Há cem anos, era habitual os transeuntes pararem diante das sedes dos principais jornais, lendo avidamente as notícias que iam surgindo na banda corrente e luminosa. Nomeações de políticos, declarações de guerra, a vitória dos quadrados de Mouzinho nas plagas africanas, visitas régias ou as sempre temidas novidades sobre economia e finanças, eram o motivo para as conversas do dia em cafés apinhados de gente. Vozeava-se em torno de uma mesa servida de petiscos e vinho, servindo o café e a fumarada dos cigarros, como complementos finais da conversa entre especialistas que da oratória faziam profissão.
O esbulho americano das colónias espanholas de Cuba, Porto Rico e Filipinas, teve como base fundamental a campanha dos jornais que T. Roosevelt hábilmente orquestrou e a época dourada do jornalismo fazia-se com o patrocínio de magnatas, associações de interesses políticos, económicos ou sociais. Grandes homens de letras, políticos conceituados e o nascente movimento sindical, participaram activamente no aventar de caminhos a seguir, embora muitas das vezes obedecessem aos nossos bem conhecidos meandros dos tráficos de influência que procuravam condicionar o poder. O Regicídio de 1908 foi conscientemente preparado por uma certa imprensa sensacionalista, assim como as campanhas de desprestígio ou exaltação de personalidades dos diversos sectores em contenda. A independência da imprensa comprovava-se pelos processos movidos pelas autoridades, embora a censura prévia não existisse. Pagava-se pela fúria da escrita, mas a barra dos tribunais era por regra tolerante e e limitava-se a admoestar os prevaricadores. Esta quase total aquiescer pelo ataque às instituições de um Estado de Direito, teve as consequências que hoje conhecemos, com a dissolução total da fronteira que deve existir entre a informação livre e a mera campanha corrosiva contra a generalidade dos homens públicos que em derradeira instância, conformavam o regime.
A propósito da entrevista concedida por António José Saraiva ao i, há que ter em conta a profunda gravidade das notícias que têm saído a público, embora tudo se tenha tentado para as ocultar. Não se trata de qualquer antipatia pessoal por esta ou aquela personalidade partidária, mas tão só de fundamentais questões de princípio. É ilusório pensar que hoje seria possível a existência de um jornalismo completamente independente, dados os elevados custos da imprensa, a dependência do financiamento pela publicidade e o claro nexo com sectores empresariais também muito ligados aos sectores partidários que desejam influenciar. Na verdade, apenas a nova imprensa informal em que a blogosfera se tornou, poderia encerrar as virtualidades de uma análise independente, porque liberta das peias económicas que garantem o sustento dos autores. O comentar de factos, a procura de elementos díspares mas capazes de compor um quadro credível, surgem por vezes com uma surpreendente lucidez e coragem na exposição que tornam marginais aquilo que a imprensa quotidianamente repete até à exaustão, variando apenas a sectorial interpretação de cada periódico. Os próprios políticos descobriram esse poder de influência da net, contando-se entre os mais lidos autores de blogs, marcando a sua posição perante a sociedade, mas sobretudo enviando mensagens mais ou menos nítidas aos seus pares de partido.
O que existe de novo, é uma total ofensiva que teve início há perto de uma década, quando a situação económica do país se deteriorou de forma bastante perceptível. Jornais, televisões, bancos, empresas de comunicações ou de seguros, tornaram-se convivas habituais nos repastos que os condutores da política organizam para garantir o posicionamento dos seus. O controlo da sociedade mina assim e de forma transversal, a totalidade dos organismos que conformam o Estado, esbatendo-se de forma fatal a basilar separação de poderes. Há que dizer que algumas decisões de extrema importância quanto ao porvir dos programas de desenvolvimento, dependem em muito daquilo que a imprensa política e também económica promove, tentando sempre satisfazer a necessidade de proventos de determinados sectores de que dependem. Assim, o aparelho do Estado vai sendo crescentemente pressionado e a nomeação dos mais altos responsáveis pela Justiça, conforma-se à estratégia ou desígnios dos interesses partidários em liça. O caso do actual PGR e do presidente do STJ, são exemplos que hoje são apontados como flagrantes cedências a pressões até há pouco julgadas como impossíveis, porque intoleráveis para os fundamentos do Estado democrático.
A saída à rua dos bloguistas, é um sintoma de salutar manifestação e de luta pela liberdade de expressão que aliás foi durante décadas, apresentada como a principal - senão única!? - conquista do actual regime. Amanhã encontra-se-ão portugueses das ais variadas tendências políticas, mas unidos naquilo que interessa preservar: a autonomia do pensamento, a expressão sem peias que de circunstanciais tendem rapidamente para o monolitismo. É totalmente inócua e indiferente o nome de um político em particular, mas o mesmo não se pode dizer de situações que tendo a possibilidade de se normalizarem, tenderão para a eternização. isso não podemos permitir. Não está em causa este ou aquele político que fatalmente é sempre transitório, mas sim uma insalubre situação de generalizado mal estar que dentro em breve, não poderá deixar de afectar todos aqueles que em casa, se dedicam a pensar o país, a sua cidade, o trabalho e sobretudo, a liberdade sem medos ou normas coercivas impostas por quem mitiga o interesse geral, em beneficio de si e dos seus.


Há dois ou três anos, uma irmã foi à Jordánia, e o relato que então fez do que viu, e sentiu, naquele país, é agora corroborado pelo relato que, após uma visita, faz Jaime Nogueira Pinto, em que nos dá conta de um país árabe " especial ", civilizado, bem diferente dos países árabes que o rodeiam, onde a Educação é, realmente, uma prioridade ( e aposto que sem que ninguém alardeasse tratar-se de uma " paixão " ).
Afligida por uma profunda crise política, a Ucrânia parece ter-se decidido a dar voz aos sectores que defendem o regresso à política pan-eslava da Rússia de Putin. A própria composição étnica do Estado oferecerá sempre a possibilidade de intervenção russa, coagindo a política externa de Kiev, ultimamente objecto de excessivo interesse por parte da administração norte-americana. O aceno ao ingresso na NATO, pode ter precipitado o gizar de novos procedimentos por parte do governo de Putin que sempre contou com a dependência ucraniana no campo energético.
