
mas no lugar da casa junto ao rio estavam pintados dois versos. Versos dedicados à mãe.
Ao lado duas ou três andorinhas de faiança também. Soube mais tarde que eram cópias das que Bordalo Pinheiro criara. Tudo isto na sala, onde, numa época em que os serões não aconteciam já na Casa do Forno, mas numa sala pequena, com dois sofás em vez do antecessor escabelo, e onde o lugar de honra, no cimo da estante, onde o livro mais vistoso era um volume azul, grande e com letras douradas, dos Lusíadas, era ocupado pelos bustos de Camilo e do autor do livro azul.
Não costumo dar qualquer relevância às tricas e mexericas do submundo do futebol. No entanto, por vezes surge a necessidade de um desabafo, tal a injustiça de certas decisões que prejudicam sempre os mesmos. Neste caso, o estapafúrdio e indecente apuramento da França, mercê de duas palmadas na bola que deram o golo necessário, dizem muito daquilo que a FIFA é: um gang onde pontificam os traficantes de influências e as urgências dos negócios dos "grandes". Com um tal gebo Platini à cabeça. Que asco!
quando um incêndio no Castelo de Windsor tornou mais negro ainda um ano cheio de percalços para uma rainha nada afeita a escândalos, como os que lhe coube assistir então. E nós, há quanto tempo cada ano é um " anno horribilis ", em que os " incêndios " se sucedem numa sequência vertiginosa? Ou já estamos tão habituados ao fumo que sempre indica haver fogo, que é como se " no pasasse nada "?
É esta, a Toyota Dyna roubada no passado Sábado
Na madrugada do passado Sábado, 14 de Novembro, foi roubado à porta de casa, em pleno centro de Lisboa, o camião Toyota Dyna pertencente a um amigo. Dependendo totalmente do veículo para o seu trabalho, participou imediatamente à P.S.P.
Esta noite, no decurso de um jantar com um grupo de amigos, um deles informou-me acerca das estranhas ocorrências que desde há alguns anos se verificam nos portos nacionais. Existe uma máfia bastante organizada que se dedica ao roubo e exportação de viaturas com destino a países como Angola, Guiné e Cabo-Verde. O procedimento parece ser rotineiro. O veículo é roubado, desaparece durante semanas ou meses, para depois de modificada a pintura e alguns aspectos da sua estrutura - lonas retiradas ou mudadas, por exemplo - ser vendido para os citados países, com papéis "novos", motores trocados, etc.
Liguei de imediato ao António e fomos dar uma vista de olhos no Terminal do Poço do Bispo. O espectáculo é inacreditável e tendo falado com funcionários da zona, obtivemos a confirmação das suspeitas que se tornaram numa certeza. Os camiões de caixa aberta ou fechada são às dúzias, muitas vezes empilhados sobre outros grandes trailers! Com rodas ou sem rodas, foi-nos dito que muitos embarcam sem motores - que seguem em contentores -, irreconhecíveis. Aliás, deparámos com camionetas com cerca de dez ou quinze anos, pintadas de fresco, rejuvenescidas e prontas para partir para outras longínquas paragens. Os esquemas são complexos e a azáfama nos dias que antecedem a partida do barco, torna-se frenética. Viaturas onde à vista de todos são montadas as baterias que lhes permitem uma deslocação mínima em direcção ao local de carga, com "equipas de trabalho" que se aprestam às derradeiras formalidades. Fala-se de notas de encomenda que chegam do além-mar, adequando a oferta à procura. Tudo isto às claras, sem um mínimo controlo que iniba o crime?
Não posso acreditar na facilidade de todos estes episódios degradantes, se não existir uma clara conivência de gente colocada nos lugares exactos, ou pelo menos, de uma total inoperância ou desinteresse para com este autêntico escândalo de roubo descarado. Em que país se tornou Portugal nos últimos anos? Como é possível existirem tantos, tão prolongados e fortes rumores, sem que se tomem apertadas medidas de controlo da situação? Raspagem de números de série ou motores que não correspondem ao veículo, não são, pela sua frequência, aspectos dignos de desconfiança? As queixas empilham-se nas esquadras e não existe uma suspeita acerca do inusitado número de camiões que são exportados, correspondendo em grande medida às viaturas desaparecidas? A quem aproveita este esbulho?
Há uns anos, falava-se abertamente de viaturas de alta cilindrada que eram roubadas nas ruas portuguesas e que depois seguiam em direcção à Europa de Leste. Hoje, o móbil parece ser outro, o dos comerciais usados. O que sabem as Administrações dos portos de Lisboa, Setúbal ou Leixões acerca destes bastante credíveis rumores? Quem poderá mandatar as polícias para colocar um ponto final neste autêntico e vergonhoso tráfico de propriedade roubada aos portugueses? Onde param as atribuições do Ministério da Administração Interna e da Polícia Marítima? Como é possível permanecer de olhos fechados para uma realidade que todos aqueles que trabalham com transportes conhecem e contra a qual nada podem fazer?
O descaramento é total, os "agentes de exportação" repetem rotineiramente as remessas e os estranhos procedimentos passam impunes. Até quando? Até onde cairá a reputação da autoridade do Estado e dos agentes da ordem pública? Este país está a saque.
Isto é uma vergonha!
Um crânio qualquer que dá pelo nome de António Oliveira, grasnou umas parvoíces a respeito da possível estadia da selecção portuguesa em Moçambique. Ora leiam:
"António Oliveira disse também que o Estádio Nacional de Moçambique não estará pronto até ao mundial e que o país não tem um campo de futebol em condições, sendo que o melhor, o da Machava, é de piso sintético.
“Vir para cá a selecção é misturar política com desporto. E se a selecção vier para aqui os portugueses vão andar todos atrás. O Brasil podia vir mas com Portugal a relação é diferente, ainda há complexos de colonizador e colonizado, enquanto que os sul-africanos receberiam melhor a selecção, sem essa carga emocional”, disse à Lusa."
Este improvável presidente da Associação Portuguesa em Maputo, esquece-se do que aconteceu nas últimas competições internacionais em que Portugal participou. Sempre que a selecção vencia, a população invadia as antigas avenidas D. Luís I e da República, manifestando a alegria pela vitória "dos seus". Não querer reconhecer esta evidência, além de uma estupidez, é uma torpeza. Tudo deve ser aproveitado para o estreitamento de relações com os PALOP e anote-se também o facto, de o sr. Oliveira parecer esquecer-se do grau de segurança que se vive em Maputo, incomparavelmente superior ao de qualquer cidade sul-africana.
Mais um "Grande líder" da Segunda Geração de Setenta, de certeza absoluta!
Não ao Referendo porque a democracia directa é o maior inimigo das Liberdades de um Povo e do Estado de Direito.
Não ao Referendo porque a partidarização, sectarização e massificação de um tema como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que só poderá ser propriamente discutido por juristas constitucionalistas ou privatistas, membros de uma comissão independente que responda perante o Governo da República, nao trará consigo a chave da Razão para desvendar o problema. 4 Milhões de votos numa Causa não a tornam uma Causa Boa.
Teríamos de considerar a nossa classe política intelectualmente incompentente (e é, mas menos incompetente que as Massas que os elegem) para entregar tal assunto, de tanta importância, ao escrutínio do caciquismo político e das violentas paixões do socialismo democrático e demagógico em que vivemos.
A maioria não tem o direito de atribuir direitos a minorias, pois tal constituiria o seu direito a (des)fazê-lo em outra altura em que o espírito das massas, tão volátil como dinamite, se resolvesse a uma redefinição de "crenças democráticas".
O Referendo é uma capitulação ao Homem-Massa.
E o Mundo do Homem-Massa não é livre.
de que tudo por aqui, que cheire a política, exala um cheiro a putrefacção. E a pestilenta sensação, palpável, de que a chaga purulenta contaminou todos os partidos ( já Eça de Queirós dizia no seu tempo " são todos iguais " ). A transversalidade do mal é a marca ferrugenta desta democracia à portuguesa.
Que o Caso Face Oculta possa envolver figuras da hierarquia do Estado mais não é que a confirmação - se ainda precisa fosse - .
Como por várias vezes tenho escrito, o conceito de igualdade inspirado em Rousseau é uma das ideias mais escravizantes de todos os tempos. Berlin, Popper, Hayek, Schumpeter o demonstraram magistralmente. O liberalismo, no entanto, só existe em relação com o conceito de igualdade, não em contraposição, mas com um conceito de igualdade diferente do de Rousseau. O conceito de igualdade de condições à partida. Significa que todos devemos ser tratados da mesma forma, limitados apenas pelo conhecimento que detemos, e que nos permite diferentes graus de realização pessoal. Ainda podemos fazer entrar na teorização o conceito de liberdade negativa - liberdade como ausência de coerção por parte de terceiros - do governo limitado, como forma de assegurar a difusão de poder que diminui a perigosidade do Estado para o indíviduo, e o Rule of Law, i.e., o Estado de Direito. Não interessa para os casos concretos que aqui quero deixar. E esses são apenas casos que demonstram a desigualdade no tratamento dos diversos indivíduos por parte do Estado português.
Hoje, nos correios, contava uma senhora no balcão ao lado que o filho e uns amigos haviam sido assaltados por um bando de delinquentes, em relação aos quais a polícia afirmou não poder fazer nada. Novamente concluí que o Estado português, por alguma razão, esqueceu-se que é a única entidade que detém o monopólio da força legítima - alguém se recorda, por exemplo, dos acontecimentos na Quinta da Fonte?
Outra situação com a qual a sociedade se tornou conivente: os arrumadores de rua. Isto é particularmente gravoso em Lisboa, e todos sabemos do que se trata, i.e., uma coacção e uma chantagem moral com que nos habituámos a conviver, sendo uma situação à qual as autoridades não fazem frente.
Recordo-me ainda de outra, os delinquentes que andam de autocarro sem pagar, em relação aos quais os motoristas da Carris nada fazem, ao passo que se um qualquer cidadão que regularmente utilize este serviço se esquecer de carregar o passe ou de comprar o bilhete, não se livra de uma pesada multa.
Se em vez de bandos de delinquentes e marginais, um mero cidadão cumpridor dos seus deveres se atrevesse a semelhantes tropelias, as devidas autoridades, consoante a questão em causa, logo o tratariam de forma implacável e exemplar. Constata-se, logicamente, que há uma desigualdade que subverte a ideia de igualdade, quer a de Rousseau, quer a de condições iguais no tratamento.
Mas, mais importante que estas constatações de facto que qualquer cidadão pode verificar, é o que a funcionária dos correios que me atendeu revelou. Cerca de 12000 euros foi quanto recebeu uma família cigana que ali levantou diversos vales no valor de cerca de 2000 euros. Como não tinha dinheiro suficiente em caixa e sabia que os reformados ali se deslocariam no mesmo dia para levantar as míseras reformas, a funcionária pagou alguns vales e pediu para voltarem mais tarde, guardando algum dinheiro para os idosos que habitualmente ali se deslocam. A família cigana insurgiu-se por não receber os 12000 euros de uma vez e ter que se deslocar mais tarde ao posto dos correios, começando a partir o que encontrou à mão.
