Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



A migração ideológica da Europa

por John Wolf, em 24.05.16

europe11.jpg

 

Desejava deixar a poeira assentar, mas os eventos que assolam a Europa ultrapassam a falsa expectativa de um status quo. Encontramo-nos na torrente de transformação, na tempestade que se multiplica por maiores ou menores remoinhos, a Leste e a Oeste. Em política não existem coincidências. Existe um alinhamento que extravasa análises retrospectivas, depois do sucedido. Por exemplo; a efectivação da decisão tomada pelas autoridades gregas para remover migrantes do campo de refugiados Idomeni, acontece apenas após o desfecho das eleições presidenciais na Áustria. E porquê? Porque se Hofer tivesse ganho as eleições, os gregos certamente que não avançariam com a remoção autoritária dos refugiados. Seriam imediatamente equiparados a  outros quadrantes ideológicos (distantes mas próximos) - à extrema-direita. Ou seja, deste modo a acção dos gregos passa despercebida. Não causa grande alarido ideológico. Afinal trata-se da Esquerda que não se deixa contaminar por desfalecimentos éticos, pelo uso da força - a troco de dinheiro fresco? Este encadeamento de ideias não é de todo rebuscado. É assim que funciona a política que não distingue as dimensões domésticas e internacionais, a oportunidade do calendário apertado. É isso que se está a passar na Europa - um mecanismo de trocas convenientes no contexto de uma União Europeia cada vez mais falha no que diz respeito aos seus princípios constitutivos. Os nacionalismos assumem-se porque já não se consegue realizar a destrinça dos desafios. Enquanto que em Portugal a ideologia divide privados de públicos, estivadores de patrões, em França, a ferida aberta causa mossa directa no motor económico. A greve das refinarias já se espalhou à quase totalidade do país. O que pretendem? Inflacionar repentinamente o preço do crude nos mercados internacionais? Gostava de saber qual o impacto (positivo) que estes acontecimentos terão nas operações da gigante petrolífera francesa Total, e aqui, na vacaria instalada no burgo por Costa e Centeno que delira com a recuperação plena e faustosa. Francamente. As verrugas já estão plantadas no panorama. Agora é só ligar os pontos. Negros.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:18

O mar morto do terrorismo

por John Wolf, em 20.05.16

dnews-files-2016-05-egypt-air-670-jpg.jpg

 

O desastre do avião da Egyptair, a confirmar-se como sendo um ataque terrorista, inscreve-se num quadro operacional e estratégico preciso. Se o inimigo pretende infligir o maior desgaste possível ao adversário, fá-lo-á de modo a dificultar a localização dos destroços e eventual recolha de corpos. O mar serve esse conceito de projecção de poder negativo. Na sua imensidão líquida registamos dimensões de natureza geomarítima e outras envolvendo diversos conflitos jurisdicionais. Os passageiros, de nacionalidade diversa, obrigam os respectivos Estados a colaborar na acção logística de busca, salvamento ou recolha de corpos. Este efeito aglutinador propõe a emergência de comunidades de interesses positivos. Serve para aliar governos de países em torno de uma mesma causa anti-terrorista. Ou seja, no longo prazo, erode os fundamentos da dispersão de actores, desejada pelo Estado Islâmico. Não será descabido reflectir sobre a intencionalidade da "escolha da zona de impacto". Estarão as células organizadas em torno de uma lógica de activação de engenhos de acordo com um mapa de desgaste? Os ataques do 11 de Setembro serviram para inaugurar novas abordagens e modelos a este respeito. A equação de origem, destino e posição relativa, deve ser relevada. O facto do voo da Egyptair ter origem em Paris tem uma importância acrescida. Planta na base um efeito psicológico acentuado, como se o Mediterrâneo fosse uma extensão da centralidade europeia, uma filial de Bataclan. São considerações que envolvem uma certo grau de elasticidade conceptual que devem ser tidas em conta. O terrorismo cavalga essa dinâmica pendular. Lockerbie, ataque continental e aparatoso, por ter sido testemunhado, inscreve-se num modelo distinto. No mar Mediterrâneo não houve observadores que pudessem confirmar o desenrolar conducente ao impacto. Confirmamos deste modo que a ausência de espectadores não constitui um detractor das intenções terroristas. Para já, e na ausência de elementos que confirmem que se trata de um ataque terrorista, devemos colocar em cima da mesa todos os vectores de análise de um fenómeno geopolítico residente. Por outras palavras, a determinação do ritmo de eventos terroristas permitirá um certo grau de calendarização. Vivemos, lamentavelmente, sob os auspícios da expectativa negativa. E isso é desejado pelo adversário.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:49

Saloiaria

por Nuno Gonçalo Poças, em 20.05.16

Viver já não é aquilo que deve ser. Não é um prazer ou uma tristeza. Não é um conjunto de experiências quotidianas, de alegrias e de privações, de sabores e de emoções. Não. Viver agora é seguir o lifestyle. Sair do trabalho e, em vez de mudar de roupa, trocar o outfit de casual friday por um workout e correr para os braços do personal trainer que nos espera no health club. Transpirar muito numa aula de crossfit, de TRX ou num bootcamp - aquelas coisas que antigamente os rapazes faziam enquanto cumpriam serviço militar - por umas dezenas de euros mensais. Para relaxar, o melhor é deixar de comer iogurtes e passar a comer froyos. Poupamo-nos ao slunch, que já foi um lanche ajantarado, para termos mais fome no dia a seguir à hora do brunch, que já foi um pequeno-almoço reforçado. Os outfits, esses, vão mudando à medida das exigências do dress code. É aí que percebemos que o black tie, o vintage cool, o garden chic, o hippe chic e o casual chic - que não é o mesmo que o outfit de casual friday - nos deixam dúvidas. O melhor é optar por um mix. Fazer uma daquelas coisas que toda a gente sempre fez (misturar peças mais caras com outras mais baratas) e explicar ao mundo que se fez um chiquíssimo high-low. Depois o melhor é não ir a terraços, mas a um terrace ou a um rooftop e aproveitar aquela sunset party ou aquela gin sunset party num ambiente chill out, para não maçar. Enquanto não se janta, vai-se a um winebar ter um chat com outros winelovers. Depois há que experimentar uma hamburgueria, uma pregaria, uma bifanaria ou uma outra qualquer porcaria. Se não houver healthfood, bom, bom, é ir ter uma experiência de livecooking ou de foodporn. E passar o fim-de-semana num charm hotel. Ou pagar duzentos euros por noite para ter a fantástica experiência – antigamente exclusiva de sem-abrigos e agora mais democratizada e cara – que é dormir ao relento. Com tudo isto, gastar um salário. Comprar experiências, para viver o que não se vive genuinamente. E usar a rede social mais próxima para fazer dela uma revista cor-de-rosa democratizada. Onde todas as vidas sorriem. Onde todos são felizes. E modernos. E fashion. E trendy. Não, meus caros, nós não somos mais cosmopolitas do que os nossos pais que vieram para Lisboa directamente do sopé da serra. Podemos ter viajado mais, podemos ter estudado mais, podemos saber mais coisas que eles. Mas não estamos a inventar nada. Estamos só a dar um ar novo a um mar de coisas que existem há décadas. E isto não é nada fantástico. Não é amazing, nem top. É, no máximo, um novo-riquismo desavergonhado, passe o pleonasmo. Uma saloiice que já não usa lenço na cabeça mas que é, ainda assim, uma saloiice.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:53

