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A Entente Greco-Russa e a Europa

por John Wolf, em 30.01.15

Russia-Greece

 

Nos dias que correm é muito fácil ser atirado para um dos campos da discussão - either you´re with us or you´re against us -, é conveniente simplificar o intrinsecamente complexo, usando para o efeito, códigos caducos, linguagem ideológica fora do seu prazo de validade. Assistimos na Europa, ou se quiserem na União Europeia (UE), a grandes dificuldades interpretativas. A Entente Cordiale que está a ganhar forma entre a Grécia e a Rússia é motivo de alarme. Pela primeira vez na história da UE um estado-membro rejeita servir-se das instituições formais que foram criadas, para, em última instância, preservar a paz. Yanis Varoufakis diz por outras palavras que já não reconhece autoridade à Troika, que aquele mecanismo não tem legitimidade para decidir sobre o destino de um Estado soberano que "por acaso ainda" é membro da UE. Não é apenas Putin que não quer perder a face. Tsipras também não irá esbanjar o que alcançou oportunamente numa Europa polarizada pela extrema direita e extrema esquerda, por anti-americanismo, assim como pelas entidades pragmáticas como a austeridade, o terrorismo, enquanto extensão ou não do Estado Islâmico.  A Europa, refém dos seus processos formais e em plena crise económica, está a tornar-se presa fácil para outra "pária". A Grécia está geopoliticamente encravada numa zona de cultura ortodoxa à mão de semear dos interesses estratégicos russos. Chipre ou a Bulgária  podem ser também magnetizados pela dissensão intencional russa. Enquanto milhares celebram efusivamente a libertação dos gregos das directivas alemãs, um outro eixo de substituição está a ganhar forma, uma outra estrutura de poder conhece já a sua cúpula. Neste contexto, e por analogia ao descalabro e à guerra a que já assistimos, a Grécia pode ser entendida como uma pré-Ucrânia. Um espaço vital onde talvez não se vislumbrem tanques de guerra e colunas de infantaria russos, mas onde outra dimensão de projecção de poder, está, efectivamente a acontecer. Os libertários europeus serão confrontados com vários dilemas existenciais, mas para já, desenham de um modo claro, um certo fundamentalismo cego, de libertação do ónus da dívida a qualquer preço. O problema é que o valor não é determinado por vontades internas, por comissões políticas nascidas nos salões de uma Europa civilizada. Quem demonstra intenções claras e inequívocas é a Rússia. Seria bom se a Europa das liberdades e garantias calibrasse sem demoras a sua posição no contexto de ameaças que já não são externas. O triângulo das Bermudas da Europa desenha-se com duas pontas agudas que não tarda irão furar as expectativas utópicas de uma comunidade europeia de crentes que ainda acredita num regresso faustoso ao estado social e às subvenções vitalícias. O nosso futuro pode muito bem estar nas mãos de Putin e Tsipras. Os primeiros passos são sempre os mais difíceis.

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publicado às 18:06

" Portugal dos pequeninos "

por Cristina Ribeiro, em 30.01.15

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Este regime político, através dos pigmeus, sem excepção, que o protagonizaram e protagonizam, foi, tem sido, pródigo em malfeitorias; difícil dizer qual a mais negra, mas hoje, talvez porque muito se discute o seu futuro, uma me martela a cabeça, que, a par de outras, não a consegue esquecer - a TAP: cresci a ouvir dizer do orgulho que ela era para o nosso país. Além de uma companhia tecnicamente superior, era uma empresa forte, muito lucrativa. Hoje, mais uma nódoa daquelas que, e como dizia Eça, nem com benzina se limpam. Mais uma página que a História irá registar, porque não a deixaremos cair no esquecimento.

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publicado às 06:18

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É que não tem pés nem cabeça

Reproduzidas por pasquim acordista, as acusações do Professor são óbvias. Carradas de razão, a meu ver muitas mais carradas das que, escrevia Silva Bastos em 1933, tinha o Dr. Ricardo Jorge " e com ele os seus pares na depuração da Língua pátria ", quando escrevia o médico que se se continuasse a " mascavação do nosso idioma cairíamos no ' Bundismo ' - tudo o que se quisesse, menos português de boa cepa. " Bastava percorrer páginas de livros, colunas de periódicos... ". Hoje esse percurso, mais do que nunca, causa arrepios.

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publicado às 05:54

Auri Sacra Fames

por Fernando Melro dos Santos, em 29.01.15

Listagem do FMI diz que Portugal vendeu ouro. Banco de Portugal nega.

 

Na mesma listagem, a Espanha terá actualmente ZERO toneladas de ouro. Banco de Espanha nega.

 

Continuem a brincar com fisgas de um lado e do outro, como putos no recreio.

