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Estamos a ser roubados!

por Nuno Castelo-Branco, em 25.08.10

A republicanagem da gamela, anda toda afoita a encontrar explicações para tudo e mais alguma coisa. Encanita-se ao ponto de copy-pastear a Ilustração Portuguesa, desenterrando linhas cheias de tremeliques, douradinhos, chitinhas, laçarotes e como banda sonora, os chilreares de passarinhos - eles próprios, os de arribação, claro -, "junqueirando" as estorietas de cordel que têm prodigamente distribuído pelo pais fora.

É claro que além do "Arturinho" Santos Silva - será parente do outro da espionagem à moda do general Tapioca? - vamos lendo outros nomes que nos remetem para mais uns tantos vultos da 1ª, 2ª e já agora, da 3ª república. As esposas - porque tal e qual como os jogadores de futebol, eles assim gostam de mencionar as suas mulheres, pensam que assim, ficarão mais chiques -, filhos e filhas, primos, primos, tios e tias, cunhados, genros e "genras" à nora, lá vão saindo uns atrás dos outros, bolsando contentamentos e confirmando indissolúveis correntes de solidariedades digestivas, ameaçando cair para o sentido aqui dado.

 

Para já, bastaria a mais que conhecida conversa do chácha. Mas querem mais paio, mais e ainda mais paio, enchouriçando-se em especialidades de curral.

 

Desta vez, a prosa saiu do teclado de uma outra possível dinasta do barrete frígio, de seu nome Alexandra, adornada por um Prado que implica o imediato Coelho.  Será da família? O que por lá vai, desde inenarráveis explicações que encetam o uso do verde e do vermelho em Aljubarrota - ficamos sem saber se D. João I quis ser o primeiro presidente da república e o Condestável, ministro da Defesa - , até à bandeira de D. Manuel I - onde? onde? Além de uma vermelha e branca com a esfera ao centro, jamais vimos essa verde-rubra coisa em parte alguma - e para cúmulo, desencanta uma flâmula da época da Restauração da Independência, em 1640. Provavelmente, a alexandrina autora até terá hesitado em atribuir ou não, a intenção de assunção semi-presidencialista ao então Duque de Bragança. Mas a lata não deu para tanto.

 

A burranqueirice é total, a menos que estejamos perante um classicíssimo caso de reserva mental. Fundamentar as cores da república em antigos símbolos da monarquia, não deixa de ser um bem sintomático auto-trato de polé, dado o desespero pela cata de uma legitimidade que pelo nosso lado, jamais reconheceremos. A senhora Prado Coelho, não arrisca nem uma tintarola acerca da Carbonária e nem de longe imaginará a defunta existência de um Centro Republicano Federal de Badajoz, cuja bandeira iberista era bipartida a verde e vermelho. Claro que foi num desesperado espolinhar, em busca da esfera armilar. Não aquela que surge em quase todas as representações iluminadas do reinado do Venturoso e que está bem presente na Torre de Belém e nos Jerónimos. Não é essa que aparece na bandeira comemorativa e nem sequer aquela outra - olha-olha, não se lembrou de a fundamentar aqui! - que nos tempos de D. João VI, representou Portugal, Brasil e Algarves. Fica-se pelas explicações propagandeadas pela 2ª república, aquela que segundo o sr. Arturinho, "jamais existiu".

De facto, a autora precisa urgentemente de fosfoglutina, pois lamentavelmente deixou passar a estranha semelhança da dita esfera pós-5 de Outubro, com uma, que por incrível coincidência, também surge no trapeco carbonário. Bem podia ter passado uma vista d'olhos pelo Memorial do Convento, nobelizando o artigo, com os panejamentos verdes-rubros evocados pelo presunto ibérico Saramago, quando se referindo à inauguração do edifício, assim o decorou. Enfim, aggiornava-se um pouco e a coisa passava por regimental. Mas nem isso!

 

Do Hino não valerá a pena falar, porque é muitérrimo provável que nem sonhe com a dedicatória feita pelos autores. Lá longe, na Áustria, o destinatário recebeu a prenda, prontamente usurpada pela costaria e por aqueles que hoje e todos os dias, desmentem a letra e a razão pelo qual foi a marcha composta. Por mero acaso ditado pelas circunstâncias em que vivemos, até há quem suspeite estarem ao serviço deste tipo de gente.

 

O busto. Desafiamos os festivos comensais, a colocar essa questão a qualquer transeunte, perguntando: quem é? As respostas serão surpreendentes e dignas de  anúncio de dvd, em qualquer sex-shop. No entanto, a copista do Público peca por falta de imaginação, até porque, já agora que passa o texto a justificar-se na monarquia, algumas reminiscências da Marianne poderão ser vislumbradas nas decorações do Paço Ducal de Vila Viçosa, especialmente aquelas onde surgem raptos de Sabinas, camonianas tágides, nereidas ou sereias. Não ter arrebanhado algumas parecenças entre a rainha D. Amélia e a tal Puga, consiste num milagre digno de rastejamentos cemitérios fora, vendas numa brincadeira de cabra cega, ou um voluntário arrancar de olho da auto-confiante Sabedoria. Mas o Ser Supremo não dá para tanto, coitadinhos dos contratados e ainda não legalizados estucadores da obra centenária.

 

Apesar de tudo, o que se torna irritante, é esta monomania pela justificação da simbologia republicana, na monarquia portuguesa. Não contentes com os nababos dinastas e restante familória de serviço à centenária, desunharam-se em anexar o Terreiro do Paço, vão-se ao Museu dos Coches - o cúmulo da republicanada - e ainda não enfartados, galopam direitinhos à fundação da II Dinastia, enroscam-se aos pés dos elefantes e rinocerontes de D. Manuel I, abarbatam-se com os estandartes dos regimentos do Bragança D. João IV e rebolam-se de gozo, berrando a plenos pulmões, o Hino dedicado a D. Miguel.

 

Como já é hábito, estamos a ser roubados, Aqui d'El Rei!

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publicado às 20:50







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