Poderá ser realista uma próxima reconfiguração do relacionamento entre a Rússia, Ucrânia e a Bielorússia, apresentando um quadro mais consentâneo com aquilo a que durante séculos se denominou Império Russo.
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A situação está a tornar-se confusa.
Há que intervir e exigir o respeito pelos nossos direitos.
O regime do Centenário joga à roleta russa em pleno Parlamento Europeu. Nem o Buíça faria melhor!
Hoje foi uma manhã muito pesada. A sensação de que por muito que leiamos, por muito que estudemos, por muito que trabalhemos indirectamente com estas questões, é preciso o corpo presente para termos a sensação de sufoco que alimenta ainda mais a revolta.
Hoje decorreu, no Sana Reno Hotel, em Lisboa, o Seminário Internacional "Pelo fim da mutilação genital feminina".
Em trabalho, eu, juntamente com algumas das mentoradas do programa dMpM2, estivemos presentes.
Ifrah Ahmed Salim tem a minha idade e sofreu práticas de excisão aos oito e aos dezoito anos. O testemunho dela foi louco e frenético, num Inglês perfeito aprendido em três anos de vida na Irlanda, quando na Somália, o seu país de origem, não tinha tido sequer possibilidade de estudar.
Hoje é uma das jovens líderes mundiais no combate à MGF/E, trabalhando activamente com associações e com as comunidades migrantes na Europa.
Olhava para ela, enquanto falava, com a ansiedade estampada no rosto, mas a convicção de quem tem objectivos concretos, e ela ganhava vários rostos, os rostos de todas elas, jovens mulheres, que "tiveram o azar" de nascer no seio de comunidades com essa prática atroz e ancestral enraizada. Mas também nos via a todas nós, jovens mulheres que felizmente nunca estivemos em risco de sofrer MGF/E mas que, todos os dias, enfrentamos dificuldades decorrentes de algo em que não tivemos escolha - o sexo - e que todos os dias lutamos para combater as desigualdades de género que ele nos traz, a mulheres e a homens, que nos agridem e condicionam, a todos e a todas nós, limitando a nossa capacidade de ser por inteiro, em vez de reproduzir um simples papel social de género.
Naquela sala, quando Ifrah falou, uma jovem mulher, mas também quando falou Fatumata, Presidente do Comité Nacional para o Abandono de Práticas Nefastas à Saúde da Mulher e da Criança da Guiné-Bissau, sentia-se na sala o incomparável sentimento de sisterhood, a sensação de pertença a um grupo e a uma comunidade universal.
Ifrah, sobre quem não consigo parar de pensar, repetindo, constantemente, o meu cérebro - tem a minha idade - como que a lembrar-me que nos vemos ao espelho, fez-me lembrar, mais uma vez, o verdadeiro poder do incrível girl effect, que aqui deixo (de novo).
Um exemplo para ser seguido em Portugal:
"O Rei não detinha as armas e era, amiúde, objecto de humilhações de toda a sorte, grosseiras ameaças e chantagem. Um dia, porém, os thais acordaram ouvindo a voz do seu Rei pela rádio. Rama IX havia erigido no parque de Chitralada uma grande antena de radiodifusão e anunciava a criação de um canal radiofónico. Diariamente, durante os anos 50, os tailandeses ouviram-no discorrer sobre temas até então apropriados por um parlamento sem vida, monopolizado por uma classe política e por "deputados" saídos de eleições fraudulentas. Não eram emissões sobre política, mas sobre políticas estimadas "subversivas": o trabalho e a dignidade dos trabalhadores, a empresa produtiva e a especulação, a escolarização e a formação de quadros, o desenvolvimento económico, a defesa do meio natural, a preservação das indústrias tradicionais, o património arquitectónico. As emissões de Chitralada incluiam também cursos livres destinados aos pequenos proprietários rurais, divulgando técnicas de cultivo, explicando-lhes como aplicar adubos, erradicar pragas, armazenar água para a rega."
Conhecendo os portugueses os projectos que o Duque de Bragança desde sempre patrocinou, cremos que vale a pena porfiar na luta.
Shirin Ebadi: "Arash's crime was being a member of a monarchist group"
Shirin Ebadi, 62, was awarded the Nobel Peace Prize in 2003 for her long career as a human rights lawyer in Iran. She spoke to The Sunday Telegraph during a stay in London. She answered Angus McDowall's questions concerning the execution of Mohammad Reza Ali Zamani (37) and Arash Rahmanipour (19) on 28th January 2010 (as reported here).
The Sunday Telegraph: Did the protesters who were sentenced to death in Iran receive fair trials?
Shirin Ebadi: The recent executions in Iran were not justified and I'm totally against it.
Leia mais A Q U I
Pronto! Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte de governantes. Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos que José Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal se vai transformando. Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam que propriedade pública transite directamente para o sector privado sem passar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes e espoliadores em que Portugal se tornou. Não precisamos de nada disso.
Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos "assim" como aqueles que temos já não há "nem na Europa nem em África". Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam.
Nesta fase metade dos rendimentos dos portugueses está a ser retida por impostos. Encerram-se maternidades, escolas e serviços de urgência. O Presidente da República inaugura unidades de saúde privadas de luxo e aproveita para reiterar um insuspeitado direito de todos os portugueses a um sistema público de saúde. Numa altura destas, comprar jactos executivos é tão obsceno como o foi nos dias de Samora Machel. Este irrealismo brutalizado com que os nossos governantes eleitos afrontam a carência em que vivemos ultraja quem no seu quotidiano comuta num transporte público apinhado, pela Segunda Circular ou Camarate, para lhe ver passar por cima um jacto executivo com governantes cujo dia a dia decorre a quilómetros das suas dificuldades, entre tapas de caviar e rolinhos de salmão. Claro que há alternativas que vão desde fretar aviões das companhias nacionais até, pura e simplesmente, cingirem-se aos voos regulares.