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publicado às 21:46

Ensaios (884.2)

por Fernando Melro dos Santos, em 29.01.15

é janeiro. estamos em pleno defeso da epoca balnear e os portugueses, as portuguesas e os animais de estimacao portuguesos ja afluem aos saldos em busca dos chinelos que irao calçar na proxima abertura estival.

um missil russo sobrevoa baguim do monte, direito a lisboa. nao se ouvem sirenes porque os cabos electricos foram todos roubados por contribuintes nomadas de etnia romani.

quando o projectil se precipita sobre a praia urbana de odivelas, os transeuntes debatem se a culpa será de sócrates, do salazar ou de jorge jesus.

na ilha da madeira as vendas de protector solar e oculos de sol atingem maximos historicos e o IPMA declara um alerta roxo, o 19º mais grave numa escala de 20.

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publicado às 21:18

A Baía dos PIIGS

por Fernando Melro dos Santos, em 29.01.15

Crédito pela ideia: John Wolf. 

 

On October 24th, 2015, after fulfilling every promise on far-left party Syriza's political manifesto, Greece unilaterally abandoned membership of NATO.

As conflict between government forces, backed by Western mercenaries, and pro-Russian separatists spread across the Ukraine, spilling over into Moldova and Romania and forcing Hungary, Serbia and Bulgaria to polarize their stances further - the former two away from a decaying EU, the latter closer to that bloc -  Russia seized the opening from Greece, with whom it agreed on terms for the construction and development of a military port and airfield on the island of Crete. 

Shortly thereafter, and still reeling from the aftermath of "financial intervention" by the European Commission, the nation of Cyprus unilaterally declared its own divorce from the European Union, abandoning the Euro as legal tender and reverting to the Cypriot Pound, pegging it to the Russian rouble immediately. 

 

 

Creative Commons License
The Bay of PIIGS by Fernando Melro dos Santos and John Wolf is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Based on a work at http://estadosentido.blogs.sapo.pt/a-baia-dos-piigs-3505209.

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publicado às 20:16

Carta Aberta de Alexis Tsipras à Alemanha

por Fernando Melro dos Santos, em 29.01.15

Link.

 

Pessoalmente, acho que faz todo o sentido, e pouco me rala que o tipo seja Marxista. Até podia ser marciano, e isto custa certamente imenso a engolir aos betos provincianos das pseudo-direitas e das sinistro-fracturas que por cá se vão entretendo com jogos de salão.

 

Espero que não o acidentem em algum aeroporto Russo ou coisa parecida. 

 

Vergonha suprema: nem assim haver um partido em Portugal que chegue aos tomates do Syriza. 

 

Nota Bene:

Se as eleições gregas tivessem sido cá, o meu voto teria ido para os Gregos Independentes. A Grécia tem assim dois, não um, partidos com eles no sítio. 

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publicado às 16:44

Extrapolações a partir de Tsipras

por John Wolf, em 29.01.15

Greek-Philosophers

 

A crise europeia acabou, e o emprego vai crescer exponencialmente em todos os Estados-membro da União Europeia.

A Dívida Grega vai ser perdoada e a Troika vai conceder um bónus de 500 mil milhões de euros aos helénicos por terem tido uma ideia tão boa.

A Austeridade vai acabar dentro de 10 minutos e cada cidadão europeu vai receber um cheque de 500 euros para estoirar no Carnaval com a garantia de que receberá outro no Natal.

A Rússia vai retirar-se da Ucrânia e compensar aquele país pelos danos causados e oferecer  gás natural durante 20 anos.

O Estado Islâmico vai converter-se em centro ecuménico de reflexão e paz.

Os EUA vão deixar a Rússia desmontar a NATO.

A União Europeia vai ter, a partir de amanhã, uma União Fiscal e uma Política Externa e de Segurança Comum.

Portugal vai ser salvo por um novo partido de inspiração tsiprarista fundado por António Costa, Mário Soares e José Sócrates.

Os ataques terroristas, tal como acontece com as greves, deverão ser marcados com antecedência mínima de 24 horas pelas uniões sindicais que representam os suicídas.

As receitas da venda de armas dos EUA, França, Reino Unido e Alemanha vão reverter integralmente para a Cruz Vermelha, a Amnístia Internacional e o Banco Alimentar contra a Fome, que cessarão de existir e tornar-se -ão desnecessários.

O Euro irá ser adoptado por todos os países africanos descarrilando o Dólar Americano como moeda de referência no comércio internacional.

Todas as Empresas Privadas portuguesas serão nacionalizadas para compensar a Privatização da TAP e a perda de controlo sobre a PT.

Os bancos vão passar a ter filiais dentro da casa de cada família portuguesa para pôr em prática soluções de poupança e oferecer salários aos reformados e delinquentes.

As semanas laborais vão ser sujeitas a uma reforma humanitária que implicará não mais de 15 horas semanais de trabalho.

As dívidas vão passar a ser entendidas como um valor positivo civilizacional e promovidas no programa curricular das escolas.

Os partidos políticos da Extrema Direita e da Extrema Esquerda vão deixar de existir para dar destaque a uma força moderada nascida a partir de uma sociedade civil que não sabe o significado de ideologia.

E por último, eu deixarei de ter ideias tão realistas quanto estas e outras que me escapam de um modo tão flagrante...

