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O Porto por uma lata.

por Nuno Resende, em 27.05.15

 Imagem via Notícias ao Minuto

 

Quem é ou mora no Porto há pelo menos 30 anos, como eu, assistiu às notáveis transformações da cidade. Desde uma Foz ainda longínqua, a uma marginal marítima abandonada e decadente, até à consagração da cidade (ainda suja e com problema sociais por resolver no Centro Histórico) enquanto Património da Humanidade, o percurso tem sido fulgurante.

Como em todas as cidades ou como, aliás, na história do país, o Porto ruma entre as marés das modas e dos devaneios político-partidários e entre questiúnculas de uns e outros (dos arremessos urbanísticos de Fernando Gomes, às mãos-pelos-pés do eng. Nuno Cardoso, passando pela longa «fantasia Rui Riesca») chegamos, hoje, ao Apogeu.

Se a História é cíclica, o Porto está em 2015 como estava em 1415, nas vésperas da conquista de Ceuta, quando investiu do bolso a abertura do mediterrâneo aos seus desejos expansionistas comerciais. Mas, volvidos 500 anos, o projecto é outro e o Porto não sai do sítio. Hoje vem cá a Europa.

E a Europa vem às mancheias. Não, não se deve à governação provinciana dos últimos 30 anos, com as suas arremetidas pequeninas a Lisboa, coladas à estratégia futeboleira, nem ao fraquinho investimento na promoção turística (ou da imagem que hoje se quer vender com um PONTO). Não. Deve-se a investimento externo, nomeadamente aos voos baratuchos (low-cost como a gíria bem falante lhes chama) que há pouco menos de 10 anos despejam na cidade por mês milhares de forasteiros.

Ora, naturalmente que o encanto da cidade, que muitos têm tentado estragar desde o ano da Capital Europeia da Cultura, em 2001, é motivo mais do que suficiente para este tipo de pontes aéreas. Mas eu e certamente muitos dos meus correligionários portuenses já percebemos que ao aumento exponencial do fluxo de turistas (aproveitado pelo actual executivo para justificar os bons anos de governação «independente») não se seguiu um correspondente incremento dos serviços: os transportes (STCP e Metro) estão de rastos; o trânsito é um caos (desde os anos 80 que não se assistia a estrangulamentos como os de hoje nas Pontes e nas vias supostamente rápidas) e, de repente, parece que uma fábrica do IKEA explodiu em plena baixa, tal é a repetição nauseabunda do mobiliário daquela empresa em todos os bares, hotéis e cafés que, de há 5 anos a esta parte, têm matado o comércio tradicional.

Tudo isto é abundantemente vendido como imagem de turismo, futuro e progresso pela actual edilidade. Mas o facto é que se vende gato por lebre. Depois da azia popularucha dos carros de corrida ou dos aviõezinhos, a que a cidade entregou o nome por alguns trocos, um festim cultural de duvidosa qualidade tem acometido a agenda do Porto. Há um ano repleto de encontros, sessões, inaugurações com nomes estrangeirados, parangonas - e…nenhum conteúdo - numa sucessão de eventos que se resume a recepções e copos d’água para classe média e média-alta beberem - desesperadas que são por festas e copos. Depois há o São João das Fontainhas e da Boavista revisitados no modo «carrinhos de choque e rodas gigantes» mas hoje com vestes intelectuais. E dizem que vem aí a «cidade líquida»….

Eu votei Rui Moreira. E considerei que a mudança se fazia na cidade das mudanças, pela alteração do paradigma Circo e Festa, pelo da promoção integral de uma cidade (perdoem-me a parvoíce da inocência) onde a liberdade e o brio eram fundamentais para preservar o nunca foi nem será a naçom parola – mas uma urbe consciente do seu papel histórico de lugar cívico. Enganei-me logo quando a cidade entregou a pouca dignidade que tinha aos representantes das Repúblicas «Populares» da China e de Angola.

