Ou de como os comunistas não são capazes de ver o óbvio, "Qual é o valor da tua ferramenta?":
«150 ou coisa assim anos depois do início da luta comunista propriamente estruturada contra o capitalismo, ainda existem comunistas que escrevem coisas assim: "Até para o mais fiel defensor da boa fé dos mercados e do capitalismo, [não sei quê não sei que mais]". Isto significa que o Tiago Mota Saraiva vê o defensor do capitalismo, ou seja, a pessoa contra a qual dedica grande parte da sua energia ideológica, como alguém que alimenta as suas tácticas e estratégias políticas segundo o pressuposto de que "os mercados" possuem, ou são capazes de gerar, uma moral e justiça inquestionáveis, as quais devem ser preservadas e emolduradas em talha dourada. Ora, excepto para uma meia dúzia de excêntricos, nenhum defensor do capitalismo possui qualquer ilusão quanto à verdadeira competência do capitalismo: é, de muito longe, a forma de organização que mais informação consegue produzir para uso efectivo das relações económicas entre pessoas, organizações e países; e que, em consequência disso, a diferença de capacidade produtiva entre uma sociedade comunista e uma sociedade capitalista é tal que mesmo uma ideologia de inequívoca "boa fé" como o comunismo nunca jamais conseguirá oferecer aos seus súbditos condições de vida comparáveis ao capitalismo mais escandalosamente amoral e selvagem, e isto mesmo descontanto as mundialmente famosas desigualdades. E é só isto, um gajo não se põe a protestar boas fés, muito menos a nossa. Enquanto o Tiago Mota Saraiva não for a banhos com esta simples observação, a sua luta será sempre contra uma mera meia dúzia de fantasmas da raia capitalista, que com certeza lhe permitirão viver sem atribulações dialécticas, mas que muito dificilmente avançarão a sua causa (...)»
(James Madison, imagem daqui)
Uma oportuna reflexão de Paulo Marcelo, sobre uma possível saída para a crise do euro e a União Europeia:
«Hollande prometeu um novo "quadro político europeu", mas o que quer isso dizer? Estou convencido que só saímos disto com uma profunda reforma institucional. Confirma-se que a esta união monetária (incompleta) não subsiste sem uma união fiscal e orçamental, legitimada por uma união política. Só isso convencerá os mercados e porá fim à turbulência que alastra da periferia para o centro. A união está coxa e só pode ser salva com um orçamento comum, aprovado por representantes eleitos, o que implica uma profunda reforma constitucional, ao estilo da Convenção de Filadélfia (1787), na origem do federalismo americano.»
Porém, dada a forte tendência racionalista construtivista da filosofia política continental, tenho sérias dúvidas que o federalismo europeu seja semelhante ao americano, isto é, que tenha no seu cerne uma concepção antropologicamente pessimista e metodológica e politicamente individualista da natureza humana e do exercício do poder, procurando fragmentá-lo e difundi-lo para evitar a perigosidade para o cidadão que resulta da sua centralização. É preciso não esquecer que através do método comunitário a União Europeia tem vindo a arrogar-se cada vez mais competências em cada vez mais domínios da vida pública e privada, ao passo que as principais prerrogativas do Estado Federal americano são nas áreas da moeda, política externa e defesa. Dificilmente Bruxelas abrirá mão do poder que tem. E há ainda dois obstáculos por ultrapassar: um, salientado recentemente por Robert J. Barro, é o custo potencialmente proibitivo e em grande parte desconhecido de juntar populações heterogéneas com diferentes culturas, línguas e histórias sob a égide de um só estado - daí ser necessário que a maior parte das competências na administração directa dos diversos países seja retida pelos estados federados; o outro, e que salta à vista de todos, é que não temos líderes com um mínimo de preparação para uma empreitada destas. Não digo que não possam aparecer, especialmente se for adoptado o estilo da Convenção de Filadélfia, em que não sejam os actuais governos automaticamente mandatados (por eles próprios, claro) para representar os estados, mas tenham lugar eleições para os delegados. Mas mesmo assim, será difícil que apareça alguém da craveira de Madison, Hamilton, Jefferson, Franklin ou Washington.
O mais rasteiro populismo tem destas originalidades. O sr. Louçã anda muito aflito pela falta de atenção que os chamados "mercados" têm dado Portugal. Não há dia em que os manigantes da plutocracia não falem da Grécia e de Espanha. Quanto ao nosso país, este momentâneo esquecimento talvez queira significar algo que nada convém aos partisans do "quanto pior, melhor". Sonham com o caos que hipoteticamente lhes daria algum poder. Os garotos crescidos do BE, deviam ter bem presente o facto deste país não ser um retalho de qualquer uma possessão do Sultão de Constantinopla, subitamente trazido ao concerto dos Estados independentes pelo interesse e vontade da Rússia, França e Inglaterra. Por isso mesmo, bem podem as conhecidas milícias de choque bloquistas acender um ou outro fogacho, pois esta população não partiu montras, não roubou lojas, nem incendiou viaturas. São mesmo uns maçadores, estes portugueses velhotes de nove séculos.
Aquilo que esta diminuta imitação barata do Syriza devia increpar, é o porquê da situação criada por um Estado tentacular e patrocinador de ruinosas PPP, sugador de impostos e controleiro de todo e qualquer tipo de actividade. É o famoso círculo vicioso, pois se Louçã quer sempre "mais serviços públicos", não existirá outra alternativa senão o constante exigir de mais e mais impostos a cobrar a uma população onde os ricos são uma ínfima minoria. A menos que rico signifique auferir 1500€ mensais. Ora, este é um dos cavalos de batalha de Louçã, oportunistamente acenando com o "roubo dos subsídios de férias e de Natal". Não se entende qualquer coerência no discurso: o BE, partido comunizante, é obviamente favorável a nacionalizações sem quartel, quer rasgar o acordo com a troika cujo dinheiro mensalmente paga os salários e reformas, apoia uma imparável e forte taxação e em simultâneo, pretende um Estado paternalista que invista, subsidie e onde tudo deverá ser grátis? Como?
