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Poupança portuguesa

por John Wolf, em 23.06.17

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Tenho autorização para regressar à economia real? Se sim, então tomem nota do seguinte: "a poupança das famílias recuou para 3,8% do rendimento disponível no primeiro trimestre de 2017, marcando assim o valor mais baixo da série que teve início há 18 anos". Significa isto que os portugueses pouco aprenderam e que acreditam no conto do vigário. Somem a este vector o outro - o nível de dívida pública acima dos 130% do PIB e temos o cocktail perfeito para deflagrar mais um descalabro, um semelhante àquele de 2011. Nem mesmo as sucessivas tragédias incendiárias ensinam grande coisa. O comportamento colectivo é unamunaniano, suicida. A expressão saving for a rainy day não se aplica ao continente ou às regiões autónomas. Não sei qual a medida portuguesa, e não sei se a família-tipo tem reservas equivalentes a 6 salários ou se prefere ir de férias e logo se vê. Os partidos que formam o governo de Portugal não parecem ligar muito a estas leituras estatísticas. E existe uma explicação para isso - replicam os comportamentos individuais. Vivem para além das possibilidades. Nem acima nem abaixo. Vivem noutro universo desprovido de responsabilidade moral. A dívida e a falta de poupança são dissabores que ardem sem se ver. E eles querem que assim seja, que não sejam vistos ou revistos.

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publicado às 20:35

Os Homens-Elefante

por Fernando Melro dos Santos, em 23.06.17

Em comunicado, o Conselho de Ministros, que é o nome pomposo dado nesta Nicarágua sub-europeia a uma das infindas tocas onde se acoitam assassinos e mafiosos, récuas de chulos, e demais índios do abrilinho mamão, lança sobre donativos solidários - as peles que restavam a quem o fisco já espoliou na sanha eterna de alimentar o meta-Estado a perdiz e conhaque - as unhas famintas já emporcalhadas de tanto esgravatar.

 

Não parece haver limites para a prepotência, justificadíssima aliás pela passividade sodomita do contribuinte ora negador diário da sua natureza cobarde e amorfa. Esta gente, que não presta e cheira àquilo a que cheira o tipo de gente cuja sujidade não sai com sabão nem a rasquice com escola, desconhece quaisquer princípios de dever, rigor, honestidade e lucidez. 

 

Pior: vai tudo passar em claro. Pior ainda: ninguém quer saber se há mentira, dolo e compadrio por cima das 64 campas, e no dia em que vierem a ser 640 ou 64000 a merda será a mesma.

 

Ide foder-vos enquanto Rocha Andrade, o Leitão Fiscal, não se lembra de taxar o uso do expletivo pelo conforto mental que propicia ao utente, à falta de oportunidade para passar a ferro, em veículo de bom aço alemão ou japonês, todas as ratazanas que se pavoneiam impunes no seio de um país tornado oficialmente caso clínico sem precedentes no planeta.

 

 

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publicado às 12:53

Servidão Humana

por Fernando Melro dos Santos, em 22.06.17

Dando conta de mais um camarada mártir às mãos do Estado-sarcófago, mais não posso fazer do que abstrair-me dos capítulos correntes nesta ópera distópica e regressar, um pouco, ao passado.

 

Corria a década de 1990. António Guterres, uma nulidade processual biológica, assumira as rédeas da carroça macabra que já era o Portugal de então, mal descolonizado de si mesmo entre as heranças da inquisição, do índex, da filoxera, do Estado Pai, dos kolkhozes em Alcochete e finalmente, em auge dourado como o da pintada Danae, da teta farta e sudibunda germinada em Bruxelas.

 

Desde então, o arquétipo do aluno luso passou a avatarizar, entre inúmeras outras, as seguintes máculas indiciárias:

 

- obter 11 como resultado da divisão de 200 por 20

- não perceber a utilização do hífen ("ah fodasse!", a exemplo)

- inabilidade de definir um rectângulo sem desenhar uma variante do mesmo

- desinteresse e/ou desconexão com a realidade laboral e financeira do meio

- erros grosseiros de paralaxe ao tentar ler uma notícia 

- "attention span" de dez minutos

- correlação negativa, até à terceira derivada, com os valores que criaram a sociedade que o criou

- alcoolismo, depressão, e dissonância cognitiva

- software mental assente, com cofragem adamantina, sobre o relativismo absoluto e a negação da adversidade

- episodios frequentes de desconexao, à espera de instruções de uma casa-mãe em Andrómeda

 

Qualquer adulto nascido antes de 1976 (eu nasci em '71)  sendo ou nao progenitor de uma prole, tendo ou nao lido Gramsci, amargando a côdea rija dos justos ou demitindo-se desta merda toda, saberá que a raiz mais seminal de toda a lassidão que ainda grassa é o sistema de ensino.

 

Restando apurar se houve intento, deriva doutrinal ou estupidez pura na amorfização de três gerações, facto é que perante uma tragédia da qual só pode ser dito: foi um assassinato em massa por negligência grosseira, a indiferença e a anomia dos jovens - mais gritante e grotesca agora do que, a exemplo, quando se demitem do voto - conubiada com a aceleração do desastre demográfico (reparem que nao falo da perda de população, e sim da intensidade com que aumenta a mesma, coisas bem diferentes para um estatístico) - no entanto nao camufla verdades simples que são inegáveis e públicas.

 

Maria de Lurdes Rodrigues anda aí e escreve num jornal. Ferro Rodrigues anda aí e viaja à Ásia Menor. Armando Vara anda aí. António Guterres é líder, passe o termo, da ONU. Portugal tem aos comandos da coisa fisco-social dois sicários da ignorância, sendo que um é torpe da mente e o outro um perigo ambulante movido a cobiça, que acaso estivessem na América, com mísseis ao seu alcance, e seria de orar aos deuses por uma catástrofe geológica global que os comesse. 

 

Bom, já nem sei onde ia. Às páginas tantas uma pessoa tem de cozinhar para comer, e de comer para viver. Se alguém estiver aí a ouvir, que diga qualquer coisa. Eu por mim acho que demitir a ministra resolve zero ou nada, mas que demitir do exercício cardíaco a classe política, numa catarse que só Goya saberia registar para a museologia futura, é que era de gente.

 

Abraços. Tentem não ter muito nojo ao espelho. Digo eu.

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publicado às 19:36

Rescaldo

por Fernando Melro dos Santos, em 22.06.17

Absolutamente inacreditável a quantidade de tontinhos - e/ou sanguessugas circunstanciais do erário - em negação, incapazes de perceber que nem o seu voto alguma vez valeu coisa alguma, nem a sua conivência com os sevandijas no poder era, afinal, tão inócua quanto julgavam. 

 

É que uma coisa são furtos, e outra assassinatos. E ao contrário dos nascituros chacinados desde 2007, agora o faz-de-conta é menos viável, porque morreu gente em tão atrozes mortes, morta de incúria e de desprezo, tão à vista do mundo que nos paga o pão, que o ranço do medo finalmente chegou às cabecinhas do povo.

 

As ervas daninhas são como o animal-totem deste país delicodoce e cálido, a ubíqua mosca varejeira. Devem ser arrancadas uma a uma, desde a funda terra onde se guardam à espera da sombra, para que algo saudável cresça.

 

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publicado às 14:16

Breviário de um sorriso imutável

por Fernando Melro dos Santos, em 21.06.17

Setembro de 2014:

 

 

Outubro de 2014:

 

 

Novembro de 2014.

 

Dezembro de 2014:

 

 

Abril de 2015:

 

 

Agosto de 2016:

 

 

 

Outubro de 2016.

 

Novembro de 2016.

 

Janeiro de 2017:

 

 

Junho de 2017:

 

 

 

 

 

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publicado às 19:16

Astérix e os Castrados

por Fernando Melro dos Santos, em 21.06.17

Se bem entendi,

 

- antes de ter caído um raio sobre árvore já identificada e constituída arguida, ficando sujeita a termo de identidade e residência, o IPMA removeu do seu site todas as informações acerca da queda de raios

 

- alguém disse à GNR para enviar quarenta e sete pessoas por um carreiro esburacado que ardia bem alto

 

- derreteu uma torre da PT adjudicada por contrato devidamente repleto de salvaguardas cuja eliminação impediu a GNR de perceber que estava a receber indicações conducentes ao perigo publico

 

- morreu gente, e depois foi morrendo mais gente

 

- o cabeçudo carnavalesco que 90% dos portugueses, ora material combustível, puseram em Belém pelas suas qualidades humano-afectivas e destreza na linguagem gestual enquanto comentador televisivo, chegou ao teatro de operações sem saber o que se passava mas lesto bramiu umas inanidades acerca do dispositivo de emergencia, em seu tempo implementado a peso de ouro com tentacular distribuicao de rendas

 

- o anormal que lhe sucede como segunda figura de um Estado que só a povos sadomasoquistas pode agradar veio entretanto encher os écrans, pajeado pelo sequito mediatico dependurado na tríade Proença-Balsemão-Amaral, bolçando igual dose de vácuo quântico

 

- os bombeiros ficaram sem agua, mal grado o esforço de uma pequena percentagem da população (escriba incluído) que lha levou durante horas a fio, mas a senhora ministra do gin e da noite declarou que havia falta de armazéns e como tal as doacoes deveriam ser suspendidas

 

- a mesma ministra impediu um comboio humanitario galego de vir em socorro dos nossos soldados no terreno

 

- a mesma ministra foi incapaz de exprimir-se em português coerente mesmo em ambiente controlado pelos media

 

- os mortos começaram a ser levados numa carrinha de congelados alimentares porque a viatura (uma?) da ANPC avariou

 

- durante horas nao se percebeu se caíra um avião, explodira uma roulotte ou algo mais grave sucedera

 

- ferro rodrigues, a partir da Asia Menor, disse que estava muito condoído com a morte alheia, e disse-o sem se cagar para o facto de ser escutado pelo país

 

- vem a saber-se que ha planos, estudos, ideias, e se calhar contratos ja prontos para o reordenamento territorial, o relançar do carvalho, a ecologia mais-que-verde, e as novíssimas oportunidades, a cuja concretizacao nao basta a "pipa de massa" que o Cherne a soldo da Goldman conseguiu sacar aos contribuintes europeus para o Portugal 2020, aguardando-se nomeação do mendigo oficial a enviar a Bruxelas

 

- Guterres está demasiado ocupado a banhos

 

- os lunáticos marxistas, passe a redundancia, que colocaram o Partido do Crime de volta no executivo estão mais calados agora, por impossivel que possa parecer, do que quando Maduro começou a mandar abater pessoas nas ruas de Caracas

 

- afinal o raio foi enviado por mao criminosa, e supoe-se que o inspector da PJ que identificou a arvore causal esteja agora a galgar os ceus no encalço de Zeus, Thor ou outra divindade afiliada com coriscos marginais que possa estar por detrás da ocorrencia

 

- isto tudo decorre num ambiente festivo, com aldeias, vilas, cidades e espaços turisticos num abandono lascivo perfeitamente hondurenho, e nao se vislumbra sequer um aroma de que alguém, seja por raiva, dor, indignação ou hombridade, queira assacar directamente responsabilidades aos responsáveis

 

- vós continuais a achar que viveis na Europa, mesmo após tornar-se claro que de Europeus só tendes a mania

 

Percebi bem?

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publicado às 13:46

Velhas oportunidades

por Fernando Melro dos Santos, em 21.06.17

O meu canalizador é bom canalizador, mas é confrangedoramente néscio em hidraulica, termodinamica, e ate electricidade.


Ora isto é preocupante porque, por exemplo, ele nao percebe que se purgar o ar de um circuito solar abrindo a valvula da bomba enquanto esta gira, de facto o ar sai mas a rotacao cria uma ligeira conveccao que suga mais ar la para dentro, embora em quantidade menor do que aquela que sai.


Sucessivos governos, conhecendo a abominacao europeia à falta de qualificacoes, * tentaram com sucesso extorquir dinheiro aos paises civilizados para supostamente sanar a maleita.


