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Sobral de Leiria - plantar pelos dois

por John Wolf, em 23.01.18

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Percebo muito pouco da poda, mas o novo Pinhal de Leiria não deveria ser chamado de Sobral de Leiria? Leio a notícia, vejo as enxadas, parece um enterro, e referem que grande parte das árvores a plantar será sobreiros e não pinheiros. Falta apenas uma coisa - um desígnio nacional como aquele lançado por D.Dinis (1279-1325), embora tenha sido D.Afonso III (1248-1279) a inaugurar a plantação. Que epopeia de descobertas pode ser promovida pela Geringonça? Capital do Móvel já temos. Ikea já cá está. Ah, já sei! Para evitar incêndios noutras partes, o tal Pinhal de Leiria pode ser um parque temático com diversões, comes e bebes - uma zona franca do fogo que arde sem se ver - um exemplo para gerações políticas futuras de como um governo com uma mão lava a outra. Estas inaugurações com pompa e gala deixam-me sempre desconfiado do bicho carpinteiro. Chaparros.

 

foto: John Wolf

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publicado às 09:12

Estamos fechados. Volte mais tarde.

por John Wolf, em 20.01.18

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 Estamos fechados. Volte mais tarde.

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publicado às 12:02

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Não é preciso ser o bruxo de Fafe, nem saber a letra do hino pão, pão, paz e liberdade, para entender que o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE) têm os lugares em risco na selecção da Geringonça. O actual mister dos socialistas anda de olho no avançado Rio, desfazendo-se em elogios à convocação do novo lider da oposição. Para quem sobrevive com as sobras eleitorais de legislativas e transforma derrotas em maiorias e governos, a jogada é um clássico. O esquema táctico pode passar num ápice de um 1-1-1 para um 1-1. O galanteio de António Costa pode até ser considerado uma forma de assédio ao social-democrata Rui Rio. O que o primeiro-ministro deseja, mas nem ao Rato confessa, seria que o camarada do Partido Social Democrata deixasse cair uma parte da nomenclatura dita liberal daquele partido e se convertesse à sua igreja, que fosse adoptado pelos socialistas como se de um orfão se tratasse. Por outras palavras - que se convertesse à religião da Esquerda iluminada. Mas para chegar a tal bloco de notas e realizações falta algo atípico - que Costa se comece a inclinar à Direita e a seduzir uma parte do espectro laranja. Face a estas movimentações e indícios de traição, o PCP e BE poderão sentir o enchifrar de um modo agreste e, em resultado de tal estado político-emocional descontrolado, começar a cobrar caro à Geringonça. Como o PCP e BE continuam a ser o que sempre foram e não têm nem Ruis nem Rios para vender, terão de jogar com a prata da casa. Teremos deste modo uma Catarina ainda mais teatral e um Jerónimo cada vez mais histórico. António Costa sabe que Rui Rio é muito mais intelectual e programático do que a sua persona, por isso terá de reforçar o seu jogo de cintura, apontando alguns golpes de rim aos argumentos económicos e financeiros intransponíveis que cedo irão jorrar do discurso coerente de Rio. O homem do puerto sabe muito mais da poda  do que Costa. Quanto ao traquejo político que falta, lá chegará. O estado de graça de que dispõe é superior ao tempo que remanesce à Geringonça antes que as coisas começem a meter água.

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publicado às 17:28

Ao largo do Rio

por John Wolf, em 14.01.18

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Andaram entretidos a fazer bonecos, a esquiçar desenhos, a apalpar almas gémeas onde elas nem sequer existiam e agora António Costa terá de se revisitar e rever a matriz ideológica que o sustenta, os vícios que o coligam ao Partido Socialista - chegou alguém capaz de o destronar dessa corte colada com o cuspo de uma maioria parlamentar de Esquerda. Rui Rio aí está, e embora ainda se encontre em fase experimental, em versão beta de um sistema político operativo open source, já apresentou credenciais de quem será capaz de buscar apoios e insatisfações daqueles que se iludiram total ou parcialmente com a receita da Geringonça. Existe coerência estratégica da parte do novo líder do Partido Social Democrata, que paulatinamente deixou que o inscrevessem na resistência formada à Esquerda. Rui Rio apresenta-se numa condição híbrida, trans-partidária - como se fosse independente sem descurar atributos liberais, social-democratas ou mesmo de Esquerda. É essa convivência endémica, na relação que mantém consigo mesmo, que o distinguirá das parecenças com António Costa que necessita de se abengalar aos camaradas caducos e prestar homenagem à mitologia de Mário Soares para justificar a acção governativa, como se existissem imperativos de ordem moral, pertença exclusiva da superioridade republicana e socialista. Nessa medida ideológica, devemos considerar Rui Rio como um atéu acabado de chegar, mas que partiu há muito para a mesma travessia da odisseia política de Portugal. Vai haver efeitos de sopro e ondas de choque. No seu partido e no dos outros.