O Estado português, não se sabe bem porquê, para além de se esquecer de que detém o monopólio da força legítima e que a todos deve tratar por igual (o que não faz, ao contrário do que apregoa), despreza aqueles que necessitam do seu apoio - quantos não passam fome no nosso país? quantas crianças nada mais têm como refeição do que o que a acção social escolas lhes dá na escola? quantos idosos mal conseguem sobreviver com míseras reformas, depois de uma vida inteira de trabalho? quantos idosos morrem enregelados e com gripe no Inverno? - e ainda privilegia os que o afrontam ilegalmente, os que dele se aproveitam indevidamente e que em nada contribuem quer para os cofres do Estado, quer para a coesão e desenvolvimento da sociedade. O Estado português efectivamente trata os seus cidadãos de forma desigual, recompensando a marginalidade e penalizando os que cumprem os seus deveres.
Isto não são juízos de valor. São meras constatações e juízos de facto. Cada qual tire as suas conclusões.
P.S. - Não me enganei. Era mesmo a fotografia do Palácio de Belém que queria colocar aqui. As situações descritas passaram-se e passam-se nas suas imediações.
Os interesses de dois ou três Estados, impuseram a existência internacional de uma anomalia que dá pelo pitoresco nome de Bósnia-Herzegovina, coisa a lembrar lutas de clãs, Narodnas Obranas, roubos de gado, bombistas e assaltos na estrada. País retalhado de um hipotético distrito arrancado à Sildávia e um outro arrebatado à Bordúria, este foco infeccioso situado em pleno coração da antiga Jugoslávia - outro absurdo erguido pelos vencedores de 1918 -, serve perfeitamente, à semelhança do Kosovo, para criar clivagens regionais que potencializam conflitos sangrentos e divisões dentro da U.E. Coisa de pouca dura, espera-se...
Aguarda-se também a saída das forças portuguesas desses antros de narcotráfico, sendo mais úteis em países onde a presença nacional é respeitada e querida pelos locais. Nos PALOP e em Timor-Leste, por exemplo.
Que se podem encontrar na FNAC por estes dias (pelo menos na do Chiado):
DVDs da fantástica e memóravel série Blackadder (edição definitiva remasterizada),e a recente obra Representação Política, com introdução e coordenação de Diogo Pires Aurélio, reunindo textos de Edmund Burke, Joseph Sieyes, Gyorgy Lukács, Hans Kelsen e Carl Schmitt.
O meu pai conta muitas vezes uma história que demonstra, um pouco, o país que fomos, não há muito tempo. Um tempo em que éramos respeitados, e não desprezados como um paízeco terceiro mundista: nos anos sessenta foi numa viagem de negócios à Holanda.
No último dia, entrou numa loja para trazer pequenas lembranças, gastando as moedas que lhe restavam, mas cedo concluiu que não chegavam para nada. Tirou da carteira uma nota portuguesa, não lembro qual, mas de pouco valor, certamente, e conta que ao lojista " até os olhos se lhe riram " ao ler na nota Portugal. Claro que foi antes deste descalabro aonde nos levaram os politiqueiros. Ainda hoje temos o " tesouro " conseguido com essa nota.
"É o fado do gueto: viver numa sociedade sem a compreender e ter como interlocutores meia dúzia de pessoas que mentem sistematicamente por delicadeza. Aprendi-o com os alemães: dizem em inglês aquilo que julgam compaginar com uma certa ideia de bom-senso e dizem em alemão aquilo que pensam. O cosmopolita não é cidadão de pátria alguma. Finge que está integrado, mas ao chegar ao supermercado não sabe pedir à empregada da frutaria um simples alperce."
Todos conhecemos muito bem aquilo que o Miguel diz. Existem por cá muitos estrangeiros - geralmente europeus - que se recusam a falar a nossa língua, porque "não vale a pena nem é necessário perder tempo". São exactamente os mesmos que vociferam com os empregados de café que não falam inglês. São os mesmos que protestam contra a falta de qualidade dos nossos serviços - que não sabem solicitar ou entender nas repartições -, que desdenham dos nossos produtos, que dizem que "Portugal só produz cortiça", que "não se dão com portugueses", que "nada há para fazer", que "não se misturam", etc. Se comentam as nossas letras, procuram sempre ir buscar referências estrangeiras que parecem influenciar os nossos autores. Nos monumentos, andam à cata de mão genial chegada da Europa ocidental ou central, como se a Alemanha, França, Inglaterra ou Espanha não têm estampada nas pedras, decorações interiores, estatuária e artes decorativas, centos de nomes contratados para servir o patrono. Como se isso fosse exclusividade portuguesa! A nossa música não existe e resume-se a Amália.
Estes entes superiores estão mal habituados, porque no nosso país sabem poder contar com uma certa condescendência - é o nosso tradicional comedimento que se confunde facilmente com aquiescência -, mesmo perante os maiores dislates que muitas vezes chegam à ordinarice xenófoba. Conheço alguns, a quem por vezes escutei com impaciência e depois questionei acerca do que estão aqui a fazer. À pergunta sobre a razão de chegarem a Lisboa, nomeados do seu país para lugares que mal podem exercer - e fazem-no, apenas porque são estrangeiros -, gaguejam umas desculpas incompreensíveis. Não lhes dou a mínima margem de manobra para pisar o risco e concluo rapidamente a troca de galhardetes, fazendo-os ver a conveniência de Lisboa - e do Porto - terem aeroportos praticamente dentro da cidade: em vinte minutos podem regressar ao sítio de onde vieram, porque para cada um deles que se quer ir embora, temos milhares a querer entrar. Sobretudo, os que agora nos batem à porta, são gente que fala a nossa língua, sujeita-se ao que temos para oferecer, pode ser mais útil e não pretende desdenhar do prato por onde come.
A culpa é em parte nossa. Há por aí quem procure copiar tudo o que vê lá fora e ainda há pouco tempo, li estupefacto, um artigo num "jornal de referência" que em nome do atrasado mental que o escreveu, agradecia não se sabe bem o quê, "ao futuro Obama português que ainda não nasceu"!
Estamos habituados a ler e a ouvir os nossos doutores da praça arrotar cobras e lagartos acerca de Portugal, dos portugueses - "raça má" - e diante dos estrangeiros, espolinharem-se numa subserviência que faz agoniar. Querem fazer-se passar por "iguais a eles", num rastejar que apenas os avilta aos olhos do intruso.
Estes sinapismos existem há muito tempo e dantes chamavam-lhes "estrangeirados". Por mim, ficam-se como borra-botas. Alguns até chegaram à presidência!
Uma conhecida minha que por vezes visita este Blog costuma definir-nos liminarmente como meros reaccionários do contra.
Decidi portanto neste post tornar evidente que tal não é bem assim e falar um pouco de algo de realmente positivo ligado à implantação da liberdade no nosso país.
Receei que atendendo à conjuntura actual, tal não fosse tarefa fácil, mas uma conversa casual com uma rapariga da caixa de um super-mercado fez-me mudar de opinião.
Notei que a dita tinha facilmente atendido num inglês muito correcto um turista que estava a pagar as suas compras. Quando chegou a minha vez elogiei a sua boa pronúncia, ao que ela respondeu "Obrigado, quando estudei esforcei-me nas línguas, sempre quis ir para fora e o inglês é essencial!".
Na verdade essa foi uma das conquistas do 25 de Abril. Deve-se elogiar o facto de hoje em dia ser vulgar encontrar portugueses jovens com grande apetência para falar línguas estrangeiras.
Nesse capítulo inspiramos inveja a muitos países europeus, nem a Suécia ou a Alemanha nos conseguem ultrapassar.
Apesar de após o 25 de Abril a qualidade do ensino se ter degradado muito e ser ainda comum encontrar pessoas que mal sabem escrever ou ler (só que agora mesmo com graus académicos), nunca o povo português esteve tão bem preparado para emigrar.
as manhãs reapareceram com as cores fulgurantes do azul do céu e o dourado do sol, que sem aquecer os corpos, iluminam as caras curtidas dos lavradores que resistem ainda, e se apressam a aproveitar estas tréguas que lhes dá o Outono, sabendo-as de pouca dura; velhos, mas de cores sadias, a mostrarem que há muito " mataram o bicho ", e há muito tempo, ainda muitos de nós dormíamos, estão no seu posto - nesta altura do ano, em cima dos altos escadotes, no labor da poda. Breve, as videiras começarão a mostrar verdes rebentos , promessas das parras que farão o aconghego dos cachos a nascer lá para os começos da Primavera.
E o frio que se faz sentir combate-se com as fogueiras alimentadas pelos ramos assim cortados. As cinzas que delas ficam, essas vão voltar à terra, que melhor estrume não há.
O mundo está feito para o pessoal médio. Até os impostos.
via O Insurgente.
num momento em que para as bandas do Mondego vejo nuvens escuras; tempestade, pela certa...
- Vós e os vossos maus presságios; logo agora que na minh'alma procuro as lembranças que do meu príncipe lá moram. O meu senhor que tanto me tarda...
- Atendei ao que vos digo, que mo segreda o coração; a tormenta vem a caminho...
Cavaco anda aborrecido, com e sem razão. Com razão, porque os seus não o informam acerca do que se passa, negando-lhe assim, os essenciais elementos para o jogo político a que se dedica. Sem razão, porque neste jogo, tanto pode perder, como ganhar. Foi exactamente para isso mesmo que se fez eleger por um em cada três portugueses. São episódios que de longe vêem e a que sua excelência dá plena continuidade, como lição da história.
"(...) O Partido Republicano não tem emenda. O Partido Republicano está cada vez peor. E. isso, sendo um grande perigo, é, ao mesmo tempo, uma verdadeira afronta ao paiz, onde o Partido Republicano procede como se fora um exercito invasor. Isto é d'elles. Mas é d'elles à má cara. Mas é d'elles a ferro e fogo."
H.C., Jornal Povo de Aveiro, 3 de Maio de 1908.
Qualquer tipo de forma de governo adaptada para a preservação da Liberdade nos tempos modernos e por forma a evitar os erros calamitosos que a propagação do republicanismo democrata pelo Mundo têm provocado a esta causa, deve basear-se em 4 premissas:

1- a maior quantidade possível de liberdade pessoal (de um ponto de vista razoável e racional) deve ser preservada e protegida, visto que a liberdade é parte e parcela do Bem Comum;
2- o sistema partidário deve ser abolido devido à sua tendência e deriva totalitarista;
3- a luta ideológico-filosófica, que não pode ser parte constituinte da orgânica da máquina governamental, devido às suas incompatibilidades, tem de ser relegada para o plano privado;
4- a vontade da maioria não tem o direito de prevalecer sobre o Razoável e o Útil; a perspectiva utilitária e os valores racionais devem ser subordinados à Ética e à Religião;
Com base nas três primeiras premissas, E.v. Kuehnelt-Leddihn propõe que se estabeleça uma "igualdade" constitucional entre um Corpo Representativo Corporativo e Popular e a burocracia Executiva e Administrativa.
Os membros da Câmara (ou Dieta, ou Corte) corporativa são eleitos livremente. A Administração (e por conseguinte o Executivo) consiste em funcionários provenientes de todas as camadas da população, escolhidos com base num processo competitivo de exames e dois ou três anos de estágio onde serão avaliados de acordo com a sua habilidade e conhecimentos.
Os Partidos, obviamente, poderão constituir uma base idológica que terá oportunidade de propagandizar as suas ideias e influenciar a política na Câmara Corporativa.
O último orgão, que tem um representante na Câmara, é o Supremo Tribunal (ou Tribunal Constitucional) constituído por membros designados pelas universidades (presume-se que pelos departamentos de Direito) e por representantes das religiões (ou Religião), cuja função é examinar a concordância das Leis com a Constituição e a Lei Moral e Ética.
Os dois departamentos do Supremo Tribunal tem um direito absoluto de veto sobre as propostas de Lei da Câmara e dos projectos-Lei do Executivo, sendo que tem direito, pelo seu representante parlamentar, a apresentar moções e propostas.
O Chefe de Estado será, preferencialmente, um Monarca, visto este reforçar a ideia de continuidade nos trabalhos do Governo e também se poder constituir como membro "desinteressado" capaz de votar contra o Executivo ou a Câmara, caso estes dois órgãos entrem em clivagem.
É evidente que todo este sistema, na opinião de Kuehnelt-Leddihn, tem de se basear em numa Constituição que defina e limita as prerrogativas e poderes do Estado. As liberdades humanas devem ser salvaguardadas em documento escrito, com diligência.
Segundo o autor, após expressas as dificuldades de implantar em países de cultura católica o modelo parlamentar protestante, deve-se aplicar o modelo federativo ao invés do democrático.
Assim, prefere-se o modelo Corporativo porque, quanto mais pequena a unidade, mais fácil e aconselhável é a aplicação da Democracia, evitando-se o aninomato de massas e a irresponsabilidade dos eleitores.
A exigência de qualidade nos órgãos Executivos, escolhidos por avaliação das suas capacidades em vez de eleitos, prende-se no princípio Liberal, e não democrático, da preservação das Liberdades e do Estado de Direito. Sabe-se que as massas, por norma, são inimigas da Liberdade. Um Governo elitista, um Executivo arrogante devido à sua escolha por prestígio em vez da eleição, deverão ser defeitos facilmente evitados na governação do país se a Constituição lhes limitar os poderes de forma a os terem em menor parte que os actuais regimes parlamentares.
Para Erik von Kuehnelt-Leddihn, o que um Liberal (o autor escreve libertarian) mais deseja é um governo mínimo e estável, justo e eficiente. As actuais democracias providenciam governos oversized instáveis, justos e ineficientes, enquanto que as ditaduras totalitárias do século XX sempre foram modelos de governo máximo, estável, mas injusto e só ligeiramente eficientes.
O nível exigido a um estadista é, hoje, superior, muito superior, ao que alguma vez foi necessário, por exemplo, para a condução e acordo de convenções importantíssimas para a história, como a de Viena em 1815.
No entanto, diplomatas do nível de Metternich, Talleyrand e vom Stein são cada vez mais escassos.
A escolha entre o amadorismo democrata e o profissionalismo "federal" é, por fim, exemplificada por Leddihn num último exemplo:
Imagine o leitor que está num barco, navegando os Mares do Sul, a milhas da costa, e repentinamente sofre um forte ataque de apendicite, necessitando urgentemente de uma cirurgia. A bordo está um doutor com o pior dos possíveis aspectos, bêbado de fama, de mãos trementes e óculos embaciados.
Com ele viaja um jovem brlhante, de qualidades deliciosas, filósofo, bom conversante, pintor e pensador, que nos merece a total aprovação e admiração.
A quem confiaríamos o bisturi?
A resposta a este enigma, além de trazer na resposta, dependente de cada um, a solução entre democracia e o mérito, traz também a resolução da dúvida entre a república e a Monarquia, e a razão pela qual o mais medíocre dos Monarcas, treinado para o seu cargo, terá uma incrível vantagem sobre qualquer admirável amador popular da república.
mesmo sem grandes peelings, pode continuar a ser bonita. Ao contrário do que dizia Helène de Beauvoir, nem sempre a jeunesse é sinónimo de beauté "
Não sei se está ciente disso, João Pedro, mas com este post acaba de acariciar o ego das mulheres que têm mais de 40 anos :).
At the bottom of the Great Depression, Premier Salazar laid the foundations for his Estado Novo, the "New State." Neither capitalist nor communist, Portugal's economy was cast into a quasi-traditional mold. The corporative framework within which the Portuguese economy evolved combined two salient characteristics: extensive state regulation and predominantly private ownership of the means of production. Leading financiers and industrialists accepted extensive bureaucratic controls in return for assurances of minimal public ownership of economic enterprises and certain monopolistic (or restricted-competition) privileges.
Portugal - Economic Growth and Change
O meu muro. Com direito a fotografia, porque ainda lá está, tão importante foi naquela altura.
Mas depois que li o que encontrava por detrás do seu já não o vejo tão excitante Mais vazio de calor humano, não o muro, mas aquilo que permitia ou não viver. Lindo o que estava do outro lado, claro, mas, ao contrário do seu, não era o " abre-te Sésamo " que dava ocasião a essa interacção entre os que viviam do lado de lá e os que passavam deste lado.
Querido pai,
Em resposta ao comentário que deixaste a propósito do inefável Costa de outros tempos, tenho a certeza de não perfilhar do patético ponto de vista dos republicanos que há perto de cento e vinte anos vinham a prometer o bacalhau a pataco e a súbita transformação de Portugal numa segunda Bélgica - que até era e é uma monarquia - ou pelo menos, numa Suíça à beira-mar. Não me parece que a simples modificação da forma de representação do Estado possa ser a solução para muitos males que todos vivemos diariamente.
A monarquia só terá razão de ser, se isso significar uma profunda alteração da vida do Estado e da sua forma de organização e participação cívica. Não podemos ser injustos ao ponto de oitocentistamente acatarmos a atoarda que já vinha dos tempos do abade Correia da Serra do "mau material humano" da pátria. É até indecente afirmar tal coisa e fazê-lo, apenas ajuda os meliantes que fazem correr o criminoso marfim arrancado sabe-se bem como e onde.
A instauração da monarquia - nada existe para "restaurar" -, deverá ser acompanhada por uma demolidora machada na partidocracia. Não se trata da liquidação do sistema representativo, mas sim da eliminação daqueles aspectos que o perverteram e vão transformando a democracia no principal foco de descrença popular. Assim, algumas alterações impõem-se como incontornáveis:
1. Um novo redesenhar do mapa eleitoral, com a drástica diminuição do número de deputados (talvez Portugal suportasse perto de 160), eleitos uninominalmente, com a conveniente adopção de uma paralela lista nacional mais restrita, para as chamadas minorias que não podem ficar cerceadas dos seus direitos. A proximidade entre eleitos e eleitores é essencial para a credibilização do sistema e os partidos ver-se-ão obrigados a deixar muito do lastro que tem minado o regime e desprestigiado o Parlamento. No Reino Unido, o sistema - muitas vezes acusado de injusto - funciona desde antes dos tempos da nossa Monarquia Constitucional e tem sabido adaptar-se a todas as inovações no âmbito político e social. Simplesmente, é coerente, sólido e serve.
Um dos problemas que hoje se verifica e que carece de rápida resolução, consiste na prática inexistência do princípio da separação de poderes. de facto, o Parlamento, a chefia do Estado, os Tribunais, estão de tal forma envolvidos no jogo da influência partidária, que o resultado é desastre com que nos deparamos. Ainda haverá quem tenha ilusões quanto a isto?
2. Uma segunda Câmara onde se encontrarão representantes de todos os partidos da Câmara Baixa, mas essencialmente composta por entidades nomeadas pelas Academias, Institutos de âmbito social, económico e cultural, não esquecendo entres todos estes o mundo científico, laboral e empresarial. É a esta Câmara que competirá a avaliação dos grandes projectos públicos que jamais poderão ser objecto - como ciclicamente vamos sofrendo - do eleitoralismo de ocasião. De um momento para o outro talvez poderemos acabar com as adjudicações sem concurso, esbatemos o problema das derrapagens orçamentais, os tráficos de influências e a extemporaneidade de certas obras de circunstância. Composta por técnicos de gabarito - em Portugal existem em quantidade, qualidade e de uma honestidade profissional reconhecida internacionalmente -, "ditarão" o que convém e não convém ao orçamento, ao país e ao contribuinte.
3. Um reordenamento territorial que convém e é urgente. Não se trata de balcanizar o país, mas sim, de sairmos do ciclo infernal que confunde obras públicas com o poder local a reeleger a cacicagem do costume e que consome ingentes quantias em inutilidades que endividam o país, destroem o ambiente e adulteram irreversivelmente o património. Talvez devêssemos estudar criteriosamente o que se passa em alguns países, entre os quais a Alemanha parece ser um exemplo interessante. As zonas regionais estarão aptas para cercear caprichos, megalomanias de potentados e pelo contrário, podem desfazer mitos que vêm do tempo do herculanismo que inventou um municipalismo de sonho de outras eras que jamais existiram. De facto, tratar-se-á de liquidar aquilo que a Revolução Francesa - com a sua sanha destruidora e centralizadora - exportou para a Europa do Sul. Quando suprimiram os velhos Parlamentos regionais, os revolucionários procuraram apenas a concentração de poderes que reflexivamente, também proporcionou uma maior coerência ao todo que compunha o Estado, desde a padronização das medidas, etc. No entanto, se queremos construir a tal Europa dos Estados, devemos repensar seriamente no modelo da própria organização interna de todos e de cada um, entre os quais apenas nos interessa Portugal. Em Espanha, por exemplo, verificamos que dada a composição do país, a situação é confusa e em nada poderá parecer-se com a nossa, sendo o peso demográfico castelhano, esmagador e decisivo. Tudo o mais, parece ser um simulacro de independências impossíveis e no fundo, pouco queridas.
