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Quando partiu,

por Cristina Ribeiro, em 30.09.08

há quinze dias, levava apenas uma mala. No Domingo trazia, além dessa mala, uma mochila, cheia de livros sobre as Ilhas Azuis. Via-se nos olhos, também eles azuis, o quanto tinha gostado destas férias na terra das brumas, mas, soube depois, onde fora encontrar muito sol, e um céu limpo, a fazer jus ao azul que lhe é associado.

Ontem mostrou-me as fotografias, e  ouvindo-a falar com tanto entusiasmo, a contar, empolgada, o que sentira quando tirara cada uma delas, lamentei o não  ter  podido concretizar o projecto de lá ir no Verão passado.

Talvez possa repetir aqueles poucos dias de Maio...

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publicado às 17:56

O regabofe acabou?

por Nuno Castelo-Branco, em 30.09.08

 

No passado dia 15 de Setembro, aqui deixei um post em referência ao discurso de Bento XVI contra a plutocracia. Apenas duas semanas depois, chegamos a esta situação, com notícias de desastres a chegar hora a hora, quase nos remetendo para a Invasão marciana  daquele programa radiofónico que tendo como base A Guerra dos Mundos de H.G. Wells, há décadas espalhou o pânico na América. 

 

A crise que se vive era previsível e já muitos se tinham apercebido da total irrealidade de uma economia fictícia, feita de gases tão rarefeitos como aqueles encontrados na estratosfera. Especulação, manipulação de números não correspondentes à realidade material, eis o que temos há muitos, demasiados anos. As implicações são fáceis de prever e julgo que podemos esperar o seguinte:

1. Fim das ilusões quanto à descida de impostos, pois os Estados serão forçados a intervir, urgindo obter mais receitas.

2. Fim da grande farra dos empréstimos para fins tão relevantes, como aquisição de electrodomésticos, férias em resorts exóticos nas Caraíbas,  automóveis de gama muito acima das possibilidades dos deslumbrados compradores, apartamentos que nada valem no mercado real e que mais que nunca precipitarão em breve a indústria da construção civil para o buraco da falência. Vão acabar os regabofes dos cartões de crédito oferecidos à porta de centros comerciais e aqueles termos esquisitos como leasings, spreads, etc, que serão aplicáveis a uma minoria.

3. As pessoas terão de viver de forma mais comedida, sem 4 televisões de ecrã plano-plasma em cada divisão da casa e uma infinidade de inutilidades como 6 play-stations, dois leitores de dvd - um antigo, com dois anos e um novo, comprado ontem . E poderiamos continuar indefinidamente.

4. No plano político, assiste-se hoje à inacreditável indignação dos comentadores televisivos da economia , que agora incrédulos pela alegada politiquice dos governos e parlamentos do Ocidente, se insurgem contra o laxismo, pois ... "os Estados têm mesmo de intervir!"... (SIC). São os mesmos que ainda há dias pretendiam a privatização de tudo o que resta do sector público e ..."deixar o mercado funcionar"... Obcecados com jogos virtuais de bolsa, agora não sabem o que dizer e pior, o programa a apresentar para a salvação do sistema. 

Que bela oportunidade para os partidos dos extremos políticos. É que, ou muito me engano, ou dentro em pouco as eleições tornarão bastante audíveis vozes sieg heil! um pouco por toda a parte. Ditas com um fundo musical menos marcial, como na Rússia, mas sem dúvida não deixarão de se fazer escutar por muitos. Em Portugal, na melhor das hipóteses, voltámos a 1908, com a decadência absoluta e definitiva do rotativismo. Estamos a dois anos de 1910, ano de todas as oportunidades. Quem dará o primeiro passo?

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publicado às 08:54

O regresso à idade da pedra? Ou apenas histeria colectiva?

por Samuel de Paiva Pires, em 30.09.08

Não é por nada mas este histerismo em torno da não aprovação do plano de salvação do sistema capitalista norte-americano serve os propósitos de quem? Eu ainda não dei por efeito directo nenhum desta coisa a que chamam crise financeira internacional e alguns já andam por aí a anunciar um regresso à idade da pedra. 

