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Duas viagens na Linha do Tua (2)

por Cristina Ribeiro, em 31.03.08
Para dizer que já assinei a petição indicada pelo João Pedro, porque acho que é mesmo um crime encerrar esta Linha de Caminhos-de-ferro (uma minha irmã que foi lá na Pascoa- não pudera ir connosco-, e que conhece meio-mundo, chegou cá extasiada, dizendo que tinha feito a viagem da vida dela.

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publicado às 16:22

Duas viagens na Linha do Tua

por Cristina Ribeiro, em 31.03.08

Das duas vezes que viajei nesse comboio fiquei na Pousada de Alijó.
Na primeira, nos fins de Setembro de há uns anos, fomos- toda a numerosa família- do Pinhão até Mirandela, num daqueles dias dourados de começo de Outono. Tinha acabado a azáfama das vindimas, mas a alegria que a faina acarreta ainda era evidente nas gentes que viajavam connosco. Dia de feira , viam-se as mulheres com açafates cheios de frangos e coelhos.

Voltei lá em Novembro do mesmo ano, por altura do Dia -de -Todos- os- Santos, e agora já caía uma chuva fraca, mas não suficiente para nos impedir de irmos até ao Pocinho. A paisagem, sendo a mesma era outra- nas cores e na quantidade de folhagem, mas o encanto não era menor.
O fascínio do Douro é eterno.
A Linha do Tua é que não vai estar lá muito tempo...

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publicado às 13:08

Recordo que estes senhores do BE e do PS não descobriram a pólvora. Assim de repente parece-me que terá sido um tal de Henrique VIII de Inglaterra que decidiu implementar esta via, com grande sucesso por sinal. Se no primeiro casamento, com Catarina de Aragão, viria a confirmar-se a anulação desse, o que lhe valeu a excomunhão, motivando assim o seu rompimento com a Igreja Católica e a criação da Igreja Anglicana (andará a esquerdalhada anda a pensar em criar uma nova Igreja? Para todos os efeitos o laicismo acaba por ser uma religião), já Ana Bolena e Catherine Howard não tiveram tanta sorte, tendo sido executadas.

O que me "causa espécie", como bom liberal, é como é que esta gente se atreve a regulamentar áreas que ao Estado não dizem respeito, como no caso dos piercings, onde retiram ao indivíduo a capacidade de ajuizar sobre o que fazer com o seu corpo (algo inerente ao elementar conceito de liberdade como já aqui demonstrei), prestando-se logo de seguida a ideotices como o facto da Direcção-Geral de Impostos (DGCI) está a ameaçar os casais recém-casados com coimas, que vão até 2500 euros, se não prestarem as informações solicitadas sobre os serviços do seu casamento no prazo de 15 dias (via 31 da Armada), e culminando com a desregulamentação de um princípio basilar de um Estado de Direito, o respeito pelos contratos, no que ao casamento diz respeito, essa coisa que se constitui como a relação jurídica por excelência pela qual se pauta a sociedade, em torno da qual gira grande parte do nosso Código Civil.

Sem mais, deixo na íntegra o excelente post que o Nuno Pombo escreveu no Incontinentes Verbais:

A agenda dos políticos anda animada. Ainda não havíamos digerido a prebenda da redução do IVA e somos agora brindados com mais um capítulo da saga «A Revolução dos Costumes». Neste episódio, o BE, quero dizer, o PS promete acabar com o divórcio litigioso. Não me parece mal. Acabe-se com tudo quanto seja litigioso. O litígio é intrinsecamente mau. É altercação. Dissídio. Conflito. Desordem. Disputa. Confronto. Antagonismo. Bem andam os nossos políticos quando se preocupam com a paz. A paz no mundo começa em nossas casas. E a paz constrói-se com o fim da guerra. Promovendo-se o ocaso do "litigioso", franqueiam-se as portas ao florescimento radioso do "amistoso". E isso é que é bom.

