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Já estamos a imaginar as reacções das catatuas habituais: "paternalismo, hipocrisia, relações públicas do Palácio de Buckingham" e outras sandices mais.

 

Guilherme de Gales passou a noite nas frias ruas de Londres, dormindo com os sem abrigo. No seguimento dos exemplos de Carlos - ecologia, património, saúde pública - e de Diana, chegou a sua vez, como presuntivo sucessor do pai.

 

Não podemos afastar a clara mensagem política deste tipo de atitudes, sempre tão estranhas ao chamado establishment, seja este britânico, francês, português ou americano. Numa época em que princípios tão basilares quanto ancestrais como a caridade foram normalmente substituídos pela ideologia politicamente correcta da solidariedade - actualmente o mesmo pressuposto, mas laicizado -, a Monarquia envia à sociedade uma inequívoca mensagem de alerta perante um mundo cada vez mais desigual e que enfrenta problemas que radicam na excessiva influência plutocrática. Compreende-se assim o acendrado republicanismo de gente como os Murdoch, financeiros da City e lobbies da construção. A atitude de Guilherme não pode ser considerada como uma excentricidade, mas como um claro sinal de desagrado e de demarcação política. É que estas acções têm de ser vistas num todo, em complemento das actividades de Carlos nos campos do ambiente, agricultura, ordenamento territorial e assistência social. É esta a Monarquia do século XXI.

 

Aqui em Portugal, sabemos quem se tem dedicado - evitando surgir nas parangonas da imprensa - a todo o tipo de causas relacionadas com a assistência social. Uma boa parte do país ainda o ignora, mas não tardará em aperceber-se e valorizar quem verdadeiramente se interessa pelos seus. 

 

Entretanto, Belém vai-se preocupando em fritar sonhos para a consoada, enquanto S. Bento afia as canetas, á guisa de punhais. Tudo normal.

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publicado às 19:50


4 comentários

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De Nuno Oliveira a 23.12.2009 às 01:52

Talvez um rei possa fazer comentários a um governo em tempo oportuno sem ter medo se ser reeleito.
Não tem uma agenda própria que o faça passar por cima do seu povo na busca do poder.
Um deputado desbocado teria tento na língua ao comentar frases do rei.
Um PM não teria coragem de dizer ao resto da assembleia da república (como ouvi hoje numa verdadeira demonstração de hipocrisia) que ninguém está acima de crítica. E, embora eu concorde, há formas e formas de se criticar. E nunca quando não há razão.
Mas regresso sempre ao carácter (de acordo com o António Costa não se deve discutir o carácter dos agentes políticos - que bela encomenda que este também saiu !). Se houvesse seriedade da classe política já seríamos mais ricos que a Bélgica, Holanda e outros países mais pequenos que o nosso.

Com ou sem rei... sem seriedade...
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De Gi a 23.12.2009 às 17:03

Também li esta notícia (no Telegraph) e notei que, enquanto Seyi Obakin comentava que a "experiência fora assustadora", o príncipe estava "determinado" a fazê-la. Notei igualmente que a fez numa das noites mais frias do ano. É claro que ele sabia que no dia seguinte voltava para o seu palácio seguro, mas qual é o dirigente político português que sequer se mete num autocarro à hora de ponta? ou anda de carro sem motorista que lho estacione?

O país deixou de ser as pessoas, passou a ser cálculos e estatísticas.
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De Nuno Castelo-Branco a 23.12.2009 às 18:13

Pois é, pois é... Volta para o palácio, mas coloca em questão a politicagem.

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