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O silêncio pode ser ensurdecedor

por John Wolf, em 21.10.17

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Acabo de regressar da manifestação humana, de homens e mulheres, despidos de ideologia ou partidos políticos, que aconteceu na Praça do Comércio a propósito da falência ética e técnica do presente governo. Para cima de dez mil pessoas estiveram, solenes e dignos, em pose de indignação interior. Não foi necessária uma liderança vocal do protesto, não foram necessários acessórios partidários. As pessoas, toldadas e incrédulas pelo abandono do Estado em Pedrógão, Mação ou Arganil, vieram em paz, à civil. No entanto, o movimento silencioso e sereno foi contemplado por uma provocação com provável origem no governo e as suas filiais de geringonça. Bastou uma pequena seita de provocadores, que hasteou a bandeira da culpa do PS, PSD e CDS, para que alguns arrufos e socos mal orientados decorassem o terreiro do Paço. Os media, que vivem de sangue e emoções à flor da pele, para vender publicidade e comprar tele-espectadores, aproveitaram a pequena deixa para denominar a manifestação de "violenta". A RTP, pertença do Estado e do governo, apelidou o evento de "manifestação contra os incêndios", mas está a ser cínica e a obedecer aos patrões. O protesto foi mesmo contra a inexistência do governo, do Estado. Foi a favor da maior prerrogativa que um Estado deve defender - a protecção dos seus cidadãos. Mais nada.

 

fotografia: John Wolf

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publicado às 19:33

Mon ami, Mugabe

por John Wolf, em 21.10.17

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António Guterres é o secretário-geral da Organização das Nações Unidas(ONU). Para todos os efeitos políticos e éticos, também deve ser tido como responsável moral da Organização Mundial de Saúde (OMS), uma vez que esta entidade vive sob os auspícios da ONU. A nomeação de Robert Mugabe como embaixador da boa-vontade da OMS já produziu distintas reacções negativas, mas ainda não escutamos António Guterres proferir uma palavra sequer. Ou seja, varreu para debaixo do tapete este facto em nome do politicamente correcto. Mas já estamos habituados a comportamentos semelhantes de camaradas seus. Quando a música desafina, assobiam para o lado.

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publicado às 14:16

Inscrito na Ordem dos Blogs

por John Wolf, em 20.10.17

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Estamos inscritos e fomos nomeadas na categoria POLÍTICA E ECONOMIA dos Blogs do Ano Media Capital. 4300 candidatos, e somos 1 dos 4 nesta categoria!

 

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publicado às 20:03

Pinhal de Dívida Pública

por John Wolf, em 20.10.17

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Existe outra frente de incêndio activa em Portugal. Um fogo de proporções assinalável, que até 2015 estava a ser controlado, lavra agora sem que um corpo de bombeiros exista para o combater - a DÍVIDA PÚBLICA. Os incendiários, entretanto, já foram identificados. Alegadamente, o gangue composto por três elementos -  o PS, o PCP e o BE -, anda a monte. A dívida privada, por seu turno, já conseguiu organizar um concerto de solidariedade para diminuir os seus encargos e inverter a tendência dessa chama financeira. Em breve mais notícias. Um estoiro, uma explosão. Mais um resgate.

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publicado às 13:56

Os amigos do Costa

por John Wolf, em 19.10.17

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Decididamente António Costa não quer aprender. Diria mais; o primeiro-ministro não pode aprender. A sua vida política, e a amizade que nutre por alguns, não se distinguem. A montante ou a jusante, essa é a premissa que tem marcado a paisagem política do Partido Socialista (PS) - colocar em lugares de governação homens de confiança - uma manada de boys. Mas está enganado. Um amigo, por defeito afectivo, não é capaz de formular uma crítica objectiva, de tecer um juizo a doer. O bom amigo não quer magoar e perde a noção da sua missão por amor à camisola da lealdade. António Costa, ao nomear para ministro da administração interna Cabrita e o compincha Siza Vieira, mais uma vez fere a isenção e a ideia de mérito que devem nortear um país. Não interessam as ligações do advogado da Linklaters a dossiers eventualmente em conflito de interesse com o Estado. Não interessa que provenha da família certa. Não interessa que saiba arquitectar soluções políticas ou não. O que interessa é esse pacto de consanguinidade, o juramento, a prova de fidelidade em nome da grande casa, a loja do Rato. Mas este fenómeno faz parte de uma escala maior, faz parte da matriz de Portugal. Há escassos anos, quando procurava quem me publicasse uma obra, contactei uma editora que faz carreirinha numa casa de publicações universal, e após submeter insistentemente e repetidamente umas meras cinco páginas de amostra do meu manuscrito, por fim lá obtive a resposta. A editora não tinha tempo para ler cinco páginas e, para além do mais, a sua resposta foi, e passo a citar: "primeiro estão os autores da casa". Está tudo dito. É assim que funciona. É assim que morrem 100 pessoas.

