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Dead city

por Silvia Vermelho, em 27.04.10

Posso não ser uma pessoa "urbana", mas gosto de cidades de vez em quando. Especialmente quando passo por baixo de viadutos cheios de cartazes velhos de concertos a que pensei ir e não fui, de peças de teatro que desconhecia e concentrações motards canceladas. Gosto especialmente quando cheiram a mijo e o piso está cheio de beatas de cigarro. Dou por mim a pensar: a cidade está povoada.

 

Gosto de cidades - e gosto de Lisboa - quando esta cheira a Verão e custa a respirar. É porque a cidade está viva e tem um suor próprio da sua azáfama diária, compactada no ar húmido e pesado de que o Tejo também é responsável.

 

Nunca sei se gosto de mim em cidades nem de mim em Lisboa. Lisboa tende a impor-me um modelo comportamental reactivo, como se Lisboa e o meu alter-ego fossem um par acção-reacção perfeito.

 

Lisboa é uma amante possessiva. Exige presença, empenho e dedicação a um jogo de sedução constante, em que me sinto presa nas suas entranhas que gritam inconformismo a toda a hora. Por outro lado, é a amante que me deixa para ir fumar um cigarro depois do sexo, não há abraço numa solidão que se tornou alienação.

 

Cinco anos de Lisboa começam a pesar. Já não há muitos recantos virgens, que não tenham vivências e recordações de toques, e começo a ficar cansada desta coisa de one-night-standing que dura há cinco anos. Lisboa seduz-me por uma noite, e mais uma noite, e com isto o tempo vai passando por mim e sinto-me usada.

 

No Domingo, em Mangualde, só me apetecia pegar na bicicleta e dar a volta ao Concelho, em jeito de regressar a esse casamento arranjado que sou eu com a Serra e com uma Avenida da Liberdade que é do tamanho do dedo mindinho de Lisboa.

 

Chega de quecas ocasionais com Lisboa. Está na hora de pôr uma aliança no seu dedo porque desistir e regressar ao Lar não é opção (excepto aos Domingos).

 


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publicado às 21:22


4 comentários

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De Manuel Pinto de Rezende a 28.04.2010 às 10:39

tenho exactamente a mesma relação com o Porto.

mas julgo que a minha tendência será fugir ao compromisso último.
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De Manuel Pinto de Rezende a 28.04.2010 às 10:40

coisa que, creio, é igualmente romântica :)
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De Mourão a 28.04.2010 às 20:34

Romance... sonho... voar...
é muito bom
é como uma almofada com cheiro a alfazema
selvagem... doce
o quente da cana a frescura da manhã...
Não desanime... dias repletos de cheiros farão parte da sua vida...
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De Anónimo a 23.10.2010 às 11:49

Odia que tiver queca fixa, vai querer quecas ocasionais. o ser humano é sempre assim. só está bem onde não está. comprendendo isto, a coisa rola sem alaridos. pitos.

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