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Circo Fechado

por Fernando Melro dos Santos, em 31.12.14

O ano não poderia terminar sem a malha que fecha a gola.

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publicado às 12:47

Resposta selvagem

por Nuno Castelo-Branco, em 30.12.14

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Para a maioria dos portugueses que ainda se consideram como tal, de nada servem as mesuras, palmadinhas nas costas e conciliábulos diplomáticos à volta de uma mesa bem servida. 

A sempre latente questão das Selvagens ressurge com grande acuidade, atendendo-se a diversos factores onde a política geral do Reino de Espanha é indivisível dos seus múltiplos aspectos componentes, desde o contentar de pequenos orgulhos regionais - serão também as Canárias una nación? -, até às ambições corporativas ciosas de ouro negro e do aspirar de vapores gasosos. A isto poderemos ainda juntar outros factores como a posição de Espanha no contexto da península ibérica, o felizmente caso perdido de Gibraltar, a possível chantagem mediática, a consolidação do reinado há pouco iniciado, etc.. No meio de tantos contratempos, Portugal terá pelo menos a felicidade de na Zarzuela não pontificar uma espéciie de Aznar em presidencial serviço, pois ali será impossível encontrarmos um Filipe VI que em relação a Portugal seja muito diferente daquilo que durante mais de trinta anos João Carlos I foi. Contudo, Madrid tem poderosas armas que poderá utilizar a favor das suas pretensões, sejam elas as económicas e financeiras, como simplesmente, a gestão das águas dos rios de que os portugueses muito dependem. Em suma, bem podem os espanhóis dificultar-nos a vida. 

Em Portugal, discutir-se a soberania é um daqueles assuntos a que o regime naturalmente é alérgico desde a sua nascença. De facto, carece de legitimidade para o fazer, pois se até na alienação de Macau pouco fez para o prolongamento de uma presença que beneficiava macaenses e os próprios chineses sempre ciosos do salvar a face, agora torna-se cada vez mais difícil contrariar os apetites espanhóis quanto ao alargamento da sua zona económica concomitante à da Madeira. Em Lisboa há muito se esqueceram as lições retiradas do Ultimatum britânico, lições essas indissociáveis da ocupação e presença efectiva nos territórios considerados como parte integrante da soberania nacional. Nunca ninguém se preocupou com a instalação de uma guarnição permanente, estando  as Selvagens numa situação muito pior do que a Fortaleza do Bugio. No Parlamento, falar-se de Defesa Nacional será o mesmo que em plena Mesquita Azul alguém alvitrar a devolução de Hagia Sofia de Constantinopla ao culto cristão. É impossível, pois o lastro de décadas infindas de inépcia, laxismo, supina cobardia e crassa ignorância, resumem o tema à discussão da arma de arremesso dos dois submarinos que num regime normal e dadas as patéticas reivindicações do Mapa Azul, deveriam ser oito. 

Se não perdermos definitivamente as Ilhas Selvagens, duma clara possibilidade ninguém nos livra: seremos despojados de boa parte dos nossos direitos sobre as águas vizinhas e com estas, dos potenciais recursos económicos que ali se adivinham.

Sendo tradicionalmente nula a presidência da república das cagarras e pouco eficaz ou credível o governo - este ou no futuro próximo, um do outro partido -, também pouco ou nada há a esperar de umas forças armadas que são descaradamente complacentes - senão participantes desde há duas gerações - em todo este descalabro. Têm calado e consentido.

Resta-nos um duro e inequívoco protesto da única e derradeira depositária da nossa quase milenar história: a Causa Real. 

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publicado às 16:22

Da busca pela verdade

por Samuel de Paiva Pires, em 30.12.14

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 Leo Strauss, "What is Political Philosophy?" (tradução minha):

O pensamento político é, como tal, indiferente à distinção entre opinião e conhecimento; mas a filosofia política é o esforço consciente, coerente e implacável de substituir as opiniões acerca dos fundamentos políticos pelo conhecimento em relação a estes. O conhecimento político pode não ser mais, e pode nem pretender ser mais, que a exposição ou defesa de uma convicção firme ou de um mito revigorante; mas é essencial que a filosofia política seja posta em movimento, e mantida em movimento, pela inquietante consciência da diferença fundamental entre convicção, crença, e conhecimento. Um pensador político que não é um filósofo está principalmente interessado em ou ligado a uma ordem ou política específica; o filósofo político está principalmente interessado em ou ligado à verdade.