 

Bom, agora a sério, parece-me que estamos sem dúvida num momento chave da História do século XXI. Achavam que os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 definiram uma qualquer ordem mundial? Pois não definiram, mas aquilo a que estamos a assistir vai sem dúvida definir, e porquê? Porque o sistema financeiro mundial (sim porque estamos efectivamente no domínio de uma economia globalizada, ainda que a um grau menor do que aquilo a que um dia eventualmente chegaremos) tem vindo sempre a preservar-se por via da homeostase integrando as problemáticas com que eventualmente se deparava através de processos de aprendizagem simples mas neste momento ninguém sabe como responder a esta crise. A mão invisível deixou de funcionar e a intervenção por via do Bailout Plan também não me parece garantir que a crise será superada. Tanto quanto sei pode até vir a ter efeitos ainda mais desastrosos do que se o sistema rebentar neste momento.  

 

Portanto, aquilo a que vamos assistir será um doloroso processo de superação do paradigma sistémico vigente por via de um processo de aprendizagem complexa e capacidade homeorética que nos levará a um novo sistema. Que tipo de sistema será, deixo para o domínio da futurologia de que normalmente não me ocupo, embora esta seja uma boa altura para economistas, juristas, politólogos, historiadores, enfim, académicos, começarem a pensar nisso. O que me parece é que o ensinamento marxista de que a infraestrutura económica condiciona a superestrutura política vai mais uma vez ter reflexo prático quando todo um novo sistema económico e financeiro mundial se estabelecer em simultâneo com um reajustamento da hierarquia das potências. Nunca as palavras de estudiosos das teorias imperialistas como Duroselle ou Paul Kennedy fizeram tanto sentido, mais cedo ou mais tarde os Estados Unidos da América teriam que cair. Vamos ver é quem os substituirá se não tiverem recuperação possível. Uma coisa é certa, Bush ficará para a História, e não necessariamente pelos melhores motivos.

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publicado às 02:35

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publicado às 23:09

O Ressurgir da Rússia

por Samuel de Paiva Pires, em 29.09.08

(Artigo publicado no Pacta Sunt Servanda, Jornal do Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas)

 

 

Faltavam cerca de 24 horas para o início dos Jogos Olímpicos de Pequim, que assinalaram a crescente afirmação chinesa enquanto potência mundial, quando se principiou um dos fenómenos mais marcantes dos últimos anos em termos de política internacional. Depois de no dia 7 de Agosto as forças separatistas da Ossétia do Sul (que vinham desde há algum tempo a causar incidentes como forma de inviabilizar um alegado acordo entre a Federação Russa e a Geórgia quanto à desistência desta última da ambição em fazer parte da NATO), e as forças georgianas concordarem com o cessar-fogo e em iniciar conversações mediadas pela Rússia, o herói da chamada Revolução Rosa e Presidente georgiano Mikhail Saakashvili prestou-se a ordenar o ataque da posição das forças ossetas chegando até à capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali, onde obteve um parco controlo que pouco tempo depois viria a ser contrariado pelo massivo dispositivo militar russo enviado para a região.

 

Nos dias seguintes assistiu-se a uma ocupação de pontos chave no território georgiano por parte da Rússia, a que se juntaram as declarações unilaterais de independência não só da Ossétia do Sul como de outra região separatista, a Abkhazia, numa zona do globo já de si perpassada por diversos conflitos separatistas originados desde o colapso do bloco soviético, enquanto o Presidente dos Estados Unidos da América, George W. Bush, assistia ao início dos Jogos Olímpicos, e os europeus se prestavam a tentar mediar um acordo de cessar-fogo principalmente através da acção de Nicolas Sarkozy, Presidente francês na qualidade de Presidente rotativo da União Europeia.

 

Parece-me apenas evidente que norte-americanos (especialmente George W. Bush e a sua ânsia expansionista) e europeus são em grande parte culpados pela situação em que se viram os georgianos que provavelmente não estavam à espera de tamanha passividade dos seus alegados aliados, demonstrando Saakashvili uma certa ingenuidade ao agir de forma algo irresponsável, característica por que se pautaram também aqueles que o vinham incitando a desafiar a Rússia e não lhe souberam dar suporte efectivo quando necessário.

