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Bom ano novo

por Samuel de Paiva Pires, em 31.12.13

O Facebook sugere-me que veja o meu ano de 2013 em revista. Eu passo, porque não preciso de ver em revista um ano que está e estará, mais do que qualquer outro, presente na minha mente. 2013 foi um ano lixado que se iniciou com a denúncia pública a respeito do funcionamento da FCT no concernente à atribuição de bolsas de doutoramento, luta que continuou com o recurso ao crowdfunding para poder financiar o doutoramento. E se, nesse mês de Janeiro, consegui aliviar a revolta que sentia, se até agora tenho ficado verdadeiramente sensibilizado com a generosidade dos que me têm ajudado nesta campanha de crowdfunding, e se tive também a sorte de sair de uma situação de emprego precário e temporário para um emprego na minha área de estudos nos primeiros meses do ano, não consigo, todavia, de deixar de pensar que 2013 foi o ano que fez ascender, sem aviso, o meu pai e o meu avô paterno à essência, que me revelou a verdadeira face de muitos dos que me rodeiam/rodeavam, para o bem e para o mal, e que, já mesmo no seu término, ainda me conseguiu fazer ter um acidente em casa que me obrigou a ser operado a uma mão há cerca de duas semanas e cuja recuperação se dará ao longo de todo o próximo ano.

 

 

No meio de tudo isto, há que continuar em frente tendo em consideração que, como dizia Chesterton, devemos rir-nos em face da tragédia, já que pouco mais podemos fazer. Mas se é verdade que as dificuldades moldam o nosso carácter e que a forma como as enfrentamos nos definem, também não deixa de ser verdade que este ano teria sido bem mais complicado se o tivesse enfrentado sozinho. No balanço entre coisas boas e más com que Universo me decidiu presentear, tive a felicidade de conhecer a Ana Rodrigues Bidarra, um dos melhores acontecimentos da minha vida, uma das melhores pessoas que já conheci e com quem espero passar o restante tempo que por cá andar. Sem ti, Aninha, seria bem mais difícil olhar para as coisas boas da vida neste ano e a vontade de continuar a olhar em frente teria sido, provavelmente, obliterada. Não tenho sequer palavras para te agradecer por tudo o que tens sido, por me teres ajudado a enfrentar este ano, por me fazeres sentir especial e sortudo mesmo nos momentos mais difíceis. Só contigo compreendi, finalmente, que a verdadeira felicidade só se pode alcançar a dois. Que os anos que aí vêm sejam bem melhores, é o que desejo e o que quero prometer-te, porque tudo farei por isso.

 

Ora então, agora sim, e como é da praxe, termino desejando-vos boas entradas e que 2014 seja um óptimo ano.

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publicado às 20:28

Impressão de ano

por Regina da Cruz, em 31.12.13

Olharei para 2013 por cima do ombro - "Que queres de mim? Conheço-te?"

 

Não sei o que dizer deste ano, é uma grande mancha, uma nódoa de fronteira irregular.
Os picos de felicidade que vivi facilmente se dissolvem quando integrados no contexto geral. E foi, no geral, um ano terrível.
É impossível saborear uma vitória pessoal, o sucesso, quando à volta reina a confusão, a pobreza, a revolta silenciada, o desespero resignado, a ignorância, o embrutecimento. Quando ligamos a TV chovem disparates. Quando abrimos o jornal salta à vista propaganda e mentiras. Desinformação e superficialidade, um chorrilho de meias-verdades e clichés. Que nojo!

Olhamos para o mundo e há países a saírem-se tão bem e outros, tão mal. Por ignorância, por pura ignorância bruta.

Todos os dias que passaram vi ser-me roubada uma parte do meu salário, uma parte da minha liberdade, uma parte da minha energia, uma parte da minha ambição, uma parte dos meus sonhos. Que futuro? Que futuro, quando todos partem?! Para quem ando eu, afinal, a trabalhar? Dizem-me que o que me retiram da boca é para o estado social… Pergunto: que "social"? Que social?! Não há social nenhum aqui, há emigração em massa, há desagregação, há separação, há destruição. E velhice, muita. Fiquei também por eles, pelos velhos - que será deles se todos, os novos, partirmos? Portugal, esse lar à beira-mar plantado. É bem sabido que este país não é para novos, nem para ninguém que tenha sangue vivo na guelra! Mas também é verdade que é hostil para os velhos, pelo menos, para alguns velhos, os reformados, principalmente aqueles reformados de uma vida de trabalho "privado". Ficou claro ao longo deste ano que há velhos de primeira e velhos de quinta. Os de quinta, quem se importa com eles?

