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Sim, vê-la, mas muito discretamente

por Nuno Castelo-Branco, em 22.07.17

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 No melhor, mais decente, interessante e menos visto canal da tv portuguesa, uma série alemã que num misto de disfarce e embaraço, nos mostra aquilo que todos sabemos e fazemos de conta ignorar para não ofender. Quando virem um episódio, entenderão porquê. 

Weissensee na RTP 2

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publicado às 22:13

Ceci n'est pas un bouchon

por Nuno Castelo-Branco, em 20.07.17

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 ...mas sim hálitos vinhosos e barrigas morcelosas. 

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publicado às 16:47

A Liberdade, essa fantasia

por João Almeida Amaral, em 19.07.17

 

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Francamente, não sei se é da idade, mas estou cansado, a bem dizer, farto desta marmelada em que o país mergulhou. 

Ardem milhares de hectares , morrem MAIS DE UMA CENTENA DE PESSOAS, mas para efeitos de subsídios europeus oficializa-se o número 64. 

Os políticos responsáveis não são responsabilizados. Despedem-se secretários de estado ao retardador para ocultar os factos. 

O 1º ministro marimba-se no país e vai de férias.

A base militar de Tancos descobre que lhe falta material, inventa-se um roubo, (quando o roubo, na minha opinião, foi ao longo do tempo e era necessário acertar o stock) e exoneram-se oficiais que dias depois são reintegrados. 

O Prof. Gentil Martins emite uma opinião (ao abrigo da sua liberdade) e as figuras pidescas do regime, como a Moreira, ao melhor estilo do KGB, exigem punição, sangue. 

Agora são os bombeiros silenciados. 

Quando o governo, que emerge de um grupo parlamentar de forças antidemocráticas que nem deviam ter representação parlamentar, se formou, temi que este seria o caminho, mas francamente nunca pensei que se iria tão longe. 

Portugal tem que reagir.

Tem que acordar. 

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publicado às 17:17

Rédea curta

por Nuno Castelo-Branco, em 19.07.17

 

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 Não se trata de um tema de campanha e muito menos uma arma de arremesso político. A calma é o que se aconselha quanto a este melindroso dossier da evacuação de nacionais estabelecidos na Venezuela. Estrondeia nas redes sociais um coro de indignações por aquilo que sucedeu num organismo qualquer da U.E. a propósito do voto português quanto ao  notoriamente incapaz Maduro de Caracas. Por muita razão que os nossos comparsas europeus tenham, não atendem aos mesmos problemas enfrentados pelas autoridades de Lisboa, sejam elas de que partido forem. O que têm os portugueses em perspectiva? O número que uma vez mais se aproxima  do milhão. Não estamos a falar de moedas ou de apostas, mas sim de pessoas que urge proteger.


A verdade é que o regime não pode nem deve falhar onde fracassou clamorosa e voluntariamente em 1974/76. Não pode, seria mesmo uma afronta ao interesse nacional.

Queremos então acreditar de tudo estar a ser feito para precaver uma catástrofe e assim, os assuntos que são simulltaneamente políticos e humanitários, deverão ser tratados de forma discreta. Contudo existem alguns indícios preocupantes, como os milhares já arribados à Madeira e deixados à guarda do governo regional, parte integrante da estrutura do Estado de direito que é Portugal. Não se vislumbram campanhas organizadoras ou recolectoras de fundos, os dizeres na imprensa são praticamente inexistentes, não se vê um único programa nos canais televisivos nacionais. Dir-se-ia nada estar a acontecer.

A palavra é dura e neste caso politicamente feia, mas real: refugiados.

Neste momento deveria o governo de Lisboa apresentar um plano de contingência em Bruxelas que aos refugiados da Venezuela fossem pelo menos concedidas as mesmas condições de integração como as oralmente garantidas aos que à Europa chegam de outras paragens. Está isto a ser feito? Não parece, é duvidoso e este caso deve ser tomado de rédea curta. Mantenhamos então a vigilância.