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publicado às 15:05

A Zombieficação da Aldeia

por Fernando Melro dos Santos, em 30.12.14

Frequentai bares. Vede televisão. Fumai, comei e bebei a preços do Primeiro Mundo para que o Primeiro Mundo veja, de fora da redoma, como sois alunos esmerados. Acreditai não serdes nada. Tende zero convicções, e relativizai tudo. Pagai para que vos ensinem a lavar o rosto.

 

 

Mas há ainda pior no final de 2014: parece que resistir a ser islamizado passou a ser islamofobia. As gentes de hiper-esquerda apensam "fobia" a tudo o que seja crítico das merdas sem tino nem valor - "progressos" paroquiais - que sustentam. Não gostas de ver gays? Ah, tens medo deles, ou pior, de seres um. Não queres ser muçulmano? É porque tens medo.

 

Na cabeça desta gente vácua e neuronalmente imberbe, de porosidade intelectual nula, a convicção equivale ao medo, e a incerteza, à coragem. O Mundo está verdadeiramente ao contrário.

 

 

O que desejar, quais os votos com cabimento perante o desarranjo civilizacional (entre a horda de incivilizáveis) e porque persistir na pregação quando deste ponto em diante só haverá cada vez mais selvagens e mais selvajaria ignara?

 

Apenas isto: possa 2015 trazer, a quem as merece, constância e paciência na face do inimigo. Ele está dentro de portas. Sem trocadilhos. 

 

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publicado às 10:55

Depois de uma tarde a ouvir a SIC Notícias

por Samuel de Paiva Pires, em 29.12.14

Mais concretamente o programa Opinião Pública, onde houve quem elegesse José Sócrates a figura do milénio e quem se interrogasse se poderíamos viver num Estado de Direito a partir do momento em que um ex-Primeiro-Ministro foi detido preventivamente, entre outros telefonemas de apoiantes de um dos principais coveiros do nosso país que me fizeram questionar seriamente se serão apenas as agências de comunicação a funcionar ou se estas pessoas existem mesmo, nada melhor que terminar a tarde com esta cereja no topo do bolo:

 

Mestre Alves, o 'bruxo' de Barcelos, esteve este domingo à porta do Estabelecimento Prisional de Évora. Falou com os jornalistas e, de seguida, matou uma galinha preta junto à cadeia.

Deixou também um papel, no qual estava escrito: "As pessoas que traíram José Sócrates sofrerão as consequências".

Segundo o próprio Mestre Alves, este serviço foi encomendado por uma pessoa próxima do antigo governante.

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publicado às 18:10

Mas que gente é esta, Mário Soares??

por Manuel Sousa Dias, em 29.12.14

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Mas que gente é esta??

 

L´etat c´est moi.... Non.... c´est nous, mon ami Mário Soares ;) 

 

 

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publicado às 15:47

Souvenirs sur la Reine Amélie

por Nuno Castelo-Branco, em 26.12.14

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Oferecida pelo meu amigo Jacques Fieschi, a obra de Lucien Corpechot tem servido de base a todas as outras biografias de D. Amélia. Este volume da edição de 1914, é dedicado pelo autor ..."A Monsieur le duc de Noailles et à Madame la duchesse de Noailles. Respectueux hommage

Lucien Corpechot"

"A la faveur d'une législation naïve, toutes sortes d'entreprises, de spéculations politiques sont nées et s'épanouissent scandaleusement, épuisant les revenus de la nation, l'entraînant à d'inévitables faillites. Deux partis, ou plutôt deux groupes d'hommes se succèdent au poivoir: les conservateurs et les libéraux. En réalité, il s'agit beaucoup moins d'une méthode governementale, d'une politique en remplaçant une autre, que d'appétits à satisfaire. C'est un véritable système destiné à gorger tour a tour tous les politiciens du parlement. Il est avoué. Il a un nom. On l'appelle le système rotatif

