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publicado às 23:52

Férias (1)

por Cristina Ribeiro, em 31.07.08

A partir dos dezassete, e durante alguns anos, passei todos os meses de Agosto numa quinta em Valença do Minho.

As manhãs, por vezes, eram passadas na praia de Moledo, reservando as tardes para passeios pelos arredores, leituras e banhos na piscina.

Fim de tarde, começo da noite, rumávamos a Tui, onde, naquelas noites de temperaturas bem agradáveis, jantávamos ao ar livre num restaurante/tasca bem aprazível.

 

                        Mas ocasiões houve, em que, juntamente com as irmãs e alguma amiga, saíamos da pequena mas muito acolhedora estação de comboio da vila, de manhã bem cedo, com o farnel preparado na véspera, e íamos até Caminha, Monção ou Ponte da Barca.

Foi a altura de conhecermos o Alto Minho com o vagar e a atenção que ele merece.

 

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publicado às 19:24

A Panzerdivision nacional ( e socialista...)

por Nuno Castelo-Branco, em 31.07.08

 

Está prevista para os próximos meses, a chegada dos novos tanques do exército. Chegam discretamente e a compra correspondeu à necessidade do habitual "faz de conta" do sector político que "nunca"  dispende verbas com militarismos ultrapassados. No entanto, compram e do melhor. Desta vez, parece que as FA optaram pela nacionalidade de um certo tipo de equipamento, que melhores provas deu nos campos de batalha. Sucessor dos velhos Tigre da II Guerra Mundial,  o Leopardo 2A6  faz importante figura nas paradas e no campo de operações. Não existe rival que se lhe superiorize e pela primeira vez, a panzerwaffe fornece blindados a Portugal. Apenas 37 unidades, um número modestíssimo, mas suficiente para a manutenção da operacionalidade deste ramo do exército, uma vez que não se conhece qualquer ameaça directa de invasão do território português.

 

Durante umas décadas, os 10 de Junho contarão com a presença destes Leopardos, sem que súbitas avarias transtornem aquele cerimonial, tão oportuna, correcta e  políticamente julgado como maçada militarista. El Dia de la Bandera em Madrid é decerto mais apetecível para algumas das nossas patrióticas autoridades. Mas aqui fica a novidade.

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publicado às 18:11

oiço na rádio que faz anos que , num acidente de aviação, sobre o Mediterrâneo, morreu Antoine de Saint -Exupéry.

São célebres os diálogos do seu livro mais conhecido, «O Príncipezinho», mas todos nós guardamos o que o pequeno visitante do nosso planeta manteve com a raposa

«-Que quer dizer cativar? - É uma coisa muito esquecida. Significa  "criar laços" (...) Os homens compram tudo prontinho na loja, mas como não existem lojas de amigos...».

 

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publicado às 10:19

Lisboa e Moscovo, analogias...

por Nuno Castelo-Branco, em 31.07.08
Os portugueses são masoquistas e insistem. Esta é a visão que os russos têm da entrada de Bonaparte em Moscovo e a sua frustração por não ter encontrado o que esperava, isto é, um czar suplicante. Teve a felicidade de capturar os soberanos de Espanha, Prússia, Holanda, Dinamarca e teve o kaiser nas mãos. Em Portugal, sabemos o que aconteceu. Mais palavras para quê?

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publicado às 02:16

Ao cuidado do Pedro

por Samuel de Paiva Pires, em 31.07.08

Pedro, Pedro, ora vamos lá a isto então, depois de finalmente te teres revelado e confirmado as minhas expectativas com o comentário que fiz.

