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Brexit at Tiffany´s

por John Wolf, em 25.06.16

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Vou juntar-me à claque de especialistas e vaticinadores que já sabem o que advirá do Brexit. De repente os britânicos não passam de reles procriadores, de brexistas que se colocam de joelhos quando se lhes convém, ou de senhores do civismo sobranceiro - os tais donos do império que civilizou o resto do mundo. Mas deixemo-nos dos castigos e das sevícias administrativas de Donald Tusk ou Jean Claude Juncker. De nada importa reescrever a história e distribuir culpas e desleixos. A coisa está feita, feia. E os britânicos sabem, melhor que tantos, o que hão-de fazer à sua vida. Por um lado reforçarão a sua tradição transatlântica, esteja quem estiver na Casa Branca, e por outro lado poderão reavivar a sua commonwealth, mas de acordo com uma visão pragmática e económica -  penso sem grande esforço em diversos acordos de "substituição": com os Estados Unidos (EUA) ou com a Austrália. O impacto económico de curto prazo até lhes pode ser favorável - uma libra fraquita ajuda as exportações. Contudo, a separação da União Europeia vai ser um processo mais moroso do que julgam em Bruxelas. Já tivemos um referendo na União Europeia que não deu em nada. Os gregos votaram contra as medidas adicionais de austeridade, mas isso não demoveu o governo helénico de aplicar as mesmas. Nessa mesma senda de regimes e excepções, seria possível invocar esse precedente de contradição eleitoral, mas Cameron, ao contrário de arrivistas como António Costa, não está está interessado no poder pelo poder. O magistério da tradição política britânica fala mais alto. Os súbditos de sua majestade disseram de sua justiça e esse património de vontade não pode ser desfalcado. Bem sabemos que Juncker quer dar uma lição a outros candidatos "exitistas" da União Europeia, aplicando um modelo disciplinar agudo ao Reino Unido, mas eu teria algum cuidado. Os movimentos "independentistas" são de diversa ordem e provêm de famílias políticas distintas por essa Europa fora. As extremas têm cada vez mais em comum no que diz respeito aos seus intentos de emancipação e os russos estão a extrair dividendos do grande conflito interno que cada vez mais parece ganhar forma naquilo que resta da União Europeia. Os EUA vão sair a ganhar. Não apenas com o reforço do dólar americano, mas por poderem encontrar um parceiro ideal na Europa não continental. Quanto a Marcelo e Costa, vão levar ainda mais marteladas.

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publicado às 14:54

Artigo 50º de um "pedaço de papel"

por Nuno Castelo-Branco, em 25.06.16

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Sucedem-se as mais desmioladas e histéricas reacções, nem sequer os autores e esperados vigilantes da segurança do Tratado de Lisboa consideram minimamente aquilo que assinaram, para eles um pedaço de papel sem qualquer valor. Isto sem sequer contarmos com mais um bullying desta vez direccionado à "peste grisalha" britânica que para azar da própria, teve o privilégio de assistir durante décadas à evolução daquilo que hoje é a U.E. Recordemos então o que por cá se disse quando um governo foi acusado de provocar um conflito inter-geracional. Quem mais berrou foi o sector que agora e de forma nada surpreendente se escama todo pela decisão manifestada por sectores que evidentemente há muito deveriam ter deixado de viver, o tal "lastro social". 

Por aquilo que o cada vez mais patético senhor Juncker vai zurrando, trata-se agora de obter a miserável vingançazinha e expulsar os britânicos no mais breve espaço de tempo possível. Ora, isso não está previsto naquilo que o artigo 50º do tratado de Lisboa expressamente declara, ou seja: 

1.
Todo Estado membro poderá decidir deixar a União de acordo com as suas leis.
2.
Um Estado membro que decida deixar a UE deverá notificar a organização da sua intenção. De acordo com o que foi definido pelo Conselho Europeu, a UE devera chegar a um acordo com esse Estado, preparando a sua saída e tendo em conta o futuro da relação entre a União e esse mesmo Estado. O acordo deverá ser negociado tendo em conta o artigo 218(3) do Tratado de Lisboa sobre o funcionamento da UE. Deverá ser concluído em nome da União pelo Conselho Europeu, por maioria qualificada, depois de obtida a autorização do Parlamento Europeu.
3.
O Tratado deixará de estar em vigor para o Estado em questão a partir da data acordada no acordo ou, caso não seja possível, dois anos depois da notificação referida no parágrafo dois, a não ser que o Conselho Europeu, depois de chegar a acordo com o Estado em causa, decida estender esse período.
4.
Relativamente ao disposto nos parágrafos segundo e terceiro, o membro do Conselho Europeu que representa o Estado que abandona a União não participará nas discussões do Conselho Europeu que lhe digam respeito. Deverá ser acordada uma maioria qualificada de acordo com o artigo 238(3)(b) do Tratado, sobre o funcionamento da UE.
5.
Todo Estado que tenha abandonado a UE e queira voltar à mesma, terá de se sujeitar ao processo disposto no artigo 49.

