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Silly sanções season

por John Wolf, em 29.07.16

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É isto que interessa. E o resto são lérias - a competitividade da economia portuguesa. António Costa deve colocar de lado o circo das sanções e encarar a música. A tónica de Centeno tem sido o estímulo do consumo. Ou seja, começa pelo fim. Em vez de pensar em gerar riqueza e investimento (e depois o consumo), querem afagar o pêlo bronzeado dos portugueses, dando-lhes uns cupões para gastar na silly season. Atente-se no detalhe expresso pelo Fórum para a Competitividade: "os valores apresentados pela DGO não representam a verdade orçamental e que assistimos a uma repetição do que já se passou em 2001 e 2009“. Em suma, nada disto é novo. Que o diga José Sócrates que já se pôs de joelhos para ver se lhe continuam a dar de mamar vitaliciamente - as fotocópias já não são o que eram.  Aliás, Sócrates é a perfeita imagem de um país destroçado pelos excessos. Se a crise fosse um país, Sócrates seria a mascote perfeita do desespero. Enquanto a bomba não rebentar, no leilão de resgate da Caixa Geral de Depósitos (CGD) discutem os milhares de milhões de euros como se de feijões inconsequentes se tratassem. Já que a pasta CGD está a ser discutida com o conhecimento (e aval) de entidades europeias, não vejo como tal colosso de berbicacho possa ser tratado à margem de considerações orçamentais genéricas. Por outras palavras, não acredito em sanções, mas que elas existem, existem. Têm outro nome - aumento de impostos, de IVA, de IMI, congelamento de salários, etc, etc. Em suma, anti-austeridade à moda antiga. 2011, não tarda nada.

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publicado às 20:36

Estão bem uns para os outros

por Samuel de Paiva Pires, em 27.07.16

Durante semanas, a geringonça e a oposição digladiaram-se ad nauseam sobre quem tinha culpas no cartório pela imposição de sanções por parte da União Europeia. Agora que as instâncias europeias decidiram não impor sanções a Portugal, põem-se em bicos de pés pretendendo arrogar-se uma suposta influência no desfecho desta contenda que nos vinha enfastiando. Que no meio desta feira de vaidades que se preocupa mais com interesses sectários do que com o interesse nacional ou a imagem internacional do país haja, pelo menos, espaço para a vergonha e, já agora, dêem esta novela por encerrada.

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publicado às 18:53

Façam a justiça….

por Nuno Castelo-Branco, em 26.07.16

 

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...de dar aos Estados o nome que escolheram. Quando a franja noroeste da Península Ibérica se auto-proclamou como país independente, auto livremente se denominou Portugal, com tal nome sendo conhecida até aos nossos dias. Quando a Holanda se auto-proclamou independente da coroa espanhola, fê-lo com o nome de Províncias Unidas e mais tarde, proclamada a Monarquia, como Reino dos Países Baixos. Idem quanto aos EUA, Bélgica, Roménia, Bulgária, Israel, todos os países latino-americanos, Guiné-Bissau (1973) e uma multidão de outros auto-proclamados: conservam hoje o mesmíssimo nome com que auto se proclamaram. 

Temos então um caso insólito e por sinal, sintomático do ponto a que a Europa chegou. Um país que foi criado em territórios pertencentes à Síria e o Iraque, possui um poderoso exército; um país que possui um ministério da propaganda e outros serviços inerentes à condição de Estado; um país que tem um dirigente e uma bandeira internacionalmente conhecida; um país que bate moeda e descaradamente procede a transacções internacionais e conta com a geral animosidade do Ocidente nos quais se engloba a Rússia, vê muito injustamente ser-lhe negada a denominação que ele próprio escolheu. É islâmico? É, qual a dúvida? É um embaraço? Nem por isso, apenas o sendo para o imperante espírito collabo - nomeadamente das autoridades francesas -, para os timoratos e fosquinheiros que pontilham os departamentos estatais europeus e pior ainda, para a genericamente imbecilizada e frouxa opinião, essa sim auto-proclamada  politicamente correcta

Pois deixemo-nos então de subterfúgios que à légua denotam fraqueza, temor e rendição própria dos appeasers e demos-lhe finalmente o nome: Estado Islâmico, o mesmo que hoje, ao cometer um ofensivo crime que lhe é tão comum e que conta com acções semelhantes e aos milhares no Médio Oriente - não na Europa -, acabou de ostensivamente declarar guerra à força mais poderosa do planeta. 

