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Saramago só depois

por João Pedro, em 12.08.10
As homenagens artísticas tanto podem ser legítimas e compreensíveis como se podem revestir de um oportunismo com intenções várias, a começar pelas ideológicas. A recente proposta da CDU de de dar o nome o nome de Saramago a uma rua do Porto encaixa-se nas duas. Já a sua recusa pela câmara tanto se pode justificar por ressabiamento político como por sensatez numa altura em que a morte do escritor é muito recente, e dá azo a qualquer aproveitamento ideológico e a análise sem a devida distância. Não me aquece nem me arrefece que Saramago tenha uma artéria com o seu nome no município, desde que seja um novo arruamento e não uma rua central, como os seus camaradas fizeram por breves dias, quando em pleno PREC trocaram os nomes das Ruas Júlio Dinis e D. Manuel II por rua Catarina Eufémia e rua...José Estaline (toponímia que como é óbvio, não colou). Também acho que a desculpa da câmara para não dar esse nome, em "apenas aceitar nomes de cidadãos com ligação directa ao Porto para ruas da cidade", escudando-se numa mais que discutível e limitativa decisão da Comissão de Toponímia, é patética e apenas ridiculariza a cidade. A seguir esse critério,a rua de Camões teria de mudar de nome. Mas se tomarmos em devida conta a decisão da comissão, conjugada com o súbito entusiasmo da CDU na atribuição de novos nomes de ruas, é caso para se perguntar porque é que ninguém propôs os nomes de Sophia de Mello Breyner e de Eugénio de Andrade? Não só tiveram uma ligação directa com o Porto como foram vultos literários ilustres. Curiosamente, os seus nomes não constam da toponímia portuense, ao passo que noutros concelhos, como Lisboa (mais precisamente o miradouro da Graça), ou Matosinhos, já lá estão. Assim, permita-se algum hiato de tempo após a morte de Saramago, dê-se-lhe a devida distância, e já agora, altere-se a bizarra decisão da Comissão de Toponímia. Entretanto, vamos imortalizar Sophia e Eugénio no Porto, como eles merecem. E depois, mas só depois, é que o nome do homem de Azinhaga poderá ser tido na devida conta.

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publicado às 15:44


4 comentários

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De Nuno Castelo-Branco a 12.08.2010 às 18:08

Precisamente! Qual o problema de uma rua nova ter o nome de J. Saramago? Quantas ruas e avenidas temos na capital que ostentando certos nomes, os lisboetas não tenha deles a menor ideia de quem foram ou fizeram? Realmente, as pessoas procuram problemas onde eles não existem. Ou a CMP não tenciona construir novas ruas? Com tanto condomínio a ser construído nos arredores, caramba... E até são de luxo, o nome ficava mesmo a matar!
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De P.F. a 12.08.2010 às 19:51

A CMP fez muito bem em recusar dar o nome de ruas a José Saramago, pois a CMP não tem nada que favorecer as agendas políticas dos Pc's, BE's e quejandos.
Eu acho que faz sentido, de facto, conceder os nomes a pessoas que tiveram ligação à cidade. Claro que existe a Rua de Camões e a Praça de... Lisboa, etc. mas a história das cidades passa por fases diversas. A actual não é de expansão, logo não ha muitos novos arruamentos e quarteirões, pracetas etc. a que dar nome.
Por estas e por outras Manhattan atribuiu números às ruas.
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De Nuno Castelo-Branco a 12.08.2010 às 20:18

Bem, Pedro, então o que dizermos de ruas "alferes qualquer coisa", do "pai" do dr. fulano de tal, etc, etc. Deixem lá Saramas à vontade, "who cares"? Acha que daqui a 100 anos, além do Nobel - será que existirá o prémio? - alguém "will give a s...?" Se nem sequer do Fontes, do Saldanha e outros se lembram, quanto mais...
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De Cristina Ribeiro a 12.08.2010 às 20:42

Estou com o João Pedro: porque não dar primazia a outros grandes vultos literários, e até mais consensuais, que nos deixaram há mais tempo? Por aí se vê que apenas a política " encomenda " tal rua...

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