuss the origins of the Koran. Nor have they been forbidden by some express government decree. If they say the wrong things, they are not arrested and imprisoned—not yet, at least. They are silenced by labels—“racism,” “xenophobia,” “hate speech”—designed to associate them with the worst of recent crimes. In my experience, ordinary people wish to discuss mass immigration in order to prevent those crimes. But this idea is one that cannot be put in circulation, for the reason that the attempt to express it puts you beyond the pale of civilized discourse. Hillary Clinton made the point in her election campaign, with her notorious reference to the “deplorables”—in other words, the people who bear the costs of liberal policies and respond to them with predictable resentments.

 

(...)

 

ll this has left the conservative movement at an impasse. The leading virtue of conservative politics as I see it is the preference for procedure over ideological programs. Liberals tend to believe that government exists in order to lead the people into a better future, in which liberty, equality, social justice, the socialist millennium, or something of that kind will be realized. The same goal-directed politics has been attempted by the EU, which sees all governance as moving towards an “ever closer union,” in which borders, nations, and the antagonisms that allegedly grow from them will finally disappear. Conservatives believe that the role of government is not to lead society towards a goal but to ensure that, wherever society goes, it goes there peacefully. Government exists in order to conciliate opposing views, to manage conflicts, and to ensure peaceful transactions between the citizens, as they compete in the market, and associate in what Burke called their “little platoons.”

 

That conception of government is, to me, so obviously superior to all others that have entered the imperfect brains of political thinkers that I find myself irresistibly drawn to it. But it depends on a pre-political unity defined within recognized borders, and a sovereign territory that is recognizably “ours,” the place where “we” are, the home that we share with the strangers who are our “fellow countrymen.” All other ways of defining the “we” of human communities—whether through dynasty, tribe, religion, or the ruling Party—threaten the political process, since they make no room for opposition, and depend on conscripting the people to purposes that are not their own. But procedural politics of the conservative kind is possible only within the confines of a nation state—which is to say, a state defined over sovereign territory, whose citizens regard that territory as their legitimate home.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 14:04






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