Contudo, importa ir mais longe. A verdadeira fonte do litígio não é tanto o divórcio. É o que está a montante dele: o próprio casamento. A padralhada andou a convencer-nos de que o casamento era um sacramento. Foi preciso virem os libertários iluminados dizer que não. Que era um contrato. O Código Civil - mas ainda não o Canónico - estabelece o casamento como um contrato. Um contrato, ou seja, um negócio jurídico bilateral. Com dois intervenientes (e porque não 3 ou 4? Malandros! ou porque não só 1? Por que carga de água não me posso casar comigo mesmo? se até já há sociedades unipessoais???) De sexo diferente (cambada de sexistas castradores das legítimas aspirações contratuais dos cidadãos!). Como se vê, o casamento é uma instituição potenciadora de conflitos. De sacramento a contrato. Agora de contrato a coisa nenhuma. A deputada Helena Pinto, com aquele ar esclarecido que o Criador lhe estampou na cara, tem toda a razão. Era o que faltava que um dos cônjuges (tecnicamente também chamados "contraentes") pudesse impor ao outro (tecnicamente "contraparte") a manutenção do casamento (tecnicamente "contrato"), unilateralmente (vulgarmente "porque lhe dá na bolha"!). Isso de dar a uma das partes de um contrato o direito de impor o seu cumprimento à contraparte ou de extrair consequências do seu incumprimento é uma coisa do além!!! Isso mesmo, Helena. Era o que faltava! Tens toda a razão! Não te esqueças de explicar isso aos sindicatos e aos tribunais de trabalho, também. Temo que eles não percebam, coitados.

Daniel Oliveira, quando fores definitivamente absolvido avisa. Gostava de poder chamar "palhaços" a uns tantos deputados... e deputadas.

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publicado às 04:23

Demagogia propagandística de quinta categoria

por Samuel de Paiva Pires, em 31.03.08


É simplesmente fantástica esta peça de propaganda realizada pela Al Jazeera, que até já passou na Sic ou Sic Notícias, não me recordo concretamente. O João Miranda deixa sem dúvida a melhor análise desta propaganda nefasta:

A emissão é da AlJazeera. O guião e as dobragens são do Bloco de Esquerda.

Dando uma imagem de Lisboa como se fosse Beirute depois dos ataques israelitas, José Sá Fernandes apresenta-se como um arauto contra a corrupção puxando ao sebastianismo português, num misto de alegado patriotismo e anti-patriotismo que só dificulta o trabalho de promoção do país a nível de política externa, especialmente no que ao sector turístico diz respeito.

Relembro um Prós e Contras sobre planeamento urbano e corrupção que passou há umas semanas. Um dos intervenientes principais, de quem não me recordo do nome, contava uma singular e irónica estória da visita de uma sua amiga italiana ao nosso país. A dada altura, disse-lhe a sua amiga que Portugal é muito bonito, com cidades muito bonitas, mas muito desordenadas a nível do planeamento urbano, obtendo deste repto a resposta de que tal se justifica pelo elevado nível de corrupção deste sector, ao que a italiana respondeu que em Portugal não há de certeza absoluta mais corrupção do que em Itália, o que há é uma grande falta de gosto. Nem mais, e a demonstrá-lo estão os projectos de uns pombais ou currais assinados por José Sócrates há uns anos.

E para quem ainda não se tenha apercebido, realmente o irmão do Zé que não faz cá falta e que custou aos cofres do Estado cerca de 18 milhões de euros, sumariza bem a questão, "corruption is a way of being". De facto, e novamente aqui deixo o repto para que vejam um dos melhores filmes dos últimos anos, Syriana, de onde retiro a seguinte deixa e deixo um breve comentário que já havia aqui deixado:

"Corruption? Corruption ain't nothing more than government intrusion into market efficiencies in the form of regulation. That's Milton Friedman. He got a goddamn Nobel Prize. We have laws against it precisely so we can get away with it. Corruption is our protection. Corruption is what keeps us safe and warm. Corruption is why you and I are prancing around here instead of fighting each other for scraps of meat out in the streets. Corruption is why we win."

A profundidade desta deixa não pode passar despercebida. Tal como referia, o Direito dedica-se ao que deve ser para que possa precisamente justificar o que é. Por outro lado, na senda da famosa frase de Montesquieu de que "todo o índividuo investido de poder é tentado a abusar dele" penso ser apropriada a assumpção de Schumpeter de que o homem ao entrar no domínio da política perde grande parte da sua capacidade racional, tornando-se eminentemente um ser associativo que funciona por interesses. Analisando isto à luz dos ensinamentos aristotélicos, tendo em especial consideração que "o homem é um animal político por natureza", então logicamente se concluirá que a passagem do estado de natureza para o estado social por via contratualista implicará sempre uma base de corrupção, especialmente quando se trata dos povos latinos possuidores de uma tendência inata para a corrupção, que no caso português começa ao mais baixo nível com a chico-espertice que não é alheia aos que ao mais alto nível se imiscuem de dar o exemplo, apesar de muitos terem bonitos e até épicos discursos contra a corrupção.

