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A nota introdutória pessoal

 

De quando em quando, tenho utilizado o blog para externalizar certo tipo de pensamentos que, não sendo decorrentes de qualquer reflexão filosófica com propósitos bem definidos, bastam-se a si próprios enquanto forma de aproximar os leitores e leitoras deste blog à minha pessoa. Não que isso interesse seja para o que for. De facto, não parece interessar mesmo. Talvez seja apenas uma necessidade da minha parte de procurar algum conforto através de uma externalização que sirva os propósitos de um desabafo. No fundo, trata-se de um egoísmo da minha pessoa. Talvez, como alguns diziam há tempos deste blog, o facto de, por vezes, deixarmos cair pedaços da nossa vida por aqui - mesmo que seja apenas de conclusões a que chegamos por via de reflexões feitas a partir da realidade empírica, embora aqui deixadas sob a forma de abstracções - faça com que sejamos parte daquele restrito grupo de blogs que ao fazê-lo tornam-se muito mais do que apenas dos seus autores, mas sim, verdadeiramente, dos seus leitores e amigos.

 

Se pode ser encarado como uma vulnerabilidade, também creio que possa ser encarado como uma potencialidade. Dizia ainda há dias na SIC Notícias o Professor Adelino Maltez que a estratégia passa em grande parte por transformar as vulnerabilidades em potencialidades. Isso faz-se, em boa parte das situações quotidianas, através da reflexão sobre o nosso comportamento, tentando o mais possível aproximar-nos de um nível de racionalidade desejável - e poucas ou mesmo nenhumas vezes alcançado na sua plenitude.

 

O objectivo é, somente, o de procurar alívio na sistematização de reflexões, pensamentos e sensações. No passado, em relação a diversas situações, várias foram as vezes em que intentei este mesmo propósito (1, 2, 3, 4, por exemplo). Ou mesmo recentemente, recorrendo ao pensamento de Zygmunt Bauman, sobre a fragilidade dos laços humanos. Hoje é um desses dias, cheio de pseudo-filosofias da treta.

 

Quem me conhece bem sabe que não sou uma pessoa muito fácil. Reconheço-o. Não é, certamente, alheio a este facto o processo através do qual passei nos últimos 5 anos (e que talvez ainda esteja a atravessar), nomeadamente decorrente da frequência da Academia. Acontece que, sendo um estudante da área das ciências sociais julgo ser, naturalmente, mais afoito a este tipo de processo do que um de ciências naturais, por exemplo. Esse processo é o que designo por aumento de capacidade cognitiva por via do conhecimento, sistematização e reflexão filosófica. É uma presunção da minha parte, claro está. Muita gente pode passar pelo mesmo tipo de processos, sem ter que necessariamente ser estudante sequer, quanto mais de ciências sociais - e obviamente que a capacidade cognitiva aumenta em decorrência de qualquer tipo de estudo, mas aquele tipo em que me quero concentrar é o que advém da filosofia. A experiência da vida basta-se a si própria quanto a isto, se o indivíduo tiver uma capacidade cognitiva elevada, ou, por outras palavras, se, ao contrário da esmagadora maioria das pessoas, decidir dar uso ao cérebro. Quanto a mim, o facto de dedicar grande parte do meu tempo à leitura e estudo de temáticas essencialmente teóricas e filosóficas, faz com que tente utilizar esses conhecimentos para implementar no meu quotidiano práticas que estejam conformes ao que a minha capacidade cognitiva o mais racionalmente possível conclui. Nem sempre é fácil colocar isto em prática, até porque, como já explicava Isaiah Berlin, existe em cada indivíduo uma dicotomia interior entre o seu carácter racional e os seus impulsos irracionais, a sua natureza mais baixa, os seus desejos mais primários, que levam à busca do prazer imediato, pelo que, ficará sempre a questão se um ser humano consegue alcançar um nível de consciência tal que lhe permita ser dono das suas próprias paixões, e não escravo delas.

