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The beauty in sinking ships

por Fernando Melro dos Santos, em 29.02.16

Proponho um bail-in através do confisco, hereditário e retroactivo ao tempo de Bava, a todos os clientes da MEO. Ou isso ou, sei lá, repudiar a existência da companhia. Ah espera, não se pode, porque é de bandeira e leva o eco dos Descobrimentos às pessoas que vivem longe. Então talvez falir.

 

 

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publicado às 12:33

Primitivismo do Bloco de Esquerda

por John Wolf, em 26.02.16

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Não é preciso ser católico praticante para avistar o primitivismo do Bloco de Esquerda (BE). Não é este o modo de celebrar a eucaristia da adopção por casais do mesmo sexo. O mau gosto, a falta de respeito e pudor, e a baixeza de nível deste modo de propaganda inscreve-se no repertório de truques rudimentares. Em plena época de clivagens entre distintas religiões na cena geopolítica, o BE abre a caixa de Pandora da bandalheira. Hoje os católicos, amanhã os muçulmanos e na semana seguinte os judeus. Mas existe uma outra dimensão que confirma uma enorme falta de sensibilidade. A Esquerda, que se autoproclama defensora dos ostracizados económica e socialmente, esquece, que grande número dos "pobre coitado" deste país, atravessando momentos de grande privação, serve-se da fé enquanto bengala para superar os obstáculos da vida. A instituição religiosa (seja ela qual for) merece essa consciência colectiva. O Bloco de Esquerda, porventura inspirado pelos cânticos de Charlie Hebdo, confirma que criativos de comunicação política não existem naquela casa. Se era para causar estardalhaço a qualquer custo, poderiam ter consultado a paternidade bombista das irmãs Mortágua. Não se brinca com a fé dos homens - mesmo não tendo Igreja, como é o meu caso.

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publicado às 10:59

Taxistas atropelam António Costa

por John Wolf, em 24.02.16

 

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O governo de António Costa foi encostado ao canto por duas centenas de taxistas. Os socialistas acabam de minar mais um dos pilares da Democracia - o conceito de ordem pública. Ao ceder à chantagem da força bruta de uma classe profissional, Costa abre uma brecha grave na dimensão securitária de um país. Nunca um governo deve ceder a pressões desta natureza. Amanhã teremos os produtores de leite a derramar o seu protesto numa outra estação de serviço da economia nacional. Mas entendo o lirismo revolucionário do governo. A Esquerda, que é apologista da intervenção anárquica, nunca poderia condenar a acção daqueles que se inspiram nos seus métodos. Os portugueses ficam a saber como se marca uma reunião com o governo. A forma civilizada da tal concertação social é algo que pelos vistos não existe. Em vez de sancionar os prevaricadores, António Costa entrega um prémio àqueles que certamente perturbaram a vida de tantos outros que também enfrentam concorrência desleal ou nem por isso. É caso para começarem a questionar a capacidade deste executivo para manter a ordem na via pública. Vergonhoso.

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publicado às 20:00

Música para hoje: Kendrick Lamar - King Kunta

por Samuel de Paiva Pires, em 23.02.16

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publicado às 23:01

Geração Galamba

por João Almeida Amaral, em 23.02.16

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 Não tenho dúvidas , nasceu uma nova expressão, " geração galamba". 

Do alto da tribuna com a verdade que os lugares e a arrogância lhes atribuem , a geração galamba, impõem a sua verdade , a verdade que emana da autoridade do poder da arrogância, da sua falta de humildade e até de vivências. 

São membros de uma geração que rejeita a eleição de um D. Trump, por que não faria sentido (apesar de o dito poder ser eleito em eleições livres), a sua vida urbana atribui-lhes a sabedoria , que um qualquer labrego do campo,  não pode almejar compreender. Jogam com subtileza com as palavras, de forma a que a sua verdade seja a única, pois também não admitem opiniões diferentes.

Para além de maçadores são um cansaço.

Vislumbro num futuro próximo, um insulto que possa ser : o homem " deixe-se de galambices"

Não merecem mais texto.   

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publicado às 21:29

Um partido liberal? (2)

por Samuel de Paiva Pires, em 23.02.16

Sobre a ideia de criar um partido liberal e as divisões entre os liberais indígenas, está aqui tudo. Escusado será dizer que me incluo entre os liberais conservadores e, por isso, estou muito confortável como militante do CDS e não faria parte de um partido libertário.

 

Leitura complementar: Um partido liberal?

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publicado às 16:27

Orçamento número 44

por John Wolf, em 23.02.16

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Alguém pode ajudar? Estou a tentar falar com o ministro Vieira da Silva. Já liguei para o Parlamento uma série de vezes e informam-me que o senhor está a discursar e que está muito ocupado. Está a falar insistentemente sobre evasão fiscal e do delapidar de contas públicas. E também sobre solidariedade. Mas esqueceu-se de um pequeno pormenor que não deve fazer parte dos capítulos do Orçamento de Estado de 2016. Gostava de saber que medidas de controlo e sanção serão implementadas por forma a que alguém do aparelho de poder não deite a mão a dinheiro alheio? Sim, estou a pensar em José Sócrates. O herói do Simplex. O homem do Magalhães. E alegadamente o homem dos offshores e malas de euros. Gostava de saber qual o impacto orçamental dos devaneios do número 44 nos anos passados e vindouros? Ao bom estilo socialista, a memória é selectiva. Não lhes convém lembrar essa pedra no sapato. Vieira da Silva, campeão da solidariedade, não passa de um dispensador de frases-feitas, de um mero gestor de máximas socialistas completamente desfasadas da realidade. O governo em funções declama a poesia de justiça económica e social, mas não explica como vai financiar a fantasia. As contas não irão bater certo por mais que insistam na superioridade moral. Onde está o corte nas gorduras do Estado que escorreram em tantos cartazes de campanha do Partido Socialista? Como irão gerar emprego? Não explicam. Mas garantem que o crescimento económico é uma dimensão sem ligação ao emprego. Ora para isso acontecer, as contribuições fiscais têm de aumentar. E aqui reside grande parte da mentira económica e financeira que não passará em claro junto dos credores internacionais e dos eleitores. O Orçamento de Estado (OE) respeita a Constituição (?), repetem eles como se fosse uma mantra, mas esqueçem que esse "diploma" não é uma ferramenta de governação. Quanto muito será um modelo de orientação. E aqui reside mais um problema. A sua ortodoxia ideológica, fruto de calores revolucionários, tem sido o entrave, uma parte do conjunto de obstáculos à modernização de Portugal, mas também do Estado e da administração pública. O debate de apresentação e aprovação do OE não sai daquela sala. Não passa do Parlamento. Não migra para a verdadeira dimensão da realidade portuguesa. O governo, defendendo-se sem ser atacado, demonstra a sua vulnerabilidade. Nem sequer consegue liderar da retaguarda. E espelha irremediavelmente algo complexo e pertença da realidade política nacional. A ideologia, seja qual for, domina para bem e para mal. E os socialistas são particularmente dotados na expressão dessa cegueira. Chamem Sócrates que ele deve saber responder a questões de superioridade moral e ética.

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publicado às 15:15

O governo de oposição PSD-CDS

por John Wolf, em 22.02.16

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O PSD e o CDS votaram contra o Orçamento de Estado (OE) de 2016, mas nem precisavam de o ter feito. Ao longo dos últimos anos da minha vida tenho vindo a aprender que por vezes nada fazer é o melhor que se pode fazer. O governo de António Costa não precisa de terceiros para cair pelas escadas abaixo. O conteúdo do OE falará por si, e revelará a seu tempo a sua inviabilidade, a sua fragilidade. A Catarina Martins irá aproveitar para extrair mais dividendos de um governo de que não quis fazer parte. Agora percebemos com ainda maior clareza que não deposita muita fé nas promessas eleitorais dos socialistas. António Costa, em vez de se concentrar nos desafios que o país enfrenta, está obcecado com o fantasma do governo anterior. O Partidos dos Animais e Natureza (PAN) bem que quis tratar da questão das touradas, mas Costa esboçou uma chicuelina, atirando para os curros a investida do seu parceiro a solo. Mas o mais grave disto tudo é que fica demonstrado o modo como o governo não consegue caminhar sozinho sem demonstrar tiques de paranóia. Afinal o PSD e o CDS têm muito mais poder na oposição do que tinham no governo. O PSD e o CDS vão chumbar o OE em Bruxelas, vão afogar as agências de rating com menções desonrosas. Vão conspirar no grupo de Bilderberg. Vão fazer macumba junto de prospectivos investidores internacionais. Vão rogar pragas aos agricultores da Beira-Baixa. Vão formar um cartel em Sines para inflacionar o preço do crude em Portugal. Vão fazer falir empresas públicas e privadas para que um terceiro resgate chegue ainda mais rapidamente. A oposição vai governar, deste modo, na sombra escura, e derrubar Portugal. O guião rectificativo da desgraça pode já ser lido na íntegra. Está escrito naquele tomo socialista sobejamente conhecido, dedicado à responsabilidade política, ao sentido de Estado e ao interesse nacional. O que está acontecer era de prever. Mas também de evitar.

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publicado às 18:12

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O Partido Socialista (PS) entrou na fase de narcisismo (sem obra feita), como se fosse um super-homem político, um corpo eticamente inatacável, o depósito de verdade, a marca de superioridade moral na paisagem política portuguesa. Contudo, o aparelho governativo depende de terceiros. Ao reclamar o sucesso da Esquerda e a alegada coesão dos parceiros que a formam, teria sido mais credível oferecer o púlpito a Jerónimo de Sousa e a Catarina Martins - gostava de os escutar e ver passar um cheque em branco ao "seu" governo. Ou seja, as jornadas parlamentares, embora se sirvam do nome, de parlamentar pouco ou nada têm. O arranjo à Esquerda com o PCP e o BE, e baseando-nos nas suas declarações, foi a cunha perfeita para chegar a este estado de arte, ao governo. Ou seja, o PCP e o BE parecem nem sequer existir no espectro mental dos socialistas. Não estive em Vila Real (e pelos vistos António Costa também não), mas pelo que percebi, o agrupamento alfa de socialistas serviu para bater nos que já não estão no poder, quando o que deveria estar a ser perspectivado são matérias bem distintas. A saber; À luz do caos orçamental, e o consequente despite das contas exigidas em sede de contrato com credores internacionais, a probabilidade de ocorrer mais um resgate a Portugal, com natural agravamento das medidas de Austeridade. Segundo. As consequências da saída do Reino Unido da União Europeia e os seus efeitos nos países da periferia. Terceiro; a possibilidade de nova crise hipotecária nos EUA com expressão semelhante àquela registada em 2008. E ainda; a mais que certa subida acentuada do preço do crude nos mercados internacionais (50%!!!) durante o verão de 2016. A pergunta que os portugueses devem colocar é a seguinte: para que servem as jornadas parlamentares do PS? A resposta é relativamente simples: não servem para nada. Funcionam como uma moção de confiança para consumo da casa, mas na casa nem sequer estão os que contam, aqueles que pagam a conta da aprovação de decisões de governação. Ou seja, o BE e o PCP. Se fossem coerentes e verdadeiros democratas, o festival ter-se-ia chamado Jornadas Esquerdamentares. Já vimos o que está acontecer ao país dos departamentos, organismos e direcções. O PS está a plantar os seus nos mais variados postos de recompensa variável. Estão a ter alguma dificuldade em arrancar a urtiga cravada no Banco de Portugal. A tal entidade que terá de arcar com a responsabilidade pela situação calamitosa dos lesados do BES, em relação à qual os socialistas nada têm a ver. Os governos passados dos socialistas, dos seus mandatos históricos, são folhas de cálculo em branco. O PS bem que tenta limpar o seu cadastro, mas em breve terá o seu próprio momento Sócrates. Ainda se lembram daquela emissão em directo de São Bento, quando o 44 lá teve de pedir ajuda aos de fora? Pois. Vai ser mais ou menos assim. Outra vez.

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publicado às 17:59

PSP - Pedro Silva Pereira: caso de polícia

por John Wolf, em 19.02.16

 

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O sósia de José Sócrates merece ser processado pela DBRS pelo teor das suas declarações: (uma) “chuva de telefonemas” para a agência de notação financeira DBRS a pressionar para que baixem o rating de Portugal e a oposição do eurodeputado José Manuel Fernandes do PSD a que o plano de investimento Juncker pudesse “apoiar as economias mais atingidas pela crise”Sim, alguém deve ligar à agência de rating DBSR. Isto é muito grave e deve ser comunicado à entidade canadiana. Com quem julga este político de meia-tigela que está a lidar? Isto sim serve para denegrir Portugal.

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publicado às 21:17

Um partido liberal?

por Samuel de Paiva Pires, em 18.02.16

Anda por aí uma leva de artigos e posts que começou com João Miguel Tavares, passou por Rui Albuquerque e continua hoje com Rodrigo Saraiva, sobre a alegada necessidade de os liberais lusitanos se organizarem num partido político. Creio que o Rui Albuquerque já expôs  o que leva à impossibilidade de uma iniciativa deste género ter sucesso, quando escreveu sobre as várias correntes e questões que dividem os liberais. Da minha parte, direi apenas que quem conheça minimamente alguns dos liberais portugueses sabe que muitos destes, para além de se dividirem em diversas correntes, desde os liberais clássicos aos anarco-capitalistas, sendo, na sua maioria, mais libertários e anarquistas do que liberais, gostam de promover concursos de ortodoxia e purgas intelectuais, à boa maneira comunista mas de forma bem mais amadora, mesmo que, na sua esmagadora maioria, desconheçam verdadeiramente o que é o liberalismo clássico. Embora, aparentemente, seja mais o que os une do que o que os separa, até porque, como John Gray evidencia em Liberalism, o liberalismo constitui uma única tradição filosófica mas com diversas correntes, na prática a teoria é outra e logo começariam as discordâncias e dissidências assim que se procurassem organizar minimamente. Aliás, não é por acaso que o anarco-capitalismo é inimigo do Estado e da organização política, sendo, portanto, contrário ao liberalismo clássico. Isto não quer dizer que não possa surgir um partido político liberal - ou melhor, libertário - em Portugal. Mas o mais provável é ser uma iniciativa destinada a fracassar, quer pela própria falta de organização dos seus proponentes, quer pela sua falta de experiência política e incapacidade de criar uma vaga intelectual e social que permita divulgar as suas ideias de uma forma sistematizada e coerente.

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publicado às 11:51

Pura coincidência da rede socialista

por John Wolf, em 17.02.16

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Anda tudo com a mania da perseguição. Primeiro foi o filho de João Soares que foi parar à Câmara Municipal de Lisboa sem a ajuda do papá ou do avô. Agora Ricardo Costa passa a director-geral de informação do grupo Impresa. Deixem lá os rapazes trabalhar em paz. O que é que interessa que tenham ligações de parentesco a gente importante? O que é que interessa? Nada. E não interessa nada porque esta é a matriz comportamental do país - famoso ou não, político ou nem por isso. Em 1997, quando terminei o meu curso de Relações Internacionais, um dos meus amigos terminara o seu de Gestão de Empresas noutra academia da capital. O seu pai, um homem influente nos meandros da advocacia (e com afinidades ao PS), perguntou ao filho onde desejava trabalhar. O meu amigo respondeu - na área internacional de certa e determinada empresa de telecomunicações. O pai pegou no telefone e falou ao patrão dessa grande empresa. E após uma pequena entrevista pró-forma ficara tudo acertado. O meu amigo iria iniciar a sua caminhada laboral naquele estabelecimento. Contudo, tal não viria a acontecer por motivos de força maior cujos detalhes não partilharei. Em suma, para além da mania da perseguição, não passa tudo de uma grande coincidência. O João Soares, político experiente, mas porventura insensato, deveria ter emprestado um bom conselho ao filho, mas não deve ter recebido do seu. E Ricardo Costa, meio-irmão, ou meio-jornalista, deveria saber que existem limites éticos, mas em vez disso, existe uma via ascendente e inevitável que todos procuram a todo o custo - acumular poder e deter uma boa quota-parte do manancial democrático que ainda está disponível, para o transformar numa deplorável oligarquia. Poder podem, mas não deviam.

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publicado às 19:22

O regionalismo na poesia

por Cristina Ribeiro, em 17.02.16

Vendo-os assim tão pertinho / a Galiza mail’ o Minho / são como dois namorados / que o rio traz separados / quasi desde o nascimento.// Deixal-os, pois, namorar / já que os paes para casar / lhes não dão consentimento ( João Verde ).

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( O rio Minho em Valença - Illustração Portugueza - )

" Em João Verde é nos ' Ares da Raya ' que o seu espírito regional se demonstra mais evidentemente. ( ... ) Os seus versos são todos de lisonja sincera para as belezas rústicas da sua terra. No agrado com que canta os pinheirais, o toque das trindades, o rio Minho, o campo-santo, as raparigas minhotas, a viola e a flor-de-linho, vê-se a doce e alegre paisagem do nosso Minho, a Galiza vizinha, namorados eternos que o rio constantemente separa, segundo ele... ( ... ) Só João Verde, à semelhança dos cantares de Rosalia de Castro, nos deixou a alma raiana, às escâncaras, no seu pitoresco impressionante. ( ... ) Joao Verde, pelo perfume nacional e regional que deixou nas suas poesias pela facilidade da sua inspiração fecunda, pelos seus próprios considerandos líricos, ficará na nossa literatura como um dos maiores, senão o maior, dos líricos regionais. Porque o regionalismo em poesia é mais uma prova da natureza lírica, superiormente lírica, dos seus cultivadores " . Manuel Anselmo in Arquivo de Viana do Castelo

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publicado às 19:02

Os filmes do Costa

por John Wolf, em 15.02.16

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António Costa não foi o primeiro nem será o último. A história dos filmes de propaganda quase que nasce ao mesmo tempo que os irmãos Lumière, mas foi Leni Riefenstahl que elevou ao quadrado o poder de fogo da comunicação política, ideológica. A transmissão unilateral permite negar a resposta de um provável interlocutor. Define de um modo intransigente os termos do contrato de argumentação democrática. O veículo de media que Costa  parece estar a usar com cada vez maior frequência, resulta de uma necessidade sentida. Trata-se de um mecanismo de defesa de um primeiro-ministro que menospreza os locais onde os seus detractores o poderiam agarrar e confrontar com certas contradições conceptuais ou de outra natureza. O complexo de hemiciclo, que parece afectar-lhe as articulações, torna o debate aberto no espaço do Parlamento uma inconveniência. Deste modo, é mais fácil atirar postas ao ar que não terão resposta directa - a ver se pega. Entramos numa fase parecida com aquela dos "cartazes de campanha" que deram para o torto do absurdo, só que desta vez o homem é governo. Acresce ainda outra dimensão de insensatez e de mau conselho de comunicação política. É o Estado Islâmico que detém o maior share de audiências no que diz respeito a videos-propaganda. Não fica bem lançar estes filmes enigmáticos. Para além disto tudo, António Costa não nasceu para cinema, muito menos para castings. Bem que pode passear-se por Berlim, a ver se os ursos lhe pegam o bicho da persuasão, mas os videos remotos são a perfeita expressão de hibernismo político, de alguém que prefere o diktat à contestação às claras. Já bastava terem cancelado a conta-sátira do twitter.

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publicado às 19:14

O branqueamento da rosa

por John Wolf, em 13.02.16

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Está em curso um processo de branqueamento da rosa. O Partido Socialista (PS) sabe há demasiado tempo que as decisões políticas do governo anterior não resultam de preferências ideológicas, mas de circunstâncias incontornáveis respeitantes ao estado da nação. Nenhum governo escolhe o caminho da Austeridade por amor à camisola. Nenhum governo escolhe o caminho conducente à impopularidade e subsequente demissão pelo eleitorado (que até nem foi o caso). António Costa mal teve tempo para aquecer a cadeira de primeiro-ministro, para agora se dar conta de que o caminho traçado pelo governo anterior afinal não era o errado. Ou seja, o que tinha de ser feito foi feito, e pelos vistos deve ser continuado, se Portugal deseja evitar uma catástrofe de proporções gigantescas. É caricato que o mesmo homem que invocou a maioria parlamentar para formar governo, venha agora pedinchar ao PSD e ao CDS o seu apoio. Mais valia que o PS pedisse a abolição de partidos da oposição, que engendrasse um modelo de Estado novo alicerçado na apreciação monolítica dos desafios nacionais. António Costa está à rasca e joga esta cartada - passa a batata quente à oposição -, para se poder libertar do peso da responsabilidade. O casulo é uma metáfora curiosa, mal escolhida por António Costa para descrever o direito ao respouso que assiste ao anterior governo de coligação. O que está a acontecer é o seguinte. Passo a explicar. António Costa quer que a oposição subscreva as medidas de austeridade que vão ter de ser agrafadas ao Orçamento de Estado, mas do casulo brotam borboletas às cores e não flores de rosa. Quisesse Costa evitar transtornos e servir o país, teria, nessa mesma noite eleitoral, se aproximado de Passos Coelho e Paulo Portas para encarar de frente a verdade dos factos duros da vida económica, financeira e social do país. A oposição, chamada à liça pelos socialistas, decorre da possibilidade de Costa ter de substituir peças gastas da geringonça. O que ele quer eu sei bem. Substituir Jerónimo de Sousa por Passos Coelho e Catarina Martins por Assunção Cristas. O homem é esperto. E pouco mais.

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publicado às 19:37

Guardado para um dia de chuva

por João Quaresma, em 13.02.16

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publicado às 19:25

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Mário Centeno pode ter andado em Harvard, mas parece confundir análise fundamental (que uma economia exige), com análise técnica (de que os especuladores se servem). Ou seja, produz estimativas respeitantes ao Produto Interno Bruto (PIB), mas utiliza factores de cálculo que se alimentam da volatilidade na sua forma mais crua. Quando um trader aposta na continuidade do trend de um título, geralmente o mercado passa uma rasteira e inverte. Nem é preciso ser um técnico de primeira para saber ler indicadores básicos. O Relative Strength Index (RSI) é um indicador mais que suficiente para determinar o nível de overbought ou oversold de qualquer posição ou título. O actual governo de Portugal assume, de um modo descarado, um cenário continuado de preços baixos do crude, quando sabemos, olhando para os gráficos, que a inversão estará para breve. E não será suave. Os últimos anos de recessão a nível mundial determinaram um abrandamento acentuado dos níveis de investimento em infraestruturas de prospecção e extracção petrolíferas. Quando houver um movimento correctivo do preço do barril de crude, a violência do mesmo fará cair por terra a ingenuidade (ou cinismo) de António Costa. O efeito de chicote será muito mais amplo do que a irresponsabilidade socialista. O Orçamento de Estado de 2016 baseia-se em pressupostos de extrema volatilidade e depende de factores instáveis, quando deveria espelhar uma visão prospectiva que conseguisse mitigar os elementos conjunturais ou de circunstância ideológica. Mas existe uma certa coerência nesta abordagem. As vistas curtas condizem com o espaço temporal de um governo cada vez mais a prazo. Não é preciso ser a Comissão Europeia, nem o Eurogrupo, nem Wolfgang Schäuble para entender este dilema. A Grécia nunca esteve assim tão longe.

 

Aqui está (em actualização).

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publicado às 11:44

O verde é a cor do embuste

por João Quaresma, em 11.02.16

Dizia a antiga publicidade do Pisang Ambon que "O verde é a cor da aventura". Mas na política, é a cor do embuste pela forma como os governos aumentam a receita fiscal colocando a questão no plano moral e não no económico, furtando-se assim a um debate racional sobre novos impostos.

 

"Os impostos verdes em Portugal são uma das formas com que os sucessivos governos justificam aumentos de tributação. Não têm nada a ver com o nível de poluição causada, nem o nível de qualidade ambiental; têm a ver com a necessidade de justificar receitas fiscais, que são depois usadas para financiar despesas de valor duvidoso para a economia. Para mascarar o esquema, os governos invocam políticas seguidas noutros países, dando a impressão que Portugal é moderno. Seguimos políticas ambientais que os países mais ricos seguem, numa clara prova de que somos tão bons quanto eles. Isto é independente dessas políticas fazerem sentido ou não para Portugal, já que os outros países modernos poluem muito mais do que nós."

 

Uma excelente e realista análise por Rita Carreira n'O Observador: «Poluição, Rendimento e fiscalidade verde»

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publicado às 23:25

Schäuble envia postal a Centeno

por John Wolf, em 11.02.16

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O impacto negativo decorrente da entrada em funções do governo de António Costa e do processo inacabado do Orçamento de Estado já é quantificável. Os títulos de dívida a 10 anos foram enjeitados pelo mercado, arrastando os juros para valores apenas registados em Março de 2014. António Costa, apontado como salvador da honra nacional, afinal não passa de um operário que trabalha à peça. Primeiro soldou as peças parlamentares para forjar um governo frágil, assente em arranjos e negociações secretas. Depois, apresentou um desenho de Orçamento de Estado que aparentemente foi um notável sucesso junto da Comissão Europeia. E agora, à luz das considerações do Eurogrupo, devemos esperar mais um passe de mágica. Uma carta sacada do baralho ideológico para servir  os interesses dos camaradas filiados. A fotografia tirada pelos sindicatos e funcionários públicos parece ter muito mais valor do que o resto. Mas a prepotência de António Costa far-se-á pagar caro. Pode ser que consiga vender as suas promessas a metade do país, mas será a outra metade a pagar a conta. Mário Centeno irá ter oportunidades de sobra para atacar o ministro das finanças alemão Wolfgang Schäuble quando este subir de tom nas próximas semanas. Portugal não vai estar preparado para medidas adicionais de Austeridade.  É feio mentir ao eleitorado nacional.

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publicado às 19:22

Um " ser de desbordante riqueza espiritual "

por Cristina Ribeiro, em 11.02.16

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" -Chama-o ao telefone o Sr. Prof. Reynaldo dos Santos - disse-me a empregada. - ' Que me quererá o Reynaldo? '- perguntei a mim próprio. Nunca nos tínhamos tefonado. ( ... ). Não lhe ignorava os talentos excepcionais, mas contentava-me de os admirar a distância por falta de tempo e ausência de hábito. Combinado o encontro, Reynaldo propunha-me participar com ele na direcção da revista que a Fundação Gulbenkian lhe confiara - a revista que chamaríamos << Colóquio >> e nos proporcionou uma camaradagem de onze anos. .......................,.... Surpreendente o esforço a que dedicou os últimos anos da sua vida, totalmente consagrados ao estudo e à radicação e generalização do interesse pelo nosso património artístico. Felizmente que lhe foi possível, com o auxílio da sua mulher, ocupar todas as horas em que a doença o não tolhia, a continuar até ao termo a tarefa, assumida como sagrada missão: - legar à nossa terra os três volumes monumentais - Oito Séculos de Arte Portuguesa. " ( Hernâni Cidade, director literário da Colóquio. ) Precisava inventariar os exemplares da Colóquio existentes nas prateleiras paternas, a fim de actualizar a aquisição da revista. E, como sucede frequentemente, a leitura de um excerto prende-me a atenção - paro no volume referente ao já longínquo ano de 1970, e, no número de Maio/Junho leio sobre a morte do que até aí fora o seu director artístico: o Prof. Reynaldo dos Santos. Não consigo conter um sorriso: é que ontem mesmo limpara o pó a esse ' monumento '.

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publicado às 18:39

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