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O problema do workhalism nas startups (e não só)

por Samuel de Paiva Pires, em 31.05.17

David Heinemeier Hansson, Trickle-down workaholism:

It’s not hard to understand why such a mythology serves the interest of money men who spread their bets wide and only succeed when unicorns emerge. Of course they’re going to desire fairytale sacrifices. There’s little to no consequence to them if the many fall by the wayside, spent to completion trying to hit that home run. Make me rich or die tryin’.
(...)
The sly entrepreneur seeks to cajole their employees with carrots. Organic, locally-sourced ones, delightfully prepared by a master chef, of course. In the office. Along with all the other pampering and indulgent spoils AT THE OFFICE. The game is to make it appear as though employees choose this life for themselves, that they just love spending all their waking (and in some cases, even sleeping) hours at that damn office.
(...)
Not only are these sacrifices statistically overwhelmingly likely to be in vain, they’re also completely disproportionate. The programmer or designer or writer or even manager that gives up their life for a 80+ hour moonshot will comparably-speaking be compensated in bananas, even if their lottery coupon should line up. The lion’s share will go to the Scar and his hyenas, not the monkeys.
(...)
So don’t tell me that there’s something uniquely demanding about building yet another fucking startup that dwarfs the accomplishments of The Origin of Species or winning five championship rings. It’s bullshit. Extractive, counterproductive bullshit peddled by people who either need a narrative to explain their personal sacrifices and regrets or who are in a position to treat the lives and wellbeing of others like cannon fodder.

(também publicado aqui.)

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publicado às 19:06

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Em dia de denúncia dos Acordos de Paris por Donald Trump faço um compasso de espera e atiro noutra direcção. No âmbito da cimeira da NATO, Trump puxou as orelhas aos parceiros europeus e reclamou que estes deveriam aumentar a sua parada monetária na organização de defesa. Os membros da Aliança Atlântica deveriam pagar mais, pelo menos 2% dos respectivos Produto Interno Bruto (PIB). Torna-se curioso, e não menos relevante, que Portugal, sob a batuta de um governo de Esquerda, tenha de facto incrementado a sua prestação à NATO de 1.32% para 1.38% do PIB. No entanto, não me recordo do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português terem batido o pé. Gostava de saber qual foi o preço do seu silêncio. Os socialistas devem ter negociado um arranjo qualquer nos bastidores. Não sei qual foi a moeda de troca, mas houve mais recursos atribuídos à NATO desde que a Geringonça abarbatou o poder. Por outras palavras, Portugal já vinha alinhado com o pensamento geo-estratégico e financeiro de Trump. Guterres, nas últimas 24 horas, já foi particularmente vocal em relação aos vazios de poder que decorrem da denúncia de acordos respeitantes ao clima, mas neste jogo de correlações das diversas dimensões de projecção de poder, talvez ainda não tenha percebido que os Acordos de Paris serão uma mera divisa para exercer pressão noutros palcos. Para cada ponto verde comprado por corporações para calar detractores quantas vidas efectivamente se perdem? No tabuleiro de Realpolitik não existem deuses e demónios, bons e maus, de um modo linear. Talvez o agitar dos fundamentos dos Acordos de Paris sirva para rever as suas premissas e o seu caderno de encargos. Veremos como a Europa, tolhida por crises internas e dúvidas existenciais, consegue ou não esboçar um plano B. Talvez Merkel tenha razão. Os EUA já não fazem parte da equação de favas contadas, já não são best friends forever. E há mais. De cada vez que o governo de António Costa glorifica o magnífico crescimento económico, está de facto a aumentar o financiamento de Portugal à NATO. Ou seja, são os turistas que estão a tornar Portugal um país militarista. São eles que estão a aumentar as receitas, e consequentemente o PIB. Pois é.

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publicado às 16:12

Afinal, a Madeira já é outro país

por Nuno Castelo-Branco, em 31.05.17

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É o que parece ser, a considerar os escritos ou ditos da autoria dos responsáveis políticos, uma espécie de herdeiros do governador Pôncio Pilatos. A tina de águas turvas onde insistem em lavar as mãos, é comprovada quase diariamente pelos silêncios embaraçados ou por recomendações indirectas, aquelas que após tecerem os considerandos que já ouvimos noutros tempos ..."os portugueses e luso-descendentes aqui nasceram, foram educados, têm as suas famílias, casas e empregos", logo indicam aquilo que para o esquema aqui vigente é mais aconselhável: ..."façam-se à vidinha e procurem outras paragens se não quiserem ficar na Venezuela".

Foi exactamente o que a catrefa de agentes civis ou militares disse em Luanda, Lourenço Marques, Bissau e outras localidades, quando perante eles se ergueu a evidente ameaça da deportação de centenas de milhar de nacionais. Nunca é demais voltarmos à carga, pois ponto por ponto, trata-se de uma repetição de factos. Aconteceu o que sabe por única responsabilidade e total culpa das autoridades então mandantes em Lisboa. Agora até se dão ao luxo de indicarem os receptores da desgraça de inegáveis nacionais portugueses, atrevendo-se mesmo a aconselhar como destino o Brasil - que se encontra numa excelente situação interna e externa -, a França, Espanha e até a América de perna-aberta do Sr. Trump que exautoram cada vez que tenham ou não uma oportunidade para tal.  Como se sobre estes países exercessem qualquer tipo de soberania, mesmo que moral. 

Desde que não venhas para cá, podes fazer o que te apetecer!, eis a mensagem subliminar. Se assim não é, tal é a impressão que eles, os luso-venezuelanos, têm acerca dos nossos dirigentes que ali desembarcam para conversações.  

Já vimos, ou pior ainda, já sofremos isto "naquele tempo que eles prefeririam jamais ter acontecido". Os mesmos argumentos, o mesmo laissez-faire, a mesma descarada inépcia ditada não se sabe bem porquê que suspeitamos ser a cíclica reserva mental que corrói aquelas pobres cabeças cheias de vento. Pior ainda, são exactamente os mesmos partenaires, ansiosos por não terem de se dar ao trabalho de accionarem gabinetes que já existem para outras finalidades, como o CPR e tudo o que à volta disto tem girado: gabinetes de estudos, boas vontades, entusiasmos de hora de telejornais, ditos espirituosos em S. Bento e sobretudo, os fundos comunitários que destinam a outros alvos. Sim, "aqueles" em que estão a pensar. 

