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Vacarronadas parlamentares

por Nuno Castelo-Branco, em 31.03.10

Entretanto, a putativa parisienne Inês Medeiros, já pode tranquilizar-se acerca do caso das famosas viagens à badalada casa de Paris que oficialmente se ubica em Al-Usbuna: o dr. Jaime Gama garante que os pratos ficarão limpos em público e pelo que se lê blogosfera fora, a coisa promete. É que ficamos a saber das benesses recebidas pelos representantes partidarios que além do salário, ainda contabilizam mais umas ajudas de custo. Uns parcos 69 €/dia para os que "vivem" fora da área da Grande Lisboa e nem tanto para os que têm a felicidade de permanentemente pernoitarem na capital. Enfim, tal e qual como todos os outros funcionários públicos. Como dizia o outro, choses de la vie...

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publicado às 17:30

Torpedo por schnorkel

por Nuno Castelo-Branco, em 31.03.10

 






Segundo parece, o sr. deputado Ricardo Rodrigues (acima, na imagem), já veio declarar o apoio do seu grupo parlamentar à posição do governo português no caso dos submarinos. Torpedo por schnorkel, ou schnorkel por torpedo, convém dar uma vista de olhos na entrevista do empresário Henrique Neto, no ionline. Elucidativa.

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publicado às 16:55

A pocilga do Centenário em que vivemos

por Nuno Castelo-Branco, em 31.03.10

"Os porcos de ontem tinham uma obsessão: destruir os tronos, todos os tronos. Os porcos de hoje têm uma obsessão: alcandorarem-se a tronos de ouro maciço e pedras rutilantes. Para isso, para que ninguém tenha a veleidade da comparação, querem ver desaparecidos os tronos de outrora, não querem ser confrontados com verdadeiros reis, verdadeiros príncipes e velhos ecos sociais da ordem antiga. Tudo tem de desaparecer para, sós e sem acareação, constituirem a nova realeza dos pneus, a nova aristocracia dos cartões de crédito, os príncipes da banca, dos supermercados, dos centros comerciais, tudo recoberto com ONG's, humanitarismo, bolsas e prémios, galardões e publicidade. Antes, os velhos tronos falavam de literatura, de história, de espiritualidades: hoje, os novos tronos falam de "ilhas de sonho", marcas de charutos, "vinhos de reserva", do novo Maserati, do golf, de Las Vegas, de Macau e de jactos para Executive Flyers."

 

Leia mais no COMBUSTÕES

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publicado às 16:03



De todo o longo processo que o PRP desenvolveu no sentido da subversão do regime da Monarquia Constitucional, a questão da Aliança Luso-Britânica foi sempre um dos principais polos de virulenta propaganda. Mesmo antes dos acontecimentos decorrentes do Ultimato de 1890, os feros ataques ao predomínio da Inglaterra em Portugal, consistiram no eixo primordial da acção política, onde  um nacionalismo de laivos retintamente demagógicos, visava antes de tudo, mobilizar uma parte da facilmente excitável e ociosa população das duas principais cidades portuguesas.

 

Num período onde a expansão colonial atingiu o climax e ameaçou a Europa com a eclosão de uma guerra generalizada, Portugal conseguiu preservar  um relevante património colonial, objecto da cobiça dos novéis actores da cena internacional, como a Bélgica de Leopoldo II - a questão do Congo - e logo após a unificação de 1871, o II Reich do Kaiser Guilherme I e do chanceler Otto von Bismack.  A arbitragem a que Mac-Mahon foi chamado para decidir (1875) a posse do valioso território banhado pela baía do Espírito Santo (Lourenço Marques), deveria ter representado para a opinião pública nacional, num claro sinal demonstrativo da necessidade da manutenção de um firme apoio britânico à posse portuguesa dos estratégicos e potencialmente ricos territórios em África. De facto, Lourenço Marques era o porto natural do hinterland sul-africano e num ponto de partida da mão de obra destinada às minas do Rand. O desencadear da segunda Guerra Boer (1899-1902), valorizaria enormemente a área geográfica que os britânicos displicentemente designaram até à década de 30 do século XX, como Delagoa Bay.