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publicado às 17:52

Meningite bacteriana

por Nuno Castelo-Branco, em 25.07.16

 

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 ...é o que a Alemanha parece ter. O que fazem as autoridades? Recorrem ao Paracetamol, fazendo de conta não conhecer o mal e deliberadamente enganando a população.

 

Como dizia a canção do Abrunhosa, não dá, não dá

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publicado às 08:45

Islamoesquerdismo

por Samuel de Paiva Pires, em 23.07.16

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Michel Houellebecq, Submissão:

Mas era sobretudo para os seus confrades islamoesquerdistas que reservava os grandes sarcasmos: o islamoesquerdismo, escrevia ele, era uma tentativa desesperada dos marxistas apodrecidos, em decomposição e estado de morte clínica, para se erguerem dos caixotes de lixo da história pendurando-se nas forças ascendentes do islão. No plano conceptual, prosseguia o Rediger, davam tanta vontade de rir como os célebres «nietzschianos de esquerda». (…) O Rediger voltava à questão do fracasso do comunismo – que era, afinal de contas, uma primeira tentativa de luta contra o individualismo liberal – e sublinhava que Trotsky tivera toda a razão, contrariamente a Estaline: o comunismo não poderia triunfar senão na condição de ser mundial. Ao islão aplicava-se, segundo ele, a mesma regra: seria universal ou não seria nada.

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publicado às 12:44

O drama do Ocidente

por Samuel de Paiva Pires, em 22.07.16

Assisti há pouco a uma entrevista a um alemão cuja mulher está numa sala, com outras pessoas, no centro comercial de Munique que foi alvo de um ataque terrorista. Dizia que tinha enviado mensagens à mulher a encorajá-la e às outras pessoas na sala a reagir caso um terrorista entrasse na sala, visto que "não se consegue falar com esta gente", e a não implorar pelas suas vidas, devendo imediatamente atacar o terrorista e "matá-lo".  É o resumo perfeito daquilo que enfrentamos e devíamos fazer. Enquanto os líderes ocidentais continuarem a pensar que isto se resolve com diálogos entre civilizações  e religiões e teimarem em negar a mais que evidente natureza violenta do islão e a sua perspectiva sobre o mundo moderno e o Ocidente - essencialmente, pretendem aniquilar-nos e ao nosso modo de vida -, vamos continuar a assistir, infelizmente, à ascensão da extrema-direita um pouco por todo o Ocidente, pela simples razão de que esta está ciente da necessidade de defender os valores do Ocidente perante a barbárie inspirada pelo islão e da mensagem que o alemão acima mencionado transmitiu: ou matamos, ou morreremos às mãos desta gente. Mas continuem a eleger Obamas e Merkels - verdade seja dita que, entre estes e personagens como Marine Le Pen ou Donald Trump, venha o diabo e escolha, e que infelizmente não se vislumbra ninguém capaz de assumir a liderança de uma ofensiva ocidental contra quem nos ameaça permanentemente - que o caminho para o desastre continuará a ser alegremente percorrido.

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publicado às 23:04

Terrorismus Continuum

por John Wolf, em 22.07.16

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Os governos democraticamente eleitos do mundo ocidental tardam em enfrentar a dura realidade dos factos. O terrorismo já não equivale a incidentes esporádicos que se dissipam num calendário alargado de ocorrências e datas. Os ataques perpetrados em Paris, em Bruxelas, em Londres ou Munique fazem parte da mesma linha de continuidade. As teorias organizacionais, construídas sobre a premissa da existência de células e hierarquias, já não servem para antecipar ou retrospectivamente dissecar os contornos dos ataques. A questão da genealogia ideológica também se secundariza perante a emergência securitária. Por mais que queiram evitar a solução musculada na Europa civilizada, os lideres de sociedades livres em breve terão de encarar o destacamento de forças militares permanentes nas ruas das cidades, a colocação de forças especiais em pontos nevrálgicos das urbes. Não mencionei uma vez sequer a dimensão dos refugiados, dos fundamentos religiosos ou dos conceitos subjacentes ao auto-proclamado Estado Islâmico. Refiro, sem valorações adicionais, o desafio de ordem e segurança que deve ser abraçado a todo o custo. O declínio da capacidade de projecção de poder dos adversários em terras distantes significa a disseminação de esforços fragmentados, mas altamente letais, no encalce próximo da tranquilidade europeia. O 11 de Setembro, intensamente sofisticado do ponto de vista conceptual e operacional, migrou para propostas de terrorismo de fabrico artesanal. Será com os meios disponíveis que os golpes serão desferidos. Os defensores das liberdades e garantias ainda não entenderam que em nome dos mais altos valores de liberdade, o combate implica o arrestar limitado de algumas prerrogativas consensualmente aceites enquanto intocáveis. A Europa está em guerra, mas tarda em admití-lo. Os terroristas de Bruxelas e Paris também elegem lideres. Chegamos a um ponto insustentável que transcende birras fratricidas entre a Esquerda e a Direita, pacifistas e belicistas. Chegou a hora de uma união de facto. A convergência política e efectiva para derrotar os atavismos internos. Chegou o momento da Europa.

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publicado às 22:12

Incirlik

por Nuno Castelo-Branco, em 20.07.16

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 Que Israel possui uma enorme e ilegal quantidade de armamento nuclear, esse é um segredo tão bem guardado como a inclinação da Torre de Pisa. Nas imediações não existe qualquer outra potência nuclear a não ser o Paquistão, muito mais a leste e que perigosamenteas obteve graças ao beneplácito do nosso aliado americano. Seguir-se-á o Irão, disso já não existe a menor dúvida.  


O que era praticamente ignorado pela grande maioria da opinião pública europeia, é a já muito antiga presença de armas nucleares na base americana de Incirlik, ponto essencial de apoio a operações naquela parte do mundo, sejam elas para manter uma vigilância apertada sobre Tartus - uma das três bases com denominadas task forces que os russos mantêm fora das suas fronteiras -, seja para o cada vez mais disparatado apoio a "forças combatentes" no teatro de operações sírio, inclusivamente alguns movimentos que como a Frente al-Nusra são declaradamente anti-ocidentais e muito retintamente suspeitos de parcerias com um Estado Islâmico misteriosamente equipado com armamento alegadamente capturado no Iraque. Nada é por acaso.

Quando da resolução da Crise dos Mísseis de Cuba, Kennedy terá concedido a Kruschev a retirada dos correspondentes americanos plantados na Turquia, no então flanco sul da União Soviética. Foi este um acordo informal e jamais cumprido, uma concessão que salvou a face dos dirigentes do Kremlin, uma troca-por-troca que as superpotências perante o resto do mundo assumiram até à implosão da URSS. Caído o regime comunista vitimado pela sua própria prepotência - nesta se incluindo a desastrosa intervenção no Afeganistão -, vertiginoso despesismo militar, miséria material extensiva a toda a população que não era membro do Partido, procedeu-se a um refluxo das fronteiras controladas pelos russos: saída da Polónia, Checoslováquia, Roménia, Hungria, Bulgária e extinta RDA do Pacto de Varsóvia, ditando o fim do mesmo.

A Rússia regressou aos tempos em que a sua presença territorial se limitava grosso modo ao traçado anterior ao reinado de Catarina II, a Grande, a alemã Sofia de Anhal-Zerbst que tomou a maior parte da Ucrânia, toda a Bielorrússia, a Lituânia e mais uns tantos territórios no Cáucaso. Permaneceu em actividade  a Base de Tartus (Síria) e como apoio logístico a Base de Cam Ranh que já servira a marinha americana no Vietname. As restantes, todas elas situadas em territórios outrora componentes da União Soviética, contam-se pelos dedos  de duas mãos e mesmo estas são de vários tipos: as que se encontram na Arménia, Geórgia e Moldávia, contam com forças de intervenção de dimensão apreciável, enquanto as outras contêm essencialmente centros de comunicações e radar. Sebastopol é um caso diferente, pois regressou ao controlo directo de Moscovo e o ocidente deveria estar preparado para reconhecê-lo. 

O que sucedeu após o fim do regime soviético? Não só foi o território da RDA incluído no dispositivo militar da NATO - e a Alemanha, procurando dissipar os naturais receios russos, procedeu a um rápido e infeliz desarmamento -, como rapidamente se verificou que os antigos componentes do Pacto de Varsóvia, incluindo os Países Bálticos, foram admitidos um após outro na Aliança Atlântica. Os russos talvez esperassem a criação de uma zona tampão que fosse de Narva a Odessa, mas as expectativas saíram-lhes goradas pelos factos. Um gratutito insulto acompanhado pelo ostensivo desprezo pela psicose de cerco que o Kremlin experimenta uma vez mais. Isto teve claras implicações na forma como as autoridades russas passaram a olhar para ocidente - melhor dizendo, para os EUA -, situação ainda mais premente quando este procedeu a uma política de massive basing nas imediações da Rússia. Neste âmbito, a Turquia era uma peça anterior ao colapso da URSS e por isso, a situação não era para o Kremlin novidade alguma. A Ucrânia é, queiramos ou não, um terreno vedado à NATO. 