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publicado às 13:29

Trump em Paris

por Nuno Castelo-Branco, em 14.07.17

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 Não era assim "tão absoluto", votou negativamente naquele Conselho em que o governo francês resolveu ajudar os rebeldes.

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publicado às 08:04

Os putos andaram a pedí-las

por John Wolf, em 13.07.17

 

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Uma coisa é receber um presente embrulhado sem pedir a quem quer que seja (e devolvê-lo!!!). Outra coisa é ser chulo e andar a angariar borlas. Os três secretários de Estado somados não dão grande coisa, mas são efectivamente sujeitos activos desta corrupçãozeca se, o que tudo parece confirmar, andaram a pedir benesses. Sabemos que a geringonça também fez uma viagem de borla do Parlamento para o Governo, que multiplicou um bilhete por três passageiros, e que a constituição da república portuguesa contempla essa possibilidade. Contudo o que está em causa tem a ver com a escala ética. Se três badamecos não se poupam a esforços para ganhar uns cupões da treta, imaginem o que fariam por um prémio maior? A Ética é uma apenas. E não é republicana nem parlamentar. Tem a ver com o sentido de correcção que faz parte do âmago de alguns indivíduos (e de outros nem por isso). O problema é o processo patológico que conduz à lula que escorrega pela goela abaixo, que nos faz passear de Castelo Branco a Paris com a soberba enfiada na casaca. Porque, de robalo em robalo, de selecção nacional em selecção irracional, os políticos revelam a sua genuína ambição arrivista, de regalia VIP e aparência fatela. O poder, pequeno ou farto, confirma a natureza trauliteira dos candidatos. No fundo, estes três mosquiteiros foram apanhados pela picada da sua pequenez. A etiqueta que os acompanha nem chega a ser um preço, não tem valor. É uma divisa miserável.

 

foto: crédito agência LUSA

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publicado às 16:25

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Esta história das cativações faz-me lembrar um carro cujo proprietário deixa de o levar às revisões, de mudar o óleo e os filtros, e efectivamente, as poupanças saltam à vista, são uma verdadeira maravilha - até o motor gripar. O governo encontrou um nicho contabilístico interessante. As cativações não são peixe nem carne. Não correspondem à função de reordenamento financeiro das contas do Estado, nem sugerem uma orientação programática da economia de um país. Pura e simplesmente congelam os dinheiros. Mas há mais. Se olharmos com atenção para as dimensões contaminadas pelas cativações, registamos o item Planeamento e Infraestruturas como aquele que merece especial apreço da parte da geringonça. E isto não é por acaso. Sabemos de gingeira que o sector das obras públicas e da construção é aquele em que os socialistas se sentem mais em casa. São os amigos empreiteiros que levarão o prémio quando, face ao abandono da manutenção de estradas e pontes, edifícios e paióis, forem requeridas intervenções de vulto, investimentos com montantes consideráveis para desentornar o leite derramado. As cativações são como voos atrasados. O avião não descola do aeroporto, mas os passageiros sabem que mais cedo ou mais tarde, custe o que custar, lá surgirá uma solução bem mais onerosa do que a inicialmente prevista. A Mariana Mortágua e o Jerónimo de Sousa sabem como isto funciona, mas continuam a conceder crédito ao patrão, ao mau pagador de promessas. E sabemos que este leasing político implica uma taxa de confiança que não corresponde às receitas económicas e sociais tão amplamente apregoadas para matar de vez a Austeridade. António Costa é felino e rato ao mesmo tempo.

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publicado às 14:32

Da falta de significado no trabalho

por Samuel de Paiva Pires, em 11.07.17

Rutger Berman, "A growing number of people think their job is useless. Time to rethink the meaning of work"

In a 2013 survey of 12,000 professionals by the Harvard Business Review, half said they felt their job had no “meaning and significance,” and an equal number were unable to relate to their company’s mission, while another poll among 230,000 employees in 142 countries showed that only 13% of workers actually like their job. A recent poll among Brits revealed that as many as 37% think they have a job that is utterly useless.