Em pleno século XXI e num país de pequenos proprietários o BE pretende, sem ousar dizê-lo, sovietizar a sociedade. Só visto!
O normal Sr. Hollande toma hoje posse do Palácio do Eliseu, local que nos seus melhores dias foi habitado por Bourbons e Bonapartes. Como seria de esperar após o encerramento da sessão, o normal Sr. Hollande partirá em velocidade de jacto para a Alemanha, onde "apresentará credenciais" à Chanceler Merkel.
Se ainda há uns dias falava forte e pretendeu mostrar ao mundo uma pose "à De Gaulle", vamos a ver se não regressa de Berlim completamente normalizado, mais um perfeito sucessor de Pierre Laval. Em matéria de Vichy, os socialistas franceses são peritos. O Sr. Mitterrand e o próprio pai de Hollande, foram dois entre os muitos milhares de consumidores daquelas cristalinas águas.
Bem podem gastar algumas horas no desfolhar deste extraordinário blog. Em matéria de estilo, é o melhor postado em Portugal.
Em 1976, quando François Hollande se apresentou para cumprir o Serviço Militar, nos exames físicos foi-lhe detectada miopia, o que levou a que fosse dispensado. No entanto, o jovem Hollande preparava já uma carreira política e estava consciente que o facto de não ter cumprido o Serviço Militar poderia prejudicá-lo mais tarde. Logo após se inscrever na ENA (École Nationale d'Administration, o principal viveiro da classe dirigente francesa) pediu um novo exame físico que desta vez lhe foi favorável. Incorporado, foi colocado com a patente de aspirante no 71º Regimento de Engenharia de Oissel, perto de Rouen, sua terra-natal.
Mas para isso teve antes que receber formação como oficial, ingressando na Academia Militar de Coetquidan, onde teve como colegas de pelotão de instrução Michel Sapin (também aluno da ENA; ministro em vários governos socialistas), Jean-Pierre Jouyet (colega de François Hollande, Ségolène Royal e Dominique de Villepin na ENA, Curso Voltaire; ex-chefe de gabinete de Jacques Delors na Comissão Europeia; ex-director do Tesouro; secretário pessoal do primeiro-ministro socialista Lionel Jospin aquando da adesão ao Euro; ex-presidente do Clube de Paris; ex-administrador não-executivo do Barclays Bank France; ex-chefe da Inspecção Geral de Finanças; ex-Secretário de Estado dos Assuntos Europeus do governo François Fillon; actual presidente da Autoridade dos Mercados Financeiros; casado com Brigitte Taittinger, da família dona da famosa marca de champanhe Taittinger) e Henri de Castries (Conde de Castries; colega de François Hollande na ENA, do mesmo Curso Voltaire [nome do curso escolhido pelos alunos]; ex-membro da direcção do Tesouro; inicia a carreira na seguradora AXA em 1989 e é CEO desde 2000; é director da Comissão de Coordenação do Clube de Bilderberg; próximo de Nicolas Sarkozy e de François Hollande; descendente do Marquês de Sade).
Como se vê, tudo gente de meios modestos e com um percurso de vida perfeitamente normal.
Miguel Castelo-Branco, "Caterva":
O "normal" herói da esquerda indígena só possui 3 casas na Riviera, avaliadas em cerca de 1 milhão de libras, fora o restante património. Isto vindo de quem afirma odiar os ricos. Esquerda caviar no seu melhor.
Leitura complementar: O normalíssimo François Hollande
No dia da comemoração de 50 anos de um bom casamento institucional, também nos chega um bom vento autárquico. Foi detido um ex-alcaide de uma localidade da zona de Málaga, em Espanha. Este membro da I.U. - a "CDU" local, vulgo Partido Comunista -, prevaricou naquele tipo de decisões que aqui em Portugal sobejamente conhecemos. Já está a chegar a altura de no nosso país adoptarmos este género de razia dissuasora. Apenas na região metropolitana de Lisboa, a lista é densa e os desastres urbanísticos imensos, desde demolições, à ocupação indevida de terrenos agrícolas, construção especulativa, mancomunamento com a banca, etc. Tudo aquilo de que o ex-alcaide é acusado, não passa de um fait-divers alfacinha, uma constante nos municípios portugueses. Comecemos por Lisboa e já!
Tarrou, descrevendo Orão em A Peste, de Albert Camus:
«Todos se precipitam, pelo contrário, para qualquer coisa que conhecem mal ou que lhes parece mais urgente do que Deus. Ao princípio, quando julgavam que era uma doença como as outras, a religião estava no seu lugar. Mas, quando viram que o caso era sério, lembraram-se do prazer. Toda a angústia que se pinta durante o dia nos rostos dissolve-se então, no crepúsculo ardente e poeirento, numa espécie de excitação desvairada, numa liberdade desusada que inflama todo um povo. E também eu sou como eles. Mas quê! A morte nada é para os homens como eu. É um acontecimento que lhes dá razão.»
Em Novembro de 2011 assistimos a um golpe de estado constitucional, operado pela UE (leia-se Berlim), quando Papandreou tentou levar a cabo o referendo ao pacote de resgate e, por consequência, à manutenção da Grécia no euro. Agora, Wolfgang Schauble vem dizer que não se pode obrigar os gregos a permanecer no euro. Ou de como Merkel não sabe o que anda a fazer e isto já deveria estar mais que pensado e resolvido.