Se não é assim, assim parece, apesar da nossa compreensão pela desejável moderação no deixar passar da informação. A prudência é inimiga do medo. 

Portugal não deve ver os luso-venezuelanos como um potencial perigo, mas sim como a reedição da oportunidade que outrora teve, quando à Metrópole arribaram centenas de milhar de pessoas em muitíssimo pior situação, se é que isto é possível, do que aqueles que para cá não só querem, como terão mesmo de vir. Já não se trata de um imaginado se, mas daquele indesejado  quando. Julgá-los como alvo fácil da desbragada reacção política, é um erro, mais um a juntar a todas as outras superstições. 

O governo regional da Madeira, honra e glória lhe seja votada, tem feito tudo o que é possível para arrecadar com a parte de leão desta catástrofe nacional. Catástrofe, dada a inércia evidente das autoridades centrais, apertadas entre os seus negócios e o compromisso oficial para com o governo de Caracas que, há que dizê-lo uma vez mais e sem rebuçados para a garganta, tem sido um bom amigo das autoridades de Lisboa, sejam elas as dos executivos da esquerda, como as dos executivos da direita.

Já não se trata de negócios de loja & conveniência, mas sim de vidas a prazo, as que por mais irritante que isso possa ser para o politicamente correcto que por cá faz cátedra, pertencem à nossa família nacional, mesmo aquelas que apenas falem a língua da pátria-mãe num arrevesado de portunhol.

Devem ser estes refugiados prontamente auxiliados e sobretudo, terem a sensação de serem bem-vindos. Ora, uma vez mais repetindo a história - para alguns deles quiçá pela segunda vez -, tal não está a acontecer. 


Repitamos então o acima dito, isto não está a acontecer. Digamos desassombradamente do que se trata, a palavra chave que é o repetitivo tabu deste regime, são refugiados e ainda por cima, nacionais. 

Refugiados! 

Se pensam que a substituição do actual regime General Tapioca poder  rapidamente dar o lugar a um novo-antigo regime General Alcazar, precisamente aquele que provocou a ascensão irreversível do chavismo, preparem-se então, pois qualquer coisa em que surja como cabeça um qualquer Sr. Capriles, demorará décadas até a Venezuela remotamente poder comparar-se ao que era em 1975, quando ainda por ali imperava o sr. Carlos Andrés Pérez. Décadas, na melhor das hipóteses. 

Têm sido as nossas autoridades uma indigesta entremeada de timidez, medo, desleixo e barco de cavername carcomido e convés sem bússola. Isto, para não dizermos algo infinitamente pior. É o que tem transparecido semana após semana. 

Convém insistirmos nesta tecla até que algo seja bastante visível e evidente. Em momento de tecnologias da informação e imagens a cores, já não há como esconder os factos. 

Como se disse um dia a respeito de outro assunto, agora trata-se de ..."para Portugal e em força!"



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publicado às 13:55

As faixas de rodagem da Geringonça

por John Wolf, em 29.05.17

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Existem várias faixas de rodagem que a Geringonça ocupa. Temos uma via mais à Esquerda onde acelera Catarina Martins, mas que segue em contramão, em sentido contrário a Centeno. A condutora do Bloco de Esquerda dá umas valentes guinadas alcoolizada pela miragem de mais apoios à Segurança Social e invocando a pobreza infantil a ver se pega de empurrão. Enquanto essas manobras decorrem, a viatura de Costa declara na portagem que não haverá alterações nos escalões do IRS e que os cortes nas reformas antecipadas podem chegar aos 14%. Ainda nessa estrada de considerações aparecem mais umas lombas inconvenientes. Na estação de serviço seguinte dizem que o descongelamento das carreiras na função pública terá de ser faseada. Por outras palavras, com tanta derrapagem de intentos, não saímos do mesmo lugar, e apesar do caminho percorrido, parece que estamos no auge de 2013. O próprio dono das auto-estradas, o italiano Mario Draghi, manda parar os encartados do governo, e avisa: o crédito malparado na banca é um problema para o motor que dizem já estar em velocidade de cruzeiro, imparável. Mas atenção, com tanta rotação, o motor ainda gripa, e como são todos excelentes mecânicos, a máquina sai da oficina a deitar fumo branco pelo escape de argumentos orçamentais. No entanto, existe uma probabilidade muito grande de isto tudo ser um problema da cabeça ou do alternador de políticas que mais convêm para enganar o povo. Apesar da luz, vejo túneis ao fundo.

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publicado às 20:04

A cultura da chulice no governo geringonço

por John Wolf, em 27.05.17

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Assim à meia-volta, sem rodeios e eufemismos - Portugal tem tradição de chulice laboral. Quantas vezes, ao longo de várias décadas de existência laboral nos mais diversos sectores, fui aliciado para trabalhar para aquecer. Irei mais longe. Tantas vezes tentaram, sem êxito, convencer-me que tinha muito a ganhar com determinadas prestações, mas que não significaria ganhar dinheiro. Não confundamos o favor voluntário que se presta a um amigo, de livre e espontânea vontade, com o abuso de posição dominante no quadro profissional. Os precários-escravos, a que chamam de estagiários nas empresas, e pelos vistos no próprio governo, contribuem para a manutenção desse costume de exploração laboral. O que se passa nem sequer se inscreve nos meandros da compensação rasante da padaria portuguesa. Falamos de indignidade e desrespeito pelo esforço intelectual, mensurável em termos objectivos, qualitativos, quantitativos e monetários. Podem meter os estágios curriculares na gaveta e a experiência profissional naquele sítio. Os jovens que se sujeitam a este género de sevícias há muito que deveriam ter ido para a rua para armar confusão de indignados. Mas não podem porque existe uma dimensão que está a ser omitida nesta narrativa. Aqueles lugares de estágio estão reservados a filhos e enteados, filiados e rebentos saídos de associações académicas com bandeiras partidárias favoráveis. Não seria de todo despropositado nomear uma comissão de inquérito parlamentar para desparasitar de vez os organismos que fazem uso desta prática abusiva de troca diferida de favores. Os jovens que para ali vão trabalhar para aquecer, sabem que mais dia menos dia farão parte do clube - serão integrados. E um dia mais tarde, quando forem crescidos, poderão exercer o mesmo magistério de subjugação "pro bono" a nubentes sortidos de um qualquer grémio de recrutamento político.