 

Hoje é tema incontroverso, o acerto da reacção portuguesa perante o fait-acompli imposto por Londres com a nota diplomática de 1890, assim como a clara relevância da prudência dos conselhos proferidos pelo então recentemente aclamado rei D. Carlos I. Apenas o radicalismo publicista e a tonitruância oratória em S. Bento, impediram Portugal de assinar um primeiro Tratado que delimitava de forma definitiva e vantajosa, os territórios pertencentes às duas coroas e que de forma quase inesperada, reconhecia a livre navegação do Zambeze desde Angola - na sua nascente - até Moçambique, onde o caudaloso rio desagua no Índico. A agitação na rua e o furor nacionalista acicatado pelos chefes do muito minoritário mas activo PRP, ditaram o insucesso da rápida resolução da crise e consequentemente, o Tratado final conservou a posse portuguesa dos territórios que hoje conformam Angola e Moçambique, embora fizesse definitivamente desvanecer-se, a sonhada ligação do Atlântico à contra costa.

 

A política interna portuguesa continuou no caminho almejado pelas ambições das chefias partidárias e os dois grandes protagonistas do sistema do chamado Rotativismo, os Partidos Regenerador e Progressista, não hesitaram em servir-se dos republicanos como artifício de recurso para a luta  que acabou por minar a própria confiança num sistema que até há pouco parecia normalizado e intuído pela maioria da opinião, como consentâneo com aquilo que a civilizada Europa ocidental do ocaso do século XIX impunha.

 

Quando após a sua coroação,  Eduardo VII inicia a sua primeira visita ao exterior e escolhe Portugal como destino inaugural de um périplo que o levaria a Paris - no processo diplomático que conduziu à Entente Cordiale -, os chefes do PRP terão concluído acerca da urgência em modificar os postulados - que tradicionalmente sofriam uma influência fortemente federalista no sentido ibérico - do partido. O Reino Unido tornava-se uma vez mais, no árbitro decisivo da política europeia e no ordenamento das grandes alianças que firmariam os campos opostos num futuro, mas ainda longínquo conflito geral.  A chegada do inepto mas ambicioso Bernardino Machado às hostes republicanas, ofereceu uma oportunidade de aproximação aos interesses ingleses que antes de tudo, pretendiam a manutenção do status quo nacional no âmbito da Aliança Luso-Britânica que era essencial sob o ponto de vista de Londres, para a manutenção de vastos territórios ultramarinos, na órbita da sua esfera de interesses.  A própria posição de Portugal e dos arquipélagos atlânticos, confirmava a necessidade da prossecução desse estatuto de aliado preferencial, garantindo o porto de Lisboa e os pontos de apoio à navegação no Atlântico Norte. Simultaneamente, mitigava ímpetos germânicos e franceses, enquanto dentro do Império Britânico, consistia num travão aos sectores mais radicais da África do Sul - Ian Smuts seria um conhecido partidário da anexação do sul de Moçambique -, ainda recentemente saída da derrota diante dos casacas vermelhas da rainha Vitória.

 

O Crime do 1º de Fevereiro de 1908, não foi em si mesmo, o ponto decisivo para a viragem inglesa no que respeita às potencialidades oferecidas por um PRP que possivelmente tomaria o poder em Lisboa. O que se tornou evidente aos olhos do Foreign Office e do Palácio de Buckingham, foi a catastrófica cedência que significou a forçada demissão do forte governo reformista de João Franco, sinal irrefutável de rendição diante da subversão da legalidade constitucional. Decisão dramática e cega das consequências que implicava, para mais agravada pela ausência de um preparado e firme detentor da coroa portuguesa. O simultâneo desaparecimento do rei D. Carlos e do príncipe Luís Filipe, privou as Forças Armadas Portuguesas dos essenciais esteios capazes de concitar as necessárias fidelidades castrenses que mantivessem a legalidade e uma sempre esperada, mas relativa paz social que infundisse a confiança para o pleno funcionamento do Estado e das instituições que o conformavam.

 

O processo difícil, moroso - e por vezes humilhante pelas delongas  consecutivamente impostas por Londres - do reconhecimento da República Portuguesa, foi  o tema de um interessante e elucidativo estudo da autoria de Samuel de Paiva Pires que pela proximidade do Centenário, convém consultar. Este render do PRP e do seu regime à inevitabilidade da durante tantos anos odiada Aliança Luso-Britânica, conduziria a uma política da qual Portugal apenas conseguiria afastar-se nos anos 30. Mas então, o quadro internacional era muito diferente.

