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Father Figure

por Manuel Pinto de Rezende, em 17.02.10

Entre os devaneios do estudo para uma cadeira e o esboço de um projecto monárquico a iniciar, já este semestre, entre a camada académica da Universidade do Porto (é segredo), o tempo destinado a escrevinhar umas coisinhas aqui no Estado Sentido (ES, é-ésse) vai rareando.

 

Algo que me pareceu merecer alguma notoriedade foi uma duvida que me atormentava - já ia para umas poucas semanas - e que me assustava, pois era uma falha de argumentação que me parecia facilmente detectável por presumíveis oponentes num debate Monarquia-República (penso que já estamos todos um pouco cansados disso, é verdade).

 

Um dos argumentos mais usados pelos monárquicos a favor da Monarquia é a figura paternal do Rei, a sua distância das lutas interinas dos partidos, e o seu imparcial interesse pela coisa pública (poderá haver, de facto, algo como um interesse imparcial? e sendo possível, poderá sê-lo pelas complexas coisas da res publica? - outras discussões, outros debates).

 

Imagino que um republicano e democrata (este democrata é aristoteliano, descansem monárquicos da democracia directa) poderia magoar profundamente a minha causa ao relatar as figuras paternais dos regimes autoritários, ou pior, totalitários.

 

Depois de ler algumas coisas aqui e ali, formulei uma resposta que me parece a melhor forma de desarmar este argumento.

 

Todas as formas de regime necessitam uma figura paternal. Aliás, os clientelismos dos governos representativos (seja numa oligarquia ou democracia) são sistemas semelhantes aos patriarcalismos primatas.

O paternalismo monárquico vai além dessa protecção opressora do patrício da República, do Senador e do Congressita, do Homem do Partido, do Cacique.

 

O rei é um pai que dialoga com um filho maduro. Há uma relação de afecto, como parece haver desde sempre entre os governantes e governados - mesmo que ocasionalmente não seja bem assim (ironia, ironia) - mas há uma independência e uma responsabilidade da parte do súbdito que tornam o voto irresponsável do infantil cidadão republicano uma tolice de criança mimada e mal-educada.

 

Ou seja, basicamente a minha argumentação baseia-se no facto de que todos os regimes necessitam esta figura paternalista, só deve haver cuidado em escolher uma que não oprima a figura menor.

 

Assim, o Rei é um Pai, respeitável e distante, mas afectuoso:

 

enquanto que o Pai republicano é uma mera perversão desta imagem.

Como insiste em ser o Pai cool, e mostrar que é alguém do Povo e cujas funções são exercidas da forma que qualquer detentor do senso-comum faria, essa Perversão pode ser um desastre para as liberdades do homem - e aqui há casos bem conhecidos.

Essas perversõs patéticas da figura paternal dos Reis pode ser observada tanto na propaganda dos regimes autoritários dos anos 30, 40 e 50, como nos actuais concorrentes à presidência de um país tão pequeno como o nosso.

Aliás, Portugal poderá ser o detentor da mais ridicula transformação da imagem paternal dos Reis em algo absolutamente absurdo:

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publicado às 00:14


10 comentários

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De Anónimo a 17.02.2010 às 12:38

«Assim, o Rei é um Pai, respeitável e distante, mas afectuoso»


D. Rezende,

Ora, ora, acha que a Isabel II é afectuosa? E outros que no passado mandavam para o cadafalso, porque lhes apetecia? Esse argumento não pega! Não quero com isto defender que os pais republicanos que conhecemos não sejam uns « possidónios» de manga arregaçada e com damas de«mala ao ombro» como se estivessem na paragem de autocarro...claro, refiro-me às cerimónias oficiais...

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De Manuel Pinto de Rezende a 17.02.2010 às 12:49

Não houve assim tantos reis que "mandavam para o cadafalso, porque lhes apetecia".
E sim, acho Isabel II de Inglaterra muito afectuosa, a avozinha que qualquer um queria ter (quanto mais não fosse pelos possíveis presentes)
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De Anónimo a 17.02.2010 às 14:50

Factos...D. Rezende...Factos

«Possiveis presentes»? Ou certos presentes?

Uma possibilidade não é um facto, logo não é tutelada racionalmente.

A Isabel de Inglaterra pode ser uma simpatia de Senhora...que eu não a conheço...mas...quando os filhos dizem que ela nnca os mimou...inté me arrepio toda!!!

