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Bangkok: a revolta anti-"red"

por Nuno Castelo-Branco, em 22.04.10

 

Popular defensor da Coroa, ferido à saída do Hospital cristão na Silom (foto do Combustões)

 

Como previamente anunciámos via Combustões, a paciência da população de Bangkok está a chegar ao fim. Hoje uma enorme multidão deslocou-se para a zona da Avenida Silom, no sentido de confrontar as barricadas "vermelhas". Foram disparados rockets M79 que segundo as autoridades, apenas podiam provir das imediações da estátua do Rei Rama VI, que se ergue precisamente à entrada do Parque Lumpini, ou seja, em pleno arraial thaksinista. Decerto será inútil procurar muito para encontrar os autores da façanha que matou gente e feriu muitas dezenas de populares defensores do regime democrático e da Casa Real. O exemplo nepalês é temido e o que tem sucedido no antigo reino hindu dos Himalaias, é de molde a aterrorizar os até agora pacatos tailandeses. Como avisámos há uma semana, o "movimento vermelho" encontra-se perfeitamente organizado, bem abastecido de recursos de toda a ordem e as suas tropas de choque não são compostas por aquilo que na Europa se chama de hooligans de futebol. São uma estrutura para-militar e treinada para este tipo de confrontos e se não chegaram ao extremo da guerra total, isso poderá dever-se apenas ao progressivo reduzir do número das suas fileiras e em sentido oposto, ao imparável aumento de efectivos  do campo dos defensores da legalidade constitucional.

 

Os próximos passos são aqueles que já se prevêem. Iniciarão as manobras dilatórias e de desinformação, empurrando o odioso para o poder instituído. Como se a situação que se tem arrastado já há perto de cinco semanas, não seja da única e exclusiva responsabilidade da liderança pró-Thaksin e dos seus mentores estrangeiros! Ocupação de uma parte relevante do centro urbano, depredação da propriedade pública e privada, ataque à saúde pública - sangue, fezes, urina em prodigiosas quantidades escandalosamente vertidas pelas ruas -, desobediência civil e assumida intenção de subversão da ordem constitucional, para nem sequer voltarmos ao deliberado uso de armas de guerra e ataque às forças da ordem. É este o quadro indeclinável das responsabilidades de quem decidiu a aventura da qual tem agora o ónus total. Entretanto e em total desespero, a liderança "vermelha" pretende apelar ao envio de uma força de interposição da ONU, como se se tratasse de um conflito internacional. Desta forma, reconhece ser um partido político que deixou de o ser, tornando-se numa milícia armada em aberta guerra civil. Este episódio grotesco até à demência, tornaria os meliantes num estado dentro do Estado. Inacreditável

 

Há ainda que dar uma especial atenção ao ponto fundamental que as informais agências de desinformação não têm querido referir, pelas razões que são óbvias e que se prendem sobretudo, aos interesses económicos sem rosto mas perfeitamente identificáveis a breve trecho.

 

O último recurso, consiste na desesperada intenção de envolver a Coroa na luta partidária, num clássico processo que teve funestas consequências no nosso país. O Rei tem-se mantido numa total reserva, deixando a situação tornar-se completamente nítida aos olhos da totalidade da população tailandesa e também - ponto importante -, para a plena avaliação dos aliados internacionais do Reino, mormente os Estados Unidos da América, o Japão e outros parceiros regionais, como a Índia. O caso europeu, perdido de antemão pela inexistência da UE como entidade credível na cena internacional, resumir-se-á talvez, à única potência remanescente neste espaço, o Reino Unido.  Seria talvez interessante que as duas eclipsadas potências históricas - assim os tailandeses continuam a encará-las - europeias, Portugal e a França, manifestassem atempadamente a sua obrigatória solidariedade com a ordem constitucional vigente.