4. O posicionamento de Portugal no mundo.
Acabada - ou em vias disso - a ilusão do El Dorado dos fundos comunitários, há que regressar rapidamente ao nosso espaço natural, teoricamente tentado e sempre propagandeado pelo Estado Novo, mas sem que nunca se tenham dado os passos decisivos nesse sentido. O Atlântico que já vem desde o fim dos "fumos da Índia", a parceria apertada com o Brasil - que só pode beneficiar ambos -, uma política realista e desapaixonada com todo o Ultramar africano e o aproveitamento das oportunidades imensas que a Ásia oferece.
Estamos numa situação muito precária: ao contrário de 1640 e de 1926, já não temos Império que nos valha, embora exista o precioso património dele decorrente.
Não consigo imaginar outro quadro possível para a própria salvação do Estado português, neste momento em face de iminente perigo de declínio irreversível que o conduzirá à insuficiência e colapso final. O problema que agora se coloca, é que não podemos ter ilusões quanto à nossa capacidade solitária de acção. O mundo mudou e devemos aproveitar ao máximo as parcerias com os Estados emergentes.
Não acredito no interesse ou na capacidade dos actuais agentes políticos, preocupados apenas com o fait-divers da vida de cada um ou do grupo restrito - ou não - das relações mais próximas. Não se interessam com o amanhã, não conhecem a História dos seus e do todo, são ignorantes e ostentam uma insultuosa arrogância que lhes permite passar incólumes por todo o tipo de canalhices, faltas de vergonha e de dignidade pessoal. E tudo isto por causa de umas "fatiotas de marca", este ou aquele bólide de lata ou a vaidade de uma ribalta que aos demais pouco interessa. Simplesmente, esta gente não vale, porque não serve. A actual política prejudica enormemente quem quer e pode fazer, especialmente num país com tão escassos recursos. Pouco nos deverão importar os modelos internos vigentes nos nossos parceiros naturais, sejam eles o Brasil, Angola, Venezuela ou Timor-Leste. O nosso interesse terá para eles imenso valor, se também os servir. Conhecemos as deficiências quase intransponíveis que eles sofrem e em sectores importantes, podemos servir perfeitamente. A actual política de subalternização - sempre patente nas famosas Cimeiras Ibero-Americanas - consiste numa vergonha que pode ser ultrapassada. Nem sequer temos o direito de depredar aquele património que já não é apenas nosso, mas que também pertence a um importante conjunto de países, entre os quais avulta um dos cinco gigantes mundiais. Há que ousar, ou pelo menos tentar.
5. O Chefe do Estado.
Um dos argumentos de recurso contra a monarquia, reside na imaginada ou possível incapacidade do monarca. Lembramo-nos todos daquilo que era apontado a João Carlos antes de ascender ao trono espanhol. Todos conhecemos a opinião pessoal de muitos, acerca de Alberto dos belgas ou de Carlos XVI da Suécia. Contudo, o sistema funciona e a figura do Chefe de Estado é a garantia do próprio edifício que o conforma, em todas as instituições que a separação de poderes consagra. Não precisamos de génios, nem de exibicionistas - escuso-me a apontar nomes que se sentaram no cadeirão presidencial belenense -, mas sim de alguém descomprometido e capaz de significar algo de perene para a esmagadora maioria. O actual residente de Belém, célebre pelo mutismo, inabilidade e ausência aparente, já provou à saciedade que não serve, porque simplesmente não pode. O sr. Cavaco Silva é apenas um talismã de uma mão cheia de lunáticos que sonham na liquidação do sistema parlamentar, em prol do poder pessoal, para o qual - previsivelmente - se disponibilizarão a assessorar. A blogosfera está cheia deste tipo de ilusionismo que nem sequer o já longínquo e por eles oportunamente ignorado exemplo do Sidónio, prece servir como lição. Como se Cavaco tivesse aquela bagagem essencial e multifacetada que fizeram de um Charles de Gaulle aquele ente ideal que num momento preciso e irrepetível regenerou a França derrotada em 1939-45. Cavaco não tem aquele acumular de aptidões e conhecimentos que lhe permitam o almejado poder pessoal que Napoleão III soube merecer e conquistar. Queiram ou não, Cavaco é uma parte do problema - que ajudou a criar - e não a solução para o mesmo. Os que o antecederam em Belém, brilharam exactamente pelo oposto e não sei se valerá a pena inventariar as estórias que correram e que correm, ou as vergonhosas omissões impostas por uma censura que existe, porque a informação pertence ao círculo do poder instituído. Pouco faltará para a chegada de inspecções policiais aos palácios do poder. O que lá encontrarão, podemos calcular...
Luís XIV era um génio, como o foram D. João II, Filipe II, Carlos III ou Bonaparte. No fundo, o sofisma republicano tem bem reconditamente implícita, a procura do ente providencial que no século XX, Salazar conseguiu durante algum tempo corporizar. Como se o Fontes - com todos os problemas decorrentes de um país recentemente saído da descolonização brasileira e de longas lutas civis -, não tivesse conseguido estabilizar as instituições, criar riqueza, modernizar e iniciar a educação cívica?! Sem ditadura, abolindo a Pena de Morte, criando as infra-estruras essenciais, abrindo academias, politécnicos, etc... Uma história convenientemente esquecida, infelizmente.
A Geração de 70, balofa - para não dizer miserável - cópia importada das alfurjas douradas e cheias de espelhos dos salões parisienses - e dos bordéis bordeaux onde se acotovelavam os crânios do politicamente correcto da época -, foi do pior que este país produziu. Criou um terrível trauma colectivo que fez estampar em milhares de páginas a descrença, maledicência, incompetência funcional que alicerçaram o indecente pessimismo em que um povo inteiro vive. Belos textos literários - simples curiosidades, muitas vezes escrivinhados pelo preconceito ignorante - sem qualquer correspondência com a realidade que verdadeiramente interessa ao progresso, ou seja, a praticabilidade dos programas que a estabilidade institucional impõe, ou melhor, dita. Envenenaram o final do prometedor século XIX do progresso material, liquidaram o nosso século XX e deixaram como pestilencial aragem, a Segunda Geração de 70 que hoje manda. Escandalosamente ignorante, tachista e ciosa dos pergaminhos passados pelas sinecuras a que se alcandroou, consiste um verdadeiro atentado à segurança nacional. Odiando a hierarquia, é dissolutora da própria razão de ser dos portugueses, é uma má educadora de crianças, viciosa no desprezo com que trata um passado infinitamente mais valioso que o presente que ela encarna. Muito mal tem feito à educação dos teus netos e se não o fez em relação aos teus filhos, tal se deveu à tua abnegação e firmeza. Aldrabões, exibicionistas, ignorantes, invejosos e mesquinhos, poucos são os epítetos a que possam escapar. Aliás, o lema desta Segunda Geração de 70 bem pode ser "Não Vale Ultrapassar".
Muito fica por dizer, mas a carta vai longa. Contudo, creio bem que a monarquia, por si, não é a solução para tudo. Não pode ser apenas a monarquia de cortar-fitas. Mas serve como porta essencial para entrarmos noutro edifício. Bem podemos tentar, porque o tempo é pouco.
Beijos,
Nuno
"Ao Rei compete a supremacia do poder, o que não significa que assuma o absolutismo ou retenha na sua mão a totalidade dos poderes mas, apenas nele reside o poder de, em seu nome e no do Povo, proferir a suprema palavra de Estado. Ele personaliza esse poder e exerce-o como representante da Dinastia, em nome do Povo, e não de qualquer estrato social, poder económico ou partido político, mesmo que maioritário. Deste facto resulta, por um lado, a fragilidade da monarquia perante os totalitarismos das maiorias que geram os ditadores mas, por outro, a sua grandeza, devido à independência, ao lado do Povo, face às contigências e conjunturas temporais da política e dos interesses económicos, sociais e ideológicos.
O rei, sem se ilegitimar, nunca poderá ser o chefe de facções, de movimentos sociais ou de interesses particulares, terá sempre que procurar o bem comum e defender a independência nacional, representando o que é transcendente na ordem política."
Gonçalo Ribeiro Telles, no P D R
Os meus sentimentos, João
E ainda dizem que somos exagerados e faltamos ao respeito a "grandes vultos"... da banditagem?!
Torna-se cada vez mais difícil continuar a ignomínia do alçamento das "excelsas virtudes" dos cahmados grandes vultos da república de 1910. Se este "aspecto comezinho" - no dizer ou possível opinião do dr. Mário Soares - não chega, acrescentem-se então ao palmarés de Afonso Costa, a cacetagem, o incentivo ao crime físico com a eliminação de adversários, a censura a priori à imprensa, a fraude eleitoral, o radical cerceamento dos cadernos de eleitores, o nepotismo descarado, o ataque cerrado ao partido Socialista de Azedo Gneco - acusado de conspiração com o rei -, a promoção dos antecessores da PIDE - a Formiga Branca - e um sem fim de iniquidades. O dr. Augusto dos Santos Silva parece querer patrocinar isto na Comissão do Centenário. Lendo as notícias deste nosso "habitual quotidiano", anotamos a coerência. Vê-se!
"Ill.mº Ex,mº Srº

apenas o posso imaginar, envolvido que está em denso nevoeiro, mas no aconchego de quem, com uma manta nas pernas, e dela abrigada, gosta de ver, e ouvir, cair a chuva, um programa idêntico ao da Si, mas já com o DVD no leitor: rever o « Cyrano » , que vi pela primeira vez aqui numa sala de cinema em Braga.
Então, achei brilhante a interpretação de Depardieu, no papel de espadachim exímio, fisicamente pouco dotado, mas, lei da compensação, dono de intelecto e sensibilidade capazes de fazer apaixonar a prima, que, enganadoramente, pensava suspirar por um bonito mas vazio Christian, até que, aqui, o Luis de Gongora da blogosfera portuguesa me pôs a pensar que, nos anos cinquenta, uma outra versão mais brilhante ainda fora protagonizada por José Ferrer. Desde então tenho-a procurado, mas em vão. Resta-me pois voltar ao Depardieu...

Uma, nascida em Moçambique, mãe de duas adolescentes. Outra, nascida em Braga, com uma filha da mesma idade daquelas.
No decorrer da conversa, nas entrelinhas, pois nada é dito com esse propósito, declarado, ressaltam dois modos de educação. No primeiro caso a mãe ensina as filhas a viver em liberdade responsável, preparando-as para segurar nas próprias mãos as rédeas da vida. No segundo caso constato que deixa a educação da filha decorrer ao sabor do tempo. Penso o quanto essa forma de encarar as coisas poderá influenciar o futuro de cada uma delas.

dos poucos brasileiros que me são próximos: é mesmo muito raro ir à cabeleireira - só para cortar o cabelo ou quando vou a uma festa. E nessas poucas vezes, vou a um salão aqui ao lado, onde encontrei uma brasileira, casada com um português, que logo na segunda vez que lá fui me perguntou se gostava de música brasileira: que sim, gostava muito...; tanto bastou para que a Ritinha me dissesse ir gravar-me dois CDs que talvez não conhecesse, porque nunca os encontrara no mercado português. Não demorou muito para que mos trouxesse. Quando cheguei a casa, comprovei a veracidade da previsão: músicas de Vinicius e do Chico, lindíssimas, que nunca ouvira. Neste momento, é a Bethânia que dá voz a uma delas.