"Concentra-te no presente pois é tudo o que há." Repeti vezes sem conta o mantra sábio, em surdina, como auto-lavagem cerebral. Meditei. Não chegou. Caminhei. Não chegou. Vagueei, deambulei, abandonei-me. Não chegou. Corri. Corri ainda mais. Corri tanto que fugi! Fugi muito este ano que passou, não fiz outra coisa que não fosse fugir, para a frente, sempre para a frente, um dia de cada vez, na impossibilidade de serem dois. Rápido!

Tive saúde, é verdade, e agradeço. Afinal, aquela coisa de que me ria "a saudinha, para si e para os seus!" é a melhor coisa que me podem desejar - faz sentido e dou por mim a desejar "saúde!" aos que amo: digo-o com autenticidade, com solenidade, olhos-nos-olhos.

2013… o ano da confusão, da dissolução. Pela primeira vez, que me lembre, não soube o que pensar, fiquei baralhada várias vezes, a clareza lendária do meu raciocínio deu o tilt em várias situações. Na impossibilidade de raciocinar, vociferei:

"Está tudo louco!"
"Perdeu-se a vergonha na cara!" - que provavelmente nunca se teve…
"Perdeu-se a razão!"
"Perdeu-se a noção do ridículo!"

"Eu desisto."


E fugi novamente, desliguei, não quis saber. Não adianta, para quê saber? Saber é sofrer.

Tenho consciência que estamos a viver um período de transição e por isso é normal estarmos enterrados até ao pescoço nesta lama. Esta lama é "normal".

O meu desejo para os próximos anos é que se saia desta lama e se pise terreno fértil. O meu receio é que o país saia da lama para pisar o deserto. E com a quantidade de gente destrutiva, ignorante e egoísta que este país tem em lugares de poder algo me diz que após a lama virá a areia. Será necessário uma grande mudança de mentalidade dos governantes e dos cidadãos para que ideias novas possam florescer neste terreno agora lamacento. Que sejam deitadas à terra as sementes da mudança e que se protejam os rebentos novos das pragas e parasitas, desses predadores que vivem da estagnação, da confusão e da destruição. Que se regenere esta terra para que um dia possamos reaver aqueles que agora partem rumo a países amigos de ideias boas, países que os abraçam e lhes enchem os corações de esperança e os olhos, de futuro. Um dia esse país será Portugal. Tem de ser!

Vai-te embora 2013 e leva contigo os que te tornaram tão desprezível.



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publicado às 15:43

Um problema chamado Vaz

por João Pinto Bastos, em 30.12.13

As notícias que têm vindo a lume a respeito da crise congeminada pelo senhor Fernando Vaz (estou a ser muito benévolo no tratamento dado a este gentleman), permitem extrair uma conclusão pouco abonatória no que tange à influência política e diplomática exercida pela CPLP. O Paulo Gorjão e o Francisco Seixas da Costa já se referiram ao assunto aqui e aqui, salientando, justamente, esse ponto. De mais a mais, as últimas ocorrências deste affaire não são, propriamente, muito surpreendentes. A CPLP, enquanto organização política, tem primado pela mais absoluta irrelevância - veja-se o supino caso do acordo ortográfico -, algo a que não é alheio o facto de tanto o Brasil como os PALOP, sem esquecer, evidentemente, Portugal, terem votado esta instituição a um agradável ostracismo, no qual os assuntos mais candentes se resumem à mercearia involucrada numa hipotética adesão do regime de Obiang Nguema Mbasogo à organização. Para bom entendedor, meia palavra basta. Ademais, é facílimo de entender a preferência do Estado português pela abordagem multilateral dos problemas políticos emergentes na Guiné-Bissau: em primeiro lugar, a reduzidíssima efectividade política e diplomática da CPLP assim o obriga, em segundo lugar, como o próprio Francisco Seixas da Costa ressaltou, o acto ocorrido em Bissau foi, clara e inequivocamente, um acto de pirataria, pelo que a abordagem a seguir deverá ser, obviamente, multilateral. Em guisa de conclusão, mais uma vez, a CPLP provou que, política e diplomaticamente, não existe fora do quintal das Necessidades, o que, em boa medida, só leva a concluir que, nestes moldes, a instituição em questão é absolutamente inútil. Por fim, gostaria, igualmente, de lamentar o total despudor exibido pelos media portugueses ao amaciarem as posições da Guiné-Bissau, com entrevistas e peças jornalísticas a destempo. Assim, com estes gramofones comentadeiros de péssima qualidade, é, de facto, muito difícil ter uma diplomacia que funcione e prossiga os interesses nacionais.

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publicado às 20:00

2014 e o tempo que deixou de contar

por John Wolf, em 30.12.13

Não existe tal coisa como a mudança que acontece com a passagem de ano. Não existe o virar de página para um mundo eminentemente novo. Não existe o balanço de algo que finda para relançar à virgindade. Não existe a tábua rasa. Vivemos aquém e além dos nossos desígnios. E nesta antecâmara onde refrigeramos o espumante da celebração, damos conta da continuidade. Não saímos dos nossos corpos, mas abandonamos uma parte das nossas convicções. Deslocamo-nos sem sair do mesmo cruzamento, onde habita um semáforo caprichoso, aberto e cerrado no mesmo instante, no embate coincidente. Em política sabemos de antemão que foram, e serão todos, vitoriosos. Que não admitem a derrota num concurso de penhoras, de expectativas e engodos, de talismãs e regressos triunfais. Em epígrafe, na margem rasurada da grande história, as assinaturas serão manchas menores, meras rubricas de um testemunho que passa pelas mãos de estafetas cansados. Os homens, os grandes, os pequenos, e aqueles que se arrastam como invertebrados, aprendem de um modo doloroso - a lição da inconveniência de um tempo prolongado, retardado, atrasado pelo destino que nunca o será. Um predestino que foi vilipendiado, assaltado por saldos de ocasião, palavras coniventes e verdades preteridas. Faça-se a lista do deve e haver, inscrevam-se nas colunas  a soma e a distracção que a acompanha, e verão que a conta não passará na auditoria da consciência colectiva. Os contribuintes foram liquidados pelo depósito na falsa guarida, pela glória de um campeão que se anuncia redentor, na receita que morde a cauda do seu falso esplendor. As palavras, estas, aquelas e as demais, são um perfeito embuste que não nos servem, que não me servem. Existem como espuma bárbara de um delírio cronológico, das badaladas que ainda faltam, que servem para lançar figurantes em falsas estreias, repetidas à exaustão. Se há algo que aprendemos nestes anos que já são alguns, que já estão algures - é que os mesmos já não servem para contar. Façamos uso dessa sabedoria parcimoniosa para aceitar que nos encontramos no emaranhado de temporais. 2013 estará em 2014, e todos os anos que os antecedem e que se seguem estarão nessa volúpia que queremos amestrar para memória futura. Porque as recordações do passado não cabem na geometria de um relógio estilhaçado. Não percamos mais energia com ninharias, porque nada disto tem cabimento na simples batida de um pulso, no peito aberto vergastado pelos ventos que sopram.

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publicado às 19:40

A indústria das remodelações falhadas

por João Pinto Bastos, em 30.12.13

Hoje, realizou-se a nona alteração à composição do executivo, sendo que, no presente ano, esta é a sétima remodelação efectuada. Em suma, no espaço de um ano este Governo já sofreu sete alterações na sua composição, sendo que em quase todas elas não houve, a bem da verdade, um único ganho político digno de nota, exceptuando a tão contestada remodelação de Julho. De resto, quase todas as remodelações realizadas até ao momento trouxeram, na generalidade, inexperiência política a rodos, e embaraços escusados, pelo que, céptico como sou, não dou grande crédito a esta remodelação.

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publicado às 19:02

As novas cadeiras da Concertação Social

por John Wolf, em 29.12.13

Acabo de ler que a Concertação Social (não confundir com Concerto de Natal ou Concerto de Ano Novo) vai ter mais cadeiras (duas) para dar assento a representantes de emigrantes portugueses. Na minha opinião a mesa ainda assim não fica devidamente posta e deveria albergar ainda mais lugares. A saber; um sofá para representantes das comunidades estrangeiras residentes em território nacional e que são contribuintes líquidos para a riqueza nacional (nomeadamente trabalhadores angolanos, cabo-verdianos, moçambicanos, brasileiros e ucranianos, entre outros); um maple para um delegado que defenda os interesses daqueles com necessidades especiais (vulgo deficientes motores, cegos e amblíopes); uma espreguiçadeira para uma embaixadora das mulheres-trabalhadoras de Portugal; um banco de Jardim para o porta-voz daqueles defraudados pelas instituições financeiras; um puff para o jovem que dá voz aos anseios dos seus colegas desempregados, e por último, um berço para o representante da geração futura que terá de enfrentar tantos desafios e obstáculos. A Concertação Social pode ser uma coisa bonita, mas mereceria uma reforma mais profunda do seu estado, para melhor espelhar o país que tanto mudou nos últimos anos. Como é aquele dizer?- Numa casa portuguesa há sempre lugar para mais...uns quantos.

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publicado às 20:48

As potências do Eixo

por Nuno Castelo-Branco, em 29.12.13

Hoje fez figura de convidado um homem do cinema, mas de toda a normal rotina de descasque no governo e na situação, apenas retive algumas palavras do Daniel Oliveira. Dizia ele que dentro em breve os europeus, ou melhor, os portugueses, serão confrontados com o difícil dilema de serem forçados a escolher entre a globalização, a democracia - que as potências do Eixo dominicalmente vão demolindo - e a soberania nacional, renunciando a uma destas.

 

Concordo com D.O. quando ele diz optar pelo cercear da globalização, evidência que aqui tem sido incansavelmente mostrada ao longo de anos. Salvem-se assim a democracia - entendida esta como o sistema representativo de tipo ocidental - e a independência nacional. Por muito residual que esta seja, no caso luso, esta última reduz-se ao flamante Tribunal Constitucional, ao belo Hino e àquele têxtil que internacionalmente identifica o país.  

 

Sejamos realistas. Tal como andam os assuntos internacionais, corremos o sério risco de não apenas vermos a globalização riscada das nossas vidas - o que será um alívio -, mas também e por arrasto, a democracia e a independência nacional. 

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publicado às 17:51

O enorme "sucesso" de uma reforma de opereta

por Pedro Quartin Graça, em 29.12.13

Entre Janeiro e Novembro deste ano, e apesar de rodos os "esforços", receitas extraordinárias e as costumeiras "operações de maquilhagem" para esconder a incompetência, eis o enorme "sucesso"da dupla Passos/Portas: o Estado gastou mais 7.1% do que em 2012! É realmente notável. Parabéns!

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publicado às 14:39

Fachadas, ruínas e lixo

por Nuno Castelo-Branco, em 29.12.13

 

Na Luciano Cordeiro, um importante conjunto de ruínas pertencentes a um bem conhecido sr. Belmiro.

 

É a imagem da cidade que querem promover no estrangeiro. Na semana em que ousam alvitrar uma nova e quase-mesquitada "Ópera do Tejo" a construir diante do Arsenal - Terreiro do Paço/Cais Sodré - o aspecto geral é indecente, sendo a degradação uma lepra que rapidamente se espalhou por todas as zonas da capital. Entrando por ocidente, leste ou norte, deparamos com o mesmo espectáculo de ruas esburacadas, ruínas e prédios a ameaçarem queda iminente. Novas construções, normalmente horrendas, vão substituindo aquilo que o século XIX e as primeiras décadas do vigésimo nos deixaram, nada escapando à sanha devorista dos interesses instalados com os quais as sucessivas vereações camarárias têm escandalosamente colaborado. Aqui e ali arranjaram como disfarce a fachadização, suma imbecilidade que permite a total destruição de interiores, atirando-se para o lixo as madeiras, estuques, vidros e metais, sempre em benefício da alteração da finalidade a que se destinava a construção. Numa cidade Potemkine que conta com muitas dúzias de grandes edifícios de escritórios completamente devolutos, a CML continua a outorgar alvarás de construção para o sector dos serviços, roubando habitantes aos bairros e promovendo a mais do que certa insegurança dos lisboetas. A praga alastra aos edifícios residenciais, permitindo-se  a expulsão das famílias em direcção à especulação nas periferias, para o claro e bem concertado benefício dos negócios. É um desastre a intencional suburbanização. 

 

 

Diante das ruínas pertencentes ao sr. Belmiro, o lixo de 48 horas

 

Temos agora a repugnante e vexatória visão do lixo que ao longo desta época festiva se vai acumulando a cada hora que passa e para cúmulo do descaramento, já houve quem tenha aconselhado os lisboetas a manterem os resíduos dentro de suas casas. Assim que as excelências sob a batuta do sr. Arménio se decidirem retomar as operações de limpeza, poderemos então voltar ao rotineiro depósito nos contentores.

 

Talvez o mais importante edifício de habitação do ocaso do s. XIX lisboeta, hoje intencionalmente devastado, crime permitido pela actual CML

 

Pois bem, não o façam, desobedeçam.

 

Coloquem o  vosso lixo em plena via pública, deixando os montões crescerem até à resolução do problema. O odioso integralmente recairá sobre quem de forma abusiva causou e permitiu esta situação e não atingirá quem paga taxas de saneamento e toda uma miríade de impostos, contribuições e outros artifícios que exaurem as finanças privadas. Ficará então bem patente o ponto a que esta cidade - e o país - chegou. Lisboa assemelha-se hoje a uma favela.

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publicado às 09:00

O precipício

por Nuno Castelo-Branco, em 29.12.13

A falta de memória histórica condena-os à opção pelos mesmos erros que vitimaram instituições que o país um dia julgou perenes, adequadas àquilo que a Europa civilizada era. Foi o que aconteceu durante os derradeiros cinco lustros de vigência do regime da Monarquia Constitucional. 

Num curto e incisivo artigo no Sol, José António Saraiva considera não estarem as nossas elites políticas naquele patamar de clarividente competência que nos permita o enfrentar das dificuldades que o país há duas gerações atravessa. Não foram capazes de fazer a transição do marcelismo para um sistema representativo aceitável - pelo contrário, João Carlos I conduziria a Espanha ao sucesso da normalização institucional -, não souberam nem puderam gerir o intempestivo ingresso numa CEE que excluindo a Alemanha não nos queria e pior ainda, o abarrotado conglomerado Soares, Sampaio, Cavaco Ferreira Leite, Félix, Pacheco, Sócrates, Barroso e uma infinidade de outros nomes bem conhecidos, anda tresloucado pela ânsia do parecer bem e agradar às bastas vezes distraídas, mas esperadas audiências televisivas. Insiste no despejar de lama às pazadas sobre as instituições e os seus titulares, acicatando a quezília, a desconfiança, o crime e a violência, estranhamente se parecendo como um grupo onde a autofagia se confunde com um auto-outorgado certificado de inépcia na condução dos assuntos da coisa pública. 

 

Os que cá ficarão pagarão bem cara esta descarada estupidez, enquanto eles, os diletantes responsáveis pelos governos que ininterruptamente se sucederam, decerto um dia partirão despreocupados para mais benignas paragens. Alguém hoje se recorda que Afonso Costa morreu anafado e bem recostado em Paris? Ou melhor, quantos dos dez ou quinze milhões portugueses alguma vez ouviram falar do Afonso Costa? 

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publicado às 01:09

Podem chamar-me neo-colonialista à vontade

por Samuel de Paiva Pires, em 28.12.13

"O ministro de Estado e da Presidência do governo de Bissau, referiu ao semanário Expresso que “qualquer guineense sente a TAP como uma companhia de bandeira guineense”, devido à dívida que aquela empresa para com o país, na ordem dos seis milhões de dólares [cerca de 4,3 milhões de euros], de acordo com Fernando Vaz."

 

Pela mesma lógica, dado que, em 2011, Portugal perdoou à Guiné-Bissau uma dívida no valor de 77 milhões de euros, creio ser justo reclamar o fim da independência da Guiné e a sua integração na República Portuguesa.

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publicado às 21:21

A dança de cadeiras da RTP

por John Wolf, em 28.12.13

Vamos ver se a demissão de Paulo Ferreira da direcção de informação da RTP, e a sua substituição por José Manuel Portugal (que tem um apelido que vem mesmo a calhar para o país), servirá para arrastar para o olho da rua o comentador José Sócrates. De um modo geral, este género de dança de cadeiras acontece de acordo com uma certa orientação política - um guião pré-determinado. Habitualmente, os que saem, invocam razões pessoais para explicar a partida, e os que chegam, vêm com o gás todo, felizes e contentes pela promoção - o bónus de fim de ano. Consigo imaginar o recém-nomeado-director José Manuel Portugal (que vem dos serviços internacionais) a contratar Guterres para vir dar à manivela num programa de informação, feito à la carte para o funcionário das Nações Unidas, que ainda há dias foi figura de proa de alguns jornais britânicos, alegadamente por ingerência em assuntos internos daquele país. A máxima - ano novo, grelha nova - não tardará a ser posta ao serviço de um novo alinhamento televisivo - é esperar para ver. Só não entendo a justificação do demissionário; "a defesa dos interesses da RTP". Ora isso não faz sentido algum, porque não sei se a vinda de Sócrates ajudou ou não as audiências da estação de televisão. E é neste tipo de afirmações que reside uma parte da contradição. A compatibilidade entre jornalismo e audiências, o acordo entre servir o país e a agenda de uma empresa pública intensamente deficitária e que ainda não foi sujeita ao escrutínio de uma auditoria como manda a lei. Há demasiado tempo que a RTP tem sido tratada como uma vaca sagrada, a deambular por aí, a entrar porta dentro, pela casa dos portugueses -  a qualquer hora e sem a qualidade que se exige de uma estação pública.

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publicado às 20:09

A moeda moribunda

por João Pinto Bastos, em 28.12.13

Já dei o meu parco contributo para este debate, e, não obstante a emergência de alguns sinais positivos na economia do país, não mudei, globalmente, de opinião. Continuo a crer que o euro, tal como está desenhado, não dispõe de qualquer futuro. A teoria dos ajustamentos contraccionistas possui alguma viabilidade empírica, contudo, penso, e sei que não sou, felizmente, o único, que uma determinada economia, sem moeda própria, e, ainda por cima sujeita a uma fortíssima carga fiscal, terá, por força das dificuldades atrás asseveradas, fortes entraves em recobrar os mecanismos indispensáveis ao crescimento. Ademais, não há, como todos sabem, uma Treasury que centralize a política fiscal para todos os estados-membros, assim como, um poder representativo, democraticamente sufragado pela cidadania da União, que reúna num todo nacional os povos europeus. Por outras palavras, não há uma nação europeia, não há um estado europeu, não há, em suma, uma comunidade, equitativamente construída, de cidadãos que se reconheçam nos mesmo símbolos e axiomas, e que tenham uma identidade comum. E mesmo que fosse possível furar esta barreira pejada de sentimentos díspares, o euro estaria sempre firmado em alicerces muito dúbios. Sem um "no taxation without representation" a nível europeu, isto é, sem um processo constituinte, que seria, forçosamente, imposto de cima para baixo, falar num euro com futuro é uma óbvia e dolorosa contradição nos termos. É por isso que, descontado o efeito positivo que as boas notícias sobre a economia têm produzido em muita gente, incluindo na minha céptica pessoa, não acredito que este euro, que, desde o espoletar da crise, tem sido sujeito a lutas intensas pelo seu controlo entre um Norte espartano e protestante, e um Sul católico e festivo, esteja a salvo de um fim pouco edificante. A questão que se colocará doravante será, sobremodo, a seguinte: como reconstruir o poderio financeiro numa Europa a várias velocidades, sem um centro política, económica, e militarmente bem definido? É aqui, neste terreno minado, que algumas das propostas que se vão lendo na imprensa internacional poderão ter o seu cabimento, ainda que sem grandes expectativas. Quanto a Portugal, a solução é esperar que o vendaval passe, fazendo os trabalhos de casa. O ideal seria, em boa verdade, que quem decide repensasse a estratégia nacional, atlantizando o indispensável, e renacionalizando o inevitável. Em suma, um programa que regenere o Estado e a República, moderando o embrutecimento económico e financeiro de 39 anos de democracia mal cultivada. Porque, mais do que um euro mal esgaravatado, o grande problema do país é a Política. E o euro, neste campeonato, é, no fundo, o melhor pretexto para lampedusianamente manter tudo como está, mudando apenas o acessório. Talvez me engane, mas com estas elites, esta República e este modo de gerir as dependências , não creio que Portugal saia do atoleiro da insolvência.

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publicado às 13:52

Por um canudo...

por Nuno Castelo-Branco, em 28.12.13

 

O cruzador de batalha Pedro o Grande

...ficam israelitas e americanos a ver a miragem da jihadista vitória militar na Síria. Este acordo que Putin celebra com Assad terá múltiplas vertentes, uma das quais será a delimitação da "área de caça" russa na região. Tudo se torna mais nítido, Obama não poderá fingir não ter percebido. Ele que explique os factos consumados aos seus irrequietos colegas de Jerusalém. 

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publicado às 11:01

O pensionato da República

por João Pinto Bastos, em 28.12.13

Se em Espanha há, da banda esquerda, gritos, lapadas, e mamas ao léu contra quem ousa dizer "sí, Rajoy, tienes razón", em Portugal, o cerne do debate incide, presentemente, sobre a traição de uns e a conversão de outros. Como diria o outro, é tudo uma questão de rapanço no tacho, que, a esta hora, pouco ou nada tem para oferecer às goelas insaciáveis dos comensais do costume. A coisa tem, na verdade, alguma piada, mais que não seja pelo despudor com que alguns, neste momento, defendem o que, há um ano ou dois, virulentamente apostrofavam. O caso de Pacheco Pereira é sintomático, mas, em boa verdade, cansativo. O deslize do ferreira-leitismo para o louçãnismo mais extremista só não é, politicamente falando, mais grave porque o mesmo resultou do imenso despeito pessoal com que Pacheco olha os patos bravos que, actualmente, dirigem o PPD passista. Pacheco é um caso perdido, daí que não valha a pena gastar muita tinta com o sábio da Marmeleira. Mais preocupantes são os casos de Ferreira Leite, Bagão Félix, e António Capucho, entre outros, pelo revanchismo pútrido que denotam. Há, neste regime, uma linha vermelha que qualquer governo, seja de direita ou de esquerda, jamais poderá ultrapassar: a linha dos direitos adquiridos. Por outras palavras, se alguém ousa tocar nas prebendas e nos privilégios dos profissionais políticos que vivem "disto" há já vários anos, cai o carmo e a trindade. É assim que funciona a democracia abrileira: muitas palmadinhas nas costas, pensões altíssimas para quem passa a vida a dizer que a austeridade mata, e muito ódio aos yuppies que, desafortunadamente, e por falta de alternativas mais interessantes, foram obrigados a tomar conta do imenso desaforo criado por estes heróis da causa pública. Em resumo, muita parra e pouca uva. E é assim, deste modo cavernoso e vingativo, com muitos avisos e desinformações dos pensionistas da República, que Portugal vai afrontando a batuta confiscatória da Maria Luís, engolindo taxas, IVAs a 20 e tal por cento, e insolvências a mil e tal à hora. Um país, como se vê, frequentável. 