 

Esta questão levanta uma das mais prementes observações sobre os líderes políticos ocidentais, a inexistência de verdadeiros líderes na acepção da palavra, isto é, dos grandes estadistas de outros tempos. Ao que parece já ninguém no Ocidente está preparado para este jogo, em grande parte convencidos da inevitabilidade da expansão das democracias liberais e habituados à legitimidade moral proveniente desse conceito que se reflecte nas premissas do que norte-americanos e europeus desejam. Habituámo-nos a tratar da cooperação para o desenvolvimento, da integração, do comércio internacional, tomamos a paz como garantia universal e quase sem nos apercebermos parece que nos esquecemos dos ensinamentos quanto ao estudo de conflitos, percepções e acções estratégicas. 

 

Putin e a Rússia mais de Putin do que de Medvedev não esqueceu e a demonstrá-lo está a retórica utilizada para justificar a acção russa. Gostemos ou não, Vladimir Putin é provavelmente um dos líderes mais inteligentes da actualidade, uma reminiscência da centelha que iluminou os espíritos dos grandes estadistas do passado, pelo menos do século XX. Conseguiu de certa forma paralisar todo o Ocidente utilizando a própria retórica ocidental de protecção dos direitos humanos, dos seus cidadãos e da auto-determinação dos povos ao reconhecer a independência da Abkhazia e da Ossétia do Sul (algo que já era esperado e que norte-americanos e europeus não deveriam ter legitimidade para contestar se atendermos ao precedente aberto pelo caso do Kosovo sob pena de se apresentarem como algo hipócritas, como tem vindo a acontecer com a tentativa de Condoleeza Rice em mostrar que são alegadamente situações diferentes), demonstrando ainda que a Rússia está bem e recomenda-se, a fazer lembrar cada vez mais os grandes cenários de equilíbrios geopolíticos montados e percepcionados de parte a parte durante a Guerra Fria, acepção que tem ensombrado as relações entre Estados Unidos e Rússia ao longo do impasse verificado em termos de resolução do conflito, cumprimento do cessar-fogo e retirada das tropas russas.

 

A entrada da Geórgia na Aliança Atlântica parece ter ficado mais longe com o aviso por parte de Putin e Medvedev de que a Federação Russa é uma potência mundial e já não um império desmoronado. Tal como a Alemanha, a Rússia demonstra que é uma daquelas nações destinadas a reerguer-se das cinzas, desta feita pela acção de Vladimir Putin ao estabilizar politicamente e organizar estrategicamente um imenso país que tem vindo a beneficiar do aumento dos preços de petróleo e gás. A Rússia será sempre um portento internacional, a sua própria dimensão é a causa da sua propensão para actuar enquanto agente estabilizador nos territórios próximos das suas fronteiras, o seu espaço vital geopolítico, tal como o continente americano o é para os Estados Unidos da América. 

 

As sucessivas tentativas de redução do espaço de influência russo nas suas fronteiras através do aliciamento desses países a fazer parte de organizações como a NATO em conjunto com a teimosia norte-americana em instalar um sistema de defesa anti-míssil na Europa de Leste só têm contribuído para um crescente mal estar no diálogo entre Washington e Moscovo, fruto talvez de uma certa visão norte-americana de um mundo unipolar com os Estados Unidos como potência directora, que é cada vez menos o mundo em que vivemos tal como o próprio Presidente Medvedev alertou em entrevista aos canais de televisão russos no dia 31 de Agosto ao afirmar que “o mundo tem que ser multipolar” e que “não podemos aceitar uma ordem mundial na qual todas as decisões são tomadas por um lado, ainda que um tão sério e importante como os Estados Unidos da América. Tal ordem é desequilibrada e comporta conflitos iminentes”, o que o eminente editor da Newsweek, Fareed Zakaria, já tinha afirmado na Foreign Affairs no artigo “The Future of American Power- How America Can Survive the Rise of the Rest”.