Muito se tem especulado acerca do relacionamento entre D. João Carlos I e D. Sofia, os monarcas espanhóis. Se a imprensa aproveita todos os motivos verídicos ou imaginários para vender papel aos maços de tipo "higiénico", a opinião pública é também direccionada para episódios menores e completamente alheios às realidades institucionais. Tal como noutras monarquias europeias, a Coroa tem sido um precioso elo de unidade do Estado, especialmente tratando-se de Espanha, onde os "nacionalismos" estão uma vez mais prontos para mortalmente se digladiarem por um pueblocito, uma nascente de água, pelo Tesouro público do Estado, pelos navios da Armada, pela frota pesqueira ou pior ainda, por fronteiras medievais que satisfaçam pequenas vaidades de um ou outro candidato a caudilho de pacotilha.
A Portugal interessa uma Espanha unida, próspera e feliz, a Espanha desta Monarquia. Imaginemos o desastre que significaria uma Espanha fragmentada ao estilo jugoslavo, forçando o nosso governo a discutir águas fluviais, acessos à Europa, delimitação de fronteiras e enxames de refugiados em fuga de micro-potentados andaluzes, leoneses, castelhanos ou galegos?
Ao contrário daquilo que ignominiosamente ocorreu nos últimos anos da Monarquia Portuguesa, os Partidos espanhóis têm sabiamente conservado o respeito e intangibilidade da figura do monarca, deixando a iconoclastia para a marginalidade trauliteira, seja ela partidária de caducidades como a ETA, IU e ERC, ou ruidosamente "indignada" de very expensive computador portátil e telemóvel em punho cerrado.
Num casamento presenciado toda a realeza europeia e asiática, João Carlos e Sofia uniram as suas vidas. Pouco nos importa ou interessa se existiu ou existe algo mais que o sentido do dever que juraram carregar até ao fim da sua presença terrena. São conhecidos os flirts de S.M. o Rei de Espanha, assim como são estimadas as suas acções que beneficiam o seu país, tratando-se estas de exercícios de influência junto de governos estrangeiros, ou da eficaz contenção de um qualquer arrivista candidato a ditador perpétuo. O que deve ser criteriosamente analisado é o seu papel institucional e aqui nada existe a apontar. O Rei não interfere nos assuntos da governação, apenas o fazendo quando para tal é solicitado. D. João Carlos jamais se incompatibilizou com qualquer um dos Presidentes do Conselho que o povo espanhol nomeou para a Moncloa e pelo contrário, defendeu-os sempre que atacados por estrangeiros. O Rei jamais dissolveu "por apetência" ou interesse pessoal, qualquer um dos Parlamentos eleitos. O Rei mantém baixo o preço do sustento da Casa Real a cargo dos contribuintes, em flagrante contraste com qualquer uma das repúblicas fronteiriças do Estado espanhol. O Rei mantém as Forças Armadas em passo constitucional, cumpriu e cumpre escrupulosamente a Constituição da qual é sem dúvida o inspirador e símbolo máximo. Internacionalmente, o reconhecimento abre-lhe as portas de todos os palácios de governo e é mesmo a imagem de uma Espanha que apesar de uma crise que decerto passará à história, vive o seu melhor momento desde há mais de quatro séculos. O mesmo se poderá dizer da Rainha Sofia, mulher excepcionalmente inteligente e culta - poliglota, é uma raridade em Espanha -, de uma moderação, rectidão de carácter e sentido de dever sem qualquer contestação. Se a Rainha dá que falar, isso apenas dever-se-á ao seu perfeito sentido do interesse do Estado, à sua acção no campo da cultura e em numerosas instituições dos mais variados cambiantes sociais, assim como ao completo interiorizar de emoções que perturbem a sua missão. Arriscamo-nos mesmo a afirmar que à influência de D. Sofia deve o Rei a Coroa, pois o círculo de hierarcas que rodeava o Generalíssimo Francisco Franco, não parecia disposto a abrir mão de um poder conquistado pela força das baionetas. Nas Armas de Espanha presentes na Bandeira, existem dois símbolos heráldicos representados pelas colunas de Hércules, marca da soberania do Reino sobre a entrada do Mediterrâneo. Uma mostra a faixa com a inscrição Plus, enquanto a outra ostenta o Ultra. Podia bem ser esta a definição do já longo reinado de D. João Carlos e de D. Sofia.
Devido ao infeliz episódio de índole privada recentemente ocorrido e no qual esteve envolvida uma vulgaríssima pistoleira de mau porte e emprestado apelido, em Espanha não haverá qualquer comemoração oficial do cinquentenário do casamento real. É uma falta inexplicável, mesmo tratando-se do momento em que o país está mergulhado numa crise na qual a Monarquia não arca com qualquer tipo de culpa. Mais ainda se pode dizer que a Monarquia representa o mais importante activo político do Estado espanhol, não havendo assim lugar para amuos ou a satisfação do rodízio de intrigas a que a imprensa de barbudos "intelectuais do whisky" e a imbecil prensa del corazón se dedica.
50 anos deste casamento, são bem o símbolo daquela nova Espanha acima referida e isto devia a Monarquia reter como marca indelével. Como egoístas populares que somos, pouco nos importarão os casos pessoais, os amores e desamores das régias figuras, pois o fulcro da sua existência é a sua permanência ao serviço e isso têm feito de forma exemplar.
Parabéns, Majestades.
Alberto Gonçalves, "Liberdade, igualdade, normalidade":
«Enquanto obedece à tradição local e enche a boca de fanfarra nacionalista para falar de "la France", François Hollande gosta de se proclamar "um homem normal". A imprensa, por lá e por cá, gostou do auto-retrato e, decerto para evitar canseiras, desatou a usá-lo com abundância nas manchetes da vitória: "uma presidência 'normal'"; "um senhor 'normal' no Eliseu"; "a vitória de um homem 'normal'", etc. O adjectivo define menos o sr. Hol- lande do que a concepção que o sr. Hollande e, pelos vistos, boa parte dos jornalistas têm da normalidade.