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publicado às 01:01

Um aborto moderno chamado esquerda

por João Pinto Bastos, em 27.12.13

Habermas, que é, consabidamente, um dos mais adulados maître-à-penser das esquerdas modernas, escreveu, vezes sem conta, sobre o processo deliberativo das democracias hodiernas, enfatizando sempre aquilo que para ele é um dos axiomas basilares da persuasão democrática: o uso por parte do demos do logos e da palavra na deliberação das grandes questões públicas da comunidade. Dito de outro modo, o intelectual alemão cria, e crê, que o consenso na esfera pública depende, primacialmente, da, chamada por ele, acção comunicativa. Estas especulações teóricas, de quinta categoria, a meu ver, têm alguma pertinência nos dias que correm, sobretudo quando vemos os maiores cultores do pensamento habermasiano, a esquerda moderninha das referências teóricas múltiplas, a violarem, constante e repetidamente, os pressupostos básicos das ideias atrás referidas. Basta, para o efeito, dar uma breve vista de olhos no que se tem passado, na última semana, em Espanha. O Governo espanhol, cumprindo uma promessa eleitoral feita, pública e reiteradamente, a todos os espanhóis, decidiu, e bem, na minha óptica, reformar a lei do aborto, concitando, nesse sentido, uma plêiade de académicos e especialistas dos mais variados matizes, de molde a alargar, do modo mais amplo possível, o debate público sobre esta questão tão divisiva. Porém, a esquerda psoeista, orfã da mais meridiana vergonha, resolveu, como era, aliás, expectável, clamar que esta alteração é um golpe que deve ser parado a todo o transe, custe o que custar. O despudor chegou ao ponto de o grupelho "feminista" Femen manifestar-se em pleno Congresso, mostrando à deputação lorpa a nudez ignara de quem crê que um par de mamas altera o que quer que seja. Ainda não chegámos à mamalândia, mas, pela lógica destas madames, para lá caminhamos. Em suma, para quem idolatra Habermas, e fala, no espaço público, da necessidade de discutir até aos últimos gorgolejos as questões mais candentes da comunidade, a prática demonstra, cabalmente, o contrário. As esquerdas olvidaram, muito rapidamente, a lição ensinada pelo mestre alemão, pois, pura e simplesmente, não discutem, não ajudam a deliberar (recorde-se que o que está em jogo é, por enquanto, uma proposta de lei), e, acima de tudo, ameaçam quem faz questão de intervir com a palavra no espaço público, dizendo de sua justiça. Tanto é assim que, na Europa dita civilizada, levantou-se um coro de virgens ofendidas a bradar pela reposição do complexo legislativo anterior, com ameaças de sanções à misturaNo fundo, a esquerda, como vem sendo o seu triste hábito um pouco por todo o lado, move-se, apenas, por estados de alma autoritários, que, aqui ou alhures, têm como única finalidade construir um mundo assepticamente desumano, sem lugar para outras perspectivas da vida. Para quem se reclama do moderníssimo campo da comunicação democrática, convenhamos que é muito, muito pouco.

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publicado às 23:57

 

 

" Há cidades, como certas mulheres, que respiram um misterioso fluido de encanto e sedução. Florença, Granada, Veneza, são cidades voluptuosas. Há outras, como certas almas, que possuem o segredo profundo do êxtase. Em Perugia e Assis os olivais e os sinos sonham. Há cidades que cantam, como Nápoles; cidades que dançam, como Sevilha; cidades que choram, como Bruges; cidades fatais, como Viena; cidades que rezam, como Roma.
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Há cidades cujo sono se deixa embalar, como o das crianças; cidades que adormecem cantando, como Coimbra; outras que despertam sorrindo, matinais, mal o sol lhes dá os bons dias, como certas pequenas cidades alegres da montanha, habituadas ainda ao claro tinir dos rebanhos e ao despontar dos cerros. ( ... )
A alma das cidades é sempre uma alma feminina."