 

Nota: visite o site do Centenário da República e o dossier adstrito ao mesmo.

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publicado às 18:16

In case I die*

por Silvia Vermelho, em 30.03.10

Il Ritornante, Chirico 1918

 

A ideia da recapitulação da ontogenia pela filogenia é tão cara à Biologia como à Sociologia, sob os nomes de psicogénese e sociogénese. Sob a égide de um padrão lógico irremovível, poder escrever a história de um indivíduo a partir da história do colectivo (ou da História, simplesmente) é uma missão caprichosa.

 

O que lhe é base só pode ser a apetência pela previsibilidade. Tenho a impressão que esta necessidade de previsão - seja do tempo ou dos sismos, da resposta dela ao convite dele ou dos resultados das eleições - se prendem com a tentativa de manutenção de um certo instinto animal que se foi com o social. Ter a certeza do amanhã inscrita no nosso código genético, como a Mitzy, a minha gata, tem inscrito no seu o reconhecimento da areia como o local onde deve defecar e o comportamento a adoptar quando é mãe. De modo a não falhar.

 

Ficámos a meio caminho entre os animais e os deuses, presas/os num vórtex de servidão instintiva e de criatividade humana. O que é engraçado é a tentativa constante de mecanizar este processo, torná-lo mais animal, menos sujeito às intempéries alheias de modo a manter o próprio tempo estável e ameno. A isto chama-se colectivo e serve para a harmonização de uma comunidade humana que não tem em si o social programado como as abelhas ou como as formigas, mas antes se re-inventa na tentativa de extremar o acontecimento normal e de atrofiar o diferente, o que é fora do "programado" e o que desestabiliza o todo. Admirável tensão entre o divino e o animal.

 

Sempre que há uma ideia, o ser humano incorpora-a na sua rotina, sempre que algo é estranho e se expande passa a ser "natural", "parte", "normal". Fez-se luz e Edison é agora rotineiro. Houve um sismo e a vida na Terra regenera como a própria terra. Tão mecanizado como o caos urbano, enfaixado nos túneis do metro e nos carris do eléctrico, no encostar à direita nas escadas rolantes e no tossir colocando o braço à frente - e não a mão, para não se propagar a contaminação tão facilmente.

 

O que se perde, nestes processos de preservação da espécie, é o tempo para preservar o que a espécie não nos deu mas que maravilhosamente temos. É a escolha, o livre-arbítrio, o espírito, a mente, a personalidade, enfim, depende da quantidade de romantismo ou racionalidade que colocamos no conceito que escolhemos para designar o que toda a gente sabe e que está dentro de cada um/a.

 

Por que a filosofia desapareceu da ordem do dia, e a paideia é desconhecida pelas gentes bestializadas, é hoje certo que o colectivo se tornou inimigo do indivíduo, pela incapacidade de resistir às tensões animalescas.

 

Cada vez que entro no metro, cada vez que saio do metro, cada vez que me sento nesta cadeira e abro, mecanizada, o gmail, cada vez que me deito a programar o despertador para as 07.30, procuro não me esquecer que há um eu para além da contribuinte X, que auxilia a preservação da espécie através do seu rendimento futuramente redistribuído.

 

E como este é um exercício nocturno, fecho a cortina com a frase que acompanha este exercício diário de combate à bestialização.

 

And here, over the portals of my fort, I shall cut in the stone the word which is to be my beacon and my banner. The word which will not die, should we all perish in battle. The word which can never die on this earth, for it is the heart of it and the meaning and the glory.

 

The sacred word: EGO.

 

Ayn Rand in The Anthem

 

*O título vem daqui: http://justincaseidie.com/, uma tentativa patética de individualização pela normalização do post mortem.

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publicado às 00:51

Ainda bem que o Pedro nele falou!

por Cristina Ribeiro, em 29.03.10

Nesse outro grande português, que, como se tem tornado habitual, é esquecido por quem não deveria nunca fazê-lo: aqueles que, a cada 10 de Junho enfeitam o pescoço de dezenas de pessoas que nada fizeram que fique na História, mas esquecem quem na mesma deixou marca indelével.

