"Como socialista, laico e republicano dos sete costados, custa-me um bocado a engolir. (...). Não é por aí que se vai resolver os problemas do País".
Mário Soares, ex-presidente da República
"Um Governo que toma uma decisão destas é um Governo que não respeita a independência nem a República. É um ato contra a História e contra a cultura. É um ato anti-história e anticultura".
Manuel Alegre, ex- (e talvez futuro-presente) candidato presidencial
Com os votos de bom fim-de-semana a todos os nossos leitores!
(Roubado ao 9GAG)
Alterar as Constituições. Transferência total das soberanias sobre os orçamentos nacionais. Rendimentos dos Estados a darem total prioridade aos pagamentos futuros do serviço da dívida.
São estas as condições, classificadas como "mecanismo de vigilância", ou, se se preferir, como "elementos de inovação institucional", impostos pela Senhora Merkel. Na prática, é um verdadeiro ditado alemão à Grécia, a que se seguirá Portugal e a Irlanda.
A primeira condição impõe que os rendimentos dos Estados, agora transformados oficialmente em "Protectorados", são para ser usados prioritariamente para pagar o serviço futuro da dívida contraída junto dos emprestadores internacionais (a troika) e dos credores privados que assinarem o acordo de reestruturação da dívida.
De acordo com o MoU, "só o remanescente poderá ser usado para financiar os gastos primários".
A segunda condição é que o ajustamento, - ou seja, a consolidação orçamental - seja controlado por novas disposições, em que a sua soberania é transferida para "o nível europeu por um certo período de tempo", diz-se.
E o ditado já começou por cá. Que o diga Alberto João Jardim que teve de o escrever de acordo com as linhas transmitidas pelo Administrador-delegado do Merkosy em Portugal.
Escreve um texto acintoso, confuso e cheio de erros a chamar parvos, ridículos e irracionais aos monárquicos e a classificá-los a todos como indivíduos de modos afectados e fãs de touradas e de rugby (e qual é o problema de haver os que o sejam?), arroga-se o monopólio da defesa dos direitos humanos, confundindo-os apenas e só com um qualquer conceito de igualdade, faz desfilar todo um rol de preconceitos - segundo a Porto Editora, 1. opinião (favorável ou desfavorável) formada antecipadamente, sem fundamento sério ou análise crítica 2. julgamento desfavorável formado sem razão objectiva 3. sentimento hostil motivado por hábitos de julgamento ou generalizações apressadas; intolerância - e quando confrontado, vitimiza-se na caixa de comentários, dizendo que não pretendeu ofender ninguém e querendo agora discutir a questão? Se está a tentar retractar-se, deixe-me dizer-lhe que não é esse o caminho.
E faz tudo isto sem operacionalizar os conceito de direitos humanos, igualdade e racionalidade, sobre os quais resulta claro que desconhece quaisquer fundamentos substanciais que pudessem sequer servir de ponto de partida para a discussão. Do alto da minha paciente arrogância para a sua arrogância ignorante, lamento imenso mas nem sequer me vou dar ao trabalho de lhe deixar os links de dezenas (talvez até centenas ou milhares) de posts onde vários autores deste blog já longamente discorreram sobre esta temática. Tem um motor de pesquisa incorporado no blog, dê-lhe uso se lhe aprouver.
Por último, como pode ver, talvez seja o Ricardo que não saiba o que significa preconceituoso. No dia em que um economista (julgo que o é) - que por acaso até costumo apreciar - que claramente não percebe patavina de Filosofia ou Ciência Política, me ensinar o significado de uma palavra que eu escreva, apontando-a como empregue erradamente, vergastar-me-ei. Até lá, e respondendo à sua pergunta sobre o que ando a fazer na blogosfera se só me interesso por teorias, deixo-lhe uma pista quanto ao que não faço:
... verá!

O deputado centrista Ribeiro e Castro disse hoje estar surpreendido e em "profunda divergência" com a decisão do Governo de eliminar os feriados de 5 de Outubro e 1 de Dezembro, lamentando que o Parlamento não tenha sido ouvido.
"Eu, face ao que foi anunciado ontem, sinto uma grande surpresa, estou como o doutor Mário Soares, também me custa muito a engolir que se acabe com o feriado da independência nacional, o 1.º de Dezembro", declarou José Ribeiro e Castro à agência Lusa.
O parlamentar do CDS-PP adiantou estar "em reflexão" e admitiu tomar iniciativas sobre o tema, referindo que desde que surgiram as primeiras notícias sobre a necessidade de acabar com alguns feriados fez "diligências para que houvesse um debate alargado".
"Convém ouvir os deputados antes de se tomar uma decisão que depois eles vão ter de defender," ironizou.
Ribeiro e Castro, também presidente da Comissão Parlamentar de Educação, frisou que está de acordo com "os objetivos" e a necessidade de "ganhar competitividade", mas defendeu que "há outras alternativas", como "acabar com as pontes".
"O dia 1 de dezembro é o feriado mais antigo de Portugal", disse, notando que o feriado da Restauração da Independência, em 1640, é celebrado desde o século XIX, e sugerindo que o Dia de Portugal, assinalado a 10 de junho, poderia ser transferido para esta data.
Ribeiro e Castro referiu que o 10 de junho só começou a ser festejado como Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades em 1978 - no Estado Novo era celebrado como o Dia da Raça.
"O dia de Portugal devia ser o dia 01 de dezembro, tal como acontece na maior parte dos países da União Europeia", que assinalam o feriado do país na data da sua independência, notou.
Viram? Nem decorreram 24 horas e cá estão eles, confirmando precisamente o que dissemos. Devem pensar que andamos todos a dormir.
Seguro é totalmente contra a eliminação do 5 de Outubro. Compreende-se a coceira, pois é a parte da manjedoura onde está o farelo. Coisa decerto dispensável será o 1º de Dezembro, pois ainda há pouco tempo, a prioridade dos dirigentes ratistas era "Espanha, Espanha, Espanha". É mesmo verdade e até o youtube tem os correspondentes videos.
Embora alguns pretendam fazer passar a mensagem de se tratar de "um assunto menor", isto tem razões que vão muito além de uma pequena discussão sobre dias de folga ou vaidades teimosas. Eles sabem que nós sabemos. Seguros pelo seguro, esperemos pelo decreto, confiantes pelo governo saber o que sucederá, se por "inauferíveis razões" ceder à pressão "carbonífera". Será mesmo como se disse, esteja quem estiver no leme. Já aqui se leu este aviso, mas convém recordá-lo as vezes que forem necessárias.