Reflecti porém que tinha dado para outro peditório: dei o meu voto para a criação um Olimpo, com os seus Apolos a beberricar ambrósia e a tirar selfies para as redes sociais.

E o «povo» do Porto? O «povo» que beba Coca-Cola, que agora até traz a imagem de um certo «Porto»

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publicado às 16:10

O SNS e o queixume crónico

por John Wolf, em 27.05.15

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Em defesa do Sistema Nacional de Saúde (SNS) devo dizer o seguinte: continua a ser um dos melhores do mundo. Por mais queixas que se escutem e protestos que se organizem, Portugal está no Top 10 mundial do sector de saúde pública. Mesmo durante a crise os serviços continuam a desempenhar o seu papel. Obviamente que o SNS também teve de suportar as consequências decorrentes da implementação de medidas de Austeridade. Mas o mesmo está longe da extinção, e não pode nem deve ser utilizado enquanto arma de arremesso político, em nome da honestidade intelectual. Todos os dias, para as centenas que ficam por tratar existem milhares que recebem cuidados adequados. E é essa relação de maioridade que deve ser tida em conta. Se assim não fosse há muito que o SNS não seria sustentável, mas ainda mais importante do que estes números: continua a ser percepcionado pela maioria da população como um excelente serviço do sector público, embora os portugueses tenham especial apetência para reclamar sobre tudo e nada. Nessa medida, há que realçar os aspectos positivos desta odisseia. A capacidade de superação que o SNS tem demonstrado. Mesmo sem os ovos adequados tem conseguido servir as omeletes que o país requer. Se quiserem uma experiência hardcore, experimentem o National Health Service dos Estados Unidos que não se compara nem de perto nem de longe com o caso português. Em suma, o queixume crónico nacional é uma patologia de difícil tratamento. Dizem que não existe cura.

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publicado às 08:21

Morreu um Jovem atropelado

por João Almeida Amaral, em 27.05.15

Que raio de justiça temos no nosso pais.

Tive um cão. 

O meu cão Abocanhou um idiota que o provocava regularmente. 

Consequência arranhões e um susto.( cão tinha 60Kg)

Tive que o abater no mesmo dia.

Fui condenado por uma juíza criminal de seu nome Churro, a 500€ mais 200€ de despesas a vitima. Total +- 700€

Ficando no meu registo criminal uma nódoa.

O filho de uns amigos foi atropelado e morreu com 25 anos no Terreiro do Paço.

A condutora que o assassinou tinha 1,64 gramas de álcool e abandonou o local sem prestar assistência.

Foi condenada a 2 anos e nove meses de prisão.

Tem que pagar 1390€ e não vai conduzir quatro anos.  

Perdoem-me o desabafo mas ... que raio de merda de gente é esta ?

como é possível julgar assim ?

Nada lhes devolverá a vida do seu filho mais velho, é verdade.

Mas é um insulto o que a justiça decreta como punição. 

Gostava de saber quantos anos levaria a condutora se o filho fosse da juíza que julgou este caso. 

Para eles magistrados , não passamos de gente que não merece respeito nem é respeitada.

Quanto mais não seja na nossa dor.

Para não gritar de raiva fico por aqui.

Aos pais envio um abraço 

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publicado às 00:32

Uma Nação. Um Rei. Uma identidade.

por Fernando Melro dos Santos, em 25.05.15

Aqui.