Paladino da descentralização, do municipalismo, que falta faz um Homem como Alexandre Herculano! Antes que ( deve ser a estes " reizinhos ", que vão nus, que se refere o Embaixador, porque o Rei nunca embarcaria numa coisa dessas ) os " senhores " a quem o poder caiu no colo, e só sabem lidar com ele num único sentido: o bem de cada um deles, terminem a tarefa de destruir Portugal.

Pois, lá volto eu à vaca fria: o maior poder dos munícipes, nas decisões que afectam o seu concelho, o que só se fará pela democracia directa!

Ele que, lê-se num texto de Oliveira Martins, a que cheguei via Blasfémias, " chorava quando via as tendências centralistas e socialistas – confessas ou inconscientes – dominarem nos governos e oposições ".

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publicado às 20:35

Centenário da República: os cretinóides do croquete

por Nuno Castelo-Branco, em 29.03.10

 

 

 

Postagens como esta, são exemplificativas da completa decadência a que Portugal chegou. A falta da mínima preparação para o exercício de cargos públicos, manifesta-se de fio a pavio e o opinionismo imbecil impera, desde que isso implique provento.

Em tempos idos, as embaixadas eram ocupadas por gente que pelo menos, tinha uma certa consciência da história do país que representava. Hoje em dia, atira-se a linha ao lago de todas as promessas e não é com grande espanto que se pesca sempre uma bota rota, ou um pneu centos de vezes recauchutado. O "boyzismo" vaidoso e cretinóide pontifica. Pobre Talleyrand, pobre Metternich, pobre Pde. António Vieira, pobre D. Luís da Cunha, pobre Palmela, pobre Soveral. O que não faltam por aí, são exemplos de ... "grãs-bestas que chegaram a grãs-cruzes".  É o azar de tropeçarmos nos seixos dos Costas, ou a gente do "Centenário" no seu melhor!

 

Adenda: pelos vistos, há quem fique ofendido após uma reacção à injustificada sobranceria. No entanto, melhor faria em dar outro uso ao computador da "Ambassade du Portugal", dedicando-o a outra temática para além de futebóis, receitas culinárias, viagens à terra dos faraós, novilíngua portuguesa e outros fait-divers. Portugal merece mais.

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publicado às 16:37

Portugal não pode esquecer

por Nuno Castelo-Branco, em 29.03.10

 

Este discurso de Pedro Qurtin Graça, foi proferido por ocasião do Centenário do Regicídio. A assumida e arrogante ignorância da má fé de uma parte do Parlamento, tinha rejeitado a moção de pesar pelo crime de 1908. Desta forma, a assunção histórica do Regicídio por aqueles que se consideram como herdeiros políticos dos republicanos de 1908-10, provaram a Portugal inteiro, a pouca valia dos articulados legais condensados em textos constitucionais e instituições que conformam um Estado de Direito. Alegaram que a rejeição do crime, equivaleria a um ataque à república. Ficámos elucidados e tomámos nota.

 

Oxalá que o caminho por eles aberto, não venha pelos próprios a ser trilhado.

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publicado às 15:19

Pelo aniversário de Herculano III

por P.F., em 29.03.10


Alexandre Herculano, o "político"

 

 

 

Pelo Prof. Doutor José Augusto Seabra

 

«Sei que Deus é Deus e o homem livre»

 

Onde começam e terminam pois a poesia, a religião, a filosofia, a economia, a sociologia e a política? É preciso ainda não esquecer que, na visão de Herculano, a liberdade — por individual que seja — encarna comunitariamente numa instituição histórica: o municipalismo, que de Idade Média Portuguesa, por ele a fundo estudada, quis transplantar para a actualidade. Que admira que o liberalismo acabe por se negar aparentemente a si mesmo, a tal ponto que, combatendo como combatia a democracia e a república, tenha um dia desabafado: «sem ser republicano, chego a pensar que sou o único democrata neste país».