Algo se passou desde 1991 e não valerá a pena desfiarmos o trágico rosário que é bem conhecido pelos crentes de qualquer missa televisionada até à exaustão. Todos fomos regular e insistentemente enganados nas expectativas e isso causou o ultraje nas mentes de uma imensidão de partidários da Aliança Atlântica. Há humilhações que não se esquecem ou perdoam e esta é uma delas.

Sem sequer considerarmos a hipótese de uma miraculosa conversão russa aos genéricos padrões que vigoram na Europa ocidental ou nos EUA, o massive basing acompanhado pelas catastróficas intervenções no Iraque, Líbia e mais actualmente na Síria, provocaram o gradual aumento da tensão desde o Báltico até ao Golfo Pérsico. O factor determinante que diferencia a liderança russa? Goste-se ou não da personalidade, esta chama-se Putin.

As comicamente denominadas primaveras árabes que de Tunes a Bagdade derrotaram todos os autoritários regimes laicos que tinham nascido após a descolonização, conduziram a Europa a um beco em que ainda hoje se encontra, ainda por cima agravado pela clara subversão interna, esta muito diferente de outras ocorridas nos anos sessenta e setenta, de cariz meramente político. O islamismo definitivamente passou a radical bandeira política eivada de messianismo, esta é a realidade que deveremos em definitivo entender. As responsabilidades são várias e devem ser partilhadas. Do que ninguém tem necessidade, é do acirrar de qualquer situação que possa provocar outros casos de escalada de violência militar na qual a Europa será o alvo que agora se encontra totalmente indefeso. Os países europeus estão mercê daqueles que internamente provocam os tumultos com dizeres "politicamente correctos" e mediaticamente da moda e por outros factores externos e totalmente incontroláveis por Paris, Londres e Berlim: despejar em descarado suborno, montões de dinheiro em mãos tão ou ainda mais corruptas como as dos doadores, é má política. Péssima! 

A ser verdade - e é mesmo -, o que ainda estão dezenas de perigosas armas nucleares a fazer na Turquia? Com que fim se justifica a sua presença naquele país que, há que dizê-lo sem rebuços, não é de mínima confiança relativamente àquilo que julgamos ser o padrão político, social e militar ocidental? Este exército turco que na distraída opinião pública europeia passa no teste porque parece ser alegadamente laico, é sem dúvida corruptíssimo e as acusações de roubo, nepotismo, auxílio a terroristas do E.I. que genericamente são feitas a Erdogan e ao seu partido, apenas são possíveis devido à colaboração das autoridades militares que com mão de ferro controlam as fronteiras turcas. É um exército oriental, muçulmano, com isso carregando toda a tralha que a gloriosa história lhe confere. No actual contexto, essas armas nucleares não estão seguras, encontrando-se à mercê de um qualquer golpe de mão.

Quem autorizou os nossos aliados - supondo-se que a Base de Incirlik pertence ao dispositivo da NATO - a ali manter armamento daquele tipo?  

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publicado às 10:50

Estranho...

por Nuno Castelo-Branco, em 16.07.16

 

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O golpe de ontem deixou no éter alguns sentimentos desencontrados, entre uma boa dose de optimismo pela possível queda de Erdogan que apesar de eleito não engana seja quem for e um certo temor pelo regresso dos militares ao poder numa zona muito instável, tendo nós forçosamente ainda a considerar, as consequências do acto em si.

Vejamos então o que as primeiras 24 horas nos deram:

1. Um presidente que felizmente se mantém despreocupadamente a passear num avião em todo o espaço aéreo turco durante horas a fio e em permanente contacto popular através da internet que execra e tem combatido com denodo.

 

2. Militares que são tão incompetentes que nem sequer lhes terá passado pelos esboços de golpe a captura de Erdogan durante o sono no palácio presidencial, estivesse ele a ressonar em Ancara, Constantinopla ou Antália. Nisso, os seus colegas egípcios bateram-nos aos pontos, capturando e em três tempos engaiolando Morsi.

Consequência imediata? Um reviver em plena Constantinopla, de cenas que ocorreram aquando da desastrosa queda da cidade imperial em 1453 e bem próprias de outras imagens que os media ocidentais ostensivamente censuram, referentes às mais moderadas façanhas do até agora aliado de Erdogan - não esquecer os seus até agora bem conhecidos sponsors estrangeiros -, o Estado Islâmico: estão aqui.

Divulguem-nas imediatamente. 

 

3. O vergonhoso linchamento de soldados que se renderam, com pelo menos uma decapitação confirmada. No rescaldo do "golpe", verificou-se o linchamento em plena via pública e alegadamente perpetrado por "populares furiosos". Onde é que já vimos isto?