 

Para começar, não sei onde foste buscar essa do "nível", mas de certeza que não estamos no mesmo. É que eu fui bem educado e a minha mãezinha habituou-me a gostar de chá, o que parece não ter acontecido contigo (o seres bem educado, não a minha mãezinha habituar-te a  gostar de chá pois se fosses filho da minha mãezinha levavas 2 tabefes nas fuças para aprenderes a deixares-te de merdas e a comportares-te como um menino bonito - e ai sim já estaríamos ao mesmo "nível" viu?), o que demonstraste mais uma vez, desta feita para com o Carlos Miguel Fernandes, sem contar com os vários comentários que foste fazendo ao longo dos últimos meses a determinados posts meus, na senda das já lendárias tiradas à Fontela na blogosfera (por exemplo aqui ou ali), de onde destaco ainda a tua entrada logo a matar na primeira vez que interagiste com a minha pessoa, já a demonstrar o teu tão elevado carácter.

 

Continuando, gosto imenso do teu elogio irónico - "colega com um trato tão distinto e delicado" - logo seguido da tua própria vitimização que só peca por falta de originalidade em termos discursivos. Se necessitares de um ombro amigo entretanto não hesites em avisar-me se amuares "num canto escuro sozinho". Realmente quando usamos as mesmas técnicas dos outros, o chamado feitiço virar-se contra o feiticeiro, é chato não é? Não eras tu que ainda há tempos me dizias que gostavas de combater o fogo com fogo? 

 

Subindo agora um bocadinho o "nível", vou apenas evidenciar como certa esquerda alegadamente idealista, defensora dos frascos e comprimidos ou fracos e oprimidos ou lá o que é, que prima pela visão de que todos os outros são os "maus" e só eles é que sabem como as coisas devem ser feitas, sendo que uma das suas habituais crenças é na igualdade e na luta contra o elitismo, não se imiscui de se achar na superioridade moral de corrigir os outros de quem discorda, e isto apenas com palavras tuas: "Apesar de não ser um especialista na maioria dos temas que abordo não estou na estaca 0 e não tenho razão para me colocar ao nível da completa ignorância ao deixar passar erros (mal intencionados ou honestos) grosseiros."

 

Pedro já te ocorreu por acaso que as outras pessoas poderão só assim porventura não partilhar das tuas interpretações das coisas, da História, da Filosofia e da Teoria Política ou seja lá o que for?

 

Para alguém que se afirma tão liberal e que acusa todos os proclamados liberais da blogosfera de nem sequer saberem o que é o liberalismo não te fazia mal leres um dos pais desse, John Locke e as suas Cartas Sobre a Tolerância. Não se trata de relativismo moral, trata-se de saber aceitar as opiniões dos outros, algo por que sempre me pautei, ao contrário da tua pessoa que parte sem qualquer pejo para ataques pessoais na sua forma mais reles. Mas já agora, eu sou adepto do relativismo, e daí? Por ser de direita não posso ser relativista? Fico esclarecido com tal padronização e tabelização de características que tanta gente tende a fazer. Lá está, afinal sempre tenho razão quando há tempos dizia o que o Professor Jaime Nogueira Pinto estatui quanto à técnica da amálgama da esquerda: Hitler = Nazismo = Fascismo = Ditadura = Direita = Salazar = Thatcher = Cavaco = Barroso = Portas etc.

 

É por isso que eu gosto de ser monárquico, de direita, liberal, conservador, salazarista, democrata, defensor da moral e dos bons costumes e simultaneamente relativista. Ficaste confuso? Secalhar sou só eu que sou politicamente esquizófrenico. Para a esquerda é tudo muito mais fácil e simplista não é?

 

Quanto ao levar as coisas demasiado a sério, Pedro, isto é a blogosfera, ninguém aqui está interessado em descobrir  "a verdade" a ler blogs. Se tal vai contra aquilo que achas que deveria ser a blogosfera lamento por ti, mas gostaria apenas de dizer-te que não ando aqui só a matar o tempo com lugares comuns como parece que é a tua opinião sobre a minha pessoa, simplesmente encaro os blogs como algo que deve ser interessante mas descontraído e com alguma piada à mistura. Relativamente a levar realmente a sério o meu trabalho no campo político, deixo isso para as diversas associações em que estou envolvido e para a universidade, já me basta dar uma média de 15 a 20 páginas A4 para cada professor ler em cada frequência/exame meu sem contar com trabalhos. Mas gosto que tu te coloques num patamar mais elevado e que te sacrifiques por todos aqueles que não levam as coisas tão a sério visto que"há sempre um preço a pagar pela preguiça de pensar e de agir e para alguns é mais alto que para outros."

