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É isso mesmo o que Otelo acha!

 

*Fila da frente da esquerda para a direita: Mário de Nascimento Ferreira, Rui Graça (primo direito da minha mãe), José Marques Tapada, Kaiser, Carlos Cacho.
Fila de trás da esquerda para a direita: Mário Alves Pinto, Otelo Saraiva de Carvalho, Carlos Paixão, Cruz Nunes, Octávio Esteves.

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publicado às 16:15

Sem emenda

por João Pinto Bastos, em 31.10.13

Com ou sem guiões, este país não têm emenda. Ponto. 

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publicado às 14:52

Agência de rating NSA dá nota máxima a Portugal.

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publicado às 13:41

Com um bocadinho de sorte...

por Nuno Castelo-Branco, em 31.10.13

...os trabalhadores do metro de Caracas descobrirão outra santa imagem, a de um conhecido vendedor de computadores. 

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publicado às 12:18

Uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma

por Pedro Quartin Graça, em 31.10.13

100 páginas com banalidades das quais apenas uma se aproveita como novidade. Total ausência de metas, de quantificação de custos deste processo e de benefícios a médio e longo prazo para Portugal e para os Portugueses. A habitual incapacidade de previsão. Eis o "nado morto" que, com a habitual pompa e circunstância, ontem veio a público pela mão do Primeiro-Ministro de facto. Meses e meses para "a montanha parir um rato", em suma. Nada que não se esperasse. Continuamos para bingo.

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publicado às 12:04

Até a este momento...

por Nuno Castelo-Branco, em 31.10.13

...sem notícia na imprensa portuguesa. Deve ser mais uma invencionice imperialista.

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publicado às 10:00

Os manuais da reforma do Estado

por John Wolf, em 31.10.13

O processo político nacional está a decorrer numa biblioteca. É um discussão acesa entre tomos - toma lá, dá cá. Os conflitos obedecem a manuais de instruções que são apresentados como o último grito da razão política. No meio da discussão literária, lá aparecem uns fascículos proveniente de uma outra capital - escritos que se inscrevem noutra categoria de inutilidade. Ora vejamos o que quero dizer sobre a livraria em que estamos metidos. Os governos, ainda antes de serem eleitos, começam logo a vender o seu programa, a defiinir em capítulos as principais linhas de orientação política económica e social. Ao fazê-lo, ao escrever essa receita, sabem que existe um livro sagrado que pode esmagar a bula com uma martelada jurídica apenas. A constituição da República Portuguesa é um volume pesado e pode ser colocado a jeito, sobre cadernetas e dossiers com escrituras alegadamente sagradas. O governo de Passos Coelho que obedece às fórmulas inscritas no volume remetido pela Troika, tem visto a sua vida andar para trás por causa daquela terrível enciclopédia - a Constituição da República Portuguesa. O governo mete uma medida avulso e zás catrapás, cai-lhe em cima o canone e a trindade constitucional - e nada feito. E então pensáram no seguinte; lá porque a constituição é um best-seller político e anda sempre nos tops nacionais, não vejo razão para não escrevermos o nosso próprio êxito de bilheteira? (sim, o contribuinte vai pagar pelo resultado das linhas escritas). Vamos dar um título sexy à coisa. Vamos chamar guião à reforma do Estado, de uma forma taxativa, para que ninguém duvide do seu alinhamento, do encadeamento de ideias. E se alguém questionar os ditames, podem sempre dizer; "é assim meu amigo, está escrito preto no branco, aqui no código"). Portanto são pelo menos três livros que se encontram agora na arena para o combate que se segue: o guião, a constituição e o programa da Troika. Mas tenho a certeza que o PS, por se sentir excluído pelas editoras, ainda vai apresentar um argumento original para se imiscuir no filme que decorre (o outro conjunto de folhas do Sócrates, é um paper de adolescente babado, mais nada; não conta). O curioso da recensão literária que realizámos, é que o guião faz referências bibliográficas à constituição e à ordem de trabalhos da Troika, mas o inverso não acontece. A constituição quer lá saber do guião ou o que pensa ou deixa de pensar a Troika. A constituição é literatura clássica - perdura para além das novidades do mercado de publicação. A segunda edição da Troika (já tinha havido uma intervenção proposta pelo escritor Mário Soares) é uma obra próxima do neo-modernismo com laivos de utopia. A páginas tantas do guião, avançadas em font Arial muito próximo do bold (não vá o leitor adormecer), a conversa introdutória e os aperitivos de justificação, cedem lugar a uma missa repetitiva que deve ter escangalhado o martelo da tipografia, da gráfica. São centenas de frases iniciadas pelo verbo reformar; reformar o Estado, reformar o Estado, reformar o Estado até ao ponto em que este se deforma. O guião, que foi apresentado com um ligeiro atraso para emendas de última hora, vai ter uma função especial. Vai servir para tornar anónimo o projecto e desresponsabilizar os seus proponentes pela dificuldades que certamente se encontram adiante. É sempre mais fácil dizer que a culpa não morre solteira. A culpa será sempre do guião se as coisas não resultarem. Ao longo do texto, dizem que o debate sobre a reforma do Estado está aberto à discussão, mas agora fiquei mesmo confuso. O guião é ou não é a reforma do Estado? Ou será que não passa de um peso morto para entreter enquanto realizam outro filme?

