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Monarquia e Nacionalismo

por Manuel Pinto de Rezende, em 25.01.10

Tenha-se em consideração que os monarcas, tal como as dinastias, faziam parte dos seus países - e não parte das suas nações.

O verdadeiro monarca - europeu, critão, ocidental - é uma parte integrante do cenário pátrio - quase tanto como as montanhas, as catedrais, os rios, etc.

 

Logicamente, o monarca não pode seguir racista ou nacionalista - ele próprio é um estrangeiro no seu país.

Os seus antepassados eram descendentes de casas reais europeias, ocidentais e cristãs como a dele - a sua mulher, os seus filhos, os seus pais, genros e sogras, netos e bisavós , igualmente, são e eram estrangeiros ao país do Rei.

 

A actualidade deste fenómeno está, correntemente, posta em causa, visto que os monarcas europeus tendem a casar-se cada vez mais com nacionais de obscura origem, fortalecendo assim os laços da família real com as diferentes classes sociais do país.

 

No entanto, a realidade histórica deste factor é indiscutível - os Bragança são Coburgos, os Romanov descendem por via masculina dos Holstein-Gottorps, os Bourbon, originariamente franceses, ocupam o trono de Espanha e também partilham com casas alemãs muita da sua herança genética.

 

Mesmo entre os mais ferrenhos dos monárquicos austríacos do início deste século, de certeza, haveria fervoroso bater palmas após o assassinato de um monarca que decretasse o "realojamento" da minoria étnica da Ruténia (a título de exemplo) ou o extermínio da população croata.

 

É o carácter patriarcal e familiar da monarquia, bem como o seu carácter dinástico e etnia diversificada que fornecem à insituição real as suas mais poderosas armas e a sua mais clamorosa fraqueza.

 

Que o digam os monárquicos destronados e assassinados, tantas vezes acusados injustamente de crimes perpetrados pelos seus ministros - ou até de crimes que não se deram de todo ou são inclassificáveis como tal - que as mesmas populações regicidas (e  fratricidas) irão perdoar, no futuro, a líderes republicanos muitas vezes verdadeiramente mal intencionados e descuidados com a coisa pública.

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publicado às 20:23


13 comentários

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De P.F. a 25.01.2010 às 22:27

O Manuel continua a confundir o conceitos de forma de governo com seus executores; soberania com soberano; princípios com meios e fins.
Na sequência do raciocínio do Manuel, a Monarquia seria uma "Liga Internacional das Nações" por via do genes das famílias reais.
Isto deve-se ao defeito de ter estudado factos genealógicos isolados do contexto histórico respectivo no qual iria encontrar factos mais do que suficientes para lhe tirar a ideia que os "reis não têm nacionalidade".
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De Manuel Pinto de Rezende a 25.01.2010 às 23:19

E o Pedro continua a confundir o carácter oficial das coisas com a devida ponderação sobre elas.
O facto de algo ter sido sempre assim não implica que tenha sido bem feito, ou o facto de se interpretar de tal forma um facto histórico não transforma uma suposição numa Verdade Absoluta.

O facto de a diversidade das famílias reais não implicar grandes transformações na política externa desse país diz-nos uma coisa sobre a sua forma de governo e regime, e outra totalmente diferente sobre a Monarquia.
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De O Corcunda a 26.01.2010 às 00:20

O Pedro gasta muita vela com pobre defunto.
Então não foi na época em que as famílias coroadas da Europa estavam mais próximas familiarmente que surgiu o apogeu dos nacionalismos e, pasme-se, a Grande Guerra, esse arrufo familiar com milhões e milhões de mortos?
O post presente é mais um apontamento de humor. Eu tenho a certeza que este Manuel não existe. É o comic-relief aqui do Estado Sentido. O Samuel faz de conta que anda ausente e vem aqui fazer-nos rir através deste pseudónimo.
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De Samuel de Paiva Pires a 26.01.2010 às 00:40

LOL! Meu caro, estou de volta, estive uns dias fora de Lisboa, em trabalho, sem acesso à net. Ando mesmo é cansado e sem paciência!

Um abraço
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De P.F. a 26.01.2010 às 01:01

Pois, Corcunda esse malandro do Samuel, que se fala no diabo e lhe aparece o rabo! E não é que o Mafarrico anda para aí sob pseudónimo até mesmo em thinkthanks!
E esta, hem!
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De P.F. a 26.01.2010 às 01:25

Ah pois parece que sim. Pois seu heterónimo - será alterego? superego? - MPR aparece aí em blogs thinthankianos que só hoje fiquei a conhecer...
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De Manuel Pinto de Rezende a 26.01.2010 às 03:47

Diga lá quais, se calhar até posso ser eu...
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De P.F. a 26.01.2010 às 14:17

Ora, se é o Manuel - e só pode ser - porque não diz o Manuel, de modo que aqui a malta faça a devida publicidade, pois já estive e o espaço merece-o.
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De Manuel Pinto de Rezende a 26.01.2010 às 15:05

se se refere à Plataforma Pensar Claro - sim, sou eu.
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De P.F. a 26.01.2010 às 16:00

Como disse, já lá estive e recomendo.
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De Manuel Pinto de Rezende a 26.01.2010 às 01:03

Fico contente, caro Corcunda, por conseguir com se ria um pouco.
É, no mínimo, um dever cristão iluminar com um sorriso a sua vida.

A sua afirmação é, todavia, muito pertinente.
O meu texto, para interessado ver, é uma quase-adaptação de uma parte do livro de Erik v. Kuenheldt Leddihn, onde ele argumenta que a tendência europeia para o uniformismo, o colectivismo, o militarismo e o nacionalismo se desenvolveram no século XIX, e onde a instituição monárquica terá servido para refrear os impulsos dos políticos mais radicais.

Passe uma boa semana, no meio de infindáveis risos e risinhos. Seja feliz.

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