O dinheiro foi estoirado em putas, vinho verde, sinecuras sociais, rotundas baptizadas segundo ditadores latinos, logotipos, estudos, e toda a sorte de injeccoes hiponeuronais administradas via powerpoint, e as deficiencias de base mantiveram-se.


Entao sucessivos governos apostaram nas requalificacoes profissionais, e voltamos ao ponto assinalado com *.


Quando finalmente começaram a morrer pessoas assadas no mato devido ao efeito borboleta e à maldita lei das consequencias inesperadas, foi convocado um conselho de estado para que os governos vindouros, em vez de recorrerem no erro, passassem a ter uma base legislativa sobre a qual voltar, desta vez com preceito e rigor, ao ponto assinalado com *.

 

O eleitorado gostou muito da forma simpatica e humana com que o ultimo rei da escocia presidente da republica geriu a crise, e votou em peso no sufragio seguinte, mostrando assim ao mundo a sensatez de portugal enquanto destino turistico de excelencia.

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publicado às 12:58

O que importa perguntar

por Samuel de Paiva Pires, em 21.06.17

Rui Ramos, "Um país entregue à sua sorte":

 

Não, não é a altura para discutir a limpeza das matas e das bermas da estrada, a desertificação do interior, a propriedade rural, o aquecimento global e a relação dos seres humanos com a natureza. Tudo isso são temas muito interessantes, mas desta vez temos de resistir à mania nacional de fazer derivar as conversas. Neste momento, há apenas uma questão relevante: o Estado tem um sistema de protecção civil, e esse sistema falhou tragicamente. Porquê? A “natureza” e os “problemas estruturais”, como o mitológico ordenamento do território, não ilibam o sistema, porque a protecção civil existe para defender as populações nas condições existentes, mesmo quando tudo é “muito rápido”, e não apenas em condições ideais, como fossem aquelas em que o país se tivesse desenvolvido de outra maneira ou a progressão dos fogos fosse sempre muito lenta.

 

(...).

 

Os oligarcas não querem que se “faça política” com a tragédia. Mas se não “fizermos política” com a morte evitável de 64 pessoas, para que serve então a política? Só para festejar vitórias no Festival da Canção? A oligarquia convenceu-se recentemente de que a política são uns abraços. Mas a política não devia ser um programa televisivo da manhã, mas o debate sobre o estado de um país onde desta vez faltou a sorte que houve noutras ocasiões. Porque com esta oligarquia política, só a sorte nos pode valer.

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publicado às 12:10

A quem andamos entregues

por Fernando Melro dos Santos, em 21.06.17

Na página mantida pelo Governo que nos governa governando-se a si muitíssimo bem, pode ser visto entre diversos crominhos o perfil de José Mendes, secretário de estado adjunto e do ambiente - cargo neste post descrito em minúsculas, ao abrigo do acordo ortográfico que celebrei unilateralmente com a sociedade, como é meu direito enquanto minoria mínima individual. 

 

Quem é José Mendes? O que faz?

 

Vejamos. 

 

Licenciado em Engenharia Civil, Doutorado e Agregado em Planeamento do Território pela Universidade do Minho.

 

Uma licenciatura popular, não confundir com populista, já escolhida por José Sócrates. É uma boa credencial, sobretudo se olharmos para a incandescente evolução no planeamento do território desde que este governo tomou posse.

 

É professor catedrático de Sistemas Regionais e Urbanos na Universidade do Minho, onde ocupou entre 2009 e 2015 o cargo de Vice-Reitor para a Valorização do Conhecimento.

 

Ficamos a saber que nas Universidades há estruturas inteiras, como tachos em Matrioshka, que se dedicam a valorizar aquilo que supostamente lá seria valorizado por definicão. Um pouco como ter dez pessoas numa reparticão de finanças dedicadas a valorizar o fisco. Na URSS havia o Ministério dos Ministérios, portugal tem conhecedores do conhecimento.

 

 

Sigamos para o próximo pilar nos alicerces deste vulto.

 

Fundou a plataforma UM-Cidades e era até 2015 Presidente do Conselho de Administração da AvePark Parque de Ciência e Tecnologia S.A, e Presidente da Direção da Associação Universidade-Empresa TecMinho. Integrou o Conselho de Fundadores da Fundação de Serralves.

 

Aqui temos de ir por partes. A plataforma UM-Cidades é, à primeira vista, mais uma víscera tentacular consanguínea agregada, passe o trocadilho, ao aparelho do meta-estado. Isto é, uma instituição que foi criada para fazer face à criação de novas instituições:

 

 

Já a AvePark é a janela para toda uma nova escala na apreensão do admirável mundo socialista. Inserida num hiper-novelo de clusters, incubadoras e centrifugadoras de embriões-empresa, nasceu em 2004 e desde então está sólida como a república e como os belos, modernos, limpos e sobretudo fresquinhos edifícios que compõem o campus onde se ergue intocada pela Natureza.

 

 

 

Noutro post, a publicar em breve, abordaremos em profundidade as demais entidades referenciadas no site cujo frontispício se reproduz acima; por ora, mantenhamo-nos focados no caso em apreço. Note-se apenas um pormenor delicioso: em portugal não basta haver cientistas que façam pesquisa em medicina regenerativa - tem de haver um Instituto para a Excelência na Medicina Regenerativa. É fácil daqui extrapolar, ou seja fazer contas de cabeça, acerca do custo em eurinhos e da quantidade de votos associados à proliferação de institutos. Imagino, sem grande esforço, que não baste também a existência da autoridade tributária sem que esteja para surgir brevemente o instituto para a excelência nas cobranças coercivas; o SpinPark do IMI; a incubadora de base administrativa para as conservatórias do registo predial. É admiravel, Mendes.

 

Entretanto, até ter vindo integrar o executivo, fora presidente da TecMinho. Mais uma captura de imagem auto-explicativa que, espero, o leitor consiga interpretar sem que tenhamos de fundar o Instituto Incubador para a Excelência das Capturas de Imagem.

 

 

 

Como destaques assim en passant, creio serem de indefectível interesse a existência de uma Clínica de Negócios e de um sub-sub-sub-organismo dedicado à transferência de tecnologia. Cada tacho, seu testo, ja dizia a minha avó antes de a casa lhe ter ardido forçando-a ao uso de energias mais limpas e de um cluster de panelas amigas do ambiente.

