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Bangkok: CRIME IMPRESSIONANTE!

por Nuno Castelo-Branco, em 21.05.10

 

Como avisámos em posts muito anteriores ao início das operações que conduziram à rendição dos sediciosos, estes tinham preparado minuciosamente a sua queda, consigo arrastando a cidade inteira. A lista de edifícios queimados apenas pode ser comparada aos que ruíram às mãos dos incendiários da Comuna de Paris. 17 bancos, 8 hotéis e centros comerciais, 8 propriedades privadas, cinemas, restaurantes, lojas de rua, lojas de conveniência, departamentos governamentais, uma estação de televisão. O saque generalizado e a vandalização de caixas multibanco, montras, cabinas telefónicas e mobiliário urbano, completam o quadro. Eis o balanço provisório e apenas na capital, uma vez que nas províncias do norte ocorreram actos semelhantes. Não é com duas ou três garrafas de petróleo que se incendeiam maciços edifícios de betão e vidro que estão bem protegidos com sistemas anti-fogos. Os grupos organizados que provocaram o caos, estavam há muito preparados para agir e possuíam os recursos necessários para tal. Não existe qualquer dúvida quanto a isso. Apenas para dar uma ideia da dimensão do Central World, diremos que a sua fachada tem muitas centenas de metros e o espaço interior é apenas comparável ao nosso Colombo. Gigantesco, ardeu durante muitas horas, as estruturas enfraqueceram, o betão rachou e deu-se a derrocada. Era até há uns anos, a sede do World Trade Center de Bangkok e tal como o seu congénere de Nova Iorque, acabou da mesma forma. O planeamento foi tão aturado, que estavam organizadas equipas que tiveram como missão, impedir a chegada dos bombeiros e de outros departamentos de combate à destruição, forças da ordem, etc. Snipers que provocavam o pânico, sabotagem terrorista, milícias guerrilheiras bem financiadas e armadas. Por quem? Já o dissemos ou pelo menos sugerimos e não nos enganámos.

 

É esta a dimensão do crime e agora urge proceder a uma rápida e profunda limpeza geral, doa a quem doer. Tailandeses e estrangeiros deverão ser punidos pelos actos por si organizados e executados de forma impiedosa e radical. Muitos milhares de vidas desfeitas pela ruína dos seus negócios, dezenas de milhar privados dos seus postos de trabalho, um colossal prejuízo para os contribuintes, uma cidade inteira mantida como receosa refém de energúmenos. O Estado declarou a vontade de participar no esforço da reconstrução e no auxílio daqueles que muito ou tudo perderam.

 

Os "observadores bem informados" falsa e premeditadamente declararam ser o movimento red, uma coligação de gente heteróclita mas apenas motivada pelo desejo de mais democracia. Desde o início afirmámos precisamente o contrário, conhecendo através de informações absolutamente fidedignas, a origem dos dirigentes de primeira fila e dos contactos que mantinham dentro e fora de portas. Sabendo-se os antecedentes e os apoiantes externos, não seria difícil prever a sequência dos acontecimentos, tal como se confirmaram aos olhos do mundo. Todos os requisitos da guerrilha urbana estavam bem presentes, desde os escudos humanos, concentração da logística perfeitamente organizada à maneira do Vietcong e controlo de espaços estratégicos, culminando com as consecutivas recusas em obedecer à Lei. No plano político, um discurso que não era traduzido para inglês, oferecia a maquiavélica dualidade própria do bolchevismo: as parangonas escritas na língua internacional, pediam justiça e democracia. O conteúdo das arengas em siamês era bem diferente, acicatando a violência, aumentando sempre as exigências, proferindo um chorrilho de ameaças que se confirmaram e apelando abertamente à queda das instituições. Esta é a esmagadora verdade pela qual muitos deverão ser responsabilizados.

 

O exército não avançou imediatamente, porque tinha informações acerca da hecatombe que se preparava, desde o sacrifício brutal de milhares de reféns tidos como escudos humanos, até à quantidade de armas e de explosivos armazenados em diversos pontos sob o controlo dos subversivos. As técnicas de agit-prop foram fielmente seguidas pelas agências de intoxicação, falando de divisionismo no campo da legalidade, nas forças armadas e na polícia. Nos derradeiros momentos de resistência,  continuavam a insistir na criação de clivagens e até pretendiam um golpe de Estado, numa fase em que a vitória do governo era inevitável. Nada conseguiram e todos os argumentos eram totalmente falsos, como se viu.

