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Da República - Cícero

por Manuel Pinto de Rezende, em 17.01.10

Lélio - Mas, Cipião, dessas três formas de governo, qual julgas preferível?

 

Cipião - Com razão me perguntas qual das três é preferível, porque nenhuma isoladamente aprovo, preferindo um governo que participe de todas. Se devesse fazer uma escolha pura e simples, os meus primeiros elogios seriam para a monarquia, desde que o título de pai fosse sempre inseparável do de rei, para expressar que o príncipe vela sobre seus concidadãos como sobre seus filhos, mais cuidadoso de sua felicidade do que da própria dominação, dispensando uma protecção aos pequenos e aos fracos, graças ao zelo desse homem esclarecido, bom e poderoso. Vêm, depois, os partidários da oligarquia, pretendendo fazer o mesmo e fazê-lo melhor; dizem que há mais luzes em muitos que num só, e prometem, por outra parte, a mesma boa fé e a mesma equidade; e por último, eis o povo, que em volz alta declara que não quer obedecer nem a um nem a muitos, que até os animais amam a liberdade como o mais doco dos bens e que se carece dela, quer se siva um rei quer os nobres.

Para resumir: a monarquia nos solicita pela afeição; a aristocracia pela sabedoria; o governo popular pela liberdade, e nessas condições a escolha torna-se muito difícil.

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publicado às 19:11


8 comentários

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De Anónimo a 17.01.2010 às 22:54

D. Rezende,

As escolhas só são difíceis quando o alvo das mesmas é bom...agora em Portugal...nem se põe o problema, não acha.

Pelo que adptando o discurso do grego à actualidade portuguesa...diria que o problema é mais uma enorme falta de guts...

Não assino...tenho medo do Jugular...
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De xico a 17.01.2010 às 23:32

O problema do Cícero resolve-se julgo eu com uma monarquia constitucional, uma câmara legislativa eleita e um senado. Funciona em muitos países.
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De Anónimo a 18.01.2010 às 02:02

Mas temos um problema...e a mentalidade portuguesa? Não podemo limpar só as frentes...precisamos de portugueses, da raça dos descobridores, aventureiros, destemidos... e não daquele povo que Guerra Junqueiro cantou tão bem.
Educadinha
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De zedeportugal a 18.01.2010 às 18:46

...
Não se trata de afirmar se isto é, ou não, uma coisa boa, ou se as aristocracias são melhores ou piores que os outros sistemas. O caso é que muitos dos componentes dos sistemas primatas da hierarquia e da deferência , podem ser vistos nos esforços que os aristocratas fazem no campo da estrutura da atenção.
Evidentemente, que as aristocracias e os sistemas tradicionais semelhantes de domínio podem ser contestados e derrubados como qualquer outro sistema político. Dentro do contexto da nossa primeira distinção entre a política dos primatas, que está relacionada com a diferenciação e a hierarquia, e a política humana, que está relacionada com a procura da igualdade e da organização humana, podemos facilmente perceber a atracção especial dos aristocratas para a política dos primatas. Por outras palavras, a aristocracia é mais primitiva que a democracia. ...


Digo eu? Não! Dizem Lionel Tiger e Robin Fox, os dois muito conceituados autores do muito referenciado (pelo menos pelos americanos) livro The Imperial Animal (tradução: O Animal Imperial, edição da Parceria A. M. Pereira Limitada, 1976, Lisboa, transcrição acima cf. o capítulo 2 - A Natureza Política, pag. 74).
Um livro muito interessante - e isto já sou eu que digo.
Que tal como resposta, hein?
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De Manuel Pinto de Rezende a 18.01.2010 às 22:43

:O Está a querer insinuar que os macacos não votam?
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De zedeportugal a 19.01.2010 às 11:29

LOL.
Claro que votam:
http://daliteratura.blogspot.com/2010/01/elites-vs-povo.html
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De Anónimo a 23.01.2010 às 15:45

Agora não me apetece responder-lhe.

Educadinha
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De Anónimo a 23.01.2010 às 15:46

E depois...há macacos e macacos...que se imitam...O Parlamento está cheio deles...

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