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Diz que é o governo mais liberal de sempre (2)

por Samuel de Paiva Pires, em 30.04.14

Quando escrevi o post anterior, ainda não tinha visto a notícia sobre a reposição parcial dos salários na função pública. Deixarmo-nos enredar na tentativa de dividir para reinar, ou seja, na oposição entre trabalhadores do sector público e os do sector privado, é um favor que fazemos ao governo, pelo que, sobre isto, só tenho a acrescentar que:

 

i) o governo liderado pelo senhor "que se lixem as eleições" e do qual fazem parte inúmeras pessoas que muito se insurgiram contra os aumentos salariais na função pública protagonizados pelo governo de José Sócrates em ano de eleições, é o mesmo que incorre na mais que velhinha e primária jogada eleitoralista de agradar aos funcionários públicos, parecendo acreditar mesmo que consegue fazer destes estúpidos;

 

ii) vindo i) de um governo que nutre um profundo desprezo pelo sector público e que se regozija quando se fala no privado, no empreendedorismo e afins, acrescenta ao eleitoralismo contornos de um cinismo particularmente abjecto, de que Maquiavel ficaria orgulhoso;

 

e iii) o spin pró-governamental que se queixa de que a Constituição e o Tribunal Constitucional e as pessoas não querem ou não deixam reduzir a despesa pública já era, per se, risível, mas em virtude de i) torna-se particularmente ridículo - e isto sem levar em consideração brincadeiras como o já esquecido guião da reforma do Estado. Contratam para o governo uns tipos que de política só percebem do carreirismo partidário ou das tretas que as agências de comunicação lhes impingem e depois admiram-se que o spin seja patético. Até nisto somos um atraso de vida.

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publicado às 23:56

Diz que é o governo mais liberal de sempre

por Samuel de Paiva Pires, em 30.04.14

O aumento do IVA para 23,25% representa um acréscimo de 200 milhões de euros na receita, e o aumento de 0,2% na taxa de Segurança Social paga pelos trabalhadores significa mais 100 milhões de euros. Trocos, portanto, para o Estado glutão, mas que não deixam de reforçar o processo de empobrecimento da população portuguesa, retirando-lhe ainda mais poder de compra, o que se torna particularmente gravoso no caso dos que auferem salários baixos, ou seja, a maioria dos portugueses. Curiosa também a justificação de que assim se compensa a reposição dos cortes nas pensões mais elevadas, procurando mais uma divisão que tanto tende a distrair e ocupar os visados por estas engenharias orçamentais.

 

Mas, por serem trocos deglutidos em meia dúzia de dias pelo Estado (estarei a ser demasiado simpático?), isto mais parecem medidas alegadamente pedagógicas à Leal da Costa, preventivas, ou seja, aumentozinhos da treta para não nos desabituarmos muito de continuarmos a ser espoliados. No fundo, será mais ou menos assim: isto está tudo a correr muito bem, o país está melhor, as pessoas é que não - que se lixem as pessoas -, mas desenganem-se se julgam que podem gastar os frutos do vosso trabalho como bem entenderem, porque a crise e a austeridade são provisoriamente definitivas e vocês só têm é que continuar a alimentar o Estado e não se atreverem a gastar um pedacinho sequer acima das vossas necessidades. Poupem, para sustentar o Estado, e tentem sobreviver (viver é só para os ricos), que já vão com sorte. Para o ano há mais - logo depois das eleições e de uma eventual redução de impostos, claro.

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publicado às 22:42

Programa Cautelar

por Fernando Melro dos Santos, em 30.04.14

Noticiam hoje os media que o Governo vai aumentar o IVA para financiar a Segurança Social.

 

Decorre daqui que já não é possível manter a ilusão de um Estado Social exequível, cujo funcionamento débil e malsão é tido no cânone oficial como sendo culpa de alguns, os "bota-abaixistas" para Sócrates e os "irresponsáveis" para Passos. Sucede, porém, que ao contrário o Estado -  nos seus aspectos Social e burocrático - funciona mal por culpa de uma imensa maioria:  um eleitorado néscio e concupiscente com os distribuidores de migalhas, e uma corja sem eira nem beira que se abona e acoita por via de RSI's e estipêndios diversos, oriundos do pouco que ainda é possível esmifrar ao trabalho e empreendimento alheios. 

 

Não há outra verdade senão esta: Portugal está assim por culpa dos Portugueses. Evoquemos algumas palavras sábias e certeiras de quem, num outro Mundo que infelizmente vem sucumbindo à mesma maleita socialista que arruina a Europa, sempre entreviu demasiadamente bem este problema.

 

Leiamos o Senador Ron Paul, e reflictamos pois sobre a moralidade da nossa complacência, cobarde e invertebrada, para com os sumidouros a cẽu aberto onde se consome o dinheiro que nos é subtraído por quem detém, indevidamente, o monopólio da força. 

 

 

One day I walked into an operating room, to just be an observant, which we would do generally, as a medical resident. They were performing this hysterectomy, which was a caesarean section. And they lifted out a fetus that weighted approximately 2 pounds, and it was breathing and crying. And it was put in a bucket and set in the corner of the room, and everybody in the room just pretended that they didn't hear it. And the baby died. And I walked out of that room a different person... Roe v. Wade is a reflection of the moral climate of the country, because the law was being defied, and then the law was changed, the law sort of caught up with the culture. So even though we work in the legal area, and work politically, ultimately I believe it's an issue of personal morality, and is a reflection of the country, more so than just the lack of laws. Just changing the laws won't be enough, we will ultimately have to have a society that's moral enough, where the fetus deserves legal protection.

 

Although it is obvious that the Keynesians were all wrong and interventionism and central economic planning don’t work, whom are we listening to for advice on getting us out of this mess? Unfortunately, it’s the Keynesians, the socialists, and big-government proponents. Who’s being ignored? The Austrian free-market economists — the very ones who predicted not only the Great Depression, but the calamity we’re dealing with today. If the crisis was predictable and is explainable, why did no one listen? It’s because too many politicians believed that a free lunch was possible and a new economic paradigm had arrived. But we’ve heard that one before — like the philosopher’s stone that could turn lead into gold. Prosperity without work is a dream of the ages.

  • The Austrians Were Right, November 20, 2008

 

It's a mistake to think that poor people get the benefit from the welfare system. It's a total fraud. Most welfare go to the rich of this country: the military-industrial complex, the bankers, the foreign dictators, it's totally out of control. [...] This idea that the government has services or goods that they can pass on is a complete farce. Governments have nothing. They can't create anything, they never have. All they can do is steal from one group and give it to another at the destruction of the principles of freedom, and we ought to challenge that concept.

  • 1987 

 

 

Question: As a doctor, is it meaningful to you when somebody say that healthcare is a right, or that people have a right to good medical care?

 

Ron Paul: That's incorrect, because you don't have a right to the fruits of somebody else's labor. You don't have a right to a house, you don't have a right to a job, you don't have a right to medical care. You have a right to your life, you have your right to your liberty, you have a right to keep what you earn. And that's what produces prosperity. So you want equal justice. And this is not hard for me to argue, because if you really are compassionate and you care about people, the freer the society the more prosperous it is, and more likely that you are going to have medical care... When you turn it over to central economic planning, they're bound to make mistakes. The bureaucrats and the special interests and the Halliburtons are gonna make the money. Whether it's war, or Katrina, these noncompetitive contracts, the bureaucrats make a lot of money and you end up with inefficiency.

  • All Things Considered, NPR, July 25, 2007

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publicado às 16:54

A ponte para o passado

por Nuno Castelo-Branco, em 30.04.14

E eis que regressa o sr. Jorge Coelho. Já os betoneiros e o "tal banco" esfregam as mãos de contentes.

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publicado às 13:47

Putin na China

por Nuno Castelo-Branco, em 30.04.14

Consta que V. Putin visitará a China, com este país assinado um contrato de fornecimento de gás natural. É esta a resposta conseguida pelo ocidente e aqui está uma excelente oportunidade oferecida a alguns polos industriais portugueses. Poderemos acelerar a produção de edredões, lanifícios e pijamas-Kispo  destinados à Europa central, oriental e do norte. Será que ainda temos alguém capaz de fabricar escalfetas e braseiras? Prevê-se alguma procura internacional.

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publicado às 10:19

Os donos do 25 de Abril

por Salvador Cunha, em 29.04.14

Após um mês de intensas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril fiquei com a sensação de que caso Francisco Louçã algum dia esgote o filão dos vários donos de Portugal, pode debruçar-se sobre os do 25 de Abril. Se achar que é pouco, poderá sempre, numa fase posterior, lançar-se sobre o filão dos herdeiros.

 

 

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publicado às 11:46

Socialismo e Cold-Troika

por John Wolf, em 29.04.14

O sociólogo Carvalho de Silva, na sequência de um exaustivo estudo, finalmente apresenta o relatório ao público - "Portugal vai continuar entroikado". Não tenhamos dívidas, perdão, dúvidas: os efeitos do programa de ajustamento far-se-ão sentir muito para além das datas estipuladas pelo entusiasmo da propaganda política. A própria expressão "programa" talvez merecesse ser reformada e substituída por "residência". Dizem que o tempo cura, mas falamos de quanto tempo de tratamento? O tempo suficiente para o PS tomar o poder, o PSD destronar o PS, o CDS coligar-se com o BE, pelo menos dois governos se demitirem, três presidentes da república e quatro dezenas de eurodeputados serem eleitos, três presidentes da comissão europeia serem indigitados, e por aí fora (a imaginação não conhece limites). De que forma pode Portugal circum-navegar a inevitável presença da Troika? Sair da União Europeia e do Euro e mandar à fava a vocação europeia? Avançar com um projecto de salvamento europan-periférico, criando mecanismos monetários com países que se encontram em condições económicas e sociais semelhantes? A questão a que o país está obrigado a responder, transcende mandatos de governação, ciclos de alternância em tons de rosa-laranja-azul, conquistas partidárias, desaires ideológicos, promessas e veleidades. A situação exige (parafraseando Eça de Queiroz) "macróbios da terra" - gente grande capaz de perspectivar um futuro maior que o ego, maior que a vontade de derrotar os adversários. De um modo indistinto, sem enviesamento ideológico, não fará diferença alguma qual a mascote de eleição. É óbvio que a desmama da Troika trará consequências que serão mitigadas nas décadas que se seguem (décadas, ouviram bem). O cold-Troika (cold Turkey) não será fácil, porque, sem o desejar, Portugal caiu na dependência do traficante. As doses financeiras permitiram manter o país vivo, em estado de transe, abananado pelas exigências do dealer, incrédulo em relação ao estado a que chegou - derreado. Ora um farmacéutico catita como António José Seguro até pode esfregar as mãos de contente (antecipando belos resultados eleitorais europeus), mas seria muito melhor que entendesse o que significa ser um junkie (não falo de junk bonds, lixo). Nem de longe nem de perto, o senhor que se segue, percebe as regras do jogo, do jugo. Prestem muita atenção às promessas de mundos e fundos - poços sem fundo.

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publicado às 09:37

Cпасибо, товарищ !!!!

por Fernando Melro dos Santos, em 29.04.14

 

Camaradas, a classe jornalística já pode assomar para fora do seu ordálio austero, e o cidadão comum cumprir o seu papel na sociedade, assegurado de que nenhuma mentira, falsidade, omissão, inverdade e quimera mediática voltará a ser propalada como até agora.

 

O que seria de nós sem o Novo Ministério?

 

 

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publicado às 09:23

Vasco Graça Moura e a Europa pós-moderna

por Samuel de Paiva Pires, em 27.04.14

 

 

(fotografia roubada ao Miguel Castelo-Branco)

 

A Identidade Cultural Europeia:

 

“Pelo menos para aquilo a que podemos chamar a herança do Cristianismo, não falando aqui das teocracias e dos fundamentalismos não europeus, a religião já não impregna o quotidiano e provavelmente, enquanto tal, já não tem um papel estruturante da nossa visão do mundo e ainda menos o tem na configuração política das nossas sociedades. Mas os valores de humanidade que a mensagem cristã propugnou continuam a caracterizar predominantemente o quadro europeu e as sociedades que dele derivaram, cuja matriz cristã, entre a laicidade e a democracia, é inegável e não deixa de fecundar uma e outra. E depois sempre se poderá perguntar: terá desaparecido a ânsia de transcendência e de absoluto? Ou não se terá ela deslocado, por via da laicização, para uma espécie de “divinização” do humano no plano do individualismo e da subjectividade?”

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publicado às 20:14

In memoriam - Vasco Graça Moura

por Pedro Quartin Graça, em 27.04.14

Uma das personalidades públicas que mais se distinguiram contra o Acordo Ortográfico. Poeta, ensaísta, romancista, dramaturgo, cronista e tradutor de clássicos, Vasco Graça Moura nasceu no Porto, na Foz do Douro, em 1942, licenciou-se em Direito, pela Universidade de Lisboa, e exerceu durante alguns anos advocacia antes de se dedicar por completo à literatura. A sua morte, hoje anunciada, era, infelizmente, esperada.

Em 1999 viria a repetir uma anterior experiência na vida política com a efémera passagem que fez por um governo provisório. Desta feita protagonizou uma candidatura com sucesso ao Parlamento Europeu, tendo sido deputado até 2009, como independente pelo PSD.

A obra de Vasco Graça Moura é, porém, vasta e inclui poesia, ensaio, romance e tradução de clássicos como Racine, Molière, de Corneille, mas, também, Seamus Heaney, Hans Magnus Enzensberger e Gottfried Benn. Dele retenho a frase: "A poesia é a minha forma verbal de estar no mundo". Portugal fica mais pobre.

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publicado às 13:13

Vem aí o maior combate de cidadania: a defesa da água

por Pedro Quartin Graça, em 27.04.14

Foi este o enorme contributo de José Manuel Barroso? Reportagem exibida no programa da TV alemã Ard Monitor.

 NOTA: activar legendas em português no envelope existente no canto inferior direito

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publicado às 06:20

Do melhor regime que já experimentámos

por Samuel de Paiva Pires, em 26.04.14

Como alguém que ainda não era nascido em 25 de Abril de 1974, causa-me um certo tédio assistir às recorrentes e estafadas tiradas das barricadas que competem para sacralizar os seus heróis do período revolucionário e rebaixar os heróis da barricada adversária. Claro que se compreende, já que, não só o 25 de Abril é o elemento fundacional do regime como, ainda que de diversas formas e com experiências e influências diferentes, o período revolucionário terá constituído, como se diz em estrangeiro, a principal formative experience de boa parte da população, especialmente das gerações que estão ou já estiveram no poder. Não deixa, todavia, de ser aborrecido, mas sempre é um aborrecimento de barriga cheia, bem confortável, que abona em favor do regime democrático. É que se vivêssemos nas décadas de 1820, 1830 ou 1910, as coisas seriam bem diferentes. Transitámos e consolidámos a democracia, como se diz na literatura da politologia norte-americana. Institucionalizámos o conflito, à maneira de Raymond Aron. Mas, continuando a utilizar o jargão politológico contemporâneo, já vai sendo tempo de melhorar a qualidade da democracia. "Porque, o que estava antes, e o que nos ameaça sempre, é o despotismo, conforme a clássica definição de Montesquieu (...)." 

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publicado às 17:18

Binóculos de Belém

por John Wolf, em 26.04.14

Fica bem a um presidente da república fazer uso de axiomas e máximas, floreados e bonitos - especialmente em dia de cravos. Mas tenho de discordar com a largueza das suas palavras. As vistas curtas não são de desprezar em política. Uma certa dioptria ou distância focal, até pode ser muito útil. Diria mais, a imagem focada talvez seja o mais importante quando navegamos em águas turvas. O que os governantes nacionais necessitam e sem mais demoras, é de uma lupa, o ampliador das evidências que tardam em ver, reconhecer. O raio de (da) acção dos governantes deve estar totalmente condicionado pela distância curta que vai da mão para a boca dos desempregados. Um país que se encontra em falência laboral com milhões de cidadãos a passar efectivamente mal, fome, deveria, na minha opinião, merecer a resposta imediata de salvação nacional. Cavaco Silva fala como se fosse um caloiro. Ele parece não ter entendido que a matriz política nacional assenta na discordância e no conflito. A dissensão faz parte da endemia política que tem arrastado e atrasado este país sem pudor. Estes chavões de ocasião poderiam ser debitados por uma porta automática, por uma máquina de tiradas avulso. Estas frases-feitas saem da ranhura como bilhetes reciclados e ninguém lhes presta atenção. São abstracções e generalizações que não servem os tempos difíceis que o país atravessa. O que as pessoas querem são soluções concretas e não vistas panorâmicas para um horizonte longínquo, maravilhoso. O presidente da república ao servir-se de binóculos, salta por cima das dificuldades do presente, e avista uma ilha de deslumbramento, ficção política da sua criação. O tempo da cegueira terminou abruptamente, mas os actores teimam em reconhecer o seu esgotamento, a sua inutilidade no mesmo palco que calcorreiam  há décadas. Iremos assistir, nos meses que se seguem, a mais reciclagens. A outros batidos no terreno a fazer uso de provérbios do mesmo arquivo político. As comemorações do 25 de Abril servem de estágio para estes políticos de carteira gasta - proponentes apelam à matéria plantada no imaginário colectivo. São noções poderosas, ligadas ao simbolismo político, às diversas religiões ideológicas - Liberdade, Justiça e Igualdade de Oportunidades -, e outros derivados com o mesmo enfoque. Mesmo aqueles que se encontram em coma despertam condicionados por esse reflexo de Pavlov, para mais uma vez, e invariavelmente, depositarem confiança no homens que proferiram aquilo que desejavam escutar. Nada mais.

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publicado às 10:18

Pata Negra

por Fernando Melro dos Santos, em 25.04.14

Descobri hoje a ler um articulista que Maradona marcou um golo com uma das mãos cortadas ao Che pelos Bolivianos e que no início de Julho é possível visitar Buenos Aires e ignorar a falência do socialismo. 

 

Viva o mito.

 

Eu iria antes a Caracas, onde a época do ano é indiferente. 

 

Vou rever o "Dogma", a Morrisette tem mais pinta que mil madonnas, é de Evitar associações.

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publicado às 21:45

25 de Abril sempre

por Nuno Gonçalo Poças, em 25.04.14

Na sequência de um texto desenhado por mim e pelos autarcas do PSD no concelho do Seixal - Estalinegrado, para os mais distraídos - que a leram e viram ser chumbada em todos os órgãos autárquicos, aqui vos deixo a minha saudação aos 40 anos do 25 de Abril. Depois de quatro décadas, o discurso continua a ser o mesmo: quem leu este texto, voltou a sentir na pele os rótulos de "fascista", de "pidesco" ou de "reaccionário". No fundo, nada mudou nalgumas cabeças.

 

 

 

Comemoramos, nesta data, os 40 anos do 25 de Abril de 1974, data da revolução militar que depôs a ditadura do Estado Novo.

Depois de longas décadas do regime autoritário contra o qual combateram milhares de portugueses, de diversas ideologias e correntes doutrinárias (comunistas como Álvaro Cunhal, liberais como Sá Carneiro ou católicos progressistas, como Sophia de Mello Breyner ou Alçada Batista, entre outros), o movimento dos capitães, com Salgueiro Maia à cabeça, saiu vencedor, depois de um golpe militar falhado semanas antes, nas Caldas da Rainha.

O Estado Novo, a política colonial, a censura, os presos políticos, os exilados e todo o tipo de perseguições por parte da polícia política foram, enfim, derrubados, na expectativa de ser definitivamente instaurado um regime democrático em Portugal.

Volvidos 40 anos sobre a data que permitiu ao país actualmente usufruir da democracia em que vive, é tempo de relembrar o facto histórico e a evolução do processo de consolidação da democracia portuguesa.

Nesse sentido, é tempo, também, de relembrarmos o 25 de Abril de 1975 e o 25 de Abril de 1976, datas, respectivamente, das eleições para a Assembleia Constituinte (que, realizadas em pleno Processo Revolucionário em Curso, por pouco não existiam) e da entrada em vigor da Constituição da República.

Mas, volvidos que estão 40 anos da data que marcou um virar de página na história de Portugal, é ainda tempo de relembrar o esforço que ainda hoje o nosso país leva a cabo no processo de consolidação democrática.

O 25 de Abril de 1974 foi um marco histórico, mas constituiu também um processo revolucionário culminado com a aprovação da Constituição e, mais tarde, com o fim do Conselho da Revolução, na revisão constitucional de 1982, impondo, nessa data, o definitivo regresso dos militares aos quartéis, o fim do processo revolucionário e a estabilização das instituições democráticas.

Com efeito, o processo revolucionário decorrente do 25 de Abril de 1974, afrontou e retardou a consolidação da democracia, com sérios prejuízos para a evolução e normalização do país.

Em 1975, o país tinha mais presos políticos do que no tempo da ditadura – muitos deles, homens do 25 de Abril. A censura, as perseguições políticas e os exilados mantiveram-se durante o processo revolucionário. As ocupações, num claro ataque a um direito básico de uma democracia adulta e civilizada (a propriedade privada), a reforma agrária, os processos de nacionalização da indústria-base (siderurgia, química, combustíveis, cimentos, celulose, tabacos ou empresas rodoviárias), contribuíram para um atraso económico endémico, depois de anos de crescimento económico e de estabilidade orçamental (recordemos que Portugal, ainda que, lamentavelmente, em ditadura, em 1973 se apresentava em situação de superavit financeiro e com um crescimento económico a rondar os 8%).

A transição democrática esteve, de facto, em risco. Recordemos que Álvaro Cunhal afirmava, em 1975, que nunca Portugal iria ter um Parlamento ou que não existia em Portugal a menor possibilidade de uma democracia como as da Europa Ocidental.

Também a liberdade de iniciativa e o direito à propriedade privada estiveram em risco.
Lembremos que Vasco Gonçalves, chefiando o Governo Provisório de então, falava de uma via de transição para o socialismo durante a qual coexistiriam o sector público e o sector privado, devendo este ser progressivamente absorvido pelo sector público de acordo com condições que garantiriam os legítimos interesses dos capitais privados que se colocassem ao serviço da Revolução.

Ainda que o processo revolucionário tenha terminado, que a democracia de tipo ocidental se tenha implementado, que o país seja dotado hoje de instituições democráticas inquestionáveis, relembremos ainda que esse processo de consolidação democrática foi também possível com a adesão à Comunidade Económica Europeia, integrando, por fim, Portugal nos regimes democráticos europeus e ocidentais.

Numa época em que a democracia vai sendo cada vez mais questionada, é tempo de reflectirmos os 40 anos do Portugal democrático e a forma de proporcionar ao país uma democracia dotada de melhores instituições e mecanismos jurídico-constitucionais, de forma a que a liberdade conquistada em Abril possa, não só ser cimentada, mas aprofundada e alargada, nomeadamente quanto à liberdade de iniciativa privada ou quanto ao processo de libertação do indivíduo do peso do Estado – que se reflecte, naturalmente, em maior dependência em face do próprio Estado e em menor rendimento disponível para que possa agir e escolher livremente – e de forma a recuperar a credibilidade dessas mesmas instituições.

Enalteça-se a evolução constitucional, a adesão às comunidades europeias, a estabilização e continuidade do processo de democratização. Não esquecemos, porém, que tal apenas nos foi possível graças ao movimento dos capitães que triunfou sobre a ditadura do Estado Novo em 25 de Abril de 1974.

 

Viva o 25 de Abril. Viva o 25 de Novembro. Viva a democracia.

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publicado às 13:42

Sei que dois e dois são quatro

por Ana Rodrigues Bidarra, em 25.04.14

 

É confrangedor perceber que nem nas celebrações dos 40 anos do momento fundacional do regime, em pleno parlamento, a oposição aplaude o Presidente da República, que é suposto ser o símbolo máximo do Estado, independente da jogatana partidária, e cujo discurso, em boa parte crítico do actual governo, poderia até ter sido proferido por alguém como Jorge Sampaio ou Mário Soares. Os republicanos e os socialistas insistem que o Presidente da República é um símbolo apartidário mas só o é quando é de Esquerda? Ele há coisas que não percebo mas vou-me indignando, como Ferreira Gullar, sabendo apenas por certo o seguinte: " Sei que dois e dois são quatro, sei que a vida vale a pena, mesmo que o pão seja caro e a liberdade, pequena."

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publicado às 12:38

Não há paciência para esta gente

por Samuel de Paiva Pires, em 25.04.14

Nas comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República, Cavaco Silva criticou a acção do actual governo, em particular no que se refere ao empobrecimento dos portugueses, ao desemprego, aos funcionários públicos e pensionistas e afirmou que é preciso fazer-se a reforma do Estado que está por fazer. Heloísa Apolónia conseguiu ver no discurso uma colagem total à acção do governo.