 

E, no entanto, a democracia, ao impor o princípio da vontade das maiorias, era-lhe insuportável, tanto como a tirania: «que a tirania de dez milhões se exerça sobre um indivíduo, que a de um indivíduo se exerça sobre dez milhões deles, é sempre a tirania é sempre uma coisa abominável». A inferioridade ou superioridade da República face à Monarquia, enquanto regimes políticos, é entretanto para ele uma «questão secundária», pois tão ilegítimo lhe parece «o direito divino da soberania régia, como o direito divino da soberania popular». Num e noutro caso, o erro está precisamente em considerar a soberania como um «direito», quando, em sua opinião, «a soberania não é direito, é facto». Como, pois, aplicar-lhe a teoria do «Contrato Social» de Rousseau, baseada na ideia da «vontade da maioria» como «vontade geral»? Não, para Herculano, que diz nunca ter encontrado uma «definição precisa e rigorosa» da democracia, não se trata senão, no fundo, de «apoucar o indivíduo» e «engrandecer a sociedade».

Da condenação da lógica democrática ele infere consequentemente a do socialismo: «a democracia — diz ele — estende constantemente os braços para o fantasma irrealizável da igualdade social entre os homens, blasfemando da natureza que, impassível, os vai efervescente gerando física e intelectualmente desiguais». (...)

E, finalmente, Herculano acaba por considerar o socialismo uma religião, no sentido dogmático do termo: «o socialismo é uma espécie de religião e, como todas as religiões, tem dogmas, e os dogmas, por via de regra, pertencem ao mundo do sobre-inteligível»

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publicado às 03:23

Pelo aniversário de Herculano II

por P.F., em 29.03.10

 

Pelo Prof. Doutor J. Veríssimo Serrão (pp.96-97)

Alexandre Herculano e a fundamentação da História de Portugal

 

 

Disse há pouco que Herculano foi um cristão não praticante, mas nunca adversário da Igreja. O seu pensamento liberal impunha-lhe uma ampla tolerância para com uma instituição que prestara os maiores serviços na fundação do reino. Nas suas andanças por terras dentre Douro e Minho pôde ele captar um quadro histórico e realidades humanas que o deixaram surpreso. A variedade da paisagem, as manifestações religiosas, a traça dos monumentos, os claustros solitários, os túmulos carcomidos, tudo lhe dera a consciência do tempo passado que ajudara a forjar uma grande nação. Por isso Herculano protestou com veemência contra as depradações e roubos que se faziam no património artístico, todo ele de marca espiritual e que perpetuava a voz de uma Igreja que moldara o carácter, a sensibilidade e o patriotismo dos homens. A venda ao desbarato dos templos e relíquias conventuais não era de molde a dignificar um liberalismo que mergulhava as raízes na Idade Média, berço histórico da Nação. Daí o seu clamor, numa hora de profunda reflexão e que traduziu em página de belo recorte literário, ao mostrar que não podia haver contradição entre o ideal fidelista da meia Idade e a cartilha dos liberais: se um erguera o amor da Pátria, a outra garantia a sua permanência histórica. Negar os valores do passado era, para o nosso autor, uma ingratidão, quase um crime:

  

«Oh! que se a minha débil voz pudesse retumbar nas paços dos grandes e no conselho dos legisladores, eu lhes dissera: Nossa glória passou, e o nome português é a fábula do mundo. Caídos no fundo do nosso abatimento, incertos acerca do futuro, é para o passado que, sem rubor ou sem custos, podemos volver os olhos: não apagueis portanto na face da terra natal todos os vestígios de recordações de consolo. Esses claustros, esses templos ora desertos, eram cheios de vida e de ruído em dias de virtude e de renome, e por baixo dessas lagens dormem homens que nos legaram larga herança de boa fama. Não vendais ao rico as ossadas dos nossos antepassados, que disso tomarão as raças vindouras estreita conta à vossa memória, nem fieis da piedade do abastado, porque a infâmia que lhe aumentar os tesouros, deixa de lhe ser infâmia. Ele espalhará ao vento as cinzas avitas, com o mesmo descaro com que o verdugo espalha as do justiçado, condenado a assim cumprir com sua justiça. Monumentos da história e fonte de meditações são os sepulcros, e em quase todas essas campas, hoje cobertas de musgo, se lê em letras meias gastas o nome de varões abalisados. Eles passaram, mas oxalá nunca a sua memória pereça. É ela o grito de consciência nacional: este grito, se o deixardes soar, talvez ajude a liberdade a regenerar os nosso filhos...»