 

 

 

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publicado às 10:31

 

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publicado às 18:41

Mr. Clusterfuck

por Fernando Melro dos Santos, em 28.01.15

 

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publicado às 16:41

Tectónica de placas

por Fernando Melro dos Santos, em 28.01.15

"In theory, Russia has 400 billions of reserves and an immense amount of oil it doesn't really know what to do with right now. Assuming they'd promise Greece their yearly oil imports for free, that would mean 8 billion euros of help for minimum cost. Reopening Russia for greek food exports, making it the only EU partner, would mean another 5 to 10 billions for Greece between direct Greek production (which would mean money going directly to part of Tsipras' political base:impoverished farmers) and considering that the rest of Eu would re-route through Greece (allowing it to reap some form of transit fee... probably in the form of import-export price spread) and an inflation damper for Russia (and bonus points for Vladimir on the internal front as saviour of the Orthodox brothers).

Appealing.

Besides: how much would be worth for Russia (or China) a vote within the EU Council? or an effective veto power within it on matters that require an unanimous vote?

of course, if anything like this would seem, not even likely, but just possible to happen, Tsipras would probably end up having a strange plane accident on a Russian airport's tarmac, or something."

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publicado às 15:41

Martim Moniz, a costa da loucura salgada

por Nuno Castelo-Branco, em 28.01.15

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 Mais um imaginativo caixotismo, prolongando o desastre urbanístico que é o Martim Moniz

 

Parece uma piada de péssimo gosto, mas não é. Consiste em mais uma loucura assentada pela calamidade ambulante que dá pelo nome de Sr. Manuel Salgado e decerto pelo seu adjunto formalmente superior, o Sr. António Costa. Implica outra série de demolições e o despejar de milhões para a construção de um edifício religioso. Leiam o texto anexo, vale a pena"libertação de edifícios e demolições, verbas saídas do orçamento municipal". E se fosse uma igreja, sinagoga, templo budista ou hindu? Seria possível esta indecente e provocadora solicitude? Depreende-se que a cada vez mais grotesca superstição laica, encontra intermitências quando convém aos comandantes de toda esta geringonça, no preciso momento em que a Europa enfrenta o maior desafio das últimas décadas. Má mensagem, precisamente quando no Martim Moniz existe uma estação do metropolitano que rapidamente transporta os crentes para a mesquita da Praça de Espanha. 

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As demolições previstas 


A cidade foi tomada a partir daquela zona, disso ninguém duvida. Desta forma a Câmara Municipal de Lisboa toma uma tão deliberada como desastrada decisão meramente política e de descarado favorecimento de facção, pois neste caso, o argumento Bangladesh não passa disto mesmo: é político.

A prepotente decisão não passa de péssima política e de um deliberado caçoar da nossa história, da nossa soberania que afinal, para Costas e adjuntos, é reversível. Por muito que procurem disfarçar, esta é a mensagem que torna anacrónico o nome da Praça Martim Moniz.

Um trecho n' "O Corvo", diz o essencial: 

"Trata-se portanto do realojamento de um equipamento já existente, onde se acrescentam outras valências importantes para a respetiva integração social desta comunidade, numa zona cuja história remete para a manutenção da presença islâmica na cidade após a reconquista cristã”"

 

Manutenção? Que manutenção? Devem querer dizer reintrodução. 

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publicado às 09:26

SYRISA E MERKEL

por Manuel Sousa Dias, em 28.01.15

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Foi esta a capa da revista do Expresso que coincidiu com a vinda de Angela Merkel a Lisboa em Novembro de 2012. A fotografia, deselegantemente dramatizada em Photoshop, era reflexo dum sentimento forte entre muitos jornalistas, políticos e gente com demasiado tempo de antena: uma Angela Merkel vampira de visita ao pais a ser sugado.

 

Parece ser com o mesmo sentimento anti-Merkel-anti-austeridade-anti-ajustamento que os noticiários vão dando conta da grande vitória do Syrisa na Grécia e de um primeiro-ministro da extrema esquerda cujo primeiro acto oficial foi prestar homenagem a duzentos comunistas gregos fuzilados pelos nazis. De Tsipras espera-se demasiado: renegociar a dívida grega, implementar medidas sociais dispendiosas para quem tem bolsos vazios e, de uma penada, acabar com a austeridade; e fim da austeridade não apenas na Grécia mas também numa vaga que se arraste aos outros países “sob o jugo” alemão – a Europa –, assim espera a esquerda dos vários Podemos, de Hollande e, já agora, de António Costa, desejoso de cavalgar uma onda que não é sua. É obra.