 

Como conclusão parece-me salutar lembrar as palavras de Ari Shavit que em artigo no israelita Haaretz a 14 de Agosto afirmou que “o dia 8 de Agosto, dia em que os Jogos Olímpicos começaram e se iniciou o conflito na Geórgia, será não menos recordado do que o 11 de Setembro de 2001. Quando a história do século XXI for escrita, irá ver esta passada semana como a semana que simboliza o ressurgir de duas novas potências mundiais: China e Rússia. Passarão décadas até que a China ultrapasse economicamente os Estados Unidos. Passarão anos até que a Rússia volte a ser uma potência Czarista. Mas o dia 8 de Agosto marcou o caminho. A questão não é que tipo de mundo nos espera. A questão é quão rapidamente chegaremos lá”.

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publicado às 22:30

Para as meninas DPM e Ana: vontadinha feita!

por Nuno Castelo-Branco, em 29.09.08

 

Era na verdade espectacular!

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publicado às 22:23

O Centenário da República no Público

por Samuel de Paiva Pires, em 29.09.08

Decorreu hoje na York House uma conferência de imprensa de lançamento oficial da plataforma e blog do Centenário da República. Para já o Público noticiou antes e depois o evento.

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publicado às 22:20

"E ainda se admiram que Salazar

por Cristina Ribeiro, em 29.09.08

 

 

 

 

 

 

 

 

tenha sido votado por uma grande maioria como o maior português de sempre", disse-lhe eu, no auge da irritação.

"Somos muitos os que acreditamos que os valores da Segurança e da Ordem são possíveis numa Democracia em Portugal, mas também são muitos os que se esforçam por demonstrar que eles só são possíveis numa Ditadura, e para isso contam com a conivência das autoridades".

          

           Nesse dia tinha havido, numa outra zona da cidade, perto dali, dois assaltos à mão armada, e havia mais de meia hora que ligara para a PSP pedindo-lhes que viessem acabar com a arruaça de altos berros. A escumalha deu-se ainda ao luxo de continuar a gritaria por mais um bom bocado, depois de lhe chamarmos a atenção, porque sabe que mesmo que chamemos a polícia, esta lhe dará ainda muito tempo...; e não se enganou: quando o agente chegou,  limitou-se a perguntar se queríamos participar o ocorrido ao Comando Geral; que sim, pelo que preencheu um formulário completíssimo, com nome dos pais, profissão, etc. etc., ao fim do que disse - "vou pôr no relatório que encontrei tudo normal"

Fiquei indignada. Depois de lhe ter dito que o colega que atendera o telefone  confirmara, porque ouvira, a barulheira, ainda lhe perguntei porque é que nos fizera perder tempo com o tal formulário.Eram quatro horas da madrugada.

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publicado às 17:51

Em destaque

por Samuel de Paiva Pires, em 29.09.08

Pegando no post anterior do Nuno, é altura de destacar o projecto da Plataforma do Centenário da República e respectivo blog.

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publicado às 03:41

No Centenário da república

por Nuno Castelo-Branco, em 28.09.08

 

Amanhã iniciar-se-ão oficialmente as actividades da Comissão Centenário da República, que pretende essencialmente repor a verdade histórica do regime saído do Regicídio e do 5 de Outubro. Desta forma, realizar-se-á uma conferência de imprensa na York House de Lisboa.

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publicado às 21:13

O Outono em Varsóvia

por Paulo Soska Oliveira, em 28.09.08

Pilriteiro em Varsóvia

 

Carvalho em Varsóvia

 

Esta tarde, num passeio a pé pelo maior parque aqui ao pé de casa (27 hectares, palco de parte do massacre de Wola) o cheiro a Outono já se fez sentir.

Os pilriteiros tornam-se vermelhos, os carvalhos perdem as suas folhas.

Depois de um Verão com muitos sobressaltos, espera-se que o Outono traga boas novas.

 

A saga da busca pelo trabalho perdido continua...

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publicado às 19:54

A INVENTONA do 28 de Setembro de 74

por Nuno Castelo-Branco, em 28.09.08

 Os acontecimentos de 28 de Setembro de 1974, consistem ainda hoje, numa enigmática série de episódios que interligados,  conduziram a uma situação política e económica tal, que o país  ainda se ressente das suas consequências. O país e o antigo Ultramar.