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publicado às 15:26

Grécia, Espanha e embaixadas a Roma

por John Wolf, em 24.05.15

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Portugal é um caso à parte. Não é a Grécia nem é a Espanha. Mas os acontecimentos em curso naqueles países podem ter ou terão efeitos indesejados neste país. Tsipras acaba de anunciar antecipadamente aquilo que era expectável. No dia 5 de Junho teremos o primeiro de uma série de defaults gregos. Não existem meios para pagar o que é devido ao Fundo Monetário Internacional e não existe margem política para implementar medidas  adicionais de austeridade. Enquanto esse evento "excêntrico" decorre, em Espanha ainda sopram ventos promissores do Podemos e Ciudadanos. O centro da Europa observa com apreensão. Os dois fenómenos podem funcionar em tandem, emprestando força numa relação de reciprocidade, de engrandecimento e risco. A Troika sabe que não pode penalizar aqueles que cumpriram o seu ditado. Nessa medida, Portugal não será percepcionado como um caso extremo, mas certas condições terão de ser observadas. Já registámos o "baixar da bolinha" do Partido Socialista. O próprio António Costa já chamou "tonta" a abordagem do Syriza, e ele tem boas razões para o fazer. Quer ganhar as eleições, mas essa vitória depende de um acordo pré-nupcial com a Alemanha, a União Europeia, o Banco Central Europeu, assim como outras instituições europeias. Para cumprir as promessas de obras públicas, reposição de pensões e salários, Costa apenas o poderá fazer com meios financeiros adequados, de preferência a fundo perdido, como tem sido apanágio dos socialistas sempre que tomam o poder. As movimentações hispano-gregas devem ser acompanhadas com muito interesse. As semanas que se seguem serão determinantes para Portugal. Portugal é um caso à parte. Começa a dar sinais de ímpeto económico, mas não embarquemos em aventuras. À Embaixada a Roma, esplendorosa e reluzente, seguiram-se ciclos de marasmo e decadência. O Museu dos Coches serve para recordar que cavalos alados fazem parte de um mundo de sonho e fantasia - narrativas que emanam do Largo do Rato com excessiva facilidade.

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publicado às 21:46

As Gaivotas e o Pivot

por João Almeida Amaral, em 22.05.15

Mais uma vez me arrependo de ver Televisão em Portugal.

Ontem a notícia do dia era a abertura do novo Museu dos Coches. 

Achei que a TVI tinha tido uma ideia interessante. O noticiário das 20h era feito no novo espaço. Muito branco a contrastar com os dourados e negros dos veículos expostos. Era realmente a prova de que o meu cepticismo em relação ao novo espaço não fazia sentido.

José Alberto Carvalho , pivot da TVI  lá ia lendo as suas deixas de um tablet que trazia nas mãos e que o dificultava no manuseio do microfone.

Ao chegar ao fim ,(e sem nunca referir que o Museu existe, porque a Rainha Dª Amélia salvou da destruição estes veículos) aproximou-se de uma peça especial ; um "Landau" onde o Rei D. Carlos e o Príncipe Luís Filipe foram barbaramente assassinados. Aparece uma imagem do assassino, já morto e para minha surpresa, o Pivot José Alberto faz o elogio do assassino, referindo o seu testamento feito dois dias antes.

Esperava mais e melhor desta cara da TVI. Fiquei mais uma vez chocado.

Então o José Alberto Pivot faz o elogio do assassino do chefe de Estado Português?

Não entende que como pivot tem que pensar bem melhor no que vai dizer a centenas de milhares de pessoas ?

Foi uma desilusão . Afinal é isto um profissional de televisão?

Mas como dizia um velho pescador : " ... isto esta tudo de perrnas prro ar, agorra já são as boias que cagam nas gaivotas."  

Que desgrraça de pivots.

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publicado às 11:29

Carta aberta ao Ministro da SS, presente ou futuro

por Fernando Melro dos Santos, em 21.05.15

Excelência,

 

tomo nota com grave preocupação do estado a que chegaram as - previsivelmente - fadadas à desgraça operações conduzidas pela Instituição a que preside VExa.

 

Designadamente, passo a elencar aquilo que me perturba, e que no meu parco entender deveria preocupar qualquer contribuinte - activo como nós que vos damos a comida para a boca, ou passivo como os parasitas de benesses insustentáveis que vós, gente de vistas curtas e concupiscência irreprimível, seduzis ano após ano. 

 

Actualmente, a SS é equiparável a um morto-vivo, uma amálgama "zombieficada" que desconhece a sua própria dimensão e cuja sobrevivência, mercê da aniquilação demográfica, da imbecilidade advinda da ruína educativa e do êxodo a que décadas de estado-paizinho forçaram a desgraçada população desta cloaca onde tive o azar de nascer para testemunhar a ascensão de figuras como VExa, se encontra com os dias contados. 

 

Não bastando a escassez de fundos e a desertificada tesouraria, querem ao que parece os governos actual e seguinte, não contentes em proxenetizar o trabalhador extorquindo-lhe tributo para o qual jamais encontra retorno, alargar a égide da v/ tenebrosa organização aos nascituros, quiçá tendo em vista - à semelhança do que fazem outras excrescências desta endémica ignorância que vos elege vezes sem conta, em busca da proverbial migalha - o controle presente, futuro e hereditário sobre toda e qualquer alma infeliz quanto baste para aqui ser parida e registada. 

 

Aliada esta iniciativa à subversão da deriva evolucionária que desde há milénios (mal grados os esforços dos néscios sumamente prepotentes como VExa, seus congéneres e os cabecilhas de Vossas seitas) mal ou bem ainda vem salvando uma réstia de esperança para quem Vos renega, não contentes com isso, não contentes com a matança de inocentes sem voz em regos hospitalares infectos às custas do contribuinte, não contentes com a banalização da estupidez, da insídia, do nanismo e onanismo intelectuais, da merdificação crassa de gerações a fio, vêm VExas considerar a consagração de "direitos" como a adopção, isto é, a experimentação hedonista por parte de paneleiros e fufas, fazendo tabula rasa de todo o bom senso.

 

Não falo das contas públicas, VExa e os demais nababos que se banqueteiam e espraiam plumagem à conta do erário são prova bastante do desfecho que nos aguarda, a todos, amarrados ao mastro da mesma nau condenada. Nessa precipitação, terei gosto em acompanhar VExa. 

 

Falo da abjecção a que é possível reduzir um eleitorado, ora massa de querubins academizados e putas sem brio, ao ponto de eleger e reeleger, de sufrágio em sufrágio até ao ditador final, homúnculos do quilate de VExas. 

 

Fodei-vos. 

 

 

Leitura acessória: é proibido vender tigelas de barro sem pedir autorização aos cabrões que são pagos por quem vende tigelas de barro.

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publicado às 14:53

Pronúncia e ortografia

por Cristina Ribeiro, em 21.05.15

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" Rádio e Televisão deveriam ser escolas de pronúncia da língua portuguesa. Pois não são... Em vez de escolas, são latíbulos que geram monstros. Nós, os espectadores, somos " espequetadores ". Nós, os ouvintes, somos os " óvintes ", os... timados óvintes. " Busquei este excerto da Enfermaria por me ter dado conta da grande confusão que vai lá no facebook: acham não poucos que o C de espectador se deve pronunciar. Disseram-me na escola primária que neste caso, como noutros - por exemplo o de actor - tal consoante é muda. Tem um valor diacrítico: substitui o acento gráfico ( espÉtador ); sucede, porém, que ao escrevermos espectador, estamos a respeitar a história do vocábulo, pois que provém ele da forma latina speCtare ( olhar ).

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publicado às 14:42

A proposito de Pais e Filhos

por João Almeida Amaral, em 21.05.15

Daniel Oliveira publica um artigo no Expresso sobre as relações entre pais e filhos, ao lê-lo senti que era um tema actual. Não concordo nem discordo tenho uma opinião diferente.

Talvez a chave dos problemas desta geração passe por aqui. Pais e filhos e filhos e pais.

Até aos anos 80 em Portugal o que vigorava era uma relação de respeito entre Pais e Filhos. "filho és pai serás , assim como fizeres,  assim receberas" o normal era um respeito biunívoco. O Pai vestia a pele de Protector, polícia, professor e educador. Amava com a distância normal de Pai para Filho.

Afinal os filhos não são, nem poderão nunca, ser os nossos melhores amigos. Eles têm um estatuto diferente ; o importantíssimo estatuto de Filhos.