Vergastar o ensino privado

por John Wolf, em 17.05.16

cane_1356044c.jpg

 

Se eu fosse o primeiro-ministro acabava de uma vez por todas com as escolas privadas. Os colégios são sorvedores do Estado. Gastam milhões de euros dos contribuintes. Servem as elites e promovem a ideia de uma sociedade intensamente estratificada, dividida entre pobres e ricos. As escolas privadas nada acrescentam ao parque escolar e nem sequer servem para comparar o desempenho dos estudantes em relação à oferta do Estado. Nas escolas privadas os papás e as mamãs compram o sucesso dos seus filhos que são maioritariamente burros. A escola pública não faz distinções. Nivela o corpo discente de acordo com o mesmo quadro de oportunidades. Valoriza o mérito, a iniciativa e o empreendedorismo dos alunos. Os professores do ensino público são os únicos com algo válido a transmitir aos alunos. E adoram ser professores. O ministério da educação é a melhor entidade para gerar uma comunidade de intelectuais, de inventores e indivíduos capazes de pensar fora da caixa. A direcção central dos serviços de educação representa a mais pura expressão de democracia. Está na vanguarda da transformação do nosso mundo. Quem precisa de uma rede de escolas privadas? Francamente. A quarta classe deveria chegar para encher a cabeça dos eleitores. O governo tem razão. Não vale a pena esbanjar dinheiro em vão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:52

Reformas antecipadas a arder

por John Wolf, em 16.05.16

Large_bonfire.jpg

 

A aceleração dos pedidos de reforma antecipada nos últimos 5 meses exige uma interpretação minuciosa. Indica certas aflições. As pessoas entre os 55 e 60 anos já viram governos e mais governos passar-se-lhes à frente. Já sentiram maior ou menor segurança em relação ao seu futuro. Já viveram intervenções do Fundo Monetário Internacional. Já tiveram de apertar o cinto vezes sem conta. O governo de inspiração socialista e natureza solidária não parece instigar grande confiança nos cidadãos portugueses perto da idade de reforma. Os governos socialistas, dada a sua natureza, dependem de um vasto corpo de legionários públicos. Foram esses funcionários que os elegeram à luz da certas promessas salariais e a reposição de privilégios. O actual governo anda um pouco baralhado. Por um lado, sem o declarar, gostaria de pôr a correr as brigadas infindáveis de trabalhadores do Estado e por outro lado irá sentir dificuldades de tesouraria para fazer face à grande demanda de reformas antecipadas. Ou seja, para continuar a merecer o estado de graça dos "seus" eleitores tem de continuar com a conversa do primado do funcionalismo público, mas sabe que tem de atenuar o fardo financeiro das reformas antecipadas. Os contribuintes deste escalão laboral, que já foram enganados vezes sem conta por governos de todas as cores e feitios, ainda têm instinto de sobrevivência. Querem fugir da casa que está prestes a arder. Já toparam as fagulhas. E não acreditam nos bombeiros.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:30

O mexilhão a caminho do socialismo

por Nuno Gonçalo Poças, em 11.05.16

Imagine-se que um particular abre uma escola numa área geográfica onde o Estado não tem nenhuma escola. Como não havia oferta estatal, o Estado financiava essa escola privada de forma a que os alunos sem condições económicas a pudessem frequentar. Esta escola, propriedade de um privado, não seria, na verdade, menos que uma verdadeira escola pública, isto é, que presta serviço público, sob propriedade e gestão privadas. E isto, na República Portuguesa a caminho da sociedade socialista, é impensável.

Imagine-se, então, que o Estado, face a esta loucura que é ter um privado a prestar serviço público, resolve multiplicar o esforço dos contribuintes e ordena a construção de uma escola do Estado na mesma zona. Multiplica-se, assim, ainda mais o esforço de quem paga impostos, na medida em que, além do custo da construção, acresce a despesa com salários e com custos de manutenção do edifício. E o Estado, sempre a caminho do socialismo, enceta uma luta contra o particular que ali investiu e que se encontrava a prestar serviço público.

Imagine-se agora que as populações daquela localidade preferiam a escola particular à escola estatal. De um lado, um plano curricular atractivo, uma série de actividades extracurriculares, melhores condições, melhores professores, melhores contínuos.

Aquilo a que estamos a assistir é a uma guerra ideológica contra o privado, levada a cabo, por um lado, por dirigentes partidários e governantes cujos filhos estudam no ensino particular, e, por outro lado, por dirigentes sindicais que vêem a sua esfera de poder atacada com a existência de escolas com contrato de associação. Significa isto que o debate a que estamos a assistir reduz-se a isto: quem manda no Ministério da Educação é a FENPROF (e é assim há décadas) e o ódio ao privado vem daqueles que, recorrendo ao privado, são incapazes de aceitar que um qualquer cidadão, sem capacidades económicas, possa recorrer ao mesmo privado.

Não temos de imaginar nada, porque os factos são claros. Este país a-caminho-do-socialismo, sempre refém dos sindicatos e do seu poder, é incapaz de aceitar a prestação de serviço público por privados, ainda que essa prestação de serviço público se revele mais barata para o contribuinte, se mostre mais apta a satisfazer as necessidades das famílias e dos alunos, se exiba mais livre de grupos de pressão, focando-se naquilo que é realmente mais importante: a satisfação das necessidades das pessoas.

Com este Governo é assim em tudo. O consumidor perde sempre para o reforço dos grupos de pressão. Perde para os táxis, a quem o Governo ofereceu 17 milhões de euros dos contribuintes; perde para a FENPROF, a quem o Governo se prepara para oferecer um exercício de poder mais alargado. O consumidor perde sempre.

Se ao anterior Governo se apontava a falha de favorecer os grandes grupos económicos, é tempo de apontar a este Governo a falha de favorecer os grandes, médios e pequenos grupos de poder. E, como se sabe na Soeiro Pereira Gomes, no Rato e na cabeça de Catarina Martins, o poder vale muito mais que o dinheiro.