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publicado às 02:27

Pelo aniversário de Herculano

por P.F., em 29.03.10

 

Pelo Prof. Doutor J. Veríssimo Serrão (p.91)

Alexandre Herculano e a fundamentação da História de Portugal

 

Torna-se assim possível compreender a metodologia de Herculano com vista à edificação de uma história causal, isto é, um labor de investigação que procura encontrar o fio explicativo dos factos numa ampla visão documental e crítica. O historiador não devia encarar à luz do presente o que tinha forçosamente de ser visto à luz do passado, impondo-se-lhe recuar no tempo, como se fora um homem de outras eras, para descrever os sucessos então ocorridos. Mas descrever com verdade, pondo esta acima de tudo, mesmo que tocasse em lendas venerandas, mesmo que ferisse crenças seculares. A verdade estava acima de tudo e de todos, como dogma fundamental do ideário do historiador. Entra-se assim na zona crítica do pensamento de Herculano, buscando os seus conceitos de patriotismo e de religião quando aplicados à história. Para ele, as tradições irreais e desprovidas de sentido não tinham aproveitamento no campo histórico. Tudo dizendo: Herculano comportava-se como um cientista e não como português, colocando a isenção, norma da consciência, acima do sentimento que é a voz do coração. Era uma posição nova na cultura nacional e que traduziu na mais pura forma antológica:

 

 

 

 «Tenho fé que não me cegou malevolência para com os estranhos, nem parcialidade pela terra natal. Para o homem sacrificar a longas e áridas investigações, frequentes vezes sem resultado, todas as faculdades do espírito, quase todas as horas da vida, com o intuito de dar ao seu país uma história, senão boa, ao menos sincera, é necessário, creio eu, algum amor da pátria. Cifrei-o nisso tão somente. Convertendo em realidade o meu pensamento, procurei esquecer-me de que sou português e parece-me tê-lo alcançado. O patriotismo pode inspirar a poesia; pode aviventar o estilo; mas é péssimo conselheiro do historiador. Quantas vezes, levado de tão mau guia, ele vê os factos através do prisma das preocupações nacionais, e nem sequer suspeita que o mundo se rirá, não só dele, o que pouco importará, mas também da credulidade e ignorância do seu país, o qual desonrou, crendo exaltá-lo...»

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publicado às 01:46

Em destaque

por Samuel de Paiva Pires, em 29.03.10

O novo blog do Tiago Moreira Ramalho, Rui Passos Rocha e Bruno Vieira Amaral: A Douta Ignorância.

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publicado às 00:16

Post Scriptum ao postal anterior.

por Cristina Ribeiro, em 27.03.10

Não sei se será falha minha, mas o certo é que não me lembro de alguma vez Cavaco Silva - autoproclamado Presidente de TODOS os portugueses ter, como o Rei D. Pedro V, pressionado para " a aproximação entre eleitos e eleitores ", sequer chamado a atenção, para a vergonhosa centralização do sistema. Será que " TODOS os portugueses " se reduzem aos habitantes de Lisboa? E não estou a falar em Regionalização, que em Portugal significaria apenas a multiplicação de tachos, e a reprodução de polvos: é uma das diferenças...

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publicado às 22:37

Sejamos realistas!

por Cristina Ribeiro, em 27.03.10

Os monárquicos saberão que, por si só, a Monarquia não será nunca a panaceia para os muitos males de Portugal - ainda que, já o disse, ela só faça sentido se se atribuirem ao monarca poderes interventivos iguais ao outro Chefe de Estado, que é o P.R.- matéria para revisão constitucional -, sabendo nós que, patriota que é, por definição, o Rei não deixará os seus créditos por mãos alheias, como tem acontecido com aquele...

Cabe pois aos partidos o dever de moralização, o de trabalhar em prol do Bem Comum, e não do bem pessoal, como nos vêm habituando, juntando os seus esforços aos do monarca, como aconteceu nos melhores tempos da Monarquia Constitucional, e era a intenção de D. Carlos e do seu último Primeiro Ministro.