Em contrapartida os Pais eram respeitados porque para além de se darem ao respeito eram geralmente um exemplo para os filhos. (não me lembro de ter ouvido uma única vez o meu pai praguejar a minha frente)

20 anos mais tarde no inicio do século XXI surge a geração dos filhos que fruto da largueza económica e do consumo desenfreado são conhecidos como os "Meninos Deuses" , transversais a todas as classes sociais são o produto de uma sociedade que se perdeu, que caminha sem rumo.

O normal passou a ser o Pai, respeitar e venerar o filho que, o não respeita, que acha que o que os pais fazem é sempre pouco. Os filhos que se "enervam" porque não há refrigerantes , os filhos a quem os país vão servir ao quarto porque não se dignam estar a mesa com a família, os filhos que querem Vans ou outra porcaria semelhante.Os filhos que aos dezoito anos ainda vão para a escola com os paizinhos (e sempre atrasados, pois o mundo tem que esperar por eles, afinal são Deuses)

Os exemplos são dramáticos:

Filhos que batem nos pais ou que se viram a eles

Filhos que abandonam os pais em lares e outras instituições com nomes falsos e desaparecem

Filhos que exigem playstations, motas, roupa de marca , etc .

Filhos que só têm direitos e nenhumas obrigações. 

Filhos que decidem se falam aos pais ou não em função da satisfação de caprichos.

Dir-me-ão mas acha que são todos assim?

Há evidentemente excepções mas a realidade é muito má. 

Quando se transpõem para a escola é a geração que bate nos professores, professores esses que em grande parte não conseguem impor o respeito porque já pertencem a chamada geração rasca.

Como a loucura comunista do pós 25/4 esta factura terá um preço. Que será pago por eles próprios porque ao serem Pequenos Deuses acham que não se devem reproduzir para não repartir os rendimentos com filhos (ou estragar o corpo), logo , não terão quem olhe por eles na velhice.

Esqueceram algo fundamental, ser velho é apenas uma fase que começa na infância e eles vão acabar, como meninos velhos, que nunca foram homens mas aspiraram ser Deuses. 

Pobres Meninos Deuses.

 

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publicado às 13:38

Breaking News

por Fernando Melro dos Santos, em 20.05.15

ANTÓNIO COSTA PROMETE AUMENTAR A ESPERANÇA DE VIDA, PARA TODOS, ATÉ AOS 99 ANOS JÁ EM 2015

 

(notícia em actualização)

 

Actualização às 20h15: Isabel Moreira será a Ministra do Ajustamento Biológico, avançam vários órgãos de comunicação social em falência. 

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publicado às 20:15

Não discutimos a pátria (nem o futebol)

por Nuno Resende, em 19.05.15

«Não se discute Deus e a sua virtude; não se discute a Pátria e a Nação» - disse António de Oliveira Salazar. Talvez não tenha acrescentado o futebol, por pudor. Acrescentemo-lo agora a propósito das recentes comemorações benfiquistas.

O futebol é uma prática desportiva. Até aqui tudo bem. O desporto é uma característica que distingue a humanidade da sua biologia animal: hoje o Homem já não precisa de caçar para alimentar-se, nutrir-se e manter-se em forma para evitar ser caçado. Apesar disso no presente o Homem pode existir sem que isso implique mover-se.

Mas o futebol, ao contrário de muitas outras práticas desportivas, saiu, há muito tempo, fora das quatro linhas, tornando-se um espectáculo de massas, consubstanciado com o recurso a um vasto conjunto de artifícios, em grande parte motivados pelo luxo, pelos excessos e pelo desejo de poder – coisas que o comum dos mortais deseja como as pegas desejam os objectos brilhantes e que topam no seu longínquo voo.

O futebol não é, por isso, apenas, uma prática desportiva. A sua organização em equipas torna os seus fãs ou adeptos em milícias que visam enaltecer, proteger e defender (se preciso até à morte) uma pequena oligarquia de jogadores que vive acima das possibilidades do comum dos humanos. Mesmo nas equipas menos bem pagas, o clubismo transforma-se numa expressão longínqua da antiga vida em tribo. Sem necessidade de alianças para caçar e defender-se das grandes presas pré-históricas o Homem moderno usa o futebol como forma de catarse e exercícios de violência mantendo assim os níveis de epinefrina capazes de aguentarem a sua virilidade em pé.

