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1640

por Nuno Castelo-Branco, em 23.09.17

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Liga-se a televisão ou liga-se o feicebuque e o tema do momento é sempre o mesmo: Catalunha, explodindo excitações infantis acerca de algo que a esmagadora maioria não conhece e reacciona com aquele típico porque sim ou porque não. Uma das parvoíces mais propaladas remete-nos a 1640, quando no contexto da longa e desastrosa Guerra dos 30 Anos, a elite da Catalunha resolveu separar-se Espanha. Aos catalães "devemos a  independências", aos catalães isto, aos catalães aquilo, é um chorrilho incessante de ignorância que nos entope os ouvidos. Nada disto seria muito importante se fosse apenas dito por aquelas doutas cabeçorras até aqui partisans nossa do "open your borders", subitamente caídos de joelhos perante o deslumbramento de mais uma revolução, por muito burguesa e xenófoba que seja. E é mesmo: xenófoba egoísta e burguesa.

A verdade é simples e bem diversa. Ainda durante a primeira metade do século XVII o declínio militar, político e económico de Espanha era evidente, apesar da União de Armas engendrada por Olivares. Ao contrário do condado de Barcelona e zonas anexas, partes da já simbólica coroa de Aragão, Portugal era um reino distinto, o outro elemento de uma união dual que lhe garantia moeda, bandeira, alfândegas, forças armadas e um império colonial autónomo. Os inimigos tinham-se tornado nos mesmos, pois as emergentes potências marítimas - Inglaterra, Holanda e até um certo ponto a França -, tinham no Portugal dos Áustrias, um alvo preferencial, enfraquecido pela ausência de uma corte própria capaz de participar nos meandros internacionais da diplomacia e arranjos geopolíticos. A situação era deveras má, fosse aquela existente as possessões do Atlântico ou no Índico. Portugal era  oportunamente atacado e contra os portugueses teciam-se as mais deslumbradas estórias de difamação, apontando aos lusos a estranha tendência para se miscigenarem "com animais", ou seja, negros, indianos, índios ou extremo-orientais asiáticos. Após os auspiciosos acontecimentos de 1640 escrever-se-iam páginas e  páginas de justificações neste preciso sentido, perante uma Europa espantada pela guerra de autêntico extermínio que os holandeses, por exemplo, faziam a um país recentemente libertado da tutela da Casa de Áustria.

Vamos então às vantagens óbvias que a Restauração implicava para os jogos geoestratégicos de então:

1. O controlo das vias marítimas.
Basta-nos olhar para o mapa e a situação portuguesa de hoje é precisamente a mesma daqueles tempos. Portugal situa-se a meio caminho da ligação do Mediterrâneo com o Mar do Norte e Báltico; Portugal é uma costa fronteira às ligações marítimas da Europa e das suas então possessões coloniais nas Américas, África e Ásia. Convinha não estar dependente de Madrid e do seu vasto império sul e centro americano

2. A posição privilegiada do porto de Lisboa, onde desembarcavam artigos trazidos pelos intermediários portugueses que aqui faziam negócios com potências, umas mais relevantes do que outras e todas elas desejosas da obtenção de porcelanas, perfumes, pedras preciosas, marfim, panos, especiarias, madeiras e outros artefactos coloniais. Se Portugal pudesse servir de recolector, talvez fosse mais lucrativo os nórdicos limitarem-se a abastecer os seus navios comerciais numa Lisboa livre das limitações que a pertença à União Ibérica significava.

3. Havia interesse internacional na emancipação nacional, aliás desde sempre desejada pela grande maioria dos portugueses de todos os extractos. fossem eles o do povo miúdo, burguesia mercantil ou orgulhosa nobreza de Corte. A pertença das possessões portuguesas à mesma dinastia reinante em Castela, Aragão - a Espanha propriamente dita -, Nápoles, Sicília, Milanado, Franco-Condado e Países Baixos espanhóis, tornava mais difícil equilíbrio europeu, num momento em que as conclusões da Paz da Vestefália ainda pareciam distantes, conclusões essas que durante mais de um século e meio definiriam as  relações internacionais nos seus múltiplos aspectos, aliás alguns deles ainda bem presentes nos nossos tempos.