 

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4. O anúncio-sugestão de uma próxima restauração da pena de morte, decerto para ser aplicada a posteriori nas pessoas daqueles que ontem incorreram no alegado erro. Por outras palavras, legisla-se e depois aplica-se retroactivamente. Democrático e aceitável, dirão alguns.

 

5. O anúncio do saneamento de milhares de militares em termos de limpeza geral - após um alegado golpe, compreende-se, não é? - e o que se torna estranhíssimo, de milhares de juízes - cerca de 2745, pelo menos é o que anunciam -, procuradores, etc. Enfim, o súbito, oportuno e lampeiro desaparecer de cena daqueles que impedem a tomada do poder total por parte de Erdogan e respectiva entourage da mesquita azul.

6. Fui livremente eleito!, dirá ele. Foi, é verdade e por isso mesmo decidiu fazer encaminhar a Turquia para uma situação que nem muito remotamente se parecerá com aquela que constitucionalmente ainda existe. De facto, tudo indica que o kemalismo finalmente foi liquidado no espaço de umas horas. Eles são islamitas e atreitos a vinganças de gerações. Fica assim resolvida a questão do fait accompli que um dia Attatürk ousou colocar ao Sultão-Califa. 

7. Derrotado na Síria, onde foi desmascarado por Putin, saltando à vista a escandalosa cumplicidade com o Estado Islâmico. Derrotado na luta da propaganda que deu a conhecer ao mundo o fornecimento de armas e o livre negócio do petróleo roubado no Iraque e na Síria pelos islamitas do chamado "daesh", nome amável - sobretudo nos órgãos de comunicação social franceses, sempre muito aflitos com a sua catastrófica situação interna - que esconde a designação Estado islâmico. Derrotado economicamente em casa, devido às contra-medidas russas que privaram os cofres turcos de um caudal de dinheiro propiciado pelos turistas que ocupavam boa parte dos hotéis do Mar Negro. Erdogan tinha de fazer alguma coisa e isto pode ser bem a consequência visível, aproveitando os rumores de preparação de um golpe gizado "ailleurs" e em consequência conduzindo as coisas em seu proveito.  Pelo que se vê, conseguiu e agora pode livremente preparar o "render da guarda", não tendo já de se preocupar com aparências que amofinassem os europeus.

Veremos qual será a evolução nos próximos tempos, mas não nos custa nada imaginar que neste momento Erdogan estará ancho, tão inchado e vaidoso como Hitler terá estado após a Noite das Facas Longas. 

De uma coisa podemos estar certos. Poderão fazer, barafustar, choramingar e dizer tudo o que quiserem em Bruxelas, mas a opinião pública ocidental tem agora um excelente e imperdível pretexto para se opor à adesão turca à U.E. - apresentando-lhes o argumento do "Estado de Direito, as liberdades e democracias" e outros blablabla constantes nos papiros linguarudamente desenrolados em todos os telejornais -, mesmo que esta apenas compreendesse a Trácia Oriental que com Constantinopla deveria a Turquia ter perdido no rescaldo da I Guerra Mundial. Não fosse aquele também "estranho caso russo", a situação geopolítica seria hoje bem diferente. 

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publicado às 23:26

Oui, c'est ça

por Nuno Castelo-Branco, em 15.07.16

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Ontem a ostensivamente "collabo" France 24 comportou-se miseravelmente. Ia transmitindo de vez em quando notícias ao estilo salta pocinhas, como se aquilo não tivesse acontecido no próprio país. Realmente, mais valeu seguir os canais da tv portuguesa.  

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publicado às 07:46

Eles que se habituem à nossa festa!

por Nuno Castelo-Branco, em 12.07.16

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 Uma passagem de vista na rede e deparamos com sacrossantices intelectualóides daqueles que certamente tendo visto todos os jogos no recesso das suas casinhas, resolveram teclar alguns desabafos, desdenhosamente se apartando daquela mole imensa de povinho faceiro que invadiu praças, ruas, "fãzones", restaurantes e tascas. Idolatrando os barbaças do costume que leram e alguns não entenderam, na verdade odeiam tudo aquilo que a léguas lhes cheire a povo, a pé rapado. Invariavelmente não são muito diferentes dos antepassados morais que ainda há quatro décadas doutamente decretaram o futebol - tal como o fado e Fátima - como perigosa alienação colectiva gizada por uma qualquer burguesia encafuada em imaginados conciliábulos à volta de farta mesa. Pelo que se lê à esquerda e à direita, não esqueceram nem aprenderam coisa alguma. Prefeririam que Portugal honradamente tivesse perdido, cumprindo uma vez mais a triste sina de "vencer moralmente". 


O futebol é hoje uma poderosa arma de divulgação de um dado país ou sociedade, consistindo num negócio que envolve muitos milhões em todos os sectores de actividade e que noutros tempos caberia na perfeição em qualquer departamento de propaganda de um Estado. Nivela na rua as diferenças sociais, irmana insuspeitadas gentes e congrega um todo que normalmente seria desavindo, numa nação. Em suma, dá uma certa consistência racional ao que aparentemente seria pasto da paixão mais irracional. Tornou-se embaraçosa a palavra propaganda, embora esta, limada e nem por isso menos evidente, passou a denominar-se das mais variadas formas e entre elas, marketing. Isto, o marketing que dá visibilidade ao nosso país, foi o que mais irritou sapientes crânios por esse mundo fora, sofríveis intelectos que nem sequer se pouparam ao triste espectáculo de atacarem a selecção nacional, acusando-a, para nosso gáudio, de tudo e mais alguma coisa. Para eles tudo se resume a negócios, neste caso concreto acompanhados pelo correspondente amor próprio ferido. Pior ainda, a visão daqueles rapazes em uníssono entoarem jogo após jogo o hino nacional, deixou-os furibundos. Acreditem, foi isso mesmo, já nem sequer se recordam das multidões que em delírio há meio século seguiam Eusébio para todo o lado. Portugal é assim e isto não é moda nova, vem de longe.

Tal como o banco de reservas e a equipa técnica, nem um dos jogadores falhou as estrofes. O quê?, pretos que normalmente seriam considerados como meros resquícios de um para eles incómodo império para sempre desaparecido, ousarem cantar versos aos heróis do mar e egrégios avós "dos outros", aqueles descendentes dos "antigos donos"? Tamanho insólito é inacreditável, habituados como estão aos olhos fechados, bocas cosidas e semblantes moita-carrasco da esmagadora maioria dos coloured que pontilham as selecções de outros países europeus. Isto, quando terminado o hino, esse poderoso símbolo, um ou outro embezerrado Benzema não escarra para o lado.

 

O mundo dos futebóis, dos clubes de "espírito negocieiro Platini-Blatter-FIFA", será outra coisa bastante mais obscura e bem afastada do que recentemente vimos e vivemos. Temos por cá uns tantos correspondentes, todos sabemos quem são, desde os políticos aos dos escritórios do mundo plutocrático. Estiveram ontem na cerimónia em Belém. 

 

A verdade é que em Portugal e apesar de todas as dificuldades e preconceitos que saltam à vista,  vive-se num mundo diferente e quanto a isto, o facto de ter sido Eder a selar a vitória com um golo que em segundos resumiu todo o torneio, ainda é mais demonstrativo de que nem tudo se passa por mero acaso: é o ADN que o confirma, por mais alva que seja a pele, por mais liso que possa ser o cabelo. Quando da entrega de Macau à China, foi com espanto que Pequim assistiu ao desferir da bofetada simbolizada pelo comandante do destacamento das forças armadas portuguesas presente na cerimónia, um oficial retintamente chinês. Mais tarde, o contingente enviado a Timor contava com alguns elementos timorenses já nascidos em Portugal. Representa isto o saber fazer de países antigos, multisseculares. Ao contrário da maioria dos europeus que nem sequer aperceberam da subtileza, os chineses compreenderam a mensagem, afinal contam a sua história por milénios. Noutros pontos do globo, isto tranquiliza, unifica quereres e faz toda a diferença junto de populações normalmente submetidas a todo o tipo de tiranias apenas existentes, porque outros bem pensantes, normalmente brancos, letrados e de proeminente pança mental assim decidiram, envenenando alguns crédulos locais. Todos têm o direito à dignidade, disso não existe a menor dúvida e a independência é talvez a base sobre a qual o demais que é essencial se ergue. Tal não implica um radical corte com o infame passado colonial, aliás ele próprio a causa primeira da existência de boa parte, senão da imensa maioria dos países nascidos na segunda metade do século XX. Houve quem disso tenha dado conta e apenas recordemos o africano Leopold Senghor, um homem viajado, com leitura e obra e que nem por isso se deixou impressionar muito pelas loucuras a que assistiu junto das suas fronteiras. Foi ele o mau exemplo que o continente africano não quis nem quer seguir. Em suma, a histeria colectiva que nas últimas semanas se apoderou de todas as capitais do antigo Ultramar, é uma forte mensagem que as autoridades locais deveriam considerar e atendendo ao texto enviado ao homólogo português, o moçambicano presidente Nyusi reagiu como devia. 

 

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Voltando ao futebol, uma vez mais demonstrámos que afinal nem sequer somos assim tão atrasados e selvagens. Passados 12 anos desde o reconhecidamente melhor, bem organizado e mais pacífico Euro de sempre, da parte dos adeptos portugueses em França e contrastando com ingleses, russos, alemães, franceses e outros, nem sequer uma briga, um roubo, um assassinato, um insulto gratuito proferido diante das televisões por gargantas roucas de bebedeira. Da parte dos nossos jogadores, também nada a apontar, nem uma fita, um bate-boca, uma expulsão de campo. No final, para além dos derradeiros e inesquecíveis momentos em que o capitão comandou ao lado do seleccionador, apenas aquele leve sorriso de um soube-nos a pato, aguentem-se! 


Os nossos foram, viram e venceram, eis o que interessa. O resto é paisagem e frustração alheia que para os portugueses significa felicidade, mesmo que fugaz.  

Uma Torre Eiffel às escuras,  eis o mais visível símbolo de quem debita culture e mais civilité após uma champanhada gorada, fosse ela em Paris, Berlim, Londres, Madrid, Roma, Bruxelas e sabemos lá nós onde mais.  

Sim, do Minho a Timor, Portugal venceu e isso basta.

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publicado às 10:35

Enormes!

por Samuel de Paiva Pires, em 11.07.16

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publicado às 00:23

Já raramente leio Alberto Gonçalves, um ídolo dos nossos pseudo-liberais. Também eu, há uns anos, o lia e partilhava avidamente. Entretanto cresci, amadureci intelectualmente, li mais umas coisas e compreendi os vários erros dos simplismos dos nossos pseudo-liberais. Todavia, hoje caí no erro de abrir esta crónica que foi partilhada por alguns dos meus "amigos" do Facebook. A todos os que desdenham Portugal, a pátria, o futebol e a Selecção Nacional, permitam-me parafrasear Cristiano Ronaldo: Que se fodam!

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publicado às 16:00

Erros….

por Nuno Castelo-Branco, em 07.07.16

 

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...que de longe chegam. Depois do que ainda há poucos dias sucedeu a nordeste e sendo completamente indiferente a falsa questão Costa ou Passos, parece-me que a imposição de chibatas, tratos de polé, vinganças ou outros métodos expeditos que dão pelo nome de sanções devido a décimas - ou a alegados grandes princípios que esta U.E. jamais aplicou relativamente a outros ditos grandes -, trata-se apenas de lenha para a ainda apagada fogueira portuguesa. Não queiram acendê-la, como sempre façam de conta não terem reparado e dediquem-se ao exercício da política a sério.

Missão impossível, bem sei.

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publicado às 19:07

…e mais nada

por Nuno Castelo-Branco, em 07.07.16

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publicado às 07:43

Dir-se-ia que...

por Nuno Castelo-Branco, em 04.07.16

 

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 ...se conjugam todos os esforços para colocar Portugal e Espanha numa forma tal que impulsione ambos e a velocidades supersónicas para fora da U.E., com isto arrastando os respectivos regimes. Os teóricos da conspiração devem estar exultantes com mais uma série de elementos que são tão evidentes como o número de calhaus que compõem os anéis de Saturno. 


O Brexit arrastar-se-á por dois anos, no mínimo, dependendo da data de entrega do processo que despoletará o conteúdo do artigo 50. Desiludam-se os apressados sedentos de vingança - e de temor pelo que poderá estar para vir dentro de momentos -, pois isso não interessa nem à Europa, nem ao Reino Unido em todas as suas componentes. Só os mais distraídos não entenderam o conteúdo subliminar do discurso que há uns dias Isabel II, do alto dos seus noventa anos, sem hesitar proferiu no parlamento escocês. Quem não o conheça, está à disposição aqui.

"Of course, we all live and work in an increasingly complex and demanding world, where events and developments can, and do, take place at remarkable speed; and retaining the ability to stay calm and collected can at times be hard.  As this Parliament has successfully demonstrated over the years, one hallmark of leadership in such a fast-moving world is allowing sufficient room for quiet thinking and contemplation, which can enable deeper, cooler consideration of how challenges and opportunities can be best addressed." 

Este é, ou deveria ser, o principal problema político da Europa, ao qual se junta o ininterrupto dilúvio de refugiados - e correspondente enxurrada de emigrantes económicos, ilegais - que ao contrário de todos os acordos de suborno assinados com os turcos, está longe de terminar, apenas se deslocando a vaga mais alta para o Mediterrâneo central. 