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publicado às 14:45

Fase de rescaldo

por Samuel de Paiva Pires, em 18.10.17

A agora ex-ministra da Administração Interna já não tinha condições para continuar no cargo há, pelo menos, 4 meses. Era inevitável que saísse do Governo, embora não seja despiciendo referir que foi necessário o Presidente da República intervir para António Costa se submeter ao que já era mais do que evidente. Mas agora, independentemente da dança das cadeiras no Governo, o que importa é saber se o Primeiro-Ministro vai tornar a reforma do dispositivo de prevenção e combate aos fogos uma prioridade nacional, alocando os recursos que forem necessários para evitar que se volte a repetir algo que possa assemelhar-se ao que aconteceu no passado fim-de-semana e em Junho. Agora que veio a chuva, esperemos que não se limite a mudar pouca coisa para que, na essência, fique tudo como está e para o ano haja mais do mesmo, como vem acontecendo há já cerca de 40 anos. Quanto mais não seja, e como Marcelo Rebelo de Sousa deixou patente no seu discurso, para assegurar a sobrevivência do seu Governo - algo que parece motivar o Primeiro-Ministro muito mais do que considerações éticas, sobre o interesse nacional ou a respeito das funções primordiais do Estado.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 22:31

Ministra demitida, animal à solta...

por John Wolf, em 18.10.17

 

A demissão da ministra da administração interna Constança Urbano de Sousa soltou o animal de perguntas e questões que estavam dentro de mim. À laia de caos instalado, vou atirar as interrogações ao ar, sem que as mesmas tenham nexo entre si ou sejam justificadas. Aliás, são totalmente despropositadas;

 

1. Quem preenche o lugar deixado vago pela ministra? Simples. Alguém do PCP ou do BE.

2. Porquê? Porque nunca governaram o que quer que fosse e fazia-lhes bem ao currículo provar esse veneno chamado poder político. Afinal, garganta e mais garganta não pode ser.

3. Marcelo Rebelo de Sousa demitiu a ministra? Sim. Respondeu ao pedido que havia sido formulado pela própria há quatro meses e que foi indeferido por António Costa.

4. Significa que as relações entre o presidente e o primeiro-ministro foram afectadas? Sim. O presidente terá um mandato que extravasa os limites temporais da legislatura e convém ir afagando o pêlo de uma alternativa ideológica de governo.

5. O facto da ministra ser uma mulher facilitou a pressão exercida por António Costa? Sim e não. Por um lado, a senhora é um osso duro de roer, e por outro, não deixa de ser uma mulher e António Costa não deixa de ser António Costa.

6. A descoberta das armas roubadas em Tancos foi uma coincidência ou não? Não foi. Aquele trunfo político estava no armazém de oportunismos. Mas saiu o tiro pela culatra. Não serve para grande coisa. O povo topa logo.

7. António Costa já pediu desculpa à ministra da administração interna? Não, mas ainda vai a tempo. E para além de isso, o ministro Vieira da Silva já lhe endereçou um abraço de solidariedade.

8. Por que é que os Verdes ou o PAN não tomam a iniciativa da reforma da floresta? Porque não é a sua especialidade. Não têm competência para tal acção e estão a ser muito sensatos.

9. Um pedido de desculpa não resolve nada? Não. Nada mesmo. O deputado do PCP João Oliveira pediu perdão por esta mesma explicação.