Basta espreitar o currículo do sujeito. Em 1974, ainda estudante universitário, o sr. Hollande voluntariou-se para a campanha de François Mitterrand. Mal se licenciou, conseguiu emprego numa comissão governamental. Aos 25 anos, inscreveu-se no Partido Socialista. Aos 27, concorreu ao Parlamento nacional. Não ganhou, mas viu o esforço recompensado com um cargo de conselheiro do então recém-eleito Mitterrand. Em 1983 foi vereador de uma cidadezinha do interior e, em 1988, chegou enfim a deputado, posto que perdeu em 1993 e recuperou em 1997. Pelo meio, divertiu-se em tricas partidárias e Lionel Jospin escolheu-o para porta-voz do PS. Nem de propósito, em 1997 tornou-se líder do PS, honra que lhe caberia por mais de uma década. Em 2001, pairou pela autarquia de Tulle. Desde 2008, o sr. Hollande prosseguiu o tirocínio numa presidência regional. Agora, é presidente da República.
Um homem normal? Normalíssimo, se a palavra definir as criaturas que passam a vida inteira sem, digamos, trabalhar. Esta linha de pensamento olha de viés os que algum dia arriscaram colocar o pé fora da política e experimentaram uma profissão a sério. O sector privado é coisa de excêntricos e, convenhamos, de excêntricos pouco confiáveis. Na França e aqui, o Estado é a norma.
As ideias do sr. Hollande também são normais. Naquilo que nos toca, conheço-lhe uma: a austeridade é má. E não custa nada encontrar gente, igualmente normal, que partilha a opinião. Só em Portugal, Francisco Louçã reclama o fim da austeridade, Mário Soares jura que a austeridade não faz sentido e António José Seguro, que naturalmente tomou o triunfo do sr. Hollande a título pessoal, acha a austeridade excessiva e dispõe-se a sair à rua em protesto.
É inacreditável como é que ninguém se lembrou disto antes. Afinal, a solução não passa por apertos que nos atormentam a bolsa e a existência: passa, obviamente, pelo crescimento, definição lata para a estratégia que consiste em gastar acima das possibilidades, viver de prometidos mundos e fundos, contemplar a descida das promessas à Terra, acumular dívida, rebentar com estrondo e atribuir a culpa de tudo às agências de rating, à sra. Merkel e, grosso modo, ao capitalismo selvagem.
Para surpresa de uns poucos (muito poucos), a solução dos problemas implica o regresso ao estilo descontraído que alimentou os problemas. E se a solução talvez não seja o sr. Hollande, entretanto já empenhado em desmentir os delírios de campanha e prevenir os franceses para as maçadas que os esperam, é garantido que a solução virá, no mínimo espiritualmente, de França. Chama-se José Sócrates e é, para sermos educados, outro homem normal.»
O post "Não há nada como mudar de vida..." está hoje em grande destaque no Portal dos Blogs do SAPO: Obrigado SAPO!
Claro que era de esperar. Bem "guardada e situada", a Sala Thai já é um alvo da habitual depredação que a nossa gente dedica aos monumentos. Há uns dias, um bando de miúdos jogava à bola dentro do espaço e chamados à atenção, tiveram o descaramento de dizer que ..."esta coisa é boa, até tem balizas para os guarda-redes". As "balizas" estão à vista e numa oportuna interpretação da Sala, dão acesso ao recinto. No chão já existe uma grafitada e também já faltam alguns dos embutidos.
Nada de espantar, até porque assim que se anunciou a chegada desta prenda, aventámos alguns locais onde poderia estar em segurança. Não quiseram saber e o resultado está à vista de todos.
1966. Surf rock português na altura em que o desporto chegava a Portugal.
O ainda Presidente helénico tem-se visto grego para tentar travar a realização de outro acto eleitoral. Falhadas as negociações para a formação de um governo que enfrente o caos, o ainda Chefe do Estado convocou os três maiores Partidos (ND, Syriza e Pasok) para uma derradeira ronda, após o que terá reuniões com as outras formações, decerto para a marcação de novas eleições que se adivinham renhidas.
Vários cenários são possíveis, desde o desaparecimento do Pasok às mãos do Syriza, até a um correspondente grande reforço do Aurora Dourada. Agora sabe-se que esta formação nacional-socialista muitos votos deve a uma persistente acção social junto das populações desfavorecidas. Não é um caso de admirar, pois cumpre o conhecido, embora esquecido, receituário da militância na Alemanha nos anos 20 e início da década de 30.
O eleitorado também poderá ser facilmente assustado perante as perspectivas catastrofistas, a contragosto voltando apostar nos Partidos tradicionais. Se tal não acontecer e os radicais triunfarem, estará então formada a "tempestade perfeita" e os militares gregos terão um excelente pretexto para uma intervenção. Com a Europa em secreto alívio e queixosos murmúrios de circunstância, aqui está uma verdadeira caixinha de Pandora. Vamos a ver.
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Ao contrário daquilo que se pretende fazer crer, a questão dos feriados não se trata de um mero pormenor ou um patético fait-divers. Além do descarado trabalho gratuito oferecido à cleptocrática "competitividade" mais atrevida, quando se encara o Dia da Restauração da Independência como uma data marginal, existe uma clara mensagem política subjacente. Paulo Portas sabe disso tão bem como o mais comum dos portugueses e dentro do seu Partido o mal-estar é claro, não vale a pena qualquer artifício de ocultação. As paredes do casarão transpiram azedas conversas e sabemos bem o que por lá se passa.
No que respeita ao 5 de Outubro que cada vez mais é bem um símbolo do estado a que chegámos, é tão válida a exigência da sua re-imposição arbitrária, como seria o regresso do 24 de Julho, essa sim, uma data prenhe de consequências para o erguer do Portugal de base constitucional que a nossa classe política de forma tão sonora defende. O 5 de Outubro é uma nódoa negra, uma já caquética vergonha dispensável. Se alguns deputados resolverem retirar o mamarracho estatuário que preside aos trabalhos no Parlamento, melhor ainda. Não faz falta alguma.
Pedro Passos Coelho em 2010 em entrevista à revista Sábado:
“Faço parte da empresa (FOMENTINVEST, nota nossa); não faz sentido agora despedir-me. Mas suspenderei as minhas funções na Fomentinvest, o mais natural é que me demita da administração, mas não vou rescindir o contrato.”
Estamos elucidados sobre quem quer, ou quem não quer mudar de vida. E quanto à coerência então..., ui, ui.
Depois das afirmações de Wolfgang Schauble, agora a notícia de que os bancos já estão preparados para a saída da Grécia da Zona Euro e o regresso ao dracma.
A crise do Euro aproxima-se vertiginosamente de um momento chave. Já falta pouco para ficarmos todos a saber se o contágio será real ou não, se a Zona Euro ruirá ou não.
Smart Diplomacy, Smart Defense, Smart Regulation, Smart Growth, Smart Austerity... Será que as pessoas realmente acreditam nelas próprias quando falam neste tipo de disparates?
"Pedro Passos Coelho lamentou que «a cultura média» em Portugal seja a «da aversão ao risco» e que os jovens licenciados portugueses prefiram, na sua maioria, «ser trabalhadores por conta de outrem do que empreendedores»."
Certo. Há coisa de uns dois meses tive uma ideia para um projecto que requeria pouco capital e não tinha praticamente risco algum - ou melhor, não teria prejuízos de monta caso falhasse. Fiz as contas e só o que ia pagar em impostos demoveu-me de avançar. O empreendedorismo é muito giro mas não num país onde o estado nos confisca à bruta e sem pedir licença.
Spain's indignado protesters face anniversary crackdown:
"In the meantime a battle for leadership of the indignado movement, and control of its social network assets, has broken out. The fight pitches purists, who do not want any formal structure or leadership, against those who complain that the movement's assembly based system is cumbersome and easily blocked by a handful of extremists."
Assistirmos ao debate sobre a alteração das leis laborais, foi o mesmo que estarmos num pic-nic cheio de formigas na toalha estendida sobre a relva. Bem sabemos que dada a conveniência do politicamente correcto, assume-se que a Sra. Assunção Esteves ascendeu a um certo firmamento onde tudo lhe será permitido e desculpado. Mas, francamente, como aqui já tínhamos dito, é penosa a sua prestação na condução dos trabalhos parlamentares. Ao fim de um ano, esta santa ainda não percebeu bem como a geringonça funciona, os vices corrigem-na ponto sim ponto não e até deputadas há que se atrevem a interpelá-la, questionando-a acerca do que se está a votar! Um atraso de vida, o que não obsta a que andem por aí uns crânios que a querem no lugar do profano Cavaco Silva.
Ainda há uns dias, a televisão proporcionou-nos um daqueles parlamentos infantis organizados dentro dos muros de S. Bento e por incrível que vos possa parecer, a brincadeira de crianças funciona de forma mais ordeira e organizada.
Se a Maçonaria já não tem um nome mais capaz para dirigir a A.R., talvez fosse melhor recrutar um daqueles miúdos do "outro parlamento".
* Uma nota positiva: o deputado Ribeiro e Castro manteve a sua coluna vertebral e votou em conformidade com a sua rejeição do obliterar do 1º de Dezembro.
Ortega Y Gasset, lembrado pelo Joaquim Couto:
"O simples processo de preservar a nossa civilização actual é altamente complexo, e exige um equilíbrio sofisticado de poderes. O homem médio, habituado a utilizar as instituições civilizacionais, mas ignorante da origem destas, não está preparado para liderar este processo."
A melhor política de crescimento é a ausência de qualquer política de crescimento. O crescimento económico só é real se for feito pelo mercado livre, pelos privados. E basta pensar no passado recente para ver no que resultaram as políticas de crescimento socráticas. Diminuir os impostos e o tamanho do estado, começando por desmantelar o ministério da economia, era o melhor que se podia fazer para deixar o mercado funcionar e a economia crescer.
Um tipo lê estas coisas e fica sem saber se é ironia ou se é mesmo a sério.
Telefonema para a divisão de contabilidade de uma qualquer Câmara Municipal portuguesa:
Eu: Muito boa tarde, estou a ligar para aferir se já têm alguma previsão relativamente à data de liquidação de uma factura.
CM: Olhe, vou-lhe pedir que me ligue Terça-feira à tarde que é quando fazemos atendimento relativamente a pagamentos.
Ambrose Evans-Pritchard, "Europe's nuclear brinkmanship with Greece is a lethal game":
"Those in the Bundestag, the ECB, and the EU elites now playing nuclear brinkmanship with Greece – ie, threatening expulsion unless Greeks vote again in June, and get it right this time – have misunderstood the predicament they are in. Shakespeare had a term for this: hoisted by their own petard.
As Syriza leader Alexis Tsipras likes to say, Greece has the "ultimate weapon". It can bring down the whole house of cards.
There is no "clean" way to end EMU. But there are certainly degrees of havoc. The least destructive is for the German core to withdraw in an orderly way, leaving EMU to the Latin bloc with euro contacts in tact.
The worst possible way to do end this misadventure is to light the fuse in Greece and set off a chain-reaction of uncontrolled EMU exits and sovereign defaults. Unfortunately, the colossal misjudgement now being made in Berlin and Frankfurt makes this unhappy ending more likely by the day."
Robert J. Barro, "Scrap the Euro Now":
«The political reaction at each step of the ongoing crisis has been to strengthen this union: bailout money from the EU and the International Monetary Fund, fiscal involvement by the European Central Bank, and more EU influence on each government’s fiscal policies. A common currency loaded on top of a free-trade zone is leading toward a centralized political entity.
Despite some scale benefits from having larger countries, the cost of forcing heterogeneous populations with disparate histories, languages, and cultures into a single nation could be prohibitively high.»
