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Cavaco, Soares, Sampaio, Sócrates e etc

por Nuno Castelo-Branco, em 29.12.09

 

 O Partido Socialista declara estar o presidente Cavaco ao serviço da oposição.

 

Diz-se que em política ou história, a memória é curta. Durante anos a fio, o país soube e gozou com as quase públicas desavenças entre o 1º ministro Cavaco Silva e o presidente Soares. No seu segundo mandato, Mário Soares tornou-se no promotor da alternativa ao desgastado governo do PSD e as "presidências abertas" nada mais foram, senão uma clara demarcação de Belém em relação ao governo de maioria absoluta. Inventaram-se direitos à indignação, Soares falou "privadamente em público" - até alto e em bom som diante de quem o quis ouvir, em pleno restaurante Bel Canto (1992, eu próprio escutei as suas palavras) - e todos conheciam a profunda aversão mútua que se foi criando entre os dois homens. Mais tarde, quando Cavaco quis tornar-se presidente - a velha historieta do grão-vizir que se quer tornar califa no lugar do califa - e alijou o PSD como ..." esse partido"..., Sampaio surgiu na corrida a Belém e proporcionou-se ainda a alegria a Mário Soares, de "acabar o mandato dando posse a um governo socialista". Assim, sem qualquer tipo de equívocos. É esta a alegada presidência de todos os portugueses.

 

O sr. Sampaio desautorizou as forças de segurança e os militares, publicamente humilhando-as quando não devia nem podia. Durante anos foi uma espécie de Marechal Carmona do governo Guterres, sem que as más políticas, o despesismo e a incúria nos mais diversos sectores, o tivessem alguma vez distraído dos seus afazeres num qualquer campo de golfe. Quando o governo passou a ser de maioria absoluta PSD-CDS, a deslealdade foi nítida, total e nem sequer valerá a pena referir o triste episódio do governo Santana Lopes, onde a reserva mental e o serviço prestado a terceiros vieram a produzir efeitos devastadores para a credibilidade do próprio sistema constitucional.

 

Cavaco faz agora a vontade à oposição, como durante alguns anos estrategicamente aquiesceu a tudo aquilo a que o governo do PS quis implementar. Nesta fase de maioria relativa, o governo teria forçosamente de negociar e fazer aquilo que os seus congéneres europeus normalmente praticam. Encontrar o rumo que lhe permita a obtenção de aliados no Parlamento, mesmo que pontuais.

 

É cada vez mais disparatada, esta tendência para os intervenientes da política se distanciarem do seu próprio passado como agentes responsáveis. Mudando de posto, julgam poder eximir-se a qualquer tipo de escrutínio.

 

Existem dois interesses em colisão. Um, consiste na almejada reeleição presidencial - para quê? Com que fim? -, embora o cargo surja aos olhos de todos desprovido de importância substancial e como mera trincheira de resistência de sector e mesa de banquete de vaidades. O outro, conduz ao sonho da reedição da maioria absoluta, também não se compreendendo qual o propósito da mesma. Numa situação gravíssima, pareceria normal que o governo e o PS se interessassem na obtenção de uma ampla frente de consenso que permitisse as reformas necessárias e que o país aguarda com resignação. Uma vez mais, o interesse nacional não parece sobrepor-se às ambições de facção e o passado já nos ensinou sobejamente, qual o final reservado à cegueira perante evidências.

 

Belém e S. Bento, duas faces da mesma moeda cujo valor facial é hoje tanto, como a do desaparecido Escudo.

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publicado às 13:40


8 comentários

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De José António Abreu a 29.12.2009 às 16:29

Totalmente de acordo. A pequena política continua a dominar Portugal.

Já agora, não será "1992" em vez de "1982"?
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De Nuno Castelo-Branco a 29.12.2009 às 20:04

Tem razão, vou corrigir, é 1992. Isso passou-se numa noite em que tive um jantar de serviço, no tal Bel canto. Estava lá Mário Soares, com o JM Homem de Melo e mais não sei quem. M. Soares referia-se ao SEU 1º ministro em alta voz e de forma iniludivelmente descortês. Ouvi, pasmei e tornei-me mais monárquico que nunca!
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De Anónimo a 30.12.2009 às 22:57

eheheheheheeh

Mas parece que o ex - Presidente só de alguns também quer ser monárquico...eduquem-no...quando não deixa-vos mal visto

Poltergeist


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De Nuno Oliveira a 29.12.2009 às 17:02

O que me criou uma certa confusão - admito a minha ingenuidade - foram as acções do Cavaco. Ainda não consegui descrutinar quais os motivos.
Quero crer que as (des)ajudas que deu ao PSD foram motivadas por uma convicção profunda de que o actual PM é a pior coisa que graçou pelo (des)governo em Portugal. Que o Cavaco nunca foi um bom polítco é do conhecimento geral. Que fosse tão inapto na gestão da presidência é que não se esperaria.
E cá voltamos nós a pensar no que move esta gente. Porque pelo país não parece ser...
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De Nuno Oliveira a 30.12.2009 às 16:26

Caro Nuno e todos os pró-monárquicos,
Não questionando o regime monárquico (que em certa medida até subscrevo) pergunto-vos:

Acham, sinceramente, que com os politicuzinhos que temos, que não encontrariam forma de "criticar" e atazanar o rei?
A meu ver, estes socratistas & Cª criam ondas e crises onde elas não existem com um intuito puramente egoísta em prol de uma agenda pessoal de quem nem um rei escaparia. Quando o melhor amigo do Sócrates é o Chavez... que mais acrescentar?
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De Anónimo a 30.12.2009 às 23:14

Politicuzinhos...diz VEXa muito bem...

Muito politicuzinhos....

Outra vez o Berlusconi...não me sai da cabeça...vou presa um destes dias... mas ou fico na PJ ou então vou para Santarém...tenho criado à disposição e tudo...e obrigo-os a chamarem-me como manda o decreto ...

Poltergeist
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De Anónimo a 30.12.2009 às 23:10

Dais-vos pois ao trabalho de dissertar sobre o Ti Cavaco...eu também gosto muito, muito dele ... e da ti Maria...também...very, very classy...inda hei-de comer com eles à mesa. Sempre gostei de comer à mesa com toalha curta, falar com a boca cheia e arrotar pro lado...mas só depois de pôr o palito no dente ... com um fatito chanel comprado no saldos do Barney´s em Beverly Hills...

E vou fazer propaganda para que lhes seja atribuído o nome a uma rua lá da aldeia...de preferência ao pé de um posto de gasolina....para que estes portugueses saibam o que é singrar na vida.

Lá estou eu a lembrar-me de Berlusconi...

Poltergeist

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