10. E por último; a Protecção Civil é uma designação bem atribuida? Sim, senhor. É adequada e corresponde à realidade. Foram os civis que se defenderam das chamas o melhor que souberam. Se tivesse sido o Estado, chamar-se-ia Protecção Estatal.

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publicado às 13:56

Ontem à tarde

por Nuno Castelo-Branco, em 18.10.17

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Riiiiiing! Riiiiing! Riiiiiiing!

- Sim?

- Sou eu, pá...

- F-se!, a coisa tornou-se pior do que pensávamos!

- Pois é e agora a comunicação social anda histérica pelos fogachos e audiências e está a entalar-me...

- O que queres que faça?
- Se não te for muito incómodo, fala hoje ao país, mostra o ar mais compungido que possas, faz uns gestos de indignação e diz umas coisas que sejam dúbias e contentem os gajos, pá...

- Deixa comigo, afinal de contas sabes bem que fui teu professor.

- Claro, é por isso mesmo que estou a ligar-te, se disseres qualquer coisa que muito vagamente soe a ultimato, aposto que a gaja depois demite-se e farei o ar mais sério e triste deste e do outro mundo agradecendo-lhe os brilhantes serviços prestados.

- Isso, isso, já agora, avisa-a!

- Para quê?

- F-se!, é o mínimo, pá...

- Achas?
- Vai por mim, tens é de safar-te amanhã em S. Bento.

- Ahahahahahahahaha, não te rales, sei bem o que dizer e os gajos à minha esquerda devem estar a borrar-se de medo com a ameaça de eleições!

- Isso era mesmo o que convinha...

- Pois é, mas daqui a umas semanas já terei virado o rumo das coisas e encherei arruadas umas atrás d'outras, ahahahahahahahahahah, uma chuva dourada de boas notícias apaga qualquer fogo!
- Ehehehehehehe, espero bem que sim, disso não tenho a menor dúvida, esta gentinha vive minuto a minuto e bom, bom, bom seria acontecer qualquer coisa trágica em Espanha de modo a distrair as atenções.

- Queres que ligue ao Rajoy?
- Bolas, ó pá, faz melhor e vai directo ao assunto, manda um mensageiro especial ao Puigdemont a acicatá-lo a provocar um incêndio político até amanhã, quinta-feira, mas sobretudo nada de telefonemas ou mails, hoje em dia é perigoso. O boca a boca é melhor, não compromete e sempre poderás negar, não existirão provas.

- E achas mesmo que eu me preocupo com provas?!

- Não.

Clang!

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publicado às 09:37

O vazio de António Costa

por John Wolf, em 17.10.17

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A política tem o condão de revelar a ausência de humanidade dos proponentes. O que mais chocou na intervenção do primeiro-ministro António Costa não foram os enunciados sobre políticas florestais nem a ausência de um pedido formal de perdão às famílias das vítimas. Para além da racionalidade intransigente existe algo que é captado instantaneamente pelos destinatários de mensagens. É uma frequência de onda que não se detecta nas frases. É uma vibração que não passa na lógica. Refiro-me ao olhar empático que transcende a política, a ideologia, o poder, os partidos e as convicções - trata-se de humanidade, mais nada. Se prestarmos atenção ao perfil de António Costa não sentimos na sua alocução o estado embargado da alma, a sinceridade no olhar que alcança onde mais nada chega. E Portugal regista em simultâneo o exercício de duas figuras de proa que se encontram nos antípodas desse espectro afectivo-racional. Numa extremidade da régua temos o presidente da república Marcelo Rebelo de Sousa que se manifesta nessa toada de emoções e sentimentos que o traiem no excesso - uma forma de estar que oblitera a capacidade crítica objectiva, obrigatória. No extremo oposto do espectro encontramos António Costa que é incapaz de manifestar o sentimento que vive fora da casa política. Assistimos ontem, incrédulos, ao debitar de axiomas de indução lógica. Faltou-lhe a intuição. Faltaram-lhe os instintos. Nem por um momento sequer sentimos a vulnerabilidade que deveria resultar dos eventos trágicos que devastaram Portugal. Foi essa frieza, comparticipada pela ministra da administração interna Constança Urbano de Sousa, que colidiu com a natureza solidária e sofrida dos portugueses. Os portugueses sentiram o terror dessa ausência. Viram o vazio do olhar. O lider que deveria guiar a nação é incapaz de se conectar para além da sua condição política. António Costa demonstrou os limites funcionais do seu perfil. Provou a sua tecnocracia quando o que o povo de Portugal necessitava era de algo à escala de alguém que também deve saber assumir a sua fragilidade, a sua insuficiência. Se essa aura existisse e fosse sentida, dispensaríamos o conceito de demissão, a perseguição seria de outra natureza. A responsabilidade política passaria a ter contornos distintos, próxima da agregação emocional, da tribe de inválidos, da comunidade de humildes que se remete ao silêncio, à prece das cinzas. António Costa deveria ter sido pequeno nessa hora fugaz que perdura e viverá na eternidade, na memória colectiva.

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publicado às 11:05

Vergonhoso

por Samuel de Paiva Pires, em 16.10.17

O discurso proferido há pouco por António Costa é absolutamente vergonhoso. A total falta de empatia, a incapacidade para a assunção de responsabilidades, a ausência de um pedido de desculpas aos portugueses por, em larga medida, terem sido deixados à sua sorte nestes últimos dias e pelos disparates ontem proferidos por membros do seu governo e por ele próprio, a repetitiva remissão para o relatório da comissão técnica independente sobre a tragédia de Junho deste ano, tudo isto é absolutamente deplorável. António Costa mostrou não ter qualquer sentido de Estado e que a reputação de politiqueiro lhe assenta como uma luva. Se dúvidas houvesse a este respeito, bastaria atentar no resumo de Gabriel Silva dos erros e responsabilidades directas que o Primeiro-Ministro teima em não assumir. Tudo isto vindo de um Primeiro-Ministro que afirma agora que "Depois deste ano nada ficará como dantes", quando a sua proposta de Orçamento do Estado para 2018 não deixa adivinhar qualquer mudança estrutural no dispositivo de prevenção e combate aos incêndios. Como acontece há já cerca de 40 anos e como o próprio António Costa afiançava ontem, para o ano há mais, infelizmente. 

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 22:02

O autoclismo

por Nuno Castelo-Branco, em 16.10.17

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 ...."Ir-me embora seria o caminho mais fácil, ia ter as férias que não tive".

Foi  isto o que o agarradinho e nauseabundo dejecto disse hoje. Haja quem urgentemente prima o autoclismo.

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publicado às 20:47

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Os políticos que não respeitam a vida e desonram a morte não têm condições para ser lideres. António Costa e Constança Urbano de Sousa ainda não realizaram o diálogo filosófico e ético a que estão obrigados. Independentemente de critérios técnicos, logísticos e operacionais, o primeiro-ministro e a ministra da administração interna esquecem que respondem perante Deus e imperativos de ordem moral. A comunidade de crentes não aceita a missa que reitera que "as comunidades têm de se tornar mais resilientes". Este discurso  lembra modelos de selecção natural aplicados por regimes fascistas ou nacional-socialistas. De acordo com a Constança Urbano de Sousa, a tragédia e as mortes tornarão as sucessivas gerações melhor preparadas para o apocalipse final. O determinismo patente nestas afirmações, desprovidas de empatia e religiosidade, remete as vítimas e familiares para a odisseia trágica, para a anulação existencial. A entidade sagrada foi totalmente obliterada em nome de considerações políticas. A ministra da administração tem o desplante de agradecer os profissionais de saúde por terem anulado a greve prevista, mas pode colocar debaixo do travesseiro as quase cem mortes e dormir descansadinha - Tancinha.

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publicado às 12:34

Até quando abusarão da nossa paciência?

por Samuel de Paiva Pires, em 16.10.17

À hora a que escrevo este texto, registam-se 31 mortos nos incêndios de ontem, número que deverá continuar a aumentar. Quatro meses depois da tragédia de Pedrógão Grande, poucos dias após a publicação do relatório que evidencia as falhas graves que originaram esta tragédia - em resposta ao qual, a Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, diz que não se demite - e no dia em que o Secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, afirmou que "Têm de ser as próprias comunidades a ser proativas e não ficarmos todos à espera que apareçam os nossos bombeiros e aviões para nos resolver os problemas. Temos de nos autoproteger, isso é fundamental”.

 

Já nem falo nas consequências políticas que deveriam ser retiradas de tudo isto, da liderança da Protecção Civil por boys incompetentes, da gestão política com o objectivo de manter a popularidade de António Costa e de segurar a Ministra no cargo, da total ausência de conhecimento por parte da Ministra e do Secretário de Estado em relação à forma como vivem as populações no interior rural do país e como combatem os incêndios com os meios escassos que têm à disposição, da redução de meios de combate aos incêndios em resultado da compartimentação deste combate em várias fases, da desorientação e falta de coordenação dos meios existentes, do escandâlo que é o SIRESP, enfim, de tudo o que contribui para o que estamos a viver. 

 

Apenas questiono, considerando que ano após ano se repete este flagelo, que as condições atmosféricas propícias a estes incêndios se registam ao longo de metade do ano, que ao Estado compete garantir a segurança dos seus cidadãos, até quando continuarão os políticos a ignorar a necessidade de estabelecer um dispositivo integrado de prevenção e combate aos incêndios florestais altamente profissional, especializado e em funcionamento durante todo o ano e a tempo inteiro? O que é que ainda terá de acontecer para que isto constitua uma prioridade nacional?

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 12:12

Rui Ramos, "Sócrates só pode ser julgado pela história?":

Perante a acusação contra José Sócrates e Ricardo Salgado, a nossa oligarquia fecha-se em copas: temos de esperar pelo fim do julgamento. Na quarta-feira, alguém fez contas: o julgamento nunca começaria antes de 2019, não acabaria antes de 2025 e, com os recursos, o caso só transitaria em julgado aí por 2030. Não sei se será assim, mas há precedentes para tais vagares. Ora, se aplicarmos a regra, muito querida da oligarquia, de que não podemos pedir a um político uma palavra ou uma linha sobre o assunto enquanto o caso estiver a ser tratado “no lugar próprio”, isto significaria que o regime, confrontado com o maior escândalo da sua história, poderia fingir que nada aconteceu até pelo menos 2030. Como será o mundo daqui a treze anos? Vamos entender-nos: a coberto do processo judicial e da invocação perversa e imprópria de princípios constitucionais como a separação de poderes e de figuras jurídicas como a presunção de inocência, há quem espere reduzir a mais grave indignidade deste regime a uma questão de interesse meramente histórico.

Temos mesmo de esperar pela sentença? Não, por três razões. Primeiro, porque o princípio da separação, que salvaguarda a autonomia de cada poder do Estado, e a presunção de inocência, que garante os direitos do cidadão perante o Estado, não existem para condicionar a liberdade de expressão e impedir o debate público, fundado na opinião legitimamente formada pelos cidadãos a partir da informação disponível.

Segundo, porque aquilo que já foi admitido por José Sócrates em público é mais do que suficiente para uma crise de regime: Portugal teve um primeiro ministro cujas despesas pessoais eram secretamente pagas pelo administrador de uma das empresas que mais contratos obteve do Estado durante o seu governo. No mundo, tem havido grandes escândalos por muito menos. É preciso aguardar por 2030 para os nossos políticos terem opinião sobre isto?

Terceiro, porque este não é só um caso de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais. É um caso, segundo a acusação, de uma conspiração entre um primeiro-ministro e o presidente de um dos maiores bancos para controlarem o Estado, a economia e a comunicação social em Portugal. Sobre a corrupção, a fraude fiscal e o branqueamento de capitais julgará, em relação a cada um dos acusados, o tribunal. Mas sobre o suposto projecto de domínio político-financeiro e a aparente dificuldade das instituições para o prevenir, quem deve falar desde já, no que diz respeito ao regime, senão os políticos?