They have, what anthropologist David Graeber refers to as, “bullshit jobs”. On paper, these jobs sound fantastic. And yet there are scores of successful professionals with imposing LinkedIn profiles and impressive salaries who nevertheless go home every evening grumbling that their work serves no purpose.

Let’s get one thing clear though: I’m not talking about the sanitation workers, the teachers, and the nurses of the world. If these people were to go on strike, we'd have an instant state of emergency on our hands. No, I’m talking about the growing armies of consultants, bankers, tax advisors, managers, and others who earn their money in strategic trans-sector peer-to-peer meetings to brainstorm the value-add on co-creation in the network society. Or something to that effect.

So, will there still be enough jobs for everyone a few decades from now? Anybody who fears mass unemployment underestimates capitalism’s extraordinary ability to generate new bullshit jobs.

(...).

Our definition of work, however, is incredibly narrow. Only the work that generates money is allowed to count toward GDP. Little wonder, then, that we have organized education around feeding as many people as possible in bite-size flexible parcels into the employment establishment. Yet what happens when a growing proportion of people deemed successful by the measure of our knowledge economy say their work is pointless?

That’s one of the biggest taboos of our times. Our whole system of finding meaning could dissolve like a puff of smoke.

(...).

I believe in a future where the value of your work is not determined by the size of your paycheck, but by the amount of happiness you spread and the amount of meaning you give. I believe in a future where the point of education is not to prepare you for another useless job, but for a life well lived.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 08:52

Sucedâneos de demissões

por John Wolf, em 09.07.17

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O povo (e a oposição) gritava por sangue e (demissões) por causa das mortes resultantes dos incêndios de Pedrógão Grande e do assalto aos paióis de Tancos, mas o governo não respondeu à letra. Nem a ministra da administração interna nem o ministro da defesa arredaram pé. A geringonça, chica-esperta, desde a primeira hora do seu governo, vai encontrando modos de dissimular as contradições e distrair do essencial. Ao oferecer este peixe-miúdo, estes três secretários de Estado para abate de funções, pensa enganar um país inteiro com sucedâneos de demissões que deveriam naturalmente e inequivocamente acontecer. Colocar na faixa ética as viagens à pala para acompanhar a selecção nacional de futebol e não colocar a tragédia de Pedrógão e o assalto a Tancos revela o miserabilismo moral e a  total falta de escrúpulos dos actuais governantes. Mas existe ainda uma outra hipótese. Pode ser que os secretários de Estado Rocha Andrade, Costa Oliveira e João Vasconcelos saibam que vai haver chatice da grossa e que mais vale saltar do barco antes deste afundar. Parece-me muito estranho que este dossiê caia assim de paraquedas como se para calar a oposição e os detractores do governo. Deste modo a geringonça pode dizer, se perguntarem, que também sabe demitir ou exonerar, cortar ou cativar. Enfim, parecem tão certinhos e eticamente movidos, mas isto não passa de show de bola. Lamentável.

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publicado às 19:56

Nacionalismo imobiliário?

por John Wolf, em 08.07.17

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Sabemos todos que money doesn´t sleep (lembram-se de Gordon Gekko e do filme Wall Street?) e que flui para onde é efectivamente melhor tratado. O Diário de Notícias revela alguns traços de nacionalismo-imobiliário com o artigo que "expõe" a apatia de investidores estrangeiros, que compraram imóveis de vulto no sentido de os restaurar e revender, mas que ainda não o fizeram. Não esqueçamos que grande parte desses palacetes e casas nobres foram erguidos com capital "excêntrico". Foram dinheiros oriundos de negócios internacionais que permitiram tamanha expressão faustosa ao longo da história de Portugal. Se pesquisássem com mais cabeça e menos paixão, cedo descobririam que João Frederico Ludovice era de facto Johann Friedrich Ludwig, ou seja um arquitecto "estrangeiro". Pela mesma lógica da batata, um investidor português que se aventure em projectos imobilários na Provence francesa, também seria obrigado a fazer obras no dia seguinte. Mas não é assim que acontece. Talvez seja boa ideia solicitar um estudo sobre a relação entre governos de Esquerda e a apetência para investir de entidades estrangeiras. Quem sabe, talvez tenham tido second thoughts. Talvez estejam a pensar com mais afinco sobre decisões tomadas em ambientes económicos e fiscais mais favoráveis. Os fundos de investimento imobiliário têm à sua disposição ex-políticos que sabem muito bem onde a vaca torce o rabo. Vieram de fora comprar? Em que século vive a autora desta peça jornalística. Não existe um fora e um dentro. A não ser que se construa um muro bem alto.

