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Areia para os olhos

por P.F., em 10.06.10

Não são necessariamente poucos aqueles que são capazes de intuir e deduzir a situação que molda a realidade:

 

Como muito bem o lembrava, ainda no inicio do ano, Hubert Vedrine, conselheiro de Mitterrand e antigo ministro dos negócios estrangeiros de Lionel Jospin “Esta crise não é apenas mais uma crise económica. São as premissas de uma mutação de uma amplitude e duração imprevisíveis.”

 

No entanto, o logro vem logo a seguir em conjunto com a deformação de ideias muito comum no progressismo:

 

Convido-vos a fazer um pequeno exercício de memória e a recordar o muito que se disse e escreveu quando, em 2007, surgiu a crise dos subprimes, quando se deu a falência da Lehman Brothers em 2008, quando os primeiros ventos de pânico atingiram os mercados bolsistas. Muitos foram os que, perante o furacão que se abatera sobre a finança mundial, exigiram uma acção forte dos Estados e o regresso do pensamento político como essencial contraponto ao domínio absoluto da lógica economicista. A tão saudada eleição de Barak Obama também beneficiou dessa brutal tomada de consciência.

 

Quase nunca me dou ao exercício de ler certo tipo de blogs e de autores, pois tenho mais que fazer. Hoje o destino dos links levou-me para aqui. É um exercício curioso, ainda que algo agonizante, perceber o modo como o progressista furta os valores que não são dele de modo a caracterizar uma realidade que lhe é adversa - causada pela sua própria corrente ideológica - para depois vir com as eternas panaceias que já revelaram todos logros que têm vindo a afundar Portugal e a Europa. A ideia de que a "lógica economicista" tem o seu contraponto "na acção forte dos Estados" sustentada "no regresso do pensamento político" (como se este alguma vez se tivesse ido embora e não estivesse intimamente ligado à gradual ascensão dos mercados financeiros sobre as soberanias...) é atirar areia para os olhos, utilizando conceitos subvertidos de "pensamento político" e de "acção do Estado". Isto para lá de ignorar, por lapso ou propositadamente não interessa, as lacunas que minam a independência e a liberdade de acção executiva das soberanias europeias. Para lá de ignorar que tem sido o "pensamento político" das esquerdas que tem vindo contribuir para reduzir autoridade aos Estados soberanos, não tanto no aspecto do Estado-Governo e sua autoridade na Economia, mas sim nas instituições jurídicas e éticas que durante muito tempo regularam eficientemente os mercados.

 

E por fim, Eureka!, vem a eterna panaceia, já repetida vezes sem conta desde os tempos dos primeiros sovietes em Petrogrado:

 

Tenhamos esperança que neste violento ataque contra toda a ideia de Estado não haja qualquer intencionalidade mais perversa…E quando digo Estado digo poder politico face a um poder financeiro desabrido. Digo garante das liberdades fundamentais. Digo estado social, serviço público, educação, saúde e justiça. Digo solidariedade e complementaridade. Digo outra via que não seja esta permanente e doentia noção concorrência como regra exclusiva para a construção do bem-estar social. Digo social-democracia, a verdadeira!

 

Com a diferença de que muitos dos sociais-revolucionários que prenunciaram a Revolução de Outubro ainda tinham bem interiorizada a noção de Soberania, de serviço ao Povo e de Lealdade ao Soberano.

Enfim, a Leste nada de novo.

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publicado às 17:37







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