A guerra ideológica a que estamos a assistir não é mais do que isto: favorecer grupos de poder contra os direitos do consumidor e contra a prestação do serviço público de forma não centralizada. Pelo caminho, uns ferros na Igreja Católica – como não podia deixar de ser. Do outro lado da barricada, claro, fica sempre o mexilhão.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:09

Uma simples estória portuguesa

por John Wolf, em 10.05.16

Sardinha.png

 

As minhas estórias pessoais não têm grande interesse. O que se passa na minha vida privada apenas a mim dirá respeito. Ou não. Se a narrativa que decorre da minha experiência tiver utilidade pública, então devo partilhar a natureza de determinados eventos. Como sabem, ou não, sou um cidadão estrangeiro com autorização de residência emitida pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (no meu caso permanente, estou cá há mais de 30 anos), que obriga à sua renovação a cada 5 anos. No fundo trata-se de um processo simples através do qual me apresento ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras por forma a revalidar o meu título de residência. Sou um cidadão extra-comunitário, mas mesmo os cidadãos de Estados-membro da União Europeia (UE) devem requerer a emissão de uma autorização de residência. Da última vez (há 5 anos) desloquei-me ao Centro Nacional de Apoio à Imigração (CNAI- SEF) e fiquei positivamente impressionado. O espaço, junto à Almirante Reis, foi criado numa fase de peace and love (2004), no auge do Euro 2004 e ainda na sombra da vocação ecuménica de uma Expo 1998. O tratamento dos funcionários era adequado e cordial, célere e competente. Notável - pensei eu. Finalmente os imigrados a Portugal iriam ser recebidos com a dignidade que lhes é devida. Lamentavelmente, na semana passada pude confirmar o oposto. Desloquei-me ao CNAI na companhia do meu advogado que me auxiliou a tratar de alguns assuntos relacionados com esta questão. Havíamos feito a marcação meses antes, e portanto o tempo de espera não fora uma questão. A funcionária da recepção indica que devemos aguardar no 2º piso até que o nosso número de senha fosse chamado. Subimos ao segundo andar e procuramos um placard com a informação digital respeitante ao número de senha. Dirigimo-nos a um segurança com um educado "bom dia", mas nada, não respondeu. Perguntamos como poderíamos saber quando seria a nossa vez, pelo que nos informou que deveríamos permancer no piso 0 - ou seja, a funcionária da recepção deixou-se estar e não nos informou que o melhor seria aguardar no piso da recepção. Quando somos chamados, lá nos dirigimos à sala comum de processamento no piso 2 onde se encontram várias mesas de atendimento. A funcionária, atordoada pela aura de quem está a realizar um GRANDE favor lá vai preenchendo o formulário sem nunca estabelecer contacto visual com os utentes. Na mesa ao lado uma outra funcionária goza literalmente com um senhor que não se fazia munir dos documentos requeridos. Trata-o vezes sem conta por "amigo" e com uma atitude intensamente irónica ainda tem tempo para rir da sua aflição. Enquanto decorre essa forma de pequena humilhação, de repente escutamos a gritaria desvairada de alguém. Por instantes pensei que seria um requerente desesperado, mas não, a funcionária que tratava do meu processo abandona o seu posto para espreitar a peixeirada e confidencia à sua colega: "querem ver que a Fernanda da Segurança Social se passou outra vez" (no comments). Quando chega a hora de fechar o requerimento a "minha" funcionária pergunta se venho levantar o documento ou se o mesmo deverá ser enviado para a minha residência. Sem pestanejar escolho a entrega em casa, mas a funcionária nada me informa sobre os valores em causa. Ou seja, o envio para casa implica um custo acrescido de mais ou menos 7 euros. Apenas ficamos a saber porque o meu advogado perguntou. São 126 euros - diz a funcionária. E retiro da carteira o meu cartão multibanco (MB) ao que riposta a funcionária que apenas aceitam dinheiro vivo. Desloco-me novamente ao piso 0 onde se encontra um terminal MB e faço um levantamento. Subo novamente ao piso 2 e entrego 130 euros esperando pelo troco de 4. A funcionária, afrontada pelo valor pecuniário, exige dinheiro certo, pelo que me recuso a encontrar a solução - "a senhora está a informar-me que neste edifício, que tem não sei quantos funcionários, não existem 4 míseros euros de troco?" A resposta não tardou: "ainda é cedo, não temos trocos", ao que eu respondi. "para além de pouco simpática é incompetente. E o problema é seu. Tivesse preparado o dia de trabalho na véspera". Mas acrescentei algo mais: sabe uma coisa? Talvez devesse partilhar com os seus colegas o seguinte: "não se trata um utente por amigo". Sem grandes demoras a funcionária abre a "sua" carteira e saca os 4 euros respeitantes ao troco. A pergunta que eu coloco é a seguinte: como se defendem cidadãos estrangeiros de animais burocráticos que roçam a expressão xenófoba de quem não está nada contente com a chegada de trabalhadores que lhes vão roubar o emprego? Estes cidadãos do Bangladesh ou do Senegal apresentam-se ao CNAI porque querem cumprir o que lhes é exigido pela Lei Portuguesa. Quanto aos funcionários, eu punha-os a correr na hora. Dão mau nome a Portugal que tão bem sabe receber. Eu que o diga. Sinto-me em casa em Portugal e tudo farei para derrotar Trump. Os 400.000 portugueses que vivem em New Bedford nos EUA não me podem ajudar neste capítulo, mas são tão americanos quanto os outros que fazem parte dessa imensa amálgama de recém-chegados ou não.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:43

A trumpização de Passos

por Pedro Quartin Graça, em 08.05.16

13177144_10153460566476712_3652692358545115945_n.j

 

Reeleito por larga maioria no recente Congresso do PSD, incapaz de abandonar o luto posterior às eleições legislativas na qual tentou, sem sucesso, convencer os portugueses que estas serviam para eleger o primeiro-ministro, persistindo simbolicamente em ter o pin na lapela ainda da época em que entregou o país às mãos da senhora Merkel, Passos, é dele que aqui falamos, voltou esta semana a debitar uma daquelas frases de que tanto gosta, na senda, aliás, de muitas outras com que enriqueceu o já rico anedotário nacional. Disse ele que "nunca" esteve numa obra de inauguração enquanto liderou o Governo. "Nem de estradas, nem de autoestradas, nem de pontes, nem de coisa nenhuma."

 

Não fora o facto de podermos ver o ex-governante neste vídeo em que, com pompa e circunstância, inaugurou uma ponte no IP3, quase julgaríamos que era na verdade um sósia de Passos que nos deliciou com todas estas presenças públicas...

 

Passos dá, de novo, pública nota de uma crescente perturbação. Pobre PSD...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:31

José Sócrates, o marrão

por John Wolf, em 07.05.16

man-in-tunnel.jpg

 

Hoje José Sócrates na inauguração do túnel do Marão, amanhã Paulo Pedroso na abertura de um centro de estágios para jovens. Já tinhamos indícios da estirpe ética e moral de António Costa, mas agora sabemos, de um modo inequívoco, que um processo de limpeza político e judicial está em curso. Um primeiro-ministro (auto-sacado a ferros!) não pode arrastar um arguido para uma cerimónia do domínio da soberania de Estado. Ao realizá-lo implica uma nação inteira num processo de submissão do sistema de justiça e seus trâmites processuais. Mina os alicerces de um Estado de Direito. Goza com os portugueses. Faz pouco dos tribunais. Arrasta para a lama o nome de Portugal e apropria-se da política como se também fosse dono da lei que é inexistente. Certamente que haverão muitas mais obras (algumas intensamente questionáveis) que foram lançadas durante o consulado de José Sócrates. Porquê o túnel do Marão? Porque será o evento perfeito para António Costa esfregar a sua arrogância na quase totalidade do espectro político e partidário de Portugal dos últimos 8 anos. Se eu fosse um dos outros convidados, recusava sentar-me à mesa com alguém sobre o qual recaem intensas suspeições de ter roubado um país. A cerimónia oficial, na sua acepção de Estado, sai enfraquecida com o convite que António Costa endereça a José Sócrates. À falta de uma lei clara a este respeito - que determinasse a abstenção compulsiva de ex-titulares de cargos públicos em cerimónias oficiais (de arguidos em processos judiciais)  -, deveria imperar um intenso sentido ético. E o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português onde andam? Fazem parte do acordo de geringonça? Então deveriam pronunciar-se sobre a guest list de António Costa. Mas não os vejo em parte alguma. O túnel é a obra pública perfeita para enfiar muita coisa. Portugal sai mal na fotografia tirada por António Costa, mas ele quer lá saber.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:30