(...) Affonso Costa recebia treze contos, a título d'umas tretas, por ... sustentar, como influente republicano, como dirigente republicano, como deputado republicano, o pleito da "Companhia dos Phosporos", n'um caso escuro, n'uma infame negociata em que iam envolvidos os interesses e a honra do paiz, n'uma vil judiaria. Uma grande vergonha. Porque evidentemente, a Companhia não foi procurar o Affonso Costa como advogado. Não precisava d'elle para nada. Já lá tinha advogados e advogados eminentes. Precisava d'elle mas era como deputado republicano, e deputado republicano por Lisboa.
Ver mais no Centenário da República
Portugal é um país onde se "vive habitualmente".
Para assinalar os 500 anos da Aliança luso-tailandesa, o antigo Sião quer oferecer a Portugal uma réplica em teca de um Pavilhão a ser instalado na zona ribeirinha de Lisboa, diante da Cordoaria Nacional. Note-se que é uma grande distinção para o nosso país e apenas a Alemanha e a Suiça receberam semelhantes oferendas. Paralelamente, as comemorações de 2010 verão a edição de selos conjuntos, exposições de arte, espectáculos musicais e de dança, publicações e o início da segunda fase das escavações no Ban Portuget de Aiutáia, a antiga capital do reino, a cerca de 90 Km. de Banguecoque.
Resta saber como reagirá a sempre desinteressante CML - esteja lá quem estiver - quanto a estas coisas extra-fundos comunitários. Outra questão, será a do pouco civismo imperante na nossa sociedade, não nos custando nada imaginar o maravilhoso Pavilhão de teca e folha de ouro completamente grafitado e servindo de urinol para os do costume. Há coisas que não mudam!
Uma sugestão: coloquem a peça de arte num local mais consentâneo, como o jardim do Palácio de Queluz ou o "futuramente reconstruído" jardim do Palácio da Ajuda. Para evitarmos uma vergonha nacional.
Leia a notícia completa A Q U I, no Regabophe.
já o tinha dito. Mas não tinha confidenciado ainda que tenho, a morar no apartamento em frente, uns vizinhos do melhor que há. Brasileiros, são de uma simpatia inexcedível, sempre prontos a ajudar. Tento corresponder, claro, mas temo não conseguir acompanhá-los.
Pais de dois rapazes, um universitário já, o outro quase a sê-lo, só uma vez tive de tocar-lhes à porta: era o aniversário do mais novo, e depreendi que a casa ficara por sua conta e dos convidados. A música tocou até às tantas, e eu fiz ouvido grosso - afinal o dia seguinte era Domingo, poderia recuperar o sono perdido. E eles eram jovens...
Mas, por volta das cinco da manhã lá se foram as minhas boas intenções de aguentar estoicamente a barulheira, e fui pedir-lhes para baixarem o som. Educadíssimo, o aniversariante pediu desculpa, e o barulho acabou nesse instante.
Sei que há vizinhos chatos ( no prédio conheço dois, mas, felizmente vivem em andares bem longe do meu ), e por isso mais valorizo esta vizinhança. Além de que,quando se trata de música ligeira, estamos em sintonia- com a excepção da que ouvi naquele dia de aniversário, uma única vez, aliás - : a Bossa Nova é quem mais ordena.
A humildade de quem sabe, versus a prosápia de quem se julga detentor do conhecimento. Exemplar.

foi, sem dúvida, o que de mau fizeram à vila onde nasci; tanto, que agora só lá vou de passagem, a caminho da cidade. Pois na minha adolescência era um destino de eleição, e tarde em que não chovesse, lá estava eu, com amigos, a caminho do parque, descendo a avenida que levava ao parque banhado pelo Rio Ave.
Linda que ela era - de um lado o parque de campismo, tão aprazível, que estava sempre cheio, de portugueses e estrangeiros, do outro a piscina pública, aonde acorríamos mal o tempo permitisse. Local privilegiado para o encontro de todos nós que fazíamos daquele um verdadeiro " passeio alegre ".
Continua a haver um parque de campismo e uma piscina, mas o encanto que ainda conheci, esse foi-se, sem retorno: com a febre das construções, estragaram a nossa avenida. Prédios cor-de-rosa, a conspurcar aquela beleza natural. Criminosos, quem o permitiu...
Fui pela primeira vez à Tailândia na passagem de 1989 para 1990 e tive duas semanas tão inesquecíveis, que durante anos não consegui imaginar outro sítio onde passar férias. O país é vasto e oferece cenários únicos, desde as montanhas do norte, até às praias banhadas a ocidente pelo Índico e a oriente, pelo Pacífico.
Surpreendeu-me o civismo de um povo que visto de longe, é geralmente amalgamado naquela massa que o homem branco designa por subdesenvolvimento. No entanto, ao fim de poucas horas decorridas desde a chegada à capital, apercebi-mede uma cidade povoada por gente nova e que nas ruas exibia uniformes escolares. A Tailândia oferece ao mundo uma invejável taxa de mais de 97% de alfabetização, com tudo o que isso significa. Cai por terra a alegação do paternalismo, uma vez que este apenas funciona em sociedades iletradas, onde um profundo e escondido sentimento de inferioridade impõe o acatamento do poder daquele que é considerado como o "mais forte, mais rico e que tudo pode fazer". Todos sabem o que quero dizer.
Quando vamos a uma sessão de cinema, antes do início do filme soa o hino real que é respeitosamente escutado de pé por todos, sejam eles tailandeses ou estrangeiros residentes. Evidentemente, existe sempre um ou outro "farang" (1) que permanece impassível, sentado a comer as suas pipocas, completamente indiferente ao olhar reprovador dos demais. Às seis da tarde, estejamos onde estivermos - no centro comercial, bazar, taxi ou barbeiro -, escuta-se o hino nacional. Todos param o que estão a fazer, para um momento de silêncio que dita a normalidade do quotidiano.
Os tailandeses gostam de ver os estrangeiros em atitudes respeitosas para com os seus costumes. Lembro-me de um certo dia, quando na estação ferroviária de Hua-Lumpong (Bangkok) me preparava para viajar para o sul, ter soado o hino nacional. Como seria normal, levantei-me, escutei-o e no fim, verifiquei que à minha volta só via sorrisos. Há vinte anos os estrangeiros ainda não tinham atitudes consentâneas com o estatuto de visitantes de um país antigo e muito cioso daquilo que sempre foi. Quanto a este elementar respeito a ter para com os outros, creio que os portugueses são bastante permeáveis, adaptando-se e participando em pequenas mas significativas atenções que fazem a diferença.
Quando em 1996 passei seis meses em Bangkok, frequentei uma escola de línguas, a AUA. A minha classe de tailandês era composta por europeus e alguns asiáticos, entre os quais alguns indonésios - bastante divididos, devido à ditadura de Suharto -, japoneses, coreanos, chineses e indianos. Um dia, foi anunciada a visita de um membro da família real, uma das filhas do rei Bhumibol, sempre interessada nas actividades académicas. Recebemos algumas delicadas recomendações de etiqueta e para meu espanto, os meus colegas brancos revoltaram-se em relação a alguns procedimentos normais, entre os quais, a necessidade de permanecer sentado - ou seja, mais baixo - enquanto a princesa nos dirigia a palavra. Quando S.A. entrou, todos os asiáticos obedeceram à norma, sentando-se. Quanto aos europeus, fui o único a cumprir o estipulado, permanecendo os meus colegas franceses, americanos, alemães ou dinamarqueses desafiadoramente de pé e alguns com as mãos nos bolsos! O Miguel sabe bem do que falo.
A princesa foi percorrendo a sala, trocou impressões com bastantes alunos e pela simpatia, desarmou o desplante de alguns membros da "raça superior". Seguiu-se um pequeno repasto para o qual todos foram convidados. Todos? Não. Apenas aqueles que respeitaram as regras básicas de cortesia dos donos da casa. O único branco a deliciar-se com as iguarias de uma das mais famosas cozinhas do mundo, fui eu. Sorrindo, a filha do rei perguntou-me de onde vinha:
- "De Portugal, Alteza".
- "Compreende-se a razão pela qual o vosso país é tão respeitado na Ásia e como conseguiu manter um império durante tanto tempo"...
Foi simples. E nem sequer tive de fazer qualquer tipo de kaow-toi. Se fosse parte da etiqueta, executá-lo-ia sem qualquer problema. Não era o que há quatrocentos anos os nossos embaixadores costumavam fazer em Pequim? Ao contrário dos ingleses - que desdenhosamente o recusavam -, não precisámos de fazer guerra à China para obter Macau. Outros tempos.
(1) Farang: designação dada ao homem branco, seja ele norte-americano, europeu ou australiano.

É certo que no fim o poeta se arrependeu destes ditos, porque lhe foi dado assistir ao " depois "; e, como tantas vezes acontece, terá pensado quão verdadeiro pode ser o aforismo ' Atrás de mim virá quem de mim bom fará '.
Passaram ontem 91 anos da assinatura do armistício firmado entre as potências da Entente e o Império Alemão. A curta cerimónia na floresta de Compiègne, punha fim à hegemonia da Europa sobre o planeta Terra e inaugurava um século XX de violência e extremismos sem precedentes.
Em Portugal, um dos derrotados de facto da I Guerra Mundial, o Armistício apenas tinha algum significado para o cada vez mais escasso número de antigos combatentes, que empurrados por um regime ignóbil para uma frente de guerra longínqua, foram sacrificados ao fugaz interesse de uns quantos políticos do momento, sequiosos do reconhecimento das Potências. O Armistício e as cláusulas de Versalhes consagraram essa derrota política e militar, pois o nosso país não obteve qualquer compensação territorial e materialmente, as indemnizações foram de pouca monta. Contando reequipar a marinha de guerra - o bastião armado da I república - com alguns dos despojos da Hoch See Flotte doKaiser Wilhelm II, chegaram ao Tejo, apenas uns fracos cascos de escolta da liquidada armada austro-húngara. Compreende-se assim, obliteradas pela hodierna informação as grandes tiradas e piedosas pagelas dedicadas ao "Soldado Milhões", este conveniente esquecer que o regime vota à efeméride.