Claramente difundido em algumas sociedades ocidentais (sub ou sobredesenvolvidas – o índice de desenvolvimento económico não é para aqui chamado como muitos argumentam) o futebol constitui, assim, a mais clara expressão de um comportamento hominídeo primitivo que articula a expressão violenta da subsistência com a sustentação de uma rivalidade inter geracional e rácica.

Toda esta conversa pseudo-sociológica e intelectual serve para resumir que há décadas que o futebol significa, mais do desporto: significa dinheiro, violência e absoluto desrespeito pela convivência entre indivíduos. Que se faça de um momento de violência um discurso pró ou contra agressores ou agredidos, nem sequer é ridículo. É escusado.

Devia, isso sim, discutir-se o futebol, o seu papel educacional e pedagógico enquanto desporto. Isso e só. Tudo o resto tem contribuído para a transformação da sociedade numa enorme massa uniforme de unanimismos. De facto não há assunto, pelo menos em Portugal, tão consensual como o futebol. Nem a democracia é tão consensual quando se trata de defender a imagem de um futebolista ou de um treinador. E isso é preocupante. Talvez assim se justifique que da Esquerda à Direita, todos os políticos, quando entrevistados introduzam o tópico do futebol como uma expressão de clubismo ou amizade saudável.

Mas o que se tem visto ao longo do último século é tudo menos saudável: além de uma excessiva participação estadual nos grandes clubes, a comunicação social aproveita-se daquele desporto em detrimento de outros assuntos, bem mais prementes do ponto de vista cívico.

Enquanto o futebol for assunto tabu dificilmente avançaremos do grau civilizacional onde estamos e que conduzem às imagens degradantes que as televisões, jornais e redes sociais têm repetido ad nauseam.

É que violência não é só a física e corporal…

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publicado às 15:11

Há poucas petições que valha a pena divulgar e assinar, mas esta é uma delas.

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publicado às 12:14

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O pai que bateu no filho que foi morto pelo cão que não era polícia. As comadres que defenderam o cão e acorreram para defender os agressores da escola. A Inquisição que ateou o fogo que arde e cem a ver. O ácido muriático que desfigura canos e faces. O transsexual do bungee jumping sem retorno na clareira da construção pouco civil. O rapaz que vestia os ténis de marca à hora errada. O vizinho do lado que não gostou que lhe mexessem nos marcos do terreno foi à caça e teve um dia em cheio, e não ficou para contar a história aos netos cujo tio afagou. O aficionado que levou a derradeira estocada de uma outra modalidade. O missil lançado no estádio nacional que se desviou da sua rota. Os meninos da casa pilha que lhes roubou a dignidade. Os sociólogos de escaparate que nos agridem com a explicação do vil, a partir da sua torre de vigia de superioridade moral, académica. Este país nunca foi de brandos costumes. Baltimore fica ao virar da esquina. São todos  iguais. Os de cá, os de lá. Os fardados, os destrajados, os que ostentam cachecóis ou usam as próprias mãos para esganar no trânsito. Este é o Portugal moderno, sonhado por revolucionários que prometeram libertar sem limites. E foram bem sucedidos. Democracia, Direitos e Deveres, Liberdades e Garantias, Constituições da República  - intocável. Agora escolha. Prefere o livre arbítrio da desordem reinante? E por quem vai chamar quando for consigo? Os defensores dos direitos dos animais? Não existem nichos. Não existem Musgueiras. Não são estratos económicos e sociais. Não são níveis académicos. É algo mais profundo que assola o país. Faz parte da matriz e de nada servem os paninhos quentes. De nada serve tomar uma posição firme. Estão todos errados.