No mínimo e se o governo britânico assim o entender, o Politburo do Soviete Supremo terá de esperar mais dois anos e neste período muitos eventos poderão ou não ocorrer. Popularmente falando, aguentem-se. 

Definitivamente urge substituir rapidamente este esquentador irreversivelmente avariado e sem conserto. 




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publicado às 09:06

Reacções ibéricas

por Nuno Castelo-Branco, em 24.06.16

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Se excluirmos a sugestiva mensagem que as autoridades nacionais enviaram aos nossos concidadãos estabelecidos no Reino Unido e aqui postada pelo John, o que hoje se ouviu corresponde exactamente a um país que é aliado da Inglaterra desde o século XIV:

!. A reacção de Costa, logo, do governo: boa

2 A reacção de Passos Coelho, o chefe da oposição: boa

3. A reacção de Assunção Cristas: satisfatória

O resto não risca nem conta.

Passemos então a fronteira e atendamos apenas aos dois principais partidos que se têm revezado no exercício do poder a partir da Moncloa:

1. A reacção de Rajoy: boa

2. A reacção do antigo chefe do PSOE, ex-1º ministro - em Espanha designa-se Presidente do Conselho - que do poder saiu acumulando escândalos sobre escândalos:

- vergonhosa, péssima, radical e escumando ódio, dir-se-ia uma tirada que nem sequer o franquismo mais militante alguma vez terá ousado exprimir, apenas faltando a imediata reivindicação de Gibraltar. O apelo à mais descabelada revanche, a uma desforra que segundo o valetudinário político, não se compadece com "paninhos quentes". Em suma e sem tardança o saberemos, o que já se espera de toda a turbamulta de anafadíssimos  mangas de alpaca repimpados em Bruxelas. 

Bestial, este Felipe González. Perdoa-se-lhe, desde que se desculpe com a idade. 


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publicado às 23:49

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O Governo da República Portuguesa pede aos seus cidadãos para cometerem a traição da nacionalidade - "peçam dupla nacionalidade" é o mote do dia à luz do Brexit. Vergonhoso. Sem palavras para descrever a baixeza da recomendação.

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publicado às 19:14

Keep calm

por Samuel de Paiva Pires, em 24.06.16

Estamos a viver um momento histórico, cujas consequências, na sua totalidade, são ainda desconhecidas. Só conseguiremos ter uma noção holística do impacto do Brexit daqui a uns anos, quando percebermos o que terá acontecido ao Reino Unido e à União Europeia. Pelo meio, convinha começar a pensar no que se poderá seguir, como se faz neste artigo do The Guardian, e tentar evitar a histeria e as alegadas análises de quem, na verdade, dá essencialmente voz aos seus vieses ideológicos e preferências pessoais. Neste momento, ainda é cedo para saber se o Reino Unido se desagregará – apesar de o governo escocês parecer querer realizar um novo referendo sobre a sua independência em relação ao Reino Unido –, se ocorrerá um efeito dominó na União Europeia com vários países a procurarem seguir o mesmo caminho do Reino Unido, ou se, pelo contrário, o Brexit poderá levar a um reforço do papel do Reino Unido no mundo e/ou a uma reforma das instituições europeias no sentido de as tornar mais democráticas e accountable perante os Estados Membros. Por ora, resta apenas apreciar, goste-se ou não do resultado, a forma como se vive e respeita o processo democrático no Reino Unido, e relembrar o célebre póster datado de 1939:

 

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publicado às 13:15

A brave british new world

por John Wolf, em 24.06.16

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A saída do Reino Unido da União Europeia (UE) deve ser colocada na mesma régua de importância histórica da queda do Muro de Berlim, do 11 de Setembro ou do crash bolsista de 1987. O que está acontecer é avassalador. Manifesta-se nas dimensões política, financeira, económica e social da Europa, mas também nas realidades de outros países distantes ou próximos. Por mais que António Costa elenque um conjunto de generalidades sobre o grande desígnio europeu, a verdade é que Portugal sofrerá as consequências do resultado do referendo. A saber; os juros dos títulos de dívida de Portugal terão tendência a agravar-se de um modo expressivo - o Reino Unido deixará de ser contribuinte do pote da UE e, nessa medida, Portugal terá menos a receber e terá de pagar caro o seu financiamento. A valorização do euro face à libra é péssimo para as exportações nacionais, e o sector do turismo sentirá a menor presença de britânicos na época balnear que se inaugura. O processo de saída da UE será moroso e concordante com a cultura burocrática de Bruxelas. Ou seja, será lento e doloroso. O Bank of England acaba de anunciar que tudo fará para estancar a grande volatilidade que se faz sentir nos mercados. O governador Mark Carney informa que planeia injectar 250 mil milhões de libras esterlinas na mercado por forma a acalmar os ânimos, mas, Mário Centeno que vive noutro planeta, assegura que Portugal tem provisões suficientes para fazer face ao descalabro gerado pelo Brexit. Como podem ver, Portugal está entregue à caixa mágica destes lideres. Agarrem-se que isto não vai ser bonito. E faltam as eleições em Espanha. Mas não faz mal, a geringonça tem tudo controlado. Para estes irresponsáveis é: business as usual.