 

Que mais, vejamos. Ah, claro, possui experiência a nível europeu. Esteve na EACEA, que é uma das incontáveis colónias bacterianas dentro do labirinto kafkiano parido em Bruxelas. Do site respectivo, percebe-se a imprescindibilidade da coisa:

 

Which programmes are managed by the Agency?

On the 1 January 2014, a new set of EU funding programmes for education, training, youth, sport, audiovisual, culture, EU aid volunteers and citizenship has been launched.

Creative Europe

The new programme Creative Europe replaces the MEDIA, MEDIA Mundus and Culture programmes.

Erasmus+

The new Erasmus+  replaces seven previous programmes with one:

  • Lifelong Learning Programme (Erasmus, Leonardo da Vinci, Comenius and Grundtvig)
  • Youth in Action
  • Erasmus Mundus
  • Tempus
  • Alfa
  • Edulink
  • Programme for cooperation with industrialised countries

The Agency is also responsible for the management of the Eurydice Network which provides analysis and comparable data on education systems and policies in Europe.

Erasmus+ also includes actions in the field of sport.

Europe for Citizens

The new Europe for Citizens programme is the continuation of the previous programme.

EU Aid Volunteers

The EU Aid Volunteers initiative will bring volunteers and organisations from different countries to work together in common projects

Programming period 2007-2013

During a transition period the Agency will manage projects selected during the 2007 – 2013 funding  programmes, in parallel with those selected under the 2014-2020 programmes.

Organisational set up

The agency is composed of 10 operational units and 3 horizontal units.

Visiting the EACEA

Visits can be organised for groups interested in general information about the Executive Agency and the programmes we manage.

 

Já estão a ver mais ou menos a correlação entre a teia monstruosa da UE, um nascimento em Braga nos idos de 62 quando se andava descalço por causa de Salazar, e o percurso do Zé, a guita que sacou ao contribuinte, e a sua competência para o desempenho do cargo onde o labrego do PM o enfiou? Eu estou. Agora multipliquem por um numero arbitrário qualquer, tipo 144 secretarias e gabinetes, e depois por 27 países. Finalmente, apliquem um factor de 100x por conta das unidades operacionais, horizontais, verticais, cervicais e pós-fúnebres a que o progresso social obriga. É assim que nascem os concursos públicos. 

 

Dali o nosso herói passa para a NERC, outro bracinho da Besta cuja apresentação diz tudo:

 

 

É simples. "Find money for your education". Mais simples do que delinear esta missão, só mesmo cumpri-la. Em portugal chama-se IRS, mas também podia chamar-se taxa de atmosfera ou direito aduaneiro de passagem aeróbica. O cientista, pode ler-se no preâmbulo à descrição, so tem que focar-se na sua pesquisa sem ter de preocupar-se com esse fardo medieval que é a obtenção de trabalho para custear aquela. E o Zé fez parte deste esforço colectivo em prol da aprendizagem ao longo de vidas inteiras. Nisto é notório o atraso de portugal que ainda só atribui casas e carros, nao rendimentos perpétuos, àqueles cujo valor social nao pode compadecer-se com o peso de um trabalho que lhes dê rendimento necessario para pagarem as suas despesas. Estou orgulhoso do meu governante.

 

A culminar um bolo que já vai bem fermentado, 

 

Entre 2014 e 2015 presidiu à Assembleia Geral da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

 

papel crucial para a ligação e transferência de saberes entre sectores estruturais no tecido eleitoral português, e

 

É autor de dezenas de estudos e projetos na área dos sistemas urbanos e regionais.

 

único ponto menos forte na granítica cronologia deste ser que por nós vela tão abnegadamente quanto os demais nomeados, porque até o meu vizinho, reformado da estiva, produz quotidianamente dezenas de estudos nesta área onde vivemos, que está cheia de sistemas urbanos e regionais.

 

Concluo, para que nao se tenha a tentação de circunscrever a obra do senhor secretário aos planos teórico, burocrático e transferidor de fundos, com a sua mais recente intervenção nas redes sociais, enquanto mandatário para a observação das boas práticas no respeitinho à narrativa oficial do governo:

 

 

E pronto, a caravana segue, desviada rumo ao carreiro que às autoridades parecer mais seguro face às condições atmosféricas e florestais. 

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publicado às 08:11

Mar de Chamas (XI)

por Fernando Melro dos Santos, em 20.06.17

A ministra, de boca ao lado como se tivesse tido um AVC com eclosão no fígado esburacado de gin e noitadas, prostitui umas lascas do erário numa entrevista que um alien, caso tivesse de analisar a partir de órbita, situaria na Nicarágua ou igual tugúrio. 

A mesma ministra diz que não queremos mais águas por não haver onde as armazenar, à revelia da realidade (uma e só uma, não necessariamente aquela onde vivem, à data deste post, os milhões de eleitores que se escondem, camuflados como infantes pueris, atrás de dez dedos) enquanto quarenta aldeias são evacuadas, bombeiros se revezam e aviões se despenham. 

Entretanto o Secretário de Estado incumbido de gerir o horror foge à frente das chamas, como uma lebre obesa e artrítica, reaparecendo minutos depois dizendo aos repórteres - se fossem cotonetes com orelhas o efeito seria o mesmo - que não fugira, apenas mudara de local, sem que uma alminha se ria ou arrase o gebo em directo.

Que desperdício nunca um primeiro-ministro ter vendido, sem limite nem tecto, os direitos de filmagem em território luso a uma companhia qualquer Coreana, ou Japonesa, que cá viesse realizar reality shows da gama hardcore. Esta merda não se inventa, este povo nem com engenharia genética. É impossível.

Entretanto foram evacuadas quarenta aldeias, não se põe de parte que cidades (europeias!, meninos, daquelas onde se criam ninhos, incubadoras e luras de startups; centros de interpretação; núcleos e metanúcleos; as maiores rotundas perfumadas do planeta, etc.) venham ainda esta noite a conhecer a língua das labaredas. 