 

Sei que não é fácil lidar com a minha pessoa. Sou, muitas das vezes, arrogante e presunçoso, demasiado sincero e demasiado directo. E, sejam quais forem os contextos, especialmente no domínio da retórica, embora assuma a prerrogativa de Sócrates (o filósofo) de que "só sei que nada sei", parece-me, ou melhor, tenho a certeza, que costumo deixar a impressão de que quero ter sempre a razão. Talvez assim seja. Será essa a minha intenção? Não sei, talvez apenas seja característico de quem tem na busca da Verdade o mais superior desígnio. E esta só se alcança através do estudo, da reflexão e do debate. E mesmo assim, como ensinava Karl Popper, nunca a conseguiremos alcançar, pelo que nos resta tentar chegar o mais próximo possível desta. A maior parte das pessoas está-se a borrifar para isto. Muitas não entendem o porquê de eu me preocupar com estas coisas, nem sequer pelo mero motivo do desenvolvimento e satisfação pessoal (afinal, estou a pagar para fazer um Mestrado em Ciência Política que provavelmente não me servirá para muito mais do que o meu próprio desenvolvimento intelectual). Deve ser por isso que ultimamente me dizem amiúde que tenho de encontrar algo para me distrair ou que preciso de férias ou de mudar de ares... Talvez sim. Talvez não.

 

Mas, a razão tem propósitos que a própria razão desconhece. A racionalidade e a razoabilidade, que deveriam ser providas a todo o ser humano em doses consideráveis à nascença, são provavelmente das virtudes simultaneamente mais valorizadas e mais subestimadas por todos os indivíduos. Desde logo, porque a elas se dedicam teorias científicas emanadas essencialmente a partir da Psicologia, mas com aplicações nos mais diversos campos académicos. O comportamentalismo, behaviourismo ou behaviouralismo, constitui-se como um dos métodos e perspectivas teóricas mais utilizados nas mais diversas disciplinas.

 

A pseudo-filosofia da treta

 

E agora, vem a parte ainda maior da tanga, se é que alguém ainda está a ler esta torridamente inenarrável prosa. Duas séries televisivas, na actualidade, espelham em grande parte esta questão da racionalidade e do comportamentalismo. Dr. House e Lie to Me - ambas passam na Fox. E ambas são extremamente recomendáveis para ficar a entender algumas regras básicas sobre o comportamento humano. Uma característica comum que as duas séries provam: as pessoas mentem. Todas. Mentimos todos os dias, pelos mais diversos motivos. Podem-se emitir juízos de valor sobre cada acto de mentira. Uns podem ser positivos, outros negativos, dependendo dos valores e perspectivas individuais, no fundo, do quadro ético-filosófico que rege e enquadra a nossa mente. Mas todos, sem excepção, mentimos.

 

Dr. House demonstra ainda um outro postulado particularmente premente: as pessoas são irracionais. Todas. Mesmo as que podemos considerar como mais inteligentes, são em grande parte irracionais. Precisamente porque, a mais das vezes, ou não fazem corresponder o seu quadro ético-filosófico mental à prática, tornando-se escravas das suas paixões, desejos ou caprichos, ou porque não têm qualquer quadro que lhes permita guiar a sua acção. Estou em crer que estas últimas compõem a esmagadora maioria da população mundial. No tempo da Modernidade Líquida de Bauman, da sociedade do risco de Ulrich Beck e Anthony Giddens, a esmagadora maioria das pessoas não tem um quadro que lhes permita guiar a sua acção mas, contudo, julgam que o têm. A única forma através da qual se pode detectar que não possuem qualquer quadro é através da observação do seu comportamento ao longo do tempo, verificando-se, quase sempre, aquilo que comummente designamos por hipocrisia, incoerência e/ou falso moralismo. Quanto aos primeiros, os que tendo um determinado quadro, aberto à reflexão e revisão permanente de forma a internalizar erros e aprender lições que sirvam para melhorar o seu comportamento no futuro perante determinadas situações, por diversas ordens de razão podem não conseguir colocar essas concepções mais racionais em prática, acontecendo um processo de falta de autenticidade, de falta de correspondência entre os conceitos e a sua aplicação - o que, muitas das vezes, gera também sentimentos de frustração.

 

A vida torna-se mais fácil a partir do momento em que assumimos estas premissas básicas. Todas as pessoas mentem. Todas as pessoas são em larga escala irracionais. Num episódio que vi ontem de Dr. House, dizia-lhe o seu psicólogo que o isolamento traz a depressão. Talvez sim, talvez não. Quanto a mim, o isolamento e a solidão são uma suprema forma de liberdade. Porque, assumindo estas premissas, deixamos de nos desiludir, porque deixamos, em primeiro lugar, de nos iludir. Deixamos de acreditar em histórias da carochinha. E à medida que o mais diverso tipo de situações vai acontecendo, vamos aprendendo com os erros e retirando lições, por forma a modificar o nosso comportamento num determinado sentido. Isso torna-nos frios? Talvez. E talvez seja o necessário para sobreviver na era da Modernidade em que, em linha com Bauman ou Popper, o Papa João Paulo II refere na sua Encílica Fé e Razão, que esta é perpassada pelo niilismo que "está na origem duma mentalidade difusa, segundo a qual não se deve assumir qualquer compromisso definitivo, porque tudo é fugaz e provisório".