 

foto: OBSERVADOR

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publicado às 14:06

O efeito Sobral foi-se...

por John Wolf, em 09.01.18

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O efeito Salvador Sobral foi-se. Não havia uma camada de gente, a atirar para a sociologia esperta, que afirmava que o estereótipo do Festival Eurovisão da Canção havia sido derreado pelo maneirismo original e musical da canção vencedora "Amar pelos Dois"? Pois. Parece que essa revolução não serviu de grande lição. Salvador Sobral bem tentou, mas a Rádio Televisão Portuguesa já fechou o casting das apresentadoras do certame. Em vez de enveredarem pelo desvio atípico, quiçá com laivos de bizarria e aberração, contrataram em peso as Doce - Catarina Furtada a não sei quem, Filomena Cautela com isso, Sílvia All Berto e Daniela Ruah! Fora daqui. Em vez de aproveitarem o esforço de Sobral para quebrar tradições e conformismos, quedam-se por um quarteto com pretensões de statement político (são só gajas!), a roçar a saia do feminismo "sai o tiro pela culatra". Imaginava facilmente um Manuel Marques, um ou dois Marcelos ou mesmo o emplastro para se juntar à festa e destoar da convenção deste quarteto. Mas há mais. Enquanto a Daniela Ruah rodopia em inglês, as restantes três terão de fazer um esforço para evitar calinadas em inglês técnico. E para além do mais, quatro mulheres juntas já é um festival.

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publicado às 18:54

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A caldeirada dos dinheiros partidários e favores políticos em Portugal deve-se a uma causa relativamente benigna - a falta de lobbies transparentes e regulados. Pensar apenas no financiamento de partidos dá azo a que se levantem suspeições e suposições em relação a tudo e todos. Mário Centeno pediu dois ingressos para ver o Benfica, mas tal facto não deve ser explorado usando a métrica do tráfico de influências. Não chega a tanto. Porém, o Presidente do Eurogrupo foi tonto ao servir-se do argumento securitário, pondo em cheque o protocolo regular instituído para figuras de Estado. Adiante, o jogo da bola não tem a ver com a discussão que urge. Há anos que os políticos de todos os quadrantes se servem de ligações especiais e concessões de bastidores. E é isso que deve ser corrigido, criando uma modalidade regulamentar que contemple todos os modos de transferência de meios, financeiros ou de outra natureza. Se o financiamento de forças políticas constar de um mapa obrigatório e de acesso online deixa de haver zonas cinzentas. Os Estados Unidos oferece péssimos exemplos em muita coisa, mas as regras são claras quanto à subvenção de agendas políticas - sabe-se de onde vêm os dinheiros. O que deve ser tido em conta em Portugal é a privatização do financiamento dos partidos. Não faz sentido que os contribuintes paguem a dobrar a acção política. Já basta que paguem os salários parlamentares, do executivo ou do presidente da república. Se o mercado político for privatizado e transparente, o dinheiro fluirá para onde houver mais credibilidade. A ideologia partidária teria, deste modo, de se fazer valer pelas ideias, que nutririam mais ou menos apoio financeiro de acordo com a sua consistência. Os lobbies, organizados em torno de causas, serviriam para disciplinar o caos e banir a prevaricação que ocorre na paisagem política nacional. Mas mais importante do que estas questões administrativas, seria estabelecer a correlação entre o financiamento de partidos e o avançar das causas meritórias que o país exige. O financiamento partidário, nos actuais moldes, parece desenvolver-se numa economia paralela, no sub-mundo da política. Não é líquido que do financiamento partidário resultem melhores soluções políticas para o país. E os portugueses gostariam de ver tudo à tona, à luz do dia e do seu juízo.