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publicado às 18:32

Porque a Pátria estava exangue.

por Cristina Ribeiro, em 27.03.10

 

 

Bem a propósito dessta movimentação em torno da Bandeira Branca e Azul, que se tem espalhado por vários pontos do País, desde Agosto último, eis que, quando procuro bibliografia para A Monarquia do Norte, me vem parar às mãos este emocionado texto de Joaquim Leitão, ( que, entre outros escritos, fizera, quase " in loco ", a reportagem das Incursões empreendidas por Paiva Couceiro, as quais viriam a culminar na restauração, efémera, embora, do Regime por tantos aclamado ):

« ... Ao acabarmos de subir a escadaria dos Paços Municipais da cidade que restabeleceu a independencia de Portugal, exclamámos:

- Linda e querida Lisboa da Restauração! Aqui nos tens gratos e lembrados daquela manhã dum Sábado de 1640, em que encarnaste a Liberdade, a Independencia, a Patria!

O que se passou naquela manhã em que os corações não sentiam o frio de Dezembro ( ... )

Heroes houvera-os e have-los-á sempre em Portugal (... ).Os acontecimentos históricos são termos duma crise.Portugal padecia.O orgulho da Nação andava ferido. »

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publicado às 16:20

Esta noite, ruidosa comemoração no Partido Socialista

por Nuno Castelo-Branco, em 27.03.10

 

Pedro Passos Coelho, novo líder do PSD

 

e entretanto numa outra sede, também se comemora com isto

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publicado às 00:42

Dizem que rir é o melhor remédio.

por Cristina Ribeiro, em 26.03.10

Durante o dia é provável que tenha sorrido algumas vezes ( no  tempo que corre é o máximo que se pode fazer, porque motivos para rir, com vontade, nem espreitando pelo canudo do Bom Jesus, donde quase tudo se alcança ), mas há pouco, ao ouvir o novo Vice-Presidente do BCE ( " quo vadis Europa " ), vulgo Victor Constâncio, não contive uma gargalhada ( só podia ser provocada pela indignação!... ): " Desejo que o novo Presidente do Banco de Portugal seja uma pessoa independente ", dizia ele... ; estar-se-ia a penitenciar? Só pode...

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publicado às 20:43

CANTIGA DA RUA !

por Nuno Castelo-Branco, em 26.03.10

 

 

Para quem tenha qualquer dúvida, aqui está a prova, sem truques de perspectiva, photoshop ou outras habilidades do género. Alguns órgãos de comunicação social de "referência", já iniciaram a campanha de desinformação, dizendo terem os "Carbonaros" substituído uma certa coisa acintosamente feia e de má memória de um péssimo século, pela bandeira azul e branca.

 

Como sempre, mentem. A novidade é uma não-notícia, porque totalmente falsa!!

 

O mastro estava vazio desde finais de Novembro de 2009, quando ali se ergueu a árvore de Natal que todos os anos promove um banco qualquer.

 

Nos sectores da blogosfera políticamente bem instalada na vida, a resposta obedece previsivelmente ao cânone clássico, preferindo-se desprezar a ousadia e invectivando os monárquicos de patuscos! São tão conservadores e elitistas, estão caquéticos, imobilistas e agarram-se tão ferozmente aos capitosos privilégios de casta! É o eterno argumento dos vencidos reduzidos à defensiva e incapazes de sequer colarem um cartaz, coisa que a passada juventude jamais lhes proporcionou. Sempre tiveram quem o fizesse por eles, a troco de metal sonante. No fundo, fica-lhes bem. Não esperávamos outra reacção, até porque vendo bem as coisas - e concordando ou não com o que por vezes lá se escreve -, o 5 Dias tem uma outra consistência. Pelo menos, ignora-nos e em algo podemos convergir: no patriotismo.

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publicado às 10:28

Bandeira Nacional: no mastro do Parque Eduardo VII

por Nuno Castelo-Branco, em 26.03.10

 

Desde ontem à noite (21.00H) hasteada no mastro mais alto de Lisboa

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publicado às 10:11

C A R B O N A R A ao ataque!

por Nuno Castelo-Branco, em 26.03.10

A Carbonara - Movimento Monárquico de Massas - promete um novo acordar nesta manhã de sexta-feira, 26 de Março de 2010. O prato servido a Portugal inteiro tem todos os condimentos para agradar: picante, bem condimentado e inesquecível. para repetir.

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publicado às 01:00

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