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Hugh Laurie no Coliseu dos Recreios

por Samuel de Paiva Pires, em 31.07.12

Acabo de chegar a casa após um magnífico concerto de Hugh Laurie. O talento do britânico é realmente de outro mundo, embora deva destacar-se a sublime The Copper Bottom Band, que o acompanha na carreira musical, de onde saliento Vincent Henry nos instrumentos de sopro, que a dada altura me arrancou arrepios com o clarinete num dueto com Laurie no piano. Mais que um mero concerto, foi um espectáculo de entretenimento em que o seu característico humor não parou de arrancar gargalhadas à plateia, de onde, a dada altura, se ouviu um sonoro "I love you", a que Laurie respondeu: "Well thank you, I don't really know what to say but we have to be honest, we hardly know each other, [erguendo o copo de whisky] but after a couple of these..."

 

Aliás, Laurie entrou logo a matar, dizendo sobre a célebre música St. James Infirmary: «This is a song about a sailor who used to fuck a lot. St. James Infirmary was a place for patients with leukaemia and venereal diseases. Nowadays the place is St. James Palace, where the Queen does whatever it is she does, that is none of my business.»


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publicado às 23:50

Post de partida

por Francisco Costa, em 31.07.12

Decidi iniciar a minha escrita no Estado Sentido seguindo as linhas conceptuais ditas normais para estas ocasiões. Como tal, começo por escrevinhar os traços orientadores do meu primeiro post. Não me posso esquecer dos agradecimentos. Procurarei não ser rude ou dar uma imagem errada de quem sou. Persisto na ideia de que não posso olvidar uma pose humilde e condizente com os meus valores. E é então que dou por mim a perceber que todos estes preparativos assumem um paralelismo metafórico interpretado pela figura do Professor Cavaco Silva: não falam, não têm vida própria - mas aborrece-me só de pensar neles.

 

Não é a minha estreia na blogosfera, devo confessar. As tentativas de criar um blog estável, contínuo e de continuada escrita foram como a obra de Randa Haines – filhos de um Deus menor, perdidos por entre leituras, esquecidos entre horas a fio de estudo e, claro está, vilipendiados até à exaustão. Espero agora conseguir encontrar o fio à meada.

 

Ao meu caríssimo Samuel de Paiva Pires, deixo uma palavra de agradecimento pelo convite que me decidiu endereçar. Tenha sido por ver em mim as competências necessárias para cumprir tais desígnios, quiçá por achar que seria um desafio estimulante para um cérebro que não se deixou formatar pela academia ou talvez ainda pelo efeito que as cervejas que nos acompanhavam no momento do convite tiveram sobre ele, a verdade é que se afigurou impossível recusar tamanha oportunidade.

 

Aos restantes Conselheiros, um obrigado pelas mensagens de boas-vindas. Nunca é de mais reforçar a honra que é para mim integrar esta trupe, que nada tem de circense, mas que por artes de escrita mágicas se tornou num dos locais onde a opinião crítica sobrevive graças em toda a sua essência.

 

Aos nossos leitores e restantes seguidores, apenas suplico que me concedam uma margem de manobra equivalente à que se costuma dar à pessoa menos vistosa num grupo de gente bonita – porque no final de contas, eu esforço-me e até sou simpático.

 

Prometo assiduidade na escrita, sátira nas palavras. ‘Mais um pouco de Sol – e eu era brasa’, escreveu Mário de Sá-Carneiro num dos seus diversos poemas. Só espero ser um fiel seguidor desta doutrina e incendiar os ânimos da blogosfera com as minhas opiniões.

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publicado às 22:30

Sintomas da decadência Ocidental

por Samuel de Paiva Pires, em 31.07.12

Jack Donovan, Everyone a Harlot:


«People used to have decent aspirations. They wanted to have families. They wanted to do good work. They wanted to be good citizens, good Christians, good people. Now everyone wants to be a player and a porn star. Everyone wants to be the kind of monkey that all of the other monkeys wants to rub up against.


We call this matrilineal hump-fest "progress," and seek our moral redemption in recycling.


Sex may be natural, and it sure is fun, but it's just a part of life. A society that over-emphasizes sex to the point where it seems like the only thing in life that means anything is grotesque and degraded, and for most people it delivers more emptiness than ecstasy.


In healthy patriarchies, men push themselves to earn the respect and admiration of other men. They work to prove their strength, courage and competence to each other. Men pride themselves on their reputation for mastery of their bodies, their actions, and their environment. They want to be known for what they can do, not just how well or who they can screw. And they sure as hell don't waste their time trying to figure out what they can do to bedazzle bimbos.»

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publicado às 14:24

Reach

por João Quaresma, em 29.07.12

Tema oficial das Olimpíadas de Atlanta.

 

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publicado às 23:20

O Estado sucateiro

por João Quaresma, em 28.07.12

João Miranda, no Blasfémias:


«O Pavilhão Atlântico foi mais um dos muitos investimentos ruinosos feitos pelo Estado. Os 50 milhões investidos nunca renderam mais do que 2% ao ano, tendo rendido na maior parte dos anos cerca de 0,5%. Em 2011 renderam 0,4%. Renderam menos que a inflação e bastante menos que um depósito a prazo. Se os 50 milhões tivessem sido colocados no banco  a render a uma taxa de 5% hoje o Estado teria 100 milhões de euros na conta. Em vez disso tem um pavilhão que foi avaliado pelo mercado em 22 milhões de euros (note-se que no concurso público realizado ninguém deu mais). Feitas as contas, entrando ainda com os lucros miseráveis obtidos ao longo dos anos, o Estado deve ter perdido cerca de 70 milhões de euros a preços actuais. Mas note-se que o que foi ruinoso não foi a venda do Pavilhão Atlântico. Ruinosa foi a decisão de o construir.»


Muito bem: então vamos seguir essa lógica de tratar equipamentos culturais como investimentos financeiros e vender também outros investimentos ruinosos como o Teatro Nacional D. Maria II, o São Carlos, o Museu de Arte Antiga, o Panteão Nacional, a Biblioteca Nacional, a Torre do Tombo e tudo o mais que não der lucros acima dos juros que a banca daria pelo montante equivalente ao valor de mercado. Ninguém duvidará que, por muito pouco que alguém esteja disposto a pagar por eles, o negócio nunca será ruinoso. Isso sim é gerir racionalmente o património do Estado. Não há dúvida que ao longo de séculos andámos sempre governados por gente completamente estúpida, sem capacidade de julgamento. Felizmente que agora saímos das trevas e vimos a luz: nós não somos cidadãos de um país nem existe Estado, somos meros clientes de uma empresa pública que liquida a nossa massa falida.

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publicado às 16:50

PSD "arde como um loureiro"

por Pedro Quartin Graça, em 28.07.12

A "presença" do ex-conselheiro de Estado de Cavaco Silva, Dias Loureiro, alegadamente envolvido em duvidosas práticas bancárias, como conselheiro de Pedro Passos Coelho foi a última novidade estival que fez perder a paciência aos social-democratas, inclusive junto de muitos dirigentes "passistas". Na verdade, poucos compreendem o motivo de tal escolha, face à situação de Loureiro, fazendo ver ao PM os enormes prejuízos de imagem que esta incompreensível colaboração traz ao PSD e ao Governo. 

Vem-nos logo à memória a conhecida frase de Johann Goethe "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és"... ou como o administrador-delegado da Merkolândia para Portugal fica, de novo, muito mal na fotografia. Se a esta revelação adicionarmos os "números" da lixa e da porcaria da autoria do mesmo primeiro-ministro, o resultado final é um quadro verdadeiramente indigno da imagem pública de um governante que se preze, como Paulo Rangel não deixou, muito oportunamente, de recordar. Falta de cortesia, de decoro e de respeito pelas pessoas. Ai Passos, Passos.

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publicado às 07:20

Um rissol para a camarada Ri Sol

por Nuno Castelo-Branco, em 27.07.12

Tal como convém a qualquer república, na Coreia do Norte o Fantástico Líder deu o nó, talvez emulando os fastos outrora protagonizados por outro republicano de cepa, o Sr. Sarkozy. O pai Kim Il jong trouxe ao mundo o actual Chefe, fruto da sua relação com uma cantora. Cumpriu-se uma vez mais a tradição e vai daí, o Fabulástico Líder escolheu outra cantora para com ele partilhar o tálamo. A feliz contemplada pelo camarada Kim Jog-un, dá pelo auspicioso nome de Ri Sol.