A História da participação portuguesa na Grande Guerra está ainda eivada dos mitos endeusadores da iimplacável propaganda a que o país esteve sujeito ao longo de mais de três quartos de século. Se as Memórias de Chagas ou os Diáriosde Relvas os desmentem cabalmente, as resmas de livrinhos, opúsculos e revistas que enaltecem essa autêntica saga de derrotados, impuseram a falsidade como norma. O Poder sempre viu como uma necessidade, um reescrever de uma História que lhe era e é , sem dúvida, totalmente adversa. Desde o mito de Tancos, até à "reconquista de Quionga" (Moçambique), teceram-se lendas, falsearam-se números, esconderam-se realidades. Estas ditas realidades são facilmente descortináveis no meio do autêntico matagal de cipós e trepadeiras parasitas com que o regime enredou o incauto aventureiro nestas actividades do conhecimento. Até há pouco, era unanimemente aceite como facto, o clássico duelo de um punhado de bravos que teve de enfrentar a colossal máquina guerreira engendrada pelo militarismo prrussiano e pelas novas artes de matar propiciadas pela fabulosa Revolução Industrial.
Os noticiários relatam todos os dias, casos que parecem envenenar a relação que os portugueses há muito têm com a informação. Se por vezes os jornalistas cedem de forma demasiadamente fácil à vergonha da exploração de notícias pouco sólidas na sua veracidade, servindo interesses indefinidos, noutros casos Vêem a sua actividade fortemente coarctada por poderes bem identificados com a político e as suas ramificações do "mundo dos negócios". Ontem, tal como hoje, não faltam os maus exemplos do poder de coacção que é exercido sobre quem informa e quem pretende ser correctamente informado. Até na blogosfera!
Hoje, as invasões são feitas de outra forma, iniciando-se através da pressão económica, controlo dos centros vitais de decisão na indústria, comércio, distribuição e finança. Compram-se as consciências, através da colocação de testas de ferro na direcção de empresas que vão estabelecendo a norma no nosso território. A espionagem de índole militar, tornou-se quase desnecessária, embora neste campo existam outras formas de exercício da supremacia, debilitando nas instâncias da OTAN, um dos membros fundadores da Aliança.
Um curioso artigo no jornal i, coloca-nos perante uma realidade incómoda e que persistiu ao longo de séculos. Aparentemente anacrónica, não deixa de ser um motivo para aturada reflexão.
O Tratado de Lisboa tem coisas bem pensadas (apesar dos imensos problemas e situações caricatas que apresentarei aqui).
Uma delas é a possibilidade dos parlamentos nacionais entrarem no processo legislativo do PE e emitirem os seus pareceres.
O problema é que o ritmo de trabalho do PE e das suas comissões é extraordinário, ultrapassando a capacidade laboral de quase todos os parlamentos dos países da Europa.
Para poderem manifestar-se, os Parlamentos nacionais terão de começar a trabalhar mais, emitir mais pareceres, criar mais comissões, e ter pessoal mais competente a tratar do processo legislativo.
Aquilo que uma assembleia em Bruxelas faz, com 736 deputados, o parlamento português, com os seus 260, terá de repetir, analisando e construindo a sua opinião.
E isto quase diariamente.
(foto tirada daqui)
Agradeço a todos os que me deram os parabéns, mas quero apenas dizer que me limitei a dar uma aula pontual, a convite de uma professora. Não estou vinculado em termos laborais a qualquer universidade, ao contrário do que alguns julgam. Aliás, lá vou continuando no Mestrado em Ciência Política, com aulas das 18h às 22h, após cansativos dias de trabalho.
Quem corre por gosto não cansa, e mesmo não conseguindo ter tempo para ler tudo o que devia e queria ler, mal de que também padece a Silvia, lá vou entre Dan Brown e Saramago, entre o estudo da Democracia na teoria e na prática, passando pelos gurus da actualidade do pensamento e da prática da política interna e internacional, sentindo que estou a aprender algo de útil, quanto mais não seja apenas para enriquecimento intelectual pessoal, enquanto simplesmente por puro prazer e vocação - ou falta dela - julgo que posso transmitir algo a outros. Continuo a nunca me espantar com a minha própria ignorância, de quem todos os dias admite que só sabe que nada sabe, em especial quando de queixo caído fico perante a magistralidade e genialidade de que ultimamente tenho sido espectador privilegiado.
Porque ainda ontem em jeito de brincadeira um músico e professor de piano me dizia "os cientistas políticos sabem tudo sobre tudo, mas não sabem fazer nada", sou forçado a fazer alguma coisa durante o dia, para poder continuar os estudos que prossigo para almejar saber um tudo nada sobre muito pouco daquilo sobre que só sei que nada sei. Agora percebo quando há tempos alguém me dizia que muitos de nós se estão a tornar "intelectuais proletários".
Noto que nos continua a fazer falta um crítico sentido de competição e de qualidade, de incentivo e de aposta no risco que é a inovação, à medida que uma certa ideia de universidade se perde no enorme buraco negro criado pelas forças burocráticas centralizadoras que esvaziam os significados e o simbólico da tradição, tudo em prol da massificação e da igualdade, que a mais das vezes apenas disfarça a mediocridade, alimentada pela bolorenta ideia da sebenta e dos manuais por que todos nos guiamos, e dos quais não nos queixamos, até porque para muitos facilita o mero objectivo de obtenção do canudo por via do decorar e despejar matéria.
Continuamos sem perceber, como explicava Hayek, que é impossível calcular todas as necessidades e fazer funcionar qualquer sistema dirigido centralmente de forma planificada. Não percebem que destroem as tradições e perdem os que poderiam usar essas tradições para a inovação e para a schumpeteriana destruição criativa. Em vez disso, continuamos a seguir o mito do racionalismo construtivista que nos leva à servidão voluntária. Continuamos apenas na caminhada cega e dirigida em passo acelerado na direcção do abismo. Valham-nos algumas luzes. Enquanto essas houverem, não há iluminação cega a que não possamos resistir com o sincretismo e o reconhecimento dos limites da razão.
O sr. Cavaco diz-se preocupado com o processo Face Oculta. Mas porquê? Com um nome destes, deve ser coisa de bares de alterne. Ou será que dentro do local existirá uma casa de banho com uma porta secreta, a lembrar outros "casos pendentes"?
tem-se esvaziado bastante e a tibieza para intervir tem sido evidente ( ... ). Contudo, a própria existência da monarquia confere um sentido e uma identidade mais proeminente a uma soberania. Mas para isso penso que teria de haver um conselho de Estado ou uma câmara alta não sujeita ao sufrágio universal e que garantisse a execução da constituição com poderes acima dos dos Parlamento. (... ) Homens da envergadura de D.Pedro V. assim como de seu pai D.Fernando de Saxe Coburgo não sei se alguma vez poderão voltar a existir mesmo preparados para isso desde o berço. Sou um monárquico muito céptico e creio que muita coisa mais terá de mudar para além de e antes de o regime de soberania. Mas quem sabe se esta conjuntura de caos e crise não se tornará favorável a grandes alterações? " escrevia o Pedro há tempos na caixa de comentários.
Hoje, no dia em que se comemora mais um ano daquele fatídico dia 11 de Novembro, tenho ainda esperança - se não fôr para amanhã, para um futuro ainda incerto - que uma educação orientada, desde pequeno, no Sentido de Estado, do Bem Fazer, que tantas glórias trouxe a Portugal no passado, torne possível o despontar de um príncipe, e não me refiro apenas à hereditariedade, a orientar um barco à deriva. Em suma: um Homem do Leme com fibra.
Maria Filomena Mónica é uma mulher bonita, elegante e não a conhecendo pessoalmente, parece-me acessível. Tem um certo ar de outros tempos, num misto de Marlene e de Deneuve, mas sem a frieza coquette da primeira ou o arrogante e desdenhoso olhar da gaulesa. Excelente comunicadora, é expansiva, ri com facilidade e o seu fácies expressivo testemunha aquilo que sente e a certeza do que diz. Não parece portuguesa porque exala optimismo, coisa tão afastada do clima que há tanto tempo se vive no nosso país, como se de uma longínqua galáxia se tratasse.
Ontem, tive o prazer de assistir à entrevista concedida a Mário Crespo, na Sic Notícias. Comentando a biografia que escreveu sobre o grande homem que foi Fontes Pereira de Melo, Filomena Mónica mostrou uma total independência perante o comodismo académico ainda preponderante, dizendo de forma clara e inequívoca, estar o país a sofrer há mais de um século, o abusivo relato de uma história falseada, porque inexistente. Referindo-se ao período que a obra estuda - a Monarquia Constitucional - e comparando-a com o regime que se lhe sucedeu - a 1ª república -, a autora foi incisiva na afirmação daquilo que hoje se tornou impossível de esconder.
Disse uma grande verdade e tão incómoda quanto impiedosa: a inelutável lei da natureza, vai fazendo desaparecer os promotores de uma historiografia oficial que ao longo de cento e cinquenta anos se acirraram na promoção da ficção de uma história nada científica e apenas fundamentada no dogma, alinhamento partidário ou mero fanatismo de grupo. Em suma, os lóbis que se vão sucedendo no poder, vão amesquinhando o todo nacional, em benefício do arrivismo mais atrevido e seguidor de figurinos importados pela conveniência clubística do momento.
Todos sabemos que a Monarquia Constitucional consistiu no mais longo período de normalidade daquilo que o preceituado da cartilha liberal pressupunha. Fizeram-se todas as reformas necessárias que adequaram o país aos novos tempos anunciados por uma Europa saída do caldeirão fervente da agressão napoleónica e sem um rumo ainda bem definido, mercê da destruição da velha ordem pré-revolucionária e da derrota militar do imperialismo rapinante do Corso.
Estradas, caminhos de ferros e infra-estruturas correspondentes - pontes, túneis, portos, entrepostos comerciais, mercados -, abolição da Pena de Morte, modernização do sistema eleitoral, simplificação das medidas e sua normalização "à europeia", fomento de indústrias e promoção do conhecimento científico, eis sucintamente, o programa que foi sendo executado em Portugal ao longo de mais de três décadas. Uma autêntica revolução material e nas mentalidades, surgiu como possibilidade modernizadora que aproximaria Portugal de uma Europa que começava a descobrir as potencialidades de um Ultramar pelo qual se digladiaria. Independente o Brasil, Portugal prosseguiu fortemente ligado à antiga possessão além-mar, mas a África tornou-se numa outra possibilidade de expansão, onde o país contava com direitos históricos, tenuemente garantidos pela presença em presídios costeiros e tácito reconhecimento in absentia por parte de outras potências.
A derrota da França em 1870-71, criou uma situação de status quo territorial na Europa, implicando paralelamente, a corrida aos mercados que no além-mar prometiam ser o sorvedouro dos produtos da recente industrialização. Fontes foi o Presidente do Conselho num momento em que existiam os capitais estrangeiros destinados ao investimento em economias que pretendiam a modernização. Países como Portugal ou a Rússia a eles acorreram, conseguindo criar as bases de uma modernização urgente porque imperiosa para a própria segurança internacional dos Estados. A adequação do modelo social em todas as suas vertentes - movimento sindical, sistema eleitoral ou o despontar dos compromissos sociais patrocinados pelo Estado - suceder-se-iam normalmente.