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publicado às 10:51

Pedro Santana Lopes - O sonho de um Portugal maior

por Pedro Quartin Graça, em 07.01.18

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A escassos dias da eleição em directas do próximo líder do PSD, e em jeito de balanço rápido, uma breves linhas. Começo desde logo pelo mais difícil, o vaticínio: Pedro Santana Lopes será o próximo presidente do PSD. E sê-lo-á por mérito próprio. Foi o único candidato que ousou apresentar um programa de candidatura completo, detalhado, que soube construir, divulgar e explicar em sedes várias junto dos seus eleitores: os filiados do PPD/PSD, e ao longo dos vários meses de campanha. Mas, igualmente, na comunicação social, com a qual manteve o tradicional bom relacionamento que o caracteriza. O único candidato que apresentou um visível trabalho de equipa, estruturado, pensado e organizado. O único candidato, também, que não cometeu erros de percurso e que manteve, do princípio ao fim, como é seu timbre, sem tibiezas ou recuos, os valores que sempre nortearam a sua vida, quer política, quer pessoal.

 

Se há algo que devemos admirar no percurso de Pedro Santana Lopes é a sua resiliência, a sua capacidade de superar obstáculos, de resistir à pressão de situações adversas, até mesmo a sua enorme resistência física e psicológica, de quem continua genuinamente empenhado na defesa dos ideais em que acredita e num sonho para Portugal: o de ser grande, de ser tão grande como os maiores da Europa. Um sonho que Francisco Sá Carneiro já tinha e que Pedro Santana Lopes irá ter desta vez todas as condições para concretizar à frente do seu PPD/PSD, assim seja essa a vontade dos Portugueses. 

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publicado às 09:27

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A cavalo dado não se olha o dente? Olhe que não. Eu teria algum cuidado se fosse um dos recipientes das indemnizações decorrentes da tragédia dos incêndios. As vítimas e familiares das vítimas de Pedrógão  esfregam as mãos de contente por receberem o cheque assinado por Centeno, mas cautela. Como em qualquer apólice de seguro, é importante ler a letra miudinha. Aqui têm a cláusula que diz tudo: "António Costa explicou que o direito de regresso será exercido "se vierem a ser identificadas responsabilidades que possam levar o Estado a exigir o direito de regresso destas indemnizações que adianta." Por outras palavras, os beneficiários recebem o cheque, mas caso se alterem as condições que sustentam a substância e a forma da responsabilidade do Estado, toca a devolver o dinheiro. Podemos então concluir que se trata de um empréstimo político, adequado à época pré-legislativa de campanha. Aposto que apenas pegam no estorno e transtorno da questão se o Partido Socialista (PS) ganhar as eleições de 2019. Até lá a responsabilidade será sempre do Estado, porque convém. Ou seja, seria um tiro no pé enviar o cobrador do fraque ir recolher o dinheiro malparado antes do tempo, durante a legislatura. Se o PS não for tido em conta num novo governo, lá para 2019, então será perfeito - a batata quente passa para outros que farão o favor de ser os maus da fita. Não julguem por um instante que quem vos governa não pensa deste modo. É assim mesmo que funciona. Política é um jogo de atrasos e antecipações, empréstimos e devoluções.

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publicado às 17:34

Estão de consciência tranquila

por John Wolf, em 04.01.18

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"Estou de consciência tranquila" - José Sócrates

"Estou de consciência tranquila" - Ricardo Salgado

"Estou de consciência tranquila" - Armando Vara

"Estou de consciência tranquila" - Isaltino Morais

"Estou de consciência tranquila" - Constança Urbano de Sousa

"Estou de consciência tranquila" - António Costa

"Estou de consciência tranquila" - Paulo Cafôfo

"Estou de consciência tranquila" - Paula Brito da Costa (Raríssimas)

"Estou de consciência tranquila" - Vieira da Silva

"Estou de consciência tranquila" - Emanuel Martins (O Século)

"Estou de consciência tranquila" - João Ferreirinho (O Século)

"Estou de consciência tranquila" - (por favor, preencher......)