 

Aguardamos ansiosamente pela primeira visita oficial dos camaradas-noivos a Portugal, onde o PCP-BE terá a oportunidade de lhes oferecer um ágape de boas vindas. Sugerimos que incluam o luso rissol na ementa e sendo ambos os nubentes bem abastecidos de carnes, há que homenageá-los, recheando os rissóis com chispe e especiarias a gosto.

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publicado às 10:25

Da série "Custe o que custar"...

por Pedro Quartin Graça, em 27.07.12

1. “Que se lixem as eleições”

 

2. "Não estamos a pôr porcaria na ventoinha e a assustar os portugueses."

 

A coisa promete...

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publicado às 06:14

« Pola lei e pola grei ».

por Cristina Ribeiro, em 27.07.12
" A Tradição não é um castelo cerrado, não é um ponto imóvel na História; é uma criação constante. O Passado é força que nos arrasta, não é cadeia que nos prende. Toda a exacta noção de Progresso está numa sã interpretação da Tradição, pois o verdadeiro Tradicionalismo é, antes de tudo, uma interpretação crítica do Passado, quer dizer, uma atitude de razão. Tradição não é velharia - não é hábito irreflectido que apenas consista em repetir cegamente o que teve razão de ser e não a tem já. Isso seria inércia, e a Tradição é contra a inércia "
Luis de Almeida Braga

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publicado às 01:25

Pavilhão Atlânticórepublicano

por Nuno Castelo-Branco, em 27.07.12

Foi entregue a um consórcio onde surge o regimental BES de todas as sem surpresas, também figurando entre outros, o feliz adquirente Luís Montez. O nome diz-nos qualquer coisa, mas poderá alguém informar-nos acerca de quem se trata? Será mesmo o "mesmo" ou tudo não passará de uma confusão do Público?

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publicado às 00:19

«Que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal». Não façamos desta frase mais do que o que ela é: um soundbite. Um de vários que fazem parte de uma tentativa, por via do marketing político, de conter os danos causados pela notícia da diminuição da receita fiscal apesar do aumento dos impostos. A solução seguida pelo Governo para equilibrar as contas públicas não está a resultar (por muitos elogios que venham do exterior), os sacrifícios exigidos para arrecadar mais receita estão a ser contraproducentes e arriscam-se a precipitar a economia nacional numa espiral recessiva. Esta é que é a questão. Isto e a crise do Euro é que são os factos importantes da política portuguesa no momento presente; tudo o resto é secundário. Por isso esta ofensiva de charme: «Não estamos a exigir demais ao País»,«as pessoas simples percebem», «eu estou mais magro porque tenho feito dieta». Soundbites.

 

O problema dos soundbites é que, se forem mal escolhidos, pode sair o tiro pela culatra. O português comum, que acha que os políticos são todos iguais e andam todos ao mesmo, simplesmente não "compra" este «que se lixem as eleições». Naturalmente que nem Passos Coelho, nem ninguém no PSD, nem nenhum político se está lixando para eleições, e até às de 2015 (se o Governo durar até lá), o «que se lixem as eleições» concerteza será lembrado e arremessado impiedosamente a quem o proferiu. Admira-me como é que políticos experientes e tão ciosos do mediatismo cometem erros tão crassos.

 

Eu não tenho má impressão de Pedro Passos Coelho (o facto de Cavaco não morrer de amores por ele por si só já é prestigiante) e compreendo que seja o alvo de fortíssimas pressões de todas as direcções. Mas, a avaliar por este primeiro ano de governo, penso que está muito longe de ser o PM que a situação do país exige neste momento, ainda que não se conheça alternativa e que - escusado será dizer - seja muitíssimo melhor que patife que o precedeu. O que não é muito difícil.

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publicado às 13:02

A educação de um Príncipe Real.

por Cristina Ribeiro, em 26.07.12

Como disse já, ando tão enojada com a politiquice que se vai fazendo - " atrás de mim virá quem tão mal como eu fará -, cansada destes politicos liliputianos, que só no Passado encontro bons exemplos.

Recupero, por isso, um texto aqui colocado há já dois anos, talvez, na esperança de ver  a pedra dura da actualidade furar com a água mole que vai caindo.

Trata-se da carta de um Português que deveria envergonhar os que se passeiam pelo poder, se estes tivessem capacidade para pôr a mão na consciência.

