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Já tive aqui oportunidade de assumir que a monarquia é a forma de governo que defendo para Portugal. Esta posição não se prende com razões históricas, mas sim éticas e filosóficas. No meu entender, a Nação é uma entidade suficientemente importante para o respectivo soberano não ter de se submeter a processos eleitoralistas e eleiçoeiros, com a carga partidária e demagógica que daqui advém. Por outro lado, esse soberano deve ser elemento unificador, agregador e nele se devem rever os Portugueses em geral e nele devem ter confiança máxima enquanto elemento de última instância em situação de desespero de causa - tal não acontece, como sabemos e constatamos, com um presidente oriundo da classe politico-partidária. Para além de o soberano dever ser alguém que teve desde idade pramatura educação para a missão que o espera.

 

Por estes motivos, passe a vulgaridade dos mesmos, sou convictamente monárquico. Infelizmente deparo-me com argumentos de qualidade duvidosa por parte de muitos monárquicos contra certas fases da história da nossa república. Por outro lado, estou muito longe de entender a monarquia como a salvação nacional. Como a via segundo a qual os problemas nacionais estariam resolvidos e receita de moralização da pátria através da qual das questões mais prosaicas às mais complexas teriam sua resolução imediata ou a prazo.

 

Infelizmente o nosso País conheceu períodos de decadência, de alguns dos quais há um fio condutor para muitos problemas da actualidade, em pleno período monárquico. Assim como viveu períodos de regeneração e de moralização já no tempo da "odiada" república. Como tal, não é a forma de governo que por si só traz resolução a qualquer tipo de problemas que seja. Pior ainda, a tentativa de resolução dos mesmos através dessa alteração apenas resultaria em decepção tal que a defesa da Monarquia poderia ficar indelevelmente comprometida.

 

Por estes motivos, as prioridades neste momento passam por reformas políticas, sociais, mentais e subsequentemente económicas, administrativas e legais, sem as quais se tornam anacrónico e prematuro colocar a questão da alteração da forma de governo. Isto não implica claro está que não se deva fazer a apologia da monarquia e não se discuta o tema quando tal é oportuno e apropriado. Todavia, levemos os reis para uma casa digna e arrumada.

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publicado às 19:05


18 comentários

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De Cristina Ribeiro a 21.01.2010 às 20:20

Tal-qualmente!
Convicções monárquicas também as confessei já, e, do mesmo modo, penso que antes de pôr o Rei no lugar que lhe pertence, porque o País merece ter como Chefe de Estado alguém que verdadeiramente se identifique com a Pátria, têm os portugueses de se consciencializar de que algo está podre e de apagar fogos - como o Pedro diz, arrumar a casa, como o republicano Salazar o fez - disse-o aqui http://vistodasnuvens.blogspot.com/2008/06/assim-via-em-1921-o-sculo-ilustrado.html, e, depois, en6tregar o leme a quem melhor do que ninguém o saberá manejar.
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De P.F. a 21.01.2010 às 23:53

Cristina
Salazar não era republicano, mas soube em tempos conturbados de república pôr a casa em ordem. Depois o regime anquilosou, inevitavelmente, e veio uma emenda pior que o soneto. Não coroemos pois, para já, o fartar-vilanagem que que para aqui vai.
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De Cristina Ribeiro a 22.01.2010 às 00:06

Com isso é que já não concordo, Pedro: não era um republicano da primeira leva, da 1ª República mas continuou o regime embora com outra cara, arrumada, e levou-o longe demais.Como disse há tempos o grande erro dele foi não largar o poder, não pensando que não era eterno. Passar o testemunho, continuando a prestar Serviço Público, de que tinha sentido apurado.
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De O Corcunda a 22.01.2010 às 00:34

Esta questão é antiga e não faz muito sentido debatê-la sem uma referência mais ampla. Creio que Salazar teria uma visão muito próxima da clássica (não da moderna pós-V2) Doutrina Social da Igreja quanto ao regime. A monarquia é uma forma mais perfeita, quando boa. Infelizmente todas as alternativas de liberalização do regime através da solução monárquica resultariam numa lixeira igual à que temos aqui ao lado, onde se ensinam as crianças que há 6 sexos, onde a família é aquilo que cada um quiser, onde a vida de terceiros é retirada, sem mais, através de actos médico-psiquiátricos fictícios, onde se retiram as estátuas do homem que os salvou do comunismo e que passou o poder a um Rei que traiu todas as juras que haviam condicionado essa mesma sucessão. Não sei se é isto que pretendem com a monarquia em Portugal.
A Cristina utiliza muitas vezes este argumento do "Salazar teve o seu tempo". Se se tivesse feito uma democracia controlada na década de 50 o resultado teria sido diferente? Claro que não. E os mesmos interesses que nos cobiçavam o império e ganharam em 74, teriam chegado muito antes, impedindo o processo de desenvolvimento que começaria nos na segunda parte da década de 50.
A única diferença é que essas potências teriam encontrado um país mais fácil de dominar.
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De Cristina Ribeiro a 22.01.2010 às 19:28

Não sei se teria acontecido a mesma coisa que temos agora, Corcunda. Pelo menos a nível da Metrópole, duvido. Não haveria razões para revoltas, tivesse o povo, principalmente o da Província, maior acesso à Educação Cívica. E não me consigo ver viver sem a liberdade de que, pequena ainda, sentia, os adultos privados, principalmente as mulheres. Não sei se em Lisboa era diferente.
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De André a 23.01.2010 às 14:38

A educaçao cívica é apenas mais uma maneira da Esquerda adoutrinar, assim como a direita ou qualquer filosofia anti-liberal. A eduaçao dá-se em casa, na escola a instruçao, ou educaçao formal.
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De Cristina Ribeiro a 23.01.2010 às 19:25

A Educação Cívica a que me refiro mais não é do que " ensinar " as pessoas a conviver ordeira e responsavelmente com a liberdade, a não a confundirem, como tantas vezes acontece neste projecto ( sentido pejorativo ) de democracia.
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De Cristina Ribeiro a 23.01.2010 às 19:37

A Educação Cívica a que me refiro mais não é do que " ensinar " as pessoas a conviverem ordeira e responsavelmente com a liberdade, sem a confundirem com libertinagem, como tantas vezes acontece neste projecto ( sentido pejorativo ) de " democracia ".
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De André a 23.01.2010 às 21:14

Sabe, acho que ainda temos um país democraticamente inexperiente. Basta com olhar para Espanha e as suas lutas internas para ver para onde não deveríamos caminhar em muitos sentidos. Acho que a Educação cívica e, concordo consigo, é absolutamente imprescindível, mas não a deveremos formalizar, principalmente porque se trata muitas vezes de aspectos valorativos individuais. Quando se referiu à educação cívica pensei que se tivesse referido a uma forma de educação institucionalizada, do género mocidade portuguesa ou as maravilhosas (cof) aulas que agora se tem em Espanha em que já não se tem a liberdade de educar os filhos de acordo com os nossos padrões individuais.

Ainda assim, não creio que o problema do país fosse, na altura, de educação cívica, mas principalmente formal. De acordo com os valores de então, em que a coerção substituía a responsabilidade de cada um, a ordem impõe-se de forma natural: haviam menos escândalos de corrupção, por exemplo, o que reflecte também o tipo de sanção que derivaria do incumprimento da ordem coercitivamente imposta.

O que realmente faltou então foi a capacidade de incluir as pessoas no debate político e fazer entender os sacrifícios que se faziam pelo País. Hoje perdemos a noção disso e por isso Portugal não é capaz de manter-se num nível de desenvolvimento estável e viável. Quando um país não possui riquezas naturais tem de ser muito prudente na sua gestão, mas nós gostamos mais de auto-estradas para as que não temos recursos, por exemplo.
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De Cristina Ribeiro a 23.01.2010 às 22:27

" O que realmente faltou então foi a capacidade de incluir as pessoas no debate político ".Completamente d'acordo!
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De Nuno Castelo-Branco a 21.01.2010 às 21:19

Pedro

" Esta posição não se prende com razões históricas, mas sim éticas e filosóficas."

Acrescente também, ..."e práticas".
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De P.F. a 21.01.2010 às 23:50

Tem razão, Nuno. Práticas, sim, e se calhar as mais importantes.
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De Miguel Neto a 21.01.2010 às 22:49

Totalmente de acordo.

Também gostaría de acrescentar as "praticas" que o Nuno já acrescentou.
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De P.F. a 21.01.2010 às 23:55

Acrescento aceite.
Obrigado.
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De Nuno Resende a 21.01.2010 às 22:52

Completamente. O Centenário da República serve para arrumar ideias e preparar uma casa arrumada. Este ano faz mais pela ideia de monarquia que um século de resistência.
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De P.F. a 21.01.2010 às 23:54

É um momento oportuno para se discutir o assunto, é verdade.
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De O Corcunda a 22.01.2010 às 00:08

Um post de profunda lucidez e que vai no sentido do que a Direita sempre disse. A Monarquia não é um fim, uma ideologia ou um milagre. É a própria Nação...
No momento em que as instituições são referendadas e votadas no parlamento ao bel-prazer de políticos ou da turba, sujeitas ao escrutínio de analfabetos e de seus domadores, ter um rei é anti-natura. A comuna de Paris ou a União Soviética, se tivessem tido uma coroa à frente, não deixariam de ser a esterqueira moral e política que foram. Não se percebe por que razão esse milagre ocorreria no nosso tempo...
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De P.F. a 22.01.2010 às 00:36

Como muito bem o Corcunda referiu num post seu de há uns tempos, a implantação da monarquia no actual momento e e na actual situação seria "coroar Abril".

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