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Aqui ficam uns breves trechos de um um ensaio que recentemente elaborei, que me parecem bem apropriados quando se equaciona a inusitada intromissão estatal de ontem:

 

A grande vantagem é que o mercado concretiza a liberdade económica de forma impessoal e sem a necessidade de uma autoridade centralizada, dando aos indivíduos a possibilidade de escolherem os seus fins e não os obrigando a prosseguir os que um determinado grupo considere que eles querem ou devem querer[1].

 

(...)

 

Importa, no entanto, ressalvar que o mercado não elimina o Governo, até porque, como consideram os liberais, este é um instrumento necessário para determinar e garantir as “regras do jogo”. Assentando a liberdade política na liberdade económica, a preservação da primeira requer, porém, a eliminação de elevadas concentrações de poder e a distribuição do poder que não puder ser eliminado – trata-se da clássica separação de poderes e dos checks and balances. Ao retirar ao Governo a organização da actividade económica, o mercado elimina outra fonte de coerção, permitindo que o sistema económico seja um contrapeso ao poder político e não um reforço deste.



[1] Cfr. Milton Friedman, Capitalism and Freedom, Chicago, The University of Chicago Press, 2002, p. 15.


 

Enfim, lá vamos percorrendo o Caminho para a Servidão. O socialismo é uma coisa tão bonita. No fundo, já Rui Albuquerque resumiu bem a questão: Depois do episódio da golden share da PT, será que alguém duvida ainda que vivemos num regime de mercado puro e duro, e que a culpa do estado a que chegámos é do impiedoso neo-liberalismo em que temos vivido nas últimas décadas?

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publicado às 11:11


2 comentários

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De Manuel Pinto de Rezende a 01.07.2010 às 13:31

um bom texto sobre Friedman, e que forma a opinião que tenho actualmente sobre Friedman e a Escola de Chicago:

http://lei-natural.blogspot.com/2010/06/personagens-que-os-liberais-libertarios.html
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De Ricardo Gomes Silva a 02.07.2010 às 02:29

Discordo em toda a linha, caro Samuel.

A actual crise é a prova final que o mercado não gera necessáriamente o equilibrio mais eficaz, como walras teorizou, nem tão pouco o ponto desejável de equilibrio, social politico e não apenas e meramente económico.O ponto de equilibrio de mercado não é uma medida matemática porque o "equilibrio" varia de sociedade para sociedade e de estrutura económica para estrutura económica.Uma estrutura económica ineficiente gera pontos de equilibrio eficientes para a industria que detém a maior economia de escala...ou seja basta apenas haver uma falha entre a complementaridade das várias industrias ou um mercado mais acessivel para o ponto "desejável" ser apenas uma utopia.

Friedman (pai ou filho) foi um excelente lançador de bases para o monetarismo e a forma de criar moeda de forma sustentável...mas o legado acaba ai.
Criar moeda (leia-se dívida) nem sempre gera riqueza ,como Kondratiev já tinha teorizado a inovação e produção teriam de acompanhar a passo a criação de dívida para o sistema ser sustentável...se a inovação é geracional e a produção uma questão de escala ao nível do mercado e industria, tornam-se natural as "crises" em cada década

Na asserção que faz (Governo existe por causa das regras do jogo)comete uma liberdade perigosa...o governo económico (ou o dedo do governo na economia) não existe por simpatia ou por razões "politicas" (por muito interessantes que sejam) ou sequer porque exista efectivamente um "jogo" (conceito muito do agrado dos investidores em titulos).
Existe por 3 razões básicas:
1-economias de escala (existência de monopólios naturais, como a defesa territorial)-falhas de mercado
2-bens não económicos (existência de bens que nunca apareceriam naturalmente, como o cinto de segurança ou o ensino em escala)-bens públicos
3-externalidades...esta podemos recuar à Pérsia para lembrar as primeiras leis conhecidas onde "o dono de 20 ovelhas não pode ter poder sobre o dono de duas"....ou mesmo à falácia libertária de que o mercado é perfeito, quando o mercado é a soma dos agentes existentes e nem todos têm a totalidade da informação disponivel ou necessária ou sequer os objectivos consentãneos com o ponto de equilibrio desejável para a sociedade..ou seja as acções ineficazes influenciam o resultado final (por exemplo a poluição ou a propaganda).


A questão da PT, que nada tem a ver com Friedman ou liberalismo, resume-se à tentativa do Estado em manter alguma escala (num mercado especifico) numa industria que "ainda" vai deixando alguma capitalização nos mercados financeiros nacionais...sem a Vivo a PT vale o mesmo que o mercado interno nacional..e para quem acha que isso é o máximo basta lembrar que 90% das empresas em Portugal são PME (das quais 80% são micro)...e todas juntas empregam apenas 25% da pop activa.
O Governo fez muito bem e nem por sombras menos que a França ou a Alemanha fazem diariamente.

bem haja

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