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Costa dos murmúrios

por Nuno Castelo-Branco, em 31.05.14

Está na TVI24 um tal Vítor Ramalho muito ancho e costeiro. Da sua aflita conversa acerca de empresas públicas e número de deputados, apenas há algo para retermos: jobs for the boys, neste caso, The Costa's Boys. Belo filme. 

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publicado às 22:45

Os jogos da fome (III)

por Fernando Melro dos Santos, em 31.05.14

 

Como se fosse preciso mais um sinal claro da prepotência distópica que os anima, e como se as recentes eleições para o PE nunca tivessem acontecido, a Comissão Europeia anulou uma petição contra o aborto, apesar desta seguir com 446% do número de assinaturas requeridas em Portugal - e até acima, noutros países. Leia-se bem o esclarecimento prestado por Barroso, é state-of-the-art totalitário que apurou ao longo de décadas. 

 

Neste momento, na RTP 1, o órgão-sorvedouro-anestesista oficial do Regime, há três horas que se mostra os preliminares cavernícolas de um jogo de bola a feijões, as reacções dos "heróis do mundial" (estou a citar o locutor) a um jogo da bola a feijões, e o eco das pesporrências politiqueiras que espelham bem um país a feijões. 

 

De resto não tenho mais nada a dizer, e se calhar não vale mesmo a pena. Leitura complementar.

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publicado às 21:28

Inconstitucional

por Fernando Melro dos Santos, em 31.05.14

(em milhões de €)

 

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publicado às 18:09

Constitucional

por Fernando Melro dos Santos, em 31.05.14

(fonte: base.gov)

 

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publicado às 18:08

84

por Fernando Melro dos Santos, em 31.05.14

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publicado às 18:03

Caciquismos e trambiqueirices

por Nuno Castelo-Branco, em 31.05.14

Para quem tivesse alguma dúvida quanto ao que aqui foi afirmado, eis que o cacique-mor confirma aquilo que o eleitorado sabe: esta gente (também) não é de confiança. 

O ar amargurado de Alberto Martins, os desabafos de João Soares e a perplexidade de João Proença, demonstram-nos fartamente a que ponto chegou o afiar de facas. Trata-se de um "golpe de Estado" dentro do partido, qual é a dúvida? Eles bem sabem que o alpinista em liça pouco pode apresentar como valiosos argumentos à confiança dos  eleitores e nem toda a propaganda e colo mediático são capazes de ocultar as evidências. O estado em que a cidade de Lisboa se encontra, bastaria como epitáfio desta catastrófica carreira na gestão dos assuntos públicos. 

O poder pelo poder, o bacoco messianismo de fachada arruinada, tudo isto sintetizado numa espantosa mixórdia de argumentos e contra-argumentos estatutários e mútuos avanços e recuos a respeito dos mesmos. Se uns fazem finca-pé no status quo da legalidade saída do anterior congresso, os nossos bem conhecidos arrivistas servem-se do mesmo recurso para o invocar da legitimidade daquilo que nada mais é, senão uma descarada deposição de "quem lá está". Voltamos à banda desenhado do grão-vizir que queria ser califa no lugar do califa. 

 

É a isto que se resume todo este ruído, um ansioso regresso a 2010. Os portugueses bem podem esperar, pois trata-se apenas de sabermos quem ficará com o prato, com o queijo e com os talheres.

 

É mesmo verdade, o PS é o gémeo do PSD. 

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publicado às 14:40

O Bairro

por Fernando Melro dos Santos, em 30.05.14

Sexta-feira, 30 de Maio de 2014.

 

Combino com os meus melhores amigos, família mais próxima do que a de sangue, jantar em Cacilhas.

 

Perdoem-me por narrar o resto telegraficamente, é tarde, sinto-me como se tivesse chegado a casa vindo de uma travessia a pé através de bairros sociais em Manchester. 

 

Os meus amigos atrasaram-se 40 minutos porque há festas em Lisboa, e além das ruas que estão fechadas para dar trabalho aos funcionários da CML, fecharam outras para garantir que se percebe o momento festivo.

 

Escolhemos, porque gostamos uns dos outros qb para podermos fazê-lo assim, um restaurante por sms. Acordámos que seria O Túnel, justamente a poucos metros da réplica do Chafariz de Cacilhas, que a Câmara de Almada, entidade conhecida por decorar todo o município com cartazes alusivos à insurreição e ao artigo 21º, ali pôs em evocação de privados e alimárias (pode lá ler-se). 

 

Entrámos. Na carta havia pratos de hoje, e pratos a eleger. Escolhemos caldeirada para todos. Entraram, entretanto, trinta ou quarenta pessoas depois de nós; que todas foram servidas, mormente de carne e batatas, enquanto aguardávamos. 

 

Por ser uma pessoa pouco curial, padecer de fome e ter à mesa uma criança de dez anos, inquiri ao 54º minuto do nosso pedido; que não, que ser prato de hoje não é o mesmo que ser prato do dia. Peço o livro de reclamações. Intimam-me a explanar do que pretendo queixar-me, ou que pague trinta euros. 

 

Bom.

 

Exijo o livro. Estou confrontado comigo mesmo, por saber que os meus amigos são pessoas muito mais plácidas, justas e cordiais que eu, e como tal tudo merecem menos uma exibição de protagonismo em Cacilhas à sexta. Eis senão quando a cozinheira, dominatrix da casa, vem dizer que só posso reclamar se lhe der, e cito, der, o meu cartão de cidadão. 

 

Percebo então que estou trasladado, por artes ou vícios, para fora do meu habitat onde a Razão e o diálogo conduzem a vida; Marte, ou São Bento, que é como quem diz onde a vontade incrustada dos que um dia lá meteram uma lança vinga atavicamente sobre tudo quanto é civilidade e evolução.

 

Levanto-me. Rasgo a conta. O vinho não prestava, mea culpa. O gerente implora-me que não brinque com o seu trabalho. Returco, mas vocês falam assim com suecos e holandeses? É por eu ter a pele escura? Há aqui racismo? Que não, que "ela é assim em certos dias".

 

Levanta-se de uma mesa ao canto um tipo até aqui inassociado ao assunto. Move-se como um réptil, imagino-o a encarnar o Rapaz Caleidoscópio dos UHF. Vem direito a mim e berra coisas sem nexo. Que quero eu? Quem sou? Porque estou em Cacilhas? Porque olho para ele? Três das quatro questões são redundantes. O empregado de mesa, que nos ignorou toda a noite, interpõe-se. 

 

Saio. A minha amiga paga a conta, à revelia do que seria justo. A reclamação é preenchida. Recebo o triplicado. Acerto contas com a minha amiga, moído de remorsos por não saber estar quieto quando me sodomizam e dizem que é mel.

 

Este país, este imenso bairro social, dá-me nojo. É revoltante e nauseabundo o espírito reles, como escreveu MEC numa crónica n'O Expresso em 1986, que não sai com sabão nem se esconde com uma gravata. 

 

Vive em São Bento dentro e por trás da Assembleia, vive em Cacilhas, vive na Ramada, ou em Cascais, vive na Avenida de Roma e no Barreiro, vive nas urnas, vive em quem vive disto.

 

Ali nunca mais volto, mas sabe a pouco. O ideal era que viesse um meteorito e os pulverizasse a todos, réplica incluída, até ao fim dos tempos.

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publicado às 23:50

António Costa dá-lhes música

por John Wolf, em 30.05.14

António Costa já está em campanha. Os votos dos lisboetas também servem para eleger primeiros-ministros. Não sei quantas alminhas vão passar pelo RockinRio, mas quando chegarem as legislativas, a promessa do regresso do evento também ajudará a amaciar o pêlo a uns quantos indecisos. Mas o futuro ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa e candidato a chefe de um governo nacuonal, usará, com o mesmo sentido despudorado, outras bandeiras de populismo. O clube de futebol de seu coração político certamente também irá merecer um prémio ou uma menção especial. Tudo somado na cartilha demagógica, falamos de umas centenas de milhar de eleitores que se deixam levar no embalo. Por causa deste tipo de comportamento, pago com dinheiros públicos, começo a sentir um nojo profundo em relação à política. 

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publicado às 22:01

Um triste espectáculo

por Salvador Cunha, em 30.05.14

António José Seguro é um tonto, o que é pouco mais do que ser uma nulidade. Hoje resolveu brindar-nos com um rico e triste espectáculo.

 

Esteve hoje em discussão no Parlamento uma moção de censura ao Governo, eleito pelos portugueses, que teve votos contra e a favor de vários deputados que, imagine António Seguro são também eleitos pelos portugueses. Não votei em António José Seguro, nem no seu partido, mas uma vez eleitos, todos os deputados são deputados na Nação, representando todos os portugueses, o que leva a que, infelizmente, António José Seguro me represente a mim também.

 

O mínimo que lhe exijo é que cumpra a sua função, função essa para a qual foi eleito e que é paga graças aos impostos de milhões de portugueses que imagine-se, na sua esmagadora maioria, não votaram nele.

 

António José Seguro deveria era estar lá sentado a representar-me e não a “passear-se” (palavras da correspondente da SIC no Parlamento), como fez toda a manhã. Não o fez e passou pela vergonha de ter um lead de uma notícia a dizer que “só chegou duas horas atrasado”. Isto era o mínimo.

 

O máximo é que se deixe de tiques de vedetismo e numa atitude de mais elementar falta de noção, não convoque os jornalistas para prestar declarações, sobretudo sem ter nada para dizer, no exacto momento em que no hemiciclo discursa o Primeiro-Ministro que também me representa, apesar de não ter tido o meu voto.

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publicado às 16:18

Está tudo em aberto. A antena, também

por Nuno Castelo-Branco, em 30.05.14

Na RTP N, esteve a Alberta Marques Fernandes em mais uma Antena Aberta. Como comentador, o jornalista Paulo  Gaião, já embandeirando em arco com a  garantida assunção de Costa como secretário-geral do PS. O jornalista já fala de uma maioria absoluta e/ou, uma maioria com o BE, ou que também inclua o PC. É isto, o jornalismo nacional, cheio de êxtases e suaves milagres de feira popular.

 

1. Dadas as evidências, a questão a colocar quanto ao BE, apenas poderá ser esta: terá este partido um grupo parlamentar em 2015?

 

2. Em relação ao PC, o Sr. Gaião ignora totalmente, ou faz de conta ignorar, aquilo que o PC considera ser o PS e pior ainda, o que no prisma comunista, que tipo de partido o PS deveria ser. Não estando prevista a adequação dos socialistas àquilo que o PC julga imprescindível - os pontos mínimos do seu programa -, em suma, o rasgar dos tratados que incluíram Portugal na CEE e na UE, nada feito. O chefe Jerónimo decerto terá bem presente o que aconteceu em França aos seus camaradas capitaneados por Marchais, hoje zelosos votantes de Marinne Le Pen. Para cada Nanterre, por cá temos vinte aldeamentos ao estilo do Cacém.
O saudosismo do PREC esta manhã bem demonstrado no arremedo de debate parlamentar, ou a ânsia pelo afastamento da aliança ocidental, eis algumas nada negligenciáveis "notas de rodapé" que aos nossos jornalistas passam despercebidas.

 

3. Estando o bicho bem vivo e combativo, pretendem tirar a pele ao urso. Vamos a ver se dentro de um ano e meio não será Costa - ou Seguro - a surgir como número dois de Passos Coelho ou de um seu sucessor na liderança do PSD e do governo. 

 

Está tudo em aberto, até a tal antena. 

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publicado às 15:25

Sim, este António José Seguro que se recusa a disputar a liderança do Partido Socialista escudando-se nos estatutos é o mesmo António José Seguro que, nos últimos dois anos, várias vezes pediu eleições legislativas antecipadas. Sim, em 1991 António Costa defendeu que Sampaio deveria continuar a liderar o PS, pese embora ter saído derrotado das eleições legislativas. Afinal, é certo que a coerência não faz parte das virtudes que habitualmente caracterizam qualquer político. No fundo, recordemos uma máxima de Sir Humphrey Appleby que a própria ciência política, em especial o ramo da análise de processos decisórios, conhece muitíssimo bem:

 

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publicado às 12:49

Guerra

por Fernando Melro dos Santos, em 30.05.14

Ao menos que os tivessem usado. Quando cá veio a jangada do aborto, por exemplo.

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publicado às 11:12

Morte

por Fernando Melro dos Santos, em 30.05.14

Dinheiro desviado para construções megalómanas deixa Metro sem travões e maquinistas sem controle.

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publicado às 10:56

Peste

por Fernando Melro dos Santos, em 30.05.14

O Olho que Tudo Vê a proteger-nos de nós próprios, no Blasfémias.

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publicado às 10:47

Fome

por Fernando Melro dos Santos, em 30.05.14

Nem têm o pudor de esperar que a troika arrefeça, ou de fazer pela calada.

 

Um, dois, três.

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publicado às 10:38

Camelos

por Nuno Castelo-Branco, em 30.05.14

Fugiu das sete pragas do Egipto. Refastelado na garupa do camelo, pouco lhe custou a travessia do deserto, um penoso serviço para a besta de carga. A aproximação do apetecido oásis fez rejubilar o tranquilo transportado e dando carinhosas pancadinhas no pescoço do dromedário, foi-lhe dizendo: ..."quando  chegarmos ao caravançarai, eu é que beberei a água e comerei as tâmaras. Tu vais para o estábulo!"

 

***

 

1. Não causa espanto algum, esta súbita afeição da direita parlamentar portuguesa, caridosamente em defesa de um António José Seguro inegavelmente usado e abusado por bem conhecidos correligionários. Todos sabemos que a derrota do passado domingo, também se deveu à persistente presença de gente claramente responsável pelo alijar de carga em 2011. Sócrates, Costa, Soares, Sampaio, Silva Pereira, Coelho e tantos outros, jamais permitiram o início de uma nova etapa num partido que antes de tudo, deveria ressurgir mais limpo perante um eleitorado cada vez menos crédulo de narrativas que não passam disso mesmo. Os sátrapas eleitoralmente depostos há três anos, marcaram de forma despiedada o percurso do dirigente escolhido numa hora que é sobretudo trágica para o país.

 

O PS não venceu folgadamente, porque a persistente presença do socratismo  consistiu num arrogante, irreparável e deliberado erro. 

A direita não devia imiscuir-se no oportunista repto lançado por Costa, pois isso denota algum receio. Mas que receio é este, senão o implícito reconhecimento da falta de coragem de agir, de ideias, de estratétgia que desmonte peça por peça este fetiche de um passado ainda muito recente? Tem a direita a necessária coragem para mostrar aquilo que Costa tem feito na edilidade que comanda? Mas o que Costa vai concretamente prometer aos portugueses, senão um mero render da guarda e mesmo esta feita, continuando com alguns elementos da actual maioria em exercício?

 

Pode a direita apresentar números, casos flagrantes, erros crassos, processos ínvios? Talvez não o deseje fazer, pois o regime baseia-se num contínuo jogo de aparências. Alijado Seguro, logo regressará a publicidade à volta do socratismo que o ambicioso alcaide inegavelmente representa. A direita não pode nem deve tomar partido na questão interna do PS, sob pena de estar a contribuir para criar aquela errónea sensação de Costa lhe causar algum medo ou incómodo. Muito pelo contrário, Costa convem-lhe, pois nada mais tem sido senão uma superstição que os buracos e lixo das ruas de Lisboa, malfeitorias, património demolido ou sonegado, descarado mau gosto e decisões erradas demonstram à saciedade. Se a direita ainda mantiver algum discernimento quanto às realidades, Costa serve-lhe e de preferência, acompanhado por Sócrates, Soares ou mais ou menos excelsas nulidades como Sampaio e demais colegas. Portanto, deve deixar correr o marfim e de preferência, abstenha-se nesta contenda.

 

Qual a mensagem insistentemente transmitida desde domingo? A de um partido sem uma única proposta credível a apresentar a um país desorientado e pasto de um combate de compadres gananciosos pelo mero exercício do poder. O apoio a uma moção de censura que é absolutamente estranha ao que o PS da Europa diz e defende, é disto a prova cabal. O que o ambicionado poder proporciona, isso já será algo bastante diferente.

 

2. No rescaldo daquilo que dadas as circunstâncias foi uma pequena derrota - a imprensa diz outra coisa, mas a realidade é bem diversa -, Pedro Passos Coelho disse algo de novo que à imensa maioria passou despercebido. Afirmou o 1º ministro que durante toda a sua vida foi um atlantista e partisan do aprofundamento das relações com a CPLP. Tudo isto é muito certo, pois decorre de uma tradicional política portuguesa de aproximação ao mundo que desvendámos à Europa, a tal política externa que balizou a posição de Portugal ao longo de mais de sete séculos e garantiu a nossa independência nacional.

 

No entanto, Passos Coelho afirmou algo mais, pois o seu descuidado discurso leva-nos a crer que agora, o único caminho é o da Europa à qual Portugal está inextricavelmente ligado. O que quer isso dizer? Nada mais, nada menos, senão o abandono da defesa dos nossos interesses mais imediatos - a ocupação efectiva do espaço marítimo reivindicado - e um esmorecer da vital colaboração com o Brasil, PALOP, Reino Unido e EUA. O único caminho pró- continentalista, abre o caminho à "mutualização europeia" do mesmo espaço marítimo que apresentamos como nosso nas instâncias internacionais. Um erro fatal, uma indecência política sem perdão. Embora tenhamos de reconhecer a fatuidade dos discursos da nossa classe política, há assuntos com os quais há que manter um extremo cuidado, pois se dentro de portas são praticamente inaudíveis, podem no estrangeiro servir como erróneos avisos.

 

 

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publicado às 10:30

A reactivação da crise europeia

por Samuel de Paiva Pires, em 29.05.14

Viriato Soromenho-Marques, "Entre o abismo e o milagre":

 

"A expressão "terramoto" usada pelo primeiro-ministro francês Manuel Valls para classificar a vitória esmagadora da Frente Nacional de Marine le Pen em França não é uma metáfora. Apenas uma descrição realista. Atravessando o canal da Mancha em TGV, quem desembarcar na estação de Waterloo encontrará uma Grã-Bretanha onde o arqui-inimigo da União Europeia, Nigel Farage, líder do UKIP, encostou à rede os donos do sistema bipartidário que reina há muitas gerações na Velha Albion. Estas eleições europeias iniciaram uma reativação da crise europeia, com duas diferenças. Em primeiro lugar, a crise que até agora estava localizada essencialmente na periferia europeia (de Portugal até à Grécia) passou para o núcleo duro carolíngio do projeto europeu, para os países centrais da Declaração Schuman. Em segundo lugar, a crise que era capturada por um discurso dominantemente económico e financeiro vai agora traduzir-se numa linguagem política sobre o poder, os direitos, as instituições. Até que ponto é que o governo da chanceler Merkel percebe a mensagem que lhe está a ser enviada pelos novos e bizarros bárbaros do Ocidente? Será que ela perceberá que se persistir na atual "Europa alemã", baseada na austeridade, irá acelerar a destruição da própria ideia da unidade europeia, por muitos e dolorosos anos? Não basta dizer que importa criar emprego. É preciso rasgar o império do Tratado Orçamental, com o seu calendário de destruição económica e sofrimento social, sob pena de enlouquecer os europeus com o velho vírus da doença autoimune que, se não for combatido, acabará por incendiar a Europa."

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publicado às 23:13

As coisas são o que são

por Samuel de Paiva Pires, em 29.05.14

O mais interessante não é o apoio de Mário Soares a António Costa. É a assinatura que Soares faz questão de colocar neste artigo: "Fundador do PS". Como se Soares precisasse sequer de assinar um artigo com um qualquer título, académico ou político - veja-se, aliás, a sua coluna habitual no DN. Está ali, este "Fundador do PS", como quem quer lembrar que ele, Soares, é um dos donos do Partido Socialista - o dono, aliás -, não vá alguém acreditar no ex-Presidente da República quando escreve, no último parágrafo, "O meu, é apenas um voto entre todos os socialistas." Por outras palavras, o assalto de Costa à liderança PS foi muitíssimo bem planeado por uma certa elite do partido e o desfecho não será outro que a vitória de Costa sobre Seguro. É imparável e não há estatutos nem líderes de federações que valham a Seguro, Passos e Portas.

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publicado às 22:56

Num tempo de relações [...]

por Nuno Ferreira, em 29.05.14

[...] sociais caracterizadas pela necessidade forte de libertação do cansaço dos contactos episódicos e superficiais, é com algum distanciado interesse que assisto aos episódios de faca e alguidar da mais recente novela do Largo do Rato. O argumentista ainda não revelou o final, e ainda bem. Contudo, já deu para perceber que a vindima ainda mal começou, mas alguns já começaram, aqui e ali, a lavar os cestos. No fundo, não o do cesto, os mensageiros, de ambos os lados da contenda, tratam agora do arejamento do terreno que receberá, a breve trecho, a semente de uma velha esperança. Não estranho, pois, que comecem a limpar os canais comunicantes, desviando o curso dos acontecimentos em benefício próprio e, como não poderia deixar de ser, impróprio para consumo. Nunca ofereci grande resistência à tese que diz: a fertilidade do campo da ilusão, em termos absolutos, é directamente desproporcional à distância em relação aos actos eleitorais.

 

Depois das eleições, como temos assistido, a versão de Seguro e de Costa, e do seu exacto contrário, é outra. Já todos tomámos consciência, espero eu, de que a inteligência, em recessão política, é impagável. Ainda não sabemos se Seguro vai estender a mão a quem lhe pôs orelhas de burro e o mandou, para um cantinho da sala, resolver problemas de soma zero. Já todos sabemos quanto vale, em votos, Seguro. E uma garantia do governo, também! O grau de ruído da maioria silenciosa também já foi medido no Domingo. Agora, não me digam que não há razões suficientes para que um dos Antónios se deixe assaltar tranquilamente pelo sentimento detestável de desobediência à consciência, aquela que, segundo Fernando Pessoa, se transforma, sem alaridos, em prodígio da inconsciência. O que lhes vale é serem optimistas.

 

Em todas as novelas há casamentos, com passarinhos a cantar melodias, úteis para arrefecer o ímpeto de acordar. Mesmo assim, acredito que, mais cedo ou mais tarde, o argumentista revelará, sem grande esforço, os erros possíveis de confessar. Acho mesmo que, desta vez, invocará desculpas, por esfarrapar, de forma a não satisfazer aqueles que fazem veniazonas e juras de amor cego, deixando escapar, uma e outra vez, a hora do seu encontro com as meias verdades da política. Começa a ser evidente que Portugal são eles. Sim, eles, os que julgam não existir espaço social nem fosso entre a imagem cândida (quase celeste) das métricas políticas e o comportamento real dos que ainda têm carne e osso. Não é de agora, mas inclinam-se sempre, para apanhar balanço, de encontro ao pendor mais favorável em relação à atitude de não forjar mentalidades, acotovelando os seus pares com o objectivo de se fazer notar no ritual do beija-mão.

 

O que eu gostava mesmo era de saber como se chama aquela coisa que faz correrias, sem se abafar, entre os pólos da identidade real - aquela que é reconhecida depois de subtraído o desinteresse e adicionado o reconhecimento - e a identidade virtual, aquela que reivindicamos, embora possa, aos olhos dos outros, não passar mais do que uma reles cópia de antigas novelas.

 

Bem, por hoje basta. Vou ali, antes que a noite pinte totalmente o dia, provar, por videoconferência, que o António, enquanto António, segundo a lógica da batata, mantém acesa a esperança que, embora morto, vive. E o outro António, o António que não aqueceu o lugar e não levou com o olho do furacão em cima, acordou, sem beijo, a Bela Adormecida que temos, uns mais que outros, dentro de nós.

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publicado às 20:36

Não há GPS que funcione...

por Nuno Castelo-Branco, em 29.05.14

...temos de nos guiar pelas estrelas

 

Atentem especialmente na parte em que Sua Excelência fala da reestruturação da dívida. Calote, disse ele. 

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publicado às 17:09

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