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publicado às 19:53

Pluralismo

por Fernando Melro dos Santos, em 08.07.17

A Nação conta hoje com mais um Partido. Parabéns ao Pb.

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publicado às 07:56

Turistas low-cost

por John Wolf, em 07.07.17

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Tenho autoridade para produzir o seguinte statement. Disponho de um estatuto especial. Embora não seja um nativo na acepção pura da palavra, Portugal diz-me respeito. Não sou um turista badameco, de sovaco à mostra e farfalheira à vista, que aprecia o território pelo tempo "sempre" quente e a cerveja fresquinha (e barata). Vivo neste país, bato-me por ele e não me vou embora ao fim de 3 noites bêbadas. Acabo de regressar a casa do tourist spot Chiado e as perspectivas são aterradoras. Os rebanhos de turistas são da estirpe mais brejeira possível. São mesmo low-cost. Não sei se vêm de Besançon, de Liverpool ou Munster, mas estes vão dar cabo do país. Contudo, não são os únicos responsáveis. Os agentes turísticos portugueses baixaram a fasquia consideravelmente. Entusiasmaram-se com os números e o caudal avassalador. Agora aguentem o desfalque, a delapidação gradual mas certeira do legado histórico e patrimonial de Portugal. Os guias que andam ali a contar histórias da tanga junto à Brasileira provêm de que escola de certificação? E há mais tristezas. Não são portugueses que vão ao Rio Maravilha ou ao Topo no Martim Moniz sorver um gin tónico - 12 euros é muita fruta por aqueles baldes de gelo. E confirmamos o seguinte. A ideia da galinha de ovos de ouro continua válida. É aproveitar enquanto durar. Espremer o bicho até à medula e esperar que venham mais da mesma patente. Estes turistas querem lá saber do país. Regressam a uma subúrbia infestada de hooligans, frequentam o seu pub e respondem: It were luvely. Da beer wa cheep and it wa always sunny...Poortagal wa great.

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publicado às 11:36

Como é evidente, discordo do Samuel

por Fernando Melro dos Santos, em 06.07.17

 

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publicado às 16:11

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Durante a última campanha eleitoral nos EUA, foram surgindo muitos apoiantes e acólitos de Donald Trump que, de certa maneira, se assemelhavam aos apoiantes de Obama que acreditavam que o primeiro presidente americano negro seria uma espécie de enviado divino com a missão de resolver todos os males no planeta. Claro que o entusiasmo pueril em torno de determinados líderes políticos (numa linguagem weberiana, alguns podem ser classificados como carismáticos), assim como a diabolização de outros, fazem parte da essência das campanhas eleitorais. Passada a campanha, quando o eleito é confrontado com a realidade política da governação, muitos dos seus eleitores acabam, inevitavelmente, por ver as suas expectativas frustradas, ao passo que muitos dos seus detractores, mesmo que não o admitam, acabam por perceber que o mundo não acabou e que a vida continua. Como ninguém está imune a este tipo de emoções, uma certa dose de pessimismo é, portanto, uma saudável recomendação para quem prefere afinar pelo diapasão da temperança. Por isto mesmo, não acreditei que Trump fosse um anjo ou o diabo, preferindo aguardar para ver no que resultaria a sua presidência. Quem tem acompanhado a política americana ao longo dos últimos meses reconhecerá que talvez fosse difícil fazer pior, salvando-se, no campo da política externa, como honrosa excepção, a mensagem que enviou à Rússia e à China por via do ataque lançado contra a Síria. Mas após o polémico episódio de há uns dias, em que Trump tweetou um vídeo de si próprio a esmurrar alguém com o logo da CNN no lugar da cabeça, estou convencido de que, embora não seja um anjo nem o demónio, Trump será, provavelmente, o mais patético líder político contemporâneo, um adolescente que, para mal dos EUA e do mundo, se encontra no mais poderoso cargo político existente.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 15:42

Paióis a dar com o pau

por John Wolf, em 05.07.17

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Não foi preciso um alicate, uma carrinha, uma lanterna e um mapa. A geringonça foi aos paióis de todos os portugueses, às claras, de dia. O ministro das finanças serve-se de linguagem de boicote para se esquivar ao bottom line. Os contribuintes portugueses são reféns de cativações e, fazendo uso de malabarismos orçamentais e de designação, a geringonça efectivamente fez cortes na Saúde e na Educação. Mas se tivesse sido o governo anterior a realizá-los, os mesmos desbastes teriam outro nome - seriam inscritos na categoria de austeridade. Centeno, que não se chamuscou em Pedrógrão e não foi recruta em Tancos, ainda julga que está imune a escrutínios. Responde inequivocamente com uma cassete - diz e volta a dizer onde não houve cortes. Insiste na ideia de uma reserva estratégica de créditos, como se o fogo pudesse ser compensado pelo excesso de água, como se o futuro pudesse ser arriscado no casino do presente. Porque é disso que se trata. Quando, para escamotear os números, não se aprovisionam stocks respeitantes ao sector de saúde, está-se de facto a poupar. Estão a poupar na segurança, estão a abrir brechas na sanidade, estão a jogar com probabilidades e hipóteses favoráveis, quando sabemos, que quando elas acontecem elas não escolhem hora nem local. E para rematar: que história é essa de aprovar estudantes com negativas a disciplinas curriculares? Qualquer dia retomamos a máxima académica de que a quarta classe chega. Diria mais; não chega. É mesmo conveniente manter as massas pobres, estúpidas e ignorantes. Onde já vimos isto?

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publicado às 15:27

Que a mensagem não pereça

por Fernando Melro dos Santos, em 03.07.17

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publicado às 21:58

Capitães de Julho, espadas na lapela...

por John Wolf, em 03.07.17

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Tenho a maior consideração e respeito pelos militares. São capazes de estruturar pensamento e são hábeis na prossecução de missões - se tiverem meios, se tiverem fundos, se tiverem o backing político adequado. Sabemos há muito tempo que vivem com parcos meios, mas muitos ignoram que os militares portugueses estão activos com assinalável sucesso em mais de vinte teatros de operações por esse mundo fora. Se os civis não são capazes de instigar a mudança, se os políticos e os governos são deficitários na defesa de princípios invioláveis associados à democracia, à soberania e a manutenção da ordem, acho muito bem que os militares passem da reserva a indignados em manifestação activa, na rua. Os capitães de Abril que ostentam tantos louros podem agora ser secundarizados pelos capitães de Julho - estes que agora irão depor espadas à porta da presidência da república. As medalhas que ostentam os obreiros de 1974 perderam o lustre, já não reluzem, nem têm um efeito mobilizador. São meras antiguidades românticas que evocam baladas e pouco mais. Sem terem dado conta, os sucessivos governos foram condescendentes com precisamente aqueles que enfrentam as broncas, que defendem a nação. O que aconteceu em Tancos é da exclusiva responsabilidade de governos. Não tenho uma espada em casa, mas se a tivesse também a dispunha em Belém.

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publicado às 21:03

Assalto à 13ª Esquadra

por Fernando Melro dos Santos, em 03.07.17

Corria mais um Verão idílico na Terra dos Gnominhos Modernos, catitamente pintando dias e noites com as cores harmoniosas de um Abril eterno em festa e alegria, quando o céu se abriu e dele caíram penedos malvados em cima de umas quantas cabeças, sem certificação nem autorização superior.

 

De uma só vez, por alguma urdidura macabra a mando do fascismo anti-optimista, a condição terceiromundista vigente na vila, que nem trinta anos de dinheiro europeu, nem muitas leis e regras executadas com rigor fisco-castrense conseguiram sanar, ficou exposta como os glúteos lascivos das putas cujos anúncios ainda vão garantindo a subsistência dos jornais.

 

A cronologia narra por si a abertura da novela Hondurenha, inaudita no pacato burgo e, espera-se, a maior e mais épica jamais vivida por um país da OCDE. Os sábios cultos que integram a coisa política já esfregam as mãos, impantes de poderem ir mais longe no sonho social-socialista, prontos a criar, assim que o magnífico filme termine, Observatórios das Mortes no Fogo, Centros de Interpretação do Terrorismo e da Guerra Civil, e um Núcleo Museológico para os sorrisos hediondos dos animais inconscientes - agora silentes de férias ou em retiro meditativo - que ocupam os lugares cimeiros na hierarquia do Estado.

 

Na essência, o conto é breve: gastou-se dinheiro, que foi extorquido e reposto, extorquido e reposto, extorquido e reposto vezes sem conta a contribuintes nacionais e europeus; em nada de útil ou necessário se o gastou, mas muitas e opulentas prebendas receberam eleitores e amigos cujas espinhas puderam ir vergando ao soprar da brisa ano após ano.

 

Entretanto, como a Natureza é fractal e probabilisticamente normal, morreu muita gente queimada na via pública, foram roubadas bombas suficientes para demolir uma final da Taça e respectivo cortejo, os jornais cismam em abafar a parte maior do escândalo e do perigo, grande parte da população entra com empenho na fase negacionista do embate com a vida e António Costa foi de férias pavonear o semblante grotesco e a pança aviltante.

 

Ao fecho da cena inicial, um grupo de homens é visto no matagal que circunda uma base militar, de onde desfere tiros de caçadeira sobre o perímetro desta, sem que a façanha mereça mais do que algumas notas de rodapé em sede mediática, para não perturbar a felicidade balnear do rebanho.

 

Escurece a imagem num fade out gradual e ouve-se ao fundo, no timbre raso e estridente de rádios portáteis, a Antena 1 que entre uma entrevista ao curador da Fundação XPTO e as sugestões gastronómicas de um secretário de Estado, vai revisitando a canção de protesto e os chorrilhos de Saramago.

 

Esperemos que ao menos os efeitos especiais sejam bons. É que já não temos que apertar o cinto como no tempo do Passos. Quanto mais a coisa aquece, mais se repara no PS.

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publicado às 14:41

Tansos e Tancos

por John Wolf, em 02.07.17

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Há qualquer coisa que me está a escapar. Não seria expectável, que à luz do furto de material de guerra em Tancos, o governo da república portuguesa determinasse o fecho de fronteiras, a suspensão de Schengen? Não entendo esta atitude de deixa andar, deixa ver. Não ouvi falar de uma operação de caça aos infractores. Não ouvi falar do controlo de pontos nevrálgicos na fronteira. Daqui por alguns meses teremos um relatório sobre a qualidade das vedações e a mediocridade do sistema de videovigilância. Tal como fizeram em relação aos incêndios, dirão que foi uma figura abstracta a determinar os desfechos - um trovão ou o raio que o parta. As autoridades responsáveis afirmam que o material subtraído já se deve encontrar fora do território. Eu entendo a lógica por detrás deste esquema - casa roubada, portas escancaradas. Deste modo, a haver um evento terrorista, a probabilidade de ser no estrangeiro é maior. Já sabemos que a União Europeia deixa muito a desejar, mas aqui temos mais uma prova de que a Política Externa e de Segurança Comum é de facto um mito. Devemos agradecer aos espanhóis pelo fornecimento da lista aproximada dos engenhos furtados. Na escala de valores de desgraça e consequências, não sei quem ocupa o lugar cimeiro do pódio, mas a violação da soberania militar de um Estado é, no meu entender, ainda mais grave do que o falhanço de um SIRESP. Aguardemos então pelo próximo episódio sórdido. E esperemos que não custe ainda mais vidas humanas. Os que levaram as granadas não andam a brincar aos polícias e ladrões. São dos maus. E este governo é tão bonzinho que nem sequer sabe admoestar os titulares de pastas e cargos públicos com responsabilidade directa nas matérias em causa. Quanto a Marcelo, este já faz parte do problema da nação e cada vez menos da solução.