Não, não e não, nisto não cederemos aos mariolinistas e iberdroleiros de serviço. É mesmo "troca por troca".
*António Costa, com pouco que fazer na CML, está cabisbaixo com a "má decisão" governamental e garante que vai continuar a comemorar a coisa, nem que seja ao domingo: pois bem, até lhe sugerimos adoptar como hino aquela velha canção "O qui é qui ocê vai fázê dômingo à tardji?".
Tem nome de mártir mas hoje quem foi verdadeiramente martirizado na sua dignidade foram os leitores apachianos. Nem Afonso Costa iria tão longe. Irra!
(imagem daqui)
Por mais que não celebre o 5 de Outubro, infelizmente não partilho da alegria que parece ter acometido alguns monárquicos a respeito da extinção do 5 de Outubro. Primeiro, porque quando a extinção da celebração do 1.º de Dezembro já havia sido anunciada, nada mais restava ao governo senão extinguir também o 5 de Outubro; não o fazer seria ainda mais escandaloso, como escrevi aqui, mas ter extinguido os dois é um acto de violência perpetrado sobre todos nós, portugueses - era uma situação de perda para todos, logo à partida, pelo que o melhor seria nunca ter acontecido. Segundo, porque esta questão está envolta numa demagogia ignóbil passada como economicismo pelos aprendizes de Maquiavel, como se esta história dos feriados fosse realmente resolver os problemas do país quando o estado continua a gastar à tripa forra e sem ser verdadeiramente reformado. Terceiro, porque acabámos todos a ser gozados pelo governo vigente, onde o dividir para reinar parece ser mote levado à letra no processo de gaspar-alvarização em curso. Infelizmente, passou a ser mais importante para alguns monárquicos celebrar a extinção do 5 de Outubro do que tentar preservar o 1.º de Dezembro, assim como para alguns republicanos o contrário também é verdade, quando dever-nos-íamos, todos, ter unido contra o Leviatã, porque, e em quarto lugar e o mais importante, como também escrevi aqui, não compete ao governo, ou pelo menos não deveríamos deixar que lhe competisse, dispor como bem entender de celebrações que pertencem ao domínio da sociedade, que são reflexo dos mitos com que inventámos a nossa nação.
Leitura complementar: José Adelino Maltez, "Antes de eu ser de esquerda, ou de direita, já era da Pátria. A Pátria é a minha política" (Passos Manuel); e Rui Rocha Menos de meio feriado por cada século de história ou fracção (ler ainda os comentários a este último).
Quando se deixa de pensar e teorizar o estado, a forma de governo, o regime político, e se passa a perorar jocosa e preconceituosamente contra aquilo de que socialmente discordamos, de forma a justificar as nossas crenças políticas e atacar as de outros, tomando por atacado todos os indivíduos que defendem uma(s) determinada(s) ideia(s) e incluindo-os a todos no mesmo estereótipo, entra-se realmente no domínio da parvoíce. E digo-o eu que não sou suspeito, pois apesar de ser liberal, monárquico, do CDS e de usar dois apelidos (desculpem lá mas esteticamente gosto mesmo do Paiva), sou plebeu e tenho tanta paciência para os modos afectados, para os bigodes retorcidos, para os aristocretinos e para os cultores do que comummente se designa por "fados e touradas" como para fazer crochet. O que não invalida em nada a teorização política da monarquia, que não depende desse tipo de particularidades sociais. Caro Ricardo, com um texto tão infeliz, verdadeiramente irracional e preconceituoso, porque não juntar-se a Vital Moreira e seguir já amanhã para o Reino Unido, onde com toda a certeza poderá dar eloquentes lições de democracia e direitos humanos àqueles bárbaros?
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Este senhor quer voltar a Belém. Não lhe bastou o tempo que por lá andou a choramingar nos cantos. E dança com quem tiver de dançar para o conseguir.
Somos insuspeitos, até porque neste blog muitos posts têm sido colocados com acerbas críticas a Cavaco Silva. Apesar disso, tal não nos cega ao ponto de não descortinarmos o que verdadeiramente está em causa. Nada mais nada menos senão isto:
"Não sejam tolos ! O que está em curso é uma tentativa dos de sempre para colocar um buda em Belém; um buda assassino, que possua a faca constitucional que permita um novo golpe, como aquele que foi assestado em Santana Lopes. "Eles" não sabem estar na oposição. "Isto" é deles. Com Cavaco fora, querem, uma vez mais, um golpe de Estado constitucional. Só agora começo a compreender que a campanha anti-Cavaco não tem nada de moral; é imoral, ou antes, é a moral daqueles que não têm autoridade moral para nada."
"Devo dizer que nunca vi em José Sócrates convicções socialistas - no sentido europeu de "social-democrata" - mas antes uma atração pela paródia em que infelizmente o socialismo tantas vezes se tem tornado, deslumbrado com o capitalismo financeiro, as novas tecnologias e os malabarismos da comunicação. Vivendo sempre perto do mundo dos negócios e dos futebóis, e desprezando acintosamente o conhecimento, a cultura ou a educação, com o mais perigoso dos desdéns, que é o que se alimenta do ressentimento e da inveja."
Este é o aperitivo que aqui vos deixamos. Carrilho escarra em Sócrates, mas há que lembrar-lhe que nem por isso deixou de aceitar o cargo na UNESCO. Bem podia explicar-nos como para lá foi encarrilado.
Mário Soares quer as rotativas a funcionar , mas não explica como gerir a aventura. É que parece quase certo de não dar conta do que isso significa e de resto, isso pouco lhe importa. Se por um lado legitimamente pode argumentar com uma desvalorização que em teoria torna a Europa mais competitiva, por outro, isto não resolve nenhum dos problemas estruturais dos países componentes da mesma, para nem sequer abordarmos da autêntica guerra que estalaria com o dólar e outras moedas. As implicações internacionais desta desvalorização teriam consequências e os credores não baixariam facilmente a cerviz. Dando a Mário Soares o benefício da dúvida e desde já manifestando a nossa completa ignorância acerca do assunto, gostaríamos de ouvi-lo mais acerca desta proposta, desde que não nos obrigue a engolir o fait-divers do felizmente extinto 5 de Outubro.
Falar é fácil e usar a língua como fisga populista, tornou-se num hábito.