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publicado às 09:20

Um guião interessante

por João Pinto Bastos, em 31.10.13

Feita a leitura do guião apraz-me fazer quatro observações muito breves:

 

1) O "documento político" apresentado por Paulo Portas é, como a própria expressão indica, um documento de índole programática. O que está fundamentalmente em causa com o anúncio deste documento é a abertura de um debate político transversal sobre os desafios mais dolorosos do programa de ajustamento da troika, que envolva os principais agentes políticos do regime. Não se trata, propriamente, de um catálogo prescritivo de medidas, impostas a toque de caixa. Quem não entende isto, que meta explicador.

 

2) Torno a repetir algo que escrevi em tempos não muito idos: o Governo perdeu demasiado fôlego a comandar a extorsão fiscal dos portugueses, obliterando, deste modo, a necessária reforma do Estado. O primeiro ano de mandato, que seria, em circunstâncias normais, o timing adequado para uma tomada de posição reformista, foi notoriamente perdido nas questiúnculas que todos nós sabemos. Este guião é um bom início de conversa, mas será, com alguma probabilidade, uma oportunidade perdida, dada a erosão da base de apoio política e social da maioria.

 

3) Nas medidas apresentadas há um pouco de tudo. Se olharmos, por exemplo, para as linhas dedicadas à educação, à justiça, e ao território, verificaremos, com toda a certeza, um bom catálogo de medidas. Já no que tange à segurança social e à delimitação das funções do Estado, o relatório continua, estranhamente, a fraquejar na identificação de uma linha política que seja perfeitamente concretizável. Visto no seu conjunto, o relatório constituiu indiscutivelmente um bom estímulo ao debate, ainda que haja algumas arestas por limar.

 

4) Não sei se este esforço de última hora produzirá algum resultado palpável, até porque, como referi acima, continuo a crer que o Governo perdeu demasiado tempo a diferir a reforma do Estado, porém, vistas bem as coisas, continuo a crer que as aptidões políticas de Paulo Portas, aliadas a um reforço da coordenação política no seio do Governo, serão mais do que suficientes para impedir que o barco afunde de vez. 

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publicado às 00:01

Blatter, Portugal, Europa, Mundo

por joshua, em 30.10.13

Ao longo dos anos, FC Porto, outras equipas nacionais, e Mourinho têm tido manifestas razões de queixa da UEFA. Ronaldo começa a ter razões de queixa grossas da FIFA, com o último deslize tresloucado e parcial de Blatter, que certamente não foi por acaso, mas corresponde a uma cultura ociosa e satírica de cúpula.

 

Há, notoriamente, um lóbi anti-português nesses dois organismos pela simples razão da inveja e da escala. Para efeitos europeus, a escala portuguesa parece desprezível e fazem-nos o desfavor de no-lo darem bastas vezes a entender, e muito mais nestes tempos de egoísmo e salve-se-quem-puderismo europeu.