Solteiros e bons rapazes

por Nuno Gonçalo Poças, em 05.05.16

É vê-los, do Saldanha à Avenida da Liberdade. Uma massa uniformizada de proletários de fato e gravata, de sapatos compensados e blazer, barbas aparadas, cabelos arranjados, que entra nas consultoras e nas sociedades, de smartphone em punho, fazendo rolar o ecrã com os polegares, de auscultadores nos ouvidos. Trabalham de manhã, almoçam nos restaurantes ou nos doentios centros comerciais da zona, trabalham à tarde, jantam nos mesmos centros comerciais, trabalham à noite, saem tarde, esgotados, bebem um copo com os amigos, publicam fotografias nas redes sociais. No dia seguinte tudo se repete. Quem quer sair às seis da tarde, pede autorização ao superior hierárquico com uma semana de antecedência – mesmo sabendo que essa autorização pode ser alterada em cima da hora. Não há motivos que os façam não trabalhar. O trabalho é essencial. Vem sempre primeiro.

Tens a tua mãe doente? Sim, está muito bem, mas como não és médico tens aqui um prazo urgentíssimo, que já devia estar feito há dias, se o trabalho fosse devidamente organizado, e que vais ter de ficar a despachar até à meia-noite. O teu irmão casa-se amanhã? Pois, então que seja muito feliz, mas como quem se casa não és tu, tens de vir trabalhar amanhã, porque temos aqui um closing muito urgente e tu és indispensável. Ai amanhã é sábado? Pois, pá, mas isto o trabalho não conhece dias da semana. É no trabalho que uma pessoa se realiza, pá. O teu irmão que não fosse um imbecil – não se casasse, tivesse ido trabalhar. A tua mulher está a ter o vosso primeiro filho? Sim, claro, os filhos são uma grande coisa, claro, mas tens de sair imediatamente do hospital e vir para o escritório, que estamos aqui aflitos com uma coisa muito mais urgente. O quê, a tua mulher está em casa com um recém-nascido e a empresa não lhe está a pagar salário? Isto realmente há gente má no mundo. Ainda bem que nós te damos a oportunidade de trabalhar nesta fantástica empresa, rapaz, onde podes trabalhar umas parcas 12 horas por dia e onde ainda te damos o privilégio de levar trabalho para casa, para que possas chegar ao teu sofá à uma da madrugada e responder a emails. O que seria de ti sem nós. Alguém tem de pagar contas, não é, filho? Não te sentes feliz com esta oportunidade que te demos de gozar dois dias de licença de paternidade? Pudeste trabalhar em casa, descansado. Isto é um favor que te fazemos, rapaz, tudo por um bom salário, por bons prémios que te vamos dar, pela progressão idílica que estás a ter nesta empresa. Precisas de sair mais cedo porque o teu filho está doente? Mas tu queres uma mulher para quê, afinal? Podias ter uma vida muito melhor se não te tivesses casado. Se não tivesses filhos. Agora que tens filhos e mulher, para que raio queres tu ir para casa com um filho doente? Para cuidar dele? Casasses melhor. E tu, mulher que se queria evoluída, por que diabo me pedes tu férias quando te demos o privilégio de ficar três meses em casa a ganhar 50% do salário e a trabalhar todos os dias, logo depois do parto? Para que raio engravidaste tu, mulher do século passado?

Enquanto houver, numa grande parte do tecido empresarial urbano, a apologia dos solteiros – que não engravidam, que não têm compromissos pessoais que não possam desmarcar, que não casam, que não descansam; enquanto houver, numa grande parte do tecido proletário-chique das grandes cidades, a aceitação desse paradigma; enquanto houver gente que aceita ficar no trabalho até às oito da noite, quando está a ler jornais desde as seis, porque “é mesmo assim”; enquanto houver gente que acha que o trabalho é a única coisa que as realiza pessoalmente; enquanto houver gente que só encontra felicidade, para lá do trabalho, em fotografias de paisagens ou de pratos de comida que possa publicar nas redes sociais; enquanto houver situações profissionais híbridas, entre o contrato de trabalho e a profissão liberal, que não conferem nem liberdade, nem regras; enquanto houver tudo isto, não há políticas de natalidade que nos valham.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:50

Será apenas estúpido ou gosta de bicicletas ?

por João Almeida Amaral, em 03.05.16

CML.jpg

 

Será apenas estúpido ou é apenas um amante do ciclismo.

Acabar com o estacionamento numa das faixas da Av. da República e eliminar o transito automóvel em duas faixas de rodagem do eixo central da cidade de Lisboa é no mínimo surpreendente , será que o presidente não eleito de Lisboa se julga em Amsterdão?

Quantas vezes ira ele levar os filhos a escola de bicicleta? 

Tenham dó , está na altura de correr com este imbecil. 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:32

Viva o Solcialismo!

por John Wolf, em 03.05.16

sun-heats-earth-on-one-hemisphere-only.jpg

 

Portugal é filho do vento e do sol. Devemos congratular aqueles que acreditaram na visão. As energias renováveis serão porventura o melhor exemplo do que é possível alcançar neste país, mitigando os efeitos nefastos da política de interesses parcelares, da corrupção e de outras patologias colectivas. A ver vamos quais serão os políticos a querer reclamar o prémio. Bravo, empreendedores. Bravo, investidores. Bravo, iniciativa privada. Viva o solcialismo!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:28

Só vejo UBERs à minha frente

por John Wolf, em 30.04.16

Gas_Grass_or_Ass_-_Only_At_The_Frat_Zone_1024x1024

 

Muito obrigado. Passei a ver UBERs em tudo e mais alguma coisa. No jornalismo - a realidade não pertence aos media nem aos repórteres. Na imperial - a cerveja à temperatura certa a 50 cêntimos mesmo ao lado do Mercado da Ribeira. Nos cabeleireiros - o mesmo corte, a mesma permanente, e mais qualidade a um preço razoável. Nas oficinas de reparação automóvel - com as mesmas garantias e a um terço do preço. Nos serviços de advocacia - o mesmo processo, a mesma lei e os honorários conforme o desfecho jurídico. Nas telecomunicações - o custo de roaming a desaparecer. Enfim, UBER existe desde sempre. Desde Adam Smith. Desde a teoria das vantagens comparativas. O país que descobriu o mundo, que navegou mares desconhecidos e trouxe prata e marfim, ouro e especiarias, é o mesmo que inventou a UBER. Quando Portugal se fez aos mares alterou por completo a estrutura da economia mundial, dinamitou as relações laborais e volvidos séculos continua a encher o peito dos portugueses com um sentido de orgulho muitas vezes questionável, contraproducente. Fizeram a revolução há 42 anos? Pois bem. Foi para isto mesmo. Para que o espírito empreendedor se pudesse libertar. Quem não entende o que está em causa não entende o processo civilizacional. O de Elias ou de outro qualquer.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 07:18

O Rei do Kebab

por João Almeida Amaral, em 29.04.16

Mustafa.jpg

O grande Mustafa , Rei do Kebab da D. Luís I em Lisboa, deu uma lição a um grupo de marginais africanos, que queriam destruir a sua loja. Como Rei do Kebab o curdo deu-lhes uma tareia que tão cedo não esquecem. Eis como um curdo sozinho repele um punhado de marginais africanos ou pretos como lhes queiram chamar. ( a imprensa classifica-os de jovens)

Por mim e pelo direito de não sermos ameaçados por quem vive de subsídios e golpes, já lá fui cumprimentar Mustafa o trabalhador curdo, que não se deixou intimidar. 