 

Jerónimo de Sousa, por seu lado, no que concerne à referência do Presidente da República ao cerco ao parlamento em 1975, afirmou tratar-se de um "desabafo reaccionário" de Cavaco Silva, pois que "não existiu nenhum cerco ao parlamento, que na altura nem era parlamento, era só uma assembleia constituinte, mas uma mera manifestação".

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publicado às 12:24

O excesso de civilização dos incivilizáveis

por Fernando Melro dos Santos, em 25.04.14

 

 

E se todos nos preocupássemos mais em saber onde estamos no 25 de Abril deste ano? Seria mais são do que perpetuarmos a cristalografia das múmias de outrora.

 

Eu vim caminhar, uns 22km bem medidos, para onde posso ser livre, que é longe de uma maioria que vertiginosamente acelera na aceitação do novo normal apático e demissionário até das mais básicas operações mentais.

 

E vocês? Em que mundo estão no 25 de Abril? 

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publicado às 12:09

Mobília de Praxe

por John Wolf, em 25.04.14

Gostaria de saber se a estupidez é um exclusivo de universitários broncos? Sim, existe relação entre o mar e a terra. Existe uma ligação entre o que aconteceu no Meco e o que aconteceu junto ao novo muro de lamentações, perdão... "peça de mobiliário urbano" - chama-se atraso mental. Resta-nos aguardar por mais idiotices de proto-doutores. Uma nova praxe da morte que seja realmente original. Em Braga já se serviram do Parkour para demonstrar o seu grau de inteligência. A justiça portuguesa, que deixa tudo a meio, ou solta os bandidos, de nada serve nestes casos. Nunca chega ao fim de nada. Eterniza a ideia de impunidade. Não fecha capítulos de livros intermináveis. Agora sei para que fizeram o 25 de Abril. Para dar largas à imaginação destrutiva de alguns cidadãos. Para permitir que algumas batatas podres ponham em causa os fundamentos de um país inteiro. O futuro está bem entregue a estes filhos da nação. 

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publicado às 07:06

Paródias no Teatro D. Maria II

por Nuno Castelo-Branco, em 24.04.14

 

Têm sido mornos, estes últimos dias de regresso a um passado já muito distante. Sempre há uma ponta de interesse nas palavras de protagonistas de momentos há muito vividos e sem surpresa deparamos com uma algaraviada de ses ou ameaçadores "agarrem-me!, senão". Senão, nada. Nem outra coisa seria de esperar.

 

Em boa hora feita a maior parte da reconstrução ainda antes da queda do anterior regime, o Teatro D. Maria II tem oferecido o seu discreto esplendor dourado sobre creme, a uma série de palestras protagonizadas por algumas personalidades hoje na retraite e praticamente desconhecidas por quem ainda não tenha completado meio século de existência.

Os oradores, normalmente leitores de folhas onde escreveram pontos de vista bastas vezes de difícil compreensão para quem assista às sessões, são agora gente absolutamente anónima, mesmo para quem dispense alguma atenção às coisas da política nacional. É confrangedor o espectáculo oferecido militares que tendo sido, sem qualquer dúvida, exímios no exercício do seu dever nas frentes de combate, são contudo incapazes de convencer o mais crédulo acerca das suas capacidades na gestão dos negócios públicos. A ignorância da história implica sempre uma errónea interpretação da mesma, até daquela que por ser comummente conhecida por factual, deveria implicar uma menção incapaz de ocasionar qualquer tipo de crítica. A sensação com que ficamos é sempre a mesma: pueris jactâncias próprias de repastos na messe, corridas verbais atrás de momentos históricos que surgem agora como lendas ao sabor da mais conveniente interpretação, deliberada e quase patética apropriação daquilo que todos julgamos ser A Pátria.

 