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publicado às 20:25

O que faz falta

por Nuno Gonçalo Poças, em 26.05.17

Não sei em que fase da vida nos podemos dar ao luxo de dizer que ainda somos do tempo em que. Não me sinto nesse direito, apesar de muitas vezes apelar ao meu tempo. No meu tempo isto, no meu tempo aquilo. No meu tempo, com grande probabilidade, aconteciam imensas coisas que se reproduzem, talvez de outras formas, neste tempo que não sendo já o meu, na verdade ainda o é. No meu tempo, por exemplo, ensinavam-nos provérbios. Que devagar se vai ao longe. Que depressa e bem não há quem. Que quem espera sempre alcança. Neste tempo, que é, na verdade, o nosso, já ninguém quer ir longe porque ninguém tem disponibilidade para ir devagar. Neste tempo que é tão nosso, se não há quem consiga depressa e bem, há pressa em encontrar quem o faça. E hoje, afinal, quem espera só se cansa. Começamos nas tarefas diárias, no trabalho, na velocidade dos carros, na rapidez da comunicação. É aqui que ser “do tempo em que” nós dá alguma autoridade moral, mesmo que de autoridade tenha muito pouco e de moral ainda menos. Sou do tempo em que nem toda a gente tinha telefone em casa e muito menos telemóvel. Telefonar a alguém e não obter resposta tinha um só significado: não está em casa. Hoje, se não nos atendem o telemóvel ao segundo toque, o coração palpita. O outro morreu. Ou, pior, o outro não quer falar connosco. Se não nos respondem a um email em cinco minutos, ligamos a pedir respostas e justificações. Atrasamo-nos mais porque estamos a uma mensagem escrita de dizer que estamos atrasados. Saímos mais tarde de casa porque os carros e a sua velocidade compensam o tempo perdido. É tudo cada vez mais rápido, mas temos cada vez menos tempo – e eu estou a tentar fazer com que isto não se pareça com um texto de psicologia reles e barata. O tempo é um recurso escasso, na linguagem dos economistas. O tempo passa a correr. E fico a olhar para o ponteiro dos segundos, na sua lentidão, e um minuto parece uma eternidade. É tudo uma treta. O tempo é escasso, mas não passa a correr. Passamos nós a correr por ele, dirá um treinador mental dos novos tempos que nos fará comer melhor, viver melhor, respirar melhor. Para sermos mais felizes, seja lá isso o que for. Como é que se é feliz a fazer contas, a analisar resultados, sempre preocupado com o sucesso físico e mental, com o sucesso profissional e social? É pouco inteligente, essa coisa da pressa – ou o prazer da velocidade é uma coisa de cretinos, como dizia Nelson Rodrigues. Para quando é que queres isto? Para ontem. Os prazos, as agendas, tudo organizado, tudo controlado com aplicações e plataformas que nos permitem não perder tempo. É que não há tempo a perder, dizem. O raio é que não há. Como é que uma coisa tão luxuosa como o tempo não se deita a perder? Os luxos não são para gozar? Neste tempo, que é o meu e que é o nosso, em que nos queixamos das perdas de tempo, em que lamentamos não saber lidar com a velocidade da comunicação, em que parecemos todos alienados, acelerados, ansiosos, deprimidos, o diabo, o que nos faz falta já não é, como no tempo em que havia tempo, animar a malta. É abrandar a malta.

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publicado às 14:29

Geringonça governa sem Dívida Pública

por John Wolf, em 25.05.17

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A Geringonça anda alegre e contente como se a dívida pública não existisse. Carlos César avisa sobre os perigos de embarcar em euforias. Mas será isto que o atormenta: o serviço de dívida pública? Não obstante as tentativas do seu branqueamento, o agravamento do mesmo não pode ser camuflado por todas e quaisquer manobras do governo de Portugal. Os juros de títulos de dívida são um monstro que nenhuma acção de marketing político pode escamotear - é o mercado que os determina. Os excelsos 2.8% de crescimento económico e a saída do Procedimento por Défice Excessivo são facilmente derreados pelo encosto nefasto da dívida pública. Fingir que não se sofre de uma doença é uma patologia em si. Mas o mais dramático desta modalidade de abstinência governativa é efectivamente adiar a catástrofe ao passá-la para gerações seguintes. O governo de António Costa pensa numa lógica de curto prazo e omite intencionalmente a parte que não lhe interessa. E a única forma de contrariar a escalada de dívida é através do genuíno crescimento económico, alicerçado no investimento público e no retorno que o mesmo proporciona. Os privados, que têm sido os principais investidores, gerarão receitas que serão intensamente atractivas para governos de Esquerda que sustentam as suas casas na tributação alheia - ou seja, no abarbatar daquilo que não lhes pertence. O Estado que deveria dar o exemplo de iniciativa económica, está a perder a corrida e rapidamente deixará de se pagar a si mesmo. Os governos, que vão e vêm, assumem essa falência como sendo um problema que não lhes pertence. O último que feche a porta, apague as luzes e repita a mesma mentira que parece sempre funcionar. Os portugueses, elogiados pelo seu espírito de abnegação, caem sucessivamente na mesma esparrela de engano e decepção. Vezes sem conta. Sempre a doer.

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publicado às 13:23

Porque ninguém faz nada contra o terrorismo

por João Almeida Amaral, em 24.05.17

 

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A verdade nua e crua é esta ; não interessa fazer nada contra o terrorismo. E não interessa porque os políticos vivem de votos  e tomar uma posição contra o terrorismo, poderia ser considerado , fascista, nacionalista , xenófobo, ou ainda mais perigoso, anti refugiados e isso faria perder votos. 