O abraçador de serviço flectiu o escroto esgotadas as prestidigitações. Dos marxistas lunáticos nem pio. Com base nos "buracos" de informação do IPMA, da ANPC e dos media, é bom de extrapolar que venhamos a carpir centenas, nao dezenas, de mortos - isto para já, agora, tal como as coisas se encontram. 

Diz que não basta, que no tempo do Salazar andávamos descalços e com medo, sem dinheiro para pão e que nenhum jornal podia denunciar a verdade.

Evoluímos para caralho em quarenta e três anos, estoirado o dinheiro dos nossos, dos outros e de quem sequer está por nascer. 

Continuem, pois, a ignorar briosamente as culpas de quem achou (é isso, aí mesmo, no espelho, isso, isso, nao se mexa, isso, mais um bocadinho para a esquerda, pronto, perfeito) que a factura nunca viria. 

E sobretudo, como instou o ilustre Costa há instantes, sigam à risca as indicações das autoridades. 

Quando queimar ele avisa. 

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publicado às 18:31

Mar de Chamas (X)

por Fernando Melro dos Santos, em 20.06.17

Não deixamos entrar galegos e fazemos tombar espanhóis.

 

Oh Tadeu, vai comer merda que acordaste hoje .

 

Aguarda-se a qualquer momento o show lésbico entre Judite de Sousa e Fátima Campos Ferreira, seguido da cerimónia de abertura de dez petições públicas e uma linha de valor acrescentado, solidariamente com as novas vítimas a quem Marcelo, por estar algures na Mongólia Inferior, não pode abraçar.

 

Árvore plantada por Antonio Costa em 21 de Março já se manifestou: o raio quando cai é para todos.

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publicado às 17:16

Mar de Chamas (IX)

por Fernando Melro dos Santos, em 20.06.17

 

Caíu um raio em Valença.

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publicado às 16:44

Mar de Chamas (VIII)

por Fernando Melro dos Santos, em 20.06.17

Under a government which imprisons any unjustly, the true place for a just man is also a prison.

-Henry David Thoreau

 

 

Para o mal e para o bem, se houver Juiz que julgue olhando para os pratos da balança que me norteou a vida, a única certeza é a de nunca ter alterado a norma de aferição: sempre fiz aquilo que, individual e livremente, me pareceu o correcto. Refiro-me ao absolutamente correcto, ao Bem, àquilo que é devido fazer mesmo que, amiúde, tais actos não me tragam quaisquer benefícios ou possam, até, prover contra o meu bem estar.

Desde que seja, no exercício da adequação entre as minhas faculdades intelectuais e emotivas, aquilo que se afigura como certo, então faz-se.

Em que benefícios cessantes ou perdas directas incorre quem assim procede, num país como Portugal onde esta conduta é tida por alienígena e remetida para a gafanha social dos loucos mal inseridos? É breve a lista.

A família, de memória curta, já esqueceu o significado do luto imposto pela Nação e agita-se afoita a participar em festarolas de aldeia quando se chora a miséria estagnante de 64 mortos à mão da canga soviética que grassa há 43 anos. Recusar a imersão no banquete é, pois, de pária.

As entidades empregadoras, enquanto as houve, de sanha mantida à legua apenas por desempenhos profissionais e académicos sempre acima da bitola maior, abespinharam-se de nojo, baba, e horror perante a constatação de haver quem as suplante sem querer pertença nos lobbies apícolas onde viceja toda a sorte de corrupção - da senha diesel ao contacto da amiga mamalhuda, do contrato futuro até ao borrego Pascal. É de pária igualmente triunfar no mundo do lucro sem nunca ter dado o cu à camisola. 

Voluntariado? Quem não vos conhecer, que vos compre. As pessoas não são todas iguais, e como bem há dias desabafava uma amiga, onde houver mão autárquica haverá um esbirro a minar por dentro a mais paladinesca das corporações. Tanto pária que rumou de volta ao deserto após tentar abrir os poros ao chamamento do voluntariado.

Hoje a ministra Urbana deu uma entrevista aviltante, digna das obras distópicas mais surrealistas que todas as artes já produziram. E a concurso público, como todos os dias de todas as semanas de todos os meses, se veio distribuir à tripa-forra o dinheiro mendigado à parte adulta do Velho Mundo, onde é incogitável morrerem Rodrigos, bombeiros Brunos e Donas Marias sem que uma figurinha, um só cromo dos que pastoreiam a turba medonha de eleitores mentecaptos, venha dar-se em negrume, dor e ressarcimento genuínos.

Olhem, ide todos para o caralho. Sonho com o dia em que algum velho, carcomido e à beira de exalar o último bolçar do tumor geográfico, empale o Primeiro-Ministro (quem quer que seja) e seus sequazes num pau de oliveira ainda bem quente, afiado como dardo olímpico. 

 

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publicado às 12:03

SIRESPonsáveis

por John Wolf, em 20.06.17

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Os promotores do magistério intocável do luto podem transmitir às famílias das vítimas que o sistema de comunicações SIRESP provavelmente falhou e que alegadamente resultou na morte trágica dos seus parentes. Não existe árvore criminosa nem trovoada delinquente que possa ilibar a responsabilidade de políticos desprovidos de sentido ético. O luto, interpretado por todos menos os próprios inflamados, deixou de ser de pesar. O luto é indignação. O luto é raiva. O luto é exigir responsabilidades. O luto é pedir demissões. O luto não é um alibi para encapotar as verdades. O luto não é atribuir a culpa à natureza feroz. O luto não é silenciar aqueles que defendem a reserva natural da verdade e respectivas consequências. Não querem assumir a SIRESPonsabilidade? Deveriam ter vergonha na cara. Todos eles. Os governantes do passado, do presente e provavelmente do dia de amanhã. Em vez disso colocam paninhos quentes no eucalipto queimado.

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publicado às 09:28

Como ajudar os bombeiros neste momento (2)

por Samuel de Paiva Pires, em 19.06.17

Haverá certamente que apurar responsabilidades, debater estratégias e actuar no sentido de melhorar o dispositivo de prevenção e combate aos fogos. Até lá, é ajudar os bombeiros que estão no terreno e as populações afectadas por este flagelo. Entre as várias louváveis iniciativas, destaco a da Uber, que permite utilizar a aplicação para solicitar gratuitamente recolhas de donativos como água e bens não perecíveis.

