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PAYS, Intervenção de Samuel de Paiva Pires

por João de Brecht, em 06.08.10

 

Samuel de Paiva Pires, International Environment and the Challenges ahead for NATO, Sintra: 2010

 

 

De 24 a 31 de Julho, tive o prazer de participar pela segunda vez no Portuguese Atlantic Youth Seminar, mais uma vez focado no Novo Conceito Estratégico da O.T.A.N. e nos desafios que lhe estão inerentes. Esta actividade foi organizada pela Associação da Juventude Portuguesa do Atlântico, presidida pelo nosso conselheiro Samuel de Paiva Pires.

 

De conceitos militares a posições diplomáticas, de novas ideias ao consolidar de origens, a presença de uma plateia internacional e de um painel de convidados portugueses fez do seminário um ponto de congregação de opiniões consolidadas e válidas em relação ao passado, presente e futuro desta Organização.

 

No quinto dia de conferências, tivemos a oportunidade de escutar e debater um tema lançado pela apresentação do Samuel, intitulada de International Environment and the Challenges ahead for NATO, que vou tentar resumir neste breve artigo.

Tendo como pano de fundo as grandes ameaças e as oportunidades que emanam de um ambiente internacional mutável e um tanto imprevisível e focando-se nas principais regiões como áreas de intervenção a apresentação do Samuel não descuidou ainda a abordagem a temas como as mudanças climáticas, o aproveitamento de recursos (como a energia nuclear) e a crise financeira.

Ao falar da nova Rússia, destacou o facto de esta estar a emergir como uma grande potência como fora outrora (enquanto U.R.S.S.) e de considerar a O.T.A.N. e o seu processo de expansão (destaquem-se os casos da Geórgia e da Ucrânia) como uma ameaça permanente à sua estabilidade, evidenciando um sentimento de medo e desconfiança por parte do Kremlin. As relações da Rússia com os seus vizinhos, diz Samuel, estão em processo de deterioração devido ao “ganhar de voz” dos diversos movimentos e correntes de pensamento anti-russas por parte das antigas Repúblicas Soviéticas, que recusam qualquer tipo de associação a uma Rússia que vêem como tendo pretensões pouco altruístas (facto agravado com a operação levada a cabo por Moscovo no Norte da Geórgia em 2008). No entanto, é também evidente a necessidade de cooperação com o ocidente em áreas como as Operações de Manutenção de Paz, o Controlo do Armamento e a Contenção da Proliferação Nuclear.

 

Na análise à conjuntura chinesa, recorreu a dois autores para encontrar duas frases chave que definem a China moderna: Both a land power, and a sea power - Halford John Mackinder e Internal dynamism creates external ambitions – Robert David Kaplan. Sendo uma parte essencial dos B.R.I.C. (a par do Brasil, Rússia e Índia), a China é uma nação a ter em conta na comunidade internacional, não pela acção ideológica que dela possa emanar, mas pelo facto de ser já uma potência económica considerável, posição económica essa que pode criar tensões com os E.U.A., segundo Kaplan. No plano interno, apesar do poder se encontrar centralizado, é cada vez mais evidente que o debate interno aumenta entre as correntes capitalista (indispensáveis para a participação na comunidade internacional como potência económica), socialista (o continuar da tremenda influência ideológica socialista no Estado) e a democratização, que segundo Samuel Pires, ditaria o colapso das instituições, tradições e mentalidades dos chineses.

 

Ao falar nos Estados Unidos, referiu-se às três fases de crescimento de poder no mundo moderno, em primeiro lugar, a ascensão dos países ocidentais, depois a ascensão dos E.U.A. e por fim a ascensão do resto do mundo. Esta última fase dita um futuro que não se enquadra minimamente nos interesses norte-americanos, uma vez que deste processo advém uma perda progressiva de poder e influência global, de que dispõem desde meados da segunda década do século passado. No entanto, os E.U.A. continuam a ser os principais “distribuidores” de normas, valores e regras a nível internacional, contando com o maior investimento em Defesa e Forças Armadas. Ao falar na política externa da Administração Obama, citou uma frase de Zbigniew Brzenzinski, more expectations than strategic breakthroughs.

 

Já em contra-relógio, ainda tivemos a oportunidade de discutir a situação afegã, o terrorismo, a pirataria e o conceito de cyberwarfare.

 

P.S.: Peço desculpa desde já por qualquer imprecisão neste pequeno resumo da intervenção do Samuel, que com toda a certeza terá a amabilidade de corrigir esses pequenos erros, caso se verifiquem.

Dentro de menos de um mês estarei a viver em Istambul para participar num programa de intercâmbio, farei todos os possíveis para ser mais assíduo na participação nesta casa. A todos umas boas férias!

 

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publicado às 16:51


8 comentários

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De Anónimo a 06.08.2010 às 22:08

Uma foto, dois erros:
- apresentar olhando directamente para a apresentação
- passar em frente da projecção

Incrível.
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De Samuel de Paiva Pires a 06.08.2010 às 22:14

Nem a foto tem boa qualidade nem a perspectiva é a melhor. Não representa a totalidade da apresentação, como deve calcular. Apenas olhei e descrevi os tópicos nos vários slides, para situar as pessoas a quem me dirigi. E, de resto, estive sempre de pé, em frente à plateia, com a apresentação bem visível.

Incrível é o anonimato que por aí pulula...
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De Anónimo a 06.08.2010 às 22:31

Fernando Pessoa também tinha um cómico "anonimato".
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De Manuel Pinto de Rezende a 06.08.2010 às 22:38

Fernando Pessoa não era rabeta como tu.
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De João de Brecht a 07.08.2010 às 01:31

My mistake! Bad photographer!
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De Samuel de Paiva Pires a 06.08.2010 às 22:14

Obrigado pelos imerecidos encómios e pela surpresa, caro João!

Abraço e boa sorte por Istambul!
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De João de Brecht a 07.08.2010 às 01:34

Para o ano há mais!
Obrigado por tudo Sam,
Um abraço!

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