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publicado às 20:09

Tanatologia social (001)

por Fernando Melro dos Santos, em 01.07.17

Há dias, parei em Tomar, cidade adoptiva do ramo matrilinear da minha família, para visitar a campa onde jazem meus avós e seu filho, meu tio, a nós subtraído pela mão indemne de um Estado que já nesse tempo de Otelos Alegres pouco ou nada honrava quem por ele se batera. 

 

Quis o destino que nessa mesma noite, cansado da estrada e desejoso da paz caseira, me tivesse sentado a ver o episódio final de Sons of Anarchy, série que muito me cativou pelos temas, personagens e referências secantes em diâmetro completo à esfera da minha própria vida. 

 

Ali, a figura protagonista, Jackson Teller, vai à tumba dos seus antes de cavalgar o asfalto rumo à derradeira prestação de contas com a machina mundi. A sequência foi filmada aqui:

 

 

Note-se como há espaço para a comunhão possível com a Natureza, culpada de termos nascido, vivido e morrido. Semelhante coisa vira eu, numa das passagens sempre fugazes demais por Tokyo, a exemplo no cemitério de Aoyama (imagem sacada da Google):

 

 

Compare-se agora com a distribuição que o Estado português, espelho máximo do cidadão, concede ao utente sepulto - e na imagem posterior à próxima, ao utente insepulto que já está húmus sem sabê-lo:

 

 

Isto parece-vos a mesma coisa? A mim nem por isso. É de um povo, ou como os novos gurus dizem, de uma tribo sem amor próprio deixar-se enterrar, visitar e recordar nestes preparos. Mas dizia eu que nem é preciso esperar para morrer:

 

É com esta proximidade, o nacional-porreirismo de quem estaciona em segunda fila sentindo-se por defeito amnistiado uma vez que permite ao seu vizinho, caso este queira, estacionar em segunda fila já que o vizinho de ambos também o fez mas não sem ter-lhes dado, e à comunidade, a compensação justa ao facultar o contacto de um primo germano com alavancagem pessoal e institucional na companhia das águas, que o português se permite não ter para onde verter uma lágrima sem dar contas a dez patrícios forçosamente irmanados com ele; e é assim que morre, e inumado vai, na mesma resignação selvagem à diluição mais torpe do ego, da privacidade e da diferença.

 

Como haveria uma gente assim de singrar sem timoneiros, luminárias, pastores e xamãs? Quanto pesa uma granada? E que impacto focal teve a morte de cem pessoas, levadas ao sepulcro na carrinha do peixeiro, coisa também normal uma vez que falamos de índios a quem foi inculcada a passividade a golpes de cravo, na sibilina popularidade dos labregos que estão?

 

Não sabemos. Para sabermos, teríamos que poder ir a um cemitério e religar o presente à memória dos nossos velhos, coisa que pela portugalidade ancorada na proximidade - forçada, a bem comum, pelo pendor constitucional para uma sociedade socialista - a todos os que dela se nutrem, é impossível até ao dia em que haja mais lápides do que os remadores da galé consigam suportar. 

 

Depois saberemos. 

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publicado às 13:01






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