 

No entanto, para efeitos do grande balanço histórico e da grande inveja entre as nações europeias relativamente a Portugal por causa da sua influência linguística, cultural e mesmo por causa da nossa expressão demográfica, não no rectângulo, mas no resto do mundo, Portugal e o enorme continente de afectos português têm um peso cada vez mais não desprezível nos espaços materiais e imateriais do Planeta, coisa que a França não tem, a Bélgica não tem, a Alemanha não tem, e muitos outros países europeus poderosos e ricos, manifestamente não têm nem terão. Isso e um legado secular fora da Europa, no Oriente, em África, na América, na Oceania, ou seja, virtualmente em todo o lado porque estar em todo o lado sempre foi e continua a ser eminentemente português.

 

Era preciso que tais países tivessem sido e feito, nos séculos passados, o que Portugal, Espanha e Reino Unido fizeram de ímpar no Planeta, sobretudo Portugal, atendendo às suas dimensões, e nenhum outro Povo pôde ou soube.

 

Posto isto, que a UEFA, a FIFA e todos os invejosos e desprezivos de Portugal se fodam e façam bom proveito.

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publicado às 19:16

Parece que Angela Merkel já veio pôr alguma água na fervura relativamente às eleições europeias de 2014. Diz a Chanceler que o facto de, pela primeira vez, os Partidos presentes no Parlamento Europeu terem indicado 'candidatos' à posição de Presidente da Comissão Europeia, não quer dizer nada. 'Não há automacidade' diz esta senhora simpática que os alemães costumam chamar de Mutti (mamã).

 

Juridicamente, Merkel não poderia ter sido mais rigorosa. De facto, como ela própria invoca, o Tratado da União Europeia apenas diz que os 'resultados devem ser tidos em conta' e que a decisão final é do Conselho Europeu (órgão que reúne os Chefes de Estado ou de Governo dos Estados-Membros) , sendo que o Parlamento pode ou não aprovar a sua escolha.

 

Mas o problema não é jurídico - o problema é político. Como é de conhecimento geral, as eleições europeias cedo se transformaram em laboratórios para futuras eleições nacionais, com pouca preocupação com os problemas concretos da União. A elevada e crescente abstenção compreende-se - quando alguém vai votar nas eleições europeias, comparadas com as nacionais, a pessoa não tem a sensação de estar presente vários projectos alternativos para a União e que o seu voto vai influenciar a direcção da mesma. Vê apenas os nomes dos partidos nacionais e vota de acordo com a sua satisfação ou não com o presente Governo. É óbvio que, se se sente que não se vai mudar nada com o voto, não se vota. É a escolha mais racional.

 

http://3.bp.blogspot.com/-je1lajYPzYo/T9NrOrzuCYI/AAAAAAAABIA/BvE9SoclGEs/s1600/Angela+Merkel.jpg

 

Parecia que, antes de qualquer futura possível revisão dos Tratados, esta ideia de apresentar 'candidatos' não-oficiais a Presidente da Comissão poderia mitigar, senão mesmo inverter, a degradação do interesse nas eleições europeias. Mas parece que a Mutti, com influência política renovada depois das eleições em Setembro quis reafirmar velhos hábitos que continuam a contribuir para o tão-falado 'défice democrático' e para o crescente eurocepticismo, consequência desse mesmo défice.

 

É uma irresponsabilidade política tremenda dizer dessa maneira que, basicamente, não interessa que nomes propõem os Partidos. Por muitos defeitos que se possa apontar a existência de candidatos a cargos que não são directamente eleitos (v.g., eleições legislativas em Portugal), é uma questão de simplificação política que tem como principal alvos não os juristas nem os políticos, mas quem os escolhe e muitas vezes não sabe como funciona o sistema.

 

É pena que Merkel tenha feito estas declarações, que mantém a UE refém dos Chefes de Estado e de Governo e não refém, como deve ser, dos seus cidadãos. Enquanto o Conselho Europeu não tiver a vontade política para tornar a sua nomeação uma nomeação meramente homologatória, ninguém vai olhar de forma diferente para as eleições europeias. Enquanto não puder votar num partido representado no Parlamento Europeu que não tenha nenhum partido como seu membro no meu Estado-Membro, enquanto não houver a escolha entre planos sólidos com diferentes alternativas para a Europa, enquanto as eleições europeias não se começarem a parecer com as eleições nacionais, a situação não vai mudar.