 

Contrariando um pouco o optimismo exagerado deste sector que espera ventos fortes vindos da extrema esquerda, diz-me algum bom senso que talvez apenas se afigure alguma benevolência no alargamento dos prazos da dívida da Grécia, pois não vejo como perdoar mais uma vez aos gregos as suas dívidas, a sua escandalosa fuga aos impostos e a sua falta de vontade em ajustar o seu país a padrões mais europeus de organização de estado e produtividade. Sim, “ajustar”, não apenas cortar, como melhor fez a Irlanda ou pior está a fazer Portugal. E não parece que o Syrisa esteja com vontade de ajustar ou cortar, a ver pelas medidas de esquerda de carácter imediato – o aumento do salário mínimo para 750 euros e cuidados de saúde universais e gratuitos.

 

Alguma coisa positiva além de um novo debate sobre a Europa o Syrisa eventualmente trará: mais exigência fiscal, incidindo, e muito bem!, “nos ricos que paguem a crise”, em particular, as grandes fortunas gregas, que são muitas, que se escapam às malhas da fiscalidade grega (as que não tiverem tempo de escapar). Se a extrema esquerda do Syrisa vai pôr os ricos alemães a pagar a crise grega ainda estamos para ver.

 

E a austeridade? As notícias da morte da austeridade estão a ser amplamente exageradas por aqueles que continuam a tentar vender a ideia que era tecnicamente possível a Portugal passar pelo processo de ajustamento e continuar a crescer, da mesma maneira que era possível pedir a um doente com uma anemia grave chegar ao fim de uma maratona com um lugar no pódio. Sim, a palavra de ordem é “crescimento”, mas utilizando uma outra palavra da moda que serve para tudo, este crescimento tem de ser sustentável. Vão chegar os milhões do Pacote Draghi e adivinha-se quem esfregue já as mãos por pensar em governar novamente com dinheiro a queimar o fundo dos bolsos. A escassez é o alicerce de toda a teoria económica. Haja alguém que, apesar da caricatura desagradável de vampira, coloque algum bom senso no dinheiro que vai entrar, que é pouco e deve ser bem gerido, por mais desagradável que este zelo nos pareça uma ingerência nos nossos estados soberanos, não é?

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publicado às 02:42

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Yanis Varoufakis, o novo ministro das finanças da Grécia, para além de greco-australiano, é consultor privado da Valve Corporation. Isto tudo não passa de um jogo. Numa playstation perto de si.

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publicado às 21:16

Algum psiquiatra deve estar rico - 4

por Fernando Melro dos Santos, em 27.01.15

O governo de coligação que nos rege e que tem gozado sempre da proteção do Presidente da República, Cavaco Silva, tem estado completamente paralisado e sem norte nos últimos meses.

 

Especulação. Não tem provas de nada. Como pode acusar assim vaidosamente altas figuras da Nação? Porquê e até quando?


Compreende-se que assim seja porque Portugal está completamente arruinado. Muitos dos nossos melhores cérebros emigraram e os que restam e têm a coragem de dizer a verdade não são ouvidos e têm os seus telefones controlados.

 

O meu telefone está sob escuta? Podia ter dito antes, poupava-me a essa dúvida. O resto eu já sabia. 


Há hoje em Portugal determinadas polícias que fazem lembrar a antiga PIDE...

 

Nisto tem toda a razão. Foi o firme recluso 44 quem melhor as dotou. 


Entre os jornalistas que são ou foram independentes há vários que perderam os seus lugares e outros infelizmente - a vida é dura - adaptaram-se...

 

São as estilhas da opressão do Huno e dos outros nórdicos. Não basta pagarem-nos as multas por excesso de velocidade, ainda incutem o medo nessa corporação neutral e objectiva que são os jornalistas, ao ponto de, pobres diabos, terem que adaptar-se de quatro em quatro anos. Ou quando a firmeza e a amizade assim o ditarem. 



Há uma ministra que tem obviamente categoria, Maria Luís Albuquerque. Mas obedece sempre ao primeiro-ministro.

 

Há uma pessoa que tem categoria, mas que me obedece. É a minha empregada doméstica. A vida é dura. 


O mais importante é que em três anos o atual governo destruiu Portugal sem mostrar ter a mínima visão que seja de patriotismo. Vendeu Portugal aos chineses e agora, no caso da PT, nada fez para evitar que fosse comprada por uma empresa francesa, quando Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, portanto uma lusófona, foi impedida, sabe-se lá porquê, de comprar a PT.

 

O Doutor saberá que a PT já não vende só telefones, correcto? As pessoas agora lêem, falam, escrevem e até se televisionam em várias línguas. Mas não era o Senhor que dizia há uns anos que é preciso apertar o cinto, leia-se vender o que temos, para mantermos o país a funcionar? E não importa que Angola seja terreno fecundo para o totalitarismo, a corrupção, e as avarias em aeronaves?

 

Falta, por último, vender a TAP, tão importante para Portugal e para todos os países lusófonos. É um governo que não tem sentido de patriotismo nem da importância da lusofonia. Pior, é, como se tem visto, antipatriótico.

 

Ah, cá está. Mas podemos vendê-la a Angola? São lusófonos e já deram provas de saber lidar com acidentes de aviação.