Quanto mais rapidamente as pessoas se aperceberem e interiorizarem isto menos facilmente se deixam enganar por estes pseudo-idealistas, alegados e aparentes outsiders que são tão sistémicos como quaisquer outros, e mais facilmente entendem como as coisas funcionam.

Mas tudo isto está prestes a perder a sua validade na realidade portuguesa. Tenho a leve impressão que está prestes a concretizar-se uma das profecias mais importantes do legado filosófico-político do ocidente. Sá Fernandes vai salvar Lisboa, vai salvar Portugal, quiçá vai até salvar o Mundo, que ninguém pense o contrário nem duvide, qual Jesus Cristo, Buda ou Maomé, o verdadeiro super-homem de Nietzsche está encontrado!

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publicado às 02:36

Fim-de-semana - Domingo em Lisboa

por Samuel de Paiva Pires, em 31.03.08





Apesar da constante degradação desta Lisboa que tantos amamos, nunca esta cidade deixa de ter o seu encanto e charme habitual. Aqui deixo uma sequência de fotografias deste final de tarde, no miradouro de São Pedro de Alcântara.

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publicado às 02:20

Fim-de-semana - Sábado na Costa

por Samuel de Paiva Pires, em 31.03.08


Numa refrescante saída momentânea da capital, algo que, apesar de ser um bicho da cidade, me reforça sempre as energias e me deixa a mente mais clarividente, dei um saltinho até ao outrora destino de eleição de grande parte dos lisboetas, permitindo-me apoderar-se de mim uma sensação de sabor a férias de Verão. Na primeira fotografia, uma praia que já praticamente não tem areal, devido ao avanço e conquista do mar, na segunda, a praia adjacente à primeira, resultado de uma intervenção artificial que ali deixou toneladas de areia.

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publicado às 02:10

Lisboa Arruinada (26) Av. 5 de Outubro

por Nuno Castelo-Branco, em 30.03.08

Reparem bem no prédio à direita da segunda imagem. É com este tipo de construção terceiro-mundista que Lisboa pretenderá ser uma capital atraente para o turismo internacional.

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publicado às 21:50

Lisboa Arruinada (25) Av. 5 de Outubro

por Nuno Castelo-Branco, em 30.03.08
Parece-me que hoje estou com dificuldades em carregar imagens no blog. Tenho guardadas algumas fotos desta avenida que publicarei oportunamente. A 5 de Outubro foi praticamente arrasada e é hoje um exemplo da péssima construção que por cá se vai fazendo. Responsáveis? A rafeiragem dos bancos e companhias de seguros - não esquecendo alguns hotéis - que por lá proliferam como cogumelos venenosos. Encomendaram os projectos de "arquitectura" mais repugnantes e baratuchos que encontraram no mercado e betonaram em grotesca volumetria, centenas de metros quadrados por quarteirão. Culpa final: da CML que teve a ousadia de aprovar projectos. Outras culpas anexas? IPPAR que não classificou toda a zona compreendida entre a Gulbenkian e a Alameda. Pouca vergonha!

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publicado às 18:39

Será?

por Cristina Ribeiro, em 30.03.08
A ler o primeiro romance de Camilo, «Anátema», que escreveu na verdura dos vinte e cinco anos (ou terá sido na dos vinte e dois, como diz no prefácio da segunda edição?), deparo, a dado passo, com a frase "Não pulsa um coração debaixo do céu, que não sofra"; e dou comigo a sair do universo da ficção para o da a realidade crua que nos cabe viver: será que tal se pode dizer daquela, para não ir mais longe, mãe, e do tio da pequena Joana, por eles barbaramente assassinada ,ou da avó e do pai da pequena Vanessa(?), que teve o mesmo destino, depois de arrepiantemente torturada?
Ninguém me convence de que em indivíduos assim, no lado esquerdo do peito não existe apenas um músculo que bombeia o sangue; não, debaixo deste nosso céu pulsam corações que não sentem nada...