Que reacções temos escutado? As piores, ditadas pela pressa que denuncia uma total impreparação dos agentes políticos. Se um ou outro ameaça com sanções devidas a uma ou duas décimas, o outro, com a invariável megalomania dos novatos apenas chegados há menos de dois séculos à cena política, alvitra com a rápida criação de um super-Estado europeu, esmagando a bulldozer legislativo toda uma série de países cuja existência ultrapassa em séculos os dedos de uma mão.  A somar aos erros passados, mais um Grande Salto em Frente. Asneira, asneira à qual se acrescenta o adjectivo grossa.

Leiam o discurso da soberana britânica e em vez de Parlamento escocês, imaginem que foi pronunciado no areópago de Estrasburgo. Dado o triste espectáculo a que o planeta tem assistido nos últimos tempos, palavras como skill, Wisdom, Justice, Compassion e Integrity teriam de ser levadas como advertências, sugestões ou na pior das hipóteses, mera ironia.  Infelizmente, ao contrário daquilo que diz o poema - "We have a building that is more than a building" - o P.E. não passa de uma construção. De inamovível betão. Há quem pense imediatamente em dinamite. 


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publicado às 16:10

Do futuro da Europa

por Samuel de Paiva Pires, em 03.07.16

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Michel Houellebecq, Submissão:

Quando o Lempereur voltou, estendeu-me uma dezena de folhas agrafadas, escritas com caracteres muito pequenos; efectivamente, o documento tinha um título claríssimo: «PREPARAR A GUERRA CIVIL».
- Bom, há muita coisa do mesmo género, este é um dos mais sintéticos e com estatísticas mais fiáveis. Tem grande profusão de números, visto que analisa os vinte e dois países da União Europeia, mas as conclusões são sempre as mesmas em todos. De forma resumida, a tese do movimento é a seguinte: a transcendência é uma vantagem selectiva, os casais que se reconhecem numa das três religiões do Livro, e que mantêm portanto os valores patriarcais, têm mais crianças do que os casais agnósticos ou ateus; as mulheres têm menos estudos, o hedonismo e o individualismo são menos impositivos. Por outro lado, a transcendência é em larga medida uma característica geneticamente transmissível: conversões a outras religiões ou rejeições dos valores familiares têm uma frequência marginal; na esmagadora maioria dos casos as pessoas mantêm-se fiéis ao sistema metafísico em que foram criadas. O humanismo ateu, sobre o qual assenta o laico «viver juntos» dos casais informais, está portanto condenado a acabar em breve, a percentagem de população monoteísta está a aumentar em flecha, como acontece no caso particular da população muçulmana – não contando com a imigração, que acentua ainda mais o fenómeno. Assim, os identitários europeus admitem abertamente que entre os muçulmanos e a restante população vai rebentar, obrigatoriamente, mais cedo ou mais tarde, uma guerra civil. E concluem que para haver uma hipótese de os europeus vencerem essa guerra civil, esta tem de começar o mais depressa possível – em qualquer caso antes de 2050, e de preferência muito antes.

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publicado às 23:03

Da crítica comunitarista ao liberalismo

por Samuel de Paiva Pires, em 01.07.16

William M. Curtis (tradução minha de um excerto retirado da Encyclopedia of Political Theory editada por Mark Bevir e publicada pela Sage em 2010):

A teoria liberal parece esquecer-se do facto de que somos membros de famílias e comunidades antes de nos identificarmos como indivíduos com interesses e direitos distintos. Os comunitaristas argumentam que a ênfase liberal nos esquemas de direitos é problemática porque reduz as pessoas a átomos auto-interessados, portadores de direitos que exigem apenas a liberdade negativa para prosseguir objectivos individualistas. O prosseguimento do bem, argumentam eles, não é uma actividade radicalmente individualista, mas apenas tem significado no contexto de uma comunidade com tradições éticas historicamente desenvolvidas. É porque somos socializados nestas tradições éticas herdadas que podemos começar a formular a nossa concepção do bem. As pessoas não são “seres livres” metafísicos que podem desligar-se de todos os seus valores herdados e ligações comunais e escolher “livremente” os seus fins como os liberais supõem (“escolher na base do quê?” perguntam os comunitaristas). As crenças, desejos e relações que compõem o eu são irredutivelmente sociais e históricos: Quem nós somos e que objectivos prosseguimos são uma função das relações historicamente condicionadas que temos com aqueles entre quem vivemos.

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publicado às 17:17






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