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publicado às 08:43

A epiderme mais fina de sempre

por Fernando Melro dos Santos, em 18.05.15

mais uma indignacao por parte da turba flor-de-estufa: o suficiente para que o telejornal abrisse com a ministra da justica a garantir que a policia será escrutinada. os anjinhos graudos podem dormir descansados, e va la que nao foi causado stress a nenhum examinando nem angustia a caes ou gatos. da proxima vez podem ir tambem ver a bola contribuintes romanis, acompanhados dos filhos menores, assaltar adeptos. estarao seguros para exercerem a sua profissao.

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publicado às 21:28

Este país não é para velhos... nem novos...

por Manuel Sousa Dias, em 18.05.15

Como tantos outros estou, à conta da crise, a iniciar outra actividade profissional radicalmente diferente da que até agora - e com bastantes dificuldades - vinha desempenhando enquanto empresário em nome individual. No nosso país nem sempre é fácil mudar de profissão (ou re-inventar-se como agora pretensiosamente se diz) depois de passados os 40 anos, ou 47, no meu caso. Eu, depois de uma sequência de azares, tive sorte. Se por acaso nesta idade se procura trabalho na mesma área de actividade corremos o risco de ser, além de velhos, sobre-qualificados, o que leva muitas empresas a preferir "sangue novo" por tuta e meia em detrimento dos serviços de alguém com experiência cheio de vontade de trabalhar. A desculpa da sobrequalificação é um disparate. Porque não optam as empresas por um profissional de topo que, por força das circunstâncias está a preço de saldo? Recordo-me agora de um internamento hospitalar que tive em Londres há 4 anos e da conversa que tive com um enfermeiro inglês especialmente atencioso e muito simpático. Contou-me ele que até aos 42 tinha sido contabilista mas que estava farto da profissão, pelo que resolveu mudar de vida: estudar enfermagem, profissão a qual, aos 40 e poucos, sentia que era a sua verdadeira vocação. Então fez um ano de universidade, o ano de estágio no hospital, que foi o momento em que o conheci, e iria terminar os seus estudos com mais um ano na universidade. A história dele não é diferente da de tanta gente, em Inglaterra ou por essa Europa fora, na qual a mudança da actividade profissional é uma experiência valorizada profissional e humanamente, para não dizer académicamente. E sem estigmas. As novas oportunidades não são programas de intenções para inglês ver... Em Inglaterra muitos trabalhadores experimentam o "friday night stress", que não é mais do que um despedimento à sexta-feira, seguido de um stress de fim-de-semana, a procura de emprego na segunda-feira, a entrevista à terça e novo emprego na quarta-feira. Okay, talvez esteja a ser um pouco optimista nas virtudes da cultura "hired and fired" anglo-saxónica mas não estarei assim tão longe da realidade. Muito do desemprego que existe é friccional, de trabalhadores entre empregos e de curta duração (não há também tanta dificuldade em mudar de cidade porque, regra geral, não se compra casa, aluga-se). Em Portugal a coisa fia de maneira diferente. Vivemos num país envelhecido e cheio de contrasensos. Por vezes ouvimos dizer que alguém que morreu aos 75 anos morreu novo. Paralelamente ouvimos também que aos 40 estamos muito velhos para iniciar nova carreira porque de facto há poucas oportunidades. Que raio de país este.

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publicado às 19:23

Os gregos e o campeonato da Europa

por John Wolf, em 18.05.15

 

