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Nissan, mais uma oportunidade perdida

por Nuno Castelo-Branco, em 19.03.10

 

 

Há uns anos, colocou-se a possibilidade de Portugal poder acolher a Disneyland Europa. As delongas na decisão, o desleixo, a falta de iniciativa do governo do então 1º-ministro Cavaco Silva e a ausência de incentivos,  levaram as empresas Disney à escolha de Paris. Perdeu Portugal, perdeu a Disney - os custos - e perderam os utentes, dadas as evidentes vantagens climáticas que o nosso país apresenta, preços de estadia, proximidade de zonas balneares, segurança, etc. 

 

Hoje recebemos a notícia da escolha feita pela Nissan. O seu automóvel eléctrico Leaf será produzido em Sunderland, no Reino Unido, onde já existe uma fábrica da marca. A televisão explicou a razão da escolha, com os incentivos e facilidades apresentadas pelas autoridades britânicas. Em conclusão, o Estado português parece não ter dado a devida importância ao assunto, contentando-se com a grandiosa cerimónia de inauguração da fábrica de baterias eléctricas - que equiparão o Leaf -, ocorrida há escassos meses. Uma vez mais, caem por terra os habituais argumentos do "preço da mão de obra e da produtividade" e nem sequer valerá o esforço, tentar convencer alguém acerca da privilegiada situação geográfica de Portugal. 

 

Não existe qualquer plano coordenado para o desenvolvimento. Dão-se facilidades a entidades que não produzem, beneficia-se fiscalmente um sector pessimamente reputado - a banca - e deixam-se escapar oportunidades únicas para a aquisição de conhecimentos tecnológicos capazes de estimular a formação. Esta notícia consiste num desastre para Portugal, cujas autoridades diariamente exibem à moda de troféu, o plano da rede de fornecimento de electricidade para os automóveis do futuro. Estes veículos não serão produzidos no nosso território, nem pela nossa mão de obra. Tudo como dantes.

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publicado às 12:02


5 comentários

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De Avelino Vieira a 19.03.2010 às 16:49

Quem está ” por fora” dificilmente entende o mundo automóvel.
Só por milagre, com incentivos ou sem eles, e até mesmo dando de mão beijada muito dinheiro, é que um projecto como este viria para Portugal. O grupo Nissan-Renault ou Renault-Nissam não tem em Portugal uma fábrica apta a fabricar qualquer tipo de automóveis, repito qualquer tipo. O PDG da Renault e da Nissan disse que os automóveis eléctricos seriam produzidos nas fábricas actuais que estão em sub-actividade. Ora no Reino Unido há uma fábrica da Nissam nessas circunstâncias que é a de Sunderland. Os patrões na actualidade não buscam só os subsídios, têm também e sobretudo, saber gerir, e bem, o seu parque industrial, que numa crise como a actual, estão deveras ameaçados.
AV
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De Nuno Castelo-Branco a 19.03.2010 às 18:11

Avelino, é verdade que estou por fora do mundo automóvel, mas compreendi muito bem o que explicou. É verdade. No entanto - e isso não escrevi no post - o problema consistiu nas expectativas que as autoridades criaram em torno do assunto. Uma breve pesquisa na net demonstra a clara propaganda para consumo interno. Mas este caso Nissan não é isolado. Se formos mais longe, deparamos com o defunto projecto de Sines, onde ainda há poucos anos se aventou a hipótese do terminal de contentores, como porta de entrada para a Europa. Nada aconteceu. pelo contrário, arranjaram maneira de fazer uma torpe negociata em Lisboa que como se sabe, não reúne as condições ideais para um terminal desse tipo. Um país não pode viver eternamente ao sabor das conveniências do noticiário. O que era a Formosa, o que era a Coreia do Sul, o que era a Tailândia ainda há poucos anos?
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De Miguel Castelo-Branco a 19.03.2010 às 17:07

É pena, mas é o que temos. Se alguém propusesse instalar uma fábrica de engarrafamento de água, haveria logo um engenheiro para desfazer a hipótese. A Coreia do Sul começou a construir automóveis em garagens, com tecnologia de terceira categoria e é hoje a 4ª fabricante de automóveis do mundo.
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De Nuno Castelo-Branco a 19.03.2010 às 18:14

Pois é, Miguel, mas a Coreia do Sul ..."tem uma situação geográfica privilegiada" (!), ou ..."os seus vizinhos do Norte, da Sibéria ou da China são os melhores clientes" (!) e outras parvoíces que em Portugal sempre surgem para justificar a inépcia desta gente. Os estrangeiros que visitam o nosso país, conhecem bem o potencial e ainda há uns dias, discursou longamente um empresário sueco, extasiado com as possibilidades que Portugal oferece em muitos sectores. Teremos de chegar ao ponto de sermos tutelados?
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De Pedro a 24.03.2010 às 20:38

Vejam esta pouca vergonha
Afinal o verdadeiro nome do 1º Ministro é Zé Só Cá Atrás. Depois da falta de sucesso no Entroncamento, fez uma parceria com o Cáváòcoo Silves e montaram uma fábrica de presercútivos em Macau, vejam com os próprios olhos. Também entram outros políticos.
É uma banda “desenhada” de fotografias com 20 slides.
É só rir…
Faz copy-past do link
http://www.slideshare.net/RonaldoSton/s-c-atrs-6

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