 

Entretanto, para os que estão em Lisboa, podem entregar soro fisiológico (unidoses), compressas, ligaduras e adesivos, a qualquer hora do dia e da noite, no quartel dos Bombeiros Voluntários de Lisboa, no Largo Barão de Quintela.

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publicado às 16:21

Mar de Chamas (VII)

por Fernando Melro dos Santos, em 19.06.17

Jorge de Almeida Bernardo:

 

" ... Mas reforço a minha indignação e revolta pelo ocorrido face a pelo menos três factos registados ontem no incêndio de Pedrogão e que revelam uma total incompetência e falha de atuação da cadeia de comando de ataque ao fogo, a começar pela própria Ministra da AI que é de facto um erro de casting :

 

A ) quando foram dados os primeiros alertas por telemóvel pelas 14H para o 112 de que havia duas aldeias do Concelho de Pedrógão cercadas de chamas e que se tinha formado já uma “ onda de choque térmico “, todas as redes de telemóvel estavam a funcionar e as chamadas terão certamente ficado gravadas . Mas, nenhum bombeiro lá foi, e numa das aldeias só lá foram esta manhã quando já tinham morrido carbonizadas 11 pessoas !!!

 

B ) Entre as 14 e as 19H de sábado, apesar de terem sido feitas muitas outras chamadas angustiadas para o 112 de pessoas encurraladas aparentemente ninguém na cadeia de comando mobilizou os recursos de combate que as circunstancias exigiam, nem ninguém declarou um alerta / mobilização distrital . Como qualquer pessoa que saiba minimamente de combustão de biomassa florestal um fogo destes tem que ser combatido com auto tanques de água pressurizada durante a primeira hora após o inicio da deflagração !!!

 

C ) As Famílias que saíram da praia fluvial de Castanheira de Pêra foram aconselhadas pelas autoridades para irem pela Estrada Nacional diretos ao IC8 porque era o caminho mais seguro, evitando assim as estradas secundárias !!! Só que não estava ninguém na Estrada Nacional ( !!! ) nem sequer no nó de ligação ao IC8 para assegurar a segurança dessas Famílias . Nem da GNR, nem dos Bombeiros, nem da Proteção Civil . Nem muito menos os militares que só foram chamados ao teatro de operações hoje, ao fim da tarde, quando já toda a região já estava envolta num inferno de fogo, que ainda prossegue !!! E por isso, Mães morreram carbonizadas com Filhos de 4 anos ao colo !!! E isto numa Estrada Nacional a 100 metros da IC8 no Centro de Portugal, que tem um Estado tentacular que consome mais de 50 % do PIB !!! É mau de mais e já não é sem tempo que perante a dimensão da tragédia e da incompetência demonstrada alguém assuma as suas responsabilidades !!! … É que para se ser Ministra da AI é fundamental ser-se um homem, neste caso uma mulher, de ação que saiba tomar decisões rápidas e em tempo útil, tanto mais que o IPMA tinha emitido atempadamente um Alerta Vermelho !!! É que passadas 5 horas após a formação “ onda de choque térmico “ é só correr atrás da tragédia, como desgraçadamente estamos a assistir !!!... Saudações revoltadas e enlutadas ... "

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publicado às 15:55

Mar de Chamas (VI)

por Fernando Melro dos Santos, em 18.06.17

Uma população que deixa políticos jantarem como nababos quando bombeiros imploram por ÁGUA, senhores, água, não é povo, não é gente nem é coisa alguma. Corja de cobardes vendidos ao migalhismo, capados pela espinha, putas hedonistas e amaldiçoadas de um inferno amoral.

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publicado às 21:40

Mar de Chamas (V)

por Fernando Melro dos Santos, em 18.06.17

eu já estou em casa, mas os bombeiros ainda não. haverá sempre bombeiros que nunca estarão em casa, quer seja o contingente oriundo de Torres que passou por mim, em coluna, há duas horas na A8 rumo a Pedrogao; quer seja o anonimo tranquilo, por quem mal se dá, curtido e ensimesmado numa cadeira à entrada da central na Ericeira.

 

hoje parei cinco vezes em supermercados. não vi nem ouvi ninguém cujas preocupações perceptíveis fossem de tal ordem que lhes alterassem a indumentária neo-decadente de chinelos e alças, nem o cabaz das compras atulhado de cervejas, bolos farinhentos e missangas alimentícias. ninguém. era a bola, o carro do jorge, as mamas da vizinha, o frango assado à borda do tanque.

 

a segunda guerra mundial foi lá longe. o 11 de setembro longe foi. Bruxelas? Atocha? Alésia? tudo fantasmas sem substância que nunca passarão de fantasmas a que os velhos se agarram para reterem sentido nas suas vidas extintas.

 

Pedrogao? Pedrogao é lá longe. E Alverca. E a Amadora. E qualquer terra que não se aviste, apalpe e possa receber uma tenda com luzes e grelhadores, mais de dez centímetros além do português umbigo, é ainda mais do que longe!, é fictícia.

 

não aprendeu nada esta gente, nem o fogo os tirou das cavernas.

 

especiais abraços nestes dias negros ao sub-chefe Tiago Carvalho, de Palmela; ao sub-chefe Ventura nas Caldas da Rainha; e ao senhor Comandante Pedro Lourenço na corporação do Bombarral. Deus esteja convosco. 

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publicado às 20:53

Como ajudar os bombeiros neste momento

por Samuel de Paiva Pires, em 18.06.17

Ver aquiaqui ou aqui.

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publicado às 18:28

Portugal, Pedrógão e o ambiente mental

por John Wolf, em 18.06.17

Portugal Traduzido.jpg

 

in Portugal Traduzido, Edições Cosmos 2008

 

Ambiente Mental

 

Para lidar com a primeira entrada do abecedário, teremos de reconhecer os diferentes significados e aspectos do conceito de ‘ambiente’. Por exemplo, efectuar uma distinção entre ambiente natural, natureza ou ecossistema, e ambiente humano. As dimensões a que nos referimos são indissociáveis, pelo que em Portugal tem sido difícil estabelecer a relação de parentesco entre o indivíduo e o ambiente. A natureza em Portugal é um filho bastardo e mal amado.

A natureza não é assumida enquanto propriedade colectiva ou património nacional, de forma activa e inquestionável. Talvez o nascimento de cada indivíduo e a consequente atribuição de nacionalidade deveria implicar a propriedade de um qualquer enésimo do território do país. Esta forma de cidadania proprietária teria um efeito psico-simbólico intenso, gerando uma espécie de auto-estima territorial.

Não reconhecer o valor do espaço de inserção geográfico, significa praticar uma forma de ‘geo-fobismo’, expulsando a terra, tornando cada indivíduo um membro voluntário de um movimento sem-terra. Talvez devido ao seu passado histórico colonial, Portugal tenha subvertido a importância do conceito de espaço vital imediato, com a excessiva disponibilidade além-mar a incutir uma nefasta atitude perdulária. Nem mesmo a Conferência de Berlim de 1884, que instituiu o princípio de ocupação efectiva dos domínios coloniais, e que retirou territórios e capacidade de projecção de poder a Portugal, terá servido para um ‘regresso’ a limites geográficos proporcionais à dimensão nacional. Poderemos legitimamente perguntar: como e quando se inicia um processo de desrespeito pela dimensão física e natural de Portugal? Não encontraremos na literatura ou na pintura a exaltação da geo-pátria? Terá sido o antigo regime um solitário proclamador do alto da montanha? Não será possível aproveitar alguns elementos edificantes em detrimento de outros com forte carga política? E será que o 25 de Abril libertou o homem para este voltar a ser um bom selvagem?

Assistimos ao tabu do domínio da terra sobre o homem, porque, de forma deturpada, o cuspir sobre o passeio ou a queimada incendiária serão expressões da interpretação desequilibrada do sentido de poder ou liberdade, fortemente entranhado na prática quotidiana. A análise do fenómeno anti-natureza em Portugal tem de seguir um critério mais estrutural e sociológico. A modernidade, promovida pelos governos pós 25 de Abril, apoia-se em imagens de betão armado, carros velozes e roupa de marca. Ironicamente, a imagem exterior dos indivíduos alcançou uma expressão notável em detrimento da preservação do ambiente. Mesmo perseguindo um idealizado parcelamento da propriedade latifundiária, tal não serviu a salvaguarda de um sentido ecológico. Esta indiferença em relação ao ambiente reflecte um desapego pelo abstracto, na medida em que os vínculos afectivos não se estabelecem em relação a um ideal de espírito livre ou natureza selvagem. Assim, a floresta é apropriada enquanto fenómeno de massas, colectivo e irracional, mas não por uma vontade individual.

Um olhar possível sobre um processo de evolução (que obedece alternadamente a mecanismos de auge e declínio, êxito ou tragédia) pode limitar-se à aceitação do destino, sem intervenção humana praticável. Ou seja, o cidadão é um mero espectador do fenómeno natural ou, no limite, um interventor negativo. Outra leitura admissível diz respeito ao modo como a rejeição da procedência provinciana pode significar o cortar de relações afectivas com o atraso estrutural do interior não-urbano. Uma vez que os centros urbanos são habitados pelos que abandonaram as suas origens humildes e campestres à procura de melhores condições de vida, verifica-se uma tomada de consciência deturpada de modernidade, através da qual se procura dissimular a proveniência, simulando sofisticação. Os eventos que afligem a floresta não comovem porque já representam factos distantes da neo-urbanidade adquirida pelos migrados do campo.

A única forma de corrigir comportamentos eco-destrutivos parece ser através da instituição de um sistema sancionatório implacável, em simultâneo com mecanismos que reconheçam os esforços de reposição do equilíbrio ambiental. Os filhos menores devem reconhecer aos pais o esforço que estes desenvolvem para separar o lixo e respeitar os eco-pontos. A adopção de uma ‘agenda ambiental’ significa co-responsabilizar governos indivíduos, crianças e proprietários de cães que lançam os seus dejectos nos passeios.

A promoção de objectivos concretos poderá representar uma janela de oportunidades para converter adversidades em mais-valias. Por exemplo, à semelhança da recente legislação que obriga as novas construções a instalar sistemas de energia solar, a instalação de redes de cisternas ou depósitos para aproveitamento de águas das chuvas poderia representar uma primeira solução para o problema de escassez de água, que terá de ser confrontado seriamente e a breve trecho. Esta solução, não original, foi concebida e instituída pelos árabes durante a sua permanência na Ibéria. Um ‘plano tecnológico’ não significa necessariamente novidades sofisticadas, e por vezes o próprio traçado histórico oferece algumas soluções. A tecnologia comporta na sua génese uma ideia de optimização e simplificação. Uma sociedade desenvolvida garante a sua continuidade pela manutenção dos seus elementos naturais, através de um status quo que em certa medida contradiz a ideia de alteração dinâmica, mudança e progresso. Nesta acepção, o desenvolvimento corresponde à capacidade de manutenção dos factores de equilíbrio herdados do passado.

Associamos a esta noção uma outra, de historicidade natural, através da qual poderemos aceitar a evolução política que altera profundamente a configuração mental e cultural da população, mas que não afecta dramaticamente a expressão física ou geográfica do território.

A ideia de reserva natural em Portugal assemelha-se a uma wasteland, sem utilidade perceptível para as populações. A noção de qualidade de vida dos indivíduos não integra o factor natureza enquanto um elemento determinante. O ‘cidadão-tipo’ prefere eleger a propriedade de um bom carro ou casa, os fins-de-semana no Algarve do betão, ou um horário laboral flexível como elementos definidores de qualidade de vida. Parece ter-se tornado um síndrome nacional o vínculo a matérias ou factos que representem novidade, daí que a natureza ‘eternamente silenciosa’ não consiga oferecer nenhum estímulo adicional relevante.