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publicado às 13:14

Algumas advertências

por Nuno Castelo-Branco, em 24.06.16

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Há uns anos, Miguel Castelo Branco, Samuel de Paiva Pires e eu próprio enviámos esta carta à Europa. Teve algumas repercussões e o deputado britânico Hannan divulgou-a da melhor maneira. 

Era previsível, incontornável, não valerá a pena recorrerem ao habitual bicho-papão muito válido em França e outros países do continente.

Não foi a minúscula "extrema-direita britânica" quem decidiu o exit. Foram sobretudo os súbditos de S.M. no seu todo  - especialmente muito deles provenientes do Labour - e deram a expectável resposta ao bullying que há meses lhes era vergonhosa, indecente e diariamente ministrado por todo o tipo de sujeitaços estranhos às ilhas britânicas. Foram pouco ou nada susceptíveis às grotescas e inusitadamente ameaçadoras reprimendas de Obama. Caçoaram dos estapafúrdios delírios de toda a miserável e grosseira cáfila de Bruxelas. Precisamente quem menos economicamente pode, sim, esses mesmos, os tais eu e tu, não esteve com contemplações para com as iracundas recomendações da banca, bolsas, corretoras e toda a restante panóplia à disposição de quem se julga dono de tudo e de todos. 

Como português e devido a múltiplas razões, entre estas um certo sentimento de solidão nacional, era favorável à permanência do Reino Unido na U.E. Ditava esta posição um certo egoísmo pontilhado de inconsciência das realidades que há muito remeteram os mais estritos princípios da velha Aliança para o baú das recordações. Utilizando uma expressão muito em voga, tentava-me o wishful thinking, vendo na grande ilha o travão protector perante Bruxelas, Paris, Berlim, Washington e todos os centros de poder demasiadamente obscuro que comandam este pequeno mundo. Várias vezes dei comigo a vociferar diante de um televisor que não sendo um ente vivo, tem a extraordinária capacidade de nos fazer entrar em casa todo o tipo de criaturas indesejáveis, desde os idiotas entusiasmados por qualquer marginal transferência de jogadores do ..."agora é que é!", até às mais supinas entidades que nos querem fazer acreditar que a verdade não é aquilo que o rei vai nu demonstra e não a realidade oposta, aquela nudez que os factos garantem até ao mais descarado distraído.


Este exit é lamentável e tão mais deplorável porque facilmente poderia ter sido evitado. Escusado será dizer que a Grã-Bretanha não deverá ser tratada como a Irlanda ou a Dinamarca - e a França de Sarkozy - que há uns tempos sofreram o que se sabe após a realização de referendoscujo resultado foi considerado "errado". 

Em termos nacionais, temos os nossos populistamente parvos de estimação em todo o espectro parlamentar - totalmente ignorantes da mais básica e elementar lição de História - e prevê-se desde já o agitar de todo o tipo de espantalhos a que nos habituaram - xenofobias, extremismos, fobias para todos os apetites, etc -, nisto fazendo o jogo dos agora ostensivamente mais prejudicados, ou seja:

- as bolsas que logo cairão, as multinacionais que como sempre ameaçarão com o abandono do país, a banca internacionalizada, as agências de rating que esfregarão as mãos de contente agiotismo, em suma, os inefáveis  mercados reagirão da pior forma. A Libra atingirá os níveis mais baixos de sempre, ou seja, as primeiras boas notícias para as exportações britânicas. Tudo isto é previsível e dará azo a todo o tipo de teorias da conspiração. Os primeiros tempos - prevejo ser apenas uma questão de dias ou semanas - serão de desvario e desgarradas de histeria colectiva. Histeria colectiva da ínfima e muito abastada minoria que comanda.

O que não pode nem deverá ser feito? 

1º. Investir-se em vinganças mesquinhas como a penalização dos britânicos que residem em qualquer um dos países que ainda se mantêm na União. Deverão manter intactos, absolutamente intactos os seus direitos gozados até esta madrugada e os residentes em Portugal - os que mais nos interessam - não poderão ser molestados com torpes retaliações que lhes cortem o acesso ao SNS e à livre circulação de pessoas e capitais, por exemplo. Portugal pode até invocar a tradicional Aliança para manobrar no sentido de uma inesperada decência e desde já se aconselha a imediata ida a Londres do ministro dos Negócios Estrangeiros, para tratar do que pode e deve ser feito. É o melhor que as autoridades portuguesas poderão desde já fazer, servindo de exemplo a quem as queira seguir.  Não há qualquer necessidade de sugestões de mudança de nacionalidade ou outros artifícios que mais nada significam senão um gratuito expediente na senda do ..."serás o último da bicha!" alarvemente proferido pelo presidente americano. 