 

Sabemos todos o que está em causa em toda a ampla região em disputa pela impetuosa e expansionista China continental. O sinal a enviar deve ser inequívoco, claro e delimitador das esferas de influência recíprocas. É esta a única mensagem possível de entender pelos Estados que vêem nas relações internacionais e nos Tratados, meros "pedaços de papel" ou recursos à disposição para a prossecução de ambições ilegítimas, mas possíveis de atingir pela passividade de terceiros. Foi este o caminho que a Europa e os EUA não decidiram trilhar nos anos 30 do século XX, estimulando os apetites da liderança militar japonesa que levaria o Império a uma hecatombe sem precedentes.

 

Ontem, Chavalit - um homem que desde há muito é geralmente considerado como ligado a grandes interesses e pouco susceptível de beneficiar de qualquer reputação de lisura -, veio apresentar uma fastidiosa exposição que visa o fatal comprometimento da Coroa no conflito e cujo exclusivo fim consiste na dissolução imediata do Parlamento. Consequentemente, o calculista porta-voz de Thaksin e dos seus mentores além-fronteiras,  adivinham a formação de um governo sob os auspícios do Pueh Thai, o sucedâneo do extinto partido político outrora chefiado por Thaksin e pela sua camarilha de chieftans locais e  tríades de negócios e de influências de várias cambiantes. É que para estes o tempo urge e não será muito arriscado imaginarmos uma provável derrota eleitoral do PT, principalmente após os acontecimentos de que foi incentivador e claro protagonista.

 

Eis alguns dos argumentos apresentados por Chavalit:

 

- In the Thai experience, the monarchy has always guided the country to overcome turbulent situations and when deemed necessary, the King has the full power to exercise royal discretion. The King's intervention during the 1973 student uprising and the 1992 Black May incidents are examples of the monarchy's involvement in overcoming crises.

- The monarchy has been a counter-balancing force to check the runaway power of a dictatorship, be it military or parliamentary.

- The monarchy is just, and therefore, the only viable institution to mend social divisions.

 

 

Apesar das aparentemente naturais palavras tendentes a convencer os mais desconfiados, a realidade é hoje bem diferente daquela que se apresentava em 1992, embora se pareça estranhamente com os acontecimentos dos anos 70, esses sim, claramente "vermelhos" e teleguiados pelo expansionismo comunista internacional.

 

A Coroa não pode actuar agora tal como fez prontamente noutras ocasiões, porque os dados em análise remetem-nos para os acontecimentos dos anos pós-conflito  do sudeste asiático. Inebriados pela esmagadora derrota ocidental no Vietname, Camboja e Laos, os comunistas tentaram apear a Monarquia siamesa, no conhecido programa do dominó gizado por Pequim e pelo seu arisco correspondente comunista de Moscovo. O Palácio de Chitralada - a residência real - terá há muito compreendido os verdadeiros objectivos daqueles que trouxeram a guerrilha para o centro da capital do Reino e a circunspecção até agora demonstrada, vai certamente no sentido de uma cuidadosa análise. Durante anos os comunistas do Partido Comunista Tailandês derrotados da década de setenta, propalaram os velhos e requentados rumores com que atingem todas as coroas desde os finais do século XVIII e tal facto não é desconhecido a ninguém, muito menos ainda para os colaboracionistas estrangeiros que estão de serviço à subversão.

 

Se a Coroa não pode tomar partido numa disputa entre rivais eleitorais  ou sociais - e não é essa a situação -, deverá ser a força decisiva que faz pender a balança com o peso esmagador da imensa maioria da população do país que não quererá vê-lo tombar perante uma tirania lúgubre e ruinosa.  Após o Crime de 1908 e as condescendências que durante três décadas aviltaram a respeitabilidade da Ordem instituída, a crença profunda na intrínseca bondade dos homens - e neste capítulo S.M. a Rainha Dª Amélia foi cega - e a recusa em acreditar no total desrespeito por um articulado constitucional que era profundamente liberal, tornaram inevitável o fatal desenlace de 1910 e toda a tragédia subsequente. Foi esta louca imparcialidade perante a arrogante subversão terrorista que conduziu o liberalíssimo regime da Monarquia Constitucional portuguesa a um inglório e escusado fim.

 

Defendendo o seu trono, o Rei defende o seu povo e a Tailândia como o país independente que jamais deixou de o ser.

 

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publicado às 18:58







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