Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O socialismo é uma maravilha

por Samuel de Paiva Pires, em 15.05.10

 

(imagem tirada daqui)

 

José Sócrates considera medidas de austeridade aumentar os impostos, Passos Coelho desculpa-se por apoiar Sócrates em nome da estabilidade, e este último continua teimosamente com o "cainesianismo tuga" no pensamento, como se as grandes obras públicas não fossem um dos principais factores responsáveis pelo delapidar das finanças públicas do país nas últimas duas décadas. Devo dizer que tenho ficado agradavelmente surpreendido com o sentido de Estado que Passos Coelho vem revelando. Creio que, neste momento, qualquer outra opção só agravaria a forma como os mercados e o resto do mundo avaliam a viabilidade da economia portuguesa.

 

Porém, importa recordar que são décadas de socialismo e irresponsabilidade na gestão do país que nos levaram a esta situação. Em vez de pugnar por medidas de austeridade que só vêm revelar a decadência a que o socialismo nos tem conduzido, talvez não fosse mal pensado se Sócrates ou quem vier a seguir se preocupasse realmente com um dos principais problemas do país: o disforme e desmesurado papel do Estado na sociedade e na economia. Um Estado que gasta cerca de metade da riqueza gerada no país anualmente apenas em despesa corrente e se revela cada vez mais ineficaz e ineficiente é, sem dúvida, uma receita para a servidão dos cidadãos perante este e para uma cada vez menor capacidade produtiva e competitiva dos agentes económicos.

 

Talvez não fosse mal pensado começar a pensar em cortar a despesa, em vez de continuar a aumentar impostos. Claro que é sempre mais fácil aumentar impostos. Cortar a despesa dá demasiado trabalho. E os socialistas preferem sempre a via mais fácil. O estado a que chegámos é a prova viva de que o problema não é o mercado-livre. O problema é o governo e a fuga para a frente que tem sido apanágio de todos os governos portugueses nas últimas décadas.

 

Como faz notar Richard Epstein, "Open markets are the rising tide that raises all ships; high taxation is the tsunami that sinks them". Claro que o mercado nem sempre funciona como alguns desejariam, i.e., de forma perfeita. Acontece que o mercado é uma criação de seres humanos, que são por natureza imperfeitos. Tal como o governo, que ao contrário do mercado tende a ser desculpado e desresponsabilizado pela sua incompetência. Citando o Prémio Nobel da Economia Gary Becker, "What I have always learned to be the Chicago view, and taught to be the Chicago view, is that free markets do a good job. They are not perfect, but governments do a worse job. Again, in some cases we need government; it is not an anarchistic position. But in general, governments do a worse job".

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:18


2 comentários

Imagem de perfil

De Manuel Pinto de Rezende a 16.05.2010 às 00:12

Acho curiosa esta sua opinião, Samuel.

Siga o meu raciocínio, por favor:

1- Digamos que Passos Coelho tem, de facto, visão de Estado.
O Samuel, pelo que escreveu - e eu estou consigo a 100% nesse departamento - acredita que Portugal tem vindo a ser gerido com os pés, em que os Governos têm usado as facilidades do crédito, dos subsídios europeus, e da própria organização do Estado, cada vez mais sugador da riqueza nacional.
O país não produz e não investe porque não poupa nem tem cultura de empreendimento.

2- Sócrates, que toda a gente concorda não ter cultura de Estado, é mais um verme partidário, vai lidar com a crise com os Pés:
o Estado continua a ter panos para mangas para se expandir: nós é que ainda não nos demos conta do tipo de Estado que temos.
Sócrates vai aumentar impostos, para sacar a quem produz meios de manter um Estado Parasita.

Conclusões:
O Samuel tira daqui que PPC fez bem ao transmitir uma mensagem de estabilidade ao mercados.

O que eu acho, é que PPC está a comprar mais 10 anos de regabofe ao PS.
Às vezes, ser estadista implica "deitar abaixo o tasco".

E está na hora de botar este tasco abaixo.
Imagem de perfil

De Samuel de Paiva Pires a 16.05.2010 às 15:35

Meu caro,

O que eu acho é que PPC não tinha alternativa. E como antes escrevi, é também uma forma de ganhar vantagem moral sobre Sócrates, o que tem conseguido. Quero tanto continuar a ver Sócrates como PM como tu, mas não sei até que ponto provocar eleições antecipadas neste momento não seria ainda mais catastrófico para o país.

Um abraço

Comentar post







Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Links

Em destaque

  •  
  • Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas