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A xícara da Dona Maria

por Cristina Ribeiro, em 30.06.08
Era muito elegante, de fina porcelana branca, e eu senti-me muito honrada quando, logo na Primeira Classe- foi minha professora durante toda a Primária-, fui escolhida para, todos os dias, por volta das dez horas. a levar à Deolindinha, a empregada da Escola, para que nela vertesse o chá preto que a D. Maria havia de tomar.
No fim, levava-a para que fosse lavada, e, então , guardava-a, dentro de um saco de papel, no armário, onde no dia seguinte, à mesma hora, a iria buscar, para que se repetisse o ritual...
 

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publicado às 20:44

O ouro, sempre o ouro!

por Nuno Castelo-Branco, em 30.06.08

Não se trata de paranóia, nem de uma recôndita mania da perseguição, mas apenas de uma manifesta estranheza perante indícios que se vão paulatina, mas inexoravelmente acumulando.

Ontem à noite, no rescaldo da merecida vitória da selecção espanhola, foi já  sem surpresa que ouvi um arauto dos comezinhos  fait-divers semanais do regime - onde a efabulação, as meias palavras e a instilação de veneno são banais -, perorar babadamente acerca de imaginárias ilações políticas a retirar do espectáculo oferecido no estádio do Prater vienense.  Referia-se - arvorando o seu melhor e pepsodêntico alvar sorriso -, à constante presença da família real espanhola no camarote de honra e às naturalissímas quebras de protocolo de Suas Majestades João Carlos e Sofia, indicando a unidade do país para o que de pior  ou melhor pudesse acontecer. Inacreditável. A sumidade mostrava-se falsamente surpreendida pela forma como os monarcas desempenhavam as suas normais obrigações de Estado. Como se tal trivialidade fosse de espantar.

Esta gente, além de desleal - como certos e recentes acontecimentos comprovam à saciedade - é parva. O constante rastejar, a maquinação de ver coisas onde elas não existem, o vale tudo interno e o embevecimento pelo que lá fora vislumbram, começam verdadeiramente a enojar. Nojo pelo calculismo quiçá propiciador de benesses, nojo pela ignorância manifestada - e naquele caso imperdoável - e principalmente, nojo pelo situacionismo que dentro de Portugal pétreamente mantêm. Tudo isto é vergonhoso. Aquilo que lhes exalta o espírito no país vizinho, aqui desdenham e menorizam. Se em Lisboa estão cinicamente presentes em  eventos onde a família real os honra pelo simples convite, logo a seguir apresentam diante dos noticiários da hora do jantar, o habitual rictus faciallis  que infalivelmente se conota com o repúdio, dúbia mofa e a supina cretinice de certezas adquiridas pela cobiça ou preconceito. Estão simultaneamente em todas as situações e em nenhuma, vestindo a casaca mais conveniente às suas extemporâneas ambições.

Dias há em que parece vivermos em 1908, para vinte e quatro horas depois, remetermos as nossas existências a 1580, onde uma dúzia de oportunistas aguarda a colheita do fruto das suas actividades dissolventes e de comprometimento com interesses além-fronteira.

O ouro, sempre o ouro!

Estou farto desta ralé engravatada.

Não há quem os cale?

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publicado às 18:41

«Les moins de vingt ans ne peuvent pas connaitre»

por Cristina Ribeiro, em 29.06.08


 

 

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publicado às 20:51

Ainda o Rio Lima

por Cristina Ribeiro, em 29.06.08
Situado pelos antigos nos Campos Elísios, dada a luxúria da envolvência natural, que fazia daquela uma região habitada pelos bem aventurados, queridos dos deuses, foi identificado pelos romanos como o rio do esquecimento, pois que o ver tanta beleza fazia com que qualquer ser humano esquecesse tudo o mais, até na História Natural de Plínio, o Moço, do que o mesmo Diogo Bernardes faz eco, quando escreve

«Junto ao Lima claro e fresco rio,
Que Lethes se chamou antigamente»


Foi cantado por outros poetas, como António Feijó, também ele ali nascido :
«Nasci à beira do rio Lima,
Rio saudoso, todo cristal.
Daí a angústia que me vitima,
Daí deriva todo o meu mal.

É que nas terras que tenho visto,
Por toda a parte onde andei,
Nunca achei nada mais imprevisto,
Terra mais linda nunca encontrei.

