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Saramago

por Samuel de Paiva Pires, em 19.06.10

Quando ouvi a notícia da sua morte fiquei apático. Veio-me à memória a única vez que estive na presença do escritor. Dele li apenas a sua última obra, Caim, colocando-a em contraste com o mais recente livro de Dan Brown. Talvez venha a ler outras. Politicamente, discordo em tudo. Literariamente, reconheço que o mundo perdeu um grande génio, de reconhecido mérito internacional - embora o estilo da sua escrita cause em mim aversão. Na hora da sua morte, parece-me que a sua obra perdurará, mantendo a sua memória no etéreo plano dos grandes escritores portugueses e mundiais.  Discordo fortemente, contudo, da colocação no Panteão Nacional - a este respeito, ler o Rui Crull Tabosa.

 

Que descanse em paz.

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publicado às 20:18


1 comentário

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De Dylan a 22.06.2010 às 13:50

José Saramago não era menos português por não pôr a bandeira à janela na véspera de um evento desportivo. Acima de tudo, a sua essência era ibérica. Convém dizer que só saiu de Portugal devido à ostracização de Sousa Lara, comprovada agora com o episódio político revisionista da não presença de Cavaco Silva no seu funeral. "Viagem a Portugal" é reflexo de amor e do encantamento que sentia pelo país, pela sua beleza e cultura, pela classe trabalhadora, espelhada na sua identidade, mesmo que isso significasse ir contra a ideologia do seu partido, contra a maioria religiosa, contra o politicamente correcto. Para o seu espírito inconformado, a morte é pouco relevante. Como diria Saramago, "o fim duma viagem é apenas o começo de outra".

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