Vale a pena ir ao Rei do Kebab na D.Luís I

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:54

António Costa entre o UBER e o PEC

por John Wolf, em 28.04.16

car-exhaust-pipe.jpg

 

A política e os mercados têm tanto em comum. Mas uma máxima em particular aplica-se sem reservas. Por mais que queiram insistir no contrário, a verdade é que não existem lugares cativos - a não ser que se trate de uma ditadura. O governo de António Costa e os taxistas partilham a mesma cultura da intangibilidade. Julgam que existe uma estância que não pode ser tocada, um património ideológico sagrado, uma faixa de rodagem inviolável. Contudo, essas intenções estão sujeitas às considerações e às preferências dos cidadãos. No mercado quem concede os selos de aprovação são os consumidores, e na política quem diz que sim são os destinatários finais de decisões governativas. O ponto de equilíbrio resulta da fricção entre o deve e o haver, a procura e a oferta, a qualidade ou a ausência da mesma. Amanhã o protesto dos taxistas irá subtrair receitas à economia nacional. Milhares de cidadãos que não fazem parte desta guerra sofrerão as consequências de um pequeno sector da textura produtiva nacional. O que irá suceder quando a UBER for substituída por veículos sem condutor? Será que a UBER tornar-se-á num arruaceiro? Será que ainda não perceberam que o cliente pode não ter sempre razão, mas que neste caso exprime inequivocamente que deseja algo diferente  - mais qualidade? Os taxistas devem continuar a existir, mas agora a fasquia está mais elevada. E amanhã não sei se ganharão mais adeptos. Parece que será mais um tiro que sai pelo escape. Estou a falar do PEC, naturalmente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:11

Quando chegares à Velha Europa, amor

por Nuno Gonçalo Poças, em 28.04.16

Praga, Abril de 2016. Uma das cidades europeias que menos danos sofreu durante as duas Guerras Mundiais, grande centro cultural do Velho Continente, terra de Kafka e de Dvorák, postal de arquitectura conservadora, resiste imóvel e impávida ao frio primaveril e ao vento que sopra forte nos edifícios. Os turistas passeiam, fotografam o relógio astronómico sem especiais cuidados com carteiristas, insignificantes delinquentes num País que vive a paz e o cosmopolitismo europeu. De repente, um quiosque improvisado ostenta bandeiras da Ucrânia e da NATO, caricaturas de Vladimir Putin e frases que são bombas-relógio. "Putin, hands off Ukraine". "Putin is the Devil". Os rostos dos manifestantes não são pacíficos. O Secretário-Geral da NATO, depois de reunir com representantes da Rússia, anunciava o caminho feliz das negociações: há esperança num futuro pacífico. Nas ruas da Europa Central, fora dos circuitos turísticos, sente-se o contrário. Sente-se o fio de pólvora. E da paz podre.

Enquanto os líderes europeus negoceiam, os povos falam como podem. Como em 1991. Há 25 anos, enquanto os líderes da Europa comunitária se sentavam para elaborar o Tratado de Maastricht, rebentava a luta pela independência na Eslovénia e na Croácia. E o Tratado que anunciava paz e prosperidade para todo o sempre na Europa acabaria por ser assinado no ano seguinte, de braço dado com o início da guerra na Bósnia. Passados 25 anos, a União Europeia não tem mãos a medir com tantas crises. A moeda única, os refugiados, a Síria, a Ucrânia e a omnipresente Rússia, a quem o Velho Continente ofereceu um gás metafórico em 2008, na Geórgia. A união da União, por outro lado, vai sendo ameaçada pelo Reino Unido, mas permanece. Mas Espanha tem a Catalunha. E a Bélgica, pacemaker das Comunidades, vive permanentemente sob a ameaça da secessão. A unidade europeia assegura-se pelo paradoxo que é ter medo do passado e amnésia.

A União Europeia, Nobel da Paz em 2012, anuncia-se como o garante da paz e da estabilidade no Continente, um papel assumido desde 1992, conquistado graças à queda da União Soviética e ao desinteresse americano, e perdido em 2008, graças aos conflitos na Ossétia do Sul e à crise financeira internacional. E os europeus do pós-Segunda Guerra, em negação, vão acreditando na resolução dos problemas. No regresso do crescimento económico, na resolução dos conflitos militares e migratórios que temos por temporários. E continuam a fingir que a Alemanha tem capacidade para manter a União.

Em 2016, em Praga como em Kiev ou em Sarajevo, a Europa aquece, num lume brando que nos vai fazendo ferver. Até ao dia em que Franz Ferdinand deixe de ser só uma banda charmosa de escoceses para passar a ser o nome do arquiduque assassinado em 1914 que devemos relembrar. Até ao dia em que a Alemanha entre na sua própria crise económica. Até ao dia em que os conflitos internos dos Estados-membros se tornem mais do que referendos. Até lá, Barack Obama vai pedindo à Europa que permaneça "forte e unida", como um tonto pede a um careca que se penteie.

Quando chegares à Velha Europa, amor, tira uma foto com um bom compositor, como na canção. É o que podemos ir fazendo para manter as aparências.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:10

Asterisk_black.jpg

 

O Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) * apresentado a Bruxelas não traz um asterisco e uma nota de rodapé com as palavras de Catarina Martins - "Dijsselbloem é o ministro da Offshore da Europa". Mas o PEC não é tímido na requisição de fundos e na proposta de medidas que ficarão aquém do exigido para cumprir as metas orçamentais. Podemos concluir que as declarações de Catarina Martins servem o interesse nacional? Não me parece que sirvam para grande coisa. Para cada palavra de insulto dirigida a quem dá o pão para a boca, certamente que haverá bastantes mais que poderão fluir no sentido inverso - directamente para o governo de Portugal. António Costa e o Presidente da República Portuguesa Marcelo Rebelo de Sousa falam de consensos, unidade, o chão comum, o fim da época continuada de campanhas eleitorais, mas Catarina Martins, algo limitada intelectualmente, puxa para o seu lado. A sua demarcação rebelde, no entanto, revela outras consternações. Informa-nos o Bloco de Esquerda (BE) que já pressente a inevitabilidade de mais um resgate. Enquanto que na Áustria a falência dos socialistas na última década conduziu aos mais recentes resultados da extrema-direita nas primárias das presidenciais daquele país, a Esquerda portuguesa, encarnada pelo BE, também se prepara para descalabros no seu próprio campo ideológico. Catarina Martins crava a sua demarcação em relação ao governo nas costas da execução de medidas que certamente serão impostas por Bruxelas. A discussão em torno da obsessão de Bruxelas pela despesa tem razão de ser. O dinheiro é deles. O dinheiro é dessa offshore holandesa. O dinheiro é dos alemães. E já agora, o dinheiro também é dos gregos. Catarina Martins navega nestas águas de considerandos, mas esquece qual a bandeira financeira do seu pavilhão. Portugal não é sua pátria.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:06

