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Equívocos de uma época sem rumo

por P.F., em 08.07.10

Porque me irrita a ignorância que está por detrás da comparação do governo de Sócrates com o Estado Novo e Salazar, o seguinte trecho desfaz os mitos de quem fala do que não sabe e faz paralelos entre coisas incomparáveis. Isto para além dos exemplos da política económica do Estado Novo que em nada têm que ver com aquilo que tem sido o (des)rumo da economia política desde Abril. Não é preciso esmiuçar a história contemporânea de Portugal e do Mundo para se concluir que o Estado Novo, não obstante o interesse nacional que era priorizado, nunca impediria negócios de aquisição entre entidades privadas. Aliás não era atreito a "golden shares" de espécie alguma pois detestava confusões e nuances entre aquilo que era coisa pública e a propriedade privada - a qual era muito mais respeitada do que na "disneycracia" actual. 

 

Em nosso pensar economia nacional deve servir a Nação; é o seu fim; é a sua razão de ser. Mas por que meios se garantirá este destino? Os termos «nacional», «nacionalista», «nacionalização» aplicados à economia prestam-se a mal-entendidos, porque em muitas partes se lhes dão significados diversos; mas nós não temos dificuldade em expor claramente o nosso pensamento.
A economia nacional não pressupõe nem exige que o Estado absorva as empresas particulares e dirija os monopólios, mesmo quando a actividade destes é essencialmente um serviço público. O nosso nacionalismo é anti-socialista e desadora o estatismo, pela dupla razão de a experiência portuguesa no-lo haver demonstrado antieconómico e fazermos profissão de fé na iniciativa individual e no valor dos grandes campos de acção privada para defesa da própria liberdade humana.

António de Oliveira Salazar («Os princípios e a obra da Revolução no momento interno e no momento internacional» — Ao microfone da Emissora Nacional, em 27 de Abril — «Discursos», Vol. III, págs. 397-399 e 400-401) – 1943

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publicado às 19:41


2 comentários

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De Nuno a 09.07.2010 às 14:33

Como o texto indica o interesse da nação sobrepunha-se sempre ao dos particulares. Estes eram livres de conduzir os seus negócios, no entanto as decisões mais importantes tinham de ter sempre o aval do Estado (fusões, vendas de activos etc ). A lei de condicionamento industrial tinha por fim manter o sector económico sob o controle do Estado (nação). Este contribuía para o crescimento dos grandes grupos económicos dentro dos limites dos interesses do país. Seria impensável o Banco Espírito Santo tomasse uma decisão que sendo do seu interesse prejudicasse o país.
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De P.F. a 09.07.2010 às 16:43

Certo. A isto chama-se regulação dos mercados assumida por múltiplos estados em diversos países. A questão é a existência de critérios para essa regulação, que é o que não existe actualmente.

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