A Restauração viria, fosse ela desencadeada no 1º de Dezembro ou mais tarde, fruto do interesse internacional. Em 1701 rebenta a Guerra da Sucessão de Espanha e ao contrário da revolta catalã que sintomaticamente logo proclamou Luís XIII como seu soberano e  tornando-se assim num apêndice da mais vasta política de guerras anti-Casa de Áustria veiculada por Richelieu, em Portugal voltou-se rapidamente à legitimidade usurpada nas Cortes de Tomar, quando a Duquesa de Bragança foi espoliada pelo seu primo Filipe II. Era ela a herdeira legal e legítima, disso não existe a menor dúvida. Assim sendo, em termos jurídicos a questão nem sequer poderia colocar-se, apenas prevalecendo o poder da força militar e do dinheiro que comprou consciências e lealdades.

Em 1701 defrontava-se a Casa de Áustria com a Casa de Bourbon, ambas com direitos legais evidentes ao trono espanhol. Enquanto a parte substancial de Espanha acolheu com um certo entusiasmo a nova dinastia vinda de Versalhes, a Catalunha - e não Aragão de quem dependia -, acolheu o arquiduque Carlos - o futuro imperador Carlos VI - com um entusiasmo tal que bem depressa fez esquecer a revolta que alguns, hoje e em Portugal, apontam como salvadora da nossa Restauração: era um Áustria como Filipe IV. Militarmente é um facto, politicamente nem por isso. Porque não o é? Porque sem dúvida, anos mais tarde e na conclusão do conflito que partilhou o património espanhol na Europa, existe uma clara evidência do território português e as dependências coloniais que ainda nos restassem seriam outorgadas ao esbulhado Carlos de Habsburgo, ou até, quem sabe, à Casa de Bragança. Não podemos agora saber o que teria ocorrido aquando da morte de Carlos II de Espanha, mas é quase certo que em Lisboa o assunto seria tratado de outra forma do que o aguardar de ordens. As potências assim o exigiriam e a oportunidade era demasiadamente tentadora para não ser levada avante. O equilíbrio europeu assim o exigia e com ele, o controlo das vias marítimas.

Agora o caso é bem diverso. Temos uma excelente relação com Madrid e com Espanha partilhamos a fronteira, os principais rios que nascendo no seu interior desembocam no litoral português. A Espanha e o nosso principal cliente e o nosso primeiro fornecedor. Com Espanha participamos em varias instituições internacionais, sejam elas a U.E., a NATO ou a Ibero-América.

A verdade? A última coisa que queremos é um conflito interno no nosso único vizinho e não se arrisca muito quando se afirma ser desejável uma Espanha unida, em paz e muito próspera. Desejar o contrário é uma sandice dos entusiastas do "one world, open your borders", exactamente os mesmos que agora desejam mais uma fronteira. Pensarem que os espanhóis, todos eles, sejam castelhanos, galegos ou outros aceitarão encolhidos uma secessão catalã sem uma resposta à medida do desafio, é lamentável, denotando uma inconsciência perante as realidades.

Não nos convém, é tudo.

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publicado às 20:00

Centeno e Costa escrevem ficção

por John Wolf, em 23.09.17

 

 

Não gosto que me mintam. Não aprecio que dourem a pílula. Não aceito que aproveitem os louros dos outros. Não pactuo com a destruição de obra alheia. Não tolero que inventem estórias da carochinha. Não admito devaneios ideológicos. Não sou solidário com facciosos. Não acredito naquilo que me contam. Não tenho confiança em declarações de sucesso. Não me rendo perante a insistência dos outros. Não integro no meu espírito a ficção que nos querem impingir. António Costa, Mário Centeno, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa podem meter no bolso as casas de propaganda nacional, mas não conseguem enganar todos ao mesmo tempo.

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publicado às 17:25

Genuinamente made in Portugal

por Pedro Quartin Graça, em 23.09.17

 

Baptista da Silva remix.

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publicado às 07:01

Comunicação Política para Totós

por John Wolf, em 22.09.17

 

Embora não vá votar porque não posso votar, e mesmo que pudesse votar provavelmente não votaria, não deixo de ser visado enquanto potencial-candidato-eleitor - o meu voto é desejado.  Recebi na caixa do correio (nas últimas semanas) missivas de toda a espécie e feitio de impressão. Foram cartas e brochuras, panfletos e desdobráveis de todas as hostes partidárias, apelando ao meu poder de encaixe autárquico. Tive, desse modo, a feliz oportunidade de pôr essa leitura em dia no decorrer de actividades sanitárias - sentado, entenda-se (com as mãos livres, sem cometer infracções). Lavei as mãos e posso afirmar que me encontro em condições de avaliar como a Comunicação Política é realizada pelas diversas forças partidárias em Portugal no festival eleitoral em curso. Devo dizer que as propostas apresentadas carecem todas de um enquadramento conceptual e de uma visão estruturante. Ora falam de parques de estacionamento, ora mencionam apoios sociais, ora congratulam-se pela obra feita, ora reclamam pela incúria dos outros...enfim, não passam todos da mesma chapa gasta vezes sem conta a cada campeonato autárquico. O formato foto-passe de todos partidos pretende confirmar o alto teor de democraticidade e convívio político entre as cabeças de lista - as estrelas da companhia -, e os pobres anónimos resgatados da paragem de autocarro para preencher as listas. A Comunicação Política simplesmente não existe. Existe uma forma de Comunicação, mas não preenche os requisitos da Política. São Políticos que se apresentam, mas não Comunicam eficazmente. Plagiam-se a torto e a direito. Chamam algo diverso à mesma coisa, mas não passa de embuste ideológico. Gastam rios de dinheiro em bandeirinhas e esferográficas, pastas e sacos para arremessar a tralha, mas não conseguem erradicar os vícios da classe política canonizada pelo mistério da promessa cumprida. Os textos que acompanham a vontade política são fracotes e encontram-se na fronteira do pueril, do dispensável. Desejariam, se soubessem, ou pudessem, a sofisticação subtil, a sugestão da genuína transformação filosófica que está na génese das aspirações da freguesia, do concelho, da região, da península, do mundo. Mas não conseguem. Estão presos, cativos num labirinto de inconsequências e desperdícios. Tanta coisa para tão pouco. Tantos. Bastava um(a) para fazer o frete a todos. Criatividade, inteligência ou originalidade não fazem parte de lista alguma. Triste. É triste. É tão triste.

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publicado às 15:35

Catalunhex

por John Wolf, em 21.09.17

 

Não é preciso ser constitucionalista ou estudioso de sistemas políticos para entender o que sucede na Catalunha. Basta olhar para a história e aceitar que são precisamente conflitos e rupturas que estão na origem de Estados, e que a base nacional tem sido o fundamento para a sua fundação, tendo em conta o que resulta desse marcador importante que é a Paz de Westfália de 1648. Por mais que o governo central de Madrid tente proibir a consulta popular à independência da Catalunha, a mesma não deve depender de autorizações "excêntricas", ainda que legitimadas pelo poder político - nenhum governo, dada a sua natureza integracionista, autorizaria um movimento secessionista (seria uma contradição de génese política). Assistimos, deste modo, à sindrome do gato escaldado pelo Brexit. Madrid não quer que aconteça o que sucedeu em Londres. A Monarquia Constitucional de Espanha e o governo que dela resulta, consagrada como modelo de Democracia de pleno direito, demonstra de um modo preocupante que certas práticas de censura e controlo dos tempos de Franco ainda continuam válidas. Não se pode admitir, que na dita Europa civilizada, embalada pela União Europeia, a perseguição política aconteça. A Catalunha é uma das jóias da coroa, um contribuinte importante para o PIB espanhol e é sobretudo essa dimensão económica que está em causa. Não existe nada de romântico ou lírico na união de regiões "à força", de territórios e gentes que perseguem outros sonhos. Se o referendo não acontecer de um modo pacífico, rapidamente a situação evoluirá para o caos e a expressão ainda mais violenta do que aquela até agora registada. Se porventura chegarem à mesa de negociações da independência, quero ver qual será o preço que o governo de Madrid exigirá, qual o valor em causa e quais os demandantes que se seguirão. A Europa das Regiões, essa bandeira agitada para dar ares de descentralização do poder político, tem agora um belo exemplo para hastear. A Catalunha é uma nação. E existem muitas outras por essa Europa fora.

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publicado às 16:47

Quando a ficção se confunde com a realidade...

por Pedro Quartin Graça, em 21.09.17

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Ou será o inverso? O pesadelo, esse é seguro.

 

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publicado às 07:58

Medina contactou o Tribunal Constitucional

por John Wolf, em 20.09.17

 

Fernando Medina pegou no telefone e contactou o Tribunal Constitucional para suprir eventuais "omissões" na sua declaração de rendimentos. Que sorte a sua. O comum dos mortais, o contribuinte português, não dispõe de semelhante privilégio para por em pratos limpos a loiça suja. Como bom socialista que afirma ser, Medina devia propor em sede de Assembleia Municipal uma hotline para que todos possam reescrever as suas histórias e alegar que não estão em incumprimento. Não foi notificado? Medina não sabe que a ignorância da lei não pode servir para um indivíduo se furtar às suas responsabilidades. Em vez de morder a língua e admitir a falha, Medina apresenta-se como imaculado constituinte. Não há paciência para estas miudezas de carácter e faltas de ética.

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publicado às 09:14

TRUNP

por John Wolf, em 19.09.17

 

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publicado às 18:48

Deir ez-Zor

por Nuno Castelo-Branco, em 18.09.17

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Dado o que se sabe acerca da evacuação de terroristas sanguinários por aparelhos de uma potência nossa aliada, esperemos então que sejam recolocados o mais para leste possível, na Ásia Central, o baixo ventre da Rússia contíguo por felicidade da geografia, à China. Apostemos então nesta cada vez mais visível hipótese, já praticamente uma certeza.

Muito pior para nós será se se decidirem pelo Magrebe que como se sabe, "vive oprimido na mais vergonhosa opressão". Não perderemos por esperar.

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publicado às 21:48

In memoriam - João Mattos e Silva

por Samuel de Paiva Pires, em 18.09.17

(fotografia daqui)

 

No Sábado passado recebemos a triste notícia da partida de um homem bom, um patriota, incansável lutador pela causa monárquica, João Mattos e Silva. Aqui fica o texto da Real Associação de Lisboa neste momento difícil para a sua família e amigos, a quem endereçamos as nossas condolências:

É com o mais profundo pesar que comunicamos o falecimento do nosso associado JOÃO MATTOS E SILVA, exemplo de dedicação ao Ideal Monárquico, sendo de destacar o frutuoso trabalho como presidente da Juventude da CAUSA MONÁRQUICA, mais tarde como primeiro presidente eleito da CAUSA REAL, e em tempo mais recente presidente da REAL ASSOCIAÇÃO DE LISBOA.
Dirigiu a Real de Lisboa no momento mais crítico da vida da instituição, e conseguiu reunir e liderar um grupo de associados quereergueram e renovaram a associação, num esforço continuado pelos elencos directivos que se seguiram.
Nunca o João Mattos e Silva, mesmo quando passou formalmente o testemunho, deixou de prestar o seu apoio, dar a sua opinião, partilhar a sua imensa experiência, num labor associativo difícil de igualar.
Apresentamos à família enlutada as nossas sentidas condolências, informando os associados e simpatizantes que as exéquias terão lugar na Igreja de São João de Deus, à Praça de Londres, Lisboa :
- Velório amanhã, Domingo, a partir das 17h;
- Missa de Corpo Presente na Segunda-feira, às 10h30, seguindo depois o cortejo fúnebre para o cemitério do Alto de São João.

A DIRECÇÃO

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publicado às 17:28

Catarina Martins é simplesmente ignorante

por John Wolf, em 15.09.17

 

Catarina Martins nunca produziu o que quer que fosse na sua vida (incluindo ideias originais). Catarina Martins nunca gerou um emprego (a não ser aquele que abarbatou na geringonça e que deve ao Costa). Catarina Martins não estudou economia nem finanças (andou pelo teatro). Catarina Martins não entende o que representa um risco de investimento (nem sabe o que é uma start-up). Catarina Martins não sabe gerar riqueza (e muito menos repartí-la). O que Catarina Martins sabe, e bem, é tirar do bolso dos outros. A afirmação que produz: "Há rendimentos que não são do trabalho, que não são salários nem pensões. São pessoas que têm muitos rendimentos de capital ou de propriedade e que deviam ser obrigadas a englobá-los para pagarem uma taxa proporcional” confirma inequivocamente que a menina não percebe patavina sobre o significado de capital, meios financeiros e muito menos rendimentos. Os rendimentos de capital que refere (acções e títulos financeiros de outra natureza) correspondem à retribuição devida àqueles que se dispuseram a acreditar nas virtudes de uma unidade produtiva. Quando um indivíduo adquire uma posição accionista (seja pequena ou seja grande) de uma empresa, está de facto a financiar a operação, está a conceder um empréstimo e está a correr um risco (a operação produtiva pode correr bem ou não) e, naturalmente, de acordo com o desempenho (se positivo) da empresa em causa, o retorno há-de acontecer, quer na forma de dividendos, quer na expressão de mais-valias. Ora ao penalizar quem empresta à economia de um país, e em particular os privados, o ónus do risco e do investimento recai sobre o Estado de um modo ainda mais intenso. E é aqui que reside grande parte da sua argumentação falida. A missão do Estado não é a geração de riqueza ou a obtenção de mais-valias - esse papel é da responsabilidade do sector privado. Subsiste porém outra contradição infantil no seu enunciado. Como se pode beneficiar a classe média, se é esta mesmo que tem a propensão para investir em veículos financeiros como acções? Ou seja, Catarina Martins propõe uma bastonada na classe média para depois lhe passar a mão de admoestação pelo mesmo coiro. Por outras palavras, não se pode tirar a quem nos dá pão para a boca - a classe média não pode ser simultaneamente castigada e premiada. Eu já disse vezes sem conta: erros de casting pagam-se caro. Mas ignorância deste calibre não tem preço. Não existe mercado para tal. Se deixarem a rapariga se esticar, ela matará o tecido empresarial do país que deixará de se poder financiar em condições e gerar emprego. Catarina Martins é mesmo ignorante. Se ao mesmo tivesse lido Marx, saberia que a teoria do valor (e onde o mesmo reside) é complexa. Mas ela não faz caso disso. Leva tudo pela frente.

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publicado às 15:25

Os Bisontes

por Nuno Castelo-Branco, em 15.09.17

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Confirma-se o dito popular ..."querer é poder". O Estado quis e facilmente pôde.

 

Um Bisonte aterrou em Figo Maduro, segundo se diz. Com ele traz perto de setenta portugueses resgatados da destruição provocada pelo furacão Irma. O Estado fez o que lhe competia e ainda por cima aproveita a oportunidade e martela-nos hora a hora com a gesta salvadora. Debulhados em lágrimas, os familiares esperam-nos e o caso fica resolvido e sem memória futura.

 

Ficámos a saber que é possível proceder a um resgate, dependendo da vontade política. Quantos C-130 tem a Força Aérea Portuguesa para organizar uma ponte aérea que comece desde já a evacuar os milhares de portugueses e luso-descendentes desesperados que definham na Venezuela? 

 

A Força Aérea que dê o exemplo e envie alguém a S. Bento para exigir este serviço. Comecem pelos doentes, idosos, mulheres e crianças. Os homens mais jovens e escorreitos ficarão no fim da bicha.

Ou neste caso o Estado pode mas não quer?

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publicado às 06:48

Autárquicas da bola

por John Wolf, em 14.09.17

 

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) deve ser composta por bananas. Apenas trabalha quando o rei faz anos, mas mesmo assim não acorda a tempo e horas do serviço. Borra a pintura. Tem expediente a cada 4 ou 5 anos, mas é incapaz de dar conta do recado. Nem umas miseráveis eleições é capaz de marcar no calendário. É uma infeliz coincidência essa estória dos jogos acontecer no mesmo dia. Azar. Os adeptos do Porto, se carregarem em massa em Alvalade, terão de organizar muito bem o seu dia. Terão de descer à Ribeira, inserir o boletim na ranhura e depois rumar a Lisboa. Pois. Estou a ver o filme. Isto precisava de um vídeo-árbitro-autárquico para controlar a jogada - amarelo, no mínimo. Falamos de uma estimativa de abstenção afectada negativamente pelo espectáculo da Primeira Liga. Não me venham com estórias. Querem convencer-me que a CNE não analisa todos os factores de perturbação dos actos eleitorais? Os eleitores da coligação Benfica-PS também terão de fazer um esforço acrescido para ver se não ficam retidos na ilha da Madeira devido a um inesperado vento cruzado. Contudo, independentemente da bola, os portugueses terão mais uma desculpa para não exercerem a sua obrigação cívica. Depois é o que se sabe. Continuarão a queixar-se deste ou daquele, mas mandam dar uma volta àqueles que ousem perguntar: votou? Ou foi ver a bola?

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publicado às 13:33

O fim dos machos

por Nuno Gonçalo Poças, em 14.09.17

É que hoje não se pode dizer nada sem fazer primeiro uma grande introdução só para explicar que não estamos a querer ofender os sentimentos de ninguém. Porque nós, não sei bem quando, passámos a ser uma sociedade que se ofende com tudo e que precisa constantemente de leis, regulamentos, portarias e recomendações governamentais que protejam os nossos sentimentos. Clint Eastwood já chamou a isto uma geração de mariquinhas, mas foi verbalmente espancado porque com isso ofendeu todos aqueles que, como bons mariquinhas, se ofenderam com a designação. Desengane-se quem pensar que isto é uma questão de sexualidade. Não. Há imensos homossexuais que não são mariquinhas. Ser mariquinhas não tem nada que ver com as opções sexuais. Tem que ver com a susceptibilidade, com a fragilidade de quem não devia ser frágil. Não se exige que uma mulher seja mariquinhas, por exemplo. Mas também não precisa de ser um hooligan musculado. Parece até que nos esquecemos que uma das vozes conservadoras mais esclarecidas destes tempos, Andrew Sullivan, é homossexual - que não é mariquinhas. Podia até falar de Orlando Cruz ou de Jason Collins, pugilista e basquetebolista, respectivamente, homossexuais. Não é uma questão de orientação sexual, é uma questão de virilidade, no caso dos homens. Ou de feminilidade, se for o caso. Olhem o caso da Ana Zanatti, uma lésbica feminina, que sabe que uma camisa de flanela não faz dela menos mulher, nem deixa de ser homossexual por ser mulher. É que ninguém larga a cama das pessoas, mas estamos a perder-nos algures. Não sei se já ficou claro que não há aqui homofobia ou outras fobias de cujo prefixo não me esteja agora a recordar - umas porque não me lembro mesmo, outras porque posso até desconhecê-las.
É que a masculinidade está em vias de extinção e agora parece que tudo o que não se sente feminino, não come quinoa ou não se dedica à ingestão de alfaces não arrancadas (para não magoar sentimentos vegetais), não é um homem aceitável. Ir aos touros só não é crime por mero acaso. Ir ao futebol, ao râguebi ou ao boxe também. Já nem há programas de homem. O único programa de homens aceitável parece que é uma sessão de depilação total, sauna, colheita de flores no campo, uma hora de 'running', outra de agachamentos e um delicioso repasto de sementes do bosque, bagas não sei do quê, uma manifestação contra o extermínio de mosquitos nas auto-estradas e um funeral de um frango à porta do supermercado.
Se calhar é tempo de fazer aqui uma nova nota sobre isto.
Não é que o homem deva ser um machista marialvão. Não. Isso é absurdo. É um desrespeito pelo outro, e o outro, para o efeito, é a mulher, que tem tanta ou mais dignidade que nós, seres de pêlos e cérebro mais lento. É um perfeito disparate que uma esmagadora maioria dos homens continue sem participar activamente nas tarefas domésticas. Ou que a única tarefa que sente como sua seja o grelhados, o petisco nos dias de bola e levar o lixo à rua. Ou que os homens continuem a ganhar mais que as mulheres. Ou, se quisermos esquecer coisas que se provam com estatística, que um homem ouça no trabalho coisas como "para que vais tu ao pediatra, se tens uma mulher?". Sinto-me até confortável para falar sobre isto: há anos que digo que, com a excepção da abertura de frascos muito apertados, as mulheres são muito melhores que nós. E acho que com isto consigo fazer todas as ressalvas possíveis para não ser insultado.
(É que agora é preciso não ser insultado.)
Mas quando é que estes loucos mediáticos, esta meia dúzia de gente que se faz ouvir como se de uma multidão se tratasse, começaram a fazer vingar esta mariquinhização dos homens? Ou esta hipersensibilidade que para aí vai, que atravessa sexos, raças, religiões. Já nem sei se isto é uma questão de sexos, mas é de certeza de sensibilidade. Mas desde quando é que somos flores?
No programa que gravou em Salvador, na Bahía, Anthony Bourdain, enquanto descascava um caranguejo com as mãos e os dentes, dizia que uma sociedade que é incapaz de descascar marisco não é capaz de nada, muito menos de se defender seja de quem for. É verdade. Agora é corajoso descascar uma gamba. Comer pezinhos de coentrada é clandestino. Passarinhos fritos só se for onde ninguém consiga ver.
Não é que não custe. Custa tanto ver uma matança de um porco. Custa mesmo. Custa tanto ver um tordo que ainda se mexe depois de levar uma chumbada na cabeça. Custa, sim. Como custa ver como se matam os coelhos, aquela cacetada na nuca, seca, fria. Mas, caramba, quem nunca teve prazer a comer farinheiras que se levante, que se recuse a comê-las, que encha a barriga de sementes de linhaça e, mais importante, que se cale para sempre e não incomode quem sabe que para comer é preciso matar. Acho que é isso que um maluquinho da natureza deve defender. Delicadeza sim, mariquinhas não.
Ah, mas e se começarem a matar pessoas, os outros também se devem calar? Não. Mas matar pessoas não é matar animais. Ninguém mata pessoas para comer - excepto os canibais que, vá lá saber-se como, não existem nesta sociedade ocidental enquanto comunidades aceitáveis. É que as pessoas não são animais.
Agora ia discorrer mais um bocado sobre isto e tentar explicar que as pessoas têm uma dignidade diferente da que têm os animais - que a têm na mesma, mas que é inferior. Talvez não valha a pena.
E aqui chegado, fica só a tristeza profunda de saber que isto agora é assim. A não ser que pegue no carro e saia do perímetro da Área Metropolitana, onde o mundo continua mais ou menos igual - mesmo nas coisas más que tem - mas, apesar de tudo, mais sereno. E menos frágil.