Maria Filomena Mónica é uma boa comunicadora, de fala simples, incisiva e compreensível para a maioria dos interessados. Ontem, ousou dizer a verdade que geralmente anda tão afastada das crenças enraizadas por sucessivas gerações de eternos e privilegiados pensadores do pessimismo que amolece a nossa gente, destrói a consciência nacional e impede a verdadeira autodeterminação de cada um e de todos. A autora prestou um relevante serviço ao país que importa.
revisitar Potsdam, a poucos quilómetros de Berlim, refúgio preferido de Frederico II, O Grande.
É no Neues Palais que mais se sente a presença do grande militar que , ao triunfar na Guerra dos Sete Anos, torna possível o Império Alemão, que irá fazer frente à Áustria dos Habsburgos, ou não fora a construção deste Novo Palácio a forma de celebrar a vitória, o que ficou bem patente na grandiosidade barroca do conjunto de edifícios.
Mas a outra faceta deste rei vêmo-la nós no mais modesto e mais antigo Palácio de Sanssouci, onde dava largas ao seu amor pelos livros, pela música, e pelas artes em geral. Compositor com algum mérito - que comprovei no CD que lá adquiri -, não se fazia de rogado para tocar para os seus muitos hóspedes ilustres, como Voltaire, a quem convidava amiúde, na ânsia de deles receber o alimento espiritual que calaria a curiosidade de um génio aberto ao conhecimento e à novidade.
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Todos os testemunhos fotográficos testemunharam a imponência dos funerais do rei D. Manuel II. Assustando o "regime da situação" na sua nova vertente de salvação do 5 de Outubro, comboios encheram-se de gente que de todos os pontos do país afluiu à capital, prestando aquela que desde o Regicídio, seria a maior homenagem pública de que havia memória. O corpo do rei esteve exposto em S. Vicente por um dilatado período de tempo, tal a dimensão da manifestação de pesar. Isto encontra-se testemunhado por reportagens imparciais, nacionais e estrangeiras, que além de centenas de fotografias e de milhares de cartas trocadas, consistiram numa justa homenagem ao monarca que ficou conhecido pelo Patriota.
Apesar desta bem conhecida verdade dos factos, ontem, tal como hoje, existia uma censura que distorcia a notícia, calava as consciências e ameaçava pelo descarado despudor e manipulação. Assim, a imprensa oficial da 2ª república fazia difundir a velada ameaça, susceptível de ser lida nas entrelinhas. Dizia que ..."os últimos chapéus altos da monarquia estavam presentes em S. Vicente de Fora. No Terreiro do Paço, toda a causa monárquica cabia em dois automóveis modestos."
Quando figuras do regime - como Mário Soares - tentam a todo o transe demonstrar o "monarquismo" do Estado Novo e e a inexistência de uma situação de república no Portugal de 1926-74, a linha editorial prosseguida durante mais de quatro décadas, desmente as patéticas, mentirosas e abusivas alegações. São bem conhecidos os movimentos policiais em torno da rainha D. Amélia, quando a soberana visitou Portugal em 1945. Escassas notícias publicadas pelos jornais da "situação" e do tolerado "reviralho", impedimento da divulgação de toda a agenda oficial da rainha, a sua discretíssima chegada de comboio à Estação de Entre-Campos (Lisboa), a gorada insistência em apartar D. Amélia do contacto popular. Conhece-se a carta da rainha a Salazar, em que esta alfinetava graciosamente o presidente do Conselho, salientando a constante "companhia" da indesejada policia política do regime. Apesar de tudo, as enormes manifestações populares de regozijo nas ruas, montras do comércio no país e em todos os locais onde D. Amélia se apresentou, desmentiram e assustaram o regime do poder e da sua oposição: o regime oficial da 2ª república e os dejectos sobreviventes da 1ª que para cúmulo, seis anos depois seriam ambos ultrajados nas ruas de Lisboa, quando do funeral da rainha. Centenas de milhar de pessoas invadiram as ruas, ultrapassando a presença popular nas pompas fúnebres de D. Manuel. Nunca mais se viu tal manifestação de pesar em Portugal.
No dia em que a oficialmente inexistente censura actua uma vez mais, convém recordar, pois este Centenário da República não passa da consagração da miséria mental a que este país chegou. Da descarada esquerda à cobarde e colaboracionista direita.
Um dia destes, ainda ouviremos os senhores Cavaco ou Soares perorar acerca da bandeira que durante mais de quatro décadas esteve hasteada na sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso. Ficaremos a saber que "oficialmente" a bandeira verde-vermelha não era a da república, mas talvez, a da Casa Gucci. Que gente...
Pelas 11h e 30m de hoje, o Dr. Samuel de Paiva Pires “estreou-se” na arte docente, ao leccionar uma aula ao 2º ano de Ciência Política sobre a vida, a obra e o pensamento de Hayek. Uma óptima prestação do nosso conselheiro mestrando que revela um talento nato para a coisa.
Berlim, 1 de Setembro de 1986
Há momentos, o telejornal da RTP mostrava a Portugal, o semblante ácido e despeitado do sr. Jerónimo de Sousa, denunciando as comemorações que hoje se realizam em Berlim. Se hoje ainda existisse a URSS, aquele que seria o potencial Quisling controlado pelos senhores da Lubianka, manifesta toda a sua revolta por essas comemorações da queda do Muro da Vergonha, terem um carácter "marcadamente anti-comunista". Mais, fala de um mundo hoje "mais perigoso e injusto, com menos democracia e igualdade". Como se aquilo que nos reserva fosse outra coisa senão isso mesmo: a miséria, a opressão e a morte a prazo?!
Mas quem são estes anormais - é o termo mais suave - que insistem na prepotência, na relativização do extermínio de dezenas de milhões? Quem é este homem que alterna uma oportuna bonomia em períodos eleitorais, com o mais profundo rancor para com uma sociedade infinitamente mais livre e justa que aquela que ele próprio e os seus sequazes insistem em querer obrigar a esmagadora maioria que os rejeita?
Visitei Berlim-leste em 1986. Uma cidade plena de ruínas da II Guerra Mundial, triste, cinzenta e onde era impossível estabelecer qualquer tipo de diálogo com habitantes que nos olhavam à distância com uma mescla de medo e curiosidade. Uma cidade policiada a cada esquina, com poucas lojas cheias de prateleiras vazias. Jamais esquecerei a experiência à saída daquele "supermercado" reservado a quem possuía numerário ocidental - os poucos turistas e a gente do Partido SED -, quando tendo comprado alguns chocolates, batatas fritas e alguns outros snacks provenientes do Ocidente, deparei com três miúdos que olhavam fixamente o meu prometedor saco de plástico. Ofereci-lhes tudo quanto comprara e não me arrependi, tendo há muito a certeza de que pouco tempo faltaria para que eles próprios pudessem ter uma vida normal, sensivelmente idêntica à dos seus irmãos da Alemanha Ocidental.
Quantas discussões na faculdade, quando em Reuniões Gerais de Alunos da FLL, alertava os garotos da Juventude Comunista para o fim próximo das suas ilusões e esperanças de engrandecimento pessoal às custas daqueles que nas ruas venceram os seus pais em 1975. Não se informavam, não liam os relatórios económicos internacionais, nem queriam saber do fortíssimo movimento dissidente que minava os alicerces do poder soviético. Aqueles meninos que gostavam de bajular os professores do PC, não acreditavam e acompanhados por docentes que hoje fazem parte do sistema rotativo, ameaçavam com a violência física e pior que isso, com folhas volantes directamente saídas das policopiadoras da Associação de Estudantes do PC. Nelas, escarradas a tinta preta que sujava os dedos de quem manuseava os papéis e as mentes de quem conseguia chegar ao fim dos textos, liam-se o tipo de calúnias que envolviam famílias inteiras, rebaixando os seus autores ao nível mais sórdido imaginável.
Era esta, a superioridade moral comunista. A RDA que em 1986 proporcionava aos seus cidadãos um nível de vida que era apenas de perto de 30% daquele que os seus compatriotas do ocidente viviam, deixou de existir. Abjecto simulacro de Estado apenas comparável ao protectorado que outrora o Reich exercera sobre a "independente Boémia-Morávia" do presidente Hacha (1939-45), a RDA coinsistia num monturo de todas as indignidades, esmagada pelo exército de extorsão e de ocupação que tudo controlava e que tinha a última palavra nos negócios do Estado. Cidades onde a decadência extrema contrastava com a opulência exibida pelos comparsas locais de Álvaro Cunhal, a RDA foi um caótico desastre ambiental, plena de lixeiras a céu aberto, terrenos e rios quimicamente contaminados, autobahns dos anos trinta que ainda acusavam as marcas dos bombardeamentos da II Guerra Mundial: ruínas a perder de vista, demolição de preciosos edifícios do rico passado arquitectónico da desaparecida Prússia e uma intencional política de submissão ao ocupante, eis a verdade que a zona de ocupação soviética expunha aos olhos do mundo.
Proveniente do até então considerado "país mais pobre da Europa Ocidental", chocou-me a quase indigência de uma população cabisbaixa, mal vestida e medrosa. Discos de música clássica a preço de saldo, sessões quase gratuitas de teatro de Brecht, uebbermensch DDR nas Olimpíadas, trabalho para todos a 300$00 por dia, eis o curto e incisivo resumo daquilo que durante mais de três décadas foi a zona soviética da Alemanha. O regime do SED, protector e financiador de terroristas de várias cambiantes, além de vigiar toda a população, conseguiu a proeza de de encerrar na sede da STASI, processos incriminadores de 6.000.000 de alemães-orientais, recorrendo a todo o tipo de violência, fosse ela moral ou física. O descarado nepotismo, o incentivo à delação, a tortura, o pagamento de testemunhos inventados, a paranóia controleira e finalmente, a criação de uma polícia política - a Staatssicherheit - que era doze vezes mais vasta que a Gestapo, garantia o despótico poder de gente que como Honnecker, no plano pessoal enriquecia com o tráfico de armas e de estupefacientes. Após a curta visita ao "mais poderoso e próspero país do leste europeu", passei a ver Portugal de outra forma e senti-me infinitamente mais rico, livre e afortunado que qualquer um dos súbditos do gauleiter de Pankow, o sr. Erich Honnecker.
Com a apressada fuga de Honnecker para a protecção do Chile do general Pinochet, a chamada RDA volatilizou-se em menos de um ano e hoje, embora existam claras discrepâncias entre os antigos habitantes ocidentais e orientais, o poder de compra atinge 70% daquele que é auferido pelos alemães da RFA. O progresso foi impressionante e sem paralelo na Europa do pós-guerra. As cidades reconstruídas, um inegável crescimento económico, o fim do medo e das perseguições e sobretudo, a auto-determinação de cada um e a reparação da injustiça da divisão imposta por americanos, ingleses, franceses e soviéticos, eis o balanço a fazer.