José Ribeiro e Castro, deputado do CDS, face à importância das matérias tratadas nestes projectos de lei, que foram debatidos no plenário da Assembleia da República na quinta-feira, 19 de Janeiro, e colocados a votação na sexta-feira, 20 de Janeiro, entendeu apresentar uma declaração de voto da maior relevância para a compreensão da questão e que, pela sua oportunidade, aqui publicamos.Não, esta tosca nada tem em comum com a personagem operática. Faz parte de outras estoriosas cantorias e está furiosa por ter sido eliminada a nódoa negra do 5 de Outubro. Felizmente foi e já não era sem tempo.
Risonhamente "os nossos" encerram da melhor forma, a dispendiosa comemoração da centenária vigarista.
Como todos poderão verificar, certas pressões e certas ameaças, vindas de certos quadrantes e destinadas a certos decisores, são mais capazes que qualquer corta-Relvas. Aqui está o resultado deste autêntico troca por troca. Por enquanto, claro, até porque mais cedo do que poderão imaginar, o 1º de Dezembro aí estará de regresso.
Querem apostar?
Habituados como estamos a surpreendentes subidas políticas à Sísifo, este caso que oportunamente rebentou na passada 6ª feira, demonstra uma vez mais, os tão pedregosos quão lamacentos caminhos que conduzem à cúspide do poder. Aproveitando a tremenda gaffe presidencial, logo vieram os seus inimigos jurados e correspondentes putativos amigos-adversários, ressabiados e com contas por saldar, caucionar todo o tipo de dislates, fossem estes vociferados nos media, nas ruas ou pior ainda, através de comentários sarcásticos ou de comprometedores silêncios. É esta a mais republicana verdade.
Para que não restem quaisquer dúvidas, somos teimosa e conscientemente monárquicos, logo alheios à actual forma sob a qual se ergue o Estado.
Todo este chinfrim a propósito de uma ou duas desastradas e certamente digestivas frases presidenciais, prende-se a um objectivo que cada vez mais surge com aquela cristalina nitidez que dá corpo ao velho projecto situacionista. A Chefia do Estado "deve pertencer" única e exclusivamente a um grupo de auto-iluminados, sendo pouco importante entre eles, a pertença ou não do fulano erigido em totem, ao rol de gente proba. Pretendem arredar Cavaco Silva, pois o homem representa aquele outro programa que vem dos tempos de Sá Carneiro, concentrando pela primeira vez na III República, a mesma maioria em Belém e em S. Bento. Bem vistas as coisas e naquilo que concerne ao nosso progresso, pouco importa, mas tal não se poderá dizer quanto a certas benfazejas influências que contentam um restrito, mas poderoso grupo de pessoas. Ora, Cavaco Silva é impossível de aceitar por aquela camada intelectualmente tão ilustre e capaz, tal como é cabalmente comprovado pela situação em que o país e o regime se encontram após quase quatro décadas de aturada administração da coisa pública.
Da boca dos opositores recentemente apeados e das marginais franjinhas saudosistas e iconoclastas que ainda ocupam uns tantos lugares parlamentares, chovem os esperados dichotes, sempre impantes de desprezo social - e logo eles... - que fará corar qualquer tagarela dos risíveis "princípios republicanos". Era de esperar, está-lhes na massa, é a única tradição que conhecem e não esquecem. O mais curioso aspecto nesta contenda pelo "impeachment" que não virá, será verificarmos o crescendo de vozes que tendo começado a ser mais audíveis após o inodoro veneno veiculado pelo Prof. Marcelo no passado domingo, já ganha parangonas por bocas saídas da blogosfera e num ápice alçadas à primeira fila da bancada do PSD. Fazem claramente o jogo apadrinhado por um certo grupo empresarial mediático e os habituais círculos plutocráticos que têm tido ao longo dos anos num certo sector do PS, forte esteio.
Agora, é gente do PSD a tecer suposições acerca de maleitas que afectam o Presidente, sejam elas do foro físico ou preferentemente, questões relacionadas com a sua actual capacidade mental, pois sabem que esta última, consiste num motivo para levar á discussão, ou melhor, forçar a demissão daquele que ainda há um ano foi eleito por 23% dos inscritos nos cadernos eleitorais. Aliás, este é um dos mais audíveis pregões, repetido até á saciedade. Por outras palavras, não aceitam que Cavaco não pertença ao grupo e pretendem substituí-lo à primeira oportunidade que surja.
Em suma, o que se pretende, é voltar a colocar um Sampaio qualquer - ou o próprio, imagine-se! - no lugar de Cavaco, transpondo para a nossa triste e quotidiana paisagem, as desditas do pérfido Gão-Vizir que queria ser Califa. Alguém ainda recorda a golpada constitucional da demissão forçada de Santana Lopes? Pois é isso mesmo que sonham reeditar nesta cada vez mais porca miséria.
Subvertem as regras que a própria irmandade impôs quanto à embusteira necessidade electiva da chefia do Estado. Pois há que gostosamente aceitar o repto.
Aqui se apresenta a trupe republicana. Assim sendo, dão-nos total margem para podermos dizer tudo o que nos der na real gana.
Contudo, não o faremos. Somos doutra lavra. Eles que tratem a sua sarna.
Nuno Garoupa, "Portugal tem que mudar de vida":
«Fala-se muito de valor de mercado. Mas que mercado? Se não há mercado absolutamente nenhum. São as rendas acumuladas pela proximidade da política com os negócios que arruinou Portugal. E, no meio das ruínas, exige-se que os portugueses mudem de vida, mas não a sua classe política.
Esperemos que o Governo entenda que não pode aplicar austeridade para corrigir as loucuras dos últimos vinte anos e, ao mesmo tempo, permitir o regabofe da distribuição de sinecuras bem remuneradas aos seus amigos. A continuar por este caminho vai acabar muito mal. A classe política tem que mudar de vida antes de pregar que Portugal tem que mudar de vida. O Governo parece incapaz de mudar de vida. Se assim for, é mais um Governo falhado de mais uma oportunidade perdida.»
O hit do momento. Vasco Palmeirim featuring Aníbal
Carlos Abreu Amorim, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PSD, diz que Cavaco Silva está bem quando está calado. Na RTP Informação o deputado do PSD admitiu que teve vergonha das declarações do presidente sobre o dinheiro que recebe em reformas.