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publicado às 10:21

Das operações russas de propaganda nas redes sociais

por Samuel de Paiva Pires, em 13.09.17

Asha Rangappa, "How Facebook Changed the Spy Game":

 

The vast majority of counterintelligence cases I worked in the FBI involved a foreign intelligence service (FIS) conducting what we called “perception management campaigns.” Perception management, broadly defined, includes any activity that is designed to shape American opinion and policy in ways favorable to the FIS home country. Some perception management operations can involve aggressive tactics like infiltrating and spying on dissident groups (and even intimidating them), or trying to directly influence U.S. policy by targeting politicians under the guise of a legitimate lobbying group. But perception management operations also include more passive tactics like using media to spread government propaganda—and these are the most difficult for the FBI to investigate.

 

(...).

 

As the internet renders useless the FBI’s normal methods to counter foreign propaganda, the reach of these operations has increased a thousandfold. In the past, a failure to neutralize a perception management operation would at least be limited by the reach of “traditional,” i.e., paper, media which are practically constrained to a region or paying customers. But social media platforms can reach an almost limitless audience, often within days or hours, more or less for free: Russia’s Facebook ads alone reached between 23 million and 70 million viewers. Without any direct way to investigate and identify the source of the private accounts that generate this “fake news,” there’s literally nothing the FBI can do to stop a propaganda operation that can occur on such a massive scale.

 

This fact is not lost on the Russians. Like any country with sophisticated intelligence services, Russia has long been a careful student of U.S. freedoms, laws and the constraints of its main nemesis in the U.S., the FBI. They have always known how to exploit our “constitutional loopholes”: The difference now is that technology has transformed the legal crevice in which they used to operate into a canyon. The irony, of course, is that the rights that Americans most cherish—those of speech and press—and are now weaponized against us are the same ones Russia despises and clamps down on in its own country.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 22:51

Catarina Martins, comissária do não

por John Wolf, em 13.09.17

 