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publicado às 15:25

Orçamento-drone do Estado

por John Wolf, em 15.10.17

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O raio do contribuinte quer lá saber de cativações, escalões de IRS ou descongelamentos na carreira de funcionários públicos. Todo este jargão do ministério das finanças apenas serve de manobra de diversão. A pergunta simples que deve ser respondida é a seguinte: o contribuinte vai pagar mais ou vai pagar menos impostos em 2018? A resposta é: pagará mais. Estes esquemas de sais e açucares, sistemas de bike sharing e vales para educação geram esquizofrenia fiscal - atiram areia para os olhos do contribuinte. Enquanto o espectáculo decorre com a apresentação de fotocópias sobre drones,  o fogo que arde e que se vê, a geringonça baralha e torna a dar. Todas as benesses prometidas aos que elegeram os partidos que formam o marco de governação serão entregues, mas com efeitos secundários que serão sentidos por todos. Em 2019 chega a factura da festa - mais de 1000 milhões de euros. Mas por essa altura pouca diferença fará. Se a geringonça continuar no poder será mais do mesmo, como se nada fosse. No entanto, se uma alternativa de governo se materializar com as legislativas, o descalabro financeiro das contas públicas já terá dono - a culpa é sempre dos outros. O governo prevê um crescimento económico de 2,6% para alimentar as suas fantasias e a sua alegada generosidade fiscal, mas está a ser irresponsável porque vem aí muita coisa. O acentuar da crise do Brexit com todas as ramificações no nível de exportações da Zona Euro. A subida de taxas de juro do Banco Central Europeu que terá impacto nos intervalos e respectivos juros da emissão de títulos do tesouro. Uma provável valorização do dólar americano à luz de indicações da Reserva Federal que calendariza a subida das taxas de juro de referência. Enfim, um conjunto de temas que não se pode ignorar como o Partido Socialista faz em relação ao autor-acusado José Sócrates. No Largo do Rato sofrem de memória e realismo selectivos. No seu campo de visão apenas entram os amigos socialistas e as belas histórias que têm para contar. Uma plateia cheia de socratinos. Só cretinos.

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publicado às 14:40

PCP patrocina carolino

por John Wolf, em 14.10.17

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O Partido Comunista Português, no próprio dia em que o cão já pode entrar na brasserie, patrocina carolino. Melhor dizendo, patrocina o arroz Carolino (não confundir com Carolina Patrocínio que gasta pouco de isso). O camarada Jerónimo coloca os cotovelos em cima da mesa e chafurda a açorda toda - então e o Bacalhau? Aquele da Noruega, já não conta? Ou será que o seu nacionalismo de Seara Verde apenas se restringe ao arroz Basmati? Pois. Mas há mais na rede. O carapau e o pescado, pescados em águas livres, são de onde? De onde vêm? Quantas léguas marítimas terão feito e será que viram Moby´s Dick? Como podemos ver pela ementa marxista, o gourmand português agora terá de seguir um regime alimentar de índole ideológica. Se a produção agrícola e os custos alimentares é o que está em causa, proponho a bolota e uns bifes de seitan. Mas há mais disparates decorrentes da seca extrema que tomou conta do território continental. Que eu saiba, seja qual for o tipo de arroz, trata-se uma cultura que requer quantidades avassaladoras de água. Enfim. Na sua bandeira de teimosia ostentam a foice e o martelo, mas não percebem nem de uma coisa nem de outra. São comunistas de salão, apreciadores do cante, e quiçá de Kant, mas não pescam nada do cajado. Ou algo quejando.

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publicado às 16:36

Regionalismos

por Nuno Castelo-Branco, em 14.10.17

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 Quem diria que a idade Média acabou  com a chegada de Vasco da Gama a Calecute? Ou terá sido com a Queda de Constantinopla? Para o caso pouco importa, é mesmo uma questão de perspectiva, de região.

Lendo o que se verte copiosamente nas redes sociais, dir-se-ia que o mapa de antanho ainda está bem presente na mente de muito boa gente. Boa? Isso é outra história, perdão, estória.

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publicado às 08:31

Psicose socrática

por John Wolf, em 13.10.17

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Nos dias que correm Portugal sofre de psicose socrática colectiva. E não é caso para menos. Nos próximos tempos o país irá levar com doses cavalares de substância gravosa sem que haja um antídoto eficaz. A cura para o estado patológico existe e encontra-se nos tribunais, mas o quadro aponta para uma processo paliativo longo. Para erradicar de vez todos os vestígios de corrupção vai ser necessária uma empreitada monstra. Na lavagem de roupa suja que se avizinha, seremos provavelmente contemplados com mais enfeites de delito. Teremos resmas de opiniões para passar a ferro e veremos na fila ex-titulares de pastas ministeriais a debitar dados para o jogo de verdade ou consequência. Em abstracto, e sem nada que possa por enquanto apontar nesse sentido, penso nas seguintes ligações afectivas e de parentesco; será que José Sócrates cometeu o pecadilho adicional de subvencionar a casa que o viu nascer politicamente?. Quando António Costa afirma que se deve separar aquilo que pertence à política daquilo que pertence aos tribunais, comete uma imprudência, é insensato - deve esperar para ver. Os barões Pedro Silva Pereira e Jorge Coelho, em aparente estado chill-out, de relaxe e descontração, já sacaram das respectivas cartolas uns fait-divers de ocasião. Eram tão íntimos com o grande chefe que nem sequer poderiam supor que a vida "à grande e à francesa" de José Sócrates trazia Carlos Santos Silva no bico. Quando já não subsistem dúvidas em relação aos factos (existem cofres, havia dinheiro) seria ajuizado que os demais correligionários servissem Portugal e reconhecessem o maior escândalo político do pós 25 de Abril. Mas não, continuam a praticar a mesma política de eufemismos e descontos, retirando a importância que este processo merece. Falta vergonha na cara e ética a tantos que desfilam e irão desfilar. E isso não tem remédio. Sei que existem temas tão importantes para tratar, como o Orçamento do Estado 2018, a continuação da Austeridade ou o relatório sobre Pedrógão Grande, mas eles também sabem. E vêm mesmo a calhar. O que será que o cofre ainda tem para oferecer?

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publicado às 17:19

PeBLOGão Grande

por John Wolf, em 13.10.17

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publicado às 13:13

Centeno, o arguido da dívida

por John Wolf, em 12.10.17

 

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Acusam o camarada Sócrates, e logo no dia seguinte Centeno anuncia que a dívida vai baixar. Existe relação entre os dois factos? Talvez. Mas o ministro das finanças está a ser muito optimista. A haver condenação e compensação financeira, o dinheiro ainda demorará a ser cobrado, a chegar aos cofres do Estado - faltam os recursos, os julgamentos, as sentenças e as execuções. Eu entendo a excitação monetária da geringonça - os milhões do desfalque são muitos -, mas calma, aguentem os cavalos. Para além dessas fantasias, existem incontornavelmente outros factores a ter em conta. Como é que este economista ousa apontar uma melhoria no serviço de dívida, se sabemos sem margem para dúvida, que o Banco Central Europeu irá subir as taxas de juro de referência nos próximos tempos? Como dizia o acusado-mor 44 - "a dívida é para ir gerindo". Até parece que Centeno nunca ouviu falar em ceteris paribus, como se fosse possível congelar a realidade financeira do resto do mundo e analisar Portugal como se esta fosse uma entidade independente, uma Catalunha da dívida pública. Para atenuar de um modo irrisório a tendência fatal de crescimento da dívida o governo de Portugal teria de cortar o investimento público de um modo ainda mais significativo. Ou seja, fingir a ficção dos cofres abundantes, de tesouraria saudável. Mas há mais lições de economia para totós a ter em conta. Sem poupança não há investimento, e a máquina de propaganda da geringonça pura e simplesmente não consegue escamotear a ausência de poupança pública e privada. Diria mais; cada vez que os níveis de confiança dos consumidores se elevam, o governo e o ministério das finanças festejam o facto, brindando-se vezes sem conta pelo comportamento material dos portugueses. E isso é grave. Significa que os trabalhadores gastam a quase totalidade do salário auferido - chapa ganha, chapa gasta. Para além dessa fraude, servem-se de um indicador caduco para se congratularem antecipadamente por vitórias que não controlam. A saber, e a título de exemplo; a Inflação (core inflation) exclui do seu processo de cálculo a Energia e os Bens Alimentares, o que falsifica ainda mais a realidade financeira dos factos. Por outras palavras, o "acordão" de diminuição da dívida pública nem precisa de ter 4000 páginas para ser uma ficção de bolso, de levar por casa. A dívida está encravada e é uma unha sem fim.

 

foto: Jornal Económico

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publicado às 17:57

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