 

E por isso tem vindo a destruir, sem hesitação, este pobre Portugal. Nunca houve um governo no passado, mesmo na ditadura, que tivesse procedido assim.
Veremos como, depois de lhe ter pago tantos juros, vai ter dinheiro para pagar o que ainda deve à troika... Vai ser dramático...

 

Onde estava o senhor entre 1977 e 1984?

 

 

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publicado às 21:07

Algum psiquiatra deve estar rico - 3

por Fernando Melro dos Santos, em 27.01.15

Completaram-se dois meses de prisão no dia em que o fui visitar de novo ao Estabelecimento Prisional de Évora. Consegui entrar quando só lá estavam, à minha chegada, dois jornalistas de serviço. Mas à saída encontrei bastantes mais. Com certeza pagam-lhes para isso...

 

Um cão morder um homem há muito que não é notícia. E mesmo um homem morder um cão já perdeu o efeito surpresa. Tal como nem é notícia que certos jornalistas são pagos para servirem de moços de sacristia à seita moribunda que o Doutor representa, nem que outros o sejam para acolitarem cultos diversos igualmente necróticos. 

 

Sócrates está na mesma, com a energia e dignidade de sempre, e o juiz que o tem maltratado, Carlos Alexandre, não tem conseguido encontrar nada que o possa comprometer. Nada é mesmo nada! Pelo menos nunca o disse. Contudo, o ex-primeiro-ministro José Sócrates continua preso. Porquê? E até quando?...

 

Porque a Constituição, o Código Penal e o mais elementar senso comum assim o permitem, senão mesmo recomendam. Porquê e até quando é comparar por absurdo com a quantidade de detentores e ex-detentores de cargos políticos que por aí anda, à solta, sabendo todos nós bem porquê e desde quando. 

 


Dizem os advogados que o conhecem que o juiz citado é muito vaidoso. Mas sairá muito mal no conceito de todos os cidadãos que conhecem e admiram José Sócrates e que cada vez são mais neste pobre Portugal.

 

A vaidade é um pecado mortal que mina as capacidades profissionais de um juiz. A escassez lexical de Cristiano Ronaldo mina-lhe a capacidade de jogar. Não se esqueça de lavar bem a bola de cristal depois do acto.

 

Sócrates está mais firme. E eu, que sou seu amigo e na ditadura fui várias vezes preso, cada dia o admiro mais, tal como ao seu ilustre advogado, João Araújo, que com tanta inteligência, coragem e lucidez o tem defendido.

 

Alusão paleo-fálica repetida ao longo de vários parágrafos, culminando em mais uma evocação das virtudes apensas ao terrorismo, cujos praticantes insignes o advogado ilustre em tempos defendeu. 

 

 

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publicado às 20:55

Algum psiquiatra deve estar rico - 2

por Fernando Melro dos Santos, em 27.01.15

Continuação da análise cínico-clínica às mais recentes efervescências biliares de Mário Soares. 

 

Foi em outubro de 2013 que li o livro de Stephen Emmott, professor ilustre da Universidade de Cambridge, Dez Mil Milhões - Enfrentando o Nosso Futuro. Apercebi-me então do que seria a dramática situação do planeta se a ganância da globalização dos mercados continuasse, sem regras, em busca do petróleo, furando a terra e provocando trágicas consequências nos oceanos, a que infelizmente temos vindo a assistir nos últimos anos.

 

O que dirá o ilustre Emmott sobre as viagens, com direito a coima paga pelo Estado, realizadas por Soares a trezentos quilómetros por hora, em veículos movidos a petróleo extraído dos furos da ganância mercantil? 

 

Daí, seguramente, a razão por que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, um político de uma inteligência e visão extraordinárias, fez baixar o preço do petróleo por toda a parte, tentando ao mesmo tempo limitar a fúria dos oceanos e a consequente formação de gelo que este ano, excecional, atingiu as duas costas dos Estados Unidos e outros continentes.

 

Obama, cuja obra seminal inclui o advento de toda uma nova indústria visando a obtenção de energia alternativa ao petróleo (o óleo de xisto), é que fez baixar o preço do petróleo. Analisemos minuciosamente esta afirmação. 

A indústria do óleo de xisto baseia-se na criação de... furos colossais. 

Está em vias de falir, porque a maioria dos países da OPEC se recusam a reduzir a produção, tornando assim a peregrina ideia de Obama pouco ou nada competitiva. 

Ademais, quando as bolhas estoiram e com a procura em queda a descoberta dos preços corrige, é difícil que estes subam. 

Mas não, foi Obama que erguendo dois tacos de golfe bem alto, exclamou palavras arcanas e subjugou os elementos, o petróleo, e a mente do Doutor Soares à plenipotência da sua vontade. 

 

 

No ano passado, o mar, em Portugal, destruiu grande parte das nossas praias. Mas se este ano isso se repetisse - e não gostaria que isso acontecesse - ficaríamos sem praias e sem turismo.

Daí que seja necessário que os cientistas que ainda nos restam e que se interessam por esta área se imponham e responsabilizem o governo pela prevenção dos impactos negativos das alterações climáticas, que tendem a agravar-se.