É de um pato-bravismo intolerável exigir ao país mais sacrifícios para que os nossos governantes andem de jacto executivo. Nós granjearíamos muito mais respeito internacional chegando a cimeiras em voos de carreira do que a bordo de um qualquer prodígio tecnológico caríssimo para o qual todo o Mundo sabe que não temos dinheiro.
Mário Crespo
e entretanto, a Monarquia espanhola viaja em low cost. Leia AQUI
Apesar das fanfarronadas que já ameaçam a extensão do Carnaval até ao próximo verão, eis que surge Simão Sabrosa deitando água fria na fervura. Realmente, dois dedos de testa não fazem mal a ninguém. Os senhores do Centenário miliardário bem podiam ter consciência disso e deixarem-se de "afiar os dentes" para a exibição verde-rubra antes do tempo.
Numa tarde cinzenta, embora sem chuva, dedicada a leituras várias, rapidamente passo de « Uma Visita em Portugal em 1886 » de Hans Christian Anderson, para aquele, de Andrew Roberts, numa tradução brasileira, e dou-me conta de que as teorias da conspiração atingem tudo e todos.
Parece que Churchill, enquanto escrevia a « História dos Povos Anglófonos », gostava de brincar, dizendo que a História seria benevolente com ele, porque ele próprio a estava a escrever - como se enganava: " A lista de acusações contra ele é tão longa quanto imaginosa (... )," nomeadamente quando " pessoa especialmente desqualificada por sua falta de objectividade afirma que Churchill ' era ambivalente quanto às suas verdadeiras razões para estar travando essa guerra ruinosa ' está ignorando a clareza de dúzias dos melhores discursos jamais pronunciados na língua inglesa, que explicaram à Grã-Bretanha e ao mundo, entre 1939 e 1945, numa linguagem absolutamente categórica, porque ao certo o nazismo tinha de ser extirpado ".
O Revisionismo histórico espreita em qualquer esquina.
No que ao terrorismo respeita, Portugal não pode oferecer qualquer tipo de condescendência. Quem se sirva do nosso território para cometer crimes no país vizinho - ou em qualquer outro -, deverá ser colocado à disposição da Justiça do seu governo.
Não existe lugar para a ETA em Portugal, nem direito de clemência proteccionista. Os terroristas devem ser detidos e rapidamente colocados à disposição de Madrid, para que não haja dúvidas quanto ao Estado de Direito.
Pasmou o país inteiro pela insistência germânica no nome de Vítor Constâncio. Ou se se tratava de ignorância quanto ao desempenho do dito senhor à frente do Banco de Portugal, ou então, algo existiria envolto por aquele tipo de mistérios bem próprios dos ambientes político-financeiros ou de aventais a uso fora da cozinha.
Afinal, temos o cardápio do costume. O sheik Vítor é a moeda de câmbio que garante a convertibilidade do colega alemão à presidência do Banco Central Europeu. Simples aritmética norte-sul.
A única questão a colocar: sabendo os portugueses que V.C. aufere no Banco de Portugal de um salário e mordomias bastante superiores às do seu homólogo da Reserva Federal Americana, quanto será o quinhão disponível na instância europeia?
Diagnósticos à parte, importa assinalar, como lembra Vitorino Magalhães Godinho na sua recente obra Os Problemas de Portugal, que "Escreveu Jacques Attali que não devemos perder tempo a atacar os jogadores, mas sim mudar as regras do jogo" (p. 78).
O mesmo é dizer que a estrutura constrange de forma determinante os actores. O que significa que este regime não serve. Está à vista de todos. Pela crescente falta de legitimidade, porque se baseia num anti-fascismo que já não faz sentido, porque o PS continua a comportar-se como o dono da democracia quando a democracia para o ser verdadeiramente não pode ter donos, porque na gestão de dependências que caracteriza a nossa política externa desde sempre, fomos dos piores alunos da UE nas últimas décadas - desbaratámos milhões, não investimos na melhor poupança, i.e., a educação, e continuamos a endividar-nos a um ritmo alucinante, o que em conjunto com um sempre eterno descontrolo nas finanças públicas nos deixa na alma um travo amargo a incompetência para nos governarmos a nós próprios.
Os actores da nossa democracia e das histórias que têm povoado os noticiários nas últimas semanas não parecem dar-se conta que está em causa muito mais do que apenas o seu nome ou personalidade. Está em causa a democracia - se esta não estiver já mesmo dada como falhada, como afirma o Henrique Raposo. Está em causa a viabilidade futura de Portugal.
Quando um sistema se encontra em tamanha degenerescência é impossível percepcionar completamente as causas e consequências do que se passa à nossa volta, o que torna quase impossível corrigir as deficiências estruturais que nos vão assolando. A maior parte das pessoas parece fazer de conta que não se passa nada, como assinala Martim Avillez num excelente editorial.
Os actores não mudam o seu comportamento a não ser que sejam constrangidos, e só a estrutura o pode fazer, para impedir ou pelo menos minorar que o poder corrompa, e que o poder absoluto corrompa absolutamente, como diria Lord Acton.
Mais importante do que tentar perceber o que se passa, que já todos sabemos que é uma vergonha, importa ir pensando no que fazer para colocar o país em bom rumo. Importa lembrar que as pessoas que temos ao dispor vão continuar a ser exactamente as mesmas e o seu comportamento revestir-se-á das mesmas características se as regras do jogo não forem alteradas. O João Távora mostra bem como a mal pensada arquitectura institucional da III República cai em ambiguidades e paradoxos que a tornam refém de si própria.
Por isso, precisamos de outro regime ou, pelo menos, de rearquitectar este. Nada melhor do que o ano do Centenário da República para o fazermos e para encontrarmos uma forma de galvanizar o país e recuperar a verdadeira ética res publicana, ou seja, aquela que tende apenas para a verdadeira devoção pela boa gestão da causa pública. É imperioso arrumar a casa.
E em que a III República dá uma imagem deplorável do país, chegou-me esta coisinha boa por e-mail:
José Sócrates, Marquês de Freeport
Não só o site do Centenário da República se encontra em destaque no topo da coluna ali do lado, como já terão reparado, como aqui fica o destaque ao A Monarquia do Norte.