2º. Investir-se na destruição daquilo que o Reino Unido representa como realidade histórica, acicatando a secessão da Escócia e da Irlanda do Norte, onde por várias razões o remain venceu. Pela primeira reacção de M. Schultz, nitidamente furioso e sugerindo um "divórcio o mais brevemente possível", prevê-se desde já o pior. A segunda declaração, mais fria, é sempre melhor do que uma imediata ora ditada pelos nervos. De cabeça quente, todos os componentes daquilo que designo de Soviete Supremo, rapidamente embarcarão no que deu razão ao resultado deste referendo que é em tudo muito diferente de outros como aquele realizado na Itália de 1946, ou noutros países submetidos à consulta acerca de Tratados europeus. Em suma, este tipo de actuação é para os britânicos um insulto totalmente ineficaz e como se verá, terão instrumentos para reagir. Não resultará em qualquer benefício, o arremesso de mais um boomerang.

3º. Investir-se na diabolização dos eleitores britânicos que apenas exerceram o seu direito à soberania que se sobrepõe claramente aos ditames de umas dúzias de milhar de incógnitos e bem instalados burocratas instalados nos escritórios e sucursais de negócios espalhadas em todas as 28 capitais da U.E.

Estas são as primeiras condições na fase de rescaldo e recomendam exactamente o oposto daquilo que se prevê como mais evidente salivar: a vingança.

A solução? Só pode ser uma, o rápido início de negociações que permitam limitar os estragos, levando o Reino que se pretende que continue Unido, à mesma situação da Noruega. 

Nem vislumbro sequer outra hipótese. 






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publicado às 08:08

Morrer à espera do SNS

por John Wolf, em 23.06.16

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Os socialistas, bloquistas e comunistas não pouparam o governo anterior, acusando o mesmo de estar a matar os portugueses. Mas a geringonça parece querer ir mais longe. Promete conceder uma morte lenta aos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS). António Costa bem pode carregar em ombros o pai do SNS, mas será a própria ideologia de Estado-monopolista a arma escolhida para desferir o golpe misericordioso nos doentes de Portugal. Na mesma linha de pensamento tosco sobre a exclusividade da escola pública, deparamo-nos com uma situação mais dramática, um enredo de vida ou morte. Por alguma razão, ao longo das últimas décadas, o sector privado de saúde serviu para colmatar as lacunas e insuficiências do SNS. O que mudou do dia para a noite? De repente, a toque de caixa, o SNS vai ter capacidade para atender às imensas filas de espera de pacientes? Tudo isto soa a teimosia ideológica. Mas há semelhanças com o que se passa no sector do ensino - o professor de Faro colocado à última hora em Bragança (?). Assim sucederá como o doente oncológico de Cuba (Alentejo) que terá de fazer malas para ser operado nos Açores. Dizem eles, com os três dedos em cada mão, que o SNS tem capacidade para servir os utentes. Eu sei o que querem fazer. Querem amputar as despesas com saúde, mas dando a volta ao texto, para que pareça o elogio da causa pública, do interesse nacional. Treta. Um governo incapaz de gerar dinâmica na economia apenas pode fazer uma coisa - cortar a torto e a direito. Os senhores-funcionários-públicos-médicos-cirurgiões que se preparem. Vão ter sessões contínuas. Mas podem dormir nos corredores dos hospitais se encontrarem uma maca.

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publicado às 09:07

A Tua Culpa.

por Nuno Resende, em 21.06.16

Só para que fique registado na História das infâmias deste país: ontem começou a encher a nova albufeira do Tua. Para quem não sabe - e me parece seja a maioria dos portugueses - o Tua é um afluente do rio Douro, que nasce a norte deste na região de Trás-os-Montes. Nesta região vive-se em crise há muitos séculos, subsiste-se, sobrevive-se. É pois terra que se vende por pouco, sobretudo quando o comprador é bem falante e os tutores pouco escrupulosos.

Ontem, 20 de Junho de 2016, governando um arco de poder à Esquerda, entre partidos que se dizem pró-ecologistas como o PEV, o BE, ou PAN cometeu-se um dos maiores crimes ambientais e paisagísticos na História de Portugal. Não houve «acampadas», boicotes, nem manifestações na Avenida da Liberdade, em Lisboa, ou nos Aliados - apenas acções isoladas de «românticos» que, como eu, acham que um pedaço de terra vale mais do que watts rentáveis e aquecimento central.