 

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publicado às 19:35

Os mexicanos de Portugal nos EUA

por John Wolf, em 04.01.18

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Não é raro ligarmos a televisão, ou acedermos a uma app de um meio de comunicação social nacional, e deparar-mo-nos com uma notícia sobre estrangeiros ilegais agarrados no pico da noite (numa casa de alterne) ou num mero controlo rodoviário, para serem emitidas guias de marcha por permanência disconforme no território. Essa ocorrência é frequente. O ministro dos negócios estrangeiros Santos Silva afirma, em defesa dos mais de 4000 compatriotas que constam dos serviços de imigração dos Estados Unidos da América, que os mesmos transpuseram os 90 dias de estadia autorizada, por descuido (não confundir com gases) ou, passo a citar, o típico "deixa andar" luso. Relembro o seguinte facto, irrisório, mas perfeitamente ilustrativo - na qualidade de extra-comunitário (portanto cidadão de um país não-membro da União Europeia) sou obrigado a renovar a minha autorização de residência junto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras a cada cinco anos, mesmo tendo o estatuto de "permanente" no território. Após 30 anos em Portugal assumo esse protocolo absurdo, mas entendo a perspectiva dos serviços - pago uma taxa pela renovação -, e isso ajuda os cofres falidos do Estado. No entanto, não me quedo por este queixume. Os golden visa, atribuídos a arrivistas, com meios financeiros para investir 500 mil euros em Portugal, discriminam flagrantemente quem há muito chegou ao país. Em abono da verdade e justiça contributiva, teria argumentos sólidos para reclamar tratamento paritário em função da longevidade da minha residência. Calculemos então o meu contributo para a economia nacional ao longo de 30 anos e confirmemos se excedo ou não a fasquia-prémio dos 500 mil euros - ou seja, uma leitura retroactiva financeira e contributiva seria válida. Retomando o fio condutor deste artigo: não me parece que se possa meter no saco da viola do nacionalista make america great again Trump este tratamento de nacionais. Os 4000 portugueses apanhados na paisagem americana devem acatar as regras locais. Se de facto o objectivo era a sua mexicanização no mercado laboral americano, então devem acarretar com as consequências desse ilícito. O ministro dos negócios estrangeiros não pode invocar a distracção ou amnésia de quatro mil portugueses. Eu sei que a ficha negocial do casino das Lajes ainda tem algum valor de mercado, mas os Estados Unidos da América são o cúmulo do resto do mundo. Nós americanos somos eternos emigrantes, chegados há mais ou há menos gerações. Em suma, Portugal e os Estados Unidos da América são parecidos em tanta coisa. Se eu fosse ministro dos negócios americanos, procuraria, em definitivo, um acordo bilateral para facilitar estas ninharias burocráticas. Afinal sinto-me parte da realidade lusa - bato-me por Portugal, sinto as suas mágoas e regozijo-me com as suas alegrias. Mas Santos Silva não pode deixar este tema ao sombrero da bananeira.

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publicado às 15:11

Sobre o financiamento partidário

por Nuno Gonçalo Poças, em 04.01.18

Disponível para receber hate mail, a partir de hoje, também no Observador.

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publicado às 08:55

A falência técnica do PS

por John Wolf, em 03.01.18

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Sempre apreciei sátiras, mas sou mais fã de ironias do destino. Para esta rábula sirvo-me do falido Partido Socialista (PS), porque este assume-se como lider da pandilha, mas a ilustração pode servir de template para qualquer partido político. Pensavam eles que enquanto o português enchia o bucho com rabanadas faziam passar a Lei do Financiamento dos Partidos. Nada de mais errado. Venham de lá mais hérnias para endireitar as costas dos políticos. Bravo Marcelo. Mas adiante. Vamos ao Largo do Rato. Face à falência do PS, vejo alguns caminhos de salvação. Começemos pela austeridade doméstica; o corte nas despesas e mordomias dos dirigentes socialistas; o acesso a empréstimos bancários mediante a concessão de garantias imobiliárias; a angariação de receitas próprias, designadamente a transformação da sede do Rato em alojamento local com direito a tour político e a oferta de um brinde de campanha. Enfim, é absolutamente deplorável que os partidos estejam nesta situação. Para todos os efeitos, a Geringonça é como uma Troika, e eu esperava mais solidariedade e racionalidade na gestão de meios. O Partido Comunista Português, o grande capitalista imobiliário do panorama partidário, poderia, se fosse mesmo marxista, ceder um edifício ao PS ou conceder um empréstimo com juros bonificados aos seus camaradas de governação. Pensava eu que o Mário Centeno poderia ser um belo patrão das contas internas do PS, mas arranjaram mesmo um Patrão, um tal de Luís Patrão. Tecnicamente falido - dizem eles - uma expressão simpática. Faz lembrar a técnica da força ou a força da técnica. Não interessa. Estão falidos. Venha de lá uma execução fiscal, o arresto de bens, o congelamento de contas - aquilo a que está sujeito o zé ninguém, o cidadão anónimo, filiado na ilusão do fim da Austeridade, a fraude vendida por essa mesma casa arruinada. Marcelo devia aproveitar a deixa e propor a elaboração de uma Lei da Falência Técnica dos Partidos. Chega de perdões. Para magoar, tem de doer a todos. A ironia do destino é a Austeridade que o PS vai ter de administrar a si mesmo. Talvez seja boa ideia pedirem ajuda ao Passos Coelho, que sabe como se faz.

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publicado às 11:05

2018 e o lápis azul da Geringonça

por John Wolf, em 01.01.18

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A geringonça decididamente não é a outra senhora; o governo já não tem uma PIDE. Mas eles andam aí, reencarnados, dotados de um sentido, de uma missão - afastar qualquer forma de informação conducente a protesto político. Subrepticiamente, mas efectivamente, o governo tenta colocar em lugares-chave agentes de controlo da comunicação. Não lhes convém que se levantem ondas. A nomeação de Nicolau Santos para presidente do conselho de administração da Lusa faz parte da narrativa que sugiro. A agência noticiosa deveria ser regida por critérios de pureza, de idoneidade e imparcialidade. O director-adjunto do Expresso entra mesmo a tempo (na Lusa) e antes da nomeação de um novo lider do Partido Social Democrata (PSD). O simples facto dos nomes de João Soares e Gabriela Canavilhas terem sido referidos para o cargo em questão confirma algum nervosismo da agência de comunicação do governo. Parece que irão precisar de reforços para aguentar a verdade incontornável dos dados de governação e a liderança do PSD. Este ano será particularmente interessante com o Banco Central Europeu a reduzir o apoio financeiro a países como Portugal. Aliás, não faria sentido outra coisa. Se o sucesso desmesurado da economia e finanças de Portugal é inegável, não vejo razões para que continue a ser subvencionado. Mas eu não me quero afastar do tema central de este post - a censura. Ainda ontem, sem nunca imaginar que tal pudesse acontecer, fui bombardeado com insultos e ofensas por ter atribuído o prémio Flop do Ano às ciclovias da Câmara Municipal de Lisboa. A um ritmo feroz e intensamente ideológico foram chovendo comentários intensamente pendulares, totalmente inclinados para a excelsa governação de Fernando Medina. A maior parte dos comentadores apresentava-se na qualidade de anónimo ou desconhecido, mas era mais que óbvio que trabalhavam para a agência noticiosa da autarquia. O que me valeu foi o lápis azul. A dada altura, face à torrente medíocre de insultos e palavrões, decidimos que grande parte dos comentários não seria aprovado. Recordo aqueles mais distraídos - a internet não é uma democracia. Assim sendo, neste primeiro dia do ano, faço a seguinte promessa. Não nos vergaremos perante tentativas de condicionamento ou coacção seja qual for a casa política ou partidária que os instigue ou os consubstancie. Se querem esgrimir-se de razões, façam-no com a inteligência da argumentação e a volúpia da forma literária. Melhor ainda, dêem a cara, criem um blog (ainda recebem algum do governo) e assinem os artigos de opinião. Não vale a pena ficarem nervosos por causa de umas pedaleiras.

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publicado às 18:40






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