 

Ainda sobre a tua resposta, uma nota sobre esta maravilhosa frase: "dá um pouco mais de trabalho escrever coisas que as pessoas não querem ler porque vai contra as suas crenças mais profundas". Diz o roto ao nu porque não te vestes tu?

 

Pedro um dia talvez te apercebas que a forma é muitas vezes mais importante do que a substância e talvez então aprendas a polir a tua forma para que dêem importância à tua substância.

 

Já agora, como decerto compreenderás, tendo em conta que ataques pessoais, tal como te disse da primeira vez que interagimos, não fazem parte da minha forma de ser e estar na vida, e tendo em consideração que ainda sou o fundador do blog, arrogo-me naturalmente o direito de te "convidar a sair", como perceberás se olhares para a coluna da direita. Os teus amigos franceses é que percebem desse tipo de convites, davam até bastante uso a um instrumento engraçadíssimo durante a revolução:

 

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publicado às 00:47

Para as férias da Cristina

por Nuno Castelo-Branco, em 30.07.08

 

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publicado às 22:32

Quando a dezassete de Julho

por Cristina Ribeiro, em 30.07.08

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

de 1843, e depois de ter citado Maistre, Garret entrou num vapor com destino a Santarém, estava a escrever as primeiras páginas de um livro que, muitos e muitos anos depois, me iria atrair a atenção, não tanto pelas digressões várias que aí se narram, mas porque queria saber da história da menina dos rouxinóis.

Com efeito, da primeira vez que contactei com «Viagens na Minha Terra», teria, talvez,  doze anos, apenas me cativou o romance de Carlos e Joaninha; só mais tarde, com o livro a integrar as leituras previstas no programa da disciplina de português, me debruçaria interessadamente sobre tudo o mais que o escritor tinha para dizer, e foi muito fácil, então, perder-me entre aquelas divagações...

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publicado às 20:39

Ao cuidado do Samuel

por Pedro Fontela, em 30.07.08

Samuel, Samuel… se dissesse que não vi este “confronto” a léguas de distância estaria a mentir. Mas cá estamos nós e independentemente das circunstâncias vamos ver se pomos os pontos nos is. Responder a tanta acusação junta torna-se complicado, ainda mais complicado quando se trata de um colega com um trato tão distinto e delicado – que no entanto conseguiu chegar ao ponto que eu nunca cheguei, sem tocar no assunto em questão disparou n acusações ultra pessoais de falhas de carácter, é caso para dizer que quem tem “nível” é outra coisa. Realmente não sei se correspondo ao teu (e de muita gente) ideal da pessoa modesta e sinceramente não quero saber se o faço. Apesar de não ser um especialista na maioria dos temas que abordo não estou na estaca 0 e não tenho razão para me colocar ao nível da completa ignorância ao deixar passar erros (mal intencionados ou honestos) grosseiros.  Depois também estou consciente que o padrão usual da boa educação cá no burgo é algo pelo qual eu felizmente não dependo e com boas razões para tal: se não gosto de alguém torno isso claro em vez de andar com rodeios e hipocrisia; não faço favores a tipos “porreiros” nem a” amigalhaços” e isso irrita muita gente; não defendo erros de outras pessoas por muito próximas que me sejam; não bajulo ninguém só porque estão numa posição de ser úteis em qualquer aspecto e ainda por cima tenho a mania de uma coisa chamada meritocracia, parvoíce minha por certo. Em geral considero o não corresponder ao standard típico da boa educação portuguesa uma grande virtude moral minha (qualquer leitor que sinta o seu nacionalismo ofendido pode amuar num canto escuro sozinho porque eu não quero saber).

