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o IDP causa-me mixed feelings

por Manuel Pinto de Rezende, em 17.04.10

Há uns tempos atrás, através do simpático convite do Professor Mendo Henriques, inscrevi-me como membro no Instituto da Democracia Portuguesa.

Apesar de já muito ter mudado, na minha vida e na minha forma de entender a Monarquia, tenho-me mantido como tal devido às chatices da preguiça e por reconhecer algum mérito do dito Instituto na discussão da política portuguesa e na criação e estudo de uma Constituição tradicional, portuguesa e monárquica.

 

Muitas das figuras de proa desse Instituto parecem-me homens de elevada distinção e dignidade. No comunicado do IDP mais recente, que tratava das afirmações trágico-cómicas do Presidente da República Checa (existe, de facto, uma estirpe de homens que, apesar do seu génio e da sua coragem, nunca conseguem manter o bom.senso diplomático), o IDP toma, no início, uma posição que eu só posso apoiar a 100%

 

Como todo o país, tomou o Instituto da Democracia Portuguesa (IDP) conhecimento que, na visita do Presidente da República Portuguesa à República Checa, o presidente Vaklav Klaus, em declarações públicas, acrescentou o insulto ao nosso país à injúria de quem interfere nas questões internas de outro país(isto é bem verdade, principalmente quando notamos que Vaclav sempre se queixou de ingerências internas por parte da UE nos assuntos internos dos países da União).

 

Considera o IDP tais declarações uma afronta ao nosso País, contra todas as normas das relações internacionais e uma total falta de respeito ao nosso Presidente, convidado oficial. Mais estranha o IDP que nenhuma força política portuguesa tenha reagido até ao momento a tais declarações ofensivas à Nação.

 

Até aqui tudo bem. No entanto, de um momento para o outro, o IDP - tão notoriamente monárquico e pro-Bragança - torna-se no mais aguerrido defensor da dignidade da Presidência da República.

 

Recorda o IDP que nos habituámos a respeitar um Presidente da Checoslováquia, chamado Vaclav Havel, um dos primeiros signatários da “Carta 77” que agrupava pessoas unidas pela vontade de lutar pelo respeito dos direitos cívicos e humanos, no seu país e em todo o mundo, conforme a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Foi a "Carta 77" que criou a atitude que permitiu à então República Checo-eslovaca aderir à Europa.

 

O Presidente Vaclav Klaus não pertence a essa herança (irra, que mauzinhos). Foi entre 1971 e 1986 um funcionário do Banco Central  da República Popular Checoslovaca (malandro). Advogou, depois, posições ultra liberais em economia (quais? as que toda a gente, em todo o mundo menos aqui, advogou?), como ontem fez questão de lembrar, proclamando-se contra o keynesianismo (e onde está o mal nisto?) e defendendo um bizarro anti-europeísmo (ou anti-federalismo, que não é a mesma coisa) num país que não tem como não ser senão europeu.

 

É impressionante como o IDP gave it all away num único parágrafo.

Há que ficar de pé atrás com organizações monárquicas, que ostentam tal exageração democrática (tudo o que se faça hoje em dia, em prol de algum objectivo em prol do bem comum ou com vista a atrair alguma atenção política tem de ter alguma referência à Democracia), principalmente quando há tantos famosos esquerdistas nessa associação.

O IDP tem graves problemas com a livre-iniciativa, é simpatizante do keynesianismo e um defensor sem reservas do Tratado de Lisboa.

 

O IDP é o PS, mas coroado.

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publicado às 17:19


5 comentários

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De Nuno Castelo-Branco a 17.04.2010 às 18:03

Bem, recebi a mensagem, via Facebook. Respondi, dizendo que neste caso, se alguém se sentiu insultado foi o sr. prof. Cavaco Silva e a entourage despesista que assiste o actual regime. Klaus não insultou os portugueses, pelo menos assim o entendi. Muito pelo contrário, disse umas verdades que aqui ninguém tem a coragem de proferir, embora todos as interiorizem.

Veremos quem tem a razão. Se o apontar do dedo do dr. Cavaco, ou a brutal ironia de V. Klaus. Eu apostaria no germânico checo.

Quanto a PS's monárquicos, nada tenho a opor, até porque conheço muitos. Até na na família.
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De Rui Monteiro a 18.04.2010 às 22:45

Há sempre a Brigada do Reumático que continua a ter a mania de que a Monarquia é um bem da Direita, pior é que não entendem que na política nacional a maioria esmagadora da população votante é de Esquerda. Os votos ganham-se no Centro até num hipotético referendo como o da Monarquia mas explicar isto a saudosistas é complicado. Essa mentalidade foi a principal inimiga da Monarquia e do Rei nos últimos 100 anos, ajudou e fundamentou estigmas que ainda hoje é muito difícil libertar-se. Como Passos de Manuel reafirmo passados quase 200 anos os seus ideias "A Rainha é o chefe da nação toda. E antes de eu ser de esquerda já era da Pátria. A Pátria é a minha política.", já sei ... era maçon ... era Liberal ... e daí ? E depois dizem que os Miguelistas é que dominam ...
Mas a miopia anti-Democrática é tanta que não entendem que um presidente é antes de mais um Chefe de Estado ... e neste caso é democrático e eleito, só por se defender a Democracia é um acto de Lesa-Pátria ? ... enfim só falta alguns pedirem uma Revolução Armada porque o 25 de Abri de 1974 ainda lhes está entalado !

Cumprimentos
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De Manuel Pinto de Rezende a 19.04.2010 às 01:56

caro Rui, no dia em que a Monarquia seja instaurada devido a um capricho de uma população maioritariamente de Esquerda, eu serei o primeiro Republicano deste país.

Antes viver neste exílio que numa mescla insititucional como aquela que, após 1820, colocou a Casa Real refém de alguns demagogos e devoristas que muitos monárquicos, principalmente na esquerda, se dignam a glorificar.
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De Rui Monteiro a 19.04.2010 às 10:34

Independentemente de eu ser de esquerda e militante há 16 anos do PS do qual não tenho vergonha a verdade é que não estou a ver a direita a tomar conta de 2/3 dos deputados no Parlamento tão cedo, ou seja mudar a Constituição é impossível tendo em conta que a maioria da esquerda é republicana. A mim a direita não me choca desde que seja democrática, ninguém está a pedir uma monarquia eleita pela esquerda mas a lógica de eleição presidência é a mesma para o regime monárquico ... tem de ir roubar votos à esquerda tendo em conta que a direita está maioritariamente assegurada.
Pense nisso.
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De Pedro Quartin Graça a 17.04.2010 às 19:16

Concordo em absoluto! Escrevi um e-mail a manifestar ao IDP a minha discordância por afirmações insertas no comunicado!
Cumps,

PQG

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