Com o silêncio da Comunicação Social, o conluio de toda a política Portuguesa, e a inércia burguesa que caracteriza a sociedade actual deste país deixamos que mais uma empresa dispussesse da nossa terra, da nossa água e dos nossos recursos para ganhar dinheiro.

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publicado às 11:20

O Brexit ganha o Euro 2016

por John Wolf, em 20.06.16

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Não tenho os dotes culinários de Fernando Santos. Nem sei cozinhar resultados. Por isso não me aventuro na casa de "abostas" do vai ou fica. Refiro-me ao Brexit, naturalmente. Nos últimos meses temos sido contaminados com inquéritos e mais inquéritos de opinião, com o esgrimir de argumentos nacionalistas ou europeístas, com a exposição dos males e benefícios do rompimento britânico ou com revisitação da história europeia e as virtudes da paz Kantiana. Tudo isto, e muito mais, tem contribuído para o não esclarecimento da questão. E faz sentido que assim seja. A identidade da Europa é essa mesma. O continente sempre foi um palco de tensões, de dissidências e aparentes entendimentos. Ou seja, quer adoptemos uma visão Hobbesiana ou Hobsbawmiana, seremos invariavelmente servidos pelo magistério cultural que reforça uma certa visão determinista. Em última instância, não existe um evento singular capaz de descarrilar a "civilização" europeia da sua tendência para sobreviver à sua própria condição. E esse estado crónico extravasa os parâmetros construtivistas da Comunidade Europeia, dos Tratados Europeus e da União Europeia. Os britânicos, que sempre foram talentosos na defesa do seu interesse nacional, souberam alimentar a falange independentista promovida pelo Brexit. O elencar dos perigos resultantes da saída não são equiparáveis às contingências de uma permanência. Nem devem ser relacionados. A separação de correntes políticas e económicas, a permanência ou a saída, são no meu entender, uma falsa dicotomia. Os britânicos, ao longo das últimas décadas de pertença à União Europeia, demonstraram que é possível estar dentro sem efectivamente estar. E se nos servirmos da mesma bitola de posicionamento estratégico, serão igualmente hábeis a se imiscuirem na condução dos trabalhos da Comissão Europeia e outras instituições, estando fora da estrutura, a 20 milhas do continente europeu. Por outras palavras, a condição britânica é incontornável. Os britânicos não vão a parte alguma. O Brexit até pode vencer o Euro 2016.

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publicado às 10:38

Canas vs ilhas

por John Wolf, em 19.06.16

 

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Gabriela Canavilhas tem razão. Não foram 20 mil no Parque dos Príncipes em Paris. Eram seguramente mais. Era mais público.

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publicado às 19:40

O Islão e a homofobia

por Samuel de Paiva Pires, em 19.06.16

Parvez Sharma, Gay Muslim: Islam Is No Religion of Peace:

Calling Islam a religion of peace is dangerous and reductive. Like the other two monotheisms that precede it, it has blood on its hands. It’s time we Muslims start looking inward at our own communities so that the bloodshed can stop. I’m convinced that Mateen’s attitude is not fringe. It can be found everywhere from Mecca to my own mosque in New York City.

The vast canon of Islam that emerged after the Prophet Muhammad’s life has enough sanction for violence, if you know what you are looking for. And there is no lack of homophobic condemnation either. The Quran itself remains vague on the matter, lazily regurgitating the Old and New Testament’s story of the Nation of Lot. And for the majority of 1.6 billion Muslims, many of them plagued by poverty and illiteracy, the debates going on amongst the Western Muslim pundits, will make no sense. What they listen to is Khutba (Friday sermon) after Khutba that talks about homosexuality as a sin amongst other matters of religious import.

Yes, most Muslims are muddling through life, putting food on their families’ tables just like everyone else. There are countless sectarian divisions within the vast faith. But if even a fraction of a percentage of this population believes gays should be put to death, we have a problem that cannot be dismissed so easily.

 

Alberto Gonçalves, Os islamófilos:

As acusações de "islamofobia" são a tentativa de simular escândalo face aos triviais, e compreensíveis, receios do cidadão comum: lá por conter umas dúzias (ou uns milhões, não importa) de extremistas, o islão - homessa - é essencialmente moderado. Por mim, tenderia a crer piamente no islão moderado se este entregasse com regularidade os seus radicais filhos à polícia ou, na falta de esquadra próxima, os pendurasse no alto de um poste. A quantidade de desculpas prontas ou pesares tardios com que trata psicopatas faz-me duvidar ligeiramente do empenho do islão moderado em justificar a designação. É claro que muitos muçulmanos não sonham com a explosão de transeuntes. Porém, já que se pretende banir ou castigar opiniões, seria interessante questioná-los sobre o respeito que dedicam às mulheres, a certos grupos étnicos, a determinadas religiões e, se não for maçada, aos homossexuais. Aliás, eles respondem ainda que ninguém lhes pergunte. Os "activistas" é que fingem não ouvir.

 

Andrew C. Mccarthy, Killing Homosexuals Is Not ISIS Law, It Is Muslim Law:

The inspiration for Muslims to brutalize and mass murder gay people does not come from ISIS. It is deeply rooted in Islamic law, affirmed by many of Islam's most renowned scholars. This is why, wherever sharia is the law, homosexuals are persecuted and killed.

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publicado às 13:18

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O título deste post deveria ser: "E não há nada que Vitor Constâncio possa fazer". E porque não há-de ser esse o título? É esse o cabeçalho. Sim, senhor. Acabo de concordar que será esse o lead do artigo. Está decidido. Quem julga que é António Costa? Acho muito bem que a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) avançem com uma auditoria à Caixa Geral de Depósitos. Se eu emprestasse dinheiro a alguém também gostaria de saber com quem conto. Se tem a casa em ordem. Se é bêbedo. Se é esbanjador. Se vai ao casino jogar às máquinas. Se anda fugido ao fisco. Pois. De nada serve ter um socialista como número 2 do BCE. Por mais voltas que o Partido Socialista, o Partido Comunista Português ou o Bloco de Esquerda dêem, a condição de banco público não serve de nada. Bem pelo contrário. Um banco público é quase sempre um monstro que pertence a todos e não pertence a ninguém. Deixa-se perder na bruma da irresponsabilidade e da entidade abstracta que o Estado é especialmente talentoso em promover, defender. E não há nada que Vitor Constâncio possa fazer.

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publicado às 09:53

O maior valor da guitarra portuguesa da actualidade

por Pedro Quartin Graça, em 16.06.16

 

Veja e oiça Marta Pereira da Costa, a primeira e única guitarrista profissional de Fado a nível Mundial e autora do primeiro CD da história do Fado em que a Guitarra Portuguesa é tocada em exclusivo por uma mulher.

 

 

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publicado às 10:37

Centeno, um humorista encostado às Cordes.

por John Wolf, em 16.06.16

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Mário Centeno não é Sinel de Cordes. O ministro das finanças pratica outro género de humor. A sua comédia é mais do tipo absurdo. Agora anda a pedir para que invistam em Portugal. E aqui reside uma grande parte da contradição. Portugal não é, decididamente, investor-friendly. Se esta malta da geringonça fosse inteligente já teria criado onshores - zonas de exclusão fiscal no país continental, e em particular nas zonas mais afectados por altas taxas de desemprego, pobreza crónica e ausência de tecido industrial. Simples. Já teria criado mecanismos de financiamento ao nível autárquico como acontece nos Estados Unidos - nunca ouvi falar de municipal bonds - títulos de dívida para financiar obras em concreto que se venham a desenvolver nas autarquias. Mas há mais matéria de nível infantil que não está a entrar na cabeça de Centeno. Um dos pressupostos que empresta confiança a um país consubstancia-se no seu grau de checks, controls and transparency. Ora a Caixa Geral de Depósitos está a ser protegida pelo governo que não apoia a ideia de uma comissão parlamentar de inquérito a seu propósito. Por outras palavras, um investidor estrangeiro nem sequer pode contar com o due diligence do governo nacional. Depois somos confrontados com outra barbaridade do mercado contaminado por preferências ideológicas. As "desprivatizações" em curso enviam um sinal claro a potenciais investidores - Portugal tem sintomas de Venezuela. E isso segue em sentido contrário à ideia de investimento seguro. Sabem lá essas multinacionais se a geringonça de repente decide afiambrar-se do que não lhe pertence com uma taxa inventada à pressão? O Commerzbank tem razão no que afirma. Portugal inverteu o rumo iniciado pelo governo anterior, mas essa mudança de sentido de marcha não melhorou nem o nível de vida dos portugueses nem as condições de atracção de investimento directo estrangeiro. O Centeno e os outros que andam em Paris nem sequer são capazes de esboçar um pacote de oferta para aqueles que venham a ser intensamente afectados pelo Brexit. Afinal o que anda Centeno a inventar para captivar algum incauto? Só pode ser ficção. Um conjunto de baboseiras.