Entrevista de D. Duarte ao jornal El Español

por Nuno Castelo-Branco, em 25.04.16

Duarte-Pio-Duque-Braganza_114000177_3172722_1706x1

 

Don Duarte Pío, duque de Braganza y pretendiente al extinto trono de Portugal, está de enhorabuena. El pasado lunes el primer ministro de la República, el socialista António Costa, firmó la ley que restablece los cuatro días festivos suprimidos por el anterior Gobierno del conservador Pedro Passos Coelho. Por primera vez desde 2013, este año los lusos podrán disfrutar del Corpus, el Día de la República (5 de octubre), el de Todos los Santos, y el Día de la Restauración Portuguesa (1 de diciembre).

La reposición de éste último es de especial importancia para el noble, ya que conmemora un triunfo tanto nacional como familiar: el de su antepasado directo, el rey João IV, sobre los ocupantes españoles, poniendo fin a la Unión Ibérica que mantuvo a Portugal como parte de la Corona española entre 1580 y 1640.

 

“Es un gran día que debe ser celebrado por todos los portugueses, sean republicanos o monárquicos. Ya he felicitado al primer ministro personalmente”, afirma el duque, la cara más visible de la campaña a favor del restablecimiento de los mismos.

El Reino de Portugal terminó hace 116 años al ser proclamada la república, pero el actual jefe de la familia real, don Duarte Pío, mantiene un papel activo en la actualidad lusa. A través de la Fundación Don Manuel II –que lleva el nombre de su tío abuelo, el último rey de la dinastía de los Braganza– participa en actividades de apoyo social para los más desfavorecidos, iniciativas culturales y, a título personal, ayuda al Gobierno en ciertas mediaciones internacionales.

El duque acepta que, probablemente, no verá la restauración de la monarquía durante su vida –“apenas un 29% de la población apuesta por ello”–, factor que achaca a un problema léxico. “Los portugueses rechazan la monarquía porque no entienden lo que es; asocian ‘democracia’ con ‘república’, tanto que algunos creen que España es una república aun sabiendo perfectamente que Felipe VI es el rey. Los únicos que consiguen esquivar ese muro son los jóvenes, que son más abiertos a nuevas ideas”.


El pretendiente al extinto trono de Portugal asume que él ya no lo ocupará. Enric Vives-Rubio

El pretendiente no se resiste a señalar las ventajas de un régimen político más parecido al de la vecina España, con cuya familia real mantiene lazos estrechos –se ve con las infantas Margaritas y Pilar (hermanas de Juan Carlos I) con cierta frecuencia, y con el Rey emérito cuando pasa por Estoril–.  Adora España: visita Galicia a menudo, y confiesa ser fan de las series Hispania e Isabel.

Desde su despacho en la sede de la Fundación, decorado con tapices con el escudo de las armas reales y retratos de sus ilustres antepasados, el noble recibe a EL ESPAÑOL y explica por qué considera que los Estados modernos pueden funcionar mejor si cuentan con “la fuerza neutra de un rey constitucional”.

Los alcaldes del Partido Comunista tienden a ser los más entusiastas con mi asistencia a conmemoraciones históricas en sus municipios

¿Cuáles son sus funciones como jefe de la Casa de Braganza?

Estoy al servicio de los portugueses. A través de la Fundación intento ayudar a los ciudadanos más desprotegidos, especialmente en el interior del país, que está muy ignorado por los políticos ya que esas zonas tienen poco peso electoral.

Financiamos programas de enseñanza práctica para la comunidad gitana lusa, y actividades culturales en nuestras antiguas posesiones de ultramar, o donde hay grandes comunidades de emigrados: en Luxemburgo, Estados Unidos, Canadá… A nivel personal, acudo a conmemoraciones históricas a petición de las corporaciones municipales. ¡Curiosamente, los alcaldes del Partido Comunista tienden a ser los más entusiastas!

Desde el pasado diciembre Portugal tiene un Gobierno minoritario socialista. Muchos temen por la estabilidad de la alianza de izquierdas a largo plazo. ¿Cómo valora la situación política?

Es surrealista. Los ejecutivos minoritarios están sujetos a las divergencias que puedan surgir entre socios, y eso hace que la situación sea delicada. Pese a ello, quiero pensar que las cosas saldrán bien, pues los portugueses siempre hemos sido capaces de adaptarnos a situaciones críticas.

¿Tiene buena opinión de los políticos lusos?

Francamente, sí. Los políticos portugueses están haciendo un enorme esfuerzo dentro de una situación extremadamente difícil. Conozco al nuevo presidente de la república y al primer ministro, y sé que son personas de gran capacidad. Pero mi crítica con los políticos es siempre la misma: son excesivamente susceptibles a sus ideologías.

Tengo muchos amigos comunistas y son personas excepcionales, pero tienen sus visiones condicionadas por una carga ideológica muy fuerte. Y lo mismo pasa por el otro lado, con el liberalismo. Invocan a Keynes, dicen que la libertad del mercado crea prosperidad, y que aumentar salarios aumenta la economía nacional. Se olvidan de que Keynes está desactualizado: vivía en un mundo con aduanas, donde el dinero no circulaba. Hoy en día si el Estado invierte en la economía portuguesa, ese dinero se da a la fuga y nos quedamos sólo con la deuda.

El euro es un sistema deshumanizado que va contra la naturaleza

¿Apostaría por otro tipo de sistema económico?

Abogo por la doctrina social de la Iglesia. La economía tiene que estar al servicio de las personas, y no lo contrario. Gran parte del problema es que el Estado tiene que dejar de intentar controlar todos los recursos, pues es evidente que no sabe hacerlo eficientemente. Los impuestos actuales son excesivos, y los servicios sociales insuficientes. Son sistemas deshumanizados, como el del euro.

¿Considera que Portugal debe salir de la eurozona?

El euro es una cosa que va contra la naturaleza. Es una locura pensar que la economía portuguesa pueda competir al mismo nivel que la alemana, y sin embargo ahora mismo operamos con una divisa germana. Yo me manifesté en contra en su momento, junto a los economistas que auguraron que esto sería un desastre, pero los políticos insistieron que se trataba de un proyecto político y se tenía que hacer.


Don Duarte Pío cree en un modelo de confederación como el suizo para la UE. Enric Vives-Rubio

¿Se considera europeísta?

Absolutamente, pero de otro tipo de Unión Europa. La actual quiere homogeneizar todo y quitar los elementos nacionales, la cultura propia que enriquece a los pueblos; no me sorprende que los ingleses se sientan amenazados. Al igual que mi primo, el fallecido archiduque Otto de Habsburgo, que fue uno de los padres de la Unión y un eurodiputado durante mucho tiempo.