 

O eurocepticismo continuará a crescer, a raiva continuará a crescer e, mais perigoso, a indiferença continuará a crescer. E se não fizermos nada relativamente a isso, nenhum milagre económico salvará a Europa, pelo menos a longo prazo. Estas reformas não implicam um aumento de competências da UE, nada disso. Eles apenas a tornam mais accountable, independentemente da direcção que queira tomar. Não se trata do superestado Europeu, trata-se de trilhar o caminho na direcção de uma organização supranacional/confederação (como lhe quiserem chamar) verdadeira e directamente democrática, algo nunca antes feito.

 

Ao menos o Schwarzenegger também quer ser Presidente da Comissão Europeia. A ver se o Conselho o indigita.

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publicado às 15:45

Cristas não gastou...

por Nuno Castelo-Branco, em 30.10.13

...um minuto a olhar para a parvoeira proveniente do seu ministério, mas temos a certeza absoluta de ter perdido longos minutos a ler comentários acerca da calinada ambiental. 

 

Como se vê, se debicarmos os disparates cometidos por quem manda, as excelências ficam logo de crista caída e rapidamente obteremos respostas. Lembram-se dos candeeiros que o Costa & Salgado fez desaparecer do Terreiro do Paço? Mais tarde ou mais cedo regressarão ao local. Esperem e verão, o caso não foi encerrado. 

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publicado às 15:33

A Tentação Totalitária

por Nuno Castelo-Branco, em 30.10.13

 

Tal como o fiz por volta dos meus vinte anos, Daniel Oliveira também terá (?) lido A Tentação Totalitária. Uma obra dos tempos do já então anunciado crepúsculo da Guerra Fria, criou um não menos previsível mal estar entre as elites bem pensantes do momento, os detentores das chaves de um politicamente correcto que ainda não era assim chamado.

 

Discorrendo sobre os acontecimentos portugueses, Revel entrelaça-os com o projecto da Union de Gauche em França, demonstrando as insanáveis dificuldades entre partidos com concepções de sociedade radicalmente diferentes e apenas unidos pelo desejo de susbtituição daquilo que genericamente se designa de direita

 

A vontade eleitoral, ditada num preciso momento em que nas urnas se discute a eleição de deputados ou de autarcas, é por alguns encarada como mais um dos sofismas que a democracia representativa engendra para a manutenção de privilégios de classe, a exploração dos trabalhadores e quiçá, num estádio apenas reservado a algumas nações, do imperialismo. Em resumo, a vontade popular expressa pelo voto, não se traduz na etérea vontade colectiva que só a legitimidade revolucionária poderá encarnar. 

 

O caso de Loures - apenas um, entre outros -, oferece-nos a oportunidade de uma vez mais depararmos com o há muito negado papão da tentação totalitária que uma boa parte da esquerda portuguesa assume como coisa natural e factível. Conhece-se o método, desde sempre na linha da frente da parafernália da agit-prop, de alardear insistentemente as palavras liberdade e democracia, a todos ou à maioria fazendo crer estarmos perante lídimos defensores dos nossos direitos de plena cidadania, equiparando-nos a qualquer sueco, britânico ou dinamarquês. No entanto, bebendo na caudalosa fonte da nossa experiência histórica, apenas pretendem adequar a atracção que os portugueses adquiriram por regimes musculados, aos condicionalismos impostos por uma sociedade hoje à disposição da informação e pior ainda, integrada num espaço político e económico pouco benevolente para com intentos messiânicos. Assim se explica o disparatado e embevecido elogio que outrora os republicanos fizeram a Pombal - copiando-lhe métodos e assumidamente empunhando o chicote como símbolo de bom governo - e a mais discreta mas nem por isso menos sintomática admiração cultivada em torno do Príncipe Perfeito.

 

Aproveitando  uma machete que há poucos dias deu brado,  podemos dizer que Salazar é o chefe que a esquerda portuguesa gostaria de ter tido durante meio século. E sem que disso se tenha dado conta, foi-o. O não-alinhamento com os americanos e a sempiterna e bem fudamentada desconfiança relativa a todas as novidades que chegavam do Novo Mundo, foram acompanhadas pela burocracia do já então sacrossanto serviço público, pelos Planos de Fomento, apropriação estatal de bens privados, fixação de rendas, tabelamento de preços e outras originalidades muito próprias de regimes a universalmente impor a uma humanidade sempre refractária a demasiadas regras que o reclamada bem colectivo aconselharia. 

 

Para aqueles que Jean-François Revel escalpelizou numas tantas páginas, a mensagem a salientar, consiste no facto de os socialistas também fazerem parte dessa direita que no seu artigo Daniel Oliveira exautora, alijando-a do espectro partidário como coisa execrável a eliminar. Não ousa dizê-lo por escrito, mas não tenhamos qualquer hesitação em encarar essa verdade, pois é o que concretamente estará em causa. É isso mesmo o que desabafa, por muitos circunlóquios que possa fazer no sentido de ocultar o seu pequeno e húmido sonho totalitário. Embora não o refira expressamente, insinua um certo recuar no tempo, quando Estaline proibia a colaboração dos partidos comunistas com a social-democracia, abrindo então o caminho a outras formas daquilo que não só se armava de ferramentas governativas próprias do regime de leste, como num caso, até o nome socialista incluiu na designação do Estado. Tratando-se não de uma relação estratégica mas de uma clara subordinação que mais tarde se verificaria em toda a Europa de leste conquistada pelo Exército Vermelho, a ocidente criou as resistências que todos conhecemos e por isso mesmo não valerá a pena insistirmos em comentários supérfluos. A verdade que o articulista do jornal do Sr. Balsemão pretende esquecer, consiste na existência da comunhão entre os socialistas da social democracia do PS e aquilo a que rancorosamente chama de direita, no caso português o PSD e o CDS. Uma direita bem estranha, herdada de um ainda recente processo histórico que a atirou para o canto dos acessórios disponíveis pelo Estado Socialista em que vivemos. Essa comunhão ultrapassa largamente as sempre resolúveis clivagens existentes a propósito da maior ou menor dimensão do Estado, ou aquelas que decorrem do interesse de grupo quanto ao exercício do poder. Este socialismo que rapidamente é traduzido em clientelismo eleitoral, consiste no mais estrénuo defensor do status quo que explica as nossas catastróficas dificuldades do presente. A Constituição, coisa redigida por deuses já caídos, é intocável. A divisão administrativa é coisa tão sagrada como a água do Ganges, enquanto a propriedade privada, por muito ínfima que seja, nada mais significa senão um enchido social a triturar em prol da dimensão do Estado que nela esfomeadamente participa sob a estulta fórmula de contribuições, impostos e taxas. Não existe democracia se não existir a negregada direita. Não estando a falar de negócios e empreendedorismo,  esta verdade até por Daniel Oliveira poderá ser apercebida. E é mesmo. 

 

O articulista quer guerra e essa declaração é endereçada a uma "direita" que afinal inevitavelmente incluirá o PS. Ninguém no seu perfeito juízo imagina a gente do PS unir-se numa frente comum com um PC que o articulista do Expresso gostaria de obrigar a existir - o BE nem sequer seriamente conta, jamais passou de um fait-divers -, derrubando a chamada democracia burguesa para implantar um sistema vertical de legitimidade revolucionária à mercê de uma ínfima minoria activista e pretensamente esclarecida pela força da polícia, difusão da espionite e total apropriação da coisa pública - e privada - por uma caterva de alucinados securitários. Com uma direita como esta existente em Portugal, porque razão se apoiaria o PS nos enervados radicais, aliás hoje numa fase de rápida deglutição pela sede do Rato? Não perderemos por esperar por esta previsão.

 

Não existe a coragem e ainda menos, a força necessária para o extermínio físico dessa direita que se for ampliada a todos os defensores do regime da "democracia burguesa", significa mais de quatro quintos da população portuguesa. Os artifícios, sejam eles vertidos pela oratória ou pela irritada escrita, vão-se sucedendo num amontoar de manientos ódios sem nexo e completamente desfasados daquilo que é a realidade do mundo em que vivemos. Até o PC, entidade calculista e com a certa prudência que a experiência aconselha, disso há muito se apercebeu, por ali restando alguns resquícios decorativos do mausoléu estalinista, a tal simbologia que apenas reconforta fanadas vontades e a nostalgia de um passado tão distante e perdido como o voto censitário, a escravatura ou a condenação às galés. Isto não significa que se por desastre se verificasse uma profunda alteração da correlação de forças no globo que tal coisa propiciasse, de novo não viessem à tona ímpetos de outros tempos. Com ou sem chineses, tal cenário é pouco provável. 

 

O jornalista do plutocrático grupo empresarial do Sr. Balsemão, representa um confortado e típico produto daquilo que o PC costuma designar de esquerdismo. Com tudo o que isso implica, inconsequente aventureirismo incluído. Um filme de sessões contínuas.

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publicado às 11:53

Acordei hoje sobressaltado. Não só porque a Bélgica é o penico do Mundo e a chuva não dá tréguas ao meu sono, mas também porque acordei com uma notícia que, a princípio, me pareceu ridícula – parece que a Ministra Assunção Cristas teve uma bela ideia: criar um Código dos Animais de Companhia (overregulation, alguém?) no qual, entre outras coisas, estaria estipulado que, num apartamento, ninguém poderia ter mais de dois cães.

 

Ri-me e voltei para a cama, mesmo sabendo de compromissos próximos – e pus-me a pensar. Então decidi escrever o meu primeiro post neste blogue que já sigo há vários meses. Um grande agradecimento ao Samuel por promover o meu regresso à blogosfera (sempre adorei esta palavra) e um cumprimento aos meus dois conhecidos aqui do blog – a Ana Rodrigues Bidarra e o José Maria Barcia.  Sendo o meu primeiro post, vou-me alongar com coisas que nem sequer parecem relacionadas, mas, no fundo, são-no.

 

Enfim, voltando ao que interessa.

 

O suposto governo ‘liberal’, como a esquerda gosta de lhe chamar, não só não o é economicamente, como parece que em tudo o resto também presta culto a tudo menos a liberdade. Nem sequer passarei pelo ridículo que é limitar número de animais domésticos que uma pessoa pode ter na sua propriedade ou na fracção autónoma que arrenda. Só isso deveria ser motivo suficiente de repúdio.

 

Poderia também criticar as pequenas estupidezes ao longo da proposta: i) denúncia sem necessidade de distúrbios causados pelos ditos bichos; ii) excepção a ‘raças nacionais puras’, que se me afigura como racismo e possivelmente contrário às regras de Direito da União Europeia em matéria de livre circulação de bens; iii) e claro, em jeito de comic relief, o facto de a Ministra Assunção Cristas ter um número incontável de filhos. Não sei porém se estão todos num apartamento e, vai na volta, deveria livrar-se de alguns, não vão os vizinhos queixar-se. E ainda, claro, de não ser dada aos condomínios liberdade para limitarem, como alguns fazem, o número de animais.

 

Poderia ainda criticar o facto da grande maioria das queixas terem origem no facto de tal associação de protecção dos animais, ou de veterinários, ou seja lá do que for, não ter sido consultada.

 

E critico tudo isso, naturalmente. O condicional era uma mera figura de estilo. Mas no geral o pessoal até acha este género de coisas porreiro, desde que seja ‘bem aplicado’ e em nome de alguma coisa, ‘tá tudo bem pá!

 

E é este o ponto mais sério que queria chegar. Portugal é um país com uma mentalidade extremamente paternalista e a nossa cultura política nunca prestou culto à liberdade – se este Código estipulasse que os donos podiam ter quantos animais quanto quisessem, podem crer que havia muito boa gente a reclamar. Vai na volta e este é um assunto muito batido, mas a nossa reverência e optimismo em tudo o que seja uma limitação à escolha é sem precedentes. E este é também, e principalmente, um problema das elites políticas, técnicas, profissionais.

Mesmo historicamente, basta pensar nos nossos mais exaltados líderes. Sem contar com o D. Afonso Henriques, conta-se um D. João II, um Marquês de Pombal e, para muitos, um Salazar. E mesmo depois do 25 de Abril, é claro quem foram os dois políticos com maior sucesso eleitoral – Cavaco Silva e José Sócrates. Agora, o quê que cada uma destas pessoas têm em comum?  O D. João II assassinou familiares para se manter no poder, mas como tirou poder à nobreza para o concentrar em si, supostamente, pela grei, é o nosso rei mais genial, e diz que até inspirou o Maquiavel; o Marquês de Pombal era um tirano e assassinou uma família inteira de modo original (aquele método que inclui cavalos e desmembramento), mas como reconstruiu Lisboa depois do terramoto e pôs o país pá frente (supostamente, também não sou historiador económico), só fez o que tinha a fazer; o Salazar, nem se fala... sim, havia censura e morreu um punhado ou mais de gente, mas ao menos equilibrou as contas públicas! E, depois do 25 de Abril um Cavaco e um Sócrates, tão diferentes e tão iguais – obstinados, demasiado ambiciosos, cegos aos seus próprios erros e liderando o país com punho de ferro com uma confortável maioria absoluta – ‘epá, posso não concordar, mas ao menos ele é um líder forte e decisivo’. Viu-se.

 

Enfim, há um efeito síndrome de Estocolmo que nos leva a gostar de quem nos fode e de quem é um ‘líder forte’. ‘Ao menos ele vai avante’, diz o pessoal. O que se quer é alguém que lidere, alguém que fique com a chatice de tomar as decisões por nós. Que se lixe a autonomia, que se lixe a responsabilidade, que se lixe tudo caralho. O que interessa é que haja aquele gajo. Que até decida quantos cães tenhamos em casa. Não precisa de matar os familiares e supostos traidores, nem é preciso ter uma polícia secreta. Desde que nos diga quantos cães podemos ter em casa, é na boa.

 

Não há culto à liberdade, nada. Só um simples ‘seguidismo’ que, no fundo, só reforça as grilhetas que nos prendem. Será uma questão cultural? Será um síndrome de portugalidade? Ou é algo que contamina toda a política nacional? Onde até auto-proclamados liberais são tudo menos liberais? Que limitam número de animais domésticos e aumentam impostos como se não houvesse amanhã? Liberais o caralho, é o que eu digo.

 

A Liberdade não existe no discurso da política portuguesa. Até é usada, mas nunca, nunca aplicada. Dos cães aos reis.

 

PS: perdoem-me a linguagem por vezes menos apropriada. às vezes um bom 'caralho' serve como um belo recurso estilístico para ajudar a expressar os pensamentos mais profundos.

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publicado às 23:24

aFInFA-lhe

por Nuno Castelo-Branco, em 29.10.13

Já temos tema para um mês e meio. Aquela espécie de enxerto de Mário Soares em Le Pen, chefão de  uma entidade retintamente mafiosa, teceu umas gracinhas a respeito do nosso CRonaldo. Transplantando a coisa para outras latitudes, a senilidade bolsada equivale às pressões sobre o famoso Tribunal Constitucional que muito bem faz em defender direitos, especialmente quando os próprios estão em causa. Estando ouro no jogo, seja ele para botas ou lingotes, compreende-se o tal Blatter. 

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publicado às 22:20

Eles conheciam-nos...

por Cristina Ribeiro, em 29.10.13

A cada passo, e para tal basta ler As Farpas de Ramalho Ortigão ( e de Eça ) ou Os Gatos de Fialho de Almeida, constatamos o quanto estes acutilantes observadores da contemporaneidade que era a sua, mantêm, nos seus escritos uma impressionante actualidade, uma perspicácia que só assiste a quem conhece a natureza humana, mais propriamente a do seu povo.

E, como refere João Bigotte Chorão, eles estavam cientes da intemporalidade dos aleijões que alvejavam. 

Assim, referindo-se a um inquérito que se fez sobre o português que gostaria de ver ressuscitado, diz-nos este escritor que " Ramalho Ortigão era o português que desejaria, de novo, entre nós - para com as suas farpas castigar os costumes. ( ... ) Para saber o que se passa hoje em Portugal, melhor, muito melhor, que ler jornais ( até do ponto de vista da higiene literária ) é reler As Farpas. Elas são, infelizmente para nós, de uma grande actualidade.

« Estou certo - escrevia, num rapto profético, Eça a Ramalho - que esses panfletos hão-de ter a mesma frescura viva no século XX » "  E no XXI, poderia acrescentar. Sabia, pois, que, porque a memória é fraca, a mesma água suja volta a encharcar-nos.

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publicado às 20:39

Reforço de Outono - António Garcia Rolo

por Samuel de Paiva Pires, em 29.10.13

É com muito gosto que anuncio que a partir de agora o Estado Sentido passa a contar com a participação do António Garcia Rolo. Nascido e criado em Lisboa, é licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e está actualmente a tirar um mestrado em Direito da União Europeia no Colégio da Europa, em Bruges. Não espanta, portanto, que se considere europeísta, além de liberal, republicano, agnóstico e benfiquista. Tem como principais interesses, além do direito e da política, a música, sendo baixista em 3 bandas e tendo um fascínio tremendo por rock and roll, e a literatura, tendo como autores predilectos Eça, Dostoyevsky, Rodenbach e Thomas Mann. Estreia-se, assim, nesta casa, embora não seja uma absoluta estreia blogosférica, visto que, tal como o José Maria Barcia, fez parte da equipa do Alunos do Liberalismo. Bem-vindo, meu caro!

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publicado às 19:57

Politics is a bitch

por John Wolf, em 29.10.13

A política é uma cadela. Não consigo acreditar na caravana que passa diante de mim enquanto os cães ladram. Um país metido em graves sarilhos e as comadres entretidas com o caniche - se o Bóbi e o Piloto podem ficar no T2 ou se devem ser postos no olho da rua. Há tantas e tão boas expressões que servem para retratar esta novela pidesca que bate aos pontos a outra do filósofo das lutas greco-romanas. Abaixo de cão é onde nos encontramos. O regime de segurança social canino acaba de ser abatido, mas existe algo perversamente insensível na decisão de extrair os caninos à má fila. Basta passear pelo Facebook para perceber a importância dos bichinhos na vida de tanta gente metida no canil da solidão, perto da plena depressão. O animal de estimação é uma espécie de Prozac que ladra, uma medicação peluda para noites longas passadas em frente ao desespero. E os canários?E a piriquita? Não senhor, não bebo - é cadela mesmo. Minhas senhoras e meus senhores, entrámos no reino do absurdo, no enclave do surreal. Estamos encravados pelo dedo que passou a perna à unha. Não vamos arrastar para esta clínica veterinária as outras expressões de imodéstia - aqueles casos mentais de repúblicas de cães e gatos. Gente com pancada que colecciona lixo e tem na varanda amarquisada uma ninhada deles para juntar aos pardos. Nesses casos sou cristano como a Assunção - vinte cães é uma loucura. Venha de lá o fiscal do abate, o inspector das partes pudendas do podengo. Em suma - life is a bitch.

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publicado às 18:20

A propriedade privada é coisa de marcianos

por João Pinto Bastos, em 29.10.13

Alexandre Soares dos Santos decide, presumivelmente (ainda não há confirmação), suspender a venda do livreco de Sócrates nos seus supermercados. A pergunta que urge fazer perante as reacções que têm vindo a lume é a seguinte: qual é o problema? Mais: Soares dos Santos é ou não livre de vender o que quer que seja nos estabelecimentos de que é proprietário? Bem vêem os leitores que as perguntas atrás escrevinhadas definem, de um modo assaz assustador, o estado horripilante do país.

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publicado às 16:03

Gamela à conta

por Nuno Castelo-Branco, em 29.10.13

 

Seria bastante útil sabermos quanto é que os portugueses já gastaram com o sustento e manutenção dos certamente obscenos "direitos adquiridos" do sr. Soares. Fazendo as contas a partir de 1976, a maquia deve ser impublicável, uma autêntica e perigosa guilhotina. Ou muito me engano, ou a reacção mediática seria mais que suficiente para a logorreica personagem ter de se mudar para outras paragens, podendo então "grónhê son ferrançé" a quem esteja para o frete. 

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publicado às 15:51

Porreiro, pá!

por Pedro Quartin Graça, em 29.10.13

Pelo artigo de Mário Soares no Diário de Notícias de hoje ficámos a saber que José Sócrates Pinto de Sousa "vai continuar em Paris para fazer o doutoramento"...
E acrescenta Soares: "Sem deixar de ser político, tornou-se um académico. Sendo um engenheiro licenciado em Coimbra, é hoje um humanista e um pensador político. Tem hoje uma enorme bagagem cultural, como ficou provado."...
Mário Soares dixit.

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publicado às 14:23

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