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publicado às 08:56

Simply the beast

por John Wolf, em 15.06.16

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Não são apenas os lideres deste país que jogam contra o seu país. São os próprios jogadores. São os homens e mulheres das artes e letras. São os banqueiros. São os comentadores. São os jornalistas. São os empresários. São os taxistas. São os académicos. São os construtores civis. São os poetas. São os professores. São os funcionários públicos. E provavelmente são alguns bloggers. Existe sempre, em cada uma destas categorias ou classe profissional, um melhor do mundo, um campeão. Sim, jogo à defesa. Naturalmente. Para cada frase ou pensamento que tenha, espero que haja melhores - melhores frases e melhores bloggers. Mas não é apenas em categorias perfeitamente definidas que o bicho do "melhor do mundo" corrói. Na própria matriz social quotidiana de Portugal existe há séculos um certo menosprezo compatriota, doméstico. Não é fácil encontrar quem caminhe ao nosso lado enquanto "igual" com as "mesmas" chances de se superar a si mesmo. São sempre melhores. Ou uma lástima.  O síndrome da Islândia já vem de longe. Existe uma tendência intensamente contraproducente para Portugal ser o seu pior inimigo. Mas desta vez nem Marcelo nem Costa ajudaram. Em Paris assinaram por baixo desse complexo de inferioridade. Repito, não existem melhores nem piores do mundo. Existe vontade, determinação, humildade e 300.000 habitantes. Ou existe presunção, descontracção, sobranceria e 10 milhões de cidadãos. Portugal resiste a interpretar o mundo do modo como este merece ser interpretado. Não existem povos eleitos. Nem aqui, nem na China, nem nos EUA e de certeza que na Islândia não. E não interessa quem são os nossos pais.

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publicado às 10:53

Je suis Orlando

por John Wolf, em 13.06.16

Enquanto as Esquerdas e Direitas iluminadas cá do burgo discutem o correcto posicionamento em relação ao ataque terrorista ocorrido em Orlando na Florida, por causa da trictomia homossexualidade-arma de fogo-Estado Islâmico, convém relevar os seguintes pontos; na corrida presidencial dos Estados Unidos (EUA) quem mais vai beneficiar é Donald Trump. Há meses atrás, neste mesmo blog, referi este facto. Um ataque terrorista em solo americano serviria para validar a sua tese securitária, anti-islâmica e proteccionista -  e isso ajuda a sua campanha baseada no medo colectivo. No entanto, existem diversas dimensões que devem ser analisadas. Pelo que sabemos, nenhum dos gay que participava na festa latina na discoteca Pulse tinha em sua posse uma arma de defesa pessoal - lá vai pelo cano o anti-americanismo primário de que andam todos armados na América - pelos vistos estes não. Em segundo lugar, somos informados que o Federal Bureau of Investigation (FBI) já detinha um ficheiro respeitante ao principal suspeito - ou seja, os serviços de informação não foram irrredutíveis e competentes na triagem de vilões. Em terceiro lugar, o operacional ao serviço do Estado Islâmico (EI) acaba por colocar em prática cânones que precedem esta organização terrorista - o Alcorão é intensamente declarativo em relação ao seu desprezo pela homossexualidade. Em quarto lugar, as grandes teorias organizacionais em torno das ligações, comunicações e linhas de comando dentro da estrutura do EI não servem a causa de interpretação dos factos. O agente do EI em causa valida-se na sua missão de um modo remoto da Síria ou Iraque, apetrecha-se no mercado local de armas semi-automáticas, presta vassalagem aos senhores do EI e ainda informa as autoridades locais sobre a iminência de um ataque. Assistimos também a outro processo em curso. À segmentação do alvo. O grau de diferenciação que instiga aquele que perpetra o ataque a escolher uma sub-categoria de inimigo - os homossexuais -, revela uma maior sofisticação operacional. Será expectável, na senda da mesma lógica, outros modos de distinção. A saber, e por exemplo, um enfoque especial do EI em relação a organizações de defesa dos direitos das mulheres. Mesmo com a chuva de críticas de que tem sido alvo os EUA, as autoridades não produziram os discursos inflamados que a Europa desejava. Por outro lado, o grau de solidaridade europeu em relação aos eventos de Orlando parece ter sido mitigado por outros espectáculos, como aquele de Marseille. Não vejo muitos Je Suis Orlando por aqui. É mais bota abaixo bola acima. Os de cá não querem ser confundidos como sendo de outras equipas.

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publicado às 13:56

A infantilidade da esquerda contemporânea

por Samuel de Paiva Pires, em 12.06.16

Ver pessoas minimamente inteligentes a afirmar que os confrontos entre adeptos ingleses e russos em Marselha mostraram ao mundo os valores da civilização Ocidental, e a procurar, desta forma, defender os que professam o islão, é não só confrangedor como revelador da ignorância a respeito das mais elementares regras da lógica e do método científico. Não só é uma inferência inválida que consubstancia uma generalização abusiva e, naturalmente, errada, - e não nos esqueçamos que muitos dos que enveredam por este pensamento absurdo não se cansam, quando ocorre algum atentado terrorista inspirado pelo fundamentalismo islâmico, de bradar que os protagonistas do terrorismo fundamentalista islâmico não são representantes do islão nem falam pela generalidade dos muçulmanos -, como, infelizmente, se trata de um tipo de pensamento alicerçado no esquerdismo contemporâneo que, como assinala Roger Scruton em Fools, Frauds and Firebrands, utiliza qualquer argumento, por mais falhas que tenha, para denegrir a herança cultural Ocidental. De facto, graças a este tipo de pessoas, que pululam em todas as instituições ocidentais, em particular nas universidades, parecemos ter entrado, como também salienta Scruton, num período de suicídio cultural.