No campo da informação a passar para a Europa e América, os discursos não eram traduzidos para inglês, pois se tal tivesse acontecido, a opinião das cadeias informativas teria sido forçosamente diferente, embora as fotos de Lenine, Estaline, Mao, Guevara e constantes referências ao malogrado czar Nicolau II, apontassem claramente a origem e percurso dos acontecimentos. Bem pelo contrário, quem sabia o que se passava, começou de imediato a desembarcar em Bangkok. Desordeiros profissionais provenientes da Alemanha, França, Holanda, Suécia, Inglaterra e outras potências do setentrião europeu, proficuamente ajudados por outros estrangeiros que no local propiciaram a necessária cobertura. Entre os "brigadistas", contavam-se os maoístas e os agora sempre inevitáveis trotsquistas, sendo estes, meros rótulos políticos que escondem uma realidade bem mais sinistra de um passado que não pode voltar.

Começou o recolher do armamento capturado aos terroristas

 

Recapitulando, tivemos actos de sabotagem claramente incentivados a partir do exterior - Thaksin ameaçou e cumpriu -, do interior - os discursos de Saikua e de Weng eram bons exemplos daquilo que estava para vir - e também de até agora misteriosas coberturas provenientes de sectores que decerto surgirão no cômputo final das responsabilidades. Num só dia, arderam os maiores centros comerciais da Ásia e naquela capital, isso equivale a Lisboa perder numa só noite e da mesma forma o Colombo, as Amoreiras, o Vasco da Gama, o Allegro Tejo, os Saldanha Residence e Atrium, praticamente todos os bancos da Baixa pombalina, etc. Quem pagará os prejuízos? Como será possível qualquer governo sentar-se à mesa das negociações com gente que antes do mais - sempre foi para nós o ponto fulcral - pretendia derrubar o regime? Uma ínfima minoria que tinha uma alternativa totalitária como projecto, que servia interesses estrangeiros e que no estrangeiro e por estrangeiros foi formada?

 

Esta foi uma guerra importada e organizada à maneira de ideólogos e operacionais estranhos ao país. Acicatada por peritos na matéria - como os conhecemos! -, a infernal guerra de propaganda "anti-elitista", procurou durante meses ocultar o facto de o governo de Abhisit ter providenciado durante este mandato, um enorme levantamento de fundos destinados a projectos nas zonas do interior, precisamente aquelas que foram arruinadas pela política caciquista e de crédito ruinoso que Thaksin implementou. Foi este  processo de reformas que deu origem ao autêntico golpe de Estado que agora terminou. De facto, os investimentos até agora feitos, são três vezes superiores àqueles que o messiânico foragido executou, sem que qualquer um dos agentes estrangeiros estabelecidos no país fizesse o menor esforço de esclarecimento da sua imprensa, opinião pública e pior ainda, dos seus governos. Isto foi um crime premeditado e não pode ser relevado por piedosas intenções de indiscriminado lavar da face a todos. A selecção das responsabilidades deve ser rigorosa, justa e sem contemplações. O contrário significaria um desastre  para a credibilidade do país e a liquidação do regime mais liberal daquela parte do mundo.

 

Imaginemos imagens destas provenientes de Nova Iorque, Paris, Londres, Berlim, ou Lisboa. Que tipo de perdão será possível?.

 

Não há a mínima margem para recuar e condescender. Para a perfeita compreensão daquilo que esteve em causa, recomendamos a leitura deste importante artigo de Thanong, no The Nation, Bangkok. Impressionante.

 

 

Alguns links úteis, para a compreensão da dimensão da tragédia:

 

http://www.bangkokpost.com/news/politics/178617/a-nation-mourns

http://www.bangkokpost.com/news/politics/178627/provinces-hit-by-sporadic-violence

http://www.bangkokpost.com/opinion/opinion/178473/what-would-your-government-do-about-this

http://www.nationmultimedia.com/home/index.php

http://www.nationmultimedia.com/home/2010/05/21/politics/Chronology-30129881.html

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publicado às 08:09







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