Segundo as palavras de um contra-almirante que ontem e a meio da leitura reclamou a imperiosa necessidade de meter água, tudo lhes devemos, desde o advento da independência no século XII, até ao 5 de Outubro que contou com a mais abjecta abstenção da esmagadora maioria dos militares no activo! A conhecida e apertadíssima aliança com a Coroa, os Descobrimentos e a Expansão, são tudo coisas próprias e justificam plenamente uma condição especial, de casta.  A partir da menção do tal 5 de Outubro que não foi de forma alguma obra dos dragonados mainstream, na ora surgiram uns tantos incómodos desajeitadamente mencionados à pressa, como se a imobilidade após a tragédia do 1º de Fevereiro de 1908, as desgraças da 1ª república, o golpe de Sidónio, o 28 de Maio e todo, repito, todo o regime de Salazar, não tivessem sido da inteira responsabilidade política dos militares. Não estando em causa a abnegação com que serviram o país nos momentos em que fomos confrontados com ameaças bélicas vindas do exterior, o desempenho político dos militares é confrangedor. Nem sequer os seus interesses corporativos têm sido capazes de defender e a abolição do Serviço Militar Obrigatório consiste num exemplo desse acatar de situações pouco claras ou de discutível conveniência para a defesa do interesse nacional. É a velha questão do oportuno laissez faire dos tempos de vacas gordas, Mercedes de matrícula MX ou ME com chauffeur feijão-verde à porta, Casão Militar à disposição e em exclusividade, etc. São muito liberais! 

Passando sobre a indecente mancha que na mente de muitos ainda resiste à passagem das décadas, como a rápida quebra da disciplina, a deposição das armas sem derrota, o imiscuir na extorsão e abuso de luso-africanos em praticamente todas as parcelas do antigo Ultramar, o abandono dos seus camaradas - os tais pretos que perfaziam a metade dos efectivos e que ficaram à mercê da violência dos "outorgados vencedores"-, os negócios empresariais cujos contornos são convenientemente abafados por uma imprensa medrosa, somos agora colocados perante um punhado de iracundos coronéis de sessenta panzers Leopard e contra-almirantes de quatro fragatas e dois patrulhões oceânicos.

 

E o que dizem eles? Falam de um país passível de ficar orgulhosamente só, talvez naquele mundo ideal que funcionasse num sistema de caixinhas autárcicas e onde não existisse qualquer tipo de interdependência. Quem escute as escassamente doutas opiniões, diria ser viável reduzir Portugal à dimensão da creche onde a rotatividade na desagradável mudança de fraldas e a indicação de voluntários para o ministrar da hora da mama, consistem nas mais importantes actividades que justificam a existência da organização. E assim por diante, desde a "escola autónoma", até à "rua organizada com comissões" e vigilantes, a "fábrica cidade", o "escritório cooperativa"... Todos eles têm exaustivamente mencionado a necessidade de uma sonhada democracia directa, sem que dela ofereçam um modelo compreensível em termos de organização constitucional. Paira sempre a absoluta certeza da tentaçãozinha totalitária, a rejeição do sistema partidário e das eleições que este implica - ou seja, os portugueses são estúpidos e precisam deles, de quem ponha e disponha -, alijando-se a vontade popular para o ecoponto de coisas dispensáveis e susceptíveis de pouco ecológica co-incineração. Às estultas cabeças, talvez jamais tenha ocorrido a mais ténue ideia daquilo que é a situação de Portugal neste mundo real, de nada lhes servindo a apresentação de números ditados pela opção de um modelo de desenvolvimento que a generalidade da sociedade reclamou como urgente e do qual os próprios têm sido claros beneficiários. A dívida, o aparelho produtivo e uma situação financeira tão diversa daquela existente nos tempos da juventude dos militares d'Abril, os vários sistemas que garantem o funcionamento do aparelho estatal, "tudo isto  será coisa de fácil resolução", enfim, aquele "vamos fazer a coisa, depois logo se vê" e que por infalível regra, sai sempre muito caro àquilo que eles próprios gostam de chamar de colectividade. 

 

Já tivemos um exemplo desse "logo se vê" que agora assumem como um facto por eles consumado há quatro décadas. Uma total inépcia na condução da sociedade civil num momento de transição de um regime para outro - que nem os próprios sabiam qual seria -, uma catastrófica impreparação para o exercício da política diplomática que teria evitado a desgraça, a desonra e a vergonha em África e em Timor, a súbita queda da disciplina nas hostes que afinal não controlavam.

 

É bastante evidente, esta calamitosa impreparação destes militares formados pelo regime da 2ª república. De todos eles, dir-se-ia que apenas um daqueles antigos capitães terá lido, aprendido e evoluído. Chama-se Ramalho Eanes. 

 

Imaginemos o que sucederia a Portugal, se amanhã acordássemos com blindados e festarola uniformizada nas ruas de Lisboa. Aceitam-se alvitres. 

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