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publicado às 16:34

Viva a Bulgária! A minha prenda de fim de semana.

por Nuno Castelo-Branco, em 30.03.08

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publicado às 00:50

As noites dos fins-de-semana

por Cristina Ribeiro, em 30.03.08
Interrompo a leitura de um livro de Camilo para olhar pela janela. O meu é um quarto com vista, embora não vislumbre nenhum Arno; vista para o Bom Jesus do Monte. Está tudo iluminado e, forçando um bocadinho a vista, consigo ver aquela escadaria monumental.
Está uma noite calma, as muitas árvores que me rodeiam não acusam qualquer vestígio de vento. Ao mesmo tempo lembro que este foi um cenário muito glosado pelo homem de Seide.
É quase tão linda como a vista que tenho quando fico em casa de uma minha irmã em Guimarães, de onde quase posso tocar o belíssimo Mosteiro de Santa Marinha da Costa.
E nesta apreciação não entra a tradicional rivalidade entre os dois Municípios(se assim fosse não viveria em Braga, não é? :) ).

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publicado às 00:36


A propósito do post que o Miguel publicou hoje no Combustões e no seguimento da longa e quiçá fastidiosa explicação acerca do nosso percurso nesta Causa, julgo conveniente salientar alguns aspectos que poderão interessar.

1. A grande base de confiança popular na Monarquia portuguesa foi ao longo dos séculos, a assunção por parte dos consecutivos detentores da coroa, da garantia de adaptação de todas as estruturas que davam forma ao reino, às novas realidades do seu tempo. No período da Reconquista, o pragmatismo da dinastia de Borgonha fixou populações, integrou elementos exógenos, concedeu forais - e ainda hoje debatemos o sim ou o não ao municipalismo -, firmou Portugal no confuso e frágil concerto das novas nações que lentamente se iam formando na Europa. A crise de 1383-85, reorganizou as classes ao criar uma outra nobreza mais aberta ao horizonte expansionista extra-europeu, ao mesmo tempo que o trono era a garantia de adaptação do país às novas realidades decorrentes do alvorecer do Renascimento. O príncipe assume plenamente o seu papel soberano e a centralização do estado consagra a sua unidade anímica e territorial. É decerto supérfluo referir a época áurea dos Descobrimentos, quando a Monarquia foi o expoente máximo do Estado moderno e unificador do conjunto nacional que já se expandira de uma forma jamais vista na história humana.

O período filipino, se trouxe no seu primeiro capítulo uma efectiva modernização da Lei - só substituída pelo oitocentista Código Seabra- e uma adaptação burocrática do Estado ao sistema Imperial da União Ibérica, lesou profundamente o elo de confiança tacitamente estabelecido entre a generalidade da população - aquela que participava na coisa pública, é certo - e a coroa ausente. A União de Armas selou o destino dos Habsburgos "portugueses" e a Restauração de 1640 salvou o Estado da sua total extinção. Extinção como identidade nacional já definida e como organização visível em termos mundiais, dada a grande extensão e dispersão das possessões da coroa de Portugal por quatro continentes. Mesmo no aspecto da geopolítica, a nova monarquia dos Bragança soube discernir qual o verdadeiro interesse subjacente ao esforço ultramarino, procedendo a uma sábia e eficaz racionalização dos recursos. Esta decisão de "investimento" na área atlântica, tornou possível nos dias de hoje, ser a língua portuguesa, a terceira da Europa e a par do inglês, aquela que se encontra presente em termos globais. O gigantismo do Brasil é um fruto directo do esforço empreendido pela Restauração.

O século XVIII seguiu fielmente o exemplo Iluminista em voga na Europa e a guerra civil que terminou em 1834, pareceu consagrar o regresso à representatividade, desta vez parlamentar e que evoca os seus antecedentes nas Cortes de outrora e legitimadoras de todo o poder estabelecido em Portugal.