Curta mas relevante, a conferência de imprensa de Pedro Passos Coelho e Mariano Rajoy na Cimeira Luso-Espanhola (que os idiotas da televisão estatal insistem em chamar de "ibérica", precisamente o termo que a diplomacia portuguesa quer evitar). Esta cimeira, suposta realizar-se anualmente, não se realizou nos últimos anos pela simples razão que o governo de Zapatero não queria tirar fotografias ao lado de Sócrates e sus muchachos. Mas esta cimeira é diferente pelo momento de crise económica que afecta Espanha e de relações de poder dentro na União Europeia. Não por acaso foi agendada para hoje, "Dia da Europa", desvalorizando a "efeméride". A Espanha de Rajoy não aceita que situação económica seja usada para diminuir o seu prestígio e a sua posição como potência emergente e deixou isso claro quando disse, de peito aberto, que não iria cumprir a meta para o déficit público.
Nos discursos, ficou evidente a diferença entre os governos: entre os que sabem o que é governar, e os outros que acham que governar é anunciar medidas avulsas e, de quando em vez, dar uma explicação sobre o que estão a fazer.
Passos Coelho discursou para português (e, com alguma sorte, espanhol) ouvir enumerando as medidas acordadas entre ambos os governos para cooperação nisto, entendimento naquilo, abordagem comum para aqui e para ali.
Já Mariano Rajoy falou para ser ouvido na Europa, e sobretudo em Paris e Berlim, sobre a estratégia para combater a crise económica a nível continental. Sem condescendência para com o tradutor simultâneo, falou depressa e foi rapidamente ao cerne da questão: Espanha rejeita por completo a anti-austeridade defendida por François Hollande. Rajoy defende para a Europa a mesma estratégia que aplica em casa e que se baseia em três pilares: primeiro, austeridade (não gastar aquilo que não se tem) e controlo do déficit; segundo, sustentabilidade da dívida; e terceiro, crescimento por via de reformas estruturais, dinamizando o mercado interno.
Passos Coelho, nitidamente subalternizado pelo tema, pareceu ter sido apanhado de surpresa pelo alcance do discurso (o que não é suposto acontecer), com semblante de quem estava claramente «out of his depth»: os politicos portugueses não estão habituados a grande política, que é um campeonato que só conhecem pela televisão.
Não se esquecendo que estava em Portugal, Rajoy disse que a cimeira luso-espanhola servia para relançar as relações entre os dois países (depreendendo-se que tenham passado por um mau momento), referiu-se à importância de ambos os mercados como destino de exportações em ambos os sentidos, e das vantagens da cooperação e entre-ajuda. Pouco mais se referiu a Portugal em concreto e com relevância, não sem deixar de lembrar que - tal como a Grécia - o país foi intervencionado.
Passos Coelho correspondeu com um auto-elogio, na forma de um elogio aos esforços do novo governo de Madrid para restaurar a confiança dos mercados nas finanças espanholas, e nas corajosas reformas que está empreender.
É uma inevitabilidade que nas cimeiras luso-espanholas Portugal apareça subalternizado, e para tal basta a diferença de mentalidade e de postura entre os políticos dos dois lados. Não estamos propriamente a falar de Franco e de Salazar, que jogavam no mesmo campeonato e apareciam em pé de igualdade. No geral, os políticos espanhóis interiorizaram o projecto nacional de fazer Espanha voltar a ser uma das grandes potências europeias e uma com projecção mundial, nomeadamente no seu espaço de influência cultural. É algo que vem desde a derrota na guerra com os Estados Unidos, em 1898, altura quem que a sociedade espanhola sentiu que o país tinha batido no fundo e que tinha que recuperar da decadência para ocupar o seu lugar de direito na hierarquia internacional. Um século depois, após atravessar crises políticas e uma guerra civil que a deixou em ruínas, a Espanha conseguiu alcançar muito do pretendido e hoje reclama um lugar no G-8. Por isso, não aceita agora que a crise económica a obrigue a retroceder nesse processo, muito menos por diktat da Alemanha e de França.
Do lado português, a diferença de mentalidade é obviamente abissal e escusado será desenvolver o tema. Na cimeira luso-espanhola de 1992, Cavaco Silva foi ao ponto de obsequiar Felipe Gonzalez com a promessa que no ensino português o programa de História iria ser revisto de forma a ser mais simpático para com Espanha. Por exemplo, passaria a ensinar-se que a Batalha de Aljubarrota tinha sido, não a monumental derrota castelhana que foi, mas antes um empate e um acidente no bom relacionamento entre os dois povos - honra seja feita ao jornal Expresso, o único que na altura reparou nesta questão. Felizmente que muito do que é assinado nas cimeiras não é cumprido.
À diplomacia espanhola nunca interessa que Portugal apareça na cena internacional. A menos que queiram falar com os europeus maiores, e para isso os espanhóis recorrem ao escadote português, sempre disponível e honrado por tão nobre tarefa. Por isso, esta cimeira "ibérica" foi tão oportuna para Madrid.
Se repararem no recorte de um cartaz PCE que surge no topo direito da imagem, verificarão que pouco ou nada mudou entre os camaradas da ínfima Izquierda Unida - em Espanha e tal como aqui ocorre, preferem o travestismo e escondem a foice e o martelo em hora de eleições -, lídimos descendentes dos facínoras de Paracuellos, os sanguinários responsáveis pelo eclodir da Guerra Civil de 1936-39 e consequente ditadura.
São todos da mesma cepa. Todas as charla(tanice)s sobre "democracia", "igualdade", Justiça" e "paz", escondem aquilo que preparam se por absurdo alguma vez conseguirem tomar o poder. Tivemos um ténue vislumbre do processo em 1974-76 e bastou-nos. Estão sem sorte, pois Melo Antunes já não poderá servir de guardião.