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Enquanto alguns festejam o 34º e outros se queixam de cargas policiais, aproximamo-nos a passos largos do fim de um outro campeonato. Uma liga onde Portugal disputa o seu futuro. A Grécia está cada vez mais perto de um desfecho dramático. O default grego é uma inevitabilidade. Aquele país praticamente já não tem dinheiro em caixa para pagar as contas. Como vem descrito no artigo do CNBC, resta saber quem irá abater o cavalo (de Tróia). Tsipras já disse que não a um referendo que em última instância aprovaria mais medidas de austeridade. Pelo andar da carruagem não haverá uma entidade externa a empurrar a Grécia para fora do euro. Serão os decisores políticos gregos que carregarão o ónus da falência. E se Tsipras e Varoufakis forem fiéis ao estilo a que nos habituaram, irão vender a tragédia como um sucesso. O governo de Passos Coelho sabe que estes eventos jogam a seu favor. A instabilidade externa promove, sem margem para dúvida, a ideia da necessidade de continuidade. O aventurismo dos socialistas já se está a fazer sentir. As sondagens podem ter valor relativo, mas António Costa já não convence o eleitorado nacional. Iria mais longe até. Comparado com Seguro, não acrescentou nada que se possa ver. Distingue-se do seu antecessor, mas pelos piores motivos. Não pretende a regeneração nem do partido socialista nem da ideologia subjacente. Há portanto semelhanças entre Tsipras e Costa: são ambos teimosos. E provavelmente passarão a ter mais em comum - derrotas políticas. Há outra coisa  de que António Costa se esqueceu: já não pode entregar a taça a Luís Filipe Vieira ou a Jorge Jesus nos paços do concelho. É assim. Foi bom enquanto durou.

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publicado às 12:17

They Live

por Fernando Melro dos Santos, em 18.05.15

 

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publicado às 11:54

Ainda o abastardamento da língua portuguesa

por Samuel de Paiva Pires, em 18.05.15

Isabel Soares:

 

"A língua não é um produto de um acto de vontade do ser humano. A língua é uma propriedade emergente de comunidades humanas que surge independentemente de qualquer actividade consciente dessas comunidades. Neste sentido, a língua é um fenómeno da natureza. A língua está ligada à mente humana, emerge dessa mente e molda-a de formas que provavelmente nunca conseguirão ser inteiramente compreendidas pelo ser humano.

(...)

A língua não é um produto utilitário e não pode ser tratada como tal. Embora possa parecer um lugar comum dizer isto, não consigo deixar de ver no acordo ortográfico uma consequência da preponderância na sociedade de formas de pensar tecnicistas e cientistas. Há que perceber que manipular um fenómeno natural complexo tem, em regra, consequências que ultrapassam em muito as pretendidas. É característico do pensamento cientista tentar reduzir todos os fenómenos complexos a questões simples, e tratá-los como tal."

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publicado às 10:34

António Costa: it´s lonely at the top

por John Wolf, em 15.05.15

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António Costa dá conta das encomendas sozinho. Não precisa de ajuda nem precisará. Mas lentamente o seu discurso alterar-se-á. Uma vez que vai perdendo pontos na secretaria das sondagens, há-de de chegar ao ponto de rebuçado em que terá de decidir agarrar-se ao tronco central do poder. Ou seja, encarar de frente a grande possibilidade de não poder ser o déspota a solo, o absolutista de legislativas, o vencedor incontestável das eleições que se seguem. O Partido Socialista ainda não percebeu pelo menos duas coisas; a ideologia já não é o que era - a Esquerda e a Direito não se distinguem como dantes acontecia -, e Portugal já percebeu que os socialistas não conseguem oferecer um projecto credível, distinto, uma verdadeira alternativa. Qualquer tentativa de syrização da posição de Portugal não trará bons resultados no plano interno e externo - veja-se o que acontece na Grécia com posições extremadas de Alexis Tsipras que se sustentam numa mão cheia de nada. Os portugueses já não vão em cantigas. Essa época áurea de confiança acrescida acabou. António Costa é um homem de tudo ou nada. E isso já não se usa. Mais valia emprestar a ideia de partilha com o Bloco de Esquerda ou a Coligação Democrática Unitária. Mas esses não querem nada com ele. Life is lonely at the top.

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publicado às 18:44

Laura Alves, vindicada

por Fernando Melro dos Santos, em 15.05.15

E não basta, mas já é qualquer coisa.

http://economico.sapo.pt/noticias/mais-um-dolce-vita-falido-e-a-vendadesta-vez-em-lisboa_218509.html

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publicado às 14:57






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