 
Sabes porque levo as coisas a sério Samuel? Porque não estou só a matar tempo com o trabalho que desenvolvo no campo político. Isto não é apenas uma conversa sem consequências, especulação para intelectuais aborrecidos e desocupados enquanto bebem uns copos. É algo mais sério, ou pelo menos deveria ser. Trata-se de pensar sobre temas que nos afectam a todos de forma profunda quer se admita ou não e ao contrário da maioria das pessoas não me posso dar ao luxo de ser ignorante e apático. Há sempre um preço a pagar pela preguiça de pensar e de agir e para alguns é mais alto que para outros. Não posso deixar de achar divertido que alguém ligado à direita venha exigir um relativismo moral para defender a dignidade das suas opiniões – se a ironia matasse alguém tinha caído redondo no seu teclado.
 

Por fim agradeço profundamente a preocupação com os meus níveis de energia. Realmente dá um pouco mais de trabalho escrever coisas que as pessoas não querem ler porque vai contra as suas crenças mais profundas mas do que simplesmente pregar um enorme conjunto de lugares comuns socialmente bem aceites mas se quisesse ouvir aplausos de um público trabalharia como actor para ao fim de cada discurso sentir a aprovação da multidão. Além disso não é o mundo que me irrita Samuel, só parte dele. A parte que tende para o conservadorismo autoritário que tanto abomino e que tanto se arroga em vítima.  

 

 

Cumprimentos com a maior falta de educação possível e sem chá absolutamente nenhum,
Pedro Fontela

 

 

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publicado às 20:07

A onda do revisionismo

por Pedro Fontela, em 30.07.08

Desde os anos 80 onde os conservadores ocidentais conseguiram as suas primeiras vitórias políticas significativas depois da geração de 60 tem havido uma onda revisionista no que toca a analisar a história dos diferentes movimentos revolucionários e progressistas que tem tentado dar um certo spin aos eventos mundiais – a revolução francesa passou a ser inteiramente negativa (ou de mérito marginal), a inglesa passou a ter um mero carácter económico, os regimes ditatoriais Ibéricos passaram a ser positivos, etc.

 

 
Isto reflecte essencialmente uma óbvia reacção contra as mudanças radicais pós-segunda guerra mundial. Acusando, por exemplo, o estado social de ser uma abominação esquecendo-se que foi para compensar o comum dos mortais pelo trauma e sofrimento de travar as guerras dinásticas das muy conservadoras linhas reais e imperiais europeias que se resolveu subornar as “underclasses” com a figura da protecção social na maior parte dos países europeus. A linha foi retomada pelos americanos aquando do fim da União Soviética sendo o fim da política anunciado e depois revogado pela mesma corrente política 10 anos depois quando o inevitável aconteceu e o mundo não passou a ser uma mega empresa simplesmente a ser gerida.
 
Neste momento parecemos estar na fase crítica de lavar os nomes mais problemáticos do século passado. Se era um tirano conservador venha daí um bom artigo numa qualquer publicação pseudo liberal defendendo as suas virtudes e o seu empenho no mundo livre – o contra argumento previsível a este ponto é que os comunistas deste mundo (os que não se converteram ao mercado como a maioria dos estimáveis representantes conservadores) glorificam tiranos como Estaline sendo que os ídolos conservadores fizeram muito menos estrago; a isto eu só tenho a dizer que se querem ficar nesse nível então óptimo vão “brincar” com os comunistas e deixem as pessoas sérias em paz.
 
Para quem quer ser um cidadão responsável urge fazer um estudo sério e individual da história do país e do mundo para não ser enrolado nestas euforias artificiais promovidas por grupos de interesses muito peculiares que lançaram estas campanhas de propaganda incansáveis. A não termos um certo cuidado qualquer dia vamos acordar ao som de um discurso de tv de um qualquer badameco autoritário com bandeirinhas de Salazar e Caetano  ao seu lado a expor as virtudes da religião e da pátria e a justiça da superioridade das elites económicas – um verdadeiro ancien regime restaurado com uns pozinhos de economicismo.

