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Da tradição em John Kekes

por Samuel de Paiva Pires, em 31.03.15

John Kekes, A Case for Conservatism (tradução minha):

 

Uma tradição é um conjunto de crenças costumárias, práticas e acções que resistiu desde o passado até ao presente e atraiu a fidelidade de pessoas que desejam perpetuá-lo. Uma tradição pode ser reflectiva e desenhada, como as deliberações do Supremo Tribunal, ou irreflectida e espontânea, como os fãs de desporto a apoiarem as suas equipas; pode ter um quadro institucional formal, como a Igreja Católica, ou pode não ser estruturada, como o alpinismo; pode ser competitiva, como os Jogos Olímpicos; em grande parte passiva, como ir à ópera; humanitária, como a Cruz Vermelha; egocêntrica, como o jogging; honorífica, como o Prémio Nobel; ou punitiva, como os procedimentos criminais. As tradições podem ser religiosas, horticulturais, científicas, atléticas, políticas, estilísticas, morais, estéticas, comerciais, médicas, legais, militares, educacionais, arquitecturais, e aí por diante. Elas permeiam as vidas humanas.


Quando os indivíduos formam gradual e experimentalmente a sua concepção de uma vida boa o que estão a fazer, em larga medida, é decidir em que tradições devem participar. Esta decisão pode ser tomada de dentro das tradições em que nasceram ou em que foram criados, ou de fora das tradições que os atraem, repelem, aborrecem ou interessam. As decisões podem ser conscientes, deliberadas, claramente afirmativas ou negativas, podem ser formas de seguir inconsciente e irreflectidamente padrões familiares, ou podem ser vários pontos entre estes tipos. O essencial das actividades dos indivíduos que dizem respeito a viver de formas que eles consideram boas é composto pela participação nas várias tradições da sua sociedade.


À medida que os indivíduos participam nestas actividades, claro que exercem a sua autonomia. Eles fazem escolhas e julgamentos; as suas vontades são envolvidas; eles aprendem com o passado e planeiam para o futuro. Mas fazem-no no quadro de várias tradições que com autoridade lhes providenciam as escolhas relevantes, as matérias que são deixadas aos seus julgamentos, e os padrões que dentro de uma tradição determinam quais escolhas e julgamentos são bons e maus, razoáveis e ou irrazoáveis. O seu exercício da autonomia é o aspecto individual da sua conformidade à autoridade da sua tradição, que é o aspecto social do que eles estão a fazer. Eles agem autonomamente ao seguirem os padrões de autoridade das tradições a que sentem fidelidade.

 

(…) Entender o que se passa em termos de autonomia individual é tão unilateral quanto fazê-lo em termos de autoridade social. Cada uma desempenha um papel essencial, e entender o que se passa requer entender ambos os papéis que desempenham e o que os torna essenciais.

 

O tradicionalismo repousa sobre este entendimento, e é uma resposta política ao mesmo. A resposta é ter e manter arranjos políticos que promovem a participação dos indivíduos nas várias tradições que resistiram historicamente na sua sociedade. A razão para as promover é que as vidas boas dependem da participação numa variedade de tradições.


(…)


As mudanças são, claro, frequentemente necessárias porque as tradições podem ser perversas, destrutivas, embrutecedoras, negativas e, assim, não conducentes a vidas boas. É parte do propósito dos arranjos políticos prevalecentes distinguir entre tradições que são inaceitáveis, suspeitas mas toleráveis, e merecedoras de encorajamento – por exemplo, escravatura, pornografia e educação universitária. As tradições que violam os requisitos mínimos da natureza humana são proibidas. As tradições que historicamente fizeram contribuições questionáveis para as vidas boas podem ser toleradas mas não encorajadas. As tradições cujo registo histórico atesta a sua importância para as vidas boas são acarinhadas.

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publicado às 13:51

Eleições para a Câmara Municipal de Lisboa

por Nuno Castelo-Branco, em 31.03.15

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Há uns anos, o Sr. Sampaio dissolveu o Parlamento. Para justificar tal feito, um dos argumentos terá sido a nomeação de Santana Lopes para o cargo de 1º ministro, escolha esta partidária e não decidida pelo eleitorado. 

Hoje António Costa anuncia a sua demissão da presidência da Câmara Municipal de Lisboa. Gott sei Dank! É o que apraz dizer, sem sequer termos de escalpelizar detalhadamente este mandato que em muito ultrapassa por baixo a mediocridade, pouco importando a agremiação política laranja, rosa, vermelha, coligatória ou azulada. O resultado da governança tem sido lesa-património, péssimo, mas a retirada do líder do PS consiste numa excelente oportunidade para devolver o poder de decisão à população da capital.  Lisboa votou em A. Costa e não no desconhecido Sr. Medina, ainda por cima acolitado pelo Salgado que nos sobra. 

Eleições. Já. 

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publicado às 13:20

A verdade sobre os resultados das eleições da Madeira

por Pedro Quartin Graça, em 30.03.15

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Quem tenha visto Paulo Portas com ar sorridente na TV poderá achar que o CDS teve uma grande vitória na Madeira. Quem viu Miguel Albuquerque poderá pensar o mesmo. Pura ilusão!

O PSD de Miguel Albuquerque teve menos 15 mil votos que há 3 anos e meio... Perdeu 1 deputado e ainda pode perder mais um...
O PS perdeu 1 deputado e o líder já se demitiu...
O CDS perdeu 2 deputados e o líder não só não se demitiu como, ainda, "canta de galo"...
O JPP tinha zero e passou a ter 5 deputados...
O BE tinha zero e passou a ter 2 deputados...
A CDU tinha um, passou a dois e ainda pode ter mais um deputado...
O PTP tinha 3 e ficou com 1 deputado
O MPT tinha um e ficou com zero...
O PAN tinha um e ficou com zero...
O PND ficou com o deputado que já tinha...

Em conclusão:

As eleições de ontem na Madeira foram boas  em termos eleitorais para JPP, CDU e BE. Tudo o resto é ficção. E da má!

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publicado às 21:56

PS - prometemos ser breves

por John Wolf, em 30.03.15

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O Partido Socialista (PS) informa a população do continente e das regiões autónomas que, devido a questões técnicas alheias à sua responsabilidade, não teve condições de emitir o programa dedicado à derrota eleitoral na ilha da Madeira. A gerência garante que todos os esforços estão a ser empregues no sentido de restabelecer o sistema de comunicação. A gerência também aproveita  a ocasião para informar que segue com atenção o futuro político de Alberto João Jardim, pelo que regista alguma preocupação sobre um seu eventual ingresso na Assembleia da República na qualidade de deputado com especial vocação para destabilizar a bancada socialista. O PS acrescenta ainda que a região autónoma da Madeira não é Portugal, pelo que os eventos registados naquela parte do Atlântico não podem ser correlacionados com eventuais acontecimentos políticos que se venham a verificar nas próximas eleições legislativas. Pedimos desculpa pelo transtorno. Prometemos ser breves. Gratos pela compreensão.

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publicado às 17:31

António Costa e 40% de jornalismo

por John Wolf, em 29.03.15

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Talvez alguém me possa responder: o Diário de Notícias (DN) pertence ao grupo de comunicação do Partido Socialista (PS)? Pelos vistos deve pertencer. Porque este artigo não consubstancia os princípios que devem orientar o jornalismo. Ou seja, a isenção. A objectividade de uma narrativa que corrobore os factos apresentados. A história publicada responde apenas a metade do inquérito, se quiserem, e inscreve-se na categoria de imprensa de campanha pré-eleitoral. O relatório apresentado pelo colaborador do PS, perdão, jornalista do DN, não explica como a dívida da Câmara Municipal de Lisboa foi reduzida na ordem dos 40%. Perguntemos então quantos bens imobiliários foram vendidos em hasta pública (muitos dos mesmos ao desbarato); perguntemos quais as taxas e impostos municipais que mais contribuíram para reduzir o défice autárquico (ou seja, que medidas de austeridade municipal foram implementadas); perguntemos quantos dos montantes em causa foram renegociados por forma a transitarem para a contabilidade de anos vindouros. Minhas senhoras e meus senhores, a Lisboa de António Costa não é o espelho do país. Reflecte mais. Vejamos a coisa por outro prisma. Se Lisboa é o menino bem comportado de Portugal, certamente que o governo deve ter  tido alguma coisa a ver com isso. Por outras palavras, o governo não concedeu tratamento discriminatório a Costa e companhia só porque este se recusou a apresentar as contas, se é que estão bem lembrados. Acho bem que Costa queira ser transparente, mas convinha que também fosse da cintura para baixo, que fosse um exibicionista como deve ser. Para confirmarmos se há merda ou não.

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publicado às 15:23

Águas turvas

por Nuno Castelo-Branco, em 28.03.15

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Nada surpreendente, esta súbita sincope diante da menina Mortágua, herdeira de excelsos pergaminhos consuetudinários, aqueles famosos folga e gaba-te que dão sustento a qualquer febre revolucionária, por muito duvidosa que esta a muitos possa parecer.

A direita portuguesa é sumamente tímida. Chamo-lhe tímida para não exagerar no desagradável. Ainda recordo um dia de eleições, por sinal o primeiro em que votei no já muito longínquo ano de 1979. Uma trapalhada qualquer nos cadernos eleitorais, implicando más contas e erros no descarregar dos mesmos, tinha ocasionado um momentâneo desnorte dos representantes dos partidos presentes naquela mesa estabelecida na reitoria de Lisboa. Garoto subalterno nos angariados pela AD, fui vendo a papelada e o caso foi prontamente resolvido. No fim do dia, contados os votos que não causaram surpresa à coligação vencedora, logo o chefe CDS, quiçá envergonhado pelo incómodo que as urnas causaram aos iracundos detentores da superioridade moral, prodigalizou as inevitáveis fosquinhas no lombo do senhor da FEPU - a então Frente Eleitoral Povo Unido, mãezinha daquela que seria a APU e avó da actual CDU de curiosas ressonâncias germânicas -, afiançando-lhe ..."aaaaaaaah, a vossa juventude é formidável, se a menina fulana de tal não tivesse estado atenta, ainda não era hoje que daqui sairíamos!" Como seria de esperar, a menina fulana de tal, era a filha do comissário enviado pelo Hotel Vitória. Imitando o progenitor, a espantada pioneira encafifou-se num sorrisinho envergonhado e aceitou a burguesa lisonja que de mim apenas mereceu o mais sonoro e ríspido comentário possível:

- Vocês não têm vergonha na cara.

Não têm, nunca a tiveram. Os familiares FEPU e o tremelicado CDS ouviram e não responderam, remetendo-se ao silêncio apenas interrompido pelo restolho da arrumação dos papéis. Bem sabiam que estes jogos de sombras, são coisa comum a todo o espectro político que saltita por aí em quermesse sem rifa ideológica de espécie alguma. À saída, nervosamente revirando a ponta do bigode, o senhor do CDS foi-se desculpando com o expectável ..."tenta compreender, não sejas assim, temos de ser uns para os outros". Fomos, de facto, uns para os outros. Nem sequer lhe respondi e a partir daquele momento, ignorámo-nos. 

Isto serve para ilustrar o que se tem lido e escutado por toda a imprensa, enaltecendo  os insípidos ditos jocosos da filial Mortágua parlamentar. Não parece ser muito difícil o tal exercício de aperto dos inquiridos, sabendo-se da buena dicha que todas estas questões, prodigamente servidas e requentadas ao longo de décadas, oferecem ao linguarejar de comissões parlamentares, escritos e mexericos jornalísticos e parlapatice televisiva. A Mortágua acha-se engraçada e logo a Meireles entra no mata e esfola, numa compita em que a deputada da direita surge em desvantagem, dado o pendor paternalista que acaricia sempre a área sua oponente. Ninharias alçadas a golpes de génio oratório, tornam-se num espectáculo que apenas nos certifica da miséria que grassa nos meios beneditinos. Qualquer arrufo, guincho ou piadinha que miraculosamente não envolva bola, chuteiras ou baliza, é coisa admirável, digno de memória futura. 

Voltando ao assunto que interessa, o caso BES, apontado assalto interno a uma instituição que foi, gostemos ou não da evidência, o sustento de boa parte dos comensais do regime, fez diluir a fronteira entre o público e o estritamente privado, tornando-se num emaranhado de teias de interesses e de jogos de oportunidade de difícil destrinça. Assim, subitamente surgem irmanados na desgraça, uns valentes jogatões nos azares da plutocracia e uma imensidão de modestos acumuladores de magros pés de meia, todos  eles confiantes de antemão, na costumeira garantia que o tesouro público tem significado neste tipo de aventuras. Quando ainda por cima surge a manifestação de total confiança proclamada - mas agora garantida como não dita - pela cabeça máxima da república, dir-se-ia estarmos numa espécie de nirvana securitário que encorajava toda e qualquer oportuna golpada possível de capitalizar. Apesar de todo o imbricado político-empresarial-financeiro em que caboucava a mais louca esperança de solidez, o BES era formalmente uma curnocópia privada que ninguém via como pertencendo à comunidade nacional, nãos e tratava de uma réplica do BdP. À boa maneira portuguesa, era o privado de todos, um Estado dentro e fora do Estado. Se os indícios se tornaram há muito tempo demasiadamente visíveis, muitos fingiam nada lobrigar, esperançados no sempiterno desenrasca nacional e no proverbial logo se vê! em manhã de nevoeiro.  Um ínfimo exemplo? Quem passeasse pelas ruas de Lisboa e deparasse com cartazes Obra a obra, Lisboa melhora, terá alguma vez reparado nas instituições promotoras da demolição do que lá estava antes e daquilo que depois ali se ergueu, bastas vezes a expensas do património arquitectónico e do sempre discutível bom ou mau gosto, quando não da simples decência nos processos. Dir-se-ia que o tal solidíssimo grupo, era bafejado por demasiada sorte nos desafios urbanos. Dava cartas saídas da manga do urbanismo. 

A queda do BES não causou estranheza alguma, talvez fatalmente ditada pelo fim dos cartapácios onde outrora se amontoavam papéis de títulos e poupanças aprazadas, resenhas de contas, saldos, teres e haveres, garantias e restante panóplia burocrática facilmente vítima de fortuitos autos da fé. Vazias as estantes dos dossiers de outros tempos, vivemos no tempo da circulação pelo éter, seja lá o que isso signifique para o nosso bem e tranquilidade futura.

Dir-se-ia ser a Dona Mortágua, a natural porta-voz connaisseuse destes milandos e timacas parlamentar-banqueiros, pois tem ADN privilegiado.

Facilmente perceberão porquê.  Como diria o Soares, "riã de spêciál".  

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publicado às 19:28

Dois vigaristas compulsivos

por Manuel Sousa Dias, em 28.03.15

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publicado às 05:08

2016: Reforma Política, Reforma do Estado

por Pedro Quartin Graça, em 26.03.15

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Por meu intermédio estaremos presentes.

 

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publicado às 09:00

Portugal e os doentes da memória

por John Wolf, em 25.03.15

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Portugal tem das taxas de incidência de Alzheimer mais altas do mundo. Zeinal Bava, Ricardo Salgado, Vitor Constâncio, Ferro Rodrigues, José Sócrates, Carlos Cruz, Cavaco Silva, entre outros memoráveis, sofrem, com maior maior ou menor intensidade, desta terrível doença. O que podemos fazer? Administrar choques eléctricos? Fazer uso do polígrafo? Portugal arrisca-se a cair num enorme buraco de esquecimento se permitirmos o avanço desta praga. Proponho medidas de combate ao flagelo, mas não me recordo quais serão as mais eficazes. Criar uma Autoridade da Memória e Esquecimento (AME)? Um organismo vivo que circula pelo corpo e que identifica as petas antes que se transformem em mentiras? O que vale é que para a soma de tudo que não se recorda, haverá alguém que se lembra.

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publicado às 09:23

NÓS, CIDADÃOS! iremos fazer a diferença

por Pedro Quartin Graça, em 24.03.15

11084126_10152655691196712_5608351545855991017_o.jNÓS, CIDADÃOS! marca a história da democracia portuguesa com a entrega, hoje, de mais de 8000 assinaturas para a sua legalização como partido político. O Nós, Cidadãos! fê-lo com serenidade e alegria, sem vedetismos e consciente de que está a dar um passo histórico na regeneração da vida pública portuguesa.

Agora, é sempre a crescer. Agora, venham connosco

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publicado às 22:44

O PS e o mercado de votos

por John Wolf, em 24.03.15

 

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O Partido Socialista explica: "como comprar votos em época de vacas magras".

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publicado às 11:08

Mais um frete jornalístico a António Costa

por Manuel Sousa Dias, em 23.03.15

http://www.publico.pt/politica/noticia/os-12-alquimistas-de-costa-1689973

 

De destacar o estilo gradiloquente e sebastianesco do texto de Nuno Sá Lourenço.

 

Entre os 12 alquimistas que irão transmutar metais inferiores em ouro para António Costa - e encher os cofres do estado - temos Vieira da Silva, Elisa Ferreira e João Galamba e outros místicos ligados ao PS e ao mundo académico.

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publicado às 18:36

Draghi e a serenata de Marisa Matias

por John Wolf, em 23.03.15

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Não basta ser engraçada e outspoken para ocupar o cargo. É necessário entender o que está em causa e como funcionam economias e mercados - Marisa Matias não preenche os requisitos do posto que ocupa, para além de ter notórias dificuldades de expressão em língua inglesa. A "tecla dos sacrifícios" que os portugueses estão a passar já está gasta, mas ela continua a bater no velhinho. Sei que custa a certos portugueses aceitar que a viragem está a acontecer. Draghi explica, mas a eurodeputada tem opinião diversa. Nenhum governo no seu perfeito juízo político aprecia a implementação de medidas de Austeridade (não se esqueçam qual foi o governo que assinou o memorando). A penalização tributária e social dos portugueses corre em sentido oposto aos louvores e às vitórias eleitorais. O governo em funções não herdou apenas a roupa suja do mandato anterior, mas o lixo de décadas de incompetência administrativa e política, incluindo o fardo de governos de idêntica cor partidária. Embora não seja declaradamente visível, Portugal está efectivamente a melhorar. Os indicadores económicos estão sempre atrasados ou adiantados em relação à realidade. Não existe sincronia entre o substantivo e as percepções tidas pelos opinion makers, cidadãos comuns e a oposição. Mas a Grécia está a servir o interesse de Portugal. Está a demonstrar como não se faz. Está a provar que não o fez, e provavelmente confirmará junto dos parceiros europeus que não o fará. Para além de tudo o mais, Portugal tem de lidar com o   pessimismo endémico - a tendência para dizer mal quando as coisas correm bem (e vice-versa). Entendo que começem a faltar argumentos a António Costa à luz da evidência da retoma económica de Portugal. Quanto a Marisa Matias, ela também serve a Democracia. Levanta questões com um grau de ingenuidade de uma criança, mas com traços de distorção que caracterizam um adulto que tarda em aceitar os factos incontornáveis da vida. Os sapos a engolir serão concerteza muitos. Afinal estamos na Primavera.

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publicado às 18:14

John Gray, "A Conservative Disposition":

Conservative individualists recognize that, before anything else, even before freedom, human beings need a home, a nest of institutions and a way of life they feel to be their own. Among conservatives, the practices of market exchange and of rational argument are familiar ingredients in, and even necessary conditions of, their way of life. They are not the whole of the way of life that they inherit, and they cannot hope to flourish, or in the end to survive, if the common culture of liberty and responsibility that supports and animates  them is eroded in the pursuit of the mirage of the sovereign individual of liberal ideology.

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publicado às 19:59

Cada um tem direito à sua lista VIP

por John Wolf, em 21.03.15

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Cada português tem direito à sua própria lista VIP. Fizeram a revolução dos cravos para quê? Assim que esgotarem os ingressos deste espectáculo teremos certamente novo passatempo. Um caso de plágio na revista Maria, uma mochila Disney abandonada à porta da sede do Partido Socialista, um espião infiltrado na cantina do Instituto do Mar e da Atmosfera. Enfim, mais moelas deploráveis servidas para distrair dos reais tormentos que afligem os cidadãos deste país. Se eu fosse o António Costa teria algum cuidado. Não vá algum sucedâneo de Sócrates surgir no enredo de uma outra bronca. Quando o putativo candidato a primeiro-ministro diz: "Temos de ter um sistema fiscal justo, e não de tratamento VIP para uns e de intransigência sobre os outros" parece esquecer que foi ministro da justiça em tempos não tão longínquos. Ou seja, demarca-se da responsabilidade colectiva que deve assistir a todos os políticos. Cada um dos governantes, do presente e do passado, assina os termos do contrato ético e moral que condiciona esta nação. O partidarismo, qualquer que seja a preferência ideológica, assenta na ideia de discriminação, da importância atribuída a uns em detrimento de outros. Ao oferecer-se para ser guarda-nocturno da devolução da confiança aos cidadãos, António Costa expõe-se às contrariedades do seu percurso político, seja na Câmara Municipal de Lisboa, seja nos entroncamentos dos vários governos socialistas de que fez parte. A consanguinidade de interesses foi o que permitiu a sua respiração no pelourinho de Lisboa ou na capelinha do Rato. Por outras palavras, este senhor tem a sua própria listinha VIP, como terão todos os outros políticos, agentes da alegada segurança económica e social dos portugueses. Afinal, o Araújo dos sabonetes tem razão. Isto cheira mesmo muito mal.

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publicado às 14:48

Cenas de uma Agência de Casos

por joshua, em 21.03.15

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Entretanto, como a cena do Pacote VIP não pegou, o pessoal que encomenda casos atirou-se ao telefone vermelho para encomendar outro para a próxima semana:

Ferruginoso Rodriguinhos: Tou?

Agente de Casos: Tá lá?

Ferruginoso: Eh pá, esta merda não tá a colar.

Agente de Casos: O quê?

F: O Pacote.

AdC: E agora?

F: Precisamos de outro para a próxima semana.

AdC: Outro Pacote?

F: Não, pá. Outro caso.

AdC: Com pedido de demissão? Só pa chatear?... Com gravações áudio? Com acesso a documentos surripiados aos ficheiros sigilosos do Fisco, da Segurança Social? Com fotos de sexo comprometedoras em locais comprometedores?

F: Eh pá, sexo não... [Tosse seca] E há matéria?

AdC: Não. Mas podemos alimentar umas manchetes venenosas por uns dias, criar umas suspeições, dizer muitas vezes "a Direita", "a Direita", "Fascistas", resulta sempre, e depois um gajo manda o chibo moralóide de serviço dizer que tem suspeitas, mas não tem provas, dizer umas merdas sobre o Estado de Direito, dizer que os gajos mentiram, que é gravíssimo e tal e, tungas, lá para a Quinta ou Sexta-feira, pede-se uma demissão. É fácil...

F: Fácil!... Os gajos não se demitem... Vá! Ok. Siga. O gajo das fotocópias tem ali umas centenas pa vocês. Bem, depois um gajo fala.

AdC: De quinhentos... A cores. Ok?

F: Chut! Ok.

E a chamada terminou. Entredentes, Ferruginoso murmura: "O tipo não arranca nas sondagens e tem a malta de organizar este teatro! Ora eu tô-me a cagar pó teatro! Quero é sangue, sangue! Hahahaha!"

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publicado às 10:21

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publicado às 10:02

Homens à beira de um ataque de nervos

por Manuel Sousa Dias, em 19.03.15

Após a decisão do colectivo de juízes sobre o prisioneiro 44 com base nos fortes indícios de culpabilidade do ex-PM, estranha-se a total ausência de reacções por parte de responsáveis do PS, por parte de ex-ministros do seu governo, de pessoas que trabalharam com ele ou de outros com responsabilidades políticas. Não há um. UM!

 

Sei lá, uma a manifestação de vontade de que seja feita justiça, um reafirmar do "à politica o que é da política patata patati..." sem quaisquer ambiguidades, a defesa da honra de um governo, ou de um partido, ou de alguém que não quer que pairem sombras sobre a sua respeitabilidade. Zero.

 

Compreende-se o choque do PS, perante o apertar do cerco a José Sócrates, não se compreende a apoplexia, a ausência de damage control ou o assobiar para o alto.

 

O PS não há meio de descolar do PSD mas parece-me que a continuar com a cabeça enfiada na areia vai finalmente descolar... no sentido descendente... em prol dos auto-proclamados irmãos do Syrisa, claro.

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publicado às 16:03

Portugal VIP

por John Wolf, em 19.03.15

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Portugal é um imenso mar de listas VIP. A expressão Very Important Person é apenas uma outra forma de tráfico de influências, corrupção, se quiserem. Em todos os sectores da sociedade portuguesa existe uma lista VIP. Nas artes e letras, na moda Lisboa e arredores, na banca, na academia e porventura na Autoridade Tributária. E o problema que aflige a nação é que a grande maioria dos seus cidadãos deseja fazer parte da guest list. O mérito que está associado ao VIP vai, deste modo, directamente da sarjeta para o esgoto. Em quase todas as instituições que povoam este país, as práticas são ditadas pelo estabelecimento de um aparelho forte - um conjunto de insiders aprovados em sede de troca de favores e privilégios. Os VIPs tornam-se assim associados importantes para os quadros de poder vigentes. E é isto que está em causa na revisão comportamental a que o país está obrigado. Mas encaramos um grande problema. Ser VIP é fashion. É outro modo de dizer ao compatriota que se é melhor, que se tem um contacto privilegiado. É outra maneira de dar ares de estatuto social, de dinheiro, de património. É ainda um modo de dissimular a profunda ignorância que vinca as faces daqueles que não se interessam pela intelectualidade ou pela cultura, cujos pais honrados até nem sabiam ler nem escrever. Esta síndrome de Vipismo contamina o país há décadas, senão séculos. O macróbio de Castelo Branco, encarcerado em Évora, pode, se desejarmos, corporizar a expressão máxima desse mal. É um VIP ao quadrado, bestial.

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publicado às 09:21

Europa e os sonhos do PS

por John Wolf, em 18.03.15

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No futuro próximo, seja qual for o governo que estiver em funções em Portugal, não terá a sua vida facilitada. O tema da Austeridade que condicionou o discurso e a acção políticos dos últimos quatro anos será substituído por algo ainda mais dramático. Façamos a distinção entre a manutenção de um sistema a todo o custo, e o descalabro da ordem subjacente. Quando Cavaco Silva perfila o seu sucessor como alguém com experiência em relações externas, acerta nas qualificações, mas engana-se no posto. Quando escuto as palavras convenientes de António Costa sobre o fim dos tempos difíceis em Portugal, a reposição das pensões dos reformados, o crescimento económico e o emprego, vejo uma criança. Os grandes estrategas do Partido Socialista (PS) apresentam-se com ganas de vingar Portugal, mas omitem as dinâmicas do resto do mundo. Descuram cenários extremos que estão a acontecer além de Badajoz. O crescendo que se regista na opinião pública na Alemanha sobre a saída grega do Euro deve ser integrado na racionalidade política e de um modo expressivo. A agenda para a década do PS vendida como panaceia, incorpora ou não uma Europa radicalmente transformada ou assenta em premissas falidas? Mas acho que encontrei a explicação para o desprezo no que toca a condicionantes excêntricas. Se os socialistas chegarem ao poder, e quando começarem a falhar as suas receitas, sempre poderão atribuir a culpa a factores exógeneos. Mas existe uma contradição endémica nessa hipotética abordagem. O sistema europeu não irá explodir fruto de ameaças de Tsipras e da sua falange revanchista. A ordem da Zona Euro e da própria União Europeia sofre o desgaste no âmago da sua construção. E os sonhos acordados dos socialistas também sofrerão, por analogia, das mesmas contradições endémicas. A natureza ideológica da Europa assente na ideia de Seguranças Social e subvenções sem fim, está em profunda mutação. Os socialistas do Rato ainda não entenderam isso. As instituições europeias também parecem caminhar de um modo desalinhado. O lider do Eurogrupo fala de uma solução à Chipre, enquanto na Alemanha o Grexit parece estar a ganhar cada vez mais adeptos. António Costa, que se tem esquivado às questões que dizem respeito aos homens, vai ter de tomar decisões difíceis. E isso vai baralhar ainda mais as contas. Para além da complexidade que define todo este processo político-financeiro europeu, vamos ter de incluir juízos errados de futuros governantes nacionais. Preocupa-me a falta de visão do mundo daqueles que prometem salvá-lo.

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publicado às 09:11

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