Agoara quanto aos outros monarcas, bem claro está que cada um foi como cada qual...Mas D. Rezende, se quer cativar para a causa, tem de ir por outro caminho. Penso eu! Eu por exemplo daria uma excelente raínha de Portugal.Antes de ser afectuosa, procederia a uma limpeza pelo País...imagine por quem começava?!

E os exames de V. Senhoria, como correram?
Já está no 5º ano? Já é Doutor ou andamos por Bologne?

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De Manuel Pinto de Rezende a 17.02.2010 às 15:42

Pois, mas lá está, os reis não devem proceder a limpezas.

Olhe, eu vou muito bem, mas estou um pouco desiludido com o curso. Ainda estou um pouco longe do quinto, aproveitei a liberalidade de bolonha para refazer o meu 2º ano de direito, mas isto não tá a andar tão bem como planeado.
Tirei boa nota a Direito Comunitário, no entanto, mas estou tremido para Finanças Públicas e é já para depois de amanhã.
E a Educadinha/Poltergeist, como vai? Muito trabalho?
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De Anónimo a 18.02.2010 às 01:17

Bem...estou acamada há quase dois meses...acredita?! Trabalho praticamente na cama, e os prazos têm que se cumprir.

Finanças Públicas nunca foi o meu piece of cake...fui apanhada a copiar na prova escrita por um tipo que depois veio a ser secretário de Estado ( do PS). Eu olhei para ele e disse-lhe « Senhor Doutor, que se passa, ficou a olhar dessa forma para mim porquê? Tenho de ir à casa de banho, não me diga que me pintei mal?».
Lá se foi embora, pisquei-lhe o olho, fui à oral e passei com um outro conhecido da «praça do Direito».

Só fiz as perguntas sucintas (4), o resto nem me atrevi, estava estoirada... Lá passei...

Direito é assim Manuel, não desista...o que interessa é mesmo advogar aquilo em que acreditamos e garanto-lhe nada paga isso...O Manuel é inteligente e eu adoro meter-me consigo....
Beijinho


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De Manuel Pinto de Rezende a 18.02.2010 às 13:34

=) obrigado pelas palavras.
eu também gosto muito que venha meter-se comigo, aliás, não fosse por si e ninguém me comentava

:(
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De Anónimo a 19.02.2010 às 22:29

D. Rezende,

O Estado Sentido não é um blogue qualquer. Não é um blogue de «barracas armadas», não é um blogue «palavroso».

É um blogue feito por pessoas que sentem o que escrevem, que escrevem muito, muito bem, e que para além de escreverem bem, dão conteúdo sério aos seus textos.

Por conseguinte,

É dificil acompanhar, pois nota-se, de imediato, que há estudo, que há informação e que há opinião.

Por isso, nem todos comentam...muitos porque não o conseguem fazer, ou porque preguiçam, enfim...

Eu gosto de vos ler, gosto de comentar...às vezes disparatadamente, mas aprendo vindo aqui.

Você é um autor que eu gosto de ler. «Prontos»! Adoro palavras. Sabe qual é a da moda agora? «Encornado», não é «incrível» este fenómeno tão pêéche...tão democrata...

E Finanças?

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De Manuel Pinto de Rezende a 20.02.2010 às 01:14

fiz tudo menos a definição de derrama.
só agora sei que porra é uma derrama.

estou capaz de matar um homem.
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De Anónimo a 20.02.2010 às 02:46

Derrama...isso tem aspecto de ser um tributo com cara de imposto da administração estadual indirecta, no caso autárquica...que pode ser ou não lançado...

Porcaria de pergunta...

Oiça quando o apanhar, «goze o prato» e pergunte-lhe:

Senhor Doutor, sabe o que é «pensar o porco»?

Ou pergunte-lhe se o elevador é uma coisa móvel ou imóvel... sem ir ao CC...

E nunca confunda aluguer com arrendar...é chumbo na certa....

Derrama...«carraio» de questão...que é que isso interessa...só se for ao primeiro dito - democrata deste País - o ibercrates.
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De Manuel Pinto de Rezende a 20.02.2010 às 04:38

pra derrama só mesmo na lei de Finanças Locais.
é um imposto autárquico, ou coisa que o valha.

essa do elevador é muito boa =) deixou-me a pensar.

e sim, já ouvi essa história do arrendamento e do aluguer, e já vi um chumbo a um colega que confundiu.

não sei deixar-lhe essas flores engraçadas no final das frases, mas aproveito e deixo-lhe um bom fim-de-semana, que vou pra minha terra, Tendais.

até à próxima =)

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