Soren Kierkegaard, O Banquete ou In Vino Veritas:
«Confesso a verdade quando digo que a minha alma está isenta de inveja e cheia de gratidão para com Deus; antes quero ser homem pobre de qualidades, mas homem, do que mulher - grandeza imensurável, que encontra a sua felicidade na ilusão. Vale mais ser uma realidade, que ao menos possui uma significação precisa, do que ser uma abstracção precisa, do que ser uma abstracção susceptível de todas as interpretações. É, pois, bem verdade: graças à mulher é que a idealidade aparece na vida; que seria do homem, sem ela? Muitos chegaram a ser génios, heróis, e outros santos, graças às mulheres que amaram; mas nenhum homem chegou a ser génio por graça da mulher com quem casou; por essa, quando muito, consegue o marido ser conselheiro de Estado; nenhum homem chegou a ser herói pela mulher que conquistou, porque essa apenas conseguiu que ele chegasse a general; nenhum homem chegou a ser poeta inspirado pela companheira de seus dias, porque essa apenas conseguiu que ele fosse pai; nenhum homem chegou a ser santo pela mulher que lhe foi destinada, porque esse viveu e morreu celibatário. Os homens que chegaram a ser génios, heróis, poetas e santos cumpriram a sua missão inspirados pelas mulheres que nunca chegaram a ser deles. Se a idealidade da mulher fosse positivamente, e não negativamente, um factor de entusiasmo, inspiratriz seria a mulher à qual o homem, casando, se unisse para toda a vida. A realidade fala-nos, porém, outra linguagem. Quero dizer que a mulher desperta, sim, o homem para a idealidade, mas só o torna criador na relação negativa que mantém com ele. Compreendidas assim as coisas, poderá efectivamente dizer-se que a mulher é inspiradora, mas a afirmação directa não passa de um paralogismo em que só a mulher casada pode acreditar. Quem ouviu alguma vez dizer que uma mulher casada tivesse conseguido fazer do marido um poeta? A mulher inspira o homem, sim, mas durante o tempo em que for vivendo até a possuir. Tal é a verdade que está escondida na ilusão da poesia e da mulher. Que o homem não possua a mulher, isso é o que pode ser entendido de várias maneiras. Ou está ainda na luta para a conquista, e assim se disse que a donzela entusiasmou o amante a ponto de fazer dele um cavaleiro, mas nunca se ouviu dizer que um homem se tornasse valente por influência da mulher com quem casou. Ou está convencido de que nunca lhe será possível casar com ela, e assim se diz que a donzela entusiasmou e despertou a idealidade do amante que se manifestou capaz de cultivar os dons espirituais de que porventura era portador. Mas uma esposa, uma dona de casa, tem tantas coisas prosaicas com que se preocupar, que nunca desperta no marido a idealidade. Há ainda outro caso, em que o homem não possui a mulher porque persegue um ideal. Assim vai ele passando de amor para amor, o que é uma espécie de ser infeliz no amor; a idealidade da alma do amante está então no ardor da procura e da perseguição, e não nos amores fragmentários que não valem a soma das aventuras particulares.»
1 - Entram para a coluna da direita: A Terceira Noite, Blogue dos Cafés, Jonasnuts, Lei Seca, Michael Seufert, O Intermitente, O Ouriço, Senatus e És a Nossa Fé.
2 - O João Gonçalves mudou o Portugal dos Pequeninos para o Sapo..
3 - Em destaque, ainda que eu, como bom (ou mau) sportinguista, já pouco ligue a futebol, fica o recente És a Nossa Fé, onde também escreve o nosso João Gomes de Almeida.
Um dos maiores especuladores financeiros de que há memória, vem agora comentar os seus temores acerca da situação explosiva que se vive nos Estados Unidos e na Europa. Como vão longe os tempos em que ele e os seus amigos atiraram para a miséria milhões de infelizes, da Tailândia à Indonésia e até às Filipinas. Nestes países, Soros nem sequer pode sonhar com umas férias em qualquer resort de luxo à beira mar, tal é o seu palmarés depredador.
A mais bela joalharia da capital vai fechar. Os espanhóis que compraram o edifício, juram a pés juntos - juras numa língua esquisita valem o que valem - "tudo manter" e de preferência, pretendem instalar um negócio similar ao até agora existente, ou algum outro que se adapte ao espaço. Fala-se acerca da "segurança" que representa estar no Inventário Municipal, como se isso fosse alguma garantia. Quantos prédios já foram demolidos após a sub-reptícia retirada do dito inventário? Será este espaço apenas mais um na contabilidade cataclísmica?
Esperamos para ver, mas sem grande esperança, pois na Câmara Municipal de Lisboa, pouco confiamos. Pouco, não. Nada! Se nem o Público consegue extrair uma única palavra daqueles intérpretes de gente...!
Uma lontra saiu esta manhã do mar e sentou-se numa cadeira de esplanada, gozando os raios deste sol de inverno. Cena adorável.
Uma gordíssima lambisgóia saiu de um buraco já há mais de cem anos e instalou-se aqui mesmo à beira Atlântico, sendo até agora impossível reenviá-la á origem. Uma maçada que nos tem saído bem cara.
Uma crónica tão dura quanto verdadeira deu direito ao despedimento de Pedro Rosa Mendes da RDP-Antena 1. Não há uma mentira em tudo o que foi dito sobre Angola, Portugal, a RTP e o serviço público. E foi isso que doeu. A liberdade de opinião fica para as calendas.
Um dia, o cavalo de um velho fazendeiro que há muito trabalha os seus campos, fugiu. Ao saber da notícia, os seus vizinhos vieram visitá-lo.
"Que má sorte!" disseram eles solidariamnete. "Talvez," replicou, calmamente, o fazendeiro.
Na manhã seguinte, o cavalo retornou, trazendo consigo três outros cavalos selvagens.
"Que maravlhoso!", exclamaram os vizinhos. "Talvez," replicou o homem.
No dia seguinte, o seu filho tentou domar um dos cavalos, foi derrubado e partiu uma perna. Novamente os vizinhos vieram oferecer a sua simpatia pela má fortuna.
"Que pena," disseram.
"Talvez," respondeu o fazendeiro. No dia seguinte, oficiais militares chegaram à vila para convocar todos os jovens para o serviço obrigatório no exército, que iria entrar em guerra. Vendo que o filho do velho estava com a perna partida, dispensaram-no. Uma vez mais, os vizinhos congratularam o fazendeiro pela forma como as coisas se tinham virado a seu favor.
O velho olhou-os e disse, suavemente:
"Talvez."
Via Facebook, chega-nos a notícia de o Presidente da República ter acabado de assinar o despacho que confere a Ordem de Mérito a S.A.R. a Infanta D. Maria Adelaide.