 

A luta interna nas desorganizadas e já caóticas forças armadas do pós- 25 de Abril, demonstrou a surpreendente e total quebra da disciplina e da hierarquia, impossibilitando a prossecução do rumo inicialmente previsto pelos militares que haviam tomado o poder na primavera de 74. A própria composição da Junta denotava as insanáveis clivagens entre os militares fiéis aos princípios orientadores da linha Spínola e aqueles outros, apoiados na rua pela coacção física das histriónicas massas do PC e satélites. 

 

O colossal desastre que significou a apressada - e forçada, há que reconhecê-lo - demissão de Adelino da Palma Carlos, deixou o caudilho maior da Junta, o general Spínola, muito isolado na certeza da justiça do seu programa que havia despoletado o Movimento. A partir da ascensão de Gonçalves e do seu séquito de novos submissos às ilusões propaladas pelo vento leste que desembarcara na Portela no meio de grande alarido, o país foi resvalando de forma irremediável para a total subversão da ordem. A simples consideração daquilo que é a Democracia, perfeitamente identificável pelo espaço geopolítico que Portugal partilhava com a Europa Ocidental e que se reflectia nas alianças e entidades internacionais que integrava, era um motivo para a imediata coacção moral sovietista que apresentava o modelo leninista como o salto de uma etapa vital para a construção da igualdade. Quimeras, muitas mentiras, violência verbal da propaganda, eis a situação no primeiro verão quente, o de 74. O descambar para o laxismo nas frentes de combate, tornaram impossível uma autêntica negociação com movimentos que estavam numa dificílima situação político-militar, dada a resistência demonstrada pelo exército português no terreno. Tudo o que se disse acerca da derrota militar deriva apenas de um conjunto de elos que compõem a corrente destinada a justificar o injustificável: a deserção, a traição e o aproveitamento do caos por parte de entidades nacionais e estrangeiras interessadas no súbito e até aí inesperado colapso português. Os acontecimentos posteriores, demonstram-no de forma insofismável.

 

Os partidos "à direita do PC" tiveram medo. Medo de uma conotação com os princípios de resistência apregoados pelo anterior regime. Medo da força bruta da jagunçagem que já campeava na rádio, televisão e jornais. Medo de perder empregos  e visibilidade pública. O que se torna imperdoável no PS e no PSD, foi a astronómica capacidade de cobardia demonstrada, sabendo pela História - os seus líderes disso tinham obrigação primária -  que o que se passava agora em Portugal, era uma fórmula bastamente testada com sucesso em todos os países-peças que haviam caído no jogo de dominó imposto ideológica e militarmente por Moscovo após 1945. O PS e o PSD não corresponderam ao dever histórico e da decência. Em suma, traíram e de forma audível, procederam ao devido aggionamento com as palavras de ordem de uma ínfima minoria. Não sendo partidos tradicionais e obedecendo apenas às necessidades de influência junto de um futuro hipotético regime ocidentalizante, foram criados entre amigos, sem obedecer a quaisquer estruturas de base de intervenção na sociedade. O PS nem sequer podia reivindicar a mesma condição auferida pelo seu "homólogo" espanhol e muito menos ainda, da directa descendência do velho e verdadeiro Partido Socialista da Monarquia. Pelo contrário, no PS de 74 pontificavam  alguns destroços que à nova costa da situação tinham dado, escassos testemunhos da mais que afogada 1ª república. O PS tinha apenas um ano, enquanto o PSD (o PPD da altura), era uma mal amanhada manta de retalhos cozida com notórios marcelistas subitamente alçados à categoria de um suspeitíssimo antifascismo de vão de escada. É verdade que trinta anos foram suficientes para a renovação de quadros, mas inicialmente, foi isto o que se passou. E é a verdade mais cristalina.

 

Em concreto, a opinião dos "partidos" pouco contava, pois o único digno desse nome era o de Cunhal que infelizmente para Portugal e para a sua futura reputação, consistia apenas num grupo de pressão interna ao serviço das ambições hegemónicas da então URSS. A traição era também orgulhosamente assumida como libertação, facto que coage até aos nossos dias, qualquer um interessado em escrever a História como ela foi e é facilmente demonstrada pelos acontecimentos e pela imensidão de documentação existente. 