Lisboa, 6 de Fevereiro de 1608 - Bahia, 18 de Julho de 1697
junto-me, desde hoje, ao Nuno Resende e ao Pedro Félix, no A Monarquia do Norte.
A enxurrada de péssimas notícias não se estanca, nem sequer com a também constante verificação das reacções na imprensa internacional. O quadro é muito negativo e se ninguém tinha ilusões acerca da verdade dos números apresentados pela economia e finanças nacionais, hoje o problema transcende-os à medida da visível impotência das autoridades em dar-lhes solução.
Os motivos para a distracção do essencial são muitos e cortam qualquer séria possibilidade de entendimento que leve à adopção de medidas inevitáveis e urgentes. O recrudescer dos casos relativos a tentativas de cerceamento da liberdade de imprensa, as meias palavras e sugestões presidenciais que têm sido veiculadas desde o verão de 2009, ou a descoberta da omissão de informações importantes - quando não a clara mentira - por parte de entidades tão relevantes como a PGR, são típicas de um estado de coisas que tem evoluído no sentido de uma inevitável ruptura.
Se o presidente da república é um perito em Finanças, como poderá ter deixado eternizar-se uma situação que hoje os seus aliados políticos classificam como funesta para os interesses nacionais? Desconhecia da existência de centos comissões de estudo, dúzias de fundações, matilhas de advogados e técnicos vários ao serviço de gabinetes de projectos? Não pensou sequer por um momento dirigir-se ao país alertando-o para a política de obras públicas desnecessárias e apenas satisfatórias do ego de alguns e pior ainda, dos interesses pecuniários de outros tantos? O que se passou no sector bancário e o desleixo do Banco de Portugal não eram assuntos de monta que motivassem um rápido alerta? Como pode pactuar com tantos e tão nítidos desperdícios no funcionamento do aparelho de Estado no qual activamente participa?
Hoje discutem-se migalhas - os 50 milhões madeirenses - e esquece-se o essencial. O Parlamento passou ontem longas horas numa maçadora e desprestigiante discussão de balcão de mercearia, sem que alguém proferisse um queixume acerca dos buracos financeiros na RTP, TAP, SCUT's ou CP, do prescindível TGV, da nova auto-estrada para o Porto ou do aeroporto de Lisboa. Quando são previstos autênticos vórtices sugadores de biliões, os principais agentes políticos - PR, AR e Governo - dedicam-se ao ajuste de contas pessoais e a cativar a clientela eleitoral que não poderá deixar de ser consultada logo que tal se propicie. É uma autêntica desgraça e ninguém parece querer dar um exemplo que demonstre aos portugueses uma vontade de trilhar um novo rumo.
A primeira decisão deverá provir de Belém: o dr. Cavaco Silva terá de se dirigir ao país e apelando ao esforço de todos, anunciar a abdicação de metade do orçamento de 17,5 milhões de Euros destinados ao despesismo pelo qual o Palácio de Belém é bem conhecido. Uma atitude destas deverá ter consequências imediatas em muitos outros departamentos do Estado, empresas públicas incluídas e no imenso rol de assessores que pululam ao sabor das conveniências partidárias, cerceamento de mordomias nas empresas do Estado, cartões de crédito, etc. Além do mais, Cavaco Silva não poderia queixar-se de qualquer tipo de penúria, porque os exemplos que nos chegam da Europa são flagrantes: João Carlos I, Carlos XVI da Suécia, Alberto II dos Belgas ou Margarida II da Dinamarca, consomem menos de 50% daquilo que os portugueses são anualmente forçados a canalizar para Belém, nem sequer contando com a manutenção de ex-presidentes, eleições presidenciais, comissões oficiais comemorativas do regime, despesas de representação e outras extorsões do estilo. As somas são irrisórias? Em termos do OGE e do PIB são-no, sem dúvida. No entanto, é este o momento ideal para a plena demonstração da vontade de contenção e moralização da vida pública. Se eles não o fizeram, a isso serão obrigados por outros.
A legitimidade da exigência, advém sempre do exemplo dado.
diz José Eduardo Moniz. Refere-se à situação bem concreta de pretender o governo controlar a comunicação social ( é caso para dizer que Sócrates veio agora dar aval ao caluniado lápis azul, mas como agora tudo se passa pretensamente em democracia, nada a apontar...)
Há bocado tive uma conversa com pessoa da minha geração e ambas concluímos : se há alguns anos nos tivessem dito que iríamos viver toda esta miséria, a nossa reacção só poderia ser: - estás a falar num filme de terror, isso de que falas é o caos.
Mas não. Esse cenário que chega a ser dantesco, tornou-se na mais crua das realidades.Aquilo a que chamaríamos filme de terror tornou-se uma coisa de todos os dias. George Orwell estava certíssimo, se dúvidas houvesse ainda.
Excerto ilustrativo de como o que se passa nos clubes, e não é apenas no FC Porto, é o espelho da mentalidade de quem nos (des?)governa. Isto independentemente de, por vezes, terem de se correr riscos para lá dos orçamentos e dos défices.

Está-se na II Guerra Mundial.
Neste filme anti-guerra ( " Loucura! ", a fala final ) o Major Shears ( William Holden ) é um americano prisioneiro dos japoneses, num campo onde vai parar uma companhia de soldados ingleses, chefiados pelo coronel Nicholson, capturados no Sião. Depois de uma luta de resistência, o inglês leva a peito a construção de uma ponte sobre o rio Kwai, querendo mostrar a superioridade organizativa e técnica britânica, esquecendo, nesse seu fervor, que a mesma vai contra os interesses dos aliados.
Entretanto, o americano, que conseguira fugir do campo, é, devido aos seus conhecimentos de pontos estratégicos,incumbido pelo comando inglês de chefiar uma equipa que se propõe fazer explodir a ponte..
vai ser o ponto de partida para a ingerência externa directa? Será passar um atestado de menoridade a esses mesmos políticos, o que, aliás, para nós, já não é novidade e desconfio que para os outros também não.
"Em ano de centenário, a república portuguesa está a dar tal imagem de si própria que poupa aos seus opositores uma data de trabalho." (João Vacas, no 31 da Armada).