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En Portugal, il n'y eut pendant bien longtemps d'autre industrie que la politique. Elle offrait à peu près le seul moyen de parvenir et de s'enrichir. Chacun l'exploitait à son profit. "Certains parlementaires se sont faits, dit le Roi, une situation telle, et si semblable à celle de quelques féodaux du moyen-âge, ils se sont si bien élevés au-dessus des lois, qu'on n'ose pas leur faire payer des impôts, auxquels tous les citoyens sont soumis! On a parlé de pots-de-vin scandaleux, de corruption; ce n'est pas cela la plaie vive, et d'ailleurs les faits d corruption sont encore à prouver. Seulement aussitôt arrivé au pouvoir, un chef de parti ne songe qu'à explouter le pays au profit de sa clientèle, à créer des charges pour ses protégés, et l'Etat devient ainsi la proie, le butin, la depouille des politiciens. A ce jeu, les ressources de la plus riche nation seraient vite épuisées (...) La Constituition laisse le Roi spectateur impuissant de cette vaste curée! Je ne pis ien changer, dit dom Carlos, car aucun  ministre responsable, aucune Chambre ne se prête à un bouleversement qui mettrait fin à un tel scandale!"

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publicado às 11:37

Natal de 1969, um castelo branco

por Nuno Castelo-Branco, em 25.12.14

 

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Era o nosso último ano na casa da Avenida Princesa Patrícia. Os meus pais tinham arrendado outra não muito distante, sensivelmente mais espaçosa e próxima da zona das escolas preparatórias e dos liceus de Lourenço Marques. Acabada a quarta classe, a Escola Preparatória General Machado ficava lá para as bandas da 24 de Julho e a Rua Dr. J. Serrão possibilitava a ida e vinda a pé. 

Estávamos muito longe dos dias em que os miúdos se interessavam por pequenos envelopes propiciadores de reforços das colecções de jogos online e vivia-se numa época em que um presente dado pelos pais já era coisa de solene importância, com alguma sorte a ele se juntando outros oferecidos pelos avós, tios, primos e amigos, num pequeno simulacro da abundância destes nossos dias em que a bonecada recebida vai enchendo caixotes e caixotes bem depressa esquecidos nas arrecadações. 

 

Aquele Natal de 1969 prometia. Logo no início de Dezembro, tínhamos visto o nosso pai chegar com um enorme embrulho, uma caixa de cartão embrulhada num papel lustroso onde sorridentes Pais Natal, renas e trenós em paisagens escandinavas, anunciavam algo que apenas a nossa imaginação poderia conceber. Dia após dia rondámos aquela  caixa  proveniente da Modelândia, parecendo ela cada vez maior. Procurando descolar um bocadinho de papel para termos uma ideia do que ali vinha, foi com decepção que verificámos a impossibilidade do assalto antes de tempo. Decerto avisada pelo nosso sempre precavido pai, a lojista fizera a coisa a preceito e era impossível a nossa já programada cara de falsa surpresa na noite da consoada. 

Chegado o grande dia, esperámos ansiosamente pelo rápido cair da noite que como todos os anos, seria longa. Após uma refeição ligeira, lá nos encaminhámos para a Igreja de Santo António da Polana onde cantávamos no grupo coral. Não cantava grande coisa e a minha mãe costumava dizer que em vez de mais uma voz no coral, eu faria melhor figura num curral. Na noite de Natal, o Padre Arnaldo Taveira Araújo tornava-se mais exigente, esfusiante de alegria pela casa cheia. Após o alegadamente brigantino Adeste Fideles, a Missa do Galo culminava sempre  com o  exaltante Aleluia de Händel, por todos aguardado na certeza do entusiasmo dos miúdos que naquele oratório sabiam conseguir comover todos os que numa igreja da Polana a abarrotar, cumpriam os últimos rituais antes do regresso a casa para a grande refeição natalícia e abertura de prendas.

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Tínhamos três árvores. A minha era verde, pequena e com ramagens de papier mâché. Datava de 1934 e fora comprada pela minha avó para o primeiro Natal do nosso pai. Ainda existe, todos os anos é enfeitada de forma a disfarçar a constante perda de papel e coloco-a ao lado de outra, maior e muito mais recente. As gambiarras de lampiões brancos com janelas translúcidas e polvilhadas de pequenas notas de cor, já foram várias vezes desmontadas e regressam sempre à operacionalidade, aproveitando-se novas fitas de luzinhas disponíveis em qualquer loja chinesa. A árvore do Miguel era alta, prateada e as suas gambiarras consistiam em pequenos cachos de uvas vermelhas e transparentes, sob as quais brilhavam as lâmpadas cujo novo comando por mim há uns anos adaptado, permite os pisca-pisca que passaram a adornar a minha árvore grande. A da Ângela, de tamanho médio, era branca e a iluminação consistia - também ainda a conservo - por grandes bolas multicolores, dentro das quais as gambiarras vão alternadamente mostrando o azul, o verde, o amarelo, o rosa e o lilás. Cada um tinha a sua árvore, mais um exotismo a juntar a uma consoada de canícula austral, onde dificilmente a tradição poderia fazer vingar bacalhoadas com todos. 

 

Finalmente chegara a hora e aquele cartãozinho indicando Nuno e Miguel como os destinatários do presente, foi removido do canto da caixa. Numa espécie de propositada fita, mostrámos algum vagar no cuidadoso desembrulhar, embora a ânsia de dias fosse há muito evidente para os nossos pais e avós. Sabiam eles estarmos em plena representação de um ilusório comedimento, logo desfeito quando boquiabertos deparámos com um lindo castelo Made in England que em três tempos montámos. É mesmo este que as imagens mostram. Ao fim de poucos dias foi nacionalizado e na porta de armas surgiu o escudo português, ocultando algo que há muito esqueci. Foi durante alguns anos o centro das nossas brincadeiras e até há bem pouco tempo existiram cavaleiros cruzados, uma figura de Ricardo Coração de Leão, peões e cavaleiros mouros, gente de cota de malha e de armadura. Os meus sobrinhos encarregaram-se das mutilações e degolas e se sobreviveram ao vendaval de 1974 e a mais uns trinta e poucos anos de mudanças de casa e de vida, não resistiram a esta época em que os brinquedos são algo facilmente substituível.

 

Nesta noite de 25 de Dezembro de 2014, aqui fica o precioso castelo branco de 1969. Praticamente intacto, apenas necessita da minha paciência para em casa do João Diogo, do Nuno Miguel e da Filipa, vasculhar os caixotes onde estará esquecida a ponte que lhe dá acesso. Foram avisados, um dia destes lá irei em demanda. 

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publicado às 21:23

Mártires da gula e gana natalícia

por John Wolf, em 23.12.14

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Posso afirmar, sem reservas, que não me encontro a deambular pelo marasmo da quadra natalícia. Os rituais há muito que foram assassinados, enjeitados e trocados por ritos de passagens aéreas, compras avulso, sacos que ostentam a marca visível à distância da consoada mais farta. Na minha família divorciamo-nos dessa dependência febril, da tensão inglória, supostamente tolerada em nome de uma qualquer instituição a preservar. Estamos por perto nas ocasiões que entendemos, nos momentos que requerem a sageza de um encosto que transcende a família nuclear, essa do sangue mais espesso. A agremiação, forçada pela cultura judaico-cristã sobre os sujeitos, muito pouco tem a ver com tolerância, paz e amizade. Enquanto esgotam jantares na estalagem e convertem o nascimento de Cristo em Carnaval, o promontório da técnica pagã, o fosso existencial vai sendo cavado com ainda maior insistência. E uma pequena linha de derivação é lançada para a outra margem, para o novo ano de 2015, como se este, por obra de um feitiço ou de um passe de mágica, fosse filho primogénito de um imaculado casal, virgem. Mas, lamentavelmente, assim não é. A genética civilizacional conhece a sua ascendência, e por isso somos adventistas. Somos testemunhas, mas também autores do descalabro anacrónico. A mensagem de esperança que vos irão lançar é mais um produto light, apresentado num embrulho demagógico, parco em substância de facto. Encontramo-nos na era do vazio, e a luz que vemos não serve de vela de santuário. É apenas o néon do centro comercial lá ao fundo, aberto até às 20h do dia 24 para deleite do utente cheio de vontade.