 

O rufar dos tambores

 

O que é que está realmente em causa, e porque é que agora quem ainda esteja a ler isto talvez se venha a chocar? Pois bem, tornando uma longa história numa história curta, estou em crer que, na actualidade, somos escravos de uma constante necessidade de nos ligarmos aos outros, quer profissionalmente, quer amigavelmente, quer fisicamente, quer amorosamente. É em relação a estas duas últimas que me pretendo focar, dado que as duas primeiras são naturalmente necessárias a qualquer vivência, ou à maioria das vivências, pelo menos. Dado que já deixámos de acreditar em histórias da carochinha, sabendo que as pessoas mentem, que são irracionais e na sua maioria hipócritas e falsas moralistas, para evitar ilusões, desilusões e montanhas-russas emocionais que nos toldam o pensamento e a acção, para evitar sermos escravos dos nossos mais básicos desejos animais, e porque, na verdade, o amor na Modernidade é um estado de espírito crónico e que nos torna vulneráveis (e considerando ainda que não existe tal coisa como almas-gémeas, pelo que estamos condenados a continuar num perpétuo ciclo entre ligarmo-nos e desligarmo-nos, não sem um dado grau de sofrimento estúpido pelo meio - racionalmente evitável, claro está), a alternativa para sermos livres é a solidão, como Agostinho da Silva ensinava.

 

O clímax

 

 

 

(foto tirada daqui)

 

E como é que o alcançamos? Para chegar a um maior grau de racionalidade e aproximação à Verdade, sem sermos toldados por relações fugazes e que quase sempre levam à desilusão, para nos libertarmos deste tipo de escravatura que advém de um fenómeno biológico só há duas soluções. Ou a repressão da líbido. Ou a masturbação.

 

Por um lado, não temos que aturar ninguém, não se gasta dinheiro em saídas, jantares, flores, prendas e afins, para inequivocamente chegarmos sempre à desilusão advinda da mentira, da irracionalidade e do falso moralismo, ficando as memórias - como se estas servissem para algo mais do que remoerem-nos e trucidarem-nos ainda mais, normalmente fazendo-nos sentir injustiçados, ao que se junta frequentemente o avultado gasto de dinheiro que nos deixa sempre um pragmático travo amargo. Por outro lado, não corremos o risco de a partir de um envolvimento físico extravasarmos para um amoroso, seja de que parte for, acabando, novamente, pelo menos para uma das partes, na desilusão, ou mesmo se o extravasar for das duas partes, que, identicamente, mais cedo ou mais tarde irá acabar na desilusão. Há sempre a hipótese de, irracionalmente, como a esmagadora maioria das pessoas, continuarmos de desilusão em desilusão até encontrarmos alguém que, não sendo uma alma-gémea (porque isso não existe), seja alguém com quem estejamos dispostos a passar o resto da vida - hoje em dia mais provavelmente até que o divórcio nos separe, do que a morte. Como não sou padre e acho que a repressão é pior, porque é impossível reprimir os nossos desejos mais básicos, parece-me que a alternativa mais saudável é a masturbação. Muitas vezes é, aliás, sexualmente mais satisfatória que uma relação sexual física com outra pessoa. Estou com Foucault, na apologia desta.

 

A conclusão

 

O caminho para a liberdade passa, de facto, pelo isolamento. E este não traz depressão alguma. Pelo contrário, evita potenciais depressões ou pelo menos torturas e desilusões emocionais. O resto, são histórias da carochinha e pseudo-filosofias da treta. Como as deste texto.

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publicado às 23:25


8 comentários

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De P.F. a 13.07.2010 às 03:12