E por tudo aquilo que as televisões têm transmitido na última semana, o processo está a tornar-se assustadoramente fácil. Parece até coisa de "mão beijada".
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Da entrevista a Rui Ramos na Entrevista Ler:
Diria que essa ruptura (Revolução Liberal - 1820) é também mais forte do que a do período de interregno com a presença dos Filipes?
Sim, sem dúvida. O período dos Filipes corresponde a uma tentativa de constitucionalizar a vida em Portugal. O Nuno Monteiro diz mesmo que o pacto de Tomar, entre Filipe II e as Cortes portuguesas, talvez tenha sido a primeira Constituição escrita do País. Aquilo que o rei faz é comprometer-se a respeitar as leis e costumes dos portugueses. Quando mais tarde, no tempo do seu neto, Filipe IV, o conde-duque de Olivares começa a mudar a situação constitucional de Portugal na prática, não de Direito mas na prática, dá-se o 1º de Dezembro de 1640. Que é, como também está explicado no nosso livro, uma reacção constitucionalista. Isto é, não é uma revolução nacionalista. Eles não fazem aquilo por um prurido de independência nacional. Fazem-no porque lhes parece que o pacto que tinham com a dinastia de Habsburgo estava a ser violado pelo Governo de Madrid. O rei estava a violar a constituição, basicamente, e isso libertou os seus vassalos dos laços de obrigação de lealdade.
Não é isso que está na memórica histórica dos portugueses.
Não, a memória histórica da Restauração que nós recebemos, associada à independência nacional, é construída sobretudo no sec. XIX.

You may, by legislation, in one evening, destroy the fruits and accumulations of a century of labour; but I defy you to show me how, by the legislation of this House, you can add one farthing to the wealth of the country. That springs from the industry and intelligence of the people of this country. You cannot guide that intelligence; you cannot do better than leave it to its own instincts. If you attempt by legislation to give any direction to trade or industry, it is a thousand to one that you are doing wrong; and if you happen to be right, it is a work of supererogation, for the parties for whom you legislate would go right without you, and better than with you.
A era Obama afigura-se desastrosa para a Esquerda Europeia por duas razões:
2- Obama é mais realista do que McCain. O "lonely rider" republicano via na Europa um parceiro viável, um amigo tradicional cujos comportamentos são infinitamente mais previsíveis do que os Tigres e os Leões asiáticos. Obama conhece o "mercado político" dos novos capitalistas - e sabe que depende muito mais deles do que da estafada europa.
O que nos resta é a frustração idiótica. Obama não vai dialogar com os Grandes Líderes do Partido Socialista Europeu - nem sequer vai ajudá-los a recuperar a Europa das reaccionárias mãos dos Populares. Pelo contrário, se houve balanço positivo na diplomacia europeia foi com a democracia-cristã alemã.
A ladainha habitual de que a União Europeia é uma instituição pro-mercado está-se a provar, cada vez mais, uma mentira adiada. A Agenda de Lisboa, que planeava fazer da UE o espaço mais competitivo do mundo até 2010, devido à insistência da burocracia de Bruxelas em tutelar os mercados.
Obviamente que a tributação excessiva e a legislação laboral também contribuem para o apagão da Europa.


e o monstro cresça, depois fogem. Foi o que pensei quando li que Sócrates ameaçara demitir-se se a " despesista "( podem rir ) Lei das Finanças Regionais fosse aprovada. Esse despesismo é intolerável, verdade ( e aqui é notória a incoerência do PSD ), mas invocado por quem teima no elefante branco que é o TGV, torna-se risível.
Ocorreu-me que o Primeiro estava a agarrar o pretexto, tipo tábua de salvação, para fugir, como fizera o seu antecessor Guterres. E agora leio no Público que Paulo Portas terá ido no mesmo sentido, quando disse em Guimarães: " Se alguém quer uma crise política tenha a coragem de dizer que não quer governar o país na situação em que o deixou. Voltou o pântano e voltaram aqueles que querem abandonar o país no momento mais difícil”, afirmou Paulo Portas, numa alusão à demissão do ex-primeiro-ministro socialista António Guterres.'
* E nem sequer faltam as rosas da cor certa na mão do monstro, embora não fosse descabido trazer também algumas laranjas.
**aditamento- é claro que, atendendo à situação calamitosa em que se encontra o País, sou contra TODAS as medidas que impliquem mais despesa, e, portanto, contra mais transferências para uma Região onde a média da qualidade de vida é superior à maior parte do Continente. Só acho demagógica esta duplicidade de critérios deSócrates.
No meio de todos estes imbróglios mediáticos, hoje surgiu e desapareceu mais um e de forma tão repentina, que faz estranhar. Desta vez tratava-se de ensaiar um disparate de dimensões tão colossais que nem mereceria qualquer divulgação na imprensa: a publicação dos rendimentos dos contribuintes, omitindo, claro está, os impostos pagos e as despesas reembolsáveis.
Esta constante campanha em espiral do apelo à mais baixa demagogia, até tem a sua razão de ser. Num país a abarrotar de desempregados e onde as reformas da imensa maioria valem o que valem e o ordenado mínimo - e médio - é o que se conhece, torna-se fácil fomentar uma caça às bruxas. Qualquer pobre diabo que se atreva a receber mil Euros mensais, arrisca-se a ser apontado como rico explorador de uma imensa mole de neo-proletários.
Por esta ordem de plano legislativo - a extorsão pelo medo - um Estado que já se arroga a herdar antes de pais, filhos ou netos, dentro de poucos anos passaria a exigir explicações acerca de uns centos de livros nas estantes, do colar de pérolas da bisavó ou da "cebola" de prata do trisavô. Ao que chegámos!
Tudo isto não pode ser mais que o ajustamento de posições internas no PS, com magarefes a afiar as facas de mato para as hipotéticas presidenciais a realizar no próximo ano. Com Alegre mais fixo ao BE que um autocolante de lapelas outros tempos, há que demarcar o terreno e pressionar, mesmo atirando a credibilidade do Estado de Direito às urtigas, no melhor estilo do populismo que grassa além-Atlântico Sul.
Entretanto, em Belém o Conselho de Estado é convocado e o pretexto parece ser o de evitar uma "crise política". O que surge nitidamente, é mais um sublinhar de posições de Cavaco Silva no confronto que existe não apenas com o actual governo, mas com o próprio sistema constitucional. O trabalho de sapa já teve início há algum tempo e uma rápida leitura nos locais do costume, torna claros os intentos de presidencialização, instaurando a anunciada 4ª república É esta a solução para todos os males, mas com os mesmos protagonistas deles causadores. De facto já nos encontramos em pré-campanha eleitoral, seja ela para a presidência ou para um novo Parlamento.
Estão todos muito bem uns para os outros.
Decididamente, a crise não é apenas da política inter-partidária, mas do regime.
A História é cíclica, li hoje dia 3 de Fevereiro de 2010 no jornal Público que após 36 anos de Democracia e desenvolvimento, o número de Portugueses a emigrar para os outros países da CEE aproxima-se dos quantitativos dos anos 60. No entanto o contexto é que é bem diferente. Nos anos 60 Portugal era um país ameaçado e isolado devido à guerra colonial.
Na altura apesar de um crescimento económico na ordem dos 7% anuais estimulado em parte pela própria guerra, muitos jovens preferiram fugir à guerra e procurar trabalho no estrangeiro onde os salários eram superiores. Apesar das despesas inerentes ao conflito colonial, a nossa dívida pública em 1973 (ano também de uma grande crise económica internacional motivada pela enorme subida dos preços do petróleo) era um pouco menor que 30% do PIB (toda a riqueza gerada num ano). Curioso é que nessa altura era a mesma dívida pública que a que certos países mais desenvolvidos como os escandinavos tem actualmente (Finlândia 32 %, Dinamarca 11%, Suécia 36.5%).
Acabou-se com a guerra colonial que consumia segundo os revolucionários de Abril 40% do orçamento de Estado (dizia-se que impedia o nosso desenvolvimento) e entraram vastas somas de dinheiro vindas da CEE. Em 2009 Portugal tem a economia destruída e está mais pobre do que antes com uma dívida pública de 87% (que tem um aumento anual de perto de 9% de acordo com o governo). Voltando ao jornal Público parece que agora aos portugueses nada mais resta senão emigrar à procura de emprego (de que não havia falta em 1973), melhores salários (e em breve também de impostos mais baixos). A dita questão dos impostos é um problema terrível, pois o contribuinte desconta muito e poucas contrapartidas recebe. Se a Justiça, a Saúde e demais serviços públicos mal funcionam, os impostos que os pagam transformaram-se numa forma de extorsão disfarçada. Temos portanto um Estado extorsionário que em nome do pretenso bem comum exige cada vez mais dinheiro aos contribuintes para depois o gastar sobretudo consigo próprio.
Isto leva-me a perguntar se a súbita sede de Democracia a partir de meados dos anos 50 não se explica pela recém adquirida prosperidade das finanças públicas? Os grupos sociais são os mesmos que estiveram ligados à Primeira República e levaram o país à ruína. Em 1928 aceitaram a ditadura do Estado Novo quando compreenderam que eram incapazes de solucionar os problemas que tinham criado.
Após décadas de trabalho e economia das classes mais humildes, o descalabro financeiro foi ultrapassado e o Estado em 1950 estava novamente recuperado em termos financeiros. Nessa altura a pequena e média burguesias urbanas voltaram a sentir a intensa necessidade de participar na governação do seu país. Porque Salazar escolhia a dedo os seus colaboradores e não os substituía enquanto disso não visse necessidade, não existia a necessária rotatividade democrática no acesso às lucrativas posições de poder no Estado. A guerra colonial nos anos 60 serviu para unir os esforços dessa oposição “carente” que acabou por derrubar o Estado Novo. Infelizmente o fim do Império Colonial não se traduziu em verdadeira prosperidade para ninguém à excepção das novas elites políticas que se apropriaram do poder em Portugal e nas ex-colónias. A pobre criança do cartaz de propaganda do 25 de Abril, neste momento está provavelmente desempregada sem dinheiro e com as prestações da compra da casa atrasadas ou já emigrou mesmo e está a lavar pratos num qualquer restaurante em Madrid. Isso é o claro epitáfio de uma revolução bem à portuguesa.
Quando as Forças Armadas não se rebaixavam a comemorar o 31 de Janeiro
o que duvido na próxima década, dificilmente o Rei terá mais que simbólicos poderes constitucionais... "
Diz o António, mas com a reabilitação que, lentamente, é certo, se vem fazendo da imagem dos reis constitucionais, em que mais tarde ou mais cedo se tornará evidente a sua superioridade moral e preparação na condução da " res publica " talvez não possamos dizer nunca, e então Luísa , finalmente, na política não estaremos a sustentar figuras de corpo presente, como agora acontece.
(Momento de Civilização, de Nuno Castelo-Branco)
Um poema da autoria de Beatriz Oliveira, declamado por ocasião do Open Slam Jam, que teve lugar no Espaço Grooveart, a 27 de Janeiro, em Lisboa:
Poluição
Venha o cheiro e ouvido de outros homens
Venham melhores, menos fatais... normais
Venham compreender essas lâminas de ar com rosto de pessoas, que nos atravessam
Sol e tempestade, é igual, venham direitos, distraídos, de barro ou de cristal
Mas venham, sim venham...
Sossegados.
Para poluir eles cá estão,
Povo de ilusória sanidade
Vivendo cheio de medo, enredo
Sociedade sem som, sem suor.
Venham sempre pedindo,
Um Bocage e mais outros cinco
Que o poeta só polui a própria alma.
Sarcástico humor o da Natureza,
Venha ela para mostrar e despachar
Que é melhor que todos nós
Quando ela se calar, o poeta perde o amar.
Venham agora tapar olhos e ouvidos em caudais de pessoas inocentes
Poluam mentes em guerras, em religião também e construam mares de sangue,
Sejam entao felizes no meio de uma esfera de demência e tendência
Que o ar é de todos
e os amores também...
Digam então, que a razão
não existe senão
que todo o fim seja são, então
que tenham o mundo na mão....
Para poluir eles cá estão,
Povo de ilusória sanidade
Digam que é Poluição....
Beatriz Oliveira
Continuando a leitura de « D. Carlos », de Casimiro Gomes da Silva, ontem iniciada, tiro da estante o livro homónimo de Rui Ramos, para reler algumas coisas que nele me prenderam a atenção ( sempre as associações...).
A frase" Os reis de hoje são, por vezes apenas, pouco mais do que celebridades, figuras que geram mais noticiários para as colunas de sociedade e revistas cor-de-rosa do que para as páginas de análise política. D. Carlos não foi um rei desses. ", lembra-me o escarcéu que se fez quando o Príncipe Carlos, da Grã-Bretanha, entendeu ser seu dever intervir na vida pública do seu país. Qual o espanto de o futuro Chefe de Estado sentir como sua essa obrigação?
Se um dia aos portugueses for reconhecido o direito de escolher entre Monarquia e República, e, depois de desfeitos todos os mitos e mentiras que esta alimentou, se optar por aquela, só entenderei a mudança de regime se ao Chefe da Nação forem constitucionalmente reconhecidos as funções que o texto constitucional atribuía a D. Pedro V ou D. Carlos, e que lhes permitiu- reconhecidamente- prosseguir o Bem Público.
"As comemorações oficiais iniciaram-se, com pompa e circunstância e grande participação popular, com vários actos significativos".
Mas afinal, em que planeta terá estado o verdadeiro Dr. Mário Soares? Naquela manhã de domingo e na cidade do Porto, a presidencial figura poderá ter sido apenas um clone que assistiu a uma cerimónia bem diferente daquela a que agora o original nos quer fazer crer.
Muito povo? Onde e qual? Talvez se refira ao grupo de umas escassas dezenas que saudaram a chegada dos comensais com sonoros "gatunos prá prisão"?
Pompa e Circunstância? Qual pompa e que circunstância senão uma derrota a galope?
Decerto o Dr. Soares já se esqueceu do que isso é, porque as tristíssimas cerimónias foram unanimemente consideradas como confrangedoras, apenas conformadas pela presença na praça de uns tantos destacamentos das Forças Armadas, aliás pouco fiáveis nestas coisas de juras a bandeiras.
"Le roi D. Carlos était un trés grand Roi, un trés grand patriote (...) Et la mort du prince... Un enfant, un innocent... Et cette mère courageuse, admirable... vous êtes dans une situation qui n'ést pas brillante. Oh, pas de tout, dans votre Republique!"
Disse a João Chagas, Émile Loubet, presidente da República Francesa
Um novo blog que se destina a fornecer informação acerca da Restauração da Monarquia Portuguesa, ocorrida no Porto em 1919.
Ler A Q U I !
Pelo que parece, o caso Mário Crespo acabou por pegar fogo em vésperas do Entrudo. Como este blog não participa nas questiúnculas em que os poderes partidários se digladiam, apenas deixamos os links para serem seguidos AQUI, AQUI, AQUI e AQUI.
Nota: a questão a colocar é a da legitimidade de uma escuta a alegadas conversas alheias, mesmo que em local público. Mais estranho e absurdo parece ser o conteúdo da mesma, dada a actual situação política. Mesmo num ambiente onde as libações alteram o discernimento, podemos duvidar de uma excentricidade com sérias consequências.
Salvas as devidas diferenças, o exemplo do 1º de Fevereiro de 1908 ainda paira sobre o nosso país e é recomendável que tudo se faça para impedir novos eventos do estilo. O Regicídio foi preparado muito antes, com artigos nos jornais, folhetos difamatórios e a boataria generalizada a cargo de publicistas e da natural maledicência que grassa nos centros urbanos. Nisto, jamais poderemos colaborar e a crítica ao regime cinge-se ao que é visível e indiscutível.
Este fim de 3ª república parece-se demasiadamente com episódios que agitaram o país nos últimos 120 anos, deixando-nos na boca um sabor a cinzas.
Fialho de Almeida ( que viria a " reconciliar-se com o regime tradicional, depois de um encontro com o ministro de D. Carlos " ) : - " Superior, inteligente, culto, bravo e generoso...enjoado da torpitude dos partidos, e tendo da ideia de pátria um culto inverosívelmente alto e absorvente "
Homem Cristo : -" Tinha defeitos, mas, no meio dos seus defeitos, foi o político mais inteligente do seu tempo "
João Chagas, a propósito das cartas a João Franco : - " Aliviam a memória de D.Carlos de um grande peso "
Foi este " homem forte de vontade, enérgico e decidido nas atitudes, largo nas ideias e profundo no saber " ( « D.Carlos »- Casimiro Gomes da Silva ), que um bando de conspiradores que tinham escapado à prisão a 28 de Janeiro do mesmo ano assassinaram faz hoje 102 anos.
" À noite, nas Necessidades, o Conselho de Estado reunido persuade o novo Rei, infante D. Manuel, a afastar João Franco e a formar ministério novo. Faz-se a vontade ao inimigo, abatem-se bandeiras perante o crime. « Os regimens sucubem e desaparecem, menos pela força do ataque que pela frouxidão da defesa » - dirá o próprio João Franco. Resume, muito exactamente, um jornal, meses depois: - ' O Rei morreu na tarde de 1 de Fevereiro, no Terreiro do Paço. A Monarquia morreu nessa noite, no Paço das Necessidades ', precisamente quando a Realeza se erguia unida a um governo sério e forte. Eliminado da cena e lançado para o exílio o único homem de pulso, não há em torno de D.Manuel senão os velhos homens dos partidos, sempre envolvidos em querelas de vaidades, sempre obcecados pelo fito de conquistar o mando para si e para os seus amigos " ( João Ameal )
Os partidos que aquele chamara de " rotativos ", aproveitam-se assim da inexperiência bem intencionada do Infante adolescente para voltarem ao mesmo regabofe, depois dos esforços do rei e do seu 1º Ministro para fazerem de Portugal um país decente.