Nascida naquela auspiciosa e histórica data de 31 de Janeiro, comemorativa da vitória da legalidade constitucional sob a prepotência e sedição desordeira, a Infanta não é propriamente uma "amiga e companheira" daquelas que faz o pleno e exclusivo das novas lendas e narrativas do nosso tempo. Naquela Senhora nada se supõe, não existem mitos, fotografias retocadas ou biografias maquinadas e capazes de granjear chorudas recompensas. Não, a Infanta é mesmo aquela que os testemunhos apontam, é autêntica.
Aníbal Cavaco Silva fez o que obrigatoriamente devia e não há que agradecer-lhe por isso, mas tão só notar que quebrou mais um tabu ciosamente cultivado durante décadas pelos antecessores sátrapas das II e II Repúblicas, sempre vendados a tudo aquilo que lhes pudesse embaciar o espelho onde obsessivamente teimam em viver.
"A Infanta Dona Adelaide, cujo aniversário centenário se celebra no próximo dia 31 é merecedora da nossa humilde e insignificante gratidão. Será, talvez, a mais importante portuguesa viva."
Ordem de Mérito, aceita-se. Aníbal Cavaco Silva cumpriu a sua missão e Portugal por esta vez deve reconhecê-lo. Antes assim.
Permitam-me uma colherada na discussão, para dizer que há um argumento muito simples que dispensa todas as confusões de que enferma este post, alegadamente pragmático, de Rui Rocha. Já que é de pragmatismo que falamos, aqui fica a minha muito pragmática defesa da monarquia, alicerçada numa perspectiva comparada de sistemas políticos que de há uns anos a esta parte venho desenvolvendo, e partindo precisamente do pessimismo antropológico: o Rei, mesmo que seja um idiota, como o Rui Rocha teme, será sempre independente do jogo político-partidário, o que lhe granjeia uma legitimidade para ser árbitro que um presidente, num sistema semi-presidencialista como o nosso, nunca terá. O desenho de uma monarquia constitucional observa aquele princípio muito pragmático de Karl Popper que diz que em democracia o que interessa não é saber quem manda, mas sim como se limita o poder de quem manda. O Rei não manda, não tem poder. Tem autoridade, que é diferente de poder (ver Max Weber). E, mesmo assim, esta autoridade está limitada ao estrito respeito pela constituição, que emana da Assembleia, que por sua vez emana do povo. Porque todos os humanos erram, porque não somos santos nem anjos, e porque independentemente do regime ser uma monarquia ou uma república, os partidos políticos serão sempre aquilo que sabemos, o que é importante é precisamente desenhar os checks and balances para evitar abusos de poder. O Rei é uma peça basilar nesse desenho, pela independência a que acima aludi.
Como escreveu em tempos o Miguel Castelo-Branco, "A monarquia, forma não democrática de escolha e sucessão da chefia do Estado é, assim, o melhor garante da Liberdade colectiva e de uma chefia de Estado independente e imparcial. A monarquia é caução de democracia."
Como leitura complementar, deixo o link para um texto que escrevi já há 3 anos, mas que continua bastante actual no desmontar de algumas falácias.
Isto tem muito que se lhe diga e este insistir em retornar ao assunto, inevitavelmente recordará outros episódios que o tempo foi apagando da memória. Esperem e verão.
Mas afinal, com dúzias de assessores em Belém, não há um único que lhe dê dois conselhos?
*Entretanto, as tais hienas tinto-verde antes referidas, andam a recolher assinaturas, pretendendo levá-las a S. Bento para uma destituição! Até o Expresso balsemeiro nisto colabora e em questões de "má moeda", já vimos que a republicana anda muito desvalorizada. Pior ainda, a outra balsemada SIC Notícias, tem sido mortífera, multiplicando "notícias" e organizando tertúlias de escárnio e mal-dizer em torno do programa "Opinião Pública". Como se nós fizéssemos coisas destas...
Ao que "isto" chegou.
Teodora Cardoso é da "escola" do Presidente da República. Não há dúvidas de que Cavaco Silva deixou seguidores no Banco de Portugal. Uma instituição que teima em manter-se à margem da realidade do país. Uma casa plena de benesses que pagava a Vitor Constâncio, em 2009, o 3º salário mais elevado do mundo na sua área.
Ordenados e ajudas de custo, benesses várias, luxo, no fundo, num País com a população na penúria. Eis as características de titulares ou ex-titulares de elevados cargos políticos na 3ª República. Não interessa se são socialistas ou social-democratas, a prática é a mesma. E, de uma forma ou de outra, é o Povo que paga isto tudo.
Não cabe aos monárquicos o papel de defender o Presidente da República, nem nisso temos qualquer interesse, seja ele quem for. Ninguém disso está à espera e jamais o faremos. Defenda-o quem nele confia ou quem dele dependa. Desta forma, estamos muito à vontade para opinar acerca do entusiasmado indignar e risos de hiena que andam pelas redes sociais e via alguns blogs conotados com a eleitoralmente deposta antiga maioria parlamentar.
Cavaco Silva cometeu uma tremenda gaffe, é verdade. O que se torna ridículo e bem sintomático do enveredar pelo "vale tudo", é este aproveitar até à exaustão e precisamente por parte daqueles que sempre andaram vendados nos tempos dos imediatos antecessores de ACS. Já se leu alguma vez, uma linha que fosse acerca das estranhas amizades e do patchwork relacionado com Macau, aliás volatilizado pela inexistente censura que existe? Este é um exemplo entre muitos outros, aos quais se somam escandalosas omissões, descarado conluio com a incompetência governamental, desleixo ou contemporização relativa a más políticas oportunamente denunciadas. Os antecessores de Cavaco, inventores dos "direitos à indignação" que tão bem lhes serviu para ocultarem as próprias pústulas, puderam sempre dormir descansados, pois os trolhas de serviço obravam judiciosamente para lhes erguer poderosa paliçada protectora. Negócios, amizades impensáveis, viagens perdulárias à conta do contribuinte, atropelos à normalidade constitucional, uma lista civil sempre em vergonhoso crescendo de mordomias, faltas de respeito para com entidades estatais que lhes garantiam a segurança e a dignidade do cargo, tudo, tudo passou em branco numa imprensa medrosa e bem controlada.
Devíamos estar satisfeitos por esta onda que visa achincalhar o actual Presidente, mas os monárquicos são por regra gente decente, ordeira e respeitadora da legalidade e das instituições, mesmo - como é o caso - não mercendo estas qualquer tipo de homenagem.