São águas claras sempre cantando,
Verdes colinas, alvor de areia,
Brancas ermidas, fontes chorando,
Na tremulina da lua cheia.»

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publicado às 18:46

Vejam até onde "isto" está a chegar!

por Nuno Castelo-Branco, em 29.06.08

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publicado às 13:43

Por terras do "Poeta do Lima"

por Cristina Ribeiro, em 29.06.08
Este ano ainda não se proporcionou, mas, por estas alturas, ainda no começo do Verão, não dispenso uma visita a Ponte da Barca, onde sempre passo um dia perfeito, nas margens daquele que foi a gande inspiração do nosso poeta quinhentista, que privou, entre outros, com Sá de Miranda e António Ferreira: o poeta da Ribeira-Lima, Diogo Bernardes.
 


 

Inserindo-se numa escola mais vasta, da qual ressalta o nome de Petrarca, o autor de «Várias Rimas ao Bom Jesus», «Rimas Várias- Flores do Lima» e «O Lima», exprimiu o seu sentir poético em éclogas, sonetos, cartas e canções, de sabor bem ao seu tempo- o do Homem do Renascimento.
Dele, que fora feito prisioneiro em Alcácer-Quibir, aonde acompanhara D. Sebastião, diz-se no Dicionário de Literatura:«A melancolia doce da paisagem minhota sentiu-a como poucos no seu tempo esse cantor dos rios. Poeta do Lima se lhe chama geralmente, porque, sendo natural e vivendo muito tempo na ribeira do Lima, cantou particularmente aquele rio.Mas não foi só o Lima.(...) O Tejo, o Douro, o Mondego, o Leça, o Vez...(...) O que porventura melhor distingue Bernardes é a melancolia vaga e doce, um pouco à Bernardim(...); a profunda religiosidade que o aproxima às vezes do poeta seu irmão Frei Agostinho da Cruz».
 

 

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publicado às 12:15

Para a Cristina

por Samuel de Paiva Pires, em 29.06.08
E com votos de bom fim de semana para todos:


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publicado às 04:41

Mais coincidências

por Cristina Ribeiro, em 28.06.08
Ontem, tarde já, ao ver num livro de pintura este quadro de Magritte, veio-me à ideia o muito lembrado e caríssimo Je Maintiendrai, pois que me lembrei de um post, sobre um anúncio do Martini, em que dizia que era para ele, porque merecia.
É que também eu pensei oferecer-me um concerto de violino, de preferência Bach, "porque merecia", e lembrei-me de que, algures na confusão de CDs tinha um Oistrakh- não me recordava quais eram, ao certo, os compositores que tocava-, mas já era tarde para o procurar e adiei a busca para esta manhã.

 
Hoje, ainda antes de iniciar a demanda, comecei a visitar os blogues de sempre, e foi grande a alegria quando vi que O Jansenista tinha a tocar um concerto para dois violinos, de Bach, sendo um dos executantes o mesmo Oistrakh; tanto mais, quanto vim depois a constatar que o meu não integrava Bach...
Pois, pensei, a blogosfera também pode ser um ponto de encontro de pensamentos.
 

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publicado às 23:35


A tentativa francesa de criação de um império colonial teve início no século XVI, quando uma expedição fundou a França Antártica (Rio de Janeiro, 1555) e mais tarde, a França Equinocial (Maranhão, 1612). A resposta portuguesa frustraria estes planos de estabelecimento na América e assim, a par das guerras pela hegemonia na Europa, os franceses foram conseguindo ao longo de todo o século XVII, fundar entrepostos comerciais na costa hindustânica e na zona compreendida entre a Birmânia e a China. Desta forma, os emissários de Luís XIV ganharam uma desmedida preponderância no Sião, até uma violenta reacção local eliminar quaisquer veleidades em transformar o reino numa colónia. Na Índia, o inicial ímpeto de conquista esboroou-se com a derrota na Guerra dos Sete Anos que conduziu à perda de todos os territórios no subcontinente - com a excepção daquilo a que Paris passou a designar de  comptoirs que se manteriam até à independência da U.I. em 1947 - e principalmente, à eliminação e conquista inglesa da importante colónia do Quebec. Desta forma, no primeiros momentos do império de Bonaparte, a França possuía uma presença residual nas Caraíbas e na costa indiana, além de alguns arquipélagos no Índico. Perdidas as ilusões de unificação europeia sob a égide do Grande Corso, a Restauração dos Bourbon procurou aproveitar o despertar do nacionalismo, encetando uma política de controle da margem sul do Mediterrâneo, onde pequenos Estados vagamente dependentes da Sublime Porta, exerciam sobretudo actividades corsárias, criando uma permanente perturbação e insegurança à navegação e comércio. O governo de Carlos X faz desembarcar uma expedição militar em solo argelino (Sidi-Ferruch, Junho de 1830), tomando Argel em Junho. Foi este o marco que deu início à edificação do importante conjunto territorial, espalhado por três continentes e que durante cerca de sete décadas foi conhecido como Império Colonial Francês.
 
A derrota do Império de Napoleão III frente aos contingentes alemães (1870-71), consistiu talvez, no principal factor do momentâneo reconhecimento da perda da luta pela hegemonia na Europa, consumadas as unificações da Itália (1860-70) e da Alemanha. Paris considera finalmente, a imperiosa necessidade de participar num sistema de alianças que garantisse a segurança face ao poderoso II Reich e contando com a contemporização de Bismarck - que pretendia afastar os franceses dos assuntos europeus -, reentra na cena política internacional, participando na partilha do mundo em esferas de influência. Nos finais do século XIX, a França contava já com uma posição preponderante no Magrebe (Argélia em 1830 e Tunísia em 1881) e iniciava a disputa pelo controle do império xerifino de Marrocos, situação esta resolvida com a Alemanha após o episódio de Agadir (1911).
 
A  subordinação da vasta zona semidesértica da África Central (década de 80) e a conquista da grande ilha de Madagáscar, avolumaram as tensões com os ingleses que viam chegar um inesperado concorrente à posse do vital e estratégico continente africano, quando já tinham ocorrido litígios devido à ocupação do VietnameLaos e Camboja (a Indochina Francesa). Paralelamente à política expansionista ditada pelos interesses económicos e pela situação de impasse criada na Europa, as derradeiras décadas de oitocentos assistiram à proliferação de numerosas sociedades de exploração de territórios que baseando-se formalmente no desejo de alargamento científico de conhecimento do planeta, estabeleciam também as suas actividades, em alegadas intenções civilizacionais e de conversão religiosa.  Deste modo, os debates entre potências europeias, passaram a centrar-se sobre reivindicações territoriais fora do continente, onde a França conseguiu a colaboração de Bismarck, o incontestável condutor da política de equilíbrio continental. A doutrina do Chanceler de Ferro indicava a Europa como centro do poder mundial e assim, esta secundarização da luta pela obtenção de colónias, condenou os alemães à posse de territórios de escasso valor económico (CamarõesTogolândiaSudoeste Africano e o arquipélago das Marianas, no Pacífico). Apenas o Tanganica (com o Ruanda e o Burundi) possuía alguma relevância, mas encontrava-se delimitado pelos portugueses (Moçambique), belgas (Congo) e ingleses (Quénia e Uganda). O Congresso de Berlim (1878) estabelecera os novos parâmetros necessários para o reconhecimento da soberania, implicando a efectiva delimitação, ocupação e reconhecimento internacional dos territórios reivindicados. 
 
Ao longo de duas décadas, os franceses foram avançando e submetendo os territórios que do Senegal e em direcção a leste, vão abrindo o caminho em direcção ao Alto Nilo, o que inevitavelmente unificaria todas as possessões coloniais situadas entre o Atlântico e o Mar Vermelho (Djibuti). Este movimento forçaria a intersecção com os ingleses que estabelecidos no Egipto, iniciavam a penetração em direcção à África Central, subindo o curso do Nilo. Sendo o Egipto um Estado formalmente independente mas incluído na esfera de influência do Império Britânico, o Sudão surgia como um território fulcro dessa expansão em direcção ao Lago Vitória, pretendendo Londres unificar toda a zona compreendida entre o delta (Alexandria) e o Tanganica alemão (EgiptoSudãoQuénia eUganda). O conflito com as repúblicas boéres na África do Sul, colocou os britânicos numa situação de possível conflito com as outras grandes potências europeias com quem tinha disputas territoriais. Assim, os interesses ingleses colidiam com a Rússia no Afeganistão e com a FrançaPortugal e Alemanha em África. Resolvida a questão portuguesa com o Ultimatum de 1890 - ditando o reconhecimento da posse britânica das Rodésias e do Niassalândia -, o principal obstáculo à política de criação de um eixo entre o Cabo e o Cairo, tornava-se assim, nas expedições enviadas pela França ás zonas limítrofes do Alto Nilo.
 
Em 1895, o jovem capitão Marchand concebe o plano de atravessar a África , com o fim de instalar a presença francesa na região do Alto Nilo, impedindo os ingleses de realizar o sonho britânico da ligação do seu domínio sul-africano, ao protectorado egípcio. Em França, existia uma opinião discordante da política prosseguida e que tinha conduzido ao domínio do Egipto por Londres. Desde os tempos da campanha de Napoleão, a terra dos faraós era considerada por muitos, como uma parte importante da política externa francesa e a abertura do Canal de Suez por Lesseps, mais enraizou a certeza de um infalível resvalar do país para a órbita do império colonial francês. No entanto, em 1882 os ingleses instalam-se formalmente no Egipto e iniciam a subida do Nilo em direcção a sul, deparando com grandes dificuldades criadas por um auto-proclamado profeta iluminado, conhecido pelo Mahdi, que conseguiria derrotar expedições britânicas, matar o general Gordon, capturar Cartum (1885) e estender a insurreição a todo o vale do Nilo, ameaçando arruinar o Egipto, desviando as suas águas. A França  decide aproveitar a situação e o comissário-geral no CongoSavorgnan Brazza,  encarregou Liotard da conquista de todos os territórios a este de Ubangui, abrindo o Nilo à ocupação francesa. O chefe do governo britânico, lord Salisbury, convoca então o representante francês em Londres, informando-o da decisão inglesa em conquistar o Sudão, obrigando Paris a reagir e a organizar rapidamente uma expedição que teria Fachoda como destino. Em 1896 Marchand desembarca no Congo francês e após um inegável esforço moral e físico, consegue chegar ao Alto Nilo em 1898, vencendo todo o tipo de adversidades, numa epopeia que exaltou os sectores ardentemente nacionalistas, que numa França que vivera as incertezas populistas do Boulangismo e que se encontrava mergulhada no caso Dreyfus, tinha uma imperiosa necessidade de galvanizar as massas, unificando-as em torno do instável regime da III república. Em 10 de Julho de 1898, a expedição Marchand chega a Fachoda, após uma penosa marcha de 5000 quilómetros. O capitão toma posse da localidade em 12 de Julho, declarando-a território francês e hasteando a tricolor junto nas margens do Nilo. Ordenou que fosse construído um forte e procurou que o chefe da tribo local dos Chiluques assinasse um tratado de reconhecimento da soberania francesa. Em plena crise mahdista, o entreposto foi atacado em 25 de Agosto, conseguindo os franceses repelir a investida. Quatro dias depois, impressionado pela derrota infligida aos mahdistas, o sultão chiluque coloca formalmente o seu povo sob a protecção francesa. A conquista do Alto Nilo parecia um facto consumado, delirantemente celebrado em toda a França. Não se tratava de uma mera reivindicação como aquela anunciada pelos portugueses com o Mapa Cor de Rosa, mas de uma efectiva exploração, conquista e proclamação de soberania.
 
Em 19 de Setembro, Marchand recebe uma carta de Herbert Kitchener, anunciando-lhe a decisiva vitória inglesa em Omdurman, a prisão do emir Said Sagheir e a liquidação do poder derviche no Sudão, escapando o Mahdi, abandonado pelos seus partidários. Nesse mesmo dia, surge o navio que conduzia o general inglês, acompanhado por  quatro canhoneiras que rebocavam barcaças carregadas com 2000 soldados e cinquenta peças de artilharia. Kitchener declara que a presença de Marchand em terras pertencentes ao Quediva do Egipto, pode acarretar uma guerra entre a França e a Inglaterra, mas o capitão francês responde ter ordens do governo para ali se manter
Num momento em que a perturbação política leva à sucessiva mudança de governos em Paris, torna-se improvável uma firme resposta francesa, pelo que Kitchener decide aguardar os acontecimentos, evitando o conflito imediato e dando oportunidade às consequentes manobras diplomáticas.  Limita-se então a declarar o bloqueio  da guarnição francesa, interditando o acesso  de munições e armas. Dependente da opinião pública, o governo francês condecora Marchand em 9 de Outubro, promove-o a major, ao mesmo tempo  que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Delcassé, já perdera todas as esperanças na resolução do conflito a favor dos interesses da França, pois a  presença de Marchand em Fachoda, significava claramente a guerra com a Inglaterra.  O enviado do major, o capitão Baratier, tentou contactar os "patriotas" e promover uma campanha de fervor nacionalista, conseguindo as assinaturas de cem deputados, para uma petição que repudiava o recuo do governo.  Naquele preciso momento, os ânimos estavam exaltados ao rubro em ambos os lados da Mancha e o Chanceler do Tesouro, Sir Michael Hicks, chega a declarar que ..." seria uma calamidade que depois de uma paz de oitenta anos, nos envolvêssemos numa grande guerra. Mas há males piores que a guerra". Na verdade,  os patriotas que empunhavam a tricolor nas praças, julgavam que a simples manifestação de repúdio levaria a Inglaterra a contemporizar. Assim, o predecessor de Delcassé, dizia que ..."a este povo repugna o sacrifício. Uma só palavra de guerra ou conflito assusta-o. Quer, sem riscos, ser o primeiro em tudo". Simultaneamente, o presidente Félix Faure escrevia: "temos actuados como doidos em África, arrastados por esses irrrsponsáveis que se chamam os coloniais". As febris consultas às restantes grandes potências, demonstram à evidência, o isolamento da França, esquivando-se a Rússia e a Tríplice Aliança (AlemanhaÁustria-Hungria e Itália) à possibilidade de um conflito com a Grã-Bretanha, a incontestável senhora dos mares.
 
Enquanto isso, a rainha Vitória - tal como fizera em 1890 quando do Ultimatum Portugal - declara aos seus ministros que  ..."a guerra não é concebível por um pequeno motivo. Os franceses foram apanhados num terrível beco sem saída. É preciso ajudá-los a sair dele".
A consequência da firmeza britânica, impeliu o governo francês a invocar um mero pretexto - pouco convincente para a opinião pública - de ordem sanitária, para a retirada da missão Marchand. Urgia repatriar a expedição e assim, Delcassé anuncia em 3 de Novembro: "em presença do estado sanitário da missão Marchand, o governo acaba de decidir que abandonará Fachoda". Poucas semanas decorridas, a bandeira francesa era definitivamente arriada no Nilo.
 
O que torna este episódio relevante para os portugueses, é o facto de uma considerada grande potência - a França, possuidora do segundo exército e da ainda segunda marinha do mundo e modelo de todas as "virtudes republicanas" almejadas pelos seus seguidores do p.r.p. -, ter cedido sem combate. Imitando as manifestações de oito anos antes nas ruas de LisboaParis indignou-se, mas cedeu. A única diferença, consiste no simples facto de Fachoda ter cumprido todos os requisitos exigidos pelo Congresso de Berlim. Território explorado, ocupado e formalmente anexado, parecia inevitável a sua posse pela França. Na realidade, o Ultimatum britânico a Paris, foi infinitamente mais humilhante que aquele enviado a Lisboa. No entanto, a grande lição a tirar do episódio, consiste na ausência de um total aproveitamento populista pelos minoritários partidários da destruição do regime. Em Portugal vingou a demagogia que seria aliás, apanágio e razão de ser da república de 1910.

 

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publicado às 22:13

Hoje é véspera do dia

por Cristina Ribeiro, em 28.06.08
de São Pedro, o terceiro dos Santos Populares, e o que se festeja na vila que me é geograficamente próxima, e onde nasci.
Dos dez/onze anos até ao fim da adolescência, não falhei uma única noitada- muito mais calma, sem martelos de plástico, nunca fui calcada como daquela vez quando fui ao São João de Braga.
Nessa altura, como gostava de andar no carrossel e nos "carrinhos eléctricos"...

E se é certo que o Santo não tem a fama de "casamenteiro", que é a de Santo Antóonio, nem a de "advogado do amor", de São João, patrocinou o namoro dos meus pais: foi só o tempo para o meu pai pedir à minha avó materna que deixasse "a rapariga ir divertir-se".
Deixaram a festa já namorados...

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publicado às 20:17

De facto, como escreve o João Villalobos, não se pode brincar com a segurança do PM, ainda assim, não posso deixar de achar uma certa ironia, não tanto porque seja uma eventual tentativa falhada de ter um assassinato à la Kennedy, longe de o ser, à partida, pelo ridículo da própria situação, mas porque com a crescente instabilidade social (que há uns meses uns senhores já vinham adivinhando), parece que estamos a regressar ao tempo em que o factor rua dominava a política nacional. Ah esse maravilhoso povo de brandos costumes...

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publicado às 17:53

Ainda os feminismos

por Samuel de Paiva Pires, em 28.06.08
É evidente que não há nada de mal em acreditar numa causa, e lutar por ela, tentando cativar a sociedade. Mas quando nos queremos servir do estado para nos impôr a todos, porque por nós próprios não temos sucesso, estamos a caminhar para a servidão.

Se damos poder ao estado para impôr quotas em listas eleitorais, impôr quotas em empresas ou fixar salários arbitrariamente ou de acordo com a agenda de um determinado grupo, como garantimos que ele pára aí? E porque diabo há de ser essa visão de sociedade melhor que a actual ou melhor que a de outro lóbi qualquer?


Michael Seufert in O Insurgente

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publicado às 17:45

Plenamente de acordo

por Samuel de Paiva Pires, em 28.06.08
Se, numa sociedade, os melhores de entre os melhores abdicam de liderar, não resta ninguém para o fazer. Todos os outros já estão há muito tempo do lado dos que protestam, dos que esperam que alguém, lá em cima, no topo da hierarquia, faça alguma coisa. Se as elites não estudam os problemas, não criam as soluções e não lideram a mudança, mais ninguém o poderá fazer. Um país em que as elites protestam, reivindicam, pedincham, exigem, vai ser liderado por quem? Se todos pedem, quem dá? Se os melhores entre os melhores não assumem a responsabilidade pelo seu destino, se esperam que alguém lá no topo os dirija e lhes resolva os problemas, quem é que devemos colocar no topo?

Tenho plena consciência de que esta crónica é incompreensível. Fala de duas ideias estranhas. Fala de elites e da responsabilização das elites. O membro de uma elite é alguém que, pelas suas qualidades, se eleva acima dos outros. Numa democracia, a elite é inaceitável. Somos todos iguais. Protestamos todos, em igualdade. A ideia da responsabilização das elites é ainda mais estranha. Ninguém quer responsabilidades. Todos exigem direitos.

João Miranda in DN - O estado das Elites

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publicado às 17:38

Tão bonitos que eles são

por Samuel de Paiva Pires, em 28.06.08

"Unity is not only a beautiful place - it's a wonderful feeling, isn't it?" Clinton said. "I know what we start here in this field of unity will end on the steps of the Capitol when Barack Obama takes the oath of office."

Obama and Clinton strode onto an outdoor stage here, arm in arm, waving to a friendly crowd. Their messages complemented one another, as did his blue tie and her blue pantsuit.

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publicado às 17:31

Só porque faz um desenho bonito,

por Cristina Ribeiro, em 27.06.08

é que esta Eva a colher o fruto proibido aparece no livro antigo que hoje encontrei.
 

Não pode ter ligação nenhuma com este título recente,,,

 

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publicado às 21:23

Coisas realmente importantes por esta altura

por Samuel de Paiva Pires, em 26.06.08
Do estudo de Direito Internacional Público, o que mais gostei foi aprender termos em latim que se prestam a impressionar qualquer miúda: res nullius, res communis, actio popularis, ius cogens, sua sponte, ex aequo et bono, erga omnes, ipso facto, restitio in integrum...ou então não... vou mas é ler tudo outra vez!