 

O que se torna aviltante, escabrosa e odiosamente bizarra, foi a atitude do conjunto das FA's. Falharam no essencial e desta forma demonstraram cabalmente a sua incompetência para tomar decisões, muito menos quando estas atitudes se revestiam de intenção política de intervir na ordem constitucional. Em suma, comportaram-se de forma vergonhosa e decorridas três décadas, ainda são olhadas com calada desconfiança por milhões de portugueses. E ainda há quem ciclicamente levante hipóteses regeneradoras a vir dali! É uma nódoa que apenas desaparecerá com a morte de todos aqueles que viveram o período em causa, especialmente - creio eu - pelo próprio PC, amante da ordem e do rigidíssimo princípio hierárquico do seu projecto. 

 

O 28 de Setembro foi o que se viu, ou como na altura se dizia, era a primeira inventona  do regime. Procurando imitar De Gaulle com a sua maioria silenciosa, a projectada manifestação jamais se realizou, não por falta de grandes massas já ansiosas de tolher o passo ao aventureirismo teleguiado por Moscovo, mas pela extrema timidez, para não dizer pior, dos novos partidos que logicamente eram as forças que conformariam a nova Democracia. A culpa foi dos civis PS e PPD e do conjunto das FA's que não cumpriram os príncipios orientadores da sua própria razão de existência. Barricadas nas estradas, sovas dadas à guisa de ajustes de contas pessoais, roubo descarado da propriedade alheia, assalto a casas e um extenso rol de iniquidades publicadas durante meses a fio, em dúzias de páginas de jornais. Declarações de honra antifascista ou pública auto-humilhação de inocentes temerosos de qualquer acusação saneadora. Tudo isto foi permitido pelas FA's da sapatilha rota, micose pélvica e barbaça piolhosa.

 

Jamais esquecerei, tal como os milhões que foram abandonados à sua triste sorte. Para não mencionar a traição dos seus próprios camaradas de armas, barbaramente assassinados por criminosos de delito comum, alguns dos quais vivem hoje, depostos e despreocupados, entre nós. Claro está, com honras de ex-secretários gerais de partidos "africanos" entretanto democratizados e mis au pas globalizador destes tempos. Que ignomínia!

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publicado às 14:26

 

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publicado às 23:50

Isto é mais realidade que fantasia

por Nuno Castelo-Branco, em 27.09.08

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publicado às 16:51

Incoerências

por Samuel de Paiva Pires, em 27.09.08

 

Eu que tenho a preocupação, muitas vezes a raiar a paranóia, de ser coerente para comigo próprio e para com os outros, não posso evitar sorrir sarcasticamente quando noto certas incongruências. Então a esquerda tipicamente anti-americana e que não hesita normalmente em apontar o dedo e chamar de neo-liberais, capitalistas selvagens ou fascistas todos aqueles que não comungam dos seus altíssimos valores morais, agora deu-lhe para apoiar o plano Bush com o objectivo de nos salvar da catástrofe do fim do capitalismo?

 

Realmente, às vezes só dá vontade de dizer que só sei que nada sei, e do pouco que eventualmente sei, vou percebendo cada vez menos! Até Marx deve andar a dar voltas na tumba por esta hora...

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publicado às 00:54

 não creio que valha a pena preparar, oficialmente, ou mesmo em meios académicos, a celebração dum mau defunto que foi esse regime de década e meia de vigência atarantada, e que, bem feitas as contas, teve nada menos do que 47 governos que a desgovernaram por trancos e barrancos

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publicado às 23:43

A não perder

por Samuel de Paiva Pires, em 26.09.08

Este belíssimo texto do Mike, pese embora o tom pessimista, de que aqui fica um excerto:

 

Aqui neste país de brandos costumes, brando pensamento e branda coragem, os jovens só são bons depois de chegarem a velhos e alguns velhos só são bons depois de mortos. Fazemos das amarras grilhetas e parece que só sabemos lançar as âncoras, nunca recolhê-las. Reclamamos mudança mas jamais abdicamos de fazer as coisas da maneira como sempre as fizemos. E teremos o futuro que merecemos. Um futuro como nós. Brando, como gostamos e achamos bem. Brando.

