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Joana Vasconcelos - arte?!

por Samuel de Paiva Pires, em 21.06.12

Por uma vez estou de acordo com o que se escreve no Arrastão, no caso, pelo Sérgio Lavos. Já de há alguns anos a esta parte que se tornou evidente o apoio regimental a Joana Vasconcelos, que recentemente se reflectiu nas palavras manifestamente exageradas de Paulo Portas. Deixando de lado este descaramento, mais uma vez pago pelos contribuintes, o que realmente me provoca espanto é a classificação do trabalho de Joana Vasconcelos como arte. Arte contemporânea, claro está, o que faz com que este espanto não seja, obviamente, exclusivo a Joana Vasconcelos. Doem-me os olhos ao ver as fotografias da exibição em Versailles. Esteticamente, é piroso e pavoroso. Simbolicamente, parece-me cair na classificação de Heidegger de "má arte", ou seja, é superficial, não indo além de uma mera relação linear com o que pretende representar, tendo uma mensagem meramente efémera, fácil e rapidamente captável, mas que fica por aí. Como salienta Mark Vernon, "não consegue ver para além da pequenez dos seus próprios  horizontes auto-confiantes." Um lixo, portanto.

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publicado às 13:25


4 comentários

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De Isabel Metello a 21.06.2012 às 15:54


Sim, Samuel, Arte, eu adoro os trabalhos de Joana de Vasconcellos, apesar de achar que a Fundição de Oeiras deveria ter continuado a produzir as máquinas de lavar roupa de marca homónima (não me estou a referir a outras lavagens :), para exportação (tive uma muitos anos e era uma valente e creio que ainda funciona para quem dela, hoje, tira proveito, para além de 2 armários meus que as oligarquias nefastas nem 1 ano e meio de divórcio me permitem ter acesso à divisão dos bens móveis- está a ver a realidade a misturar-se com a Arte- Dalí dizia a esse propósito :) "I do not believe that reality can be everywhere at the same time whereas God can be"...:) Aliás, se o Samuel tiver acesso à obra The Dalí Universe de Beniamino Levi, verá que Dalí não se limitou a ser um pintor- sabe as peças que mais me fascinaram numa exposição temática em Londres? (fui tb à do Palácio do Freixo no Porto e à do Palácio do Egipto em Oeiras, mas eram só litografias...fraquitas- até a minha Filha se aborreceu!...:) as peças em bronze Alice no País das Maravilhas, O Cavalo selado com o Tempo, A Cadeira de Colheres, O Perfil do Tempo, A Mulher Girafa, A Máscara Funerária dde Napoleão, O Cisne-Elefante, O Armário Antropomórfico, Vénus Atravessada por Longas gavetas, A Mulher em Chamas, A Mulher de Cabeça de Rosas, O Candelabro, , A Taça para não se Beber,   a peça de vários metais Caduceus,  o sofá dos Lábios de Mae West (já muito desbotado- é que estavam lá obras autênticas e réplicas...:), a mesa´com pernas de pássaro, um candeeiro lindíssimo- o Candeeiro Bracelli, a Cadeira e a mesa Leda, O Talher de Mafalda Davis (deslumbrante!:), as peças em ouro O Sol Golrioso (deslumbrante!!! :)O Pequeno Relógio Colher, O Espelho para Gala, a peça Isis, A Flor de Dalí  e, principalmente, as peças que Dali fez para o toucador de Gala- simplesmente Sublime! Eu crei que A Última Ceia de Dalí É uma das Minhas Favoritas, mas Dalí para além de Um Génio da pintura Era um Génio nas instalações, por ex: o Objecto Surrealista em Funcionamento Simbólico (inspirei-me nele para a Vénus Objectivada com que concorri ao Prémo INATEL 2007 e foi uma das escolhidas para a exposição- os meus antigos Amigos chamavam-lhe a esfregona...