Denegrindo o titular do cargo máximo do Estado, atingindo a sua honorabilidade, arrastando-o pela lama ou encostando-lhe o canivete à jugular, os refastelados patetas estão precisamente a fazer um trabalho que parecia impossível: dão a machadada final, na única instituição que até há pouco era passível de contemporização por parte de um povo farto de abusos. Se um dia destes começarem a ouvir-se uns tiros aqui e ali, não se admirem. Uma vez mais, a responsabilidade será deles, precisamente dos herdeiros dos bandidos de 1908 e 1910.
Entretando, já entrámos naquela fase do soma e segue. Ainda bem.
Aqui fica o meu segundo artigo escrito para a secção de opinião do Diário Digital e também publicado no blog da Real Associação de Lisboa.
Recentemente, veio-me à memória uma aula de 2008 em que um conhecido professor da nossa praça dizia que as crises de identidade são características de nações com hiper-identidade. Estamos sempre a falar da nossa identidade precisamente por termos identidade a mais. A nossa longa História nacional tem um peso enorme sobre os nossos ombros, hoje obrigados ao temor reverencial troikista. O nosso passado é de uma grandeza que nos faz sentir como pigmeus, muitas vezes deixando-nos sem saber como lidar com ele. Daí o nosso eterno retorno mental e retórico às épocas áureas do domínio português sobre mares de todo o mundo. Daí a nossa servidão voluntária quando nos pretendem impor ideias que são simplesmente páginas novas no processo de apagamento da identidade portuguesa em curso. Vem isto a propósito de dois ataques do rolo unidimensionalizador do estado, que encontra quase sempre, infelizmente, uma enorme passividade da sociedade portuguesa em relação aos ataques por ele prosseguidos.
Em primeiro lugar, o mal afamado Acordo Ortográfico. Não pretendo estender-me numa análise do género da que muitos têm feito, e bem, sobre as incoerências linguísticas do próprio acordo ou os errados critérios e interesses que o norteiam, como Pedro Mexia salientou num excelente artigo publicado no Expresso de 14 de Janeiro de 2012. E não o pretendo fazer porque, antes de mais, fazê-lo é aceitar a existência do próprio acordo. É aceitar que o estado é dono da língua. É aceitar que, sem que ninguém lhe tenha conferido esse mandato, o estado se pode arrogar a possibilidade de fazer o que quer com a língua. No caso em apreço, é aceitar que o estado pode convocar um grupo de alegados iluminados e permitir-lhes redesenhar a língua de milhões de pessoas a seu bel-prazer. Escapa a estes iluminados, provavelmente herdeiros da filosofia cartesiana que incorre no racionalismo construtivista – um ignóbil produto da modernidade que inspirou totalitarismos assentes no princípio de que é possível desenhar ou redesenhar uma sociedade complexa a partir de cima, ou seja, do aparelho estatal – uma coisa tão simples quanto isto: a língua é uma das instituições humanas originada e desenvolvida espontaneamente, i.e., através da interacção de milhões de indivíduos ao longo do tempo. A língua originou-se através da natural evolução humana e é por via das interacções que se registam numa comunidade ou sociedade que se vai modificando, de forma lenta, gradual e sem coação estatal. A língua não é produto nem pode ser apropriada por um aparelho cuja fundação é posterior ao momento de origem da língua da sociedade de onde aquele emana. Sinto-me ultrajado com este acordo e pela violentíssima forma como o estado tem avançado para o impor. Raras vezes tenho sentido uma revolta tão grande, uma revolta que cada vez mais me custa calar e que é, com toda a certeza, partilhada por milhões dos meus compatriotas. É difícil, mas não impossível, resistir ao rolo unidimensionalizador da única instituição que detém o monopólio da força legítima. Mas não resistir é aceitar a coação estatal num domínio que é nosso, dos indivíduos e da sociedade, dos portugueses, não do estado. E é por isto que sou terminantemente contra a existência de qualquer acordo ortográfico. Este ou outros (e sim, sei que se fizeram vários ao longo do século XX e sempre por razões políticas). Não discuto os critérios do acordo porque, por uma questão de princípio, este nem sequer deveria existir.
Em segundo lugar, como não poderia deixar de ser, quero referir-me à recentemente anunciada extinção da celebração do dia da Restauração da Independência. Também este assunto pairou no debate público português ao longo dos últimos meses, não faltando quem sugerisse quais os feriados que deveriam acabar. Ora, mais uma vez, isto prefigura uma situação inaceitável. Conforme salientou João César das Neves no Diário de Notícias de 7 de Novembro de 2011, num artigo muito oportunamente intitulado “Os limites da política”, «O Governo não é dono disto». Não compete ao governo, ou pelo menos não deveríamos deixar que lhe competisse, dispor como bem entender de celebrações que pertencem ao domínio da sociedade, que são reflexo dos mitos com que inventámos a nossa nação. Mas já que o está a fazer, então a referida extinção torna-se ainda mais escabrosa quando pensamos que o 5 de Outubro de 1910 continua a ser celebrado. Se nos recordarmos que a fundação do actual regime já é celebrada a 25 de Abril, torna-se ofensivo e acintoso. Ademais, perante mais esta ofensa à nossa identidade, permite-nos perguntar porque não mudar a celebração do Dia de Portugal de 10 de Junho para o Dia da Restauração da Independência, sendo o 1º de Dezembro uma data fundamental na construção do estado moderno em Portugal? Ou será que os pruridos que assistem a alguns iberistas e à laboriosamente ofendida Câmara de Comércio espanhola e aos seus bem pagos delegados empresariais portugueses não o permitem? Em tom provocador, gostaríamos de saber se em Buenos Aires também se exige aos argentinos a liquidação do feriado do 25 de Maio, essa tremenda “ofensa aos espanhóis que dão trabalho” a tantos cidadãos daquele país sul-americano? Melhor ainda, e que tal mudar o mesmo Dia de Portugal para 1 de Dezembro, mas em vez de meia dúzia dos donos do poder celebrarem em frente da Câmara Municipal de Lisboa a Implantação do regime que criou as condições para 48 anos de ditadura, passávamos todos a celebrar o 5 de Outubro de 1143, data da assinatura do Tratado de Zamora e, consequentemente, da fundação de Portugal? Aliás, devemos ser o único país do mundo com a originalidade de não celebrar a sua Independência. O que se torna simplesmente ridículo perante a nossa enorme e longa História.