 

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publicado às 22:52

Provavelmente um dos posts do ano na blogosfera lusa

por Samuel de Paiva Pires, em 26.09.08

Anda para aí uma confusão entre Gabriel Silva e Estrela Serrano, membro da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação - será só a mim que este nome soa orwelliano? Até dá arrepios...), como se pode ver aqui, ali (resposta de Estrela Serrano), acolá e ainda  a adenda.

 

No meio disto tudo, o melhor post é mesmo do Maradona:

 

... o que eu gostava que a Estrela Serrano, da ERC, me mandasse um mail e que pedisse para que, em nome da "liberdade de expressão", eu o publicasse no "corpo" do meu blogue! Gostava tanto, tanto, tanto. Eu até acho que o Gabriel Silva podia fazer um workshop desta merda: "Dez conselhos para que uma gaja qualquer da ERC invoque estupidamente a liberdade de expressão para impingir textos merdosos em blogues alheios". Doutora Estrela Serrano...quer fazer um homem feliz, quer poder sentir as suas mãos a passar nas minhas pernas? Mande-me uma cartinha para "o corpo" do meu blogue.... nem precisa de ser em nome da "liberdade de expressão", pode ser em nome doutra merda qualquer, em nome do Quim ou assim.

 

 

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publicado às 22:22

Para o José M. Barbosa do Rosamármore, a Nefertiti persa

por Nuno Castelo-Branco, em 26.09.08

 

 

 

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publicado às 19:17

O dia em que a História falhou

por Nuno Castelo-Branco, em 26.09.08

 

Em 26 de Setembro de 1777, o exército britânico ocupava Filadélfia, a capital provisória dos já proclamados Estados Unidos da América. A primeira fase do conflito indiciava uma vitória lealista sobre os insurrectos, dada a desigual correlação de forças  em terra e o total controle da costa por parte da Royal Navy. Aproveitando o momento ideal para uma desforra das consecutivas derrotas sofridas ao longo de todo o século XVIII, a França, a Espanha e mais tarde a Holanda, aliaram-se no esforço de guerra contra a Inglaterra, acabando por conseguir a vitória militar em 1781. Dois anos mais tarde, o Tratado de Paris reconhecia a independência dos Estados Unidos da América.

 

Dado o controverso historial contido em mais de dois séculos de vida como entidade de direito internacional, será apenas por mera curiosidade o exercício de imaginação de uma História diferente. Um conflito onde a Inglaterra tivesse saído vitoriosa, embora não significasse a definitiva morte do projecto independentista, teria contudo criado uma realidade política muito diversa daquela que hoje conhecemos, provavelmente com vários países independentes e com fronteiras que apenas podemos adivinhar.  Possivelmente não teríamos de suportar uma imunda subcultura do reles mais imediatista - criada pela massificação lógica do gigantismo - e descansem os aficcionados do conforto, porque as 501 existiriam de qualquer forma. O senhor Obama poderia ser gestor de uma empresa de produtos dentífricos, o senador McCain um reformado membro das forças armadas americanas da rainha e a senhora Palin, quem sabe, hoje desempenharia as importantes funções de coordenadora de uma equipa de manicuras e maquilhadoras. Na pior das hipóteses trabalharia num talho, dado o seu conhecido fascínio por  esquartejar animais.

 

As agressões ao longo de dois séculos, o estendal de preconceitos espalhados em todo o mundo, a alarvidade no destruir de tudo aquilo que não se guie pelo seu modelo e as crises políticas e económicas a que o sistema gizado pelos poderes fácticos em Wall Street tem conduzido o planeta, arrastando  centos de milhões para a pobreza e incerto futuro, quase me faz desejar a urgente invenção da máquina do tempo, para que possamos fornecer a Lord Cornwallis todas as informações possíveis - e algumas armas modernas, se possível - para a derrota de Washington e dos rebeldes. O mundo não seria hoje um local menos aprazível.*

 

 

 

* Nada de confusões. Apesar de tudo sou pró-americano, pois não existe alternativa possível.

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publicado às 18:47

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