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Diário de Bordo

por João de Brecht, em 19.09.10

 

Istambul, 19 de Setembro de 2010

 

 

 


Cinco vezes por dia os pobres altifalantes instalados no minarete mais alto da mesquita maior de Avcılar resistem aos cânticos do Imã que chama os seus irmãos para mais uma reza. Cinco vezes por dia a cidade pára. Cinco vezes por dia se enchem as ruas de tapetes e se assiste ao ritual da vénia, do ajoelhar, de tocar com a testa no chão. Como se de horas de sono se tratasse, quando termina a cerimónia, vêem-se sorrisos e simpatia entre as gentes.

Apressam-se os pequenos mouros para os autocarros sobrelotados, as portas estão abertas para que mais algum nelas se pendure. Salto em Beşiktaş e falo com meio mundo à procura de um bom sítio para fumar narguilé e çay – “Where are you from my friend?” – “From Portugal, do you know where it is?” – “Quaresma! Quaresma!”. Indicam-me então um pequeno café, bandeiras turcas e o retrato de Mustafa Kemal Atatürk preenchem uma parede cor-cimento. Bebem-se os çay, fuma-se a chicha, diz-se “teşekkür ederim” e volta-se para a rua sobrelotada. Sinto que conseguia voltar para casa guiado pelos cheiros, os tapetes, as simit, os kebabs, os fumos, flores e frutas.

Tudo aqui me cheira a mágico, tudo me cheira diferente.Sentem-se as saudades de um Portugal cada vez mais longe. Mas maior que as saudades é a sede de descobrir mais, de beijar Istambul.

 

Volto a escrever em breve, um forte abraço para os Conselheiros de Estado e para os Leitores.

 

Güle Güle!

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publicado às 18:26


14 comentários

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De Anónimo a 19.09.2010 às 21:05

Olá João de Brecht: Finalmente notícias depois da ida (que li no vosso blog ) anunciada pela Silvia Vermelho.
E, de repente, foi como se Istambul viesse directamente do computador e aterrasse na minha sala.
A curiosidade aguçou-se e quase senti os cheiros...
Espero mais noticias dessa cidade cheia de contrastes e que teima em não ser europeia.
Tudo a correr bem e muitos sucessos pessoais e académicos
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De João de Brecht a 21.09.2010 às 19:14

Muito Obrigado caro(a) anónimo(a).

Sinceramente em Istambul não se sente um anti-europeísmo tão forte e vincado como em cidades e mesmo países vizinhos. Foi feito um referendo a semana passada em que foi votada uma alteração constitucional que permitirá uma aproximação às exigências de Bruxelas para a candidatura à UE.
Agradeço a simpatia e as felicidades que me desejou, são recíprocas.
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De Rita Oliveira a 19.09.2010 às 22:59

Li hoje numa revista de um jornal diário português uma reportagem sobre o Grande Bazar de Istambul e achei o máximo.
Aproveite a magia da cidade e vá dando noticias
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De João de Brecht a 21.09.2010 às 19:15

Obrigado afilhada, um beijinho!
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De Anónimo a 20.09.2010 às 11:16

Querido João

Também eu, através das tuas palavras quase consegui sentir o cheiro de Istambul. Aproveita bem.
Tenho muitas saudades tuas.
Beijinhos para ti e também para a Rita

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De João de Brecht a 21.09.2010 às 19:16

Obrigado Bé, um beijinho!
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De Nuno Castelo-Branco a 20.09.2010 às 11:18

Pois bem, andas por Constantinopla, que sorte! Vai dando notícias dessas, até porque este post é bem mais interessante que qualquer politiquisse cá da casa. Já não há paciência... Pelos vistos, os turcos andam a fazer das suas e esse Erdogan, por muito bem que saiba vender o seu peixe - e sabe -, não me inspira muita tranquilidade. Um dia destes e pelo andar das coisas, Ataturk será apenas uma nota do passado, tal como os sultões. Paciência.
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De João de Brecht a 21.09.2010 às 19:31

Obrigado Nuno!

Aqui a política é pouca, sente-se apenas um senso burocrático tremendo, a adoração de ícones e um sentido de estado inexistente quando se discutem assuntos de importância nacional. Atatürk, como outros tantos, deixou um legado de modernidade, afastando-se a passos largos da tradição conservadora islâmica otomana e dos milhares de mini-sultanatos que dominaram a região. Encontrei um paralelo evidente com a política portuguesa, tal como quem tece críticas à legitimidade de partidos como o PCP ou outros tantos em Portugal é automaticamente catalogado como "fascista", aqui quem questiona os seguidores dos reformistas é imediatamente um "fundamentalista".
Enfim, pouca política e muitas politiquices!
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De Miguel Cardoso a 21.09.2010 às 00:25

Ora aí está o que andava a faltar...
A crise lusitana, o sabor da derrota, o sentimento de impotência pela inércia reinante e de repente...
Gostei do cheiro longínquo de uma cidade distante, colorida, rica e enigmática... E gostei do sentir de alguém suficiente jovem para viver os sons, sabores e cheiros de uma prosa feita poesia.
Também eu gostaria de beijar Istambul. Limito-me a beijar Lisboa que é velhinha mas também tem os seus encantos.
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De João de Brecht a 21.09.2010 às 19:07

Muito Obrigado pelo comentário caro Miguel, apesar de achar as palavras elogiosas imerecidas.
Lisboa tem também muitos encantos, sem dúvida. Por aqui sente-se a falta de Belém, do Tejo e de um Bairro Alto trajado e ébrio...

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De Ana Magalhães a 21.09.2010 às 17:51

O que quer dizer “teşekkür ederim” e Güle Güle!?
Essa língua é mesmo esquisita, não achas?
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De João de Brecht a 21.09.2010 às 19:03

teşekkür ederim - obrigado
Güle Güle - adeus

O Turco é como a coca-cola: "primeiro estranha, depois entranha!"
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De João Pedro a 24.09.2010 às 01:36

Parece que o Quaresma anda mesmo a virar a cabeça aos habitantes de Besiktas. Bom começo de roteiro de Constantinopla. Fico à espera de relatos sobre Hagia Sophia e o supracitado grande bazar, de onde há muitos anos me trouxeram um soberbo casaco de couro que ainda hoje uso (embora os meus pais, que estão na Capadócia, me tenham prometido algo de semlhante e mais actualizado).
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De Anónimo a 26.02.2012 às 16:23

Parabéns João , pelo texto escrito a tua mãe deve estar muito orgulhosa, muitas felicidades. Francisco Gonçalves ( crif )

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