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publicado às 18:20

Os Idiotas

por Fernando Melro dos Santos, em 23.12.14

 

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publicado às 14:11

A festa mudou-se para Matosinhos

por Fernando Melro dos Santos, em 23.12.14

 

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publicado às 09:00

Incivilizáveis

por Fernando Melro dos Santos, em 22.12.14

Uma pessoa tenta, tenta, tenta, tenta, e o país - no fundo o povo indigena, o grunho colectivizado e inimputável - vem sempre gorar quaisquer progressos na senda do Samadhi.

Há ao fundo da minha rua um resquício do PREC, cujo pretexto para ali pernoitar é vir tomar conta da mãe, idosa, a quem trata segundo os meus ouvidos por "foda-se" e "cala-te velha". Tal ímpio sem estirpe possui, ou acoita, no seu quintal dois cães, arraçados de pastor alemão, aos quais nas horas livres de etilização permite que deambulem virando contentores de lixo, perseguindo bicicletas e motociclos, e, azar dos azares, como hoje sucedeu pelas 11h00 invadindo terrenos vizinhos, caso do meu.

Acto contínuo, procedeu-se deste lado a informar o canil municipal de Palmela, o posto territorial da GNR, a sociedade protectora dos animais, e até o SEPNA, tudo isto após várias semanas, senão meses, de tentativas falhadas em estabelecer comunicação com o bárbaro, tendo recorrido a meios diversos e de largo espectro, desde a linguagem constante da gramática em vigor no ensino básico até à entrega de missivas pictóricas, a cores.

Se voltar a apanhar os cães cá dentro, só sairão para o canil, ou para a mesa do meu amigo Fang Shih-Yu.

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publicado às 21:47

Tragam as pipocas

por Samuel de Paiva Pires, em 22.12.14

Carlos Abreu Amorim afirma que já não é liberal, as reacções entre alguns liberais e até pessoas de outros quadrantes político-ideológicos não se fizeram esperar, mas talvez o melhor mesmo seja ler este texto de Rui A. de onde se pode retirar uma ilação que não fica necessariamente patente no mesmo, mas que há já algum tempo venho afirmando: público e privado, Estado e mercado, são duas faces de uma mesma moeda, pelo que nem tudo o que é público é bom ou mau, tal como nem tudo o que é privado. Como diria Montaigne, bem e mal coexistem nas nossas vidas. O mundo - e a condição humana - é um bocadinho mais complicado e menos ingénuo do que o preto e branco e tudo ou nada que muitas almas ditas liberais tendem a ver. Por outras palavras, menos Rothbard e mais Hayek só faria bem a muita gente. 

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publicado às 10:44

Pornografia Sazonal em 3 Actos

por Fernando Melro dos Santos, em 22.12.14

Li hoje num mural qualquer uma pessoa a afirmar que a confecção de sorvetes com leite de origem animal (...) constituiria uma violência sobre estes e um acto de sobranceria humana.

Há um único argumento passível de ser invocado em defesa desta absoluta e inane estupidez, que é o de, enquanto espécie pensante, devermos (podermos, havermos, sabermos, conseguirmos) evoluir por vezes em sentido diverso do que é ditado pelas nossas limitações e tendências históricas e Naturais. Seria aceitável, por exemplo, para criticar a prática da tauromaquia ou a matança de animais peludos com vista à produção de vestuário. Seria também uma boa forma de criticar o autêntico genocídio em curso nos países onde o aborto é livre de penalização.

Agora, leite? Gelados? E isto vindo de uma geração de pirralhos incapazes de sobreviver dois dias sem os confortos adquiridos sob a égide citadina, ora tomados por Constitucionais?

