Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O Pedro considera que não pode haver liberdade sem autoridade. Eu, porém, prefiro pensar que não pode haver liberdade sem responsabilidade. Além do mais, o entendimento do Pedro assemelha-se ao de Rousseau, que n'O Contrato Social diz explicitamente que o Estado é uma entidade abstracta e colectiva que tem como instrumento o Governo, i.e., “um corpo intermédio estabelecido entre os sujeitos e o soberano por mútua correspondência, encarregado da execução das leis e da manutenção da liberdade, tanto civil como política”4 que resulta de um acto do povo enquanto soberano

 

A responsabilidade é uma característica que depende do indivíduo e de seus atributos, ao passo que a autoridade é algo externo ao indivíduo. Algo que lhe é imposto. Muitas vezes, bem ou mal, a autoridade pouco é questionada, pois é anterior à existência de cada um dos sujeitos a ela submetidos, os quais em geral têm consciência da sua necessidade. A responsabilidade está dependente da boa vontade de cada um, é algo que se pode relativizar em qualquer circunstância. A autoridade simplesmente é e permanece.

Os Estados de direito democráticos ocidentais vão buscar muita da sua fundamentação a Rousseau. Eu, porém, ponho em causa a infalibilidade da soberania popular, enquanto vontade imposta pela maioria, e não a defendo como um fim em si própria. Assim como ponho em causa a infalibilidade e a eficácia da centralização da autoridade num único órgão de soberania. Apesar disso, concordo com Rosseau quando ele define o Estado como "entidade abstracta e colectiva" e a isso acrescento que é também um entidade moral, cuja existência tem como base a tradição, o respeito pelas instituições e como fim último a defesa da soberania e dos direitos de propriedade. Assim, e um pouco diferentemente do sistema político defendido por Rousseau, o Governo não estará dependente unicamente da soberania popular, pois seu papel executivo e  legislativo deve depender de uma Constituição (quanto mais poética melhor, refiro-me ao comentador R. Gomes da Silva) e do soberano, neste caso o rei. Os métodos de escolha de representantes para uma câmara legislativa poderão sim envolver características do sistema democrático, seja ele orgânico, directo, partidário ou outro.

Quanto ao mercado, à economia e ao sistema monetário, deixarei para futuros posts.  Continuo a achar que dizer que "a autoridade centralizada" - e este termo é de Friedman e não meu - deve "ditar as regras do jogo", entra em contradição com a defesa de um "laisse faire" extremo que se demita de impor a Lei ao roubo, à extorsão e ao cartelismo. Eu sou daqueles cujo pessimismo antropológico leva a acreditar que a desregulação total dos mercados porá em causa as soberanias e respectivas instituições - e a realidade tem vindo a dar-nos razão.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:46


2 comentários

Imagem de perfil

De Cristina Ribeiro a 02.07.2010 às 22:31

"...não pode haver liberdade sem autoridade "- concordo em toda a linha: uma dose eficaz de autoridade, que não autoritarismo, é imprescindível para a convivência em sociedade, porque se vamos fiar-nos apenas no sentido de responsabilidade de cada um, chegamos à situação actual, em que demasiados de nós a " esquecemos " apenas em proveito próprio.
Sem imagem de perfil

De Jogos de Motas a 03.07.2010 às 12:00

O sentido de responsabilidade de qualquer um nos tempos que correm nada vale. Tem de haver uma forte autoridade senão a nossa sociedade transforma-se numa anarquia completa

Comentar post







Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas