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Já sabem contar até 31!

por Nuno Castelo-Branco, em 31.01.14

"Há 123 anos, por força do ultimato imposto pela coroa britânica, a nação estava de joelhos perante potências estrangeiras, o país estava numa situação de pré-bancarrota por incapacidade dos governos que se iam alternando entre os partidos regenerador e progressista. Para além disso, a situação do povo era de miséria, a insatisfação era total, impunha-se uma mudança profunda”.

 

E mudou mesmo. Para pior, muito, muitíssimo pior.

Já tivemos revoltas de marechais, revoltas e regimes de generais, balelas de "capitões" ajaezados de "cornéis" e agora ameaçam-nos os sargentos. Como se vê, trata-se de uma vertiginosa ribanceira abaixo.

 

Desgraçadamente, estes ainda não chegaram ao curto capítulo que se seguiu a esse "nefasto e em boa hora deposto período" da Monarquia Constitucional. Vão a um alfarrabista e comprem um livrinho da antiga 4ª classe. Lá está tudo convenientemente explicado e a verde-tinto, como eles dizem amar.

Estes livrinhos apresentam-se em português directo, sem torcidinhos neo-realistas. Até um sargento o entenderá. 

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publicado às 17:02

PSD e PS: olha que dois

por John Wolf, em 31.01.14

A máxima: "o que hoje é verdade amanhã não é", deve ser tatuada no corpo da política. Todos sabemos de antemão que a mudança de posições é uma constante da vida política. A morte ideológica, no seu sentido clássico, já ocorreu há muito tempo. Os discursos da Esquerda e da Direita confundem-se como premonições de irmãos gémeos. A disciplina de pensamento já não é o que era, e como dizia o outro: "prognósticos só no fim do jogo". Vem a propósito este post porque o impensável deve começar a ser considerado no que diz respeito a emparelhamentos que decorrem de legislativas, que servem para constituir governos de coligação. Embora Seguro repita jamais a cada interpelação, o contrário talvez não seja o caso. Passos Coelho sabe, no contexto de desalinhamentos na Esquerda (com a excepção do PCP), que deve amaciar o pêlo daqueles que precisa para prolongar o  governo de Portugal. As Europeias podem ser um bom ensaio dessa lógica de encosto, a demonstração para inglês ver que a distância que separa o PSD do PS não é assim tão grande. Aliás, os socialistas foram tão ou mais neo-liberais que o actual governo, embora no defeso afirmem o oposto - neguem tudo. Uma metade do actual governo de coligação sabe que deve lançar as suas redes de pesca em mares orientais, mas essa é apenas a face visível do jogo. Nunca saberemos o que se passa nos bastidores e que realmente conta. Nunca saberemos que negociações decorrem entre os barões de São Caetano e do Rato. Ora veja-se; o PS não rejeita liminarmente os elogios do Governo no que diz respeito à elaboração do programa de fundos comunitários. E faz sentido que assim seja. Os fundos comunitários são como uma bandeira de tudo de bom e mau que a governação acarreta. Foram os fundos comunitários que alimentaram a ideia de grandeza. Foram os dinheiros comunitários que deram azo a desvios e desfalques. Portanto, em abono da verdade histórica, faz muito sentido que o PSD e o PS repartam o ónus desse pacto, desse património que geriram com tanta arte. Não me admiraria portanto, que nas legislativas que se seguem, uma nova coligação nasça com toda a naturalidade. Assim sendo, vislumbro a possibilidade de mais um governo de coligação repartido entre o PSD e os PS. Não encaro uma viragem radical do eleitorado, a penalização excessiva do presente governo nas Europeias que se seguem. Vejo algo distinto, mas frequente na grande mesa do convívio político em Portugal. Numa situação em que não há claros vencedores, em que há um empate técnico, as comadres lá terão de se entender para repartir o poder. De qualquer modo, não fará diferença alguma. Se são os mercados que mandam, se é a Troika que manda, então não interessa muito quem recebe as ordens. E é fundamentalmente isto que está em causa. A existência de uma força política capaz de demolir o edifício desse jugo, da submissão da austeridade imposta por decreto e chantagem financeira. Não me parece que o PS seja capaz de o fazer, de levar por diante a revolução, e, lá no fundo, Seguro sabe, mas não quer admitir, que terá de ser um menino bem comportado e acarretar as ordens dadas. Já lhe disseram  várias vezes nas diversas visitas de avaliação do programa de ajustamento, mas ele ainda não confessou esse pecado mortal. Finge-se morto e nada diz.

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publicado às 14:16

Só ares de Fritas do Bombarral

por Nuno Castelo-Branco, em 30.01.14

 

Como ele está diferente, tão, tão diferente que bem poderia mudar de nome, passando a chamar-se Diego Fritas do Bombarral. Como já se ouvem nomes de substituição de Cavaco por um outro mais ou menos circunspecto comensal, o homem faz tremelicar a indignada papada e já faz o tirocínio, não vá um Guterres ou um qualquer  demolidor Costa antecipar-se. 

O governo é mesmo um desastre, há que dizê-lo. Falhou em tudo e mais alguma coisa e concertou-se numa conspiração internacional de assopro de uma cortina de fumo de aldrabões que vão desde as mafiosas agências de rating - sim, parecem e são mesmo mafiosos de avental fora da cozinha -, até ao BCE e Comissão Europeia, aos estudos de opinião à população portuguesa, não esquecendo os "achares" dos empresários, do secretário de Estado USA,  as manigâncias do INE, etc. Na verdade, o Sol é que gira à volta da Terra e a Terra é oca - existe uma base nacional-socialista no seu interior -, Hitler vive na Argentina, os gatos dão azar, Elvis foi criogenizado, o ADN de Lenine já levou à sua clonagem, a face oculta da Lua é povoada por aliens e os faraós egípcios vieram de Orion.

 

Estamos fatalmente atolados num chorrilho de aldrabices e os apregoados dados positivos, são e devem mesmo ser  muitíssimo negativos. Se por desgraça a maioria vai ao encontro dos caprichos da oposição - na coisa dos feriados, por exemplo -, logo salta a terreiro um jeronimita, para numa rápida jeremíada garantir que tudo não passa de falsidade manipuladora. Em suma, devem ser repostos, mas não devem ser repostos.

O pior é o resto, a tal coisa séria que afecta todos os nossos leitores. Como no governo e na maioria parece prevalecer a hipótese do programa cautelar pós-troika, o professor Diego sugere ser esse o caminho mais desejável e por isso mesmo, o governo deve "levar com" um cartão amarelo. À falta de outro, já estamos no âmbito dos futebóis orais. 

 

O caso Fritas do Bombarral sem Fundação que lhe valha, é mais um entre muitos outros ersatz de Soares. O que terá acontecido à sua reforma, à pensão da luxuosa morte lenta? Também foi tornada mais solidária?  Deve ser isso. 

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publicado às 23:25

O Futuro, Mesmo Que Não Gostem

por joshua, em 30.01.14

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publicado às 17:30

Ou sim ou sopas

por Pedro Quartin Graça, em 30.01.14

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publicado às 09:23

Do endoidecimento colectivo

por Samuel de Paiva Pires, em 29.01.14

Começamos a perceber que o ridículo das praxes não tem fim quando aparece no telejornal um tipo com cerca de 40 anos que, sem vergonha, enverga o título de "Dux jubilado". Também começamos a perceber o absurdo que atinge o país quando tanta gente quer proibir as praxes e um deputado de uma alegada democracia liberal afirma que "todos os direitos podem ser referendados". Por mim, já que estamos nestes domínios, façam-me lá o jeitinho e proíbam os trajes académicos, essa ode ao mau gosto.

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publicado às 22:37

A toxicodependência das taxas de juro

por John Wolf, em 29.01.14

Eu sei que a Turquia e a África do Sul estão a grande distância física de Portugal. Mas esse facto não deve ser subestimado. A mera sugestão de abrandamento do programa de estímulo financeiro levado a cabo pela Reserva Federal dos EUA ( na ordem dos 10 mil milhões de dólares), foi mais que suficiente para fazer subir as taxas de juro e gerar ondas de choque naqueles dois países. Este sintoma de pânico moderado não deve ser ignorado. Serve de indicador para efeitos que se farão sentir noutras paragens à medida que o preço do dinheiro retomar a sua via ascendente. São externalidades desta natureza que me preocupam especialmente. Os políticos europeus, nos quais incluo os portugueses, parecem fazer contas de somar sem levar em conta eventos excêntricos. A subida de taxas de juro "per se" causa desgaste em economias emergentes, ou nas desenvolvidas, já de si debilitadas pelas agruras da crise que começou a ganhar expressão em 2008. A subida das taxas de juro afectará as empresas que desejam reunir as condições de financiamento para dar continuidade às suas operações ou aquelas que pretendem realizar start-ups. São desalinhamentos desta natureza, assimetrias deste género, que poderão fustigar as boas intenções daqueles que sonham com a saída do programa de assistência a 17 de Maio deste ano. Por outras palavras, tenho dúvidas que o presente ambiente de dinheiro fácil tenha sido aproveitado para relançar a economia. Quando a hora das necessidades chegar, o comboio do dinheiro fácil já terá partido. Temo que Portugal venha a ser apanhado em contra-pé quando os EUA decidirem travar as medidas de estímulo de um modo mais brusco. Por essa razão a Reserva Federal tem sido cautelosa no "abandono da dependência". Os mercados e as economias de todo o mundo vivem sob a sombrinha dessas medidas extraordinárias, inventadas para relançar a economia americana, mas que se fazem sentir a grande distância dos domínios do Uncle Sam. Os decisores monetários norte-americanos sabem que a coisa tem de ser feita devagarinho para não causar muita mossa, mas em última instância, o sistema financeiro global é um animal que não pode ser domesticado para mitigar os mais que prováveis efeitos colaterais. Por essa razão o que se passa na Turquia e na África do Sul interessa (e muito) aos decisores políticos locais. Podem bradar aos céus que isso é lá com eles, mas não é bem assim. O BCE que se cuide e tome as medidas cautelares adequadas, nomeadamente a implementação das suas próprias medidas de estímulo das economias da periferia, mas sem esquecer as do centro que se degradam a cada dia que passa.

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publicado às 18:46

Um bom conselho

por João Pinto Bastos, em 29.01.14

Já que alguns dos periódicos da nossa praça decidiram fazer uma revisitação jornaleira da I Guerra Mundial, não seria de todo desavisada a aplicação, em simultâneo, desse capital de pesquisa na oferta, sem quaisquer contrapartidas, de "As Consequências Económicas da Paz" de John Maynard Keynes. Seria, até, vistas bem as coisas, uma boa forma de compreender, num exercício de prognose, o que poderá estar reservado ao continente europeu, caso algumas das engenharias políticas e económicas propugnadas pela finança insindincada sejam levadas avante. Os leitores, entre os quais me incluo, agradeceriam, decerto, esse esforço.

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publicado às 17:54

O weekly leak do BE

por Nuno Castelo-Branco, em 29.01.14

Era previsível desde o momento em que pela primeira vez se apresentou em público. O estilhaçar dos grupúsculos de esquerda é coisa tão natural como a chuva no inverno. Quem tenha vivido os anos do PREC - o mental, aquele que se estendeu muito para além da mítica data do 25 de Novembro -, decerto terá assistido ao nascimento e morte natural, porque prematura, de uma infinidade de agremiações de amigos e camaradas, fossem estes burgueses dados a auto-convenciomento de requintes de estilo que ninguém mais via, ou de umas tantas línguas de trapos unidas pela rebeldia à sujeição ao centralismo da seita preponderante na área.

O weekly leak do BE. Começou por ser um verter a conta-gotas, saindo Louçã à socapa, embora deixando como prenda, gente da sua confiança. Já vimos disto, desde o sr. Manuel Serra e a sua FSP, até à UEDS de Lopes Cardoso ou o MES de Sampaio. Acabaram todos por ter algo a ver com o PS, acontecendo isto antes de uma ruptura ou após uma adesão ou re-adesão em proveito próprio. Quanto ao BE - exquisit coligação burguesa estalino-trotsquista -, talvez venha a trocar o seu mini bus eleitoral, por uma mais  prática e económica moto side car.  Para as lides governamentais, não fará qualquer diferença parlamentar, há que dizê-lo. 

 

No Rato bem podem ir convencendo as secções locais para a necessidade da elaboração de futuras listas de candidatura ao Parlamento, pois lá não poderão faltar as sumidades do momento, já aggiornadas às necessidades do new deal da social-democracia do século XXI, atenta ao empreendedorismo, inovação e mercados.

 

Olveira, Amaral Dias e Drago. Como poderá o agora moderado Louçã ficar de fora?

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publicado às 12:27

O caviar intragável

por João Pinto Bastos, em 29.01.14

Pois é, parece que à esquerda não há, efectivamente, nada de novo debaixo do sol.O Bloco, fazendo jus à sua tradição de parlapatice enfatuada, vai-se esfumando progressivamente, levando, nessa espiral destrutiva, os pouquíssimos rostos mediaticamente apelativos que ainda restavam nas caves bolorentas da Almirante Reis. A coisa tem uma história e genealogia próprias, que, para abreviar o possível cansaço dos leitores com as tranquibérnias do esquerdismo caviar, se resume no facto de a tradição política da extrema-esquerda ter no seu âmago constitutivo o dissídio e o confronto intestinos. Nada que, em boa verdade, surpreenda os espectadores mais cautos das guerras civis da esquerda portuguesa. Aliás, se há ilação que se pode retirar da imensa confusão em que caiu o Bloco de Esquerda é que o aggiornamento das esquerdas portuguesas, sob este regime, e com estes protagonistas políticos, é, ao cabo, uma autêntica miragem. Passada uma década e meia, o Bloco implode sem que, ao menos, tenha logrado europeizar, política e intelectualmente, um sistema político configurado às arrecuas. Mas, no fundo, o que tem de ser tem sempre muita força, e, neste caso, a força reside inapelavelmente do lado dos que desejam, sem desprimor para Schumpeter, a destruição pouco criativa da civilidade inerente ao bom trato da coisa pública. O problema é que, com esta implosão, a governabilidade futura do país ficará, em grande medida, superiormente limitada. Mais: pensar numa esquerda que governe unida, carregando solidariamente as dores da governação, é, para todos os efeitos, uma ilusão que doravante, atenta a crise presente, importa não alimentar. Tudo leva a crer, portanto, que serão os portugueses a pagar, mais uma vez, a factura desta romaria festiva, pela singela razão de que não será de todo possível regenerar a República sem uma extrema-esquerda que entre no arco da governabilidade, desobstruindo, com essa abertura, o imobilismo político crismado pelo PREC. Foi isto que, com muita bufonaria política à mistura, o séquito de Louçã diligentemente legou aos seus compatriotas.

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publicado às 01:03

In memoriam - António Soares Carneiro

por Pedro Quartin Graça, em 28.01.14

Ex-candidato à Presidência da República "escolhido" por Sá Carneiro, em 1980, o general Soares Carneiro morreu esta terça-feira aos 86 anos.

Soares Carneiro foi candidato com o apoio da Aliança Democrática, nas eleições que ocorreram no dia 7 de Dezembro, três dias depois do acidente de avião em Camarate que vitimou o então primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e o seu ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa.

Soares Carneiro foi chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas durante o Governo presidido por Cavaco Silva.

Nascido em Cabinda, António Soares Carneiro fez 86 anos no passado sábado. Sempre foi militar e possuia formação especializada em tropas de comandos. Paz à sua alma.

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publicado às 17:08

Na maior parte dos casos os problemas sistémicos revelam-se fora da caixa onde se encontram os decisores políticos que julgam poder encontrar as soluções adequadas. Muitas vezes, enquanto os olhos seguem com atenção determinados eventos, outros acontecimentos passam despercebidos. Todos sabemos que o sistema financeiro, tal e qual como o conhecemos, se encontra seriamente debilitado. A União Europeia procura, nesse sentido, implementar mecanismos por forma a garantir uma maior segurança no sistema bancário pan-europeu. Contudo, e independentemente da face visível das intenções dos ministros das finanças da zona Euro, outras dinâmicas que ocorrem, demonstram, de um modo inequívoco, que a confiança foi permanentemente afectada pela crise que se iniciou em 2008 e que comprometeu a retoma das economias europeias e a geração de emprego. Embora o futuro da divisa euro pareça estar salvaguardado por decreto político dos decisores em Bruxelas, a verdade é que um fenómeno de substituição de divisas está a ocorrer nos bastidores. A procura desenfreada de ouro prova que os aforristas não acreditam nas palavras optimistas dos governantes. Um pouco por todo o mundo o sentimento de pessimismo é semelhante, e as "casas de moeda" de muitos países estão a cunhar ouro a um ritmo desenfreado por forma a acompanhar a crescente procura. Se não o fizéssem, o preço da onça de ouro certamente se encontraria em níveis muito mais elevados (USD$2000-$2500?) e geraria um efeito de contágio dramático minando os esforços de escaparate dos políticos que afirmam que a esquina foi dobrada, que a retoma é uma realidade. São sinais desta natureza, que não ocupam as primeiras páginas de jornais, que devem ser interpretados. A ascensão do ouro é uma consequência natural, uma reacção à impressão realizada pela Reserva Federal e à compra de títulos de tesouro pelo BCE que procuram mitigar o fraco comportamento do mercado aberto. Um sistema financeiro assente na virtualidade e na capacidade de execução electrónica, encontra-se a milhas das dramáticas necessidades da economia real. O que está a acontecer com o ouro representa um "regresso" à ideia de sector primário da economia. A riqueza deve assentar em pressupostos materiais, em objectos e bens físicos. O conceito de crédito, que tantos danos causou às economias de muitos países, deve ser gradualmente substituído por divisas com valor efectivo. Nessa medida, o ouro, assim como a prata ou a platina serão escolhas naturais para aqueles que deixaram de acreditar no poder endeusado de dólares ou euros, na música harmoniosa que sai da boca de tantos políticos.

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publicado às 10:59

Estalada no estaleiro

por Nuno Castelo-Branco, em 27.01.14

Não é novidade alguma, pois já aqui - e noutros posts - tínhamos dito algo acerca deste assunto. As Forças Armadas deveriam obrigar a chamada "sociedade civil", o regime, a prescindir da gestão de alguns activos considerados estratégicos, colocando-os sob controlo especial. O país deve possuir uma indústria de Defesa. Qual é a dúvida? Sendo a construção naval - que engloba produtos militares - de interesse estratégico para o país, há que dar-lhe um novo rumo.

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publicado às 18:11

À atenção de camilo-lourencistas e afins

por Samuel de Paiva Pires, em 27.01.14

Como diria o Dragão, "há marasmos mentais que eu, de todo, dispenso." Um deles, muito em voga, tem a ver com a tão propalada necessidade de aumentar a produtividade, que por sua vez contribui para aumentar a competitividade, o que levará, inevitavelmente, ao crescimento económico. Ora, na prática a teoria é outra, por uma razão muito simples: nós estamos inseridos numa zona monetária incompleta e frágil, na terminologia de Paul De Grauwe. Em qualquer zona monetária deste tipo, i.e., onde não existe uma união orçamental nem mecanismos que permitam, por via da redistribuição, disseminar a actividade económica de forma a corrigir desequilíbrios e a evitar ou, pelo menos, tornar menos dolorosos os choques assimétricos a que uma zona monetária destas está por defeito sujeita, a economia mais forte torna-se dominante e gera excedentes à custa dos défices das economias mais fracas. Tal como no Sistema de Bretton Woods os EUA tornaram-se o hegemon, e no Sistema Monetário Europeu esse papel foi desempenhado pela Alemanha, com o Bundesbank a definir as políticas monetárias que eram do interesse da Alemanha, obrigando os restantes países a ajustarem-se a estas, na União Económica e Monetária é novamente a Alemanha o país dominante, consequentemente, sendo o único país com uma política monetária autónoma - com a agravante de, na UEM, termos uma moeda única.

 

Ora, como ainda recentemente assinalou Andrew Moravcsik, o euro está subvalorizado em cerca de 40% em relação à economia Alemã. Quanto aos países da periferia, é razoável estimar que esteja sobrevalorizado também em cerca de 40%. As implicações da entrada do euro foram diversas nestes dois tipos de países. Enquanto na Alemanha aumentou muito a competitividade externa, no caso português diminuiu-a acentuadamente, conforme Luciano Amaral faz notar, colocando ainda a dívida externa portuguesa numa trajectória insustentável, como Ricardo Cabral evidencia

 

O que é que isto significa? Que não há, por muito que queiram, reformas estruturais - por mais que estas sejam necessárias e devam ser encetadas, o que não contesto, bem pelo contrário - e aumentos de competitividade que nos valham se a UEM (e a UE) não for reformada ou pura e simplesmente dissolvida, ou se nós não nos retirarmos desta. Nem sequer uma reestruturação da dívida, mantendo-se tudo o resto igual, resolverá os nossos problemas, podendo apenas adiá-los e a uma nova crise por mais alguns anos. A Alemanha está muito confortável com a sua posição económica dominante, que Hans Kundnani caracteriza como narcisimo económico, e sendo também a potência que, como Ulrich Beck assinala, manda na União Europeia, não é de esperar que altere a sua linha política. Acreditar que, com estes apertados garrotes, é possível aumentar a produtividade e a competitividade e gerar um crescimento económico que leve a uma diminuição acentuada do nível de desemprego e a gerar excedentes que nos permitam pagar a dívida, ou seja, acreditar que podemos tornar-nos iguais à Alemanha, é apenas, como Peter Hall afirma, "outra daquelas miragens que se atravessa no caminho de soluções genuínas para os problemas."

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publicado às 15:49

Como aqui há muito chamámos a atenção, este é um dos mais belos edifícios residenciais da capital. O processo de renovação que não chegou a  ser, tem-se revelado como algo de bastante estranho e próprio das tortuosas práticas que a Câmara Municipal de Lisboa vai permitindo. Situado na Duque de Loulé/Luciano Cordeiro, foi há cerca de dois anos completamente destelhado, também se escancarando janelas e portadas. Segundo informações colhidas no local, o projecto indicava a obrigatoriedade da manutenção de mais de 70% da compartimentação, exigência que decerto vai contra os interesses de certos fundos imobiliários e respectivas construtoras de serviço. 

Estes dois últimos invernos de "secas e aquecimento global" têm sido inclementes e prodigalizaram caudalosos mananciais de água que já destruíram os pisos superiores, hoje sem recuperação possível. Ontem, domingo, retiraram um dos guindastes, o que parece indicar o abandono à completa ruína. Se isto não consiste num crime, não sabemos então o que será. 

Experimente o nosso leitor  derrubar uma parede interior do seu apartamento e verá como logo lhe batem à porta os fiscais camarários, obrigatoriamente de bloquinho de multas em riste e consequente embargo dos trabalhos. É claro que uma obra caseira é coisa muitíssimo mais perturbadora da legalidade e da preservação do património, sendo assim bastante expeditos os funcionários sob a tutela e ordens dos senhores António Costa e Manuel Salgado. Gostaríamos de saber qual o banco que está por detrás deste empreendimento alegadamente falido.

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publicado às 13:34

Lixo praxado

por Nuno Castelo-Branco, em 26.01.14

Sabemos o que são e o que têm valido algumas das instituições privadas a que se confere o nome de universidades. Também sabemos que para muita gente desfalecida de pueril emoção por tudo o que lobriga na televisão vinda de fora, o exemplo dos campus americanos acicata a mímica, por mais absurdo que seja o objecto do interesse. O sortilégios sugeridos por imaginativas solidariedades, são rematados pela cretina atracção pelo insólito - no caso do sebento corvo-português, diria grotesco - das vestimentas e claro está, pelo fascínio dos rituais e reuniões secretas à meia luz.

 

O grupinho skull and bones proporciona a delirada matriz, pois naquela selecta agremiação pareceram medrar as carreiras de gente de altíssimo gabarito intelectual como o sr. G. W. Bush, um nome entre muitos outros. Estes clubezinhos, talvez sirvam de tirocínio para outras pândegas que implicam a exibição de adereços de cozinha sem forno e infelizmente sem assados, cozidos ou grelhados. 

 

Violência de todos os tipos, abuso e coacção física e moral, eis os medonhos factos que a sempre luso-distraída sociedade agora descobre. Trata-se de um problema que pede polícia e tribunal. O Estado deve imediatamente agir de forma severa e capaz de rebentar o repugnante abcesso.

 

Embora o ideal fosse a total proibição das iníquas e vexatórias praxes - mas quem é que essa gente se julga? -, poderão ser os rituais permitidos, se se limitarem, por exemplo, à pública resposta em plena escada de acesso ao templo universitário, de umas tantas questões à sapiência dos futuros doutores, engenheiros, arquitectos, etc. Havendo queixa ou indícios de infracção dos direitos de cada um e de todos os alunos, urge então a rápida intervenção da Justiça e a concomitante responsabilização criminal da entidade académica. 

 

* Agora, a conversa do cota: no início dos anos 80, só era "praxado" quem quisesse. No primeiro dia em que subi os degraus da FLL, uma gordíssima versão do Che - pertencente à AE - estava a postos e de tesoura em riste, insistentemente olhando para o meu cabelo comprido. Limitei-me a dizer-lhe ..."se me tocas, levas!" Naquela época era um método preventivo e bastante eficaz, embora as palavras tivessem sido outras, aqui impublicáveis. 

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publicado às 19:42

As perigosas escapadelas de França

por John Wolf, em 26.01.14

As medidas de austeridade impostas pela Alemanha aos países da periferia da União Europeia, serviram para exaltar os ânimos e apontar as baterias a Berlim e em particular à figura "odiada" de Merkel, mas devemos prestar atenção ao que se passa em França. É no país do Iluminismo de Rousseau e Montaigne que as distorções ideológicas começam a ganhar uma preocupante configuração. François Hollande, uma espécie de uber-socialista, demonstrou de um modo inequívoco os limites de processos de decisão política com fins punitivos. A tributação persecutória das fortunas dos ricos arrasa não apenas o modelo de mercado livre, mas condiciona as aspirações igualitárias de qualquer projecto socialista. Os efeitos sentidos são tiros saídos pela culatra, penalizando os alvos, mas também quem tem o dedo no gatilho preparado para disparar mais alguns cartuchos correctivos. Concomitantemente, e em dissonânica com interpretações moralistas de devaneios de outras paragens e de outros tempos (refiro-me a Clinton e ao caso Lewinsky), o affaire Hollande serve também para fazer desmoronar um acervo, quebrar tabus. Neste caso, quase que invertendo a ordem de valores e o sentido de Estado, Hollande apresenta-se como a dama ofendida e não o oposto. Esta revolução do foro íntimo, tornada pública nas últimas semanas, serviu também para soltar o animal contido em si. A viragem ideológica de Hollande em favor dos mercados e do liberalismo emite um sinal claro de desespero político, a declaração do "vale tudo", e, nessa medida, a França terá sido libertada para dar expressão a grande parte do seu espectro ideológico. O que se passa com a direita, ou extrema-direita, representa, de um modo claro e preocupante, a necessidade que a França tem em assumir um estatuto maior, o que contrasta com indicadores que revelam falta de saúde económica. Em suma, enquanto as atenções estavam viradas aos afazeres germânicos, a França foi dando expressão a um Europa decalcada de outros tempos, perigosa. O mix entre assuntos de Estado, traições passionais, economias débeis e ideologia, pode resultar num fenómeno muito mais fracturante do que possamos imaginar. Não me refiro ao comportamento excêntrico de uma Hungria ou aos resultados parcelares da direita austríaca; refiro-me a um dos bastiões da democracia comunitária, um dos parceiros que acordou o entendimento com a Alemanha, precisamente para integrar as externalidades de uma Europa devastada pela segunda grande guerra. Neste caso, embora a situação seja por enquanto doméstica, serve de prenúncio de males maiores que podem afligir a Europa. Até ao momento o cavalo de batalha tem estado no campo económico e financeiro, mas quando os argumentos se tornam intensamente ideológicos, a coisa muda de figura, mesmo que as figuras políticas sejam as mesmas de sempre. Esse é o bottomline; não podermos confiar na tabela. Os que pareciam ser socialistas, afinal são outra coisa. Os que são de direita, porventura descairão para as extremas, e os que estão ao centro em coligações, podem, de um modo conveniente, servir-se à vontade desse imenso buffet, dessa extensa mesa de opções políticas e ideológicas.

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publicado às 19:20

A retoma de Passos/Portas

por Pedro Quartin Graça, em 26.01.14

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publicado às 10:17

A praxe e eu

por José Maria Barcia, em 25.01.14

 

Quando entrei para a faculdade no quase longínquo ano de 2008 lembro-me de ter pensado que nunca na vida iria participar em qualquer tipo de praxe. No meu primeiro ano de Direito via alguns dos meus colegas ansiosos por participar. "É a única maneira de te integrares", "Depois não vais ter amigos", diziam. "Porreiro", pensava eu. 

 

Até ao dia em que em plena aula de História do Direito Romano ou coisa que o valha, irrompem pelo auditório um grupo de alunos mais velhos (não tenho a certeza se com mais cadeiras que eu - e era a minha primeira semana de aulas) e começam a dizer aos caloiros para irem todos lá para fora. Ora, quando chegou a minha vez de ser confrontado com um desses espécimes de aluno mais velho, o dito bicho vociferou qualquer coisa. A intenção do animal, perdão, aluno, perdão... não sei o que lhe chamar, era a de o acompanhar para sofrer um castigo ainda pior por me ter rido diversas vezes na cara dele. Como bom aluno que fui, gostava de ter uma desculpa para não ir às aulas. E acompanhei-o. Admito que até aqui, tudo estava a ter imensa piada. 

 

Bom, o grunho que tentou falar comigo levou-me à presença do Dux. Eu perguntei o que era isso. Responderam-me que era o aluno com mais matrículas. A minha resposta foi obvia: perguntei ao Dux quantas vezes tinha chumbado para poder acumular tantas matrículas. A partir daqui, o Dux tentou falar comigo de forma séria: "Olha, isto é uma brincadeira, não precisas de participar". "Óptimo, fico só a ver", respondi. "É sempre divertido ver outros a fazer figuras parvas", pensei logo de seguida. "Mas olha que depois não poderás praxar, nem ninguém te vai ajudar no resto do curso". Eu sorri, peguei nas minhas coisas, dei uma palmadinha das costas do Dux, limpei a mão nas vestes de outro dos alunos mais velhos e voltei à aula. Nunca ninguém me maçou mais, não sofri represálias e até fiz amigos.

 

No fim do primeiro ano de Direito, desisti do curso. Fui para Ciência Política, ser caloiro outra vez. Na primeira semana, a mesma conversa das praxes. Ora, uma pessoa que tem de lidar com aquela tontice uma vez, perde a paciência para uma segunda. Na primeira semana, observava os jovens caloiros nas praxes. Era engraçado tal como é ver um macaco a atirar as próprias fezes a outro macaco. Houve, inclusive, um ou outro parvo que tentou gritar comigo mas ficou-se por aí quando lhe explique que havia maneiras muito mais desagradáveis de ingerir a cerveja que ele tinha na mão.

 

Enfim, no segundo ano pediram-me para organizar as praxes. Quase a contragosto, aceitei. Digo quase, porque se fosse eu a organizar aquela parvoíce, era eu que poderia evitar qualquer tipo de abusos. Durou um dia as praxes e, no fim, levei alguns dos caloiros a jantar e a beber um copo no Lux. Sem trajes, com algumas testas pintadas e álcool. 

 

Quanto às praxes da Lusófona, muito em voga pelas infelizes mortes no Meco, só há uma coisa a dizer: códigos de silêncio, represálias a quem falar, praxe enquanto identidade de uma universidade? Viraram Maçonaria? Ou simplesmente gostam de brincar aos clubes secretos. Não quero que proíbam as praxes, quem aceita ser praxado está a tomar uma decisão. No entanto, quero que abusos sejam severamente punidos. Quer aos alunos, quer à própria Universidade. Ser aluno universitário é mais que seguir as tradições que te impõem. É, a meu ver, exactamente o contrário. É fazer as tuas próprias regras pois, pela primeira vez na tua vida, tudo depende de ti.

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publicado às 16:17

É muito isto

por Samuel de Paiva Pires, em 25.01.14

Para mim, praxe foi uma manhã entre uma aula fantasma e pinturas na cara. Mas isso é no ISCSP, uma instituição com 108 anos, que há 2 anos até teve como praxe pintar uma igreja e uma escola na Ajuda. O resto é como escreve Vasco Pulido Valente:

 

"A maioria do chamado "corpo estudantil" fora antes rejeitado pelo Estado e pagava uma exorbitância pelo "ensino" que recebia. Cada "universidade privada", fosse de que forma fosse, acabava por se tornar um negócio, a favor de obscuras direcções que não dependiam de nenhuma autoridade idónea. Mas, no meio disto, precisavam de prestígio.

 

Para o "prestígio" escolheram usualmente três caminhos: grandes cerimónias, imitadas de universidades medievais; trajos de professores de grande pompa e circunstância; e uma total liberdade para as "praxes". Numa altura em que pelo Ocidente inteiro se abandonavam as "praxes" pela sua brutalidade e pela sua absoluta falta de sentido no mundo contemporâneo, Portugal adoptou com entusiasmo essa aberração. Tanto as direcções como os professores não abriram a boca e menos puniram os delinquentes, que de resto não se escondiam e até se gabavam. Do Minho ao Algarve nasceu assim uma nova cultura, cada vez mais sádica e tirânica, que variava na proporção inversa da qualidade académica da instituição em que se criara. Nas cidades chegou ao seu pior."

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