 

                                        

« Meu Senhor

 

Quando Vossa Alteza chegou á idade em que a superintendencia da sua educação tinha que ser entregue a um homem houve por bem El-Rei nomear-me ayo do Principe Real. Foi Sua Magestade buscar-me às fileiras do exército. ( ... )

Escolhendo um soldado para vosso ayo que fez El- Rei? Subordinou a educação de Vossa Alteza ao estado em que se acha o paíz. N'esta epocha de dissolução, em que tão afrouxados estão os laços da disciplina, entendeu Sua Magestade que Portugal precisava mais que de tudo de quem tivesse vontade firme para mandar, força para se fazer obedecer ( ... )

Tão bom Rei, tão bom soldado foi D. Pedro V nos hospitaes como outros no campo de batalha, porque a coragem e abgnação são sempre grandes e nobres seja onde fôr que se exerçam e tudo que é grande e nobre è proprio de Rei e de soldado.

Não faltará ensejo a Vossa Alteza de revelar aquellas qualidades.  Não lhe escassearão por certo provações e cuidados, revezes que trazem o desconforto ao espírito. Para todos eles carece Vossa Alteza de estar preparado temperado pela educação, pelo estudo dos bons exemplos pela firme vontade de vir a ser um Principipe digno d'esse nome e do da sua Caza. E para ser Principe é preciso primeiro que tudo ser homem (... )

 

Do seu ayo muito dedicado »

 

Este excerto duma carta, dirigida por Mouzinho de Albuquerque a D. Luíz Filipe de Bragança, realça a importância da educação num futuro Chefe de Estado, relevando o crucial da autoridade ( que não autoritarismo ) que advém do exemplo.

Numa época em tudo semelhante à que então carecia desmedidamente de um homem de pulso, espera-se que esta carta não caia em saco roto...

 

 

 

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publicado às 01:08

Ao Pedro Quartin Graça

por Nuno Castelo-Branco, em 25.07.12

Ainda há poucas semanas, tive a oportunidade de escutar a opinião que uns russos, amigos dos meus pais, tinham acerca de Portugal. Interrogando-me um deles acerca da razão pela qual a II República tinha vingado durante meio século, apenas me ocorreu observar que ..."enquanto foram vivas as gerações que conheceram o Portugal de 1907-1926, Salazar pouco ou nada teve de temer". É esta a minha opinião. Assim, a memória da história consiste numa essencial ferramenta do situacionismo, por muitas falhas que ele demonstre. 

 

Infelizmente não sou um crente do sistema que as listas engendradas por capelinhas apresentam como a única, quiçá derradeira, forma de democracia. Assim, nos últimos vinte cinco anos apenas me apresentei, por amável convite do Pedro Quartin Graça, às últimas eleições parlamentares, sem que isso representasse qualquer tipo de ilusões ou ânsia de insólito protagonismo. Antes pelo contrário, tal como uns dias antes do sufrágio aqui deixei escrito, apenas fui movido por uma certa ideia de Portugal e por alguns princípios basilares que o então MPT propunha a um eleitorado invariavelmente distraído. Esses princípios eram e são uma novidade já antiga de três décadas e ensimesmo-me a pensar no que hoje poderíamos ser, se os nossos agentes políticos tivessem optado pela racionalidade que alija paixões, interesses mesquinhos ou fanatismos sem nexo. Bem ao contrário daquilo que alguns anónimos comentadores poderão pensar, jamais participei em qualquer tipo  de bataclan sito nas proximidades do poder instituído. Para colocar um pedregulho sobre qualquer hipótese de recompensa política, declaro porvir de uma família, onde apesar de profundas diferenças de opinião, existe uma absoluta lealdade à Casa de Bragança. Assim, qualquer sugestão de calculismo tachista da minha parte, é um escusável insulto que nem sequer merece uma resposta. Por espreguiçada lassidão e total falta de ambição - um dos meus grandes defeitos, creiam-me -, enfastiam-me reuniões pro forma, palestras de agenda mediática e os bem conhecidos clubes de defesa de cumplicidades. Pouca gente conheço que ocupe altos cargos políticos e nunca lhes pedi ou sugeri o que quer que fosse. Se é certo não cultivar quaisquer tipo de pruridos ou repulsa quanto ao desempenho sério de cargos públicos - um serviço que não pode ser uma sinecura -, tal nunca aconteceu, nem penso estar próximo o momento de surgir qualquer proposta desse jaez. Em trinta e seis anos de regime constitucional, apenas fui convidado uma única e exclusiva vez, para um encontro de  "troca de impressões" com um ministro. E fiquei por aí, sem sequer por um momento pensar em telefonemas ou feed-backs sem merecimento. 