Esta passagem é pouco clara e questiono-me se conterá outra cripto-referência gnóstica, como a anterior. Soares está a dizer que em vez de areia devemos deitar cientistas sobre os areais da Trafaria, ou pretende exortá-los à elaboração de uma teoria irrefutável que estabeleça um nexo causal entre este governo, os fenómenos climáticos, os buracos negros e outros perigos à espreita no Cosmos?

 

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publicado às 20:41

Algum psiquiatra deve estar rico - 1

por Fernando Melro dos Santos, em 27.01.15

Excertos da coluna de opinião de Mário Soares, o Vetusto, hoje no DN

 

A Grécia é sem dúvida o Estado ao qual os europeus mais devem antes de Roma.

 

Os Europeus devem imenso aos trilobites, celacantos, pitecantropos e a toda uma miríade de pioneiros desbravadores do negrume geológico. Dado que 99% destas espécies já pereceram, sem dúvida sob o jugo neoliberal,  obriguemos o BCE a imprimir euros para pagar vidas dignas aos pitecantropos que ainda temos.

 

Mas foi muito maltratada pela Alemanha da senhora Merkel, quando se atreveu a mandar na União Europeia e em primeiro lugar na Irlanda, por pouco tempo, diga-se, e finalmente na Grécia, em Portugal, em Espanha e noutros Estados do Sul.

 

A senhora Merkel, ao ser eleita, tornou-se dona da Alemanha? Faz-se luz sobre a amizade fraterna entre MS e Salgado, outro dono, porém não eleito. Ainda assim impõe-se perguntar se MS, com o seu dinheiro, procede de forma inversa - deixando que sejam aqueles e aquelas a quem paga a ditarem os termos pelos quais reger os serviços prestados.

 

Impôs a todos a chamada austeridade, que os foi destruindo pouco a pouco. Austeridade que mata, como disse o Papa Francisco com a sua sagacidade.

 

Aqui é a parte para alunos do 1º ciclo, ou seja, 75% do eleitorado socialista. 

 

No domingo passado tive a grande alegria de assistir à vitória de Alexis Tsipras, de quem sou amigo e que tanto admiro. Realmente, tratou-se de uma vitória impressionante, que não só muda a Grécia como vai ter um grande impacto em toda a União Europeia.

 

Miterrand está morto. Viva Miterrand. Proponho desde já ao Dr. Soares que reabilite para a vida pública outro grande e admirável impactador, Otelo, lançando-o como candidato presidencial nas próximas eleições. O calibre, passe o trocadilho, é o mesmo e já tem ampla experiência no terreno que Tsipras agora pisa. 

 

É óbvio que a vitória de Tsipras provocou reações em toda a União Europeia, por um lado de entusiasmo e para a direita uma obrigação de refletir de modo a mudar as políticas que tem vindo a seguir e, obviamente, a austeridade, que tantos malefícios tem provocado.

 

O que a Velha Glória do Exílio quer com isto dizer é que dois males não fazem um bem. Primeiro estoira-se o nosso dinheiro, depois o dos outros, mas isso por incrível que pareça não resulta em crescimento, e sim em austeridade. A matemática é uma ciência impessoal e cruel. 

 

A União Europeia está a mudar, como se tem visto, por exemplo, com a posição de Mario Draghi, ilustre economista e presidente do Banco Central Europeu. E o êxito extraordinário que Alexis Tsipras conseguiu no domingo passado vai ajudar imenso. Tenhamos, pois, como sempre disse, esperança, porque melhores dias virão. Inevitavelmente.

 

(ouve-se ao fundo um amanhã a cantar o fado)



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publicado às 20:27

In memoriam - José Freire Antunes

por Pedro Quartin Graça, em 27.01.15

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Um dos posts mais difíceis de escrever na minha vida. José, desculpa-me, mas hoje trato-te por tu, coisa que nunca fiz antes. José, fiquei sem palavras quando hoje soube, por via de um amável jornalista que me pediu umas palavras sobre ti, que nos deixaste fisicamente. Ainda não há duas semanas me disseste que voltaríamos a falar quando regressasses dos Estados Unidos. A nossa conversa foi adiada. Felizmente que durante quase cinco anos pudemos conversar. Fica essa consolação. Esta foto, que acho que não conheces, José, numa bancada quase vazia, mas onde nós nunca deixámos de nos sentar como livres pensadores que somos, diz bem o que foi e é a nossa amizade. Nunca te consegui visitar em Versailles e tu nunca conseguiste voltar a Portugal. Estou convencido que não partiste de Portugal feliz (desculpe-me Patrícia mas é isto mesmo que penso) apesar de teres contigo a tua família. Tinhas muito para dar a todos nós. Mais do que já tinhas dado, e não era pouco. Agradeço-te a tua ajuda preciosa na minha tese de doutoramento. E desculpa-me estas palavras saírem soltas, mal redigidas, quase sem nexo. Até breve José. E, por favor, não abuses do tabaco.

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publicado às 16:33

Novas realidades, as velhas certezas

por Nuno Castelo-Branco, em 27.01.15

Maechtige-unter-sich-Barack-Obama-Wladimir-Putin-u

 

 

Contrariamente ao que muitos pretendiam, o caso ucraniano  parece ter passado para um plano muito secundário nas preocupações da imensa maioria dos europeus. Sem de forma alguma questionar-se a independência da Ucrânia, a situação tem evoluído para um estado de ponto morto sem grandes avanços ou recuos por parte de qualquer um dos contendores.  Esta é a situação que agora mais interessa ao Kremlin, para já assoberbado com problemas económicos e pressões das facções que se digladiam em torno de V. Putin.

No ocidente, poucos quiseram entender quais os limites que deveríamos impor à nossa Aliança no superior interesse da paz na Europa e na evidente necessidade de podermos contar com a colaboração russa noutras áreas geográficas que constituem a vizinhança próxima e ameaçadoramente instável, ou seja, todo o Magrebe, a zona do Suez e o Médio Oriente. De nada serviram as advertências passíveis de retirar de qualquer manual básico de história, fazendo-se pouco ou nenhum caso de eventos que para o bem e para o mal, continuam muito presentes na psique russa. A natural sugestão de uma finlandização da Ucrânia - ou seja, a progressiva adopção de uma economia e de um tipo de organização política do Estado - que a aproximasse da UE, em simultaneidade com uma certa neutralização que tranquilizaria Moscovo, foi loucamente ignorada no quadro dos principais decisores na Aliança Atlântica. Cometeram-se flagrantes erros, concederam-se demasiados incentivos ou informais garantias a responsáveis políticos como Sikorski - e inacreditável audiência à sua sempre enervada cônjuge em ambicionado tirocínio para a Secretaria de Estado -, num plano tal, que muitos apontaram de imediato um recôndito desejo de revisionismo de fronteiras. Tal será possível, mas apenas com o recurso ao desencadear de uma guerra muito diferente daquela que temos em Donetsk e Lugansk. É impossível encontrar qualquer consenso europeu para uma catástrofe desta dimensão.

A ninguém passa despercebida a evocação do período imediato a 1919, com tudo o que isso significa em termos de reordenamento territorial e demarcação de áreas de influência, quando não de reservada e ainda não ostensivamente declarada reivindicação de novas fronteiras. Parece ser avisado o recurso à tentativa de uma visão mais alargada deste problema artificialmente criado logo após a liquidação da aventura soviética, quando as fronteiras foram delineadas segundo o risco arbitrariamente imposto pelo caído regime de Lenine, Trotsky, Estaline, Kruschev e Brezhnev. Ficções que serviram para formalmente garantirem uma aparência de realidades nacionais nas Nações Unidas, foram herdadas por novos Estados internamente pouco coerentes e com situações económicas agravadas pela implosão daquilo que foi o frágil mercado interno soviético. O episódio da Crimeia, já consumado e sem retorno, é apenas o exemplo mais flagrante, podendo lobrigar-se outros na zona do Cáucaso ou nas imediações da fronteira romena. O cerne de toda a questão pode resumir-se ao alinhamento da vasta região que se chama Ucrânia - não se esquecendo a Moldávia - num dos potenciais blocos em presença, ou seja, a UE e apêndice NATO, ou o regresso à esfera de influência russa. Sabe-se que o Kremlin condescenderia com uma finlandização que até proporcionaria claras vantagens políticas e económicas, afastada que estaria a ameaça militar e a ofensa a patrióticos brios desde sempre cultivados pelos russos, seja qual for o regime vigente. 

 

Na Europa, há quem tenha entendido serem os EUA o essencial elo - tem sido esta a realidade - que pode manter a pressão sobre Moscovo, conhecendo-se também a cada vez maior relutância de algumas potencias continentais - França, Alemanha e agora, ainda num plano secundário, a Polónia - no enveredar de uma declarada política de confronto directo que de antemão significa graves prejuízos para os interesses económicos e de segurança geral. Ao longo dos últimos vinte anos, os americanos têm-se paulatinamente distanciado dos assuntos europeus, apenas intervindo na ilusória esperança de poderem manter a omnipresença saída de 1945, com o recurso a avanços pontuais na criação ou resolução de crises na Europa balcânica e de leste.  Apenas um exemplo? A crise jugoslava que se desenrolaria ao longo de anos e culminaria no Kosovo. Todos já percebemos serem outras as prioridades que a ascensão da China impõe, embora a zona de segurança próxima da Europa - Cáucaso e Médio Oriente - signifique algo mais que perímetros defensivos de índole meramente militar. A verdade é outra, verdade esta que não escapa a regra económica e o reordenamento do (des)equilíbriio de forças na região onde a Turquia e o Irão passaram a ser agentes activos e muito interessados. O reconhecimento disto? Após a catastrófica queda do regime do Xá Reza Pahlavi e o resvalar do Irão para a colecção de inimigos sagrados, temos a progressiva abertura da administração Obama a um relacionamento com Teerão, ao abjecto regime dos aiatolás, logo se seguindo outras aproximações entre as quais a de Portugal - um Estado naturalmente satélite de Washington - é apenas um, entre outros exemplos. 