Na verdade o não fazer nada é igual ao nada fazer. Não gera responsabilidades e podem sempre assobiar para o lado. 

Vai-se ainda mais longe, como é o caso da autarquia de Lisboa, onde o dinheiro do contribuinte é usado para fazer uma mesquita no centro da cidade. 

O problema não pode ser branqueado , os autores destes crimes são todos islamitas. Podem ter nascido em Paris ou Bradford mas não são europeus, nem entendem o que significa viver num estado de direito. 

Por mim julgo que chegou a hora de começar a identificar e expulsar deste espaço de liberdade que é a Europa, quem o não entende como tal.

 

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publicado às 14:41

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Não vale a pena enunciar todos os pressupostos e axiomas que configuram a equação terrorista. O ataque ocorrido em Manchester faz parte do mesmo guião de danos que já assolou cidades como Berlim ou Paris. No rescaldo do evento dramático que atingiu aquela cidade britânica, todas as antenas mediáticas do mundo tentavam relevar os aspectos logísticos que conduziram ao desfecho trágico. Retenho umas passagens bizarras apresentadas na Sky News. Perguntava-se a um especialista em segurança porque não tinha havido um controlo à saída do recinto. Este tipo de raciocínio assemelha-se em muitos aspectos àquele aplicado às consequências do Brexit - depois de casa roubada, trancas à porta. Entramos, deste modo, numa nova fase preocupante respeitante à segurança dos cidadãos europeus. O adversário, Estado Islâmico, ou congéneres de inspiração análoga, parecem ter elevado a fasquia do impacto. Foram crianças, meninas e meninos, em idade pré-doutrinal, as vítimas da operação hardcore. Ouso inaugurar um conceito que ainda não escutei nos meandros geopolíticos ou académicos: pedo-terrorismo. Ou seja, acções terroristas levadas a cabo com a vil intenção de anular a descendência do adversário. Esta nova dimensão vai implicar uma abordagem securitária com uma natureza muito mais premente. As crianças brincam, mas estes inimigos não andam a brincar.

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publicado às 17:49

Défice excessivo e estudos para o regresso de nacionais

por Nuno Castelo-Branco, em 22.05.17

Fotografia dos contentores dos 'retornados' feita

 Saiu há uns dias um estudo previsivelmente encomendado, referindo a imperiosa necessidade do país acolher mais imigrantes. Nada sabendo acerca do assunto, tendemos a concordar, mesmo deixando de lado o futuro que a robotização generalizada implicará, ou seja, a cada vez menor necessidade de mão de obra humana no sector industrial e quiçá, nos serviços. Trata-se sobretudo de garantir a sobrevivência e a tranquilidade de quem à Europa pede auxílio. Não há como negá-lo.


Portugal está então apto, saindo do procedimento por défices excessivos, de tentar convencer Bruxelas acerca daquilo que se perfila ameaçadoramente no horizonte mais próximo:
- a enxurrada de refugiados que virão da Venezuela e mais tarde mas como já foi aqui previsto, da África do Sul. Urge planear com tempo, mas o segundo caso, embora as notícias sejam cuidadosamente filtradas, é menos urgente.

Dados os números em questão, o nosso país enfrenta uma catástrofe ainda mais gravosa do que aquela ocorrida há quatro décadas, quando teve, contra a vontade dos seus dirigentes, de suportar a chegada de centenas de milhar de portugueses sem eira nem beira, no meio da geral indiferença de aliados, amigos ou comparsas internacionais. Solitário e contra a benquerença geral, Portugal enfrentou o desafio e conseguiu resolver o problema, ou pelo menos mitigá-lo à custa do silêncio tacitamente imposto àqueles que estiveram do lado errado da história e dos seus vendavais.

O que há então a fazer? Segundo o MNE, o processo já se encontra em marcha e apenas podemos imaginar o que terá sido dito pelo ministro da tutela na Comissão Parlamentar destinada a este incómodo assunto. As pessoas estão antes de contabilidades, negócios, preconceitos ou superstições políticas mais ou menos correctas.

O governo deve simplesmente recorrer de imediato aos mecanismos já estabelecidos para outros casos, apresentando os números e invocando os grandes princípios humanitários propalados no areópago de Estrasburgo e na própria Comissão Europeia.

Este é um caso que não poderão negar ou adiar indefinidamente, não significando descurarem-se todas as probabilidades e a totalmente indesejável evacuação em massa, pois esta implica, em caso de necessidade absoluta, a cooperação de todas as agências europeias que decerto terão Portugal como um país merecedor da solidariedade que é fartamente prodigalizada a Estados alheios à Europa. 

Facilmente é compreensível a premissa destes retornados poderem ser satisfatoriamente integrados, para além de Portugal, noutras sociedades europeias, não chegando com exigências de qualquer tipo que comprometam o ethos e a paz das sociedades dos países de acolhimento. Veremos então até que ponto é credível toda esta até agora espantosa inflamada oralidade de fóruns, associações e ONG de boas vontades.

Aguardemos então e como se dizia noutro post acerca deste assunto, ...o tempo urge. Não se trata de generosidade, mas sim de uma obrigação nacional. 



 

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publicado às 21:57

Procedimento por elogios excessivos

por John Wolf, em 22.05.17

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Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente de todos os Portugueses + a Geringonça, alargou o âmbito do elogio respeitante à saída do Procedimento por Défice Excessivo (PDE). Afinal o governo anterior também tem direito a uma fatia do bolo, e a apagar uma vela. Mas o problema não reside nos festejos, nos globos de ouro, nas sandálias do Beauté, ou na alcatifa vermelha de políticas de mais ou menos Esquerda. O espinho que parece ter causado mais comichão é a simplificação que João Salgueiro cravou nos pressupostos da glória económica dos indicadores. Diz o especialista que foi o Turismo que se mexeu e roubou o lugar às indústrias, à economia dita clássica. Sem dúvida que a febre turística é responsável por uma grande quota-parte do sucesso. Mas existem perigos. Estarão recordados do primeiro boom turístico-imobiliário que desfigurou a pacata Armação de Pêra e que cicatrizou Quarteira? Pois bem. Assistimos a uma segunda vaga que comporta alguns desafios. Portugal encontra-se na fase hélio da bolha - é só facturar. São restaurantes e hóteis, tuk-tuks e programas de lazer, festivais de música, certames da bolota, mostras da rolha, mas o cidadão-residente, aquele que fica depois das festas acabarem, não está a participar no lado lúdico do espectáculo. Como o incremento do lado da oferta é superado pela procura, a equação é linear e tem um nome: inflação. O conceito Inatel, de turismo para o povo, deixou de existir. Pergunte-se a um idoso, com a reforma que se conhece, se vai para fora cá dentro. Não me parece. E é aí que a questão se torna problemática. O governo descobriu a galinha de ovos de ouro, mas à semelhança de tantas aventuras históricas de exploração económica (coloniais se quisermos), geralmente os processos descambam. Agora querem mexer no sector para o hiperbolizar ainda mais. A saída do PDE pode alimentar fantasias que estão na origem da ruína primeira que conduziu a sevícias da União Europeia, do FMI e do BCE. Por outras palavras, ao fazerem passar a ideia celebratória de vitória no festival da canção política, podem contribuir para que haja ainda mais extravagâncias. Os resultados do Turismo são óptimos. A ver se não estragam a coisa.

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publicado às 17:35

Sócrates - belo, Belino...

por John Wolf, em 20.05.17

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José Sócrates foi o principal beneficiário do mundo do espectáculo e das artes. Recuando quase um ano, o campeonato europeu de futebol e a vitória da selecção nacional, foi um biombo perfeito para distrair o povo da sua provação judicial. Depois houve o Web Summit e nunca mais apareceu o insulta-jornalistas João Araújo. Entretanto houve o build-up da visita do Papa, a peregrinação a Fátima e ainda a febre do festival eurovisão da canção. Ou seja, Sócrates teve tantas atenuantes mediáticas, mas nada disse a esse propósito. Não concedeu uma entrevista sequer a reclamar da falta de atenção das televisões. Não assinou mais uma obra literária que esgotasse na aurora da sua publicação. Por outras palavras, com tanto tempo de folga, de baixa mediática, não foi capaz de se defender cabalmente das injúrias e mentiras. A fundação Belino que agora surge em primeiro plano nos escaparates não deveria ter aparecido. Nos bastidores das várias cantigas de distracção que assoláram o país, Sócrates não soube aproveitar os bónus como António Costa o fez. O primeiro-ministro, nesta onda hipnótica de comendas parlamentares, fados e futebol, conseguiu convencer Portugal inteiro que este já estava totalmente curado das maleitas económicas e sociais. O chefe da Geringonça teve a arte de dissimular a tempestade residente da dívida pública, e fingir os números de crescimento económico à pala de flacidez no investimento público - o povo engoliu a dois. Francamente. José Sócrates, que andou na mesma escola, não soube desmontar a cabala da Fundação Belino que segundo as suas visões seria natural que aparecesse. Ainda não tivemos uma conferência de imprensa onde Sócrates pudesse refutar tudo, mas pouco falta. Ainda esta noite, aposto, teremos um porta-voz jurídico a desmontar a ficção da fundação suiça. Não esqueçamos que as fundações são uma invenção dos socialistas. Uma espécie de cooperativa de interesses, com tesourarias e divisas próprias. Belo, Belino -  Lula, Dilma e Temer também não ajudam nada. Resta apenas o Salvador.

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publicado às 14:53

Explicação da ruína

por Fernando Melro dos Santos, em 18.05.17

Aqui. E com os teus impostos. 

 

Pedagogia diferenciada Uma pedagogia diferenciada pelo respeito que nos merece a criança; pela lógica que é o assumir que as nossas diferenças, as nossas características e as nossas necessidades implicam uma forma diferenciada de estar, num ensino que valorize o sentido social das aprendizagens; pela consciência que esta realidade irá determinar novas formas de gestão – de saberes, de capacidades, de afectos, de interesses… - onde o papel do professor, do grupo e da partilha irá ser fundamental na compreensão, no conhecimento e no crescimento de cada um de todos; pela essência que é acreditar-se que os dias de hoje já não se compadecem com a imagem mais ou menos estereotipada do passado onde todos os alunos aprendem e têm que aprender a mesma coisa ao mesmo tempo e da mesma maneira! Método interactivo Tendo por base uma teoria socioconstrutivista, trabalhamos com um método interactivo, onde ouvir o que a criança tem para nos dizer e dar-lhe a oportunidade de falar do que está no seu interior é uma maneira desta se reconstruir. Esta ideia, desenvolvida por Vygotsky, defende que a criança tem dentro de si ideias sobre as coisas que viveu, que sentiu, tocou, observou, entre outras, e é a partir dessas ideias que o professor deve iniciar a construção do conceito a que se propõem trabalhar. O conhecimento é isto mesmo, um constante avançar e recuar para reorganizar as novas ideias que se vão encaixando no nosso pensamento ecológico, sendo que, tudo isto é operado pela linguagem, um poderoso meio de mediação com o outro e com a sociedade, mas acima de tudo, com ele mesmo. Posturas activas e de suporte por parte de todos O aluno tem, deste modo um papel activo, o papel principal na construção e avaliação das suas aprendizagens e está em contínua interacção com o grupo, numa permanente produção e comunicação, o que é factor essencial para o seu crescimento, já que a tomada de consciência do seu percurso, das suas conquistas e fragilidades irá contribuir para a sua estruturação – como aprendiz e como cidadão. Por outro lado, ao favorecer-se uma intervenção consciente na vida da comunidade escolar, desenvolve-se a capacidade de reflexão, o sentido crítico e a responsabilização, o que, por sua vez, irá contribuir para a promoção da sua autonomia. E à medida que a criança se vai tornando mais autónoma, vai sendo cada vez mais capaz de colaborar, de cooperar e de ser solidário. O professor representa um agente cívico e democrático, de suporte, assumindo um papel de animador e facilitador das aprendizagens e das dinâmicas. É um elemento do grupo que, participa e incentiva o diálogo e a cooperação, nos vários momentos significativos, favorecendo a tomada de consciência dos vários processos em curso, criando uma verdadeira comunidade de aprendizagem capaz de promover sucessos e reconhecer obstáculos.