Tudo isto porque, relembrando Jacques Le Goff, sabemos que é na memória que cresce a história, e um povo sem memória é um povo sem futuro, pelo que importa não esquecer a nossa tradição e salientar, de acordo com José Adelino Maltez no seu recente Abecedário Simbiótico, que «Ser pela tradição é saber recuar, em pensamento e em entusiasmo, para, aprofundando o presente, dar raízes ao futuro, e melhor se poder avançar (…).» Com saudades de futuro, neste nosso Portugal por cumprir, há que continuar a ser livre, isto é, a dizer não, porque a essência do homem livre é ser do contra – não renunciando, antes pelo contrário, à participação cívica. Como assinalou Camus, a revolta surge do espectáculo do irracional a par com uma condição injusta e incompreensível. Perante os ataques desferidos, muitos continuam a não compreender Fernando Pessoa quando este nos diz que «O Estado está acima do cidadão, mas o Homem está acima do Estado». Compete-nos fazer os possíveis e impossíveis para acabar com esta violência sobre todos nós.
(Errata: onde se lê coação estatal deve ler-se coerção estatal)
Muito já se disse sobre as escandalosas declarações de Cavaco Silva, e mais se irá continuar certamente a dizer.
Deixo aqui o link para o comunicado do PPM no Jornal Público.
Jantar na inauguração da Capital Europeia da Cultura 2012. O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, é vaiado de forma tão inédita quanto intensa pelo Povo à entrada e à saída do restaurante. Os tambores entraram em acção depois da 2ª vaia mas já era demasiado tarde. Imagens não exibidas publicamente e recolhidas no Youtube.
*Connosco, leia-se, com o povo português. Porque de outra forma nunca reinaria. Infelizmente, por muito que se explique, é impossível a alguns perceberem como tudo funciona. O que vale é que o Povo vai percebendo quem é que come (d)o bolo. Eu, por mim, já desisti de explicar. Pode ser que apareça alguém que o faça... Santa Paciência!
Os ex-Presidentes da República, quando cessam as suas funções, têm direito a:
- Gabinete com secretária;
- Viatura com motorista e combustível pago pelo Estado;
- Assessor da sua confiança pago pelo Estado;
- Ajudas de custo para as deslocações oficiais fora da área de residência
- Pensão por terem ocupado as funções.
Resultado:
Custo de 1 milhão de euros no orçamento do Palácio de Belém, pagos pelo erário público, ou seja, por todos nós. Acresce que, actualmente, o Presidente da República recebe ainda 2900 euros por mês para despesas de representação pelo cargo que ocupa. Assim, a Presidência assegura a actualmente a Cavaco Silva, durante os próximos quatro anos, os gastos com alimentação, habitação, médico e outras despesas pessoais.
E viva a República!
Não valerá a pena estarem agora todos muito nervosos com os gastos presidenciais que bem feitas as contas, são apenas uma folhinha nas centenas de resmas da despesa pública. Muito mais importante do que a contagem dos milhões, trata-se duma questão de princípio, num regime que nasceu latindo muitos, para melhor poder evitá-los. Se excluirmos Ramalho Eanes e por aquilo que a imprensa descobriu, Cavaco é de longe o menos afortunado dos Presidentes em caixa de contabilidade. Também surgem as suas nada espantosas ligações a certos amigos perigosos. Pois sim, mas então e os outros, aqueles que o antecederam em Belém e que sendo exímios palradores, ainda "presidem" a várias situações de poleiro?
Ocultando o assunto que varreu durante uns dias os jornais e os noticiários televisivos, arranjou-se agora um bode que sendo sem qualquer dúvida conviva na mesma pastagem, foi incumbido de expiar todos os males. Na imprensa e na net, surgiu a lista das propriedades e bens de investimento de Cavaco Silva. Seria interessante fazer-se o mesmo relativamente a Mário Soares e a Jorge Sampaio. Porque tal coisa não acontecerá? Porque é um atentado a um certo ordeirismo arrogante que pontifica na auto-proclamada inteligentsia do regime, precisamente essa que jamais olhou a gastos para satisfazer as suas vaidades e prazeres garantidos nas mordomias. Cavaco é um alvo fácil pela sua proverbial inabilidade, numa sociedade formatada para condescender com caríssimos "companheiros e companheiras, amigos, amigas e resistentes". Pior ainda, os republicanos achincalham-no em público e disso retiram o maior gozo. Nada que nos admire, pois até poderemos estar a assistir a uma escalada que decerto terá como base exclusiva, questões relacionadas com dinheiro. Já assim foi em 1907 e eles têm a lição mal aprendida. Ainda bem.
Queiram ou não queiram, a República é mesmo isto e muito bem faz o Diário de Notícias em ir levantando esta espécie de "tchador" laico.

Peço-vos que leiam atentamente este texto. Talvez o momento esteja a chegar e este governo tenha que dar um sinal. Depende de nós estarmos unidos e lutarmos.
"(…) o episódio do Porto ressuscita, e no pior momento, o velho homem de Boliqueime, com a sua arrogância, a sua cegueira e a sua habitual hipocrisia. Ele quer ser um de nós. Não é. E não é, para começar, porque é Presidente da República e o Presidente da República tem privilégios que nenhum português normal tem ou imagina. Cavaco renunciou ao vencimento de lei (à volta de 6 mil euros por mês), que ficava longe do tal das pensões (10 mil euros por mês). Mas não renunciou, nem podia renunciar, aos privilégios do cargo. Transportes de graça, viagens de graça e o uso gratuito dos serviços de Belém, desde uma secretária particular e uma cozinha tolerável a um médico em assistência permanente. Quanto vale isto? Vale muito, embora o dr. Cavaco não pareça perceber ou goste de reconhecer. E mais do que isso: quando acabar o seu último mandato ficará para sempre (à custa do Estado) com um gabinete, algum pessoal e uns tantos carros à sua exclusiva disposição. Que o Presidente da República esqueça quem é a benefício da populaça e uma dose obscena da mais baixa demagogia de rua é uma vergonha nacional. Ne chassez pas la nature, elle revient au galop."
Vasco Pulido Valente, O Presidente em crise [Público]
"O homem que inúmeras vezes apareceu perante os portugueses exigindo que se falasse verdade não falou verdade. O homem que afirmou solenemente que quem o acusava de condutas menos próprias na condução de alguns negócios particulares teria de nascer dez vezes para ser mais sério do que ele não foi sério. Deliberadamente, escondeu uma parte do que ganha. E não foi sério quando disse que não sabia quanto seria o valor total das suas pensões. O homem frontal, que faz gala de que a sua vida seja um livro aberto, omitiu. Omitiu ou disse uma meia-verdade, que como toda a gente sabe é sempre uma redonda mentira, quando, sem um pingo de vergonha, fingiu ter de livre e espontânea vontade prescindido do seu salário como Presidente da República. Todos nós sabemos que lhe estava vedado por lei acumular as suas pensões com esse salário. Decidiu omitir que a escolha que fez foi entre receber cerca de dez mil euros mensais das reformas ou aproximadamente sete mil de salário."