A crise do Euro e das dívidas soberanas, fez estremecer a já aparentemente consolidada relação de forças na Europa, com o bastante perceptível volver das atenções alemãs para leste, para a sua tradicional zona de influência forçosamente a partilhar com a Rússia fornecedora de matérias primas e de um mercado continental que ultrapassa a Sibéria e chega ao Mar do Sul da China. Apesar do patético e inútil alarido tablóide contra Merkel - imaginemos então o que seria, se em vez de Merkel tivéssemos um dirigente da categoria de Schmidt, por exemplo -, os alemães vão tentando manter a construção europeia que herdaram do período anterior à queda do Muro. Por muito que isto desagrade aos garimpeiros da mina da culpabilidade real ou imaginada, esta é a verdade. Contudo, os apressados alargamentos que consumaram a agora periclitante União, não foram de molde a conceder mais consistência ao mercado e muito menos ainda, à moeda única outrora insistentemente exigida por uma França aterrada pela reunificação da Alemanha. Atrás dos alemães que agora praticamente desarmados, não podem ser acusados de belicismo, estão praticamente todos os países da Europa central, do norte e do leste, todos eles interessados na tranquilidade e satus quo das fronteiras, ciosos pelo cuidar da economia e não descurando o fornecimento de matérias-primas onde a energia tem a parte de leão. A perspectiva de bons negócios para o longo prazo, dita a progressiva alteração das políticas daqueles Estados pertencentes a uma UE aparentemente em rápido processo de disfunção, sendo cada vez mais evidentes os interesses divergentes entre o norte e o sul, assim como entre o leste e o oeste. 

 

O regime de Putin é avesso às conhecidas realidades  políticas e sociais para cá do Óder? É, mas agora, pela primeira vez desde há cem anos, nunca os russos compraram e consumiram tanto, viajaram, leram, livremente viram e fizeram tanto teatro e cinema sem "licença do Partido". Sobretudo, estes russos investiram de tal forma, que dissiparam muitos dos receios quanto a invasões protagonizadas por tanques ou Spetsnaz caídos do céu. Putin obteve assim alguma condescendência na zona do Danúbio e talvez, nas margens do Egeu onde decerto poderá envidar  esforços para um aumentar da sua influência em países onde a ortodoxia - no laicizado ocidente europeu, o factor religioso é escassamente considerado, um tremendo erro de cálculo dos decisores políticos - consiste num factor muito importante. Além de tudo isto, os europeus estão extremamente receosos daquilo que ocorre no norte de África e no Levante, conscientes do que hoje significam as importantes comunidades muçulmanas que sem qualquer dúvida, mantêm-se bastante silenciosas ou discretas quanto à condenação das barbaridades que quotidianamente nos chegam pelos noticiários. Se se trata de receio pela pressão moral e física de minorias activistas, ou de um resignado contentamento por aquilo que pode ser considerado como um certo revanchismo relativo ao bem patente naufrágio civilizacional do islão ao longo dos últimos seis séculos, isso não podemos garantir.

Putin apresenta-se a muitos como um aliado natural, tal como outrora o autocrata Nicolau II foi ansiosamente aguardado como o salvador militar - o mito do Rolo Compressor russo - da laica e republicana França de Poincaré, Clemenceau e Ribot. Sabe-se que o sucesso no Marne em boa parte se deveu à invasão da Prússia Oriental no verão de 1914, tal como o resultado de Verdun teve muito a ver com as operações russas na Galícia austríaca. Mais tarde, Estaline apresentar-se-ia a leste, como o mais plausível aliado das ultra-capitalistas potências anglo-saxónicas muito lestas no apagar das memórias sangrentas da implantação do regime soviético, das fomes induzidas e massacres conducentes ao Holodomor, das Grandes Purgas e do Pacto de 31 de Agosto de 1939. A lealdade ocidental para com a Polónia, não impediu o ocultar da conhecida verdade - desde 1943-44 - acerca de Katyn, um pequeno pormenor no vasto panorama oferecido pela gestão de interesses contraditórios entre as potências aliadas e o poderoso José Estaline.

 

Chegou ao fim, o já longo período de transição pós-Queda do Muro. 

 

Pelos vistos, nesta Europa do início do século XXI, mais que nunca ameaçada interna e externamente, os russos bem depressa passarão a ser encarados como incontornáveis - desejados ou não desejados - parceiros. Aqui está o primeiro dado, aquele que sendo tão evidente, relevante e para alguns desagradável, parece contudo invisível para quem pretende manter a equação impossível: manter a hegemonia na Europa, dela se retirando e estabelecendo-se noutras paragens. O caso da Base das Lajes é neste contexto, apenas mais um entre inúmeros exemplos.  

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publicado às 14:35






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