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A hora da autocrítica

por Nuno Castelo-Branco, em 10.08.10

"Na nota, o organismo do PCP disse registar "a chegada a diversos países europeus de uma nova vaga de compatriotas emigrados à procura de emprego na sequência di agravamento do desemprego" em Portugal. Os comunistas consideraram ainda que "a falta de uma política patriótica defensora da identidade das comunidades portuguesas no estrangeiro"

 

 

Compreende-se bem o que Jerónimo de Sousa quer dizer. No entanto, a fraca memória leva o PCP a esquecer as autênticas campanhas de ódio que ao longo de anos, desenvolveu num Portugal que coagiu e que em termos práticos, controlou. Ódio contra os "retornados" que ..."depois de explorar os negros, agora querem vir sabotar a revolução, ocupar as nossas casas, tirar-nos o pão da boca e açambarcar empregos". Eram esses "retornados"  que ..."trazem drogas, piolhos, doenças endémicas e que estragam a nossa juventude com roupas indecentes Made in USA, bebem Coca-Cola e falam a língua do imperialismo, o inglês".

 

Noutro campo, o PCP afincou-se à ideia de que todos aqueles que possuíam um botecozito que servisse uns copos de vinho a martelo, era um "explorador burguês". Se alguém ousasse ter herdado uma quintarola, um apartamento ou, supremo crime, um montículo alentejano, então, era de imediato classificado como "fascista, inimigo do povo, opressor", etc. E se de um industrial se tratasse? O melhor seria dirigir-se de imediato à Portela e rumar para outras bandas. Enfim, durante anos - e ainda sofre sobressaltos nos dias de hoje - o PCP usou de uma linguagem perfeitamente identificável por grupos como o Vlams Blok, mas agora, recheia-se com os velhos cremes da maquilhagem de outrora, como a NATO - a URSS morreu e ainda disso não deu conta - e sobretudo, clama por uma "paz" que apenas serve para os "de cá" não ameaçarem conhecidos "democratas" algures estabelecidos para as bandas do Mar do Japão, nas Antilhas ou neste ou naquele rincão africano.

 

Era assim, o PCP. Não se preocupou minimamente em garantir o "capitalismo nacional" que produzia e vendia em Portugal, garantindo fábricas cheias de nacionais. Não se preocupou em manter uma escola que antes de tudo, estabelecia aqueles princípios essenciais que enraízam nas novas gerações o respeito, a hierarquia de que o PC tanto gosta - quando manda, claro! -, amor pela pátria que em 1975, eram "coisas de fascistas". Quanto a tudo isto, bem podia enviar umas tantas equipas para formação, beneficiando das lições dos seus camaradas chineses.

 

Jerónimo de Sousa alerta para a exploração a que estão votados muitos portugueses em Espanha ou na Holanda, por exemplo. Tem razão, mas não se interroga acerca do porquê desta saída maciça de gente nova e mais preparada. Onde estão as fábricas do progresso? Onde param os campos lavrados? Onde está o capital nacional?

 

Talvez tenha chegado a hora para a autocrítica. Porque não?

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publicado às 09:43







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