 

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publicado às 11:38

Para ler

por Nuno Castelo-Branco, em 30.07.08

 O Terror estava infuso no movimento e manifestou-se desde a tarde de 14 de Julho, quando o "agit-prop" irrompeu pela Bastilha e degolou, com requintes de Talibã, o seu governador.

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publicado às 01:50

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publicado às 01:56

Sabiamente hilariante!

por Nuno Castelo-Branco, em 28.07.08

 

 Mas está ficando politicamento correto, suspeito eu que por motivos incorretíssimos, abraçar a tese da invasão do Brasil. "Nós fomos invadidos, fomos invadidos",

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publicado às 23:33

 

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publicado às 23:04

Um blog a não perder. Lisboa precisa!

por Nuno Castelo-Branco, em 28.07.08

 http://lisboasos.blogspot.com/

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publicado às 22:50

A não perder!

por Nuno Castelo-Branco, em 28.07.08

 

 O projecto napoleónico para Portugal era claro. Queriam, como fizeram com Veneza, acabar com este "fenómeno", oferecer à Espanha parte do território e inventar um Reino da Lusitânia, que iria ter às mãos de um dos generalecos ou centuriado entre a parentela do Corso. Mas as contas saíram-lhes trocadas. Ao chegarem a Lisboa, viram, ao fundo, a frota anglo-portuguesa rumando a toda a brida para o Brasil.

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publicado às 20:56

O interesse nacional e os ditadores do momento.

por Nuno Castelo-Branco, em 28.07.08

Portugal parece ter despertado de uma longa e ruinosa letargia de mais de duas décadas e o governo tem recentemente mostrado um inusitado afã na promoção das empresas portuguesas no além-mar. Desde o fim do Império, o país habituou-se à miragem de uma Europa pródiga em dinheiros e possibilidades de enriquecimento fácil. A miragem era afinal nada mais que isso mesmo, esgotadas as ilusões de uma caminhada triunfal em direcção a um almejado Estado à imagem das "ominosas monarquias" do norte europeu, sempiterno modelo a seguir pelos iniciados nas coisas da política económico-social do defunto século XX.

 

A decepção avoluma-se há mais de uma década. O país não assistiu ao verdadeiro arranque dos prometidos "Silicon Valley" do extremo oeste peninsular. Portugal debalde esperou pela terminal-central de contentores que veria desembarcar as riquezas da infrene indústria de consumo chinesa. Fecharam fábricas de automóveis e de químicos. Liquidaram-se empresas vidreiras da época do despotismo esclarecido do josefismo-pombalino. O comércio com o antigo Ultramar estiolou numa exasperante inércia e as delegações do ICEP confirmaram aquilo o que delas sempre pensaram os portugueses interessados, isto é, a existência pela necessidade da presença meramente formal.

 

O regime encontrou uma fugaz válvula de escape no mercado espanhol, hipotecando a solvência do país à esperada constante do crescimento económico e financeiro do reino vizinho. Portugal encontra-se hoje mais dependente de uma só nação estrangeira, como jamais se verificou na sua história secular, nem mesmo quando dos piores momentos de ligação à Grã-Bretanha. É a verdade, simples, dura, implacável. 

 

Sócrates parece ter finalmente compreendido o dilema que desde sempre se colocou à simples existência de Portugal como Estado soberano, mesmo que essa soberania tenha que ser hoje encarada de uma forma distinta daquela a que a História nos habituou. A verdade é que a Europa existe por causa da visível sobrevivência das suas nações e dos seus Estados. É uma realidade indesmentivel e que tenderá - ao contrário daquilo que os arautos do federalismo procuraram fazer atroar de leste para oeste e de norte para sul - a vincar-se ao longo dos próximos anos. Os interesses são díspares e não é inimaginável concluir a divergência de interesses entre os componentes do chamado núcleo duro de "grandes potências" do tacitamente aceite Directório da UE.