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publicado às 13:52

OPERA JS

por João Almeida Amaral, em 17.05.17

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O mundo dos media agita-se com noticias sobre Donald e cá no nosso quintal a lengalenga é igualinha.

Num escritório na capital,  à porta fechada,  António esta reunido no maior secretismo,  com Catarina, para prepararem a grande ofensiva de ocupação pacifica da Europa, através da operação dos jaquins (OPERA JS)

A ideia foi repensada inúmeras vezes pelas cabeças mais criativas do Largo.

- Se apoiarmos a  LGBTs, podemos convencer inúmeras turistas, dizia convincente Catarina, elas viram cá massivamente, bebem uns copos, fazem crescer a receita sem termos de fazer nada, nem mesmo aumentar a despesa. Além disso, o IEFP pode dar formação aos homens para eles fazem o serviço às gajas e ainda podemos oferecer camisas de venus furadas , subsidiadas e sem ninguém perceber.

Quando elas, como casais gays virem que estão prenhas ligam ao gajo que lhes fez o serviço e ele recomenda o nome da criança ; se homem Quim , se for mulher Zezinha. 

- Então Tó o que achas? Topas ?

Pensativo , mas contente por não ter que ler nada sobre esta operação António diz-lhe;

- Ok camarada Catarina , liga ao yes men do Porto e diz-lhe para hastear a bandeira das corzinhas na Câmara Municipal de Lisboa, porque em S.Bento ainda me acusavam de defender essa malta. Assim quem arca com as responsabilidades é o gajo. 

Esboçou um sorriso e retirou-se a pensar que dentro de 10 anos a Europa em vez de ser coberta de Mustafas será forrada de Jaquins. Com tempo ainda proponho ao Presidente uma medalha colorida para cada gajo que cumpra o serviço. 

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publicado às 20:30

Trump, of Mice and Men...

por John Wolf, em 17.05.17

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Como nacional dos Estados Unidos, natural de Espanha e residente em Portugal, o que acontece, e onde quer que aconteça, interessa-me. O desfiar da presidência Trump é um facto irrefutável. O que está a suceder na América já não tem a ver com ingerências russas ou teorias da conspiração. Os republicanos da ala do próprio presidente começam a sentir os efeitos da intoxicação, e porventura terão entrado numa fase de damage control. No filme Of Mice and Men, há uma passagem emblemática, senão sagrada - não são estranhos que devem abater um cão que não lhes pertence. De acordo com uma lógica prospectiva de novo ciclo político, quiçá resultante de um impeachment, os republicanos têm mais a ganhar se desferirem a estocada final, se fizerem o reset. O que está em jogo é a credibilidade de um dos dois partidos que desenha a paisagem política dos EUA. Se forem os outros a algemar Trump, o futuro dos republicanos será posto em causa. Serão tidos como responsáveis - a montante e a jusante. Se o processo destitutivo cai nas mãos da oposição, co-adjuvada por forças exógenas, o partido republicano coloca em risco candidatos futuros. Registamos a tomada de consciência de uma certa irreversibildade dos prejuízos causados. Limpar os males que já foram feitos parece-me uma missão impossível. Trump está marcado, marcou-se. Não sei se aguenta.

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publicado às 16:57

Salvando o Salvador Sobral

por Nuno Castelo-Branco, em 16.05.17

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 Bem, já passada a febre dos entusiasmos nacionais, aqui fica o que me pareceu o último festival eurovisivo:


1. O habitual ruído infernal que nos últimos 15 ou 20 anos invadiu o certame. Para ver o Eurofestival, precisamos de ter uma caixinha de aspirinas à mão. 
2. Discochunga, rap-rap, hip-hop com trejeitos tiroleses, tekno-paranoia, metal suburbia, muito circo caprichosamente condimentado pelas habituais e bem estafadas Barbies masculinas e femininas. Tudo isto num espectáculo que parecia um concurso da Commonwealth, capitulando ao inglês a França, Espanha, todos os nórdicos e 90% dos membros do antigo Pacto de Varsóvia. Vendo bem os factos sob outro prisma, uma colossal derrota para o sr. Juncker.
3. Do que gostei "maijoumenos"? De pouca coisa, da canção belga, pessimamente cantada por uma rapariga que quase desmaiava de nervosismo, uma espécie de ersatz tardio de Enia. Da canção da Bulgária que tresandava a Dima Bilan, na linha do costume e da moda dos charts de sucesso durante 15 dias. Da italiana, surpreendente de alegria e de inteligente construção com um acessório macaco-humano que se tornava desnecessário. 
4. Amar pelos Dois, uma canção que no dia em que por cá venceu, me pareceu um disparate total. Fiquei naturalmente irritado, de imediato julguei-a mais um daqueles encartes de encomenda e "contrária, como foi, à vontade popular", algo bastante comum nesta Europa das oligarquias de esquerda e de direita. 

Porquê esta aversão? Porque os meus ouvidos entupidos estão habituados a compartilhar sensações com a vista e o que ali se viu não era nem sequer mediaticamente tragável. 

Não sabia porquê, mas o meu cunhado António Faria explicou e não fiquei lá muito convencido, pois pensava que se tratava de badalhoquice blasé a precisar de água e sabão. Enganei-me redondamente e fui obrigado a morder na língua, coisa dolorosamente frequente.

Umas semanas depois, no aniversário da minha mãe, sem dizer uma palavra ele ofereceu-me o CD promocional, com a canção vocalizada pelo Sobral* e a mesma composição apenas na versão instrumental, digamos, de karaoke. Adorei escutá-las, pois não vi a imagem de uns dias antes. Depois disso e até ao passado sabado, usei e abusei da prenda.