O sistema liberal da Monarquia Constitucional funcionou positivamente, apesar de todos os percalços inevitáveis e decorrentes das necessárias décadas de adaptação a uma nova situação social e até geopolítica, dada a separação e independência do Brasil. O rei tinha de facto, a chave mestra do funcionamento do sistema rotativo - assim se convencionou tacitamente - do poder partidário. Se essa faculdade transcendente do Poder Moderador era susceptível de garantir a alternância e impedir abusos por parte de qualquer dos grupos que se digladiavam pelo presidência do Conselho de Ministros, pressupunha igualmente, uma maior exposição da majestade ao jogo político daqueles sectores. Desta forma era fácil a um partido alijar culpas sobre a figura do monarca, apodando-o de padrinho deste ou daquele chefe político, ao mesmo tempo que recebendo pouco depois esse poder governamental, vinha agora resguardar-se atrás da coroa. O rei encontrava-se exposto e a situação foi aceitável, enquanto a vaga de inevitáveis reformas ocorridas no período da Revolução Industrial e urbanização política da Europa ocidental, não obrigou a uma adaptação dos sistemas constitucionais. Conhecemos bem o que se passou. O rei D. Carlos conhecia de sobremaneira os homens públicos do seu país e sabia qual o real e vital papel desempenhado pelo Estado - ou simplesmente a sua máquina burocrática - no desenvolvimento material da sociedade e na garantia das liberdades públicas. Era na prática, um presidente vitalício cujos poderes não seriam afinal, tão diferentes daqueles que hoje são detidos pelo actual p.r. É certo que o sistema eleitoral era muito diverso daquele que hoje conhecemos, mas o universo dos eleitores era vastíssimo, encontrando paralelo apenas naquele que que nos é familiar e garantido pela Constituição de 1976. Estava em perfeita conformidade com a Europa da Belle Époque e a liberdade de associação e de expressão eram de facto assombrosas, mesmo se as comparamos com a dos nossos dias.

D. Carlos falhou. Expôs-se ao pretender uma muito visível transformação a longo prazo do ordenamento constitucional. É hoje praticamente seguro que não projectou um total eclipse da função e poder detido pela coroa. Não era ainda o tempo azado e a sociedade teria primeiramente de se conformar, organizando-se em verdadeiros partidos distintos entre si e principalmente, com programa. Creio que é ainda hoje, o problema fundamental da nossa política caseira e é frequente ouvir-se dizer que se tornou no elo fraco do regime. A verdadeira alternativa/alternância, não existe e pior, o Chefe do Estado é parte interessada e muito comprometida.

O rei falhou não por inaptidão ou desinteresse, mas devido ao Crime. Crime que partiu da iniciativa de um nebuloso grupo que afinal pretendia manter intacta a relação do poder que interessa - e que é invisível na aparência - em termos sócio-económicos. O 5 de Outubro cortou cerce a adaptação de Portugal à nova realidade do Trabalhismo que já era força pujante na Inglaterra, Alemanha, Áustria e países do norte do continente, votando o país a uma estéril e inglória luta fratricida em torno de vagas ideias de um pseudo-sebastianismo redentor que na verdade, escondia a já tradicional e até então pacífica luta entre caciques partidários. O rei expôs-se demasiadamente depressa e de forma ostensiva. O resultado foi o atraso de Portugal que desperdiçou sete décadas de constitucionalismo que já habituara as suas gentes e que garantia a pertença do país a uma Europa que entrava ainda dominadora no século XX. Foi o que perdeu a Monarquia, contanto que a reforma fosse inevitável. Embora não exista um evidente paralelismo - dada a abissal diferença entre as duas sociedades -, por vezes recordo-me do Irão do Xá Reza Pahlevi. Regime autocrático e centralizado nas mãos do soberano, mas propiciador de uma segura evolução no sentido do constitucionalismo e da abertura aos novos tempos. O falhou porque tal como D. Carlos I, expôs-se de uma forma demasiadamente visível e repentina. A sociedade não compreendeu e os pequenos políticos aproveitaram a oportunidade.

2-O sucinto e essencial post do Miguel, visa alertar sobretudo, quanto a etéreas e impraticáveis soluções que afinal não o são. Os chamados corpos intermédios, onde a nítida tentativa de inspiração medievalista apenas esconde a sua realidade que encontra caboucos no Statuto del Lavoro gizado pelo Duce, foram testados em Portugal. Sabemos no que deram.