 

As visitas governamentais e empresariais ao Brasil, Venezuela e Angola, incluem-se nessa frenética procura de salvação daquilo que realmente importa. Os investimentos em Espanha ou noutros países parceiros da União são decerto importantes, mas irrelevantes, se comparados com as economias em constante crescimento e potencialmente riquíssimas em termos de fornecimento de matérias primas e possibilidades de fixação de produtos portugueses. Os argumentos de índole meramente política e sentimental e ao sabor dos media de ocasião - os ditadores, a plutocracia reinante na China ou Angola, por exemplo -, são pertinentes, mas completamente irrelevantes em termos de solubilidade dessas próprias questões. Portugal, nada pode fazer, no que que respeita a uma intervenção nos assuntos internos daqueles Estados que surgem como potenciais clientes-fornecedores . Nada pode, nem deve procurar esse quimérico e perigoso poder de interferência. 

 

A oposição procura agitar a evidente acalmia política dos tempos de banhos de verão, apontando folclores exibicionistas e claras ligações perigosas. Contudo, chegou o tempo das oposições se conformarem a ser aquilo que a política lhes destina, isto é, a servirem de gabinetes de estudo e constante procura de soluções benéficas ao interesse de todos, do país. Durante décadas Portugal manteve relações normais com terríveis ditaduras como a russa, chinesa, norte-coreana, iraniana, de todo o antigo bloco-leste, o reino árabe saudita, iraquiana, líbia etc. Neste rol podemos também incluir a generalidade dos Estados saídos das independências de 1975. Nunca ninguém colocou objecções de consciência a tal tipo de tráfico diplomático, político e económico. Estranho é, agora num mundo em evolução acelerada e imprevisível, encontrar escolhos a colocar diante de oportunidades únicas. O relacionamento de Portugal, país democrático e com um regime relativamente estável, com outros Estados que não cumprem cabalmente aquilo que se considera ser apanágio da moderna civilização  ocidental, confirma a praxis normal de todos os parceiros da União Europeia, disso não tenhamos qualquer tipo de ilusões.

 

Sou um português não-europeu e isso evidencia-se por cem anos de permanência familiar em África. A Europa como realidade política continental, nada me diz, nem me interessa. A Europa serve-nos de enquadramento de uma história quase milenar e vejo-a em termos meramente funcionais. Enquanto valer, serve e apenas isso. O sacro egoísmo do interesse nacional deve manifestar-se como na generalidade dos países que connosco partilham a existência da UE. Disso não tenho qualquer tipo de dúvidas ou de hesitações meramente sentimentais. Portugal não reivindica qualquer tipo de aventuras territoriais no continente europeu e a sua história secular confirma-o. Sempre desprezámos e olhámos com mal disfarçado espanto, as constantes lutas de outrém, para a posse de uma "fronteira natural" no Reno, no Vístula, no Niémen ou do Dniéster. Com espanto e até com uma certa mofa, pois o Amazonas, o Congo ou o Zambeze, fazem empalidecer resquícios medievais e feudalizantes de territórios que pouco acrescentaram à garantia de preservação da existência dos contendores dessas insignificâncias.  O simples e bem evidente crescimento da lusofonia, prova a justeza de uma política secular de não comprometimento com as questiúnculas intestinas europeias. E assim deverá ser.

 

Portugal deve voltar aos seu ambiente histórico tradicional, isto é, a África, à América e à Ásia. A Europa é um mero complemento de status internacional,  de segurança e de enquadramento de um desejável modelo político e social, nada mais que isso. Parece que Sócrates compreendeu a insofismável realidade. No interesse de todos, no interesse de Portugal. E se no caminho tropeçarmos num ou outro déspota de momento, paciência. Vamos em frente.