* E aos que o acusam de ter chamado « Piolheira » ao país pelo qual tanto sofreu, melhor fora que lessem este texto.
Sugerimos que este estoriador seja urgentemente nomeado presidente da tal Comissão Nacional do Centenário. Ele tem a coragem de dizer desabridamente, tudo aquilo que o bando de percevejos oficialistas pensa em absoluta reserva mental.
'Estas mortes* foram necessárias e a prova é que imediatamente à morte, o ditador foi exonerado, foi revogado o decreto-lei que mandava para o exílio grandes vultos da República detidos como consequência da sua intervenção de 28 de janeiro, e mais tarde a República que se veio a implantar', sublinhou.
Por isso, não se incomoda que o regicídio tenha ficado à margem das comemorações oficiais dos cem anos da República.
'Não estamos nada chocados por causa das comemorações oficiais não integrarem este acontecimento histórico porque todos os historiadores ligados à investigação já provaram que foi importante esse acontecimento para a implantação da República', sustentou.
* O Regicídio
Estavam lá os comensais do costume.
Recebidos aos gritos "gatunos prá prisão!", foram chegando nas limusinas do Estado, para aquele aborrecido intróito antes daquilo que verdadeiramente lhes interessava: a farta manjedoura preparada na Câmara Municipal do Porto.
Com a flagrante - e digna - ausência do ex-republicano Ramalho Eanes, a comandita participou em peso. O nababo dos negócios de Macau, Angola e arredores, o expert em transacções imobiliárias e golfistas, o avinagrado sorriso do investidor em acções cotadas a 125% fora da Bolsa, o falhado do Porto Capital Europeia da Cultura, a habilidosa turma dos terrenos, sucatas, computices várias, centros comerciais e outros que tais. Apenas pareciam faltar os srs. Balsemão, Almeida Santos, Jorge Coelho e Pina Moura. Estariam de viagem para negócios?
Povo? Onde estava? Numa enorme praça, o minúsculo rectângulo cerimonial encontrava-se profusamente povoado de vitimizada tropa que aguentou estoicamente o frete, molhada até aos ossos por uma chuvinha fria, vingadora e justiceira.
A sempre patética Igreja alinhou na parvoeira. Um corvo arvorado em Bispo do Porto, grasnou uns dislates contemporizadores para com a data, esquecendo-se daquilo que os seus pares passaram às mãos da cacicagem a soldo de Costas, Bernardinos e Camachos.
A RTP1 lá cumpriu a sua missão de agência noticiosa do regime. Designou um autêntico e reconhecido semi-imbecil de nome Gabriel qualquer-coisa, para dirigir as duas dúzias de "interessados" na pepineira onde não deixou de exibir a sua arrogante ignorância e azeiteirismo de que faz gala. Estúpido como um galináceo, mal informado, pateta chapado e eloquente diseur de todo o tipo de cavalidades, fez o pleno do dia.
Muito apropriadamente, o 31 de Janeiro é o dia dos leprosos. Bem visto.
Via 2711 fico a saber que um republicano terá dito:
“Na República, contrariamente à Monarquia, todos nascemos iguais”
Só não me rirei de tal afirmação quando Oliveiras e Costa, Armandos Vara, Dias Loureiros ou graúdos envolvidos no Processo Casa Pia, forem tratados pela justiça como os Bibis deste País.
como dizia ontem na caixa de comentários,

na calamidade em que o País se encontra, só aparecendo um novo João Franco, que ponha os parlamentares e todo o governo na ordem, depois de manietar os carbonários e maçons para os impedir de minar o futuro, como minaram o nosso passado e o presente, e, então a democracia impor-se-ia natural e ordeiramente.
Às 11.00H da manhã de 31 de Janeiro de 1891, consumava-se a derrota de uma aventura que pressagiava aquilo que mais tarde seria o Portugal da República. Um regime de todas as violências, onde uma ínfima minoria pretendia - e conseguiu! - ditar a lei a um país inteiro. Hoje, os herdeiros do senhor Buíça estão todos em farta festança e como sempre, às custas do erário público. Elitistas como convém, lá estão a mostrar os pergaminhos que vêem do tempo do bisavô, do avô, do pai e que eles hoje confirmam. Gente muito bem, da banca, do universal império dos negócios e das sinecuras erguidas em fechadas academias. Uma infindável lista de nomes envolvidos em todo o tipo de trapaças, processos em curso ou pendentes e que conformam plenamente aquilo em que a "situação" se tornou: um tugúrio de parasitas grã-cruzes. Corrompem a História, exaltam o ataque ao Estado de Direito, legitimam a ilegalidade, nem se dando conta da péssima mensagem que pressagia um modus faciendi de que serão vítimas. Não perdem por esperar, estes percevejos.
E já agora…
Oporto this evening is a city of rejoicing. The storekeepers have thrown down the barricades from the windows and doors of their houses, and everybody is congratulating everybody else that the insurgent outbreak was not so serious as people at first expected it would be.
New York Times, 1 de Feveiro de 1891
Severel proeminent men, named as being members of the insurgentes directorate, disavow any connection therewith Judge Soares and Banker Lute [Leite?] being among the number.
New York Times, 2 de Feveiro de 1891
As a result of the investigation into the recent revolt, the police officials report that they have obtained convincing proof that the insurgents were in league with spanish revolutionist*. Among the proofs in the hands of the authorities are documents seized in the office of the Republica Portuguesa, wich include messages of congratulation received from spanish republican organizations, greeting the portuguese revolutionists as “brothers” who were on the eve of triumph.
New York Times, 5 de Feveiro de 1891
* Lembrem-se do verde e vermelho da Federação Ibérica.
Enquanto estes patetas gastam mais umas dezenas de milhar à nossa conta, ouçamos algumas palavras sensatas.
Ao passo que essa dinheirama toda é desbaratada,
Constata-se assim que a prioridade governativa é o tal fogueteamento republicano, além de, mais uma vez , ficarmos a saber que há regiões mais iguais do que outras. E se as menos iguais fizessem uma espécie de 31 de Janeiro, mas a valer, e, agora, mais do que justificado?
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