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O enorme bocejo do sr. tabu

por Nuno Castelo-Branco, em 11.03.10

 

 Apresentado o PEC, o sr. Cavaco Silva resolveu-se à rotineira e previsível entrevista, concedida à estação de serviço. 

 

Nada de novo. Falou da necessidade de estabilidade e passando a vol de l'oiseau, mencionou uma crise económica classificada como complexa. Uma das curiosidades da conversa, consistiu naquele misto de confusão ou esquecimento quanto a eventos ocorridos há bem poucos anos e que tiveram o Parlamento como palco. Quanto à questão da dissolução da AR, demarcou-se de qualquer comprometimento, como aliás lhe compete  neste período pré-eleitoral. Ninguém terá compreendido muito bem as suas alegações quanto a uma demissão do governo, apenas possível no caso da necessidade de ..."assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas".  Escutando isto, o que terão pensado os seus entusiásticos partisans da "4ª república", a boa, a do "agora é que é", a presidencial?

 

Será este o mesmo prof. Cavaco Silva, aquele que foi o autor do famoso discurso das escutas telefónicas e da imaginada espionagem cibernética? Antes da última campanha para as legislativas, explodiu na imprensa todo um conjunto de notícias que apresentavam fortes suspeitas acerca do défice democrático. Manuel Ferreira Leite, o braço de Cavaco Silva no partido de ambos, afundou a sua campanha num baldio de suspeitas e conspirações mais ou menos veladas. Os acontecimentos posteriores, onde surgiria o discurso televisivo do PR, pareceu confirmar as alegações que hoje parece ter indirectamente desmentido. Se não há ameaça às instituições, não existe qualquer possibilidade de dissolução. Foi claro, embora esquecesse - ou talvez ignore - a jurisprudência feita pelo seu antecessor, quando este liquidou o governo Santana e com ele, a maioria parlamentar até então sólida e sem quebras. 

 

A legitimidade do actual governo, se resulta inequivocamente da lei das urnas, também advém e muito, da própria necessidade do actual residente de Belém. Convém-lhe não criar quaisquer tipos de anticorpos num heterogéneo conjunto eleitoral como é o PS. Ali espera fazer uma razoável colheita de sufrágios e até às eleições, espera-se uma bonança, aconteça o que acontecer na economia, finanças ou num país onde ..."não podemos dizer que há instabilidade política" (sic).  Outra conveniência  para esperado benefício próprio. 

 

Estamos então a entrar naquela fase que antecede, ainda que em alguns meses, a silly season veraneante. Afinal, nada daquilo que durante mais de um semestre vimos e ouvimos, era ou foi o que parecia ser, embora o PR não tenha resistido em manifestar a esperada ambiguidade quanto à sua opinião acerca do caso PT/TVI. No seu tempo como 1º-ministro, um negócio destes teria inevitavelmente de ser do seu conhecimento, ressalvando - à moda de Pôncio Pilatos - que ao tempo, a ..."PT era uma empresa totalmente pública".  Não se compromete. 

 

Ficam todos satisfeitos. O PS, vê adiada qualquer hipótese de conflito durante largos meses, enquanto o PSD continua seguro do seu homem, aquele que há quatro anos se afastou do partido (a que pertence). Já ouvimos isto em 1995. 

 

Finalizando o frouxo caudal de banalidades, o residente de Belém diz ainda ter bastante tempo para ponderar a sua re-candidatura ao cargo, previsivelmente no aconchegante recesso familiar. Nota curiosa esta última, como se a PR não fosse um posto solitário com regras constitucionais  - e de tácita conduta - perfeitamente definidas. Assim, fica Portugal a saber que a transcendente decisão será tomada durante um serão, onde ao sofá, mordiscando um sonho e mirando o tricotar das mulheres da casa, exclamará o tão imprevisível eureka!

 

Aqui do nosso lado, nunca perdemos um único minuto com o tabu. Como se alguém acreditasse!

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publicado às 00:00


1 comentário

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De Anónimo a 11.03.2010 às 21:39

Sim, sim, no aconchego familiar....ele lá vai deixar de se recandidatar...até parece mal. O Senhor Professor.
Vamos lá esperar os outdoors do Sr. Presidente. Deixam-me adivinhar: o perfil do homem, com o beiço inferior saliente, depois de frente com os dentes de político ...foi naquele intervalo que se aconchegou e começou o «bolo alimentar estomacal» do bolo rei de Cavaco.

Vamos ter umas frases do género:

Por portugal
portugal no meu coração

Juntos. Convosco. No combate à crise.

Conto consigo.

Deixem-me continuar a trabalhar.

Construamos uma presidência aberta, saudável.

Claro, depois nos comícios, desculpem, isso é muito de esquerdalha...portanto nos jantares de apoio, ele falará, todos baterão palmas, e a Tia cavaca olhará embevecida... prevejo que o mesmo acontecerá numa qualquer manifestação de rua, em que a Sua Senhora, com o cabelo arranjadinho na cabeleireira da esquina, vai olhar para ele de perfil. Depois dar-lhe-á a mão e...a família aparecerá no palco...sim que isto de copiar as presidenciais americanas tá na moda...

Hum...ainda vamos ver a judite, a da RTP, aquela que nunca cai do poleiro (não percebo porquê), a entrevistar a primeira dama...ou a Bárbara Guimarães ...se calhar no Tivoli...

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