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publicado às 19:09

Geringonçaville

por John Wolf, em 12.06.16

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Gostava de ver Marcelo Rebelo de Sousa dizer na cara dos britânicos ou alemães que os mesmos são "excepcionais", mas os portugueses são melhores. Portugal não deve admitir declarações deste teor do seu Presidente da República. São as crianças recém-desfraldadas que usam esse paleio - o meu brinquedo é melhor que o teu. O mundo já não se presta a estes arquétipos de comportamentos, mas abro uma excepção - Trump é bem pior. Não estamos na Idade da Pedra. Existem dias felizes e dias menos felizes. E esta foi uma tarde menos conseguida. Eu entendo, que no mano-a-mano com António Costa, houvesse necessidade de não perder a corrida, de marcar pontos. Afinal, o primeiro-ministro aproveita, de um modo populista, as vantagens folclóricas de uma Geringonçaville. Os emigrantes estacionados nesse bidon de pólvora francês, são luso-portugueses que caem facilmente nessa categoria utilitária sempre que dá jeito, sempre que os domésticos continentais não chegam para as encomendas. Quando o Brexit chegar, espero que haja um plano de continência para bater a pala aos milhares que regressarão do Reino Unido. Enquanto Portugal não se estreia no Euro 2016, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa chupam até ao tutano o suco desse estado de graça. Nesta pré-euforia ejaculatória de bola bem metida, os que nutrem paixão pela nacionalidade portuguesa e pela ideia de identidade, estão à mercê de feiticeiros que se alimentam destas mézinhas fáceis. Terça-feira rola.

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publicado às 11:23

Comunismo e fascismo

por Samuel de Paiva Pires, em 11.06.16

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Roger Scruton, Fools, Frauds and Firebrands:

It is testimony to the success of communist propaganda that it has been able to persuade so many people that fascism and communism are polar opposites and that there is a single scale of political ideology stretching from ‘far left’ to ‘far right’. Thus, while communism is on the far left, it is simply one further stage along a road that all intellectuals must go in order not to be contaminated by the true evil of our times, which is fascism.

It is perhaps easier for an English writer than it is for an Italian to see through that nonsense, and to perceive what it is designed to conceal: the deep structural similarity between communism and fascism, both as theory and as practice, and their common antagonism to parliamentary and constitutional forms of government. Even if we accept the – highly fortuitous – identification of National Socialism and Italian Fascism, to speak of either as the true political opposite of communism is to betray the most superficial understanding of modern history. In truth there is an opposite of all the ‘isms’, and that is negotiated politics, without an ‘ism’ and without a goal other than the peaceful coexistence of rivals.

Communism, like fascism, involved the attempt to create a mass popular movement and a state bound together under the rule of a single party, in which there will be total cohesion around a common goal. It involved the elimination of opposition, by whatever means, and the replacement of ordered dispute between parties by clandestine ‘discussion’ within the single ruling elite. It involved taking control – ‘in the name of the people’ – of the means of communication and education, and instilling a principle of command throughout the economy.

Both movements regarded law as optional and constitutional constraints as irrelevant – for both were essentially revolutionary, led from above by an ‘iron discipline’. Both aimed to achieve a new kind of social order, unmediated by institutions, displaying an immediate and fraternal cohesiveness. And in pursuit of this ideal association – called a fascio by nineteenth-century Italian socialists – each movement created a form of militar government, involving the total mobilization of the entire populace, which could no longer do even the most peaceful-seeming things except in a spirit of war, and with an officer in charge. This mobilization was put on comic display, in the great parades and festivals that the two ideologies created for their own glorification.

Of course there are diferences. Fascist governments have sometimes come to power by democratic election, whereas communist governments have always relied on a coup d’état. And the public ideology of communism is one of equality and emancipation, while that of fascism emphasizes distinction and triumph. But the two systems resemble each other in all other aspects, and not least in their public art, which displays the same kind of bombast and kitsch – the same attempt to change reality by shouting at the top of the voice.

It will be said that communism is perhaps like that in practice, but only because the practice has betrayed the theory. Of course, the same could be said of fascism; but it has been an important leftist strategy, and a major component of Soviet post-war propaganda, to contrast a purely theoretical communism with ‘actually existing’ fascism, in other words to contrast a promised heaven with a real hell. This does not merely help with the recruitment of supporters: it reinforces the habit of thinking in dichotomies, of representing every choice as an either/or, of inducing the thought that the issue is simply one of for or against.

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publicado às 19:22






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