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publicado às 23:38

Mas também oiço Vinícius de Moraes

por Cristina Ribeiro, em 26.06.08

"Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não"

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publicado às 21:51

Ouvindo Tom Jobim e Charles Aznavour.

por Cristina Ribeiro, em 26.06.08

«Porque o amor é a coisa mais triste, quando se desfaz»
 

«...au temps des amours mortes»

 

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publicado às 19:06

Parabéns, Fontela!

por Nuno Castelo-Branco, em 26.06.08

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publicado às 18:15

Coincidências

por Pedro Fontela, em 26.06.08
Hoje além de ser o dia que celebro o meu aniversário é também a data que se recorda a morte do Imperador Romano Juliano – faz hoje 1645 anos. Como me parece uma grande personagem da nossa história Ocidental prefiro usar este espaço para o relembrar.

Favius Claudius Iulianus nasce em Junho de 322 E.C. em Constantinopla, filho do meio irmão do Imperador Constantino (o mesmo que insidiosamente inseriu o Cristianismo no coração do Império) nunca se pensou que a púrpura imperial estivesse no seu destino, mas dadas as reviravoltas da política bizantina só o facto de ter sangue de tal família tornava esse facto uma possibilidade não desconsiderável. Em 337 E.C. Constâncio II (filho de Constantino e um Cristão Ariano devoto) lidera o massacre da família de Juliano num esforço de eliminar rivais à sucessão. Depois de assassinar todos os elementos masculinos de idade da família Constâncio manda prender Juliano e o seu irmão Gallus que são assim educados segundo o Cristianismo Ariano que mais tarde viria a rejeitar em beneficio do paganismo helénico com grandes influências neo-platónicas (mais correctamente era teurgia). Acabou por ser nomeado César do Ocidente em 355 E.C. (no sistema da tetrarquia em vigor na altura existiam dois governantes imperiais seniores, os Augustos, e dois Juniores, os Césares) devido aos conflitos com os persas que necessitavam da atenção Imperial e a sua carreira foi de tal forma fulgurante que ao fim de poucos anos Constâncio já planeava uma forma de ser ver livre dele. Sabia que as tropas Ocidentais eram leiais a Juliano (quanto mais não fosse porque antes tinham sido exploradas e abusadas e Juliano tinha restaurado a sua eficiência e orgulho) e como tal tentou afastá-las to caminho emitindo um édito requisitando as suas tropas para a frente oriental. As tropas revoltaram-se e em Fevereiro de 360 proclamaram Juliano Imperador em Paris. Antes que tudo pudesse passar a uma guerra civil Constâncio II teve a decência de morrer e nomear Juliano como herdeiro no seu testamento.

Ao subir ao trono Juliano rescindiu a tetrarquia de Dioclesiano instaurando um sistema imperial unificado, restaurou a liberdade religiosa quer para pagãos (ao reabrir os templos fechados pelos Cristãos) quer para Cristãos (permitindo que as vozes dissidentes pudessem regressar sem medo do exílio), restaurou a autonomia cívica (permitindo maior liberdade de acção às cidades), restaurou a credibilidade do poder imperial (todo o séquito acumulado pelos imperadores que o precederam em Constantinopla foi dispensado e as a administração voltou a estar nas mãos de um Imperador em vez de eunucos), proporcionou justiça para os que tinha sido abusados (obrigou a Igreja a indemnizar os cultos e templos pagãos que tinham sido destruídos ou que tinham visto a sua propriedade confiscada) e finalmente ele próprio se assumiu com pagão agora que não temia a retribuição da facção Cristã na capital. O seu reinado começou com os melhores presságios, esperava-se um novo Marco Aurélio, uma época de ouro e assim poderia ter sido se pouco depois da sua ascensão não tivesse liderado pessoalmente um expedição desastrosa contra o Império Persa sendo que a 26 de Junho de 363 E.C. morreu vítima de uma lança. Após este triste incidente Joviano, um soldado, foi eleito Imperador e eventualmente iria restaurar as brutais políticas cristãs que tinham sido prática corrente antes de Juliano.
Foi um breve reinado mas cheio de esperança. Para todos os que ambicionavam a reforma do Império, a estabilidade, a Justiça e o retorno ao clássico foi um período de promessas, de um futuro de ouro que estava ao seu alcance se tivessem tempo de o implementar. Não tiveram. Juliano seria o último imperador a dinamizar o Ocidente, o último a reinar como pagão, o último rei-filósofo, o último Imperador a ser iniciado nos mistérios de Elêusis. Foi-lhe dado o cognome de “o apóstata” mas teria sido mais apropriado ser considerado “o restaurador”.

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publicado às 14:52

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