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Chego a este texto, certeiro,

por Cristina Ribeiro, em 13.12.09

via 2711

 

 Marcello Caetano costumava dizer que os portugueses não estavam talhados para democracias parlamentares. Os ingleses, com certeza. Mas nós? Ignorantes e incivilizados? Sempre deplorei a tese: como alguém dizia, a democracia é o pior regime, com a excepção de todos os outros. Infelizmente, o PS não concorda e subscreve a versão antidemocrática do prof. Marcello. Ao persistir na lamúria contra a oposição e ao tentar arrastar pateticamente o Presidente da República para o ringue, o PS confessa que só existe um tipo de poder que se ajusta aos portugueses: o poder absoluto, sem espaço para ‘diálogo’, ‘vigilância’ ou ‘negociação’. O Parlamento, na concepção do PS, não passa de um empecilho, que o eng. Sócrates suspendia de bom grado

 

Esta convicção de que a democracia não é exequível entre nós, há muito que lançou raízes entre vários sectores da opinião pública, e convenhamos que os partidos que por cá se implantaram têm-se esforçado por evidenciar a veracidade dessa asserção.

Não raras vezes, em desespero de causa, e ainda que momentâneamente, muitos dos que acreditam que ela é possível descrêem. Falta de confiança em nós mesmos, na capacidade de convivermos ordeiramente com a liberdade, da mesma forma que outros povos, que colocamos sempre num nível civilizacional acima do nosso.

Não é coisa nova essa, só que nos acomodámos à ideia, e nada fazemos para a contrariar.

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publicado às 15:50


7 comentários

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De Daniel João Santos a 13.12.2009 às 19:48

Só existe governo exterior a nós porque temos preguiça de nos governarmos a nós mesmos

Agostinho da Silva
Citações e pensamentos
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De Cristina Ribeiro a 13.12.2009 às 20:58

" para convivermos ordeiramente com a liberdade " tem de haver um certo autogoverno, mas, mesmo assim, é preciso esse tal governo exterior a nós porque a natureza do homem faz com que resvale sempre para a anarquia.
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De P.F. a 13.12.2009 às 20:26

Cristina


Voltamos à antiga questão: democracia reduz-se ao parlamentarismo e ao modo representativo partidário? Eu creio que não.
O Prof. Marcelo, perdoem-me os parlamentaristas, tinha uma certa razão baseada numa análise histórica e cultural do povo português. Contudo, suas motivações eram outras - a defesa da permanência de um regime autoritário e oligárquico. MAs estava certo de que a plutocracia e o parlamentarismo não foram feitos para nós portugueses nem para muitos outros povos. Daí que eu esteja convicto de que devamos repensar o tipo de democracia e o nosso sistema representativo e administrativo tendo em conta a história das nossas instituições.
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De Cristina Ribeiro a 13.12.2009 às 21:28

Questão pertinente, essa, Pedro: daí que, inconscientementde, mas partindo do princípio que do subconsciente vêm à superfície os nossos mais autênticos pensamentos, não me refiro, no comentário suscitado pelo texto, ao sistema parlamentar, mas apenas à democracia " tout court "; a nossa constituição consagra o sistema semipresidencial, mas na prática acho que o papel do Chefe de Estado está muito enfraquecido: uma questão, como diz, de adaptarmos o regime democrático à nossa especificidade, até chegarmos ao modelo que mais se coaduna connosco - e já se perdeu muito tempo insistindo num modelo que se tem revelado um fracasso.
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De Nuno Castelo-Branco a 13.12.2009 às 22:02

O prof. Marcelo Caetano teve graves responsabilidades na inércia em que a 2ª república caiu. de facto, logo no período do pós-guerra, poderíamos ter evoluído lentamente, é certo, mas no sentido de uma abertura que culminaria numa "normalização europeia" do país. nesse aspecto, Franco foi sem dúvida muito mais realista.
A forma pouco decidida como conduziu o governo após 1968 - cedendo onde não podia e apoiando o que não devia -, trouxe o resultado que sabemos. Aliás, podia ter ameaçado Tomás com um facto que a ser consumado, teria consequências inevitáveis. Não o fez, transigiu. Eis o prototipo do rotativismo actual.
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De Nuno Oliveira a 14.12.2009 às 02:46

Sou filho de um pai portugês e de uma mãe inglesa. Todos os meus quase 40 anos foram vividos em Portugal. Conto-vos este episódio apenas porque acho sintomático do país em que vivemos:
Quando fui inscrever-me para a faculdade em 1990, saí cedo de casa porque sabia que havia enormes filas no local. Apenas havia um local em Lisboa onde o podíamos fazer, na altura era na Defensores de Chaves. Quando cheguei ao local, eu e mais um amigo, depará-mo-nos com uma fila de cerca de 30 pessoas. Pensamos que iria ser relativamente rápido. Havíamos chegado perto das 7:30 sabendo que só a partir das 9H é que começava o atendimento. Mas ficar+iamos despachados depressa. Encontrámos um outro amigo em cerca de 10º lugar na fila de atendimento. Após 1H de espera, contámos novamente as pessoas que estavam à nossa frente e já ia em cerca de 60. Decidimos então que seria melhor não sermos os únicos idiotas cumpridores e passámos à frente de cerca de 40 juntando-nos ao nosso amigo (que também já tinha alguns a mais à sua frente). Eram cerca das 10:30 quando finalmente fomos atendidos...
Ao jantar contei o sucedido. Não imaginam o que a minha mãe me disse. Uma das coisas que me disse foi que essa não era a educação que me tinha dado. Quando respondi-lhe que estava a jantar com ela porque o tinha feito(se não ainda estaria à espera), disse-me que dois erros não fazem um certo (em inglês - two wrongs don't make a right).
Com isto apenas quero acrescentar o seguinte: vivemos no país do xico-espertismo, da falta de respeito, da falta de civismo, do atropelo pelos direitos dos outros. Há um profundo egoísmo em Portugal. E, aliás o mais irónico, é que bastaria que a atitude mudasse para que este país fosse diferente. Os políticos são um verdadeiro exemplo do povo. Nem mais nem menos. Não se pode esperar mais deles do que se esperaria do resto da população. A diferença é que entraram para um partido político e treparam por ai acima, muitas vezes à custa de quem os elegeu. Dou um exemplo significativo de uma atitude muito portuguesa que provavelmente significa milhões no fim do ano: nunca chegar a horas.

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