Como diria Dalí : "If one understands one´s painting in advance one might as well not paint anything" e "The first man to compare the cheeks  of a young woman to a rose was obviously a poet; the first to repeat it was possibly an idiot!" :)))

Cmo tal, é um orgulho para Portugal ter as peças de Joana de Vasconcellos no Palácio Versailles- aptre , ainda bem que não é só a porcaria do F opiáceo!!! E digo-lhe :) não há nada mais poético do que o contraste entre uma ambiência oitocentista como suporte base de peças do séc. XXI! Adoro contrastes! Aliás, creio que a questão do Museu Colecção Berardo é uma ingratidão, pois tantos de nós pudemos ter acesso gratuito a obras de Arte Pop e outras contemporâneas através dessa acessibilidade, sempre pedagógica!

Olhe, pena tenho deu que as pessoas responsáveis pelos outros museus não tenham a visão anglo-saxónica de os proomover de forma pragmática como se o faz tão bem no CCB e já tb na Gulbenkian, pois se forem ao Victoria and Albert Museum verão como ali não há pruridos em expor uma estátua de Rodin ao lado de uma exposição de Alta Costura com modelos tipo bonecas com criações de Grandes Costureiros! Lindo! Só tive pena de não poder ter fotografado lá dentro, só o pude fazer quando saí da exposição! Isso sim, isso é uma visão autopromocional do património que só o favorece e dignifica! O que nos interessa O Museu de Arte Antiga se não houver uma autopromoção inteligente e eficaz do mesmo, que faz com que esteja às moscas? Rien du tutu...
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De Nuno Castelo-Branco a 21.06.2012 às 16:17

Conheço praticamente nada da obra de JV e assim, é difícil opinar. Vi o sapato de tachos e algumas das imagens dos ferros trabalhados que se encontram em Versalhes. Não sei o que te diga, mas actualmente o conceito de arte é muito lato e para todos os gostos. No que se refere a Versalhes, o grupo de amigos do palácio está profundamente irritado com a exposição. O Palácio sofreu obras de conservação, o Petit Trianon está impecável e embora o conjunto se encontre terrivelmente depauperado de mobiliário - destruído, roubado e vendido a pontapé após a tragédia de 1789 -, Versalhes é sem qualquer dúvida, o mais imponente monumento de França. Os sponsors - creio que o grupo se chama Amis de Versailles ou qualquer coisa do género - vê em centras exposições, como aquela que há uns tempos lá foi colocada por Jeff Koons, apenas como um maio de desacralização do local e claros intuitos políticos. Já visitei o palácio e compreendi a rendição total dos turistas que lá estavam. Um perigo para o "bom" nome da república francesa...
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De Nuno Castelo-Branco a 21.06.2012 às 17:58

Dei uma vista de olhos na exposição online. Ha peças bastante boas, como os leões e os lustres, por exemplo. Gostava de visitá-la, mas a crise não me deixa sair do país há 11 anos. Desculpa-me os erros  no comentário anterior, sempre ditados pela pressa.
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De Francisco Feijó Delgado a 21.06.2012 às 23:13

Não estou nada de acordo. Arte é Arte portanto subjectiva, mas só o curriculum da Joana, com invejável sucesso, é sinal de que é levada a sério por esse mundo fora.


Mas como passando além do curriculum, não considero que a arte seja má e desprovida de profundidade. Sim, faz uso do kitsch e do piroso em algumas das suas peças mas até isso tem propósito. As filigranas de talheres de plástico, a obra Varina, ou o Sr. Vinho são peças belíssimas. Nem que fosse só pela proeza técnica da criação àquela dimensão. 


Além disso a força das obras vem, em parte, dos aspectos populares que nelas estão contidos. E não só referencias estéticas ou de forma, mas na própria construção, como as 500 bordadeiras de Santa Maria da Feira que participara na "Varina". Ouvir a Joana Vasconcelos falar da sua obra é uma delicia e não tenho dúvidas que a sua carreira vai dar muito que falar ao longo dos próximos anos.


Se não lhe apraz, está no seu direito, mas daí a chamar lixo...

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