Catarina Martins deve fazer as malas e sair da União Europeia. Julga que o projecto europeu é um Airbnb - ora ficamos uma semana ora nem por isso. O Bloco de Esquerda deve assumir as suas responsabilidades perante o governo que viabilizou - a Geringonça que, goste-se ou não, é pró-europeu. Se é o aprofundamento da integração o caminho a tomar, então um Ministro Europeu das Finanças (ou da Economia) faz todo o sentido. Será uma visão holística que permitirá alinhar sistemas dísparos (e tantas vezes contraditórios) que polvilham a paisagem política e administrativa dos países-membro da União Europeia. Imaginem um sistema pan-europeu de Segurança Social e um Sistema Europeu de Saúde que serviria para aproximar o modo como os cidadãos da União Europeia são tratados. Catarina Martins sofre de miopia ideológica. Não consegue ver para além de Gaspar ou Albuquerque. Ao criar os cargos em questão, transferir-se-ia uma parte do ónus das assimetrias para a centralidade europeia. Deixaria de fazer sentido aquele discurso de periferias desalinhadas e o atribuir de culpas em exclusivo aos governantes "locais". Chame-se a isto, ou não, aproximação a uma Federação, a verdade é que o cidadão comum, dotado das suas ferramentas de percepção, sabe comparar regimes tributários e níveis de rendimento. E há mais que se relaciona intensamente com o princípio de liberdade movimento de pessoas, bens, capitais e serviços. São cada vez mais os que adoptam residências excêntricas, longe dos países de origem. São cada vez mais os que emigram, e nesse sentido, uma função niveladora seria o desejável. No entanto, Catarina Martins não pode ser visionária. O Bloco de Esquerda tem no seu ADN algo de contraditório à ideia de progresso. Diria mesmo, se me tapassem os olhos com uma venda, que aquele partido era conservador, ortodoxo, fundamentalista, retrógrado, desconfiado, desprovido de optimismo, descrente no homem (e na mulher), pessimista....querem que continue? Catarina Martins não defende os interesses dos portugueses. Defende outra coisa qualquer.

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publicado às 14:28

Medina, dono da verdade e de um duplex

por John Wolf, em 12.09.17

 

Nem sequer vou referir os atrasos em relação ao Processo Marquês, os contornos respeitantes a contas de outrém e os mecanismos de subterfúgio de que se serve José Sócrates para, à chico-esperto, tentar fintar a justiça. O que está em causa é o precedente ético e comportamental que o ex-primeiro ministro estabelece. Enuncia o falso princípio de que o que afirma é o que está certo, como se a lei pura e simplesmente não existisse. Fernando Medina faz parte da escola de Sócrates. Aprendeu como se faz. Julga o candidato à Câmara Municipal de Lisboa que basta dizer que está tudo correcto para que esteja tudo certo. Mas não está. Fernando Medina não declarou o que deveria ter declarado. E, para perceberem o que está em causa, nada disto tem a ver com preferências por partidos ou amores ideológicos. Miguel Cadilhe e António Vitorino (de casas partidárias distintas) também se meteram em sarilhos imobiliários, tributários ou patrimoniais. Muita sorte tem Fernando Medina que não tenha sido financiado por um tal de Carlos Santos Silva, o banqueiro privado de socialistas amigos. Em suma; se Medina não cumpriu a lei, deve ser sancionado por tal facto. No entanto, o Largo do Rato dirá que tudo isto não passa de oportunismo à luz das eleições autárquicas, de perseguição política do menino Medina. Francamente, já chega. Estes gajos não aprendem e pelos vistos não têm quem lhes ensine. E há mais; Fernando Medina é um duplexado - vive um mezanino acima das suas possibilidades.

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" À Monarquia descentralizadora foi-se substituindo uma Monarquia corrompida, excessivamente centralizadora, túmulo das liberdades tradicionais e, ao mesmo tempo, berço do cesarismo. ( ... ) O século XIX é um século de penitência universal: principiado sob o signo do liberalismo, ofereceu-nos espectáculos deploráveis, ao esquecer-se o primado do Espírito. ( ... ) O primeiro instrumento da expiação dos povos no século XIX foi Napoleão Bonaparte, flagelo guerreiro e conquistador, inimigo da independência das nações. a « Santa Aliança », reunindo os últimos sustentáculos do tradicionalismo, foi vencida. E, com as armas napoleónicas, a ideia da Revolução trespassou, de lado a lado, a Europa em decadência (... ) " Manuel Múrias ( pai )

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" Em João Pinto Ribeiro já se desfiam com transparencia os fundamentos municipalistas da nossa Realeza, que não é a realeza majestática do Rei-Sol, avocando a si a existencia inteira do Estado, mas a de D. João II, inscrevendo-se pela Grey. E' a Monarquia moderada, repousando-se na diferenciação regionalista e técnica ( Concelhos e Corporações ) e efectivando a unificação ao alto, pelo exercicio forte das prerrogativas régias. E' a Monarquia pura, que consiste na limitação da actividade do Estado ao que lhe e' proprio e constitue a sua função específica - defeza externa, equilibrio concentrador, representação dos interesses geraes. " António Sardinha, « Nação Portuguesa »

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