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publicado às 19:15

 

Eu devia estar a estudar para o exame de amanhã de Organizações Técnicas e Científicas mas Hayek é tão muito mais interessante, até porque, de certa forma, o que afirma em relação à selecção de grupos e líderes em partidos totalitários aplica-se a partidos em regimes democráticos, pelo menos ao nosso  - já agora, O Caminho para a Servidão em versão electrónica é disponibilizado pela Ordem Livre:

 

Há três razões principais para que um grupo numeroso, forte e de idéias bastante  homogêneas não tenda a ser constituído pelos melhores e sim pelos piores elementos de qualquer sociedade. De acordo (136) com os padrões hoje aceitos, os princípios que presidiriam à seleção de tal grupo seriam quase inteiramente negativos.

Em primeiro lugar, é provavelmente certo que, de modo geral, quanto mais elevada a educação e a inteligência dos indivíduos, tanto mais se diferenciam os seus gostos e opiniões e menor é a possibilidade de concordarem sobre determinada hierarquia de valores. Disso resulta que, se quisermos encontrar um alto grau de uniformidade e semelhança de pontos de vista, teremos de descer às camadas em que os padrões morais e intelectuais são inferiores e prevalecem os instintos mais primitivos e "comuns". Isso não significa que a maioria do povo tenha padrões morais baixos; significa apenas que o grupo mais amplo cujo valores são semelhantes é constituído por indivíduos que possuem padrões inferiores. Ê, por assim dizer, o mínimo denominador comum que une o maior número de homens.
Quando se deseja um grupo numeroso e bastante forte para impor aos demais suas idéias sobre os valores da vida, jamais serão aqueles que possuem gostos altamente diferenciados e desenvolvidos que sustentarão pela força do número os seus próprios ideais, mas os que formam a "massa" no sentido pejorativo do termo, os menos originais e menos independentes.


Se, contudo, um ditador em potencial tivesse de contar apenas com aqueles cujos instintos simples e primitivos são muito semelhantes, o número destes não daria peso suficiente às suas pretensões. Seria preciso aumentar-lhes o número, convertendo outros ao mesmo credo simples.

A esta altura entra em jogo o segundo princípio negativo da seleção: tal indivíduo conseguirá o apoio dos dóceis e dos simplórios, que não têm fortes convicções próprias mas estão prontos a aceitar um sistema de valores previamente elaborado, contando que este lhes seja apregoado com bastante estrépito e insistência.
Serão, assim, aqueles cujas idéias vagas e imperfeitas se deixam influenciar com facilidade, cujas paixões e emoções não é difícil despertar, que engrossarão as fileiras do partido totalitário.

O terceiro e talvez mais importante elemento negativo da seleção está relacionado com o esforço do demagogo hábil por criar um grupo coeso e homogêneo de prosélitos. Quase por uma lei da natureza humana, parece ser mais fácil aos homens concordarem sobre um programa negativo - o ódio a um inimigo ou a inveja aos que estão em melhor situação -do que sobre qualquer plano positivo. A antítese "nós" e "eles", a luta comum contra os que se acham fora do grupo, parece um ingrediente essencial a qualquer ideologia capaz de unir solidamente um grupo visando à ação comum. Por essa razão, é sempre utilizada por aqueles que procuram não só o apoio a um programa político mas também a fidelidade irrestrita de grandes massas. Do seu ponto de vista, isso tem a vantagem de lhes conferir (137) mais liberdade de ação do que qualquer programa positivo. O inimigo, seja ele interno, como o "judeu" ou o "kulak", seja externo, parece constituir uma peça indispensável no arsenal do líder totalitário.

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publicado às 18:40

Ainda The Tudors

por Samuel de Paiva Pires, em 27.07.08

Maria José Nogueira Pinto escreveu um excelente artigo no DN, que aqui deixamos (via Eternas Saudades do Futuro)


Acomodei-me no meu sofá para ver The Tudors, um drama histórico televisivo sobre a vida de Henrique VIII de Inglaterra. A série prometia, tinha sido difundida pelas televisões de vários países (em Portugal pela RTP) e tivera honras de Emmys e Globos de Ouro. E eu, que pertenço a uma geração que aprendeu História sem audiovisuais, vejo neste género de produção televisiva um modo entretido de relembrar episódios históricos com ganhos de familiaridade com os personagens que a simples leitura, por definição, não propicia.

