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Era um rádio assim.

por Cristina Ribeiro, em 17.01.10

 

 

 

Duas a três horas sem electricidade, numa noite de muito vento e chuva, naquele tempo que se segue ao jantar, passado a ver televisão, a ler ou a navegar pela internet. De repente ficámos sem saber o que fazer.

Juntámo-nos na sala, mudos e quedos, até que o silêncio foi quebrado pela minha mãe: que até os 15/16 anos ( não soube precisar ), os seus serões eram assim- no Inverno, em que escurecia mais cedo, a minha avó cozinhava à luz de uma candeia presa num gancho que pendia do tecto. A mesma luz que alumiava o jantar e o arrumar da cozinha, enquanto os homens jogavam à sueca.

No final, o meu avô tirava a candeia e, à frente de todos, ia abrindo caminho até aos quartos. No móvel de cada um deles havia um castiçal de latão, com uma vela e fósforos que cada um acendia à luz da candeia, que o avô levava. Dava-lhes um tempo determinado para terem a vela acesa, até que ia de quarto em quarto verificar se todos a tinham apagado.

Até que um dia a electricidade chegou. Parece que a inauguração foi de arromba, com discurso do regedor, muito aplaudido.

A  primeira compra dos avós foi um rádio, grande, que ainda cheguei a conhecer. Os vizinhos iam todos ouvir, principalmente quando havia jogos de hóquei em patins, desporto que parece ter gozado de muita popularidade naquela altura.

No momento em que a minha mãe contava que a avó quase colava o ouvido ao aparelho, antes d'o avô, mais viajado, lhe dizer não ser necessário, acenderam-se as luzes, e cada um de nós retomou a rotina de todas as noites, mas contente por ter ouvido mais uma das histórias que a minha mãe conta.

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publicado às 16:03


7 comentários

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De António de Almeida a 17.01.2010 às 17:43

Os mais pais tiveram (que recorde) um rádio com caica de maderia, era outro formato.Tanta tecnologia, recentemente faltou a luz no trabalho durante 3 horas e fiquei sem poder fazer absolutamente nada...
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De Cristina Ribeiro a 17.01.2010 às 17:51

Agora 'parece-nos impossível que eles vivessem sem electricidade :)
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De Daniel João Santos a 17.01.2010 às 20:30

belíssimo momento.
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De Cristina Ribeiro a 17.01.2010 às 21:29

Danke schön, Daniel :)
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De Anónimo a 17.01.2010 às 23:07

Eram as candeias alumiadas a azeite...também as tive com os meus avós... e tudo tinha na altura um sabor diferente...até olhar para o céu...e ver a ursa maior e a menor...as outras eram mais dificeis de aprender...mas cheguei a ver a «estrada de santiago»...em noites de verão...num aldeia verdadeira...ali para os lados de Sortelha...onde a antiga Castela fazia fronteira...
Mais um pouco era espanhola...questão de metros...mas o sangue é de viriato e sinceramente prefiro este.
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De Cristina Ribeiro a 17.01.2010 às 23:20

Boa opção :)
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De patti a 19.01.2010 às 08:12

Um rádio que se chamava telefonia.

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