Um post a ler na íntegra, Dívida pública, bailouts e asfixia fiscal, pelo André Azevedo Alves:
"A minha solução preferida seriam cortes radicais de impostos acompanhados de cortes a sério na despesa pública, um caminho que nem Portugal nem a Grécia seguiram. O actual Governo português aposta tudo no cumprimento do memorando e no regresso aos mercados internacionais de crédito. Desejo-lhe, para bem do país, sorte e faço votos de que o sector privado seja capaz de acomodar os esforços brutais que lhe estão a ser impostos para manter o Estado mas temo que, caso não seja rapidamente invertida a crescente asfixia fiscal e tomadas medidas para a liberalização da economia e para a redução do peso do Estado, os resultados sejam francamente decepcionantes."
Tal como Philipp Bagus relatou em A Tragédia do Euro, mas agora com mais substância:
Finalmente a pressão internacional começa a ter algum efeito nas acções do actual governo ucraniano. A cimeira desta Sexta-feira foi cancelada devido à recusa de presença de vários chefes de governo europeus como revolta contra os maus tratos que a ex Primeira-Ministra tem sofrido de vários guardas prisionais na prisão feminina onde se encontra.
Mas muito mais ainda tem que ser feito contra a própria decisao a que foi condenada pelos tribunais/governo ucraniano.
Que Deus olhe por ela e que nós não nos calemos contra as injustiças a que assistimos.
Enquanto o 1.º de Dezembro e o 5 de Outubro são extintos definitivamente, os feriados religiosos "ficam suspensos apenas por cinco anos, sendo a situação reavaliada no final desse período, ou seja, em 2018", por ser essa a vontade da Santa Sé. Neste vale tudo da "governamentalização da coisa pública no seu máximo de simbólico" (José Adelino Maltez), já que se invoca a vontade da Santa Sé, então e porque não negociar com a imperadora do Sacro Império Germânico a suspensão formal da nossa soberania por 5 anos, a troco de mais uns cobres para manter a cleptogerontocracia vigente? E de caminho, que tal tentar também sacar umas massas a nuestros hermanos, negociando a nossa História e passando a ter manuais de História Ibérica ou coisa que o valha?
Sugiro ainda a leitura de Luís Menezes Leitão, e relembro o que em Janeiro escrevi a este respeito, que podem também encontrar no número 7 do Correio Real:
Por mais que não celebre o 5 de Outubro, infelizmente não partilho da alegria que parece ter acometido alguns monárquicos a respeito da extinção do 5 de Outubro. Primeiro, porque quando a extinção da celebração do 1.º de Dezembro já havia sido anunciada, nada mais restava ao governo senão extinguir também o 5 de Outubro; não o fazer seria ainda mais escandaloso, como escrevi aqui, mas ter extinguido os dois é um acto de violência perpetrado sobre todos nós, portugueses - era uma situação de perda para todos, logo à partida, pelo que o melhor seria nunca ter acontecido. Segundo, porque esta questão está envolta numa demagogia ignóbil passada como economicismo pelos aprendizes de Maquiavel, como se esta história dos feriados fosse realmente resolver os problemas do país quando o estado continua a gastar à tripa forra e sem ser verdadeiramente reformado. Terceiro, porque acabámos todos a ser gozados pelo governo vigente, onde o dividir para reinar parece ser mote levado à letra no processo de gaspar-alvarização em curso. Infelizmente, passou a ser mais importante para alguns monárquicos celebrar a extinção do 5 de Outubro do que tentar preservar o 1.º de Dezembro, assim como para alguns republicanos o contrário também é verdade, quando dever-nos-íamos, todos, ter unido contra o Leviatã, porque, e em quarto lugar e o mais importante, como também escrevi aqui, não compete ao governo, ou pelo menos não deveríamos deixar que lhe competisse, dispor como bem entender de celebrações que pertencem ao domínio da sociedade, que são reflexo dos mitos com que inventámos a nossa nação.
Digam o que disserem, Mário Soares não é um qualquer. Com quase noventa anos neste mundo, não há dia em que não nos surja nas páginas dos jornais ou em programas ou noticiários televisivos. Isso deve querer dizer algo e o Senhor bem poderia agir em conformidade. Infelizmente tal não está a suceder e multiplicam-se as boutades, algumas das quais sem qualquer importância, enquanto outras poderão ser desastrosas e bem ao estilo daquelas que há mais de três décadas indelevelmente marcaram a sua fulgurante carreira.
Ancho como um balão Montgolfier, o franco-cata vento ex-Presidente da República espicaça o Partido Socialista, pretendendo o rasgar do acordo celebrado entre os Partidos do arco da governação e aqueles que emprestaram dinheiro a um regime falido, desacreditado e à beira da ruptura. Ficamos então a saber que em matéria de acordos internacionais, o pensamento de Mário Soares apega-se a outros princípios que não os da lisura e honra da palavra dada por Portugal. Insinua-se assim que Tratados e acordos não passam de folhas de papel a desfazer em fanicos. Era isso mesmo o que os alemães diziam em 1914, quando violaram o Tratado internacional que declarava a neutralidade e inviolabilidade das fronteiras da Bélgica.
Estes oligarcas estão loucos, ou é esta a verdadeira noção de honra da República. Contabilizados 102 anos de nefasta existência, concluímos que nunca a teve e jamais a terá.
(imagem daqui)
"O Governo não vai seguir o apelo da chanceler alemã e do presidente da Comissão Europeia e admite fazer-se representar nos jogos de Portugal no Euro-2012.
«Para o Governo português, política é política, futebol é futebol. E misturar questões muito relevantes de direitos humanos na Ucrânia com a realização do Euro-2012, que já está decidido há vários anos, não é de todo opção», adiantou ao SOL o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros."
O mote para o boicote ao Euro-2012 foi dado pela chanceler alemã. Angela Merkel já fez saber que não vai assistir ao primeiro jogo da Alemanha, no dia 9 de Junho, em Lviv – que tem precisamente Portugal como adversário – e lançou o apelo aos seus ministros e aos restantes líderes da UE para não participarem no evento, como forma de protesto contra o tratamento a que tem sido sujeita Iulia Timochenko, ex-primeira-ministra, pelo regime do Presidente Víctor Yanukóvich. Timochenko está presa, doente e em greve de fome, em Lviv.
Uma decisão certeira e que num assunto que parece politicamente irrelevante acaba por dar um sinal de rebeldia em relação a Berlim. De relembrar a carta aberta à Europa que há tempos assinei com o Nuno e o Miguel Castelo-Branco.
Nascido a 8 de Maio de 1899. Ainda hoje utilizei a citação da imagem infra numa conversa. É uma das minhas favoritas. Aproveito para recordar que a minha dissertação de mestrado teve precisamente como temática o pensamento de Hayek. Está disponível no Repositório da UTL e no site da Causa Liberal.
(via Bastiat Institute)
E assim o chavismo chega a França. Quanto mais depressa Hollande acelerar a caminhada para o abismo, mais rapidamente os europeus ficarão a perceber o vazio do discurso do "emprego e crescimento" e que os socialistas só agravarão a crise. O Adolfo Mesquita Nunes já ontem escreveu neste sentido. No fundo, isto é como na célebre frase de João Pinto: "Estávamos à beira do abismo e fizemos o que tínhamos a fazer: demos o passo em frente."

Há umas horas, o telejornal dedicou-se a comparações entre Carla Bruni e a "companheira" - termo ridículo e equivalente ao "camarada" que Ségolène teve - de Hollande. Com o ar mais sério deste mundo, a pateta francesa que ia debitando os renseignements, disse que ao contrário de uma "Bruni que se apaixonou pelo grotesco presidente da França", a blondasse chimique Valérie Massonneau caiu roída de amores - por incrível que vos pareça! - pelo sr. François, "precisamente quando este fazia a sua travessia no deserto". Como se a há muito milionária Carla Bruni, precisasse de um tostão que fosse do Sr. Sarkozy. Piroseiras postas de lado, a arrogância da insinuação, o descarado chamar de poufiasse - mais ou menos puta em português - à fulana morena auburn que sai, é bem sintomática de uma certa hegemonia da estupidez caviarista e profundo preconceito que grassa em certas hostes. Mesmo que em certos casos tenham alguma razão que não quanto a putismos, até porque a Bruni pré-Sarko era gauche caviar e de que maneira. O problema é esse mesmo, a "traição ao clube". Umas são más, são as putas da direita. Outras, mesmo que putas sejam, transfiguram-se em santas, porque usam um bendito lencinho rosa-vermelho Chanel ao pescoço. Parece não ser este o caso da menina Valérie, mas daí a transformá-la numa "analista política", vai um grande passo. Sabendo-se o que é e para tipo de leitores existe a Paris Match onde a "companheira" fainava, esta algaraviada de aldrabices e êxtases bacocos, consegue o selo necessário para autenticar um novo "produto de marca": é claro que a tal Valérie vem de uma "família pobre, pai inválido, mãe funcionária subalterna de ginásio e um batalhão de irmãos e irmãos". Como talvez terá sido ceifeira de mãos calejadas e andava vestida de bata de griffe YSL nas horas livres, julgamos que foi por isso mesmo escolhida para nova "camarada" do sr. Hollande. Aliás, quando surge na televisão, lembramo-nos logo da Catarina Eufémia ou da Madame Min. Enfim, mais uma pequena novela neo-realista ao estilo Antonioni e tão do agrado da escribalhada do Expresso do sr. golfista Balsemão, outra vítima do capitalismo neo-liberal.
Apenas uma nota final. Caviar Beluga ou "caviar" Monoprix, a Valérie Massonneau descasou-se, mas como o nome do ex, de seu nome Trierweiller, soava melhor, continua a usá-lo. Um gesto político de benfazejas e amplas consequências para uma futura amizade com a Chanceler de Berlim, pois esse apelido tresanda a arianismo outre-Rhin. Nem uma joint-venture Holla-Caras faria melhor.
Este é um post assumidamente asqueroso, nojento. Pois é, mas nem por isso menos verdadeiro e há que reconhecer o facto de estarmos um bocado fartos de dar a outra face. Agora continuarão a esbofetear-nos dia sim-dia sim, mas também levam a dobrar.
Adenda: por um leitor, fiquei a saber algo mais acerca da pobreza franciscana dos Massonneau, uma família de "banqueiros pelintras".
Um óptimo resumo do seu pensamento:
Ficamos todos ansiosos por decifrar a mensagem anti-capitalista das CGTP, PC, BE, balsemeiros Miguéis Sousa Tavares, Daniéis Oliveira e piriquitas oxigenadas deste mundo e arredores. Exploração capitalista? Como? Com um bodo destes? Talvez o Pingo Doce seja uma entidade paternalista, estragando o proletariado com "descontos despropositados" e pior ainda, subornando os seus empregados com "salários imerecidos". Pelo menos, numa coisa se pareceu com a defunta URSS: os supermercados ficaram com as prateleiras vazias. Neste caso, "Por Bem".
Expliquem-nos, por favor.
Esta confrangedora retórica do 'crescimento e emprego' repetida ad nauseam por Seguro é de uma infantilidade e vacuidade avassaladoras e mal serve o propósito de disfarçar a absoluta nulidade intelectual que é o palrador socialista e o deserto de ideias da sua família política.
Como era óbvio:
«Bruxelas diz que Pingo Doce não violou regras
Felizmente que a Dra. Cristas é jurista. Imagine-se o que seria se fosse apenas uma ignorante a tentar agradar à populaça de esquerda.
Dr. Portas, Dr. Portas... Sinceramente.
João Gomes de Almeida (perfil)
João Teixeira de Freitas (perfil)
Raquel Paradella Lopes (perfil)

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