Yo creo que debemos seguir el modelo de la Confederación Helvética –o sea, Suiza–. Se tienen que respetar las diferencias, no intentar borrarlas. En algunos países las monarquías por lo menos suavizan esta situación, porque aunque se haya perdido mucho ante la Unión, los reyes son la representación viva de la patria.

¿La representación nacional exige un comportamiento ejemplar?

Siempre es preferible que sea así, pero los reyes son personas humanas, con todos sus defectos. Los pueblos generalmente saben diferenciar los problemas personales y sus actuaciones políticas. Pero los reyes tienen que ser ejemplares.

El juicio del caso Nóos favorecerá a la imagen de la familia real

¿Cómo valora la forma en la que se está tratando el caso Nóos en España?

Es un drama, tanto para la familia real como para la gente que la apoya. Las familias reales son familias normales, con la diferencia de que tienen el deber de ser ejemplares. Creo que Felipe IV ha tomado una posición clara a este respecto, evitando interferir con el trabajo de la Justicia. Es una situación dolorosa, pero si ella [en referencia a Cristina de Borbón] lo hizo, tendrá que pagar por ello.

¿Cree que el juicio dañará la imagen de la familia real?

Al contrario, creo que le favorece. Este juicio muestra que la monarquía es lo suficientemente sólida como para que la familia real no esté ‘abrigada’ por la Justicia. En muchas repúblicas los presidentes son pillados en situaciones ilegales y consiguen evitar consecuencias legales. En Francia muchos presidentes han estado implicados en ilegalidades, pero nunca han ido a la cárcel; todo indica que uno de ellos incluso se vuelva a presentar en los próximos comicios [en alusión a Nicolas Sarkozy].

En Brasil vemos lo mismo. Aquí hay señales de que [el ex primer ministro, José] Sócrates hizo algo, pero nadie cree que será condenado por ello. Y más que injusto es inmoral. Las repúblicas saben que son frágiles y por eso evitan meter a sus presidentes en la cárcel, para evitar inestabilidad. Las monarquías tienden a ser más éticas.

En las monarquías del norte de Europa las comisiones anticorrupción son nombradas por iniciativa real y son infinitamente más efectivas

Sin embargo, una de las principales preocupaciones de los ciudadanos del Reino de España es la corrupción…

El Rey necesitaría tener más poder para nombrar entidades independientes para investigar la corrupción; cuando el propio Gobierno elige quién le investiga, no debe sorprender que la corrupción sea endémica. En las monarquías del norte de Europa las comisiones anticorrupción son nombradas por iniciativa real y son infinitamente más efectivas, porque son neutras.

En Portugal hemos tenido presidentes muy partidarios. No se entiende que en un partido de fútbol el árbitro sea claramente favorable a uno de los equipos, e igualmente no se entiende en un Estado. Incluso en Marruecos el rey es visto como un garante de la independencia del Estado.

Los reyes son figuras que unifican, como se ve en Bélgica –donde se dice que el único belga en esa tierra de flamencos y valones es el propio rey–, o como era el caso con el emperador austro- húngaro, que logró unir a pueblos que se detestaban hasta la desgraciada Primera Guerra Mundial.

La solución al problema catalán y vasco es crear un estatuto de reino unido

Pero en España la figura del rey no parece sofocar el movimiento independentista en Cataluña…

El tema se ha manejado mal. La solución al problema catalán es crear un estatuto de reino unido, tanto para Cataluña como para el País Vasco. Es evidente que son naciones, y eso se debe reconocer, pero ofreciéndoles un lugar dentro de un “Reino Unido de España”, como hicieron los británicos y los holandeses, con sus respectivos Gobiernos, pero con un rey y unas fuerzas armadas comunes. La separación radical sería traumática, especialmente para los catalanes.

Hay algunos catalanes que apuntan a la independencia de Portugal como un ejemplo a seguir.

La Unión Ibérica de Portugal y España sólo duró 60 años, y Cataluña es parte de España desde hace siglos. La interpenetración es mucho más profunda que la que tuvimos nosotros, e incluso así la separación de España y Portugal fue traumática.

Un antepasado de mi mujer era el gobernador de Madeira cuando declaramos la independencia de España, y él tuvo que elegir entre mantenerse leal a su patria o tomar el partido por su esposa portuguesa. Ganó el amor –y por eso Madeira es portuguesa hoy en día– pero fue una decisión traumática igualmente.


Don Duarte Pío medió al inicio del conflicto en Siria en 2011. 

Además de dirigir la Fundación Don Manuel II, usted es conocido por sus mediaciones en conflictos internacionales.

Intento ayudar en lo que pueda. Mi técnica es simple: se basa en crear empatía y confianza con las personas que trato, para que sepan que soy un actor neutro en el asunto.

En Timor, donde medié entre los independentistas y el Gobierno de Indonesia, funcionó muy bien, y el presidente indonesio aceptó que los timorenses decidieran su futuro. En Siria también lo intenté.

Fue muy criticado por ello.

Sí, en los medios portugueses. Cuando fui [como parte de una delegación europea en 2011] me reuní con el presidente [Bashar] al Asad –que conozco desde sus días de estudiante de oftalmología en Londres– y los partidos de la oposición. Hice una propuesta de paz que fue aceptada por él y por parte de la oposición, con el fin de crear un gobierno de unidad nacional hasta poderse celebrar unas elecciones.

La parte que no aceptó fue Al Qaeda, y la gente que ahora forma parte del Estado Islámico. Y por eso no salió aquello. En Portugal se me criticó por hacer elogios al presidente sirio en una rueda de prensa, pero es obvio que si no hubiese hecho eso nunca me hubiera dado su confianza. Para mediar es necesario entenderse con ambas partes.

Reagan me animó a presentarme a presidente de la república. Decía que sus informaciones aseguraban que ganaría

Pese a ello, disfruta de cierta popularidad en Portugal. ¿Nunca consideró presentarse a las elecciones dentro del régimen republicano, tal y como hizo su familiar Otto de Habsburgo en Austria?

Hace unas décadas el presidente estadounidense Ronald Reagan me animó a que lo hiciera. Decía que manejaba información sobre que si me presentaba a la presidencia de la república, ganaría. Pero no puedo hacer eso.

Primero, sería una traición a los monárquicos. Y además sería poco honesto con la propia república, pues no puedo ocupar un cargo y luego hacer todo lo posible para que deje de existir.

Usted acepta que no verá la restauración de la monarquía durante su vida. ¿Está educando a su hijo para que sea rey algún día?

Estoy preparando a mi hijo para que esté al servicio de Portugal. Su deber, y el deber de mi familia siempre ha sido servir a esta nación. Algunos lo han hecho mejor o peor –creo, por ejemplo, que mi antepasado el rey Manuel I cometió un error terrible al promulgar la expulsión de los judíos bajo presión de los reyes de Castilla en el medievo–, pero por lo general mi familia siempre ha servido a los portugueses, y lo ha hecho bien. Y así lo seguiremos haciendo, sea cual sea el régimen nacional.  