Não "aderi" à festa depois da vitória. 


A canção é simplesmente magnífica, faz-nos lembrar "qualquer coisa que já ouvimos antes"- o que a meu ver é óptimo -, não se sabe bem em que década, daí é intemporal, o aspecto que mais interessa. Aposto que o pataqueiro Andre Rieu não perderá a oportunidade de incluí-la num dos seus coloridos repertórios destinados a massas sonhadoras.

Amar pelos Dois será um sucesso e isto não ficará por 2017, arriscando-se muito a ombrear com o Waterloo, l'Amour est Bleu, Aprés Toi, Un banc, un arbre, une rue, Congratulations e sei lá eu o que mais. Tanto pior para os produtos salazaristas que por cá bem tentaram através de Simone d'Oliveira, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Tonicha (quase todos eles relativamente saídos da fornada Ary) e outros como o grande Cid, as estrambólicas Doce-que-estavam-muito-à-frente-do-seu-tempo, etc. 


O Salvador acertou em cheio e até na imagem melhorou muito, foi perfeito em Kiev.

Que catarse colectiva foi aquela chuva de doze, douze, twelve e por aí fora. Arrisco-me a dizer que para os que "nunca viram e não vendo, sorrateiramente veem sempre" o Festival da Eurovisão, foi uma noite semelhante àquela em que a S.N. venceu o Eurobola.


* A minha gata Kika é uma apreciadora de boa música, "flipa" quando ponho a tocar a Flauta Mágica de Mozart ou qualquer coisa do Carlos Seixas. Experimentei o disco do Sobral e… veio a correr para a beira do leitor de CD. A canção foi aprovada. Posso ouvi-la à vontade, estou por ela autorizado. 

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publicado às 22:19

De malware a pior

por John Wolf, em 15.05.17

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Sou da geração que leu Alvin Toffler, que assistiu ao advento da Macintosh e que viu nascer a internet. Sou da geração que ainda chegou a enviar telegramas e que achava o FAX uma maravilha tecnológica ímpar. E ainda sou de uma geração que enviava postais e colava o selo com cuspo a partir de um destino de férias. A digitalização do nosso mundo, na maior parte dos casos, não se limitou a limar o presente e a forjar o futuro. Não. As tecnologias de informação foram ao passado exterminar processos arcaicos, físicos. Há inúmeros métodos tradicionais que pura e simplesmente deixaram de existir. A Suécia, considerada a madrinha do modelo de organização social, foi ainda mais longe na senda dessa extravagância modernista e aproxima-se a passos largos da visão utópica - já é quase uma cashless society. As APPs é que estão a dar As notas monetárias e as moedas já se encontram nesse país nos cuidados intensivos, à beira da morte, em estado comatoso. Os malfeitores deste mundo, as organizações criminosas, apenas tiveram de esperar para ver onde se encontravam as fissuras informáticas dos sistemas de administração de organizações públicas ou entidades empresariais para fazerem provar do seu veneno. Os governos puseram-se a jeito. Os media que dão cobertura à epidemia de Malware e Ransomware, apenas recebem migalhas de informação respeitante aos pagamentos efectuados por administrações públicas a redes criminosas. O ataque cibernético da semana passada denominado Wannacry pôs de joelhos o NHS (National Health Service) do Reino Unido e impediu a realização de sessões de quimioterapia ou intervenções cirúrgicas, mas os media disseram que foi coisa pequena que envolveu pagamentos de apenas duas dezenas de milhar de libras. É este o estado em que nos encontramos. Estas sofisticadas organizações informáticas criminosas têm um plano meticuloso de assalto. Será apenas uma questão de tempo até que as revoluções políticas ocorram por asfixia operacional. Se uma qualquer Autoridade Tributária deste mundo for algemada por processos de Ransomware, a única coisa que têm a fazer é pagar. Se não o fizerem as receitas do Estado ficarão comprometidas. Tudo isto tem a configuração de um Matrix invertido ou de Marxismo revertido a favor de máfias planetárias intensamente capitalistas. Mas foi o que as sociedades quiseram, foi o que a cultura determinou. Embora rebuscado, arrancar as vinhas também contribuiu para este estado de arte de riqueza virtual, de meios de subsistência clean, sem terra debaixo das unhas para não envergonhar a geração seguinte formada na universidade e com diploma avançado em sofisticação. A modernidade que rebentou com a mercearia da Tia Alice e destronou o Alfredo dos biscates é a grande culpada. Corremos todos atrás da grande moda monetária, do Simplex. Mas o mal não reside no progresso. Os perigos residem na eliminação dos costumes monetários de troca directa, de pagamento em espécie, e  no valor de geometria variável que nos reduz todos a plástico. Não é só na música que faz falta o sentimento. Em tudo o resto fazem falta doses imensas de bom-senso.