Estes teus textos, este e os outros do mesmo género que linkaste, têm a particularidade de acertar na mouche de muita vidinha que anda por aí. E falo muito a sério. O que os pode tornar uma "verdade inconveniente" para aqueles que se chocam ao ver-se num espelho onde menos contavam com ele. Mas com esses não te preocupes mais as respectivas e eventuais manifestações de negação.
De resto, destaco a descrença nas "almas gémeas", a qual partilho muito sinceramente. Acredito em tanta irracionalidade, como em Deus, na vida eterna, no paranormal, etc. mas essa das "almas gémeas" nunca engoli. Isto porque sei, por experiência, que os relacionamentos requerem esforço, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, etc. A treta das almas gémeas cria a ilusão de que pode haver relacionamentos perfeitos que dispensem os atributos que mencionei. Bullshiiiiit! Deus (perdoem-me ateus, I didnt't mean it, o Cosmos, pode ser?) não criou almas gémeas nenhumas, pois o mundo criado serve antes de mais para o Homem aprender, sofrendo. Pois não há processo de aprendizagem que se faça sem sofrimento. Os relacionamentos estão incluídos e não são excepção nenhuma nesse processo.
Vinícius de Moraes dizia que "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro nessa vida" Eu reformulo, abusivamente, a frase e digo que "A vida é a sofrer desencontros, embora haja alguns encontros nessa vida"
Quanto à masturbação, a Bíblia diz que Onã "desperdiçou seu esperma na terra" (Génesis 38:9-10) e por isso Deus aborreceu-se e castigou-o com a morte. Onã sabia o que fazia, pois não quis abrir caminho a mais sofredores. O Deus do Antigo testamento, que no meu modesto entender está para além do Bem e do Mal, e queria que os homens sofressem e dessem vida a mais sofredores. Talvez por só assim se cumprir a vida. Ele tem coisas...
Se o Samuel e os leitores julgavam que já tinham tinham lido a mais pura filosofia da treta, é porque ainda não haviam lido esta pérola de comentário.
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De Samuel de Paiva Pires a 13.07.2010 às 10:02

Em completo acordo, claro, meu caro. Talvez tudo isto seja demasiado frio, calculista ou pessimista. Talvez. Não deixa de ser em boa parte verdade...
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De Silvia Vermelho a 13.07.2010 às 09:56

Acho piada ao facto de aqui referires "a Verdade" quando, por normal, e noutros contextos, mais politizados, recusas qualquer tipo de absolutismo crente... ;)
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De Samuel de Paiva Pires a 13.07.2010 às 10:00

A Verdade não se refere necessariamente a qualquer absolutismo crente, mas tão só ao desígnio da filosofia, como, decerto, tu bem sabes. De resto, a minha premissa é popperiana...não há verdades absolutas.
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De Silvia Vermelho a 13.07.2010 às 10:21

A minha premissa é totalmente Vermelhiana e mantém a convicção: Ateneu!!! ;)
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De Anónimo a 13.07.2010 às 23:03


Samuel,

O caminho para a liberdade passa pela cabeça, onde se deve ter arrumado, arquivado e enterrado. Passa pelo domínio que tem sobre si e pela autorização que dá ou não a que entrem na sua cabeça.Nesta só entra quem você quer, o que você quer e só lá fica o que o Samuel quer. Esse domínio nem sempre se alcança, porque ou não se estagiou devidamente no sofrimento, ou não se atentou na aprendizagem que anda sempre à nossa volta. Quando menos espera surge-lhe a pedra no caminho e quantas vezes, sozinho, tem que desembaraçar o nó, chutando a pedra. Continua a caminhar na sua liberdade se conseguir fazer isso, não se submentendo ao entendimento, que escraviza, ou ao capricho de quem não o quer ver.
Isolamento? Ou retiro? Também pode fazê-lo no meio dos «outros». Retira-se na sua cabeça, fica no seu mundo, onde se isola do «bug», que por qualquer motivo persiste em não o largar.

A desilusão, a tortura, a depressão...quanta vezes não são provocadas por nós, porque abrimos a porta a quem surge na Vida para os fazer tombar. Mais uma vez, se estiver seguro do seu «eu», a sua liberdade não o deixa caír, antes pelo contrario, agradece e espera a próxima, porque esta só o torna mais e mais forte.
Desilusões emocionais não há. Sabe qual é o remédio para isso, se pensa que elas existem: gostar primeiro de si, depois e si e por aí fora.
O resto... é que é realmente «história da carochinha».
Tudo o mais é Vida. Sejam benvindos os espinhos, para que possamos aprender a removê-los do nosso percurso.

beijinho

f
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De tomas a 21.07.2010 às 16:17

"as pessoas são irracionais. Todas. Mesmo as que podemos considerar como mais inteligentes, são em grande parte irracionais."

Suponho que o teu "carácter difícil" não seja tão difícil que te impeça de aplicar esta conclusão a ti próprio.

Escolher o isolamento é fazer a escolha do miúdo que cai ao chão a jogar à bola, faz uma ferida, amua e diz "não brinco mais". É uma infantilidade sugar-coated com muita pseudo-filosofia da treta.

A pergunta interessante a fazeres a ti próprio é: quantas mais destas é que será que tenho no meu repertório?

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De Samuel de Paiva Pires a 21.07.2010 às 16:19

D'accord. Não sei quantas mais tenho no repertório, até porque os miúdos têm uma imaginação muito fértil...

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