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O momento da verdade

por Nuno Castelo-Branco, em 19.02.10

 Portugal tinha 2.000.000 km2 e 25.000.000 de habitantes. Hoje, com 89.000 km2, soberania evacuada e muito computador, são 700.000. Pedem aumentos. É a soltura. O país pode andar aos caixotes de lixo, mas o Estado é rico e os seus funcionários pedem mais. Uma vergonha.

 

Este post no Combustões, alerta-nos para uma realidade que todos conhecem, mas que ninguém pode atrever-se a combater. O regime assenta totalmente nestas fidelidades impostas por uma manjedoura que por pouca ração que sirva, sempre garante o sustento à maioria de dependentes directos e indirectos.  Na verdade, por detrás dos parcos salários de 750 Euros, esconde-se um outro Portugal, bastante exclusivista e quase secreto para milhões de distraídos. É o contentamento pela malga meio vazia, mas garantida para a maioria. No entanto, existe aquele outro país das comissões instaladoras, das comissões executivas, dos gabinetes de paus-para-toda-a-obra nomeados pelo partido que esteve, está ou estará no poder e que numa ciranda, vai  garantindo os necessários postos para o efectivo controlo do todo. 

 

A ilusória separação de poderes encontra-se constitucionalmente garantida, tal como as liberdades públicas eram reconhecidas pelo texto constitucional da 2ª república (1933). São formalidades necessárias ao reconhecimento de um Estado de Direito europeu, mas sem autêntico reflexo na praxis em sociedade. O país é outro, onde as aparentes dicotomias entre o Estado, as empresas e as entidades da sociedade civil se encontram de tal forma emaranhadas pelos laços de dependência mútua, que a realidade orwelliana se agiganta a cada dia que passa., com o esperado aplauso de muitos que pretendem antes de tudo, garantir o pouco que lhes resta.

 

Por muito que queiramos confiar na boa fé dos agentes políticos - porque há quem seja sério, o clientelismo instalado impede qualquer veleidade  reformista.

 

Bem fizemos em  aqui evitar comentar sectariamente os últimos episódios relativos ao estertor do sistema que temos vivido nos derradeiros trinta anos. O que se pode ler quotidianamente na imprensa e na blogosfera, deixa-nos aquela sensação de prolongamento da estéril luta partidária, aferrada a ódios pessoais sem nexo e pasto de parlapatices que exaltam um ou outro transitório "agente de mudança". Nenhum discurso ou entrevista tranquiliza seja quem for e muito menos ainda, aponta um caminho de mobilizadora esperança. Tudo isto não passa de um Grande Nada orgulhoso do poder a conservar por uns e a atingir por outros.

 

Bem vistas as coisas, pouco interessam os escândalos à volta das escutas, os mandatos milionários em golden shares, as pressões de e sobre jornais ou televisões. Aqueles que hoje criticam, amanhã farão exactamente o mesmo e pior ainda, usarão dos mesmíssimos argumentos daquela confusão acerca do interesse geral que afinal não mais é, senão o delírio pela garantia de vaidades  e dos patacos para apenas alguns. 

 

O que se adivinha para o "grande partido da oposição", mais não será, senão um afiar de cutelos para o almejado talhar de fatias a distribuir num poder que talvez esteja mais próximo do que poderiam supor.  Do outro lado, resiste-se até onde se puder.

 

É necessário mobilizar o país inteiro, mostrar o que deve e tem que ser feito sem mais tardança. Não é com o grupo Cavaco Silva, nem com Manuel Alegre, Pedro Passos Coelho - e os outros contendores PSD - que Portugal conseguirá o rumo que todos desejam sem ousar dizer aquele sonoro e inevitável basta! Não está em causa a lista dos homens do regime, mas sim uma ideia refundadora do país. Todos eles terão forçosamente abdicar de fátuas titularidades e dos cartéis de interesses de grupo. As manobras dilatórias, as mentiras - hoje eufemísticamente  chamadas de ocultação da verdade - e a calendarização de projectos pessoais no país ou "nas Europas", deixaram de ter lugar.

 

Para que compreendamos que algo mudará e que se rasga a cortina que nos tem impedido de ver o que importa - este triste espectáculo de um Estado sem carisma, decrépito, lasso e conspurcado por quem dele apenas se serve -, muito  deverá desaparecer de forma inequívoca.

 

Embora tentem insistir neste modelo, a verdade é outra. Há lugar para uma outra democracia. Uma outra democracia eleitoral, uma outra democracia constitucional que organize as instituições e o território, uma outra democracia avara na distribuição de recursos e sábia na atribuição de prioridades de investimento. Uma outra democracia que eduque para o sentido do serviço e do dever e que premiará condignamente pelo desempenho. Uma outra democracia que alije o despesismo consumista do Poder e que faça respeitar o Estado que afinal somos todos.

 

Para que mudemos Portugal, precisamos daqueles que todos os dias garantem a solvência do país através do seu trabalho, ideias e impostos. Precisamos que estejam conscientes do momento histórico e sem retorno que vivemos. Precisamos que vislumbrem a autenticidade das instituições que conformam a sociedade organizada em país independente e olhadas como fortalezas intransponívels para a sobrevivência de um Portugal que dentro de poucas gerações será milenar.

 

Para que tal aconteça, os portugueses necessitam de fazer exactamente aquilo que as libertadoras revoltas de há vinte anos impuseram no leste europeu. Novos símbolos que mostrem ao mundo o que fomos e a consequente nova organização política constitucional, territorial e eleitoral. Novas regras na Justiça, no ensino, na preservação do interesse geral que a defesa do património impõe sem mais atrasos.  

 

Chegámos ao fim das ilusões e é o momento da verdade.

 

 

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publicado às 13:10


2 comentários

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De Anónimo a 19.02.2010 às 16:24

O que faz um funcionário público?
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De Anónimo a 20.02.2010 às 02:50

Mon cher Nuno

Soberania evacuada...? eu diria...dada a troco não sei de quê...Como se retira do tratado reformador de Lisboa...disse a um lacunoso de um xuxa que se Afonso Henriques estivesse por perto quando ele - xuxa- disse que não importava de ceder a soberania, o nosso rei lhe daria uma boa espadeirada...

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