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:06

Tributo a Prince

por John Wolf, em 21.04.16

Crónica publicada pela revista Maxim (todos os direitos reservados) - Prince em Lisboa, Agosto 2013

 

Header-Prince-628x378.jpg

Quem teve o privilégio de assistir ao concerto de Prince, e a sua banda 3rdeyegirl no Sábado passado, foi contemplado com a genialidade de um dos maiores compositores e guitarristas de todos os tempos. O que interessa o atraso de 45 minutos?

O público que encheu a sala por completo, veio ao engano, mas saiu rendido. Prince, independente nas suas escolhas, mas profícuo na reinvenção dos seus estilos musicais, purgou a sua apresentação de todos os clichés que a audiência estática estava à espera. A expressão funky-soul-rhythm and blues foi preterida e substituída por uma abordagem metalista de rock puro e duro. Em palco, as secções de metais e sopro, os backing vocals, os teclados de acompanhamento ficaram em casa e deram lugar a uma banda de garagem crua e nua - à moda antiga.

As várias gerações de espectadores presentes na sala parecem terem parado no tempo (deixaram-se ficar pelos anos 80 e 90), e apenas aqueles profundos conhecedores da obra de Prince Rogers Nelson não se quedaram nas suas convicções musicais porque sabem que a revolução musical é o que define este grande artista, um visionário que decerto já estará a preparar o próximo ciclo criativo. Um bom número de jornalistas que relatou o concerto épico esqueceu-se de referir algumas dimensões do espetáculo. O Coliseu dos Recreios não é uma sala de referência em termos acústicos. É um palco concebido há muitos anos para outros fins que não os musicais. Os profissionais sabem-no e para evitar que as sonoridades sejam engolidas pelos nichos e galerias do antigo circo, os técnicos da mesa de mistura optam quase sempre por bombardear a sala com níveis de áudio acima do expectável. No entanto, essa opção não comprometeu a qualidade musical do espetáculo fortemente alicerçado nas guitarras eléctricas do prodígio de Minneapolis e da nova estrela Donna Grantis – mais uma protegida do génio.

Na guitarra baixo Ida Nielsen excedeu-se e nunca ficou na sombra de grandes como Larry Graham, que Prince havia resgatado de Sly and the Family Stone para outras andanças musicais e tournées. A baterista Hannah Ford manteve a consistência rítmica a um nível absolutamente avassalador – é uma Sheila E. de cor branca metalizada, sem expressão latina na percussão porque desta vez não era para aqui chamada. Voltando à questão da sala – o Coliseu dos Recreios foi o parceiro menor de uma noite de sonho, mas este grande artista nunca se queixa da ferramenta, e sai sempre por cima – sujeitou a pobre arquitetura do espaço à sua superioridade e talento. O alinhamento ácido de cordas e a virtuosidade da noite abriram com uma versão menos swingada de Let ́s go Crazy do álbum Purple Rain (1984), e ao longo da noite fabulosamente mesclada pela banda 3rdeyegirl , Prince viajou pelos temas que melhor encarnam a sua doutrina mais próxima da guitarra lendária de Hendrix ou Gary Moore. Eu sei que as comparações não são para aqui chamadas, mas no pedestal da magnitude de riffs e acordes eléctricos, Prince está lá em cima, senão no topo.

Na carteira musical e oficial de discos editados, Prince tem muito por onde escolher. De 1978 a 2013 há muita cereja melódica para saborear. Um tema precoce de Prince que remonta a 1979 (extraído do seu segundo álbum de originais de seu nome Prince) é o hino à guitarra eléctrica – Bambi. Muito poucos do público reconheceram esse DNA de há largos anos e receberam o tema como se de um original se tratasse – maravilhosa a frescura de um tema com mais de vinte anos. Seguiram-se mais "lados B", que, de um modo geral, tinham sido ignorados pela audiência ainda hipnotizada por canções que não constaram no repertório da noite. Em vez do glamour de Kiss, Pop life ou Raspberry Beret, a noite foi assaltada por canções como Endorphinmachine, the Max, FixUrlifeUp ou the Love we make. Da caixa de ferramentas da noite, Prince não podia deixar de fora a sua mais recente bandeira – Screwdriver. A partitura foi concebida de um modo continuum sem pausas, mas com pontes musicais pontuadas pelo maestro incondicional da perfeição. Muito, mas mesmo muito trabalho está por detrás destes arranjos para simples gozo do público. Always in my hair, com a sua forte carga sexual, também esteve presente em versão hard-rock-café. Quando todos se preparavam para apenas um encore de remate, Prince entra na onda (ou não sai dela!) e arrasta para o palco contemplados da noite para um delírio dançante inaugurado com Hot Thing do álbum Sign O ́Times de 1987.

Nas passagens de uma época musical para outra Prince serviu-se da prata da casa. De um modo subtil, lá estavam algumas frases do Black Album de 1988 (a edição clandestina desse ano) como Superfunkycalifragisexy. O homem- guitarra quis também demonstrar que é um baixista de primeira água e por uns breves instantes roubou o instrumento à Ida Nielsen para seguir devolver a guitarra baixo ainda a arder notas. Nas teclas Prince agraciou a velha guarda do público com amigos de longa data; Nothing compares to you (de sua autoria) fez vibrar os nostálgicos, para encadear logo e sem demoras a peça final - Purple Rain. O artista norte-americano foi especialmente generoso para com Portugal, que aliás foi o mote da noite inteira, com uma referencia sentida à ninfa Ana Moura que ele coroou como "Queen of Portugal" (Take care of her, I love her). Mas havia ainda uma outra mensagem subliminar na poética religiosa de Prince; o Gospel do amor esteve presente no coliseu com a repetição do refrão de amor fraternal: Love one another. Love one another.

Prince materializou a sua empatia em relação a um povo que atravessa um momento difícil. A mensagem de Prince, qual espiritual negro e branco, serviu para levantar os ânimos de perto de 4000 espectadores que esqueceram as agruras da vida durante duas horas e meia de magia. Assisti a uma noite épica em Lisboa. Recebi doses de luxo musical como nunca antes. Obrigado, Prince.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:54

Não passam cartão a Catarina Martins

por John Wolf, em 21.04.16

Machado.jpg

 

Sempre achei de grande utilidade o Partido Comunista Português (PCP), muito mais do que o seu derivado com aditivos pseudo-intelectuais - o Bloco de Esquerda (BE). Quer se concorde com o PCP ou não, temos de dar a mão à palmatória. Esse partido da Esquerda ortodoxa é igual a si. Não aprecia grandes mudanças de guião. O PCP faz lembrar o McDonald´s - um Big Mac é sempre um Big Mac. A Catarina Martins enganou-se no verbo, no género, no predicado, enfim, desbaratou uma imensa cartilha de imprescindíveis. Acordou um belo dia e pensou para com os seus botões de rosa: o que faz falta a Portugal? Ninguém me passa cartão. Boa ideia, isso mesmo. Cartão, cartolina. Motivo de chacota, dispensável. Vamos embora, venham de lá essa medidas de consolidação que não distinguem o género de austeridade. Jorge Machado, do PCP, deu-lhe com o martelo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:22






Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2007
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Links

Em destaque

  •  
  • Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas


    subscrever feeds