Os comunistas de Jerónimo de Sousa, atrevem-se a falar das "claras desigualdades" entre os alemães, procurando esconder a evidência do fracasso do modelo que os seus tutores de Moscovo impuseram ao país ocupado. Como se a humilhação da menoridade mental, o laxismo, a prepotência, a ausência de liberdade de pensar, circular, escrever ou criar fosse o que fosse, não tivesse sido da inteira responsabilidade dos comunistas? Países onde os PC's impuseram a pena de morte, o controle da circulação, a proibição do crescimento pessoal de cada um, o acesso à preferência por este ou aquele conforto, devido à apropriação dos recursos gerais por uma ínfima minoria de tiranos impostos pelo invasor de 1945. Como foi possível transformar a Prússia, a antiga e poderosa cabeça do Império Alemão, numa terra escalavrada pela humilhação, pobreza e atraso? Os comunistas conhecem a receita e o privilegiado sr. Jerónimo de Sousa - que decerto pode ter beneficiado de visitas pagas pelos seus tutores soviéticos - deve ter conhecido a verdade que ainda hoje quer esconder.
Pouco tempo após a muito aguardada e feliz morte da RDA, caía o regime de outro assassino de massas, o ditador Nicolae Ceausescu. Ladrão, torcionário, escandalosamente inepto e humanamente péssimo, caiu varado pelas balas de um pelotão de fuzilamento. O espectáculo oferecido pela TV a um mundo estupefacto, escandalizou-me, ficando a suspeitar da viabilidade da inauguração de uma democracia engendrada naqueles moldes. Hoje, ao ouvir Jerónimo de Sousa, sinto-me por uma fracção de segundo, tentado a compreender a pressa dos romenos em enterrar aquele letal passado de vergonha.
Desde sempre julguei os dirigentes comunistas, como gente cujo coração se encontra amuralhado por rolos de arame farpado. No entanto, a verdade é outra e bem mais trágica, porque o órgão afectado é afinal, o cérebro.
À parte alguns oportunistas de sempre, o dia de hoje pode muito bem ser considerado - como diz Angela Merkel -, como do Dia da Felicidade.
E aqui vos deixo o belíssimo Hino que foi do Sacro Império Romano-Germânico, do Império Austro-Húngaro e que hoje simboliza a Alemanha. Inicialmente chamou-se Deus Salve o Imperador e hoje é o Deutschland Uebber Alles. Composto por Joseph Haydn.
a nível internacional. Vi fotografias, num memorial junto à linha, bem sinalizada no chão de Berlim, que fixaram, para que não o esquecêssemos nunca, o que aconteceu às pessoas que ousaram tentar passar para o lado livre do mundo, e, por isso mesmo fico mais estupefacta ( palavra que, manifestamente, é incapaz de traduzir o sentimento de frustração ) ao ver o que se fez em Portugal com a liberdade de que desfrutamos.investindo oito anos no modelo socialista que em 1975 era já caso estudado de clamoroso fracasso, mais quinze anos de subsídio-dependência e protectorização económica face à Europa, mais dez de políticas paliativas e populistas
Caía o Muro. A liberdade triunfava sobre a opressão comunista.

Nela um pequeno edifício, uma garagem quase, de paredes de betão negro, só com um gabinete muito pequeno. As paredes estavam cheias de fotografias.
Era lá que paravam todos os carros que iam da Alemanha dita " democrática " para a ocidental. Quando lá estive, há três anos, um carro velho, azul, de portas e mala abertas, e na parede fotografias de uma mulher, de trinta e poucos anos, aparentemente, enrolada na mala desse mesmo carro, com o pânico bem visível na cara. Atrevera-se a tentar a fuga. Fica-se a imaginar o que é que lhe terá acontecido. Não é difícil imaginar.
O sempre controverso John Gray, conclui brilhantemente uma pequena obra de introdução ao liberalismo, publicada já há alguns anos, intitulada simplesmente Liberalism - a conclusão é a que o autor incluiu na edição de 1994:
"The world-historical transformations of the past decade afford no support for the Whiggish philosophy of history that the liberal variant of the Enlightenment project incorporates and depends upon. The Soviet collapse and the Chinese project of market reform do not, as contemporary classical liberal thinkers and I myself once supposed, augur the global spread of Western-style civil societies: the exemplify the global reach of market institutions - a very different matter. It may be that market institutions are functionally indispensable in any well-functioning market economy; there is nothing to show that the institutions of a liberal civil society are similarly indispensable. The rebirth, in the Eighties, of a species of classical or fundamentalist liberalism, has proved to be transitory, an epiphenomenom of political victories that were themselves ephemeral. Far from being a precursor of the universal triumph of Western liberal ideas and institutions, the events unfolding from the Soviet collapse are likely to appear, in a somewhat longer historical perspective than that adopted by Francis Fukuyama, to be the prelude to an epoch of Western decline. The ruin of Soviet Marxism was, after all, the failure of a universalist Western ideology, of a a species of the Enlightenment project; it was not the end, but the resumption of history, in forms as little likely to be liberal as they are to be ever again Marxist. I see no reason t alter the statement I made in October 1989: "If it comes to pass, the fall o Soviet totalitarianism is most likely to occur as an incident in the decline of the Occidental cultures that gave it birth, as they are shaken the Malthusian, ethnic and fundamentalist conflicts which - far more than any European ideology - seem set to dominate the coming century.
In this new historical context of early postmodernity, in which the Soviet collapse is only the most dramatic and incontrovertible evidence of the foundering of the Enlightenment project throughout the world, the liberal problematic recurs in a form that resembles in many ways that which it assumed in the early modern period in which Hobbes theorized. The task of postliberal political thought is to seek terms of peaceful coexistence among different cultural forms without the benefit - dubious as it proved to be - of the universalist perspective and the conception of rational choice that Hobbes was able to deploy as an early Enlightenment thinker. In the postmodern age, liberal cultures and liberal states must renounce any claim to universal authority, and learn to live in harmony with other, non-liberal cultures and polities. Finding institutions which can harbour cultural diversity in peace, both in the relations between states and within states, is the pluralist challenge to postliberal thought. It is in th development of a postliberal political theory that addresses this challenge that the best hope lies for salvaging and renewing what remains of value in liberal thought and practice."
e as notícias sobre o país à beira do desmoronar, como por exemplo a de que as certidões do caso Face Oculta foram ocultadas, levam-me a pensar que a mentira passou a fazer parte do seu ADN. A mentira também é um muro, e os muros derrubam-se. Como os berlinenses mostraram.
Na passada sexta-feira, foi apresentado por D. António Vitalino Dantas, Bispo de Beja, o livro "Olhares de Hoje Sobre uma Vida de Ontem: Nuno Álvares Pereira - Homem, Heróis e Santo". No repleto auditório da Universidade Lusíada de Lisboa, a sessão foi ainda abrilhantada por um concerto de José campos e Sousa e Gonçalo Couceiro, interpretando temas do novo CD "São Nuno de Santa Maria, por Portugal e Mais Nada". No átrio esteve ainda patente uma exposição de quadros de Gabriela marques da Costa, tendo como tema o Condestável.
Entre outros nomes, esta obra consiste numa antologia de textos de Alexandre Sousa Pinto, António Bagão Félix, António Manuel Couto Viana, António Martins da Cruz, António Tinoco, Cassiano Reimão, , Guilherme de Oliveira Martins, Humberto Nuno de Oliveira, Ismael Pereira Teixeira (Ordem do carmo), João Galvão Telles, Tenente-Coronel Brandão Ferreira, Cardeal D. José Saraiva Martins, Luís Adão da Fonseca, Miguel Corte-Real, Nuno Castelo-Branco, Rodrigo Roquette.
Editora: Universidade Lusíada de Lisboa e Ordem do Carmo em Portugal
por Bartolomeu de que o compositor Frederico de Freitas dedicou a sua «Marcha Heróica - Nuno Álvares » a São Nuno de Santa Maria. Procurei-a no you tube, mas não a tendo encontrado, esta sua « Suite Medieval - Cantar de Amigo » é uma forma de desejar um bom dia.
Para o comunismo não houve um Nuremberga II. Os genocidas, os torcionários, os delactores também morrem em casa, num cadeirão em frente da lareira, com manta sobre os joelhos. Escreve o Miguel. Quando sabemos que eram ( são: o comunismo ainda por aí anda, por outras paragens embora ) " todos farinha do mesmo saco ".

Quem o faz, dando voz ao sentimento de muitos de nós, é José Campos e Sousa.

levavam-se merendas e confratenizava-se com outros vizinhos de veraneio", diz, na caixa de comentários, João Amorim. Era assim a minha praia.
A criançada divertia-se a valer; além do baloiço e do prego, lembrado pela Patti, estou a lembrar-me do esconde-esconde, pelo meio das barracas, e do arranca cebolinha, em que acabávamos sempre caídos na areia, mas sempre, sempre, muito felizes.
Se continua a haver baloiços na praia de Póvoa de Varzim, pergunta JAA. Quando para lá ia a banhos, cada sector de barracas tinha dois; agora, que há muito tempo não veraneio por essas bandas, esperei que uma sobrinha, que vai em Julho para a praia, contígua, de A-Ver-O-Mar, cá viesse para lho perguntar: que sim, e que continua a ter muita procura. Não conhece já é o jogo do prego nem o da arranca cebolinha, mas numa época em que os jogos electrónicos dominam, perdura ainda alguma coisa do que vivemos na nossa infância.

Era o meu primeiro aniversário que ele passava longe; e ele era o meu irmão mais velho, que, no início desse ano, tinha ido estudar para Lisboa. Nesse dia recebi das mãos do senhor Hernani, o carteiro, um envelope amarelo, que ainda hoje guardo, e, dentro dele um postal com umas bailarinas vestidas de azul, retratadas num momento de descanso. No verso da imagem um nome, de que nunca ouvira falar: Degas. Fora ele que mo enviara.
Anos mais tarde, numa ida a Londres, na fila para entrar na National Gallery, vi que, além da exposição permanente, tinha, a troco de umas poucas libras, a possibilidade de visitar uma mostra da obra toda do pintor - claro que não desperdicei a oportunidade, pelo que, dessa vez, muito do tempo passado no museu foi a admirar as suas pinturas, mas também as esculturas que, li no catálogo que acompanhava o bilhete, vinham de vários outros museus, para, no que seria talvez um momento raro, reunir todo o trabalho de uma vida.
No fim, depois de ver a exposição a ele dedicada, pouco tempo sobejou para ver alguma coisa da exposição residente, pelo que pensei ter encontrado um bom pretexto para voltar a Londres.
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