Pedro Marques Lopes, Então e a verdade?
O blog ILHAS SELVAGENS continua na sua senda de internacionalização e conta já com mais de 1400 amigos só no Facebook. Tem pois algo que, na opinião dos internautas de mais de 90 países, justifica a visita. Se o fizer terá oportunidade de conhecer a mais remota parte do território nacional e que é a última fronteira e o extremo mais a sul de Portugal: as ILHAS SELVAGENS. Os interessados podem ver o blog aqui. E, já agora, o que espera para ajudar a classificação deste blog nacional, tornando-se seguidor no Facebook aqui e no Twitter aqui?
Laura Dekker tornou-se a mais jovem velejadora de sempre a realizar a volta ao mundo em solitário, quando chegou a Saint-Martin, nas Caraíbas, cerca de um ano depois do início da sua viagem.
A jovem holandesa fará 17 anos em Setembro e ultrapassou o anterior recorde da australiana Jessica Watson, que tinha completado a sua volta ao mundo sem assistência três dias antes do 17.º aniversário.
Dekker desembarcou, cerca das 15h00 locais, no Saint-Martin Yacht Club, e foi recebida pelos pais e por 400 outras pessoas.
Boa música para acompanhar o England: An Elegy do Scruton.
Como disseramos neste mesmo blog dias atrás, num post que foi lido por quase 9000 internautas, a campanha em causa revestia publicidade enganosa. Hoje soube-se que, conscientes disso, e pelo facto de terem omitido um dado essencial que importava transmitir ao consumidor, em concreto a mudança de contrato, ou seja, a necessidade de celebração de um novo contrato e o fornecimento, em consequência, do serviço por um novo fornecedor, a EDP e o Continente decidiram alterar a publicidade em causa. Afinal quem tinha razão, quem era?
Semana a semana a Monarquia ganha adeptos em Portugal. Hoje o Presidente Cavaco Silva deu uma ajuda preciosa. Uma só palavra: "Obrigado".
Durante anos o CDS, ou o PP, no tempo dele, habituou-nos a um conjunto de princípios ou valores próprios. Essa tónica esteve muito presente nomeadamente durante o "consulado" de José Ribeiro e Castro. Não concordávamos com todos, como era evidente (a defesa do nuclear é disso um bom exemplo), mas respeitáva-mos a coerência das posições assumidas, nomeadamente na área da Família e as oportunas propostas apresentadas no âmbito da agricultura. Foi tal postura que, enquanto fui deputado independente à Assembleia da República na X Legislatura me permitiu votar várias vezes ao lado dos centristas, o que fiz, inclusive por vezes contra a bancada em que me encontrava inserido e de forma descomplexada.
Ultimamente, porém, algo se passa. Não querendo entrar em questões de outra ordem que para aqui não são chamadas, é contudo notória e "evolução" do CDS para caminhos ou soluções que, para quem está de fora, como é o meu caso, não deixam de surpreender muito pela negativa. Foi o caso da votação, na passada 6ª feira, através da existência de um voto favorável da bancada do CDS-PP e de várias abstenções num projecto de alargamento do acesso às técnicas de PMA. Não era esta uma área em que o CDS se notabilizava pela coerência e a confluência de posições internas? Não era esta uma matéria cuja defesa, num passado não muito distante, era uma "imagem de marca" do CDS-PP?
Quando uma votação destas ocorre é sinal de que as coisas não estão bem. Como, aliás, já se tinha percebido no momento em que o Governo, com o inacreditável silêncio cúmplice dos governantes centristas (que assumiram compromissos morais noutra sede, compromissos estes que, ao contrário de outros, de secretos nada têm) deixou caír a anterior proposta governamental de eliminação dos 2 feriados de 1 de Dezembro e de 5 de Outubro para, agora, perspectivar, com a sua ajuda, a chocante manutenção apenas deste último. Perigoso este o caminho que o CDS decidiu trilhar. Fundamentalmente porque põe de forma decisiva em causa a confiança que o seu eleitorado lhe confiou, baseada esta em compromissos políticos, morais e éticos que, um a um, vão sendo rasgados. Até quando CDS?
De acordo com o Expresso, "o nível 18 da tabela do Banco de Portugal, para a qual Cavaco Silva remeteu os jornalistas, tem por base mínima 2343 euros por mês e máxima 3735 euros. Valor ao qual se pode juntar ainda complementos de reforma que podem chegar a um máximo de 4500 euros. Se o Presidente estiver no topo da tabela receberá, com o complemento, 8235 euros.
Cavaco afirmou ontem que "tudo somado, o que irei receber do Fundo de Pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações quase de certeza que não vai chegar para pagar as minhas despesas porque como sabe eu também não recebo vencimento como Presidente da República".
De acordo com a sua declaração de rendimentos em 2009, o Presidente da República recebia cerca de 10 mil euros brutos por mês, relativos à pensão do Banco de Portugal (BdP) e da Caixa Geral de Aposentações (CGP), para onde descontou como professor universitário e investigador da Gulbenkian. Anibal Cavaco Silva recebe da CGA, com disse, 1300 euros por mês. E quanto ao resto, apesar de evocar ser fácil de ver na tabela do Banco de Portugal, a quantia não se consegue precisar: a tabela não tem um valor certo e não inclui os complementos de reforma habituais. Em 2009, o valor do seu vencimento mensal situar-se-ia em cerca de 8700 euros, tendo em conta a declaração de rendimentos entregue pelo PR em 2010, relativa aos rendimentos auferidos a título de pensões, segundo publicou o Diário de Notícias.
Em Janeiro de 2011, Cavaco Silva abdicou do vencimento enquanto Presidente da República, no valor de 6523 euros (já com os cortes de 5% em 2011 e 10% em 2011), optando por receber as reformas da CGA e do BdP. Uma decisão que tomou na sequência da lei que o inibia de acumular a remuneração como Presidente da República e as reformas a que tinha direito. "(Fonte: Expresso)
João Gomes de Almeida (perfil)
João Teixeira de Freitas (perfil)
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