Augusto de Castro, « As Mulheres e as Cidades »

 

Algumas ficaram apenas no sonho; outras foram calcorreadas, palmilhadas, umas poucas até à exaustão - mas sem que nunca tivesse, nenhuma delas, deixado que sentisse, ou sequer lhe vislumbrasse, a alma: essa parece estar defesa aos olhos do visitante comum; reservam-na  para quem tem pulsar de poeta.

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publicado às 19:58

Bimby do estado da nação

por John Wolf, em 27.12.13

Ouvi bem? Ou terei cera nos ouvidos? - A Câmara Municipal de Lisboa pede aos digníssimos moradores o favor de guardar o lixo nas suas casas. Será que estão doidos? Conseguem imaginar o que será armazenar os sacos de lixo na sala de estar, na banheira, ou debaixo do divã, durante quase uma semana. Estamos a falar de uma greve que tem data prevista para terminar no dia 5 de Janeiro de 2014. É no mínimo curioso que os responsáveis políticos, assim como os parceiros do turismo de Portugal, estejam mais preocupados com a péssima imagem que os visitantes estrangeiros levam para os seus países, directamente da Praça do Comércio, do que com as questões de saúde pública que irão afligir os residentes da capital. Mais uma vez as prioridades estão invertidas, e, aproveito a ocasião, para fazer uma pequena referência à Bimby. Esta contribui ou não para a geração de ainda mais lixo? Ou será que é uma ferramenta ecológica? Pode e deve servir enquanto imagem de rigor e eficiência, como bandeira de um partido político? Como podem ver, não sei se foi o Natal que me deu a volta à cabeça, ou se é o Ano Novo que aí vem, mas esta caldeirada de temas e ecopontos, gera, no mínimo, náuseas e vómitos. Sugiro máscaras "à japonesa" para os maus odores, e já agora uma venda de burro, para não ferirmos ainda mais a vista com a novela sórdida em que se reciclou Portugal. Porque o resto, como o serviço mínimo de dignidade, há muito que foi pelo cano. 

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publicado às 16:11

"Quando a fome se junta à vontade de comer"

por Pedro Quartin Graça, em 26.12.13

Fixem esta data. Será no dia 20 de janeiro, 2ª feira, em prime time, que as coisas vão acontecer. Na sede da "barriga de aluguer" de circunstância preparam-se já as garrafas do melhor champagne para o, por enquanto ainda distante dia de Maio, em que, pretensamente, se fará a festa. A primeira de duas, é certo, mas há que ter calma porque a outra tem data marcada mas apenas para 2015. Por ora anuncia-se, somente, um providencial "renascer" circunstancialmente burilado no "país das mornas". Mas, previdentes, há quem faça já contas de cabeça. É o caso do segundo da lista, "a cabeça pensante" da candidatura, um homem que, apesar dos sistemáticos fracassos, continua a achar que nasceu iluminado "e tem jeito para a política". A "comunhão de princípios" foi, claro está, e desde o início, "total", ou não fosse a vontade de servir a nação comum a ambas as partes e as duas terem uma enorme capacidade de saber "ler nas estrelas". A verdade é que um não pode ser esquecido e o outro gosta de não se fazer esquecer. A comunhão perfeita, em suma.

Com tanta sofreguidão o que os comensais esquecem é que, quando se quer deglutir tudo de uma vez, o mais certo é que dê indigestão. 

É o nosso Portugal e ninguém, mas mesmo ninguém, levará a mal. E vamos andando...

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publicado às 19:44

Arroz com arroz

por Nuno Castelo-Branco, em 26.12.13

Na comemoração do 120º aniversário do sanguinário, fisicamente imundo e prepotente Grande Líder, ficámos a saber pela confirmação dos seus sucessores em exercício, que o embalsamado totem esteve certo em 70% das suas opções e apenas errou nos remanescentes 30% da sua acção política. O que deveria ter especificado, é se esses 70% incluem as mais de sete dezenas de milhões de mortos pela fome nos campos e cidades, execuções a eito e grotesca revolução cultural de analfabetos. Coisas de pouca monta e com a certeira desculpa de mais um histórico vendaval de leste. Bem vistos os factos, o local onde se reune o Politburo do PCC é uma espécie de santuário Yasukuni elevado à milésima potência, capaz de entupir o Tribunal de Haia durante uns dois séculos de ininterrupto labor.

A retórica deste senhor Xi Junping está a apressar um certo regresso ao passado. Aproveitando o entusiasmo, oxalá se decida a atirar o capitalismo e o industrial-consumismo borda fora, optando pelo pijama universal e pelas malgas de arroz com arroz.  Será um colossal alívio para a Europa. 

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publicado às 18:44

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