3-A opinião dos estudiosos e teóricos acerca da transcendência eivada de espiritualismos do poder real a Restaurar, é perfeitamente respeitável no campo da doutrina e do exercício intelectual. Mas a realidade é outra e até podemos conceder, comezinha. Estamos hoje inseridos num desconhecido e ainda inconsistente projecto europeu ainda mais vasto que aquele que a Europa conheceu durante o período da Roma Imperial. A nossa Monarquia deve chegar como garantia da perenidade daquilo que verdadeiramente interessa: a nossa identidade cultural, hoje ainda mais alargada, dinâmica e de garantido futuro, dada a felicidade de contarmos com o essencial suporte de um Estado de dimensões colossais, o Brasil. A África lusófona garante-nos uma essencial presença num continente de futuro e o caso de Timor-Leste, estabelece a vital sobrevivência do Português naquela zona do mundo. Num hipotético futuro, um rei Duarte II ou Afonso VII, coroará a república, no sentido verdadeiro do termo histórico e terá na instituição que corporiza, aquilo que é essencial: a funcionalidade do útil. Saibamos aproveitar a História e não comprometamos a instituição real com este ou aquele redutor projecto de uma minoria. A Monarquia é de todos e para todos. Jigme Wangchuck compreendeu. É um homem do nosso tempo.


Nota: sendo a Tailândia/Sião uma monarquia constitucional ainda recente, seria interessante o Miguel proporcionar-nos a sua visão acerca das verdadeiras atribuições da coroa no sistema político-partidário e sobretudo, a essência do seu papel junto da população. Apesar da instabilidade política a que nos acostumou, a Tailândia é naquela parte do mundo, um exemplo de progresso económico e social, paz e de respeito para com as suas ancestrais tradições. Com uma insignificante taxa de analfabetismo, dá que pensar.

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publicado às 16:45

"Monarquia e soberania popular"

por Cristina Ribeiro, em 29.03.08
Este o título do excelente post de Miguel Castelo-Branco no seu blogue, Combustões.
É isso mesmo!

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publicado às 16:23

Fins-de-semana

por Cristina Ribeiro, em 29.03.08

E, por momentos Braga (onde passo os fins-de-semana) encheu-se de sol...
Sentada na esplanada da Arcada, vejo os passantes relaxados, de sorriso a condizer com o tempo que faz.Vê-se que vão sem pressa, que para isso basta o resto da semana.
Os mais pequenos brincam no jardim em frente, e ouvem-se as suas gargalhadas...
Há que aproveitar, porque está um tempo de luzernas, e , de um momento para o outro, uma nuvem pode muito bem tapar o sol...; será o suficiente para que tudo mude...

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publicado às 12:44

Fernanda de Castro

por Cristina Ribeiro, em 28.03.08
No passado mês de Agosto, o Paulo Cunha Porto, do blogue As Afinidades Efectivas, lançou um repto muito interessante aos seus leitores: se pudéssemos falar com personagens do passado, com quem quereríamos dialogar- respondi que uma dessas pessoas seria Vitorino Nemésio, e a outra era Fernanda de Castro, autora do primeiro livro que li, nas minhas primeiras férias escolares, acabada a primeira classe, numa altura em que ainda era o meu pai quem me seleccionava as leituras- «Mariazinha em África».
E lembrei-me agora dela porque, ao fazer uma busca no Google deparei com um seu poema, num blogue que lhe é dedicado:

Asa no espaço, vai pensamento!
Na noite azul, minha alma flutua!
Quero voar nos braços do vento
Quero vogar nos barcos da Lua!

Vai minha alma, branco veleiro
Vai sem destino, a bússola tonta
Por oceanos de nevoeiro
Corre o impossível, de ponta a ponta

Quebra a gaiola, pássaro louco
Não mais fronteiras, foge de mim
Que a terra é curta, que o mar é pouco
Que tudo é perto, princípio e fim.

Castelos fluidos, jardins de espuma
Ilhas de gelo, névoas, cristais
Palácios de ondas, terras de bruma
Asa, mais alta, mais alta mais


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publicado às 22:33

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publicado às 22:10

Cubanos já podem ter telemóveis

por Samuel de Paiva Pires, em 28.03.08
President Raul Castro's government said Friday it is allowing cell phones for ordinary Cubans, a luxury previously reserved for those who worked for foreign firms or held key posts with the communist-run state.

Parece que já estou a ver os comunistas por cá a justificar este acto como de verdadeira preocupação social, exultando os benefícios que comunismo alegadamente traz às populações. Esquecer-se-ão porventura de que até hoje tal não era permitido, o que, não hajam dúvidas, é verdadeiramente democrático e ilustra bem a liberdade que o comunismo promove. Vai na volta os editores do Avante ainda aqui vêm retirar ideias.