Este quadro ainda se torna mais negro pela ausência de debate sobre a protecção ambiental, sendo que me refiro àquele desenvolvido espontaneamente pelos indivíduos, e não pelas associações de defesas do ambiente ou autoridades nacionais. Enquanto a ‘consciência de ambiente’ não se democratizar e popularizar, no espírito de cada um, não se vislumbra uma evolução favorável para a paisagem natural. Do mesmo modo que cada contribuinte tem a noção do imposto ou taxa que paga pela propriedade de uma viatura ou casa, seria conveniente integrar nessa consciência fiscal a quota devida ao ambiente.

A operacionalidade de uma ‘polícia do ambiente’, eficiente e percepcionada como tal pelas populações, constitui uma obrigação moral dos governos. Uma forma de contrariar a primitiva prática de abandono de frigoríficos ou baterias no matagal, seria instituir um sistema de registo de propriedade dos equipamentos, que delimitaria os tempos de vida útil, comprometendo os proprietários com o depósito no termo da sua utilidade. Uma espécie de banco ambiental contra a poluição.

O mais importante será socializar e politizar a questão ambiental, e que a problemática faça parte do domínio doméstico das preocupações existenciais de cada indivíduo. A lei do frigorífico, enquanto exercício exemplar, poderá servir de nota de lembrança para as transgressões ambientais, e fazendo uso de um efeito de spill-over, estaremos a contribuir para a tomada de consciência da importância do ambiente.

Outra forma de induzir o respeito pelo ambiente, poderia materializar-se na criação de um cadastro ambiental que registasse as transgressões em relação ao ambiente, perpetradas por cidadãos ou empresas. Depois, num segundo momento, a informação resultante do cadastro seria cruzada com o sistema fiscal no sentido de penalizar os prevaricadores em sede de IRS ou IRC.

Uma das grandes dificuldades que Portugal encara, prende-se com um sentido de orgulho nacional fortemente dependente da expressão física da riqueza. A intelectualidade em Portugal é rejeitada porque integra uma dimensão não materialista e porque colide com aquilo que poderemos designar por ‘expressionismo’ físico. A afirmação social pode no entanto levar a que se faça a dupla demonstração do nível cultural e o grau de riqueza, através da compra de tomos de enciclopédias com lombadas douradas que têm lugar cativo nas estantes das salas de estar, e que fazem o regalo de observadores pouco exigentes.

Uma interpretação parcial do próprio significado ou alcance da era de informação pode conduzir-nos a um juízo reducionista definido em termos de atributos logísticos ou de transporte de informação, através do qual se atribui maior importância à rapidez da entrega de mensagens ou conteúdos. Os excessos de velocidade que se registam nas estradas portuguesas e que conduzem a acidentes desnecessários, encontram analogia na forma como se transportam conteúdos na era de informação. Uma noção ecológica e cultural poderia estabelecer uma hierarquia na escala de valores de informação, o que significa que os produtores de informação devem procurar obedecer a critérios de qualidade, objectividade, veracidade e não necessariamente a rapidez. Nessa medida, um país ecológico investe no terreno fértil do conhecimento e cultura, e na educação dos seus cidadãos, que representa sempre um processo lento e geracional. A era da informação poderá tornar-se numa era de conhecimento se um plano tecnológico não for vendido como destino final, mas um elo de um processo muito maior. O esforço de prossecução de equilíbrio ambiental associa-se inequivocamente à ideia de paridade entre as dimensões intelectual e cultural, relegando para segundo plano a tecnologia e a ideia de vanguarda.

A excessiva estratificação social do país é também responsável por vários desequilíbrios estruturais e ambientais, incluindo o desnível cultural e intelectual, pela forma como as elites se apropriam dos meios de desenvolvimento à custa do progresso colectivo. Este fenómeno observável noutras sociedades, assume contornos especiais em Portugal porque o ‘povo’ não demonstra capacidade para produzir factores de contrapeso. A não partilha de conhecimentos na sociedade portuguesa constitui uma prática contra-produtiva e geneticamente comprometedora pela forma como contraria a teoria de evolução das sociedades, construída sobre a premissa da comunicação entre os diferentes segmentos ou classes da sociedade. Uma noção, porventura herdada do corporativismo, instigou uma actuação compartimentada, sem trocas ou comunicação efectiva. A experiência de um sector ou domínio dificilmente transborda para um ecossistema distinto, apenas porque subsiste uma atitude conservadora pouco aberta a códigos diferentes. Questionamos se Portugal aproveitou a experiência histórica da multiculturalidade, das línguas e costumes distintos do império colonial. E nesse contexto observamos uma forma de desequilíbrio ambiental histórico. Neste momento o quadro mental de defesa do círculo restrito de conhecimento implica desconfiar continuamente de qualquer tentativa de incursão da parte de elementos excêntricos ou imigrados. Esse quadro social de defesa de interesses específicos compromete um sentido de desenvolvimento alargado e colectivo, capaz de integrar a diferença e a mudança, o que em última análise implica o progresso da sociedade.

Na natureza, as novas espécies resultam da evolução genética forçada pelas condições adversas do meio envolvente. As sociedades, que são macróbios (grandes formas de vida), evoluem através de processos de ruptura e equilíbrio entre os diferentes agentes que as integram. Nessa medida, enquanto a prática da dialéctica entre indivíduos não ocorrer em todos os fóruns e numa sociedade aberta, a ideia, conceito ou as práticas, nunca atingirão um grau de maturação suficiente para se converterem em matéria de desenvolvimento para uma sociedade.

As ideias, ao contrário dos ideais, que nascem na intangibilidade do espírito humano, são também fruto da experiência dos outros, transcritas em obras metodologicamente organizadas e que podem ser alvo de leitura e interpretação. Apenas uma fundamentação sólida do conhecimento poderá permitir ulteriores desenvolvimentos de um ideal de progresso. Se uma sociedade não promove a inteligência e a cultura de forma sustentada estará a contribuir para o desequilíbrio ambiental, pelo défice e peso da representação de uma população inculta ou analfabeta. Ter a expectativa de que a ferramenta tecnológica poderá preceder e estimular o aumento do nível cultural da população é contrária à lógica de desenvolvimento humano, em Portugal ou qualquer outro destino.

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publicado às 16:57

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