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Permitam-me dar-vos um exemplo prático de como a academia pátria foi tomada por medíocres e está povoada por idiotas que vivem em concubinato com o poder político. Pedro G. Rodrigues era conselheiro do Secretário de Estado do Orçamento do segundo governo de José Sócrates. Quando este caiu, João Bilhim, recrutado por Miguel Relvas para presidir a Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública, mas à altura presidente do ISCSP, próximo do Partido Socialista e responsável pela elaboração do fiasco que dá pelo nome de PRACE, começou a contratar amigalhaços que tinham acabado de perder o emprego, conforme já aqui eu havia escrito, entre os quais Pedro G. Rodrigues. E por que é que isto importa? Porque Pedro G. Rodrigues, que, vá-se lá saber porquê, teve a honra, que não me recordo de ter sido dada a qualquer outro docente - digno desta qualificação -, de ter um paper seu publicitado na primeira página do site do ISCSP, revela hoje no Jornal de Negócios uma das ideias mais bárbaras - e estou a ser simpático - que tive o desprazer de ler nos últimos anos (via João Miranda e Ricardo Arroja).

 

«Proponho que o Estado imponha temporariamente um regime de despesa privada obrigatória. Nesse regime os titulares de depósitos bancários dispõem, no máximo, de seis meses para gastar uma fracção do saldo na compra de bens e serviços em território nacional. Findo esse prazo, do montante ainda por gastar é transferida para o Tesouro a parte que corresponde à taxa média actual de IVA e de impostos específicos. Na prática, não há qualquer transferência porque não haverá nenhum montante por gastar ao fim de seis meses. Esta é uma solução equilibrada, dado que quanto maior é o saldo, maior é a responsabilidade e a capacidade de relançar a economia. Cada um é livre de comprar o que quiser, desde que seja em território nacional e até ao prazo limite, mas deve saber que a compra de um bem ou serviço importado não aumenta o PIB.»


Sim, este senhor é docente universitário. E sim, a academia portuguesa é muito isto. 

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publicado às 22:45


6 comentários

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De Fernando Melro dos Santos a 02.05.2013 às 23:00

São todos matéria comburente do melhor que já vi. Quando o "tecido social" estalar como há-de estalar (se calhar já a partir de amanhã às 20h00) terão o seu momento musaranho-a-meio-da-estrada-encandeado-pelos-faróis. Depois, metade foge e a outra metade desintegra-se onde estiver. Não ficará pedra sobre pedra.
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De Nuno Castelo-Branco a 03.05.2013 às 09:39

pelo que parece, estamos em guerra, o Roosevelt também inventou os bonds que se tornaram quase obrigatórios. 
Quem não os adquiria era mal visto. Enfim, esta brilhante ideia da "despesa privada obrigatória", além de parva - as pessoas não têm dinheiro -, deve ser mais uma forma de abjecto "neo-liberalismo", claro...
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De Pedro Teixeira a 05.05.2013 às 13:53

Caro Samuel,

Que a ideia é bizarra e quiçá bárbara, não tenho grandes dúvidas; acho-a até vagamente cómica, devo dizer. Agora que daí se conclua da mediocridade da academia portuguesa... Parece-me um exagero.
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De Samuel de Paiva Pires a 06.05.2013 às 00:03

Caro Paulo,


Não é a partir deste caso que concluo da mediocridade da academia lusa. É a partir de todo o conhecimento e experiência que tenho em relação à mesma - e obviamente não o concluo para toda a academia, mas são raras as excepções.


Saudações,


S.
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De Pedro Teixeira a 06.05.2013 às 15:42

Mas, caro Samuel, a academia lusa, não sendo de grande dimensão quando comparada com muitas das suas congéneres, ainda assim não se resume a meia dúzia de pessoas. São muitos departamentos e centenas de pessoas. Seria necessário, do meu ponto de vista, conhecer aprofundadamente (e presumo que isto leve algum tempo) a mesma, em todos os seus aspectos, para afirmar algo tão severo. Não quero dizer que não tenha razão, ou que não lhe assistam argumentos para afirmar o que afirma - creio que conheço pelo menos parte dos seus motivos, que expôs nos textos relativos à sua candidatura a uma bolsa da FCT -, mas duvido que possa sustentar integralmente esse diagnóstico. Digo que duvido, pois pode bem ser que o Samuel possua esse conhecimento compreensivo da nossa academia, e aí a minha prudência é apenas ingenuidade e ignorância.

Saudações,
Pedro (e não Paulo!)
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De Samuel de Paiva Pires a 06.05.2013 às 15:48

Caro Pedro,


Antes de mais, as minhas desculpas pelo lapso. O tipo de diagnóstico que o Pedro aponta seria praticamente impossível a qualquer pessoa, por limitações evidentes. É por isso que existem generalizações, que captam apenas parte da realidade. Partindo daquela que conheço, é daí que concluo que a mediocridade que grassa na academia lusa é avassaladora. O que não significa que toda a academia seja medíocre, e se foi isso que o meu post deu a entender então cabe-me pedir desculpa, pois não era essa a minha intenção.


Saudações

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