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publicado às 17:55

Lisboa Arruinada (24) Av. Visconde de Valmor

por Nuno Castelo-Branco, em 28.03.08



Edifícios da época da construção das avenidas novas. Degradados e fechados, esperam o camartelo. A situação de trágica torna-se irónica, porque o nome da avenida Visconde de Valmor, remete-nos para o mais conhecido Prémio de arquitectura de Portugal. Não deixa de ser simbólico.

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publicado às 17:23

Federalismo ou regionalismo, tanto faz

por Samuel de Paiva Pires, em 28.03.08
A ler este post do Ricardo Arroja de onde destaco o seguinte:

Nos últimos anos, através da minha rubrica semanal no "Vida Económica" e em outros eventos nos quais participo, tenho defendido a necessidade de maior autonomia política e económica para as várias regiões que constituem Portugal. Não se trata de inventar a roda. Trata-se apenas de seguir a tendência do que por lá fora se faz e que na Europa dos 15 (antes do alargamento ao leste europeu) só não é seguido por nós e pela Grécia. Ou seja, adoptar um modelo de organização territorial que descentralize o poder. Quanto à forma, regionalismo ou federalismo, tanto faz. O que é preciso é descentralizar e colocar as regiões a competir umas com as outras. É a única via rumo ao progresso e desenvolvimento sustentado e harmonioso de Portugal. Funcionou em todo o lado, por isso, não há razão para crer que na nossa terra será diferente.

Devo dizer que estou plenamente de acordo, até porque já por várias vezes tenho advogado uma organização pública e administrativa de índole federal (aqui e aqui), à boa maneira de Tocqueville, politizando franjas da população normalmente marginalizadas, cada vez mais distantes do Estado, a não ser pelo sentimento que têm de esmagamento por parte desse, dando a todos os cidadãos a responsabilidade de governar o país de forma sustentada e descentralizada, de baixo para cima, por oposição à portuguesa típica forma de governação de cima para baixo, que tanta asneira tem permitido por aí.

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publicado às 17:15

Sobre a descida do IVA de 21 para 20%

por Samuel de Paiva Pires, em 28.03.08
Concordo plenamente com Campos e Cunha:

O ex-ministro das Finanças, Campos e Cunha, considera que a consolidação orçamental "vai a meio", pelo que a redução da taxa de IVA é um "risco", tendo em conta a situação internacional.

Mas, se se quisesse mesmo baixar impostos, o ex-ministro das Finanças começaria pelo imposto sobre a gasolina porque "este é uma espécie de subsídio das pessoas irem comprar coisas a Espanha".

E com Santana Lopes:

Santana Lopes considerou que "é errado do ponto de vista da gestão económica, da teoria das expectativas, da gestão orçamental fazer uma redução de um ponto na taxa do IVA" e antecipou que o Governo "não vai ficar por aqui" e prepara uma nova descida do IVA para 19 por cento no próximo Orçamento e outra descida "para os 18 por cento" em 2009.

"Era preferível da sua parte, e o seu ministro das Finanças anterior disse-o, fazer uma redução maior de uma vez. Esperar uns meses pela confirmação da consolidação orçamental, nomeadamente na actual conjuntura mundial, e fazer a redução de uma vez", defendeu.

O Governo errou também "ao exigir aos reformados os sacrifícios que exigiu", disse Santana Lopes, sublinhando que o saldo da Segurança Social duplicou nos primeiros meses deste ano. "Devolva aos reformados o que lhes tirou, é isso que devia fazer agora", apelou a José Sócrates.

Gosto ainda de notar a incoerência discursiva socratiana intervalada apenas por cerca de 2 semanas, assinalada pelo João Miranda:

14 de Março: O primeiro-ministro José Sócrates afirmou hoje em Bruxelas que é “leviano e irresponsável” falar em baixar os impostos

Hoje: Governo baixa taxa do IVA de 21 para 20 por cento

Sócrates tem em seu abono o facto de apenas uma minoria se preocupar com estas falhas discursivas e análises políticas, em grande parte representada pela blogosfera, já que a memória do povo é curta e conservadoras como são as massas, tudo o que lhes seja dado é bom, por mais pequeno que seja.

Esta coisa de ir às urnas já em 2009 deve andar a remoer a cabeça do PM, que no entanto se deve sentir preso por ter cão e preso por não ter. São ossos do ofício.

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publicado às 16:35

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