 

Aquilo que aqui disse acerca do desabafo, calculado ou não, de Pedro Passos Coelho - homem que jamais vi em carne e osso e com quem jamais mantive qualquer tipo de contacto directo ou indirecto -, apenas confirma a necessidade da urgência do regresso do senso comum à nossa política. Os erros são tão graves como esmagadores e de longe chegam ao nosso quotidiano, sendo fastidiosamente repetidos até à exaustão. Não se pode modificar um quadro catastrófico em apenas um ano e uns tantos meses de governação. Por muito que isso possa escandalizar alguns dos leitores deste blog, sempre desejei o maior sucesso a todos os primeiros-ministros que assumiram tal função, excluindo-se, claro está, o Sr. Vasco Gonçalves, um prestidigitador da desgraça a quem dediquei toda a oposição que os meus então verdíssimos anos possibilitavam. Sempre me foi completamente indiferente o exercício do poder por parte de qualquer um dos Partidos do arco da governação, deste que essa pesadíssima faina correspondesse às límpidas necessidades do país enquanto entidade soberana. As promessas foram muitas, mas a louca realidade mostra o oposto daquilo que todos almejámos. 

 

Muitos erros têm sido cometidos pelo actual governo e poderá ser fácil apontá-los, sem que isso até agora tenha implícita a necessária e urgente apresentação de alternativas. A verdade é que a III República - esperemos que seja a derradeira da série - se encontra submetida à tutela estrangeira, vergonha que era há décadas por muitos apontada como incontornável. Não escutaram, quiseram participar na fábula da cigarra e da formiga, vendendo ao desbarato os sonhos e as hipóteses de sólido porvir da nação e do Estado. Vivemos um momento desesperado e nem por isso se vislumbra aquilo que seria legítimo e lógico perante a queda iminente, ou seja, uma certa ponderação e alijar de ódios, recriminações e da clubite que outrora destruiu o nosso primeiro e longevo regime constitucional. Sem dinheiro próprio ou importado mercê do Bundesbank, sem fronteiras e alfândegas com pautas aduaneiras, sem Forças Armadas, sem um Chefe de Estado de acordo com o nosso percurso histórico, sem indústria, agricultura e pescas, o que nos propõem então os descontentes com a brutalidade que diariamente é infligida a uma população que contudo se mantém calma? Nada e apenas uma voz se fez ouvir quanto à tão ardilosa quão errónea proposta de todos recorrermos à espiral inflacionista, ..."colocando as rotativas a trabalharem a pleno vapor". Todos decerto conhecem o que isto implicaria a breve trecho.

 

Este regime é tudo aquilo que lhe apontamos e talvez ainda algo mais que desconheçamos, hipótese que o meu amigo Pedro Quartrin Graça - várias vezes deputado e crítico-conhecedor do sistema - talvez esteja em boa posição para denunciar. Desconhecendo os meandros do poder e os seus agentes, creio-me livre para tecer considerações acerca da necessária desfulanização dos nossos problemas políticos que inevitavelmente têm as suas repercussões em toda a sociedade. Não me limitei à defesa de Pedro Passos Coelho, o presidente de um Partido no qual jamais votei. Apenas pretendi indicar o óbvio, pois à falta de alternativas coerentes e que garantam a nossa impunidade de meros e ignotos comentadores-escribas, não se vislumbra outro caminho.

 

Alguém quer apontá-lo?

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publicado às 20:55

"Abrantes II, o Regresso"

por Carlos Santos, em 25.07.12

Aparentemente, os velhos Abrantes querem retomar o casarão abandonado. O que gerou três reacções comoventes: a do Novo Abrantes, a do albergue que nunca deixou de ter Abrantes, e a dos órfãos do silêncio corporativo, que agora se regozijam com laudes e afiar de facas!

Eu, que nada tenho a ver com nenhuns, aconselho o público a sentar-se e a apreciar o triste espectáculo da baixa política lusa que todos prometem. Será kitsch, como qualquer sequela. Mas os filmes de Verão nunca foram grande coisa.

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publicado às 15:42

O "reino" das sinecuras

por Pedro Quartin Graça, em 24.07.12

O Nuno e o Miguel são crentes, o que é bom, e desejam o melhor para Portugal, porque são patriotas, o que é excelente e altamente louvável. E isso, nos tempos que correm é, infelizmente, uma virtude rara, para não dizer exclusiva de uns poucos, entre os quais se contam os milhares de leitores do Estado Sentido.

Não deveria, pois, ser eu a decepcioná-los nas suas legítimas convicções de que Passos é, verdadeiramente, diferente de todos os que o antecederam. A verdade é que não é, por muito que isso lhes custe. E custa, seguramente. Lamento decepcioná-los caros amigos mas não partilho, nem de perto, nem de longe, do vosso "entusiasmo". Poderia escrever aqui mil e uma publicamente desconhecidas razões por o fazer. Contar o que nunca foi contado. Não o farei contudo. Pelo menos por ora. Direi apenas que um Primeiro-Ministro, com o tal P e M grande de que o Miguel fala, é precisamente a pessoa que trata o seu Povo da forma como este o faz, que é indiferente ao sofrimento real de centenas de milhares de portugueses, que acha que não há alternativa à austeridade cega com que destrói os mais desprotegidos e esmaga o que resta da classe média, que compactua com jogos de bastidores de duvidosíssima legalidade, que é forte com os fracos e fraco com os fortes, que deixa o País morrer e incentiva a partida dos seus melhores filhos, não é alguém em que eu confie ou a quem possa entregar o futuro do meu País. Portugal merece melhor. Alguém com visão, capacidade, arte e engenho. Com um rumo e uma ideia para Portugal. Esse homem não é, decididamente, Passos Coelho. Por muito que isso nos custe a todos.

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publicado às 21:49

A justiça que se vai fazendo ( 3 )

por Cristina Ribeiro, em 24.07.12
" No Governo e no Parlamento discutia-se mais do que se administrava; e o papel do monarca, por vício do sistema, impunha-lhe todas as responsabilidades mas concedia-lhe um mínimo de faculdades e prerrogativas. 
D. Carlos curou da política externa, fez-se autor de uma obra notável, como artista e como cientista, seguiu os passos dos políticos e pôde bem apreciar o alcance do que, mais tarde, chamaria « legislação ingénua ».
A partir de 1897 começou a entediar-se com Lisboa. Estava enojado, e o desânimo apoderou-se dele. Disse ao conde de Arnoso: 
- " Que triste e dolorosa situação esta! Ou o país acorda, ou!...

Do desânimo quase atingiu o desespero: 
- " Faltam bons políticos. Isto é uma monarquia sem monárquicos. "

Mudou de táctica, fazendo-se anti-demo-liberalista, sem por isso, antes pelo contrário,deixar de ser bom português. Indiferente aos insultos, ainda que zeloso da ordem pública, seguiu o seu caminho.
Abominava certos processos de fazer política, e, até onde lhe chegava a autoridade sempre pôs o maior interesse e rigor no cumprimento do dever. "

Casimiro Gomes da Silva, « D. Carlos »



Enjoada com esta politiquice também eu estou; como entendo o Rei!

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publicado às 19:27

Tal como no passado

por Nuno Castelo-Branco, em 24.07.12

Em boa hora, o Miguel disse o que muitos pensam e preferem guardar. Sem qualquer receio dos bloquinhos de notas do politicamente correcto, cremos que o Primeiro-Ministro deu aquele murro na mesa que todos aguardam há décadas. A história constitucional portuguesa tem sido pontilhada por um outro dirigente que diz aquilo que é urgente realizar, não se compadecendo com cálculos acerca do seu próprio destino político. Há cento e poucos anos, D. Carlos I - pela acção de João Franco - pagou cara a honestidade, quando na célebre entrevista ao Le Temps, mostrou a verdadeira situação a que partidocracia tinha conduzido o sistema liberal-representativo. Tal como então, os sátrapas do comodismo da nossa época, não apreciam a verdade que incomode a contabilidade de rezes ao dispor nas urnas. Se noutros tempos os valentes caíam num qualquer Terreiro do Paço sito algures na Europa, este período de acanhadas e tímidas vilezas, apenas propicia a liquidação de uma carreira política destinada mais cedo ou mais tarde, a um inglório reconhecimento. 

 

Passos Coelho poderá perder as próximas eleições, sejam elas as locais, sejam as nacionais. No quadro de todas as decadências que o regime apresenta, arriscam-se mesmo a ser as derradeiras dentro do esquema edificado em 1976. A ser assim, pouco importará saber se a perda de uma maioria ou de uma liderança, significarão algo mais senão o obliterar de algumas panças impantes que não deixam ver os próprios pés que se aproximam do precipício.

 

Muito há para fazer, desde o enfrentar da vergonhosamente esmagadora herança das PPP, até aos gastos e mordomias dos agentes da política e administração pública. O país deve de uma vez por todas entender que um "lugar político" consiste antes de tudo, no sacrifício a que o dever obriga. É certo verificarem-se erros no quadro da racionalização do aparelho do Estado - numa situação explosiva, os cortes a eito na saúde, educação e nos rendimentos de inserção deverão ser reavaliados -, mas há que seguir adiante, num momento em que PPC decerto terá entendido um Portugal que antes de construções teóricas acerca de uma certa liberdade individual plasmada pela servidão à iniciativa privada "liberal", tem como esteio de uma história que lhe garantiu a independência e a expansão, um Estado forte, regulador e eficaz nos múltiplos campos da sua acção. Sobretudo, o governo deverá ser intocável em matéria de lisura de procedimentos e no definitivo cercear de favoritismos. No campo externo, PPC poderá parecer "interessar-se pela Europa" e de facto procurar voltar às paragens de onde Portugal jamais deveria ter saído. Ora, isto está a ser feito. Até os ditos liberais recorrentes aos cofres do Estado disso sabem, embora prefiram continuar a procissão de queixinhas e indignações com autos-da-fé sem nexo. É mesmo necessário que se faça o que a contragosto há a fazer, pois ceder-se agora às conveniências de Partido, seja ele qual for, de uns tantos oportunistas sem espinha ou categoria para sequer governarem um quiosque de praça, condena o país a um mortal esfaqueamento sem remédio. Não está em causa o PS ou o PSD, é-nos totalmente indiferente o agente da mudança que gostemos ou não, há que realizar.

 

Ou aguentamos isto até ao fim, ou teremos um déspota de óculos escuros -  em alternativa a um de barbas e boina - que nos submeta a infindáveis discursos sem tino, mordaças, barrigas vazias, pés descalços e pauladas lombo abaixo. No quadro institucional e internacional que se apresenta, não há outra forma.

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publicado às 18:27

La dolorosa: Catalunha pede ajuda a Castela

por João Quaresma, em 24.07.12

«Catalunha vai pedir ajuda financeira a Madrid


A região da Catalunha, a segunda de Espanha em termos de PIB depois da de Madrid, vai pedir ajuda financeira ao governo espanhol, disse o responsável pela Economia do governo catalão.

A região de Valência pediu na sexta-feira ajuda financeira a Madrid.

Questionado ao canal de televisão britânico BCC sobre um apelo da Catalunha a Madrid, Andreu Mas-Colell respondeu: "Sim. A situação actual é que a Catalunha não tem outro banco além do Governo espanhol".»

 

A regionalização acaba quando acaba o dinheiro de todos, ou seja, do estado central. Resta saber como é que agora, na hora de pagar a conta, vão funcionar os nacionalismos, regionalismos e outros populismos que foram exacerbados durante décadas.

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publicado às 16:00

A magreza de Passos

por Pedro Quartin Graça, em 24.07.12

 

Mas o que verdadeiramente me deixou comovido foi a sinceridade das declarações de Passos com o sonoro "Que se lixe as eleições”. Tanto que até soltei uma furtiva lágrima. Os presidente de câmara do PSD acompanharam-me...

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publicado às 08:05

« Canção às Grades »

por Cristina Ribeiro, em 22.07.12

Porque é que o dia demora?
Prenderam a madrugada:
A noite ficou cá fora,
Parada.

Porque é que tarda em florir?
Prenderam a Primavera:
O Inverno não quis partir,
À espera.

Porque é que a pátria envelhece?
Prenderam a mocidade:
Seiva, Sol, que fortalece
A idade.

Porque choras, Portugal?
- Prenderam o meu futuro: Jamais terei ideal
Mais puro.


António Manuel Couto Viana

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publicado às 00:18

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