Qual não é, pois, o meu espanto quando um tal personagem denominado "Princess Margaret", supostamente irmã de Henrique VIII, é dada em casamento ao Rei de Portugal, (D. Manuel I ?). Sabendo que este nosso Rei se casara três vezes, pensei que a princesa inglesa me tinha escapado, uma falha de memória, sei lá! Inquieta, mas com a curiosidade aguçada, aguardei com expectativa as cenas relativas ao casamento, a entrada em cena da corte portuguesa num periodo aúreo da nossa História. Vi, então, como a princesa choramingava porque D. Manuel era um velho corcunda, implorando ao irmão que a troco de tão grande sacrifício lhe desse liberdade para escolher segundo marido quando enviuvasse, o que, esperava, ocorreria rapidamente.

Após uma imagem de rara beleza do Tejo e da Ribeira das Naus, seguiu-se uma sucessão de cenas de verdadeiro horror. D. Manuel era um gnomo marreca e saltitante, desdentado e de olhar lúbrico, baboso, falando um português mal amanhado. A corte, um conjunto de velhotas vestidas de negro, clérigos encapuçados, homens feios e sujos. As cerimónias pareciam ter como cenário uma espécie de barracão e as músicas eram espanholas (Falla?). O casamento consumou-se no que poderia ser um quartinho do Castelo de S. Jorge, com uma data de basbaques de mau aspecto rodeando o tálamo conjugal e aplaudindo grosseiramente.

No dia seguinte - assim prossegue a série - a princesa Margarida, após lançar um olhar nostálgico à sua nau, prestes a partir do Tejo, não está com meias medidas e assassina o nosso Rei, sufocando-o com uma almofada. A última imagem com que o realizador arruma o episódio português é um grande plano dos reais pés, sujíssimos, explicitando que nem para o casamento este se dera ao trabalho de ablações mínimas.

A indignação venceu qualquer inércia que ainda restasse para confirmar a desconformidade de tão burlesca narrativa com a realidade dos factos. D. Manuel casou três vezes, com duas filhas dos Reis Católicos, Isabel e Maria e, pela segunda vez viúvo, casou novamente com D. Leonor, irmã de Carlos V. Todas eram excelentes partidos, demonstrando bem a importância, à época, de Portugal e do seu Rei. Entre a consulta à História de Barcellos e o recurso à Internet foi possível constatar a existência de muitos outros erros grosseiros. De facto a "Princess Margaret" nunca existiu e é um personagem composto a partir das duas irmãs Tudor de Henrique VIII; o rei português de então era D. João III, de vinte anos de idade; não existiu nenhum Papa Alexandre desde 1503; o cardeal Wolsey não foi preso nem se suicidou e Thomas Tallis não consta que fosse bissexual. Até na escolha dos adereços se repetem os erros, ridículos, tal como a utilização de um mosquete por Henrique VIII, arma que só foi inventada em 1630, ou seja um século mais tarde.

Posto isto, coloco duas questões. A primeira tem a ver com este, ou qualquer outro, drama histórico televisivo. Embora se possa e deva esperar algum tempero fantasioso da narrativa, não é suposto que tal fantasia deturpe a História, alterando os seus factos, a sua cronologia, a sua geografia ou a identidade das suas figuras. Perdida a dimensão de relato histórico, o que resta passa de ficção a embuste. A segunda tem a ver com a nossa reputação nacional e quem é suposto defendê-la. Num país onde já não se ensina História, o canal estatal difundiu, que eu saiba sem qualquer reparo, uma versão vergonhosa e falsa do nosso passado colectivo. Se a Internet não mente, todos os que se sentiram atingidos foram reagindo e rectificando, excepto nós. Porque será?|

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publicado às 17:20

George W. Bush: "Wall Street got drunk"

por Samuel de Paiva Pires, em 27.07.08

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publicado às 01:17

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