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publicado às 12:07

Comfort food

por Nuno Gonçalo Poças, em 15.05.17

Os livros de auto-ajuda não se tornam um sucesso porque são objectivamente úteis. A livralhada romântica de cordel - dos Biancas e dos Sabrinas aos Chagas Freitas - não vendem porque são genialidades literárias. O trendy, o gourmet, o lifestyle não são o norte da bússola porque as pessoas estão mais delicadas ou sofisticadas. Estes fenómenos servem para nos satisfazermos social e psicologicamente. São a masturbação cool em formato de hambúrguer com rúcula que usámos para esquecer a crise. Mais do que os dados e os indicadores económicos, mais do que a realidade, o lado psicológico da crise foi, talvez, o que mais nos levou ao tapete. Não resultarão, ao que parece, como não resultam as fórmulas "ama-te", "acredita", "vence" ou "limpa o teu corpo". Não será por acaso que, ao mesmo tempo que começámos a beber gin copos com jardins botânicos lá dentro, aumentámos o consumo de anti-depressivos. Faltava-nos qualquer coisa. Primeiro, que se afastasse a nuvem negra dos "tempos difíceis". E isso fez-se com o optimismo pateta de Marcelo Rebelo de Sousa e com a falta de vergonha (nos jornais costuma ler-se "habilidade") de António Costa. Depois os números, mais ou menos sustentáveis, vieram. O défice baixava, o crescimento aguentava-se, as exportações subiam. E os sindicatos não faziam greve. O País estava em "paz social". Este fim-de-semana alguém partilhava uma imagem de Cavaco Silva e Passos Coelho que dizia "já repararam como tudo isto só aconteceu depois de eles terem ido embora?". Isto é absurdo, sim, mas explica tudo o resto. É "comfort food", como agora se diz. Depois da vitória no Europeu de futebol, continuámos sedentos de mais coisas que nos mobilizassem enquanto comunidade, enquanto tribo, enquanto povo; de coisas que nos fizessem disparar a adrenalina e a capacidade de nos comovermos. E o Papa veio a Portugal. Canonizou mais dois portugueses. O Benfica ganhou pela primeira vez quatro campeonatos seguidos. E Portugal ganhou pela primeira vez a Eurovisão. Falou-se em regresso ao Salazarismo e aos três F, como se os três F não fossem muito maiores que o Salazarismo. Como se não tivessem sobrevivido nas pessoas. Importa, na verdade, muito pouco que a dívida continue a crescer, que as contas públicas não sejam sustentáveis, que o Governo esteja a satisfazer todos os lóbis. Todos nós fazemos parte de um lóbi. Estamos todos satisfeitos. Vai correr mal, mas que se lixe. Agora estamos a mostrar que somos capazes de fazer coisas, como na bola. A vingar décadas de noites miseráveis de derrotas, como na Eurovisão. A ver num artigo qualquer num jornal estrangeiro o reconhecimento da nossa grandeza porque nos gabaram os pastéis e as esplanadas. Isto tudo pode ser um circo, se quiserem. Mas parece que o pão é razoável, chega perfeitamente. Podem vir os economistas explicar o contrário. Quem é que, nestes meses, nestes anos, parece querer ouvir falar em números, naquela linguagem que, na realidade, poucos percebem? Portugal está de férias há meses e foi sair à noite este fim-de-semana. Quem é que, no seu perfeito juízo, quer deixar de estar de férias? Como é que se cria uma alternativa às férias? Como é que se explica a alguém que tinha fome e está a comer que é bem capaz de vomitar daqui a pouco? Não se explica. Perceber este fim-de-semana é perceber que a oposição, em Portugal, também está a precisar de ganhar um torneio qualquer, sob pena de ser expulsa do campeonato.

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publicado às 11:27

Deixem Fátima em paz

por Nuno Gonçalo Poças, em 13.05.17

Tinha cerca de oito anos quando fui pela primeira vez a Fátima, com um grupo de catequese, a bordo de um autocarro, com uma mochila cheia de comida e algum dinheiro para recordações. Não trouxe de lá nada de relevante, excepto as recordações que era suposto trazer. Depois disso, fui a Fátima praticamente todos os anos, e de lá já não trazia nem lembranças. A adolescência é a adolescência: a idade em que se acredita em tudo, ou em que não se acredita em nada. Eu preferi a segunda. Lembro-me de, ainda criança, me emocionar na missa. De olhar para o Cristo crucificado e ver Nele o homem que tinha morrido por todos nós – incluindo por mim. Com a adolescência, além de ter perdido a capacidade de me emocionar na missa, perdi a esperança na Igreja, em Deus, nos homens. Não sei se não cheguei a perder a esperança em mim, ao contrário do Cristo crucificado que anos antes me fazia chorar. Não me sinto menos católico por isto. Por ter duvidado, por ter sido herege, por ter pecado inúmeras vezes, por não querer saber. Voltei a abrir o coração para Deus, arrependi-me e, em consequência da minha natureza humana, continuei a pecar e a arrepender-me. Ao longo de todos estes anos nunca deixei de olhar com curiosidade e admiração para os peregrinos de Fátima, para todos aqueles que, de joelhos, rezavam à volta da Capelinha das Aparições, dando voltas sem cessar. Hoje volto a vê-los com os meus olhos. Os olhos de quem peca, de quem sofre, de quem tem esperança, de quem tem fé. Os olhos de quem não está sozinho. Haverá muitos motivos que levam as pessoas a Fátima. Haverá até muitos motivos que levam as pessoas a ter fé. Ou muitas razões que levam as pessoas a gostar do Papa Francisco. Há quem olhe para Nossa Senhora, para Cristo, para Deus, como uma superstição, uma fezada. Há, de certeza, muito desespero e uma grande necessidade de sentir que não se está sozinho. Através de Maria chegamos a Cristo; no silêncio do Santuário está também o silêncio de Deus que acompanha quem ali vai. Nestes dias, tenho notado nas elites urbanas algum incómodo com as celebrações do centenário das aparições. A esquerda ateia, claro, não as tolera porque não tolera nada. A direita ateia também não gosta porque vê nas celebrações o comunitarismo e a solidariedade que o seu egocentrismo e o seu individualismo desprezam – e a emoção e a espiritualidade que acham perfeitamente substituível por dinheiro, procurando socialismo em tudo o que não percebe. E alguma direita beata – cheia de jejuns e missas e nojo por quem não tem vinte valores no quadro de honra da perfeição moral – não perde tempo a criticar tudo o que tem envolvido as celebrações porque tem a raiva ao Papa Francisco que os fariseus tinham a Cristo. Os portugueses, ricos ou pobres, mais ou menos instruídos, estão em Fátima, física ou espiritualmente. Estão a emocionar-se juntos, a dar as mãos, a arrepender-se. Com a consciência de que todos somos pecadores, lado a lado com um Papa que nos acolhe a todos sem distinção. Cem anos depois, Fátima resiste: não por causa das lembranças que de lá trouxe um dia, mas porque eu, e muitos, a temos no coração. Deixem-nos em paz.

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publicado às 12:15

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Numa livraria perto de si.

LX vinte e oito - uma chancela da Livros Horizonte

Em directo na TVI24, domingo dia 14, pelas 14h.

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publicado às 12:13

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