Ide à outra parte.

 
ID: 53763

Tipo: Anúncio de Procedimento
Descrição: Médio Tejo Online - Aquisição de Aplicações de Negócio e Gestão Documental com vista à Implementação e Uniformização de Serviços Online
Entidade: Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo
Preço Base: 1429025.00 €

 

 

Autoridade Tributária e Aduaneira <info@at.gov.pt>
4:53 AM (3 hours ago)

to me

Exmo.(a) Senhor(a),

No próximo dia 23 de dezembro vai realizar-se o sorteio extraordinário “Fatura da Sorte”.

Serão sorteados 3 automóveis Audi A6 para além do habitual Audi A4, do sorteio regular semanal.

O sorteio será transmitido na RTP1, na terça feira (dia 23) à noite.

Pode consultar os seus cupões:

i) No Portal das Finanças na opção e-fatura/Fatura da Sorte;
ii)Na nova aplicação APP Fatura da Sorte (disponível gratuitamente na Appstore e no Google Play).

Até à presente data, foram já sorteados 41 automóveis (38 nos sorteios regulares e 3 no sorteio extraordinário de junho). Para se habilitar ao sorteio basta solicitar a inserção do seu número de contribuinte (NIF) em todas as faturas.

Exigir fatura com número de identificação fiscal (NIF) é a forma mais eficaz no combate à economia paralela.

Boa sorte e votos de Boas Festas!

Com os melhores cumprimentos,

O Diretor-Geral

António Brigas Afonso

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publicado às 09:26

O Bezerro de Ouro

por Fernando Melro dos Santos, em 21.12.14

Na terra onde pululam seres como a libertario-masturbadora Isabel Moreira (uma vergonha supranacional), o recluso 44 (uma banalidade americana) e Carlos Abreu Amorim (o espelho da volubilidade eleitoral no mercado do Bolhão) o que mais posso eu, avatar da insignificância fora do baralho, deixar como mensagem de Natal que não isto?

 

Venerai, crede, andai como todos os dias andais e não pareis, sobretudo que não pareis. 

 

O mundo depende de não parardes, para que ao cair, o meteoro da realidade vos leve a todos de uma só vez. 

 

Adoro esta época, o solstício, o frio que deveria estar, o fecho de um ciclo parvo. Se soubesse odiar, odiaria cada eleitor que alguma vez contribuiu para o poderzinho dos grunhos que ainda grassa. 

 

Feliz Natal, putas do status quo. 

 

 

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publicado às 14:21

O BAILE

por Manuel Sousa Dias, em 20.12.14

A entrevista de ontem Judite de Sousa a João Araújo foi bastante esclarecedora sem no entanto termos visto esclarecidas quaisquer dúvidas relevantes por parte do advogado de José Sócrates. Ficámos sem saber 1) os fundamentos que justificam por parte do advogado a ilegalidade da prisão de José Sócrates, 2) os seus argumentos para que o ex-primeiro-ministro aguarde o seu julgamento em liberdade ou 3) a fragilidade das provas, nomeadamente as que justificam o crime de corrupção e, já agora, 4) como pôde José Sócrates viver da forma que vivia tendo os seus rendimentos tão limitados. Em contrapartida ficámos a saber que José Sócrates está bastante bronzeado, que tem praticado jogging diariamente e que está com o seu astral em cima, aliás, como sempre, para aguentar outro processo que os seus inimigos despoletaram apenas por razões políticas.

 

Resumindo, João Araújo não tentou esclarecer os portugueses das dúvidas que ensombram a honorabilidade e reputação do ex-primeiro-ministro de Portugal, mas sim sublimar aos apoiantes ferrenhos de José Sócrates a “narrativa” que dá conta que o animal feroz continua imbatível e com o mesmo espírito de gladiador. Fê-lo com ironia, fugindo às perguntas importantes, escondendo-se atrás da sua impossibilidade de falar sobre o processo, mostrando uma pretensa ignorância sobre as notícias dos jornais ou colocando em causa a veracidade de factos que são públicos sobre a vida do seu cliente - por exemplo, uma vida recheada de luxos caros. E assim foi respondendo, ou não respondendo, João Araújo, às perguntas colocadas. Os apoiantes de José Sócrates correram para as caixas de comentários na net: João Araújo “deu baile” a Judite de Sousa. O mesmo tipo de “baile” que José Sócrates gostava de dar nos debates na Assembleia da Republica, nos quais se escapulia à resposta das questões colocadas, concluí.

 

O problema presente de José Sócrates é bem mais grave do que a gestão da sua popularidade, é um caso de justiça. A gestão da sua comunicação será mais eficaz na medida em que esclarecer com sobriedade as dúvidas que legitimamente se colocam na mente dos portugueses quanto à figura que ocupou durante vários anos um dos mais altos cargos da nação. Não parece ser esta a opinião do seu advogado. Resta saber quais os verdadeiros trunfos jurídicos da defesa frente a um colectivo de juízes com poder de decisão sobre o futuro do ex-pm e, já agora, se este colectivo alinha em dançar ao som do baile que a defesa parece querer dar também à justiça portuguesa.

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publicado às 19:12

Portugal: dois mil e catorze menos 44

por John Wolf, em 20.12.14

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Do alto dos meus 39 graus de febre ainda consigo ver Portugal e em particular o ano de 2014. Estamos de parabéns e é Natal. Este ano ficará na história desta valente e imortal nação por ter quebrado o feitiço da intangibilidade. Temos a prova de que a Justiça é capaz de apanhar ex-lideres sem acanhamentos ou reverências. O que tem de ser tem muita força. Coloquemos José Sócrates no topo, mas acrescentemos outras missões investigativas. Mas o povo português é estranho e justifica a expressão proverbial: preso por ter cão, preso por não ter cão. Quando não havia resultados na Justiça no que dizia respeito aos "grandes de costas largas", ouvia-se o coro dos oprimidos, a  voz do mexilhão habituado a receber as sobras do tratamento justo e equitativo. Agora que é a doer para com um ex-primeiro ministro reclamam por chavões como segredo de justiça e presunção de inocência. Dizem que não passa de política, mas estão enganados. José Sócrates já não é uma divisa, não serve para apostas partidárias. Queimou-se, e embora os efeitos colaterais queiram ser dirimidos, mitigados, a verdade é que haverá consequências e não apenas para o Partido Socialista, mas para a totalidade da estrutura do poder político de Portugal. Nestas questões não há refúgios ideológicos. Os prevaricadores andam por aí, e vêm em todas as cores e feitios. Que 2015 chegue com a mesma pujança jurídica que vinha sendo adiada de há muitos anos a esta parte.

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publicado às 10:38

Wishlist

por Fernando Melro dos Santos, em 19.12.14

Os meus desejos para o ano de 2015:

 

- o derrube de Barack Obama, se possível mas não necessariamente por meios pacíficos

 

- o fim do Euro, ou não sendo possível, a saída de Portugal dessa zona constritora

 

- que Mário Soares, Almeida Santos, José Lello, Cavaco Silva, Freitas do Amaral, Paulo Portas e mais uns cem não morram, de causas naturais ou sobrevindas, sem que lhes seja feita justiça

 

- Estações do Ano repostas ao seu normal: chinelos em Agosto, e casacos em Dezembro; o fim das moscas perenes

 

- expansão da Rússia até ao caneiro de Varsóvia

 

- ver José Sócrates engasgado num brinde daqueles que a sua ASAE baniu, e ser ainda por cima coimado, taxado e re-preso por infracção tributária na forma tentada

 

- falência dos media portugueses, todos e sem excepção, pois que só servem para veicular a ignorância

 

- uma garrafa de Port Ellen, datada de 1984, última da sua estirpe. 

 

Não ouvirão falar mais de mim até uma ou várias destas querenças terem tido lugar. 

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publicado às 17:00

Caravelas

por Fernando Melro dos Santos, em 19.12.14

 

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publicado às 16:13

Reabriu

por